16 de dez de 2017

ANIVERSÁRIO DE JESUS

Senhor Jesus, é Teu Aniversário,
Na Data que nos é a mais querida,
E que mais luz contém no calendário,
Iluminando a nossa própria vida.

Perante a Manjedoura e o itinerário
Que cumpriste na Terra embrutecida,
Não vamos falar hoje do Calvário,
De lembrança tão triste e dolorida...

Permita-nos, assim, cumprimentar-Te,
Sem que ainda possamos entregar-Te
O mimo que de nós queres somente...

Espera mais um pouco, Mestre Amado,
Que o nosso coração tão demorado,
Um dia, há de ser Teu eternamente!...

Eurícledes Formiga

(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã de sábado do dia 9 de dezembro de 2017, em Uberaba – MG).

15 de dez de 2017

O MEDO

        O  medo, decorrente dos fatores sociológicos, econômicos, pressões psicológicas, atinge o homem, empurrando-o à violência irracional, ao desespero depressivo, num contexto injusto; a insegurança ... cria muitos mecanismos de evasão da realidade que dilaceram o comportamento humano, anulando suas inspirações à beleza, ao idealismo de atividade da criatura.
        O homem é obrigado a se isolar, resguardar, poupar à família os dissabores delinquentes, se trancar no seu lar, associar-se a clubes, com pessoas selecionadas, perdendo a identidade de si mesmo.
        Os valores de nossa sociedade encontram-se em xeque, porque são transitórios.
        A nossa geração, com suas experiências, não confia nas afirmações do passado. Hoje a anarquia impera numa volúpia destrutiva, tentando apagar a memória do ontem. No entanto, é no espírito que se encontram as nossas matrizes desse inimigo rude da vida, que é o medo.
        O não fazer nada é grande causador do medo, e da solidão. Para matar o tempo, os refúgios são os bares, jogos de azar, etc.
        A família formada, cada membro tem que seguir  seu destino, aí a solidão lhe abraça! O medo lhe apavora. No lar, rádio, televisão, mas com o tempo, tudo torna-se monótono. Cada dia fica mais difícil conviver e se adaptar a esse novo modo de vida, às vezes chega até a causar a morte, pois a criatura sente-se abandonada e imprestável!

        A busca em Cristo é a solução! Faz com que o homem não tenha medo algum, nem sinta a solidão. Através da Doutrina Espírita, o homem encontra as reais razões da vida. O verdadeiro Cristo nasce em seu coração, passa a vivenciar diariamente os ensinamentos do Mestre de Nazaré e, com isso, afasta o medo de seus pensamentos...

