22 de ago de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXI

No início do capítulo 29 – “A Visão de Francisco” –, de “Nosso Lar”, André Luiz, conforme dissemos, recebe uma ligação ao aparelho de “comunicações urbanas”, ou, em outras palavras, ao nosso velho e útil telefone com fio. Era Laura, a mãezinha de Lísias, que desejava as suas notícias, já que ele não voltara para casa – voltamos a frisar que a comunicação entre ambos não aconteceu telepaticamente, mas sim através da palavra articulada.
Ao telefone, a simpática matrona lhe diz: “Muito bem, meu filho! apaixone-se pelo seu trabalho, embriague-se de serviço útil. Somente assim, atenderemos à nossa edificação eterna. Lembre-se, porém, que esta casa também lhe pertence.”
Reflitamos sobre como, em obediência aos Desígnios Superiores, as coisas acontecem: muito provavelmente, André Luiz não fora parar na casa de Lísias e sua mãe por obra do acaso, posto o acaso não existe nem mesmo aqui, ou muito menos aqui, na Vida além da morte. Chico Xavier, quando encarnado, ao informar sobre a reencarnação de Emmanuel – ele sempre se referia ao fato com muita discrição –, dizia que Emmanuel haveria de descender da família de Laura e Ricardo, que, segundo ele, seriam seus avós. Claro, igualmente, está que, André Luiz, através da mediunidade de Chico, não se ligaria à Obra de Emmanuel por mero acidente de percurso.
*
Bem, vamos lá.
Um rapaz, internado num dos Pavilhões das “Câmaras de Retificação”, começara a gritar, e Narcisa se mobilizara para atendê-lo. Era Francisco, que, alucinado, se referia à visão que estava tendo de um “monstro”, assim dizendo: “Irmã Narcisa, lá vem ‘ele!’, o ‘monstro! Sinto os vermes novamente! ‘Ele!’ ‘Ele!...’ Livre-me ‘dele’, irmã! não quero, não quero!...” O “monstro”, referido por Francisco, era a visão de seu próprio corpo já em adiantado estado de decomposição...
Narcisa, então, assim explica o fenômeno a André: “O pobrezinho era excessivamente apegado ao corpo físico e veio para a esfera espiritual após um desastre, oriundo de pura imprudência. Esteve, durante muitos dias, ao lado dos despojos, em pleno sepulcro, sem se conformar com situação diversa. Queria firmemente levantar o corpo hirto, tal o império da ilusão em que vivera e, nesse triste esforço, gastou muito tempo.”
Antes de prosseguir, permitam-me narrar o que, em certa ocasião, Chico contou aos amigos.
Chico tinha o hábito de orar no cemitério – sempre que podia, a fim, talvez, de não ser incomodado em suas preces e reflexões, Chico se dirigia ao chamado “campo santo”. Numa dessas visitas ao cemitério, em tarde muito chuvosa, Chico se deparou com a figura de um homem ao pé de um túmulo. Ele estava de chapéu, envergando uma capa escura que lhe caía, praticamente, até aos tornozelos – usava botinas pesadas, próprias para quem trabalha em terreno lamacento. O médium, contudo, percebeu que aquele homem, um espírito fora do corpo, estava cheirando à bebida – estava alcoolizado! Ambos, então, começaram a conversar com naturalidade, pois Chico sempre dialogava com os “mortos” com a mesma espontaneidade que conversava com os “vivos”.
- Meu irmão – perguntou-lhe Chico, no rápido diálogo que se desdobrou –, o quê está fazendo aqui, debaixo dessa chuva?...
- Eu trabalho aqui! – respondeu apontando para uma das covas.
- O senhor é coveiro?! – tornou o médium com simplicidade.
- Não! – replicou o espírito daquele homem que, segundo Chico, era muito alto e robusto. – Eu pulo aí dentro para tirar quem não quer sair... É por esse motivo que eu bebo! O mau cheiro é muito forte! Se eu não beber, eu não aguento!...
*
Quanta coisa, para os espíritos, existe no primeiro “ensaio de movimento”, além da matéria densa, que os homens encarnados desconhecem, não é mesmo?! Quem poderia imaginar a existência de coveiros “às avessas”, trabalhando no Mundo Espiritual, “desenterrando os espíritos” excessivamente apegados à forma que se deteriora?!...
Francisco, o personagem de André Luiz no capítulo em estudo, havia deixado o corpo num desastre – certamente, quando ainda contava viver mais longamente na Terra, sem qualquer preocupação de ordem transcendente. Narcisa, em sua preciosa elucidação, acrescentou que o rapaz “amedrontava-se com a ideia de enfrentar o desconhecido e não conseguia acumular nem mesmo alguns átomos de desapego às sensações físicas.”
Acreditem: para a esmagadora maioria dos que deixam o corpo físico, pelo fenômeno da desencarnação, morrer representa o mesmo que, em trajes menores, alguém ver-se numa praia, diante do mar infinito que se sente impelido a enfrentar, mas que, sem saber nadar ou nadando mal, sequer ousa tirar os pés da areia!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 21 de agosto de 2017.

