2 de out de 2017

Estudo da “Historicidade dos Evangelhos”.

O primeiro Evangelho a ser escrito teria sido o de Marcos, por volta do ano 42 d.C., quando ainda estavam vivas as testemunhas oculares dos eventos ali narrados. Logo em seguida, e antes do ano 50, foi escrito o Evangelho de Mateus, com um texto um pouco mais longo que o de Marcos. Pelo ano 62 d.C., o mais tardar, Lucas escreve a sua díade: o Evangelho e os Atos dos Apóstolos, talvez em defesa de Paulo que estava preso em Roma. Alguns acreditam que antes mesmo dos anos 70, João teria escrito o seu Evangelho, que contém uma elaboração teológica muito maior que os outros. A questão central está em que com estas recentes descobertas, podemos com muita segurança, ao menos para os sinóticos, colocar a data de composição dos Evangelhos para bem antes do ano 70, quando ainda estavam vivas as testemunhas oculares dos eventos dos quais Jesus Cristo participou. Muitos da Escola das Formas achavam que a descrição da destruição de Jerusalém predita por Jesus no Evangelho de Mateus, fora ali colocada porque a comunidade que teria escrito o Evangelho também havia presenciado a destruição, e não porque Jesus tivesse a capacidade de prever tal acontecimento. Ora, isto se devia a uma deturpação a quanto ao que é histórico no Evangelho. Hoje em dia esta hipótese não se sustenta mais:
Jesus tinha, sim, a capacidade de prever o que aconteceria no futuro, e a queda de Jerusalém foi prevista por Ele e documentada no Evangelho de Mateus, antes que o fato acontecesse.

O nascimento dos Evangelhos sinóticos
Durante a década de 70 e parte da de 80, até a sua morte em 1986, o Pe. Jean Carmignac dedicou-se ao estudo da origem dos Evangelhos sinóticos.
Trabalhando com as descobertas de Qumrân e sendo o principal autor de artigos na Revue de Qumran por um longo período, ele se aprofundou nos estudos de tradução dos Evangelhos para o hebraico. Descobriu então na tradução, versos e rimas que não aparecem nos textos gregos. Isto acontecia aos milhares. Os indícios de que os Evangelhos de Marcos e de Mateus foram escritos originalmente em hebraico estavam se confirmando. Antes de morrer, ele estava preparando alguns livros para os especialistas da área, com farta
documentação que comprovava a sua tese. Além disso, verificou que o Evangelho de Marcos teria sido escrito originalmente por Pedro em hebraico, e Marcos teria sido o seu tradutor para o grego.

Evidência interna no Evangelho de Lucas
Lucas, que escreveu o seu Evangelho a partir de Paulo, e que foi, dos três sinóticos, o mais tardio, como vimos anteriormente, tem em seu Prólogo o seguinte texto (Lc 1,1-4): 1 Visto que muitos já tentaram compor uma narração dos fatos que se cumpriram entre nós - 2 conforme no-los transmitiram os que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da Palavra - 3 a mim também pareceu conveniente, após acurada investigação de tudo desde o princípio, escrever-te de modo ordenado, ilustre Teófilo, 4 para que verifiques a solidez dos ensinamentos que recebeste.

Ora, Lucas afirma não ser o primeiro a escrever um Evangelho e diz que se baseou nos fatos narrados pelas testemunhas oculares dos acontecimentos ocorridos com, e que envolveram, Jesus Cristo, tendo providenciado uma "acurada investigação de tudo desde o princípio". Este é um relato que evidencia a autenticidade e a historicidade do Evangelho de Lucas.

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