14 de dez de 2017

Evangelho / Ufologia

    CURIOSIDADES SOBRE A GRAVIDEZ DE ANA, MÃE DE MARIA

    Nos Evangelhos Apócrifos, as discussões estão se acirrando, e não tardará a Ufologia requerer seu quinhão nessa boa briga.
    Mas por que a Ufologia deveria infiltrar-se nessa discussão? Ora, vejamos o que dizem esses Evangelhos Apócrifos. Primeiramente eles começarão derrubando aquela velha máxima de que Jesus vinha de família pobre e sem recursos. Observem o que disse o "ANJO" do Senhor, no Apócrifo chamado "Livro da Natividade de Maria", atribuído a São Jerônimo, sobre os avós do Mestre:
     I
     1. A bem-aventurada e sempre gloriosa Virgem Maria descendia de uma estirpe régia e pertencia à família de David. Nasceu em Nazaré e foi educada no templo do Senhor na cidade de Jerusalém. O pai chamava-se Joaquim e a mãe Ana. Era nazarena por parte do pai e belenense pela mãe.
    2. A vida desses esposos (Ana e Joaquim), era simples e reta na presença do Senhor e irrepreensível e piedosa perante os homens. Suas terras eram divididas em três partes: uma destinada para o templo de Deus e seus ministros; outra para os pobres e peregrinos; a terceira reservavam-na para si e para seus servos.
    3. Mas esses esposos tão queridos por Deus e tão piedosos para com o próximo, tinham vinte anos de vida conjugal em casto matrimônio, sem descendência. Mas tinham feito um voto que se Deus lhes concedesse um rebento, consagrariam-no ao serviço divino. Por este motivo, durante os dias festivos do ano iam ao templo de Deus.
    II
    1. A festa da Dedicação no templo aproximava-se e Joaquim dirigiu-se a Jerusalém em companhia de alguns patrícios. Naquele tempo era sumo sacerdote Isacar que ao vê-lo entre seus concidadãos, menosprezou-o e rejeitou seus presentes, perguntando-lhe como se atrevia a comparecer entre os prolíferos já que era estéril.
    Disse-lhe ainda que suas oferendas não seriam aceitas por Deus pois este considerava-o indigno da posteridade e clamou pelo testemunho da Escritura, que declarava maldito a quem não gerasse um varão em Israel.
    Avisou-o de que o primeiro deveria ter filhos para livrar-se da maldição e que só então poderia apresentar-se com oferendas para o Senhor.
    2. Joaquim ficou morto de vergonha ante tamanha injúria e se retirou aos seus campos onde se encontravam os pastores e rebanhos, sem querer voltar para casa para não se expor ao desprezo dos companheiros que tinham presenciado a cena e ouvido o que Isacar lhe dissera.
    III
    1. Já fazia algum tempo que se encontrava naquele lugar, quando um dia que estava sozinho, apareceu-lhe um anjo do Senhor, rodeado de grande esplendor. Ficou atemorizado ante a visão, mas o anjo da aparição livrou-o do temor dizendo: "Joaquim, não tenhas medo e nem te assustes comigo. Sou um anjo do Senhor. Ele me enviou para anunciar-te que tuas preces foram ouvidas e que tuas esmolas subiram até Sua presença. Teve por bem olhar para tua confusão depois que chegou a Seus ouvidos a infâmia de esterilidade da qual injustamente te acusam. Deus é verdadeiramente vingador do delito, mas não da natureza. E por isso quando resolve fechar a matriz, o faz para poder abri-la de novo de uma forma mais admirável e para que fique bem claro que a prole não é fruto da paixão, mas sim da liberdade divina.
    2. Efetivamente Sara, a mãe primeira de vossa linhagem, não foi estéril até os oitenta anos? E, não obstante, deu à luz já muito anciã a Isaac, a quem aguardava o bênção de todas as gerações. Também Raquel, apesar de ser tão grata a Deus e Tão querida do santo Jacó, foi estéril durante muito tempo, sem que isso fosse obstáculo para que gerasse José que foi não só senhor do Egito, mas também o libertador de muitos povos que iam morrer de fome. E houve juiz mais forte que Sansão e mais santo que Samuel? Apesar disso, ambos tiveram mães estéreis. Se a razão, contida em minhas palavras, não consegue convencer-te, acredita pelo menos que as concepções esperadas por muito tempo e os partos provenientes da  esterilidade geralmente são os mais maravilhosos.
    3. Saiba então que Ana, tua mulher , vai dar à luz um menina, a que colocarás o nome de Maria e que viverá consagrada a Deus desde sua infância em consonância com o voto que fizestes, e já desde o ventre da mãe estará plena do Espírito Santo. Não comerá nem beberá nada impuro e nem passará sua vida entre o bulício da plebe, mas no recolhimento do templo do Senhor, para que ninguém possa chegar a suspeitar e nem falar algo desfavorável a ela. E quando for crescendo da mesma forma que ela nascerá de uma mãe estéril, ou seja, virgem, gerará de maneira incomparável o Filho do Altíssimo. O nome Deste será Jesus, porque de acordo com seu significado será o salvador de todos os povos.