21 de ago de 2017

ERA UMA VEZ...

Era uma vez Cármen Cinira,
Um coração
Cheio de sonho e flor, que mal se abrira
Nos jardins encantados da ilusão...
Estraçalhou-se para sempre
Na voragem
Das trevas, dos abrolhos!...

Era uma vez Cármen Cinira...
Uma suposta imagem
Da perene alegria,
Mas que trouxe em seus olhos,
Eternamente,
Essa amarga expressão de alma doente,
Cheia de pranto e de melancolia!...
Cármen Cinira! Cármen Cinira!
Que é da minha cigarra cantadeira'?
Embalde te procuro.
Por que cantaste assim a vida inteira,
Cigarra distraída do futuro'?

Perturbada,
Aturdida,
Busco a mim mesma aqui nestoutra vida...
Onde estou, onde estou'?
Minha vida terrena se acabou
E sinto outra existência revelada!

Não sei por que me sinto amargurada...
Sinto que a luz me guia
Para a paz, para um mundo de alegria.
Mas, ó imortalidade,
Se na Terra eu te via
Como a aurora divina da verdade,
Não julguei que inda a morte me abriria
Esse cenário deslumbrante
De outros sóis e de outros seres,
E vejo agora
Que não amei bastante,
E não cumpri à risca os meus deveres!

A fagulha de crença
Que eu possuía,
Devia transformar numa fornalha imensa
De fé consoladora,
E incendiar-me para ser luzeiro.

Mas, ó Senhor da paz confortadora,
Eu vi chegar o dia derradeiro
Em minha dor, na máscara de festa,
E a morte me apanhou
Como se apanha uma ave na floresta.
Experimento a grande liberdade!
Todavia, Senhor, ampara-me e protege
Minha triste humildade!

Eu te agradeço a paz que já me deste,
Mas eis que ainda te imploro comovida,
Porque me sinto em fraca segurança;
Deixa que eu guarde ainda nesta vida
Meu escrínio de estrelas da Esperança.


Livro: Parnaso de Além-Túmulo - Francisco C Xavier

20 de ago de 2017

EQUIPAGEM MEDIÚNICA

- Conheçamos a nossa equipagem mediúnica - disse o orientador.
E, detendo-se ao pé do companheiro encarnado que regia os trabalhos, apresentou:
- Este é o nosso irmão Raul Silva, que dirige o núcleo com sincera devoção à fraternidade. Correto no desempenho dos seus deveres e ardoroso na fé, consegue equilibrar o grupo na onda de compreensão e boa-vontade que lhe é característica. Pelo amor com que se desincumbe da tarefa, é instrumento fiel dos benfeitores desencarnados, que lhe identificam na mente um espelho cristalino, retratando-lhes as instruções.
Logo após, caminhou na direção de uma senhora muito jovem e, designando-a, explicou:
- Eis nossa irmã Eugênia, médium de grande docilidade, que promete brilhante futuro na expansão do bem. Excelente órgão de transmissão,coopera com eficiência na ajuda aos desencarnados em desequilíbrio. Intuição clara, aliada a distinção moral, tem a vantagem de conservar-se consciente, nos serviços de intercâmbio, beneficiando-nos a ação.
Quase rente, parou à esquerda de um rapaz de seus trinta anos presumíveis e informou:
- Aqui temos nosso amigo Anélio Araújo. Vem conquistando gradativo progresso na clarividência, na clariaudiência e na psicografia.
Em seguida, abeirou-se de um cavalheiro simpático e notificou:
- Este é o nosso colaborador Antônio Castro, moço bem-intencionado e senhor de valiosas possibilidades em nossas atividades de permuta. Sonâmbulo, no entanto, é de uma passividade que nos requer grande vigilância. Desdobra-se com facilidade, levando a efeito preciosas tarefas de cooperação conosco, mas ainda necessita de maiores estudos e mais amplas experiências para expressar-se com segurança, acerca das próprias observações. Por vezes, comporta-se, fora da matéria densa, à maneira de uma criança, comprometendo-nos a ação. Quando empresta o veículo a entidades dementes ou sofredoras, reclama-nos cautela, porquanto quase sempre deixa o corpo à mercê dos comunicantes, quando lhe compete o dever de ajudar-nos na contenção deles, a fim de que o nosso tentame de fraternidade não lhe traga prejuízo à organização física. Será, porém, valioso auxiliar em nossos estudos.
Movimentando-se algo mais, o Assistente estacou diante de respeitável senhora, que se mantinha em fervorosa prece, e exclamou:
- Apresento-lhes agora nossa irmã Celina, devotada companheira de nosso ministério espiritual. Já atravessou meio século de existência física, conquistando significativas vitórias em suas batalhas morais. Viúva, há quase vinte anos, dedicou-se aos filhos, com admirável denodo, varando estradas espinhosas e dias escuros de renunciação. Suportou heroicamente o assédio de compactas legiões de ignorância e miséria que lhe rodeavam o esposo, com quem se consorciara em tarefa de sacrifício. Conheceu, de perto, a perseguição de gênios infernais a que não se rendeu e, lutando, por muitos anos, para atender de modo irrepreensível às obrigações que o mundo lhe assinalava, acrisolou as faculdades medianímicas, aperfeiçoando-as nas chamas do sofrimento moral, como se aprimoram as peças de ferro sob a ação do fogo e da bigorna. Ela não é simples instrumento de fenômenos psíquicos. É abnegada servidora na construção de valores do espírito. A clarividência e a clariaudiência, a incorporação sonambúlica e o desdobramento da personalidade são estados em que ingressa, na mesma espontaneidade com que respira, guardando noção de suas responsabilidades e representando, por isso, valiosa colaboradora de nossas realizações.  Diligente e humilde, encontrou na plantação do amor fraterno a sua maior alegria e, repartindo o tempo entre as obrigações e os estudos edificantes, transformou-se num acumulador espiritual de energias benéficas, assimilando elevadas correntes mentais, com o que se faz menos acessível às forças da sombra.
Realmente, ao lado da irmã sob nossa vista, fruíamos deliciosa sensação de paz e reconforto.
Provavelmente fascinado pela onda de alegria indefinível em que nos banhávamos, Hilário indagou:
- Se extraíssemos agora uma ficha psicoscópica de dona Celina, a posição dela, como a estamos registrando, seria devidamente caracterizada?
- Perfeitamente - elucidou Áulus, de pronto - ; assinalar-lhe-ia as emanações fluídicas de bondade e compreensão, fé e bom ânimo. Assim como a Ciência na Terra consegue catalogar os elementos químicos que entram nas formações de
Matéria densa, em nosso campo de matéria rarefeita é possível analisar o tipo de forças sutis que dimanam de cada ser. Mais tarde, o homem poderá examinar uma emissão de otimismo ou de confiança, de tristeza ou desesperação e fixar-lhes a densidade e os limites, como já pode separar e estudar as radiações do átomo de urânio. Os princípios mentais são mensuráveis e merecerão no porvir excepcionais atenções, entre os homens, qual acontece na atualidade com os fotônios, estudados pelos cientistas que se empenham em decifrar a constituição específica da luz
Depois de ligeiro intervalo, o Assistente aduziu:
- Uma ficha psicoscópica, sobretudo, determina a natureza de nossos pensamentos e, através de semelhante auscultação, é fácil ajuizar dos nossos méritos ou das nossas necessidades.
Logo após, nosso orientador convocou-nos a exame detido, junto ao campo encefálico da irmã Celina, acentuando:
- Em todos os processos medianímicos, não podemos esquecer a máquina cerebral como órgão de manifestação da mente. Decerto, já possuem conhecimentos adequados em torno do aparelhamento orgânico, dispensando-nos a atenção em particularidades técnicas sobre o vaso carnal.
E afagando-lhe a cabeça pintalgada de cabelos brancos, acrescentou:
- Bastar-nos-á sucinto exame da vida intracraniana, onde estão assentadas as chaves de comunicação entre o mundo mental e o mundo físico.
Centralizando a atenção, através de pequenina lente que Áulus nos estendeu, o cérebro de nossa amiga pareceu-nos poderosa estação radiofônica, reunindo milhares de antenas e condutos, resistências e ligações de tamanho microscópico, à disposição das células especializadas em serviços diversos, a funcionarem como detectores e estimulantes, transformadores e ampliadores da sensação e da idéia, cujas vibrações fulguravam aí dentro como raios incessantes, iluminando um firmamento minúsculo. 