    4. Este será o sinal de que é verdade tudo que acabo de dizer-te: Quando chegares à porta Dourada de Jerusalém, encontrarás Ana, tua mulher, que virá a teu encontro. Ela, que agora está preocupada por tua demora em regressar, alegar-se-á profundamente ao ver-te de novo."
    Engraçado que esse mesmo "Anjo" deve também ter aparecido para Mateus e Tiago, pois os Apócrifos de ambos, de forma semelhante, ditam a mesma história. Mas no Apócrifo de Mateus o "Anjo" que aparece a Joaquim, entra em detalhes mais que intrigantes:
    1. Naquele mesmo tempo apareceu um jovem entre as montanhas onde Joaquim pastoreava seus rebanhos e lhe disse:
    "Por que não voltas ao lado de tua esposa?"
    Joaquim replicou:
    "Já faz vinte anos que tenho a mulher e, já que o Senhor houve por bem não dar-me filhos dela, vi-me obrigado a abandonar o templo de Deus ultrajado e confuso. Para que voltar a seu lado como estou, cheio de desonra e vexado? Ficarei aqui com meu gado até que Deus queira que a luz deste mundo me ilumine. Mas nem por isso deixarei de dar, com muito boa vontade, através de meus criados, a parte que corresponde aos pobres, às viúvas, aos órfãos e aos servidores de Deus."
    2. Nem bem terminou de falar e o jovem lhe respondeu: " Sou um anjo de Deus e hoje apareci a tua mulher quando orava afogada em prantos; saiba que ela já concebeu de ti uma filha. Esta viverá no templo do Senhor, e o Espírito Santo repousará sobre ela. Sua felicidade será maior do que a de todas as mulheres santas. Tanto é assim que ninguém poderá dizer que no passado houve alguma mulher semelhante a ela, e nem no futuro alguma lhe será comparável. Por tudo isso, desce já destas montanhas e corre para tua mulher. A encontrarás grávida, pois Deus dignou-se a suscitar nela um germe de vida; e esse germe será bendito e ela mesma também será bendita e ficará constituída como a mãe da eterna bênção."
    3. Joaquim prostrou-se em atitude de humilde adoração e disse: Já que fui agraciado com tua visão, vem repousar em minha tenda e abençoar este servo." Ao que o anjo respondeu: "Não te chames de teu servo, e sim de co-servo; pois ambos estamos na condição de servir ao mesmo Senhor. Minha comida é invisível e minha bebida não pode ser captada pelos olhos humanos; portanto não é necessário que me convides. Será melhor que ofereças a Deus em holocausto o que me darias de presente."
    Então Joaquim pegou um cordeiro sem nenhum defeito e disse ao anjo: "Nunca me teria atrevido a oferecer um holocausto a Deus se teu mandado não me tivesse dado potestade de fazê-lo."
    O anjo replicou:
    "Eu tampouco te convidaria a oferecê-lo se não conhecesse o beneplácito divino."
    E ocorreu que, quando Joaquim oferecia seu sacrifício, junto com o perfume deste e, por assim dizer, com a fumaça, o anjo elevou-se ao céu.
    Então Joaquim prostrou a face na terra e ficou ditado desde a sexta hora até a tarde. Quando seus servos e assalariados chegaram por não saber o que aquilo significava, encheram-se de espanto, pensando que ele quisesse suicidar-se. Aproximaram-se e com muito esforço conseguiram levantá-lo do chão. Então ele lhes contou sua visão, e todos, movidos pela admiração e estupor produzidos pelo relato, aconselharam-no que obedecesse sem demora a ordem do anjo e que voltasse depressa para a mulher. Mas aconteceu que, enquanto Joaquim pensava se era ou não conveniente voltar, adormeceu e em seus sonhos apareceu-lhe o mesmo anho que vira anteriormente quando estava acordado. Este falhou-lhe assim:
    "Eu sou o anjo designado para tua guarda; desce tranquilamente e fica ao lado de Ana, porque as obras de misericórdia que tanto ela quanto tu fizestes foram apresentadas ante o Altíssimo, que houve por bem legar a ambos uma posteridade como nunca puderam ter desde o princípio os santos e profetas de Deus, e que nem poderão tê-la no futuro."
    Joaquim chamou os pastores, quando acordou, para contar-lhes o sonho. Estes lhe disseram, prostrados em adoração ante Deus:
    "Toma cuidado e não desprezes mais as ordens de um anjo do Senhor.
    Levanta-te e vamos. Avançando lentamente, poderemos ir cuidando nossos rebanhos."
    Antes das despedidas, vamos aos questionamentos:
    1º) Sabemos que Ana e Joaquim não podiam ter filhos, já que, ao que tudo indica, Ana era estéril, mas mesmo assim Maria nasceu. Seria um milagre da Divina Providência ou o "anjo" que lhe apareceu a "operou", proporcionando-lhe a fecundidade?
    2º) Quem fecundou Ana se Joaquim encontrava-se longe de casa?
    3º) Teria Joaquim tido um contato de 3º grau, já que o "anjo" de Deus apareceu-lhe "rodeado de um imenso esplendor", e após isso "elevou-se aos céus" em meio à fumaça?
    4º) O que teria causado tamanho choque a um homem como Joaquim, que o teria deixado "prostrado ao chão" durante horas, e que levou grande dificuldade aos seus servos a levantar-lhe?
    5º) O que queria o "anjo" dizer com: "minha comida é invisível e minha bebida não pode ser captada por olhos humanos"?