O Assistente observou conosco aquele precioso labirinto, em que a epífise brilhava como pequenino sol azul, e falou:
- Não nos convém relacionar minudências relativas ao cérebro e ao sistema nervoso em geral, com as quais se encontram vocês familiarizados  nos conhecimentos humanos comuns.
Nesse instante, reparei admirado os feixes de associação entre a células corticais, vibrando com a passagem do fluxo magnético do pensamento.
- Recordemos - prosseguiu o instrutor - que o delicado aparelho encefálico reúne milhões de células, que desempenham funções particulares, quais sejam as dos trabalhadores em fila hierárquica, na harmoniosa estrutura de um Estado.
E, enumerando determinadas regiões, trecho a trecho, daquele reino pensante, declarou:
- Não precisaremos alongar digressões. As experiências adquiridas pela alma constituem maravilhosas sínteses de percepção e sensibilidade, na condição de Espíritos libertos em que nos encontramos, mas especificam-se no equipamento de matéria densa como núcleos de controle das manifestações da individualidade, perfeitamente analisáveis. É assim que a alma encarnada possui no cérebro físico os centros especiais que governam a cabeça, o rosto, os olhos, os ouvidos e os membros, em conjunto com os centros da fala, da linguagem, da visão, da audição, da memória, da escrita, do paladar, da deglutição, do tato, do olfato, do registro de calor e frio, da dor, do equilíbrio muscular, da comunhão com os valores internos da mente, da ligação com o mundo exterior, da imaginação, do gosto estético, dos variados estímulos artísticos e tantos outros quantas sejam as aquisições de experiências entesouradas pelo ser, que conquista a própria individualidade, passo a passo e esforço a esforço, enaltecendo-a pelo trabalho constante para a sublimação integral, à face de todas as vias de progresso e aprimoramento que a terra lhe possa oferecer.
Breve pausa surgiu espontânea.
E porque Hilário e eu não ousássemos interferir, o Assistente continuou:
- Não podemos realizar qualquer estudo de faculdades medianímicas, sem o estudo da personalidade. Considero, assim, de extrema importância a apreciação dos centros cerebrais, que representam bases de operação do pensamento e da vontade, que influem de modo compreensível em todos os fenômenos mediúnicos, desde a intuição pura à materialização objetiva. Esses recursos, que merecem a defesa e o auxílio das entidades sábias e benevolentes, em suas tarefas de amor e sacrifício junto dos homens, quando os medianeiros se sustentam no ideal superior da bondade e do serviço ao próximo, em muitas ocasiões podem ser ocupados por entidades inferiores ou animalizadas, em lastimáveis processos de obsessão.
- Mas - interpôs Hilário, judicioso - , diante de um campo cerebral tão iluminado quanto o de nossa irmã Celina, será lícito aceitar a possibilidade de invasão dele por parte de Inteligências menos evolvidas? Será cabível semelhante retrocesso?
- Não podemos olvidar - considerou o Assistente - que Celina se encontra encarnada numa prova de longo curso e que , nos encargos de aprendiz, ainda se encontra muito longe de terminar a lição.
Meditou um momento e filosofou bem-humorado:
- Numa viagem de cem léguas podem ocorrer muitas surpresas no derradeiro quilômetro do caminho.
Logo após, colocando a destra paternal sobre a fronte da médium, prosseguiu:
- Nossa irmã vem atravessando os seus testemunhos de boa-vontade, fé viva, caridade e paciência. Tanto quanto nós, ainda não possui plena quitação com o passado. Somos vasta legião de combatentes em vias de vencer os inimigos que nos povoam a fortaleza íntima ou o mundo de nós mesmos, inimigos simbolizados em nossos velhos hábitos de convívio com a natureza inferior, a nos colocarem em sintonia com os habitantes das sombras, evidentemente perigosos ao nosso equilíbrio. Se nossa amiga Celina, quanto qualquer de nós, abandonar a disciplina a que somos constrangidos para manter a boa forma na recepção da luz, rendendo-se às sugestões da vaidade ou do desânimo, que costumamos fantasiar como sendo direitos adquiridos ou injustificável desencanto, decerto sofrerá o assédio de elementos destrutivos que lhe perturbarão a nobre experiência atual de subida. Muitos médiuns se arrojam a prejuízos dessa ordem. Depois de ensaios promissores e começo brilhante, acreditam-se donos de recursos espirituais que lhes não pertencem ou temem as aflições prolongadas da marcha e recolhem-se à inutilidade, descendo de nível moral ou conchegando-se a improdutivo repouso, porquanto retomam inevitavelmente a cultura dos impulsos primitivos que o trabalho incessante no bem os induziria a olvidar.
E sorrindo:
- Ainda não chegamos à vitória suprema sobre nós mesmos. Achamo-nos na condição do solo terrestre, que não prescinde do arado protetor ou da enxada prestimosa, a fim de produzir. Sem os instrumentos do trabalho e da luta, aperfeiçoando-nos as possibilidades, estaríamos permanentemente ameaçados pela erva daninha que mais se alastra e se afirma, tanto quanto melhor é a qualidade do trato de terra em abandono.
Fitando-nos, de frente, como a recordar o peso das responsabilidades de que nos investíamos, completou:
- Nossas realizações espirituais do presente são pequeninas réstias de claridade sobre as pirâmides de sombra do nosso passado. È imprescindível muita cautela com as sementeiras do bem para que a ventania do mal não as arrase. È por isso que a tarefa mediúnica, examinada como instrumentação para a obra das Inteligências superiores, não é tão fácil de ser conduzida a bom termo, de vez que, contra o canal ainda frágil que se oferece à passagem da luz, acometem as ondas pesadas de treva da ignorância, a se agitarem, compactas, ao nosso derredor.
Calou-se o Assistente.
Dir-se-ia que ele também agora se ligava ao campo magnético dos amigos em silêncio, para o trabalho da reunião prestes a começar.


 Livro: "Nos Domínios da Mediunidade"   Francisco C Xavier - André Luiz

19 de ago de 2017

NÃO DESCREIAS

Não descreias, amigo, de meus versos...
Sou eu mesmo, Formiga, que voltei,
Para cantar agora qual cantei,
Um dia, por caminhos tão diversos...

Sou eu mesmo que, à luz dos universos,
Dos abismos da morte regressei,
Para louvar a Vida, e quanto amei,
Nos instantes felizes ou adversos...

Sou o pobre poeta paraibano,
Fazendo aqui um esforço sobre-humano
Ao grafar estes versos que são meus...

Não descreias, portanto, aqui estou,
A voz que a morte não silenciou,
Redivivo, cantando, o Amor de Deus!...

Eurícledes Formiga

(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do “Grupo Espírita da Prece”, na noite de 26 de agosto de 1989, em Uberaba – MG).

18 de ago de 2017

Entrevista de Divaldo Franco

    - Os mais recentes trabalhos de Joanna de Ângelis têm abordado temas ligados à psicologia. Qual a razão?
    Divaldo: Segundo a bondosa Mentora, ela tem o desejo de assentar algumas pontes entre o pensamento espírita e as conquistas da psicologia transpessoal. Por essa razão, nos últimos vinte anos, sem fugir aos objetivos do seu trabalho doutrinário e de consolação, ela vem abordando questões existenciais à luz do Espiritismo e da Psicologia, demonstrando que o primeiro prossegue confirmado pelas conquistas psicológicas da atualidade.
    - Comenta-se que o vocabulário empregado nas Obras de sua psicografia seria um tanto erudito. Isso tem fundamento ou se deve à falta do hábito da leitura por parte do povo?
    Divaldo: Confesso que não posso julgar a questão com segurança. Sempre que leio a Codificação busco o dicionário em muitos momentos, considerando-se a linguagem escorreita e nobre em que se apresenta (embora Kardec tivesse tido a preocupação de escrever de forma fácil, popular, para atender ao povo de todos os segmentos da cultura e da sociedade). O mesmo sucede com alguns Autores espirituais como Emmanuel, André Luiz e outros encarnados. Joanna de Ângelis desencarnou no começo do século XIX, preferindo, às vezes, uma linguagem mais cuidadosa. Como cada Autor tem o seu próprio estilo, noto diferenças significativas de linguagem nas suas páginas, como ocorre com o Espírito Ignotus, que escreve de forma muito simples. Como o Espiritismo é, também, doutrina de cultura e aprimoramento de linguagem - um dos sinais de decadência de um povo, é a falta de linguagem, o enriquecimento de gírias e empobrecimento de expressão - penso que os Espíritos preferem escrever corretamente e de forma educativa.
    - Qual o caminho do livro espírita neste novo milênio?