Marcia Sauchella

13 de dez de 2017

SONAMBULISMO

Questão 425 do Livro dos Espiritos

Falar dos variados dons da alma não é fácil, pois ela é um mundo cheio de segredos, onde existe um imenso campo para ser estudado. Nós não nos conhecemos ainda e precisamos partir do começo. A escada, para ficar de pé, deve assentar-se no chão, de outra maneira, como subir nos seus degraus?
Sonho e sonambulismo têm muita relação; um é mais leve, outro mais profundo, mas, todos os dois são estados sérios que nos levam a pensar. O sonambulismo é um sonho mais profundo e, de certa forma, mais real, onde o Espírito se mostra livre, desarticulando o corpo nos seus impedimentos à visão da alma.
O sonambulismo pode ser natural ou provocado, Os magnetizadores e hipnotizadores podem provocar esse estado no ser humano, de sorte a ser guiado por eles, impondo suas idéias. O Espírito, neste transe, é como um instrumento dócil nas mãos daquele que se lhe impõe. O sonambulismo natural é aquele que evolui do estado de sonho, e onde sempre existe um agente, levando a alma ao sono mais profundo e a ver coisas que antes não percebia.
Há, ainda, o estado de êxtase, que podemos chamar de auto-sonambulismo, quando o Espírito toma-se livre, com as suas faculdades aguçadas, vendo e ouvindo o que a sua mente mais profunda determinar. Às vezes alcança com sua visão a audição onde os aparelhos não conseguem. Com o perpassar do tempo, o ser humano poderá entrar em êxtase, como sendo um fato natural.
O sonambulismo, em certos aspectos, pode ser revelação do passado, mostrando que a reencarnação é uma verdade.
No estado sonambúlico, o Espírito se isola do corpo por meio da sua forte vontade e maturidade espiritual. Ele, pela ciência do pensar, retarda a circulação da força vital, como que coagulando-a, sem perda para a sua volta ao corpo, o que, quando se dá, é na plenitude do silêncio. Não existe violência nessas operações. O êxtase é o Espírito com os seus plenos poderes, em comunicação direta com o mundo espiritual.
São práticas que não aconselhamos, nem mesmo seus exercícios ensinados por alguns pseudo-místicos. Isso deve acontecer pela ordem natural das coisas. O sonambulismo natural, que nasce do sonho, é um desenvolvimento de certos dons da alma, que deve ser processado com naturalidade, e às vezes acontece como intercâmbio. Esse estado é mais comum entre as criaturas. Existem algumas pessoas que, em estado de sonambulismo, trazem comunicações, servem como médium e, nesse estado de transe, vertem para os homens belas páginas, como já tem acontecido. São comunicações completamente inconscientes, mas reais, e isso deve ser estudado com atenção pelos alunos da verdade. No entanto, o maior interesse no mundo espiritual elevado é reformar o homem, é deixar o Cristo nascer dentro da criatura com todo o Seu esplendor. É a morte do homem velho dando lugar ao novo homem, como mensageiro do amor.
Peçamos a Jesus para nos ajudar a preparar para novas vidas, conscientizando-nos de que somente o bem nos leva à felicidade, e que o amor é o melhor estado, de todos os estados espirituais que a alma pode alcançar.


Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez - Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

12 de dez de 2017

MEDIUNIDADE - DESENVOLVIMENTO

382- Qual a verdadeira definição da mediunidade?
-A mediunidade é aquela luz eu seria derramada sobre toda carne e prometida pelo Divino Mestre aos tempos do Consolador, atualmente em curso na Terra.
A missão mediúnica se tem os seus percalços e as suas lutas dolorosas, é uma das mais belas oportunidades de progresso e de redenção concedidas por Deus aos seus filhos misérrimos.
Sendo luz que brilha na carne, a mediunidade é atributo do Espírito, patrimônio da alma imortal, elemento renovador da posição moral da criatura terrena, enriquecendo todos os seus valores no capítulo da virtude e da inteligência, sempre que se encontre ligada aos princípios evangélicos na sua trajetória pela face do mundo.