    Divaldo: O livro espírita é farol abençoado que aponta rumos na noite das paixões e abre caminhos na selva densa da ignorância, libertando o ser de sua inferioridade e impulsionando-o ao avanço. Assim sendo, acredito que o livro espírita desempenhará papel preponderante na preparação do milênio, conforme já vem ocorrendo.

17 de ago de 2017

Milagre?

Milagre?
    “Quando Jesus voltou, a multidão o recebeu; porque todos o estavam esperando. E eis que veio um homem chamado Jairo, que era chefe da sinagoga; e prostrando-se aos pés de Jesus, rogava-lhe que fosse a sua casa; porque tinha uma filha única, de cerca de doze anos, que estava à morte. Enquanto, pois, ele ia, apertavam-no as multidões”.
    Percebemos aqui que Jesus era reconhecido, admirado e tinha muitos que o procuravam, percebemos também a atitude de submissão, que o pai amoroso, chefe da sinagoga, assume perante Jesus, tocado de amor à sua filha.
     “E certa mulher, que tinha uma hemorragia havia doze anos (e gastara com os médicos todos os seus haveres) e por ninguém pudera ser curada, chegando-se por detrás, tocou-lhe a orla do manto, e imediatamente cessou a sua hemorragia.
    A hemorroíssa era uma mulher adulta e tinha sido privada de toda a participação na vida da comunidade devido à sua enfermidade pois sofria de uma doença pela qual era considerada em estado de impureza legal (Lev 15, 25 ss.). Nos últimos doze anos nenhum meio humano a tinha conseguido curar. Aos sofrimentos físicos, acrescentava-se a vergonha de se sentir imunda segundo a Lei. No povo judeu era considerada impura não só a mulher afetada de uma doença deste tipo, mas tudo o que ela tocava. Por isso, avaliamos a esperança dessa valorosa mulher”, que não se abateu e num esforço supremo consegue aproximar-se de Jesus e tocou apenas o Seu manto com delicadeza e soube que tinha sido curada.
     “Perguntou Jesus: Quem é que me tocou? Como todos negassem, disse-lhe Pedro: Mestre, as multidões te apertam e te oprimem. Mas disse Jesus: Alguém me tocou; pois percebi que de mim saiu poder. Então, vendo a mulher que não passara despercebida, aproximou-se tremendo e, prostrando-se diante dele, declarou-lhe perante todo o povo a causa por que lhe havia tocado, e como fora imediatamente curada”.
    O olhar da mulher mostrava o êxtase que ela sentira quando o fluxo de energias revigorantes vindo do mestre inundara o seu corpo.
     “Disse-lhe ele: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz”.
    Jesus reconhece o merecimento da mulher e sabe que ela está renovada apta a assumir novas tarefas na seara do Pai.
     “Enquanto ainda falava, veio alguém da casa do chefe da sinagoga dizendo: A tua filha já está morta; não incomodes mais o Mestre. Jesus, porém, ouvindo-o, respondeu-lhe: Não temas: crê somente, e será salva. Tendo chegado à casa, a ninguém deixou entrar com ele, senão a Pedro, João, Tiago, e o pai e a mãe da menina. E todos choravam e pranteavam; ele, porém, disse: Não choreis; ela não está morta, mas dorme. E riam-se dele, sabendo que ela estava morta”.
    O grande sofrimento de Jesus foi ter vivido numa época em que éramos muito ignorantes, preconceituosos e orgulhosos.
     “Então ele, tomando-lhe a mão, exclamou: Menina, levanta-te. E o seu espírito voltou, e ela se levantou imediatamente; e Jesus mandou que lhe desse de comer, ele mandou-lhes que a ninguém contassem o que havia sucedido”.
    Nessa passagem do evangelho de Lucas, podemos notar dois casos distintos de cura pela transfusão de energias renovadoras. Jesus conhece a energia que vem das pessoas, por isso deixou entrar com Ele João, Pedro e Tiago que eram doadores de fluidos; Ele, orientando os bons fluidos emitidos, ajuda muitas pessoas e cura os doentes. As pessoas acham que Jesus fazia milagres. Milagres são acontecimentos que vão contra a Lei de Deus e que não conseguimos explicar. Jesus não fez milagres. Ele curava as pessoas usando energia e muito amor. As pessoas para serem curadas tinham que ter fé e merecimento. Por isso Jesus dizia: "Se tiveres fé" ou "A tua fé te salvou". Jesus curava pelo olhar, através de palavras, à distância, impondo as mãos.

Evangelho: Lucas - capítulo 8; 40-56

Comentários: Antonio D. Barana.

16 de ago de 2017

AUDIÇÃO DE PALAVRAS SEM NEXO

Questão 408 do Livro dos Espíritos

Qual a razão de ouvirmos palavras sem que nelas estejamos pensando? Essas palavras, às vezes frases inteiras, que percebemos pelos sentidos espirituais, são, certamente, ditas por Espíritos que querem se comunicar com os encarnados. É esse processo que ocorre na mediunidade. Às vezes, o Espírito fala como se fosse dentro da cabeça ou, muito raro, usando mesmo a audição dos companheiros encarnados. Isso acontece todos os dias com muitas pessoas no lar, no trabalho, nas ruas e freqüentemente no lazer.
Não é muito comum entre os encarnados se avistarem vultos ou ter a impressão que há alguém por perto? São os sentidos marcando a presença de alguém. Todos somos médiuns, tanto na carne quanto fora dela. O exercício da mediunidade se faz ver em todos os lugares e o intercâmbio existe em todos os reinos da natureza, provando, assim a existência do Espírito.
A razão de ouvirmos essas vozes é que o Espírito sobrevive à morte do corpo. No futuro, as comunicações vão ficar cada vez mais nítidas, para a glória da própria vida, e encher os corações de esperanças, mas para tanto, necessário se faz que os homens preparem o coração, no sentido de saberem que a vida continua melhor do que antes.
Quando se está deitado para o devido sono, ao relaxar o corpo, eventualmente ouvem-se palavras e vêem-se vultos em torno de si; isso comprova, para quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir, a existência do Espírito, e que a vida continua além do túmulo. Tudo que acontece tem uma razão de ser. A Doutrina Espírita está preparando os homens já maduros para essa revelação em massa. Pedimos a Deus que seja breve.
Jesus, em Seu tempo, abalou o mundo com as Suas curas, com as Suas profecias, com o Seu encanto espiritual. Se o Espiritismo é Ele voltando, deve fazer o mesmo para acordar criaturas que dormem. É isso que esperamos, que seja o mesmo Cristo servindo-Se dos homens de bem, como instrumentos, para alegrarem o mundo inteiro, para mostrar aos povos que existe a felicidade, qual anunciada nas escrituras, a Nova Jerusalém, um novo mundo onde a paz e o amor sejam uma realidade como o ar que se respira.
Quando chegar esse tempo, as comunicações dos Espíritos livres da matéria com os homens será acontecimento corriqueiro, natural, qual conversar com os companheiros de trabalho, de lazer e os familiares. As vidas sucedem vidas, e o medo da morte desaparece dos homens para dar lugar à esperança e à fé, nas lides com o amor. Agradecemos a Deus e Jesus, por esses feitos, e agradecemos igualmente ao novo “apóstolo” de Jesus, Allan Kardec, pelos trabalhos que fez em favor da nossa felicidade. Estamos juntos, dando as mãos aos homens, e igualmente, dando as mãos a Jesus, em nome de Deus. Pedimos ao Senhor que possamos continuar na tarefa, e que ela sirva, para os homens, de meio para meditarem em como melhorar seus sentimentos e iluminar os corações.

Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez - Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.