383 –É justo considerarmos todos os homens como médiuns?
-Todos os homens têm o seu grau de mediunidade, nas mais variadas posições evolutivas, e esse atributo do espírito representa, ainda, a alvorada de novas percepções para o homem do futuro, quando, pelo avanço da mentalidade do mundo, as criaturas humanas verão alargar-se a janela acanhada dos seus cinco sentidos.
Na atualidade, porém, temos de reconhecer que no campo imenso das potencialidades psíquicas do homem existem os médiuns com tarefa definida, precursores das novas aquisições humanas. É certo que essas tarefas reclamam sacrifícios e se constituem, muitas vezes, de provações ásperas; todavia, se o operário busca a substância evangélica para a execução de seus deveres, é ele o trabalhador que faz jus ao acréscimo de misericórdia prometido pelo Mestre a todos os discípulos de boa-vontade.


Livro “O Consolador” –  Francisco C. Xavier – Emmanuel – Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

11 de dez de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXXVII

O capítulo 40 de “Nosso Lar”, que tem por título “Quem Semeia Colherá”, nos traz ensinamentos profundos. André Luiz, valendo-se de sua própria experiência na jornada terrestre, conta-nos mais um pedaço de sua história de vida.
No capítulo 35 – “Encontro Singular” –, o autor nos fala a respeito de seu encontro com Silveira, que, em “Nosso Lar”, fazia parte dos “Samaritanos” – Silveira foi a primeira pessoa que ele teve oportunidade de reconhecer além da morte. Ao contrário do que muitos imaginam, nem sempre, os que deixam o corpo, têm oportunidade, de imediato, de estarem com os corações amados que os precederam na Grande Viagem.
*
A segunda pessoa que André Luiz pode identificar no Mundo Espiritual, mais particularmente em “Nosso Lar”, a cidade que abrira as portas para recebê-lo, foi Elisa, uma jovem que havia trabalhado na casa de seus pais. Quando André conheceu Elisa, ele, igualmente, era muito jovem, e, emocionalmente, deixou-se envolver.
*
Então, vejamos: Silveira e Elisa foram as duas pessoas que André, em seus primeiros tempos de desencarnado, logrou identificar no Mundo Espiritual. Ele que, na condição de médico, privara na Terra com muita gente, e que, com certeza, possuía numerosa família, não nos relata que tenha se deparado com nenhum de seus amigos ou familiares, e nem mesmo com uma fisionomia conhecida.
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Quantos ensinamentos, nas páginas luminosas de “Nosso Lar”! Quantas ilusões, que, na condição de encarnados, os homens cultivam por séculos e séculos, podem desfazer-se através de uma leitura atenta dessa obra! Aquela ideia tão restrita de família que se tem na Terra, amplia-se consideravelmente, ou pode ampliar-se para aqueles que já estão começando a compreender que, em qualquer parte do Universo, temos uma família! Soam aos nossos ouvidos, uma vez mais, as palavras do Divino Mestre: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?”...
Temos absoluta convicção de que os Espíritos Superiores que inspiraram André Luiz o orientaram no sentido de compor a obra “Nosso Lar” com base em suas experiências existenciais, sim, mas recorrendo a tonalidades um pouco mais fortes em sua realidade pessoal, porque, em verdade, André Luiz não é um espírito comum.
*
Interessante ainda o que André nos relata, no início do capítulo em pauta, dizendo que não conseguia explicar a grande atração que ele estava sentido, ou que começara a sentir, por uma “visita ao departamento feminino das Câmaras de Retificação”.
Notemos quanto somos “atraídos”, aparentemente sem explicação, pelos nossos compromissos cármicos. “Nosso Lar”, à época, era uma cidade que contava com mais de um milhão de habitantes, e, contudo, André, de repente, se viu diante de Silveira e de Elisa.
Os nossos desafetos, tanto quanto os nossos afetos, parecem, muitas vezes, surgirem do nada – quando menos esperamos, ao dobrarmos uma esquina, damos de cara com o carma!...
*
Quando os pais de André perceberam o seu envolvimento com Elisa, despediram a jovem, que, a partir daí – Elisa dizia a André que, antes de conhecê-lo, já vivenciara certas aventuras, portanto ele não era o primeiro a envolver-se com ela –,  entregou-se a experiências mais “dolorosas”, até que, contraindo sífilis, veio a desencarnar no abandono e completamente cega.
*
No próximo post desejamos efetuar outra interessante abordagem que este capítulo nos enseja à reflexão.

INÁCIO FERREIRA – Mediunidade na Internet

Uberaba – MG, 11 de dezembro de 2017.

10 de dez de 2017

O Endemoniado Geraseno

    Rodolfo Calligaris

    "Tendo atravessado o mar, desembarcaram no país dos gerasenos e, mal Jesus descera da barca, veio ter com ele um homem possuído do espírito imundo, homem esse que ninguém conseguia dominar nem mesmo com correntes, pois muitas vezes estivera com ferros aos pés e preso por cadeias, os quebrara. Vivia dia e noite nas montanhas e as sepulcros, a gritar e a flagelar-se com pedras. Ao ver Jesus, de longe, correu para ele e o adorou, exclamando em altas vozes: Que tens tu comigo, Jesus, filho de Deus Altíssimo? Eu te suplico, não me atormentes. Isso porque Jesus lhe ordenava:
    Espírito imundo, sai desse homem. Perguntando-lhe Jesus: como, te chamas? - respondeu: Chamo-me Legião, porque somos muitos.
    Ora, havia ali uma grande vara de porcos pastando na encosta do monte, e os demônios faziam a Jesus esta súplica: manda-nos para aqueles porcos, a fim de entrarmos neles. E como Jesus lhes desse permissão para isso, os Espíritos impuros, saindo do possesso, entraram nos porcos; toda a manada saiu a correr impetuosamente e foi precipitar-se no mar, onde se afogou.
    Os que a apascentavam fugiram e foram espalhar na cidade e nos campos a notícia do que se passara.     Logo acorreram muitos até onde estava Jesus e, encontrando o homem que ficara livre dos demônios sentado a seus pés, vestido e de perfeito juízo, se encheram de temor. Ouvindo, então, dos que presenciaram o fato, a narrativa do que sucedera ao possesso e aos porcos, todos pediram a Jesus que deixasse aquelas terras."    (Marcos 5,1-20)

    Temos aqui um caso impressionante de possessão, cuja vítima, subjugada por uma falange de Espíritos perversos, tornara-se o terror dos sítios em que vivia.
    Pelo relato dos evangelistas, bem podemos imaginar-lhe a terrível figura: seminu e coberto de feridas sangrentas, olhos esfogueados, cabelos longos e em desalinho, pedaços de corrente a lhe penderem das pernas, mais haveria de parecer uma fera do que propriamente uma criatura humana.
    Compadecido do infeliz, Jesus liberta-o de tão má influência, como que lhe restitui de pronto a razão, o domínio de si mesmo, e, convidando-o a sentar-se junto de si, põe-se a edificá-lo com seu verbo terno e esclarecedor, preparando-o para que viesse a ser mais um arauto da Boa Nova, e, ao voltar para a companhia dos familiares, ao contar-lhes que coisa estupenda o Senhor fizera por ele, estivesse habilitado anunciar-lhes também a doutrina de Amor, e Tolerância e de Justiça que estava sendo trazida ao mundo, cuja observância é o mais seguro remédio contra todos os males que afligem e infelicitam a Humanidade.
    Quanto aos Espíritos obsessores, não entra nos porcos, como supuseram os circunstantes, coisa que hoje melhor se compreende; apenas se fizeram visíveis aos suínos e estes, espavoridos, se precipitaram do monte para baixo em tão desabalada carreira que, não podendo estacar ao chegarem à praia, introduziram-se no mar, perecendo afogados.
    O episódio em tela, ao mesmo tempo que ressalta o extraordinário poder de Jesus (baseado na perfeição de seu caráter) e sua incomensurável piedade para com os sofredores, pôs em relevo, por outro lado, a mesquinhez de muitos homens, para os quais o interesse material a tudo sobreleva.
    A cura daquele possesso que os trazia em sobressalto deveria ser, para os gerasenos, motivo de se regozijarem e se mostrarem agradecidos àquele que operara tal maravilha. Ao invés disso, porém, só levaram em conta a perda de seus animais e, receosos de novos prejuízos pecuniários, despediram de suas terras, qual se fora um intruso indesejável, o próprio Filho de Deus que os honrara com sua augusta presença.
    Agora meditemos.
    Nós outros não estaremos agindo, ainda hoje, de igual maneira? Não continuamos colocando as conveniências mundanas acima dos galardões espirituais?

    Conquanto nos pese reconhecê-lo, todas as vezes que contrariamos a Doutrina Cristã, porque seguir-lhe os preceitos nos custaria o sacrifício de algum lucro temporal, é como se, visitados pelo Mestre, o puséssemos para fora de nossa porta!