27 de jun de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA – XIV

No capítulo 26 – Novas Perspectivas –, de “Nosso Lar”, André relata o seu encontro com o Ministro Genésio, ao qual, em estudos anteriores, tivemos oportunidade de nos referir. Vocês estão lembrados, daquele “velhinho simpático, cujo semblante revelava, entretanto, singular energia”?! Cremos que sim, não é?! Foi quando, na oportunidade, fizemos menção à idade com que o espírito se apresenta depois da morte do corpo físico – à sua fisionomia, altura, cor de pele, etc.
O capítulo 26 da referida obra marca a determinação do grande cientista Dr. Carlos Chagas, que adotou o pseudônimo de André Luiz, em homenagem ao irmão de Chico Xavier.
Contemos, rapidamente, o caso.
O Dr. Carlos Chagas, conduzido por Emmanuel, foi levada até à cidade de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais, para ser apresentado ao Médium Chico Xavier, através do qual, se possível, ele passaria a escrever.
Amigos de Chico contam que, ao ser apresentado ao Médium, que, à época, estava com um pouco mais de 30 de idade, o Dr. Carlos Chagas, não contendo a sua emoção, postou-se de joelhos diante dele – o fato foi relatado pelo próprio Chico, que, em relação à própria mediunidade, sempre foi muito reservado. Se quiserem conferir, consultem o livro “Nossos Momentos com Chico Xavier”, de autoria de Osvaldo Godoy Bueno, um dos diretores-fundadores do IDEAL, em São Paulo – SP.
A reação do Dr. Carlos Chagas, diante da grandeza espiritual de Chico, que ele, certamente, enxergou, fora espontânea, e, assim, o Médium não tivera tempo para evitar a sua ação – porquanto, Chico jamais aceitaria que alguém se lhe prostrasse aos pés.
A apresentação do Dr. Carlos Chagas a Chico deu-se no início da década de 40, mais propriamente em 1943, porém os rumores de um processo que seria movido, em 1944, pela viúva do escritor Humberto de Campos já frequentava as páginas dos jornais e circulavam de boca em boca. Desde 1937, Humberto de Campos, espírito, vinha escrevendo pela lavra mediúnica do Médium de Pedro Leopoldo.
Então, com o intuito de salvaguardar a Causa Espírita, e, evidentemente, o Médium, de mais um possível processo judicial, Emmanuel explicou a Chico que o Dr. Carlos Chagas adotaria um pseudônimo – inclusive com o qual não pudesse ser facilmente identificado, nem mesmo através de seus relatos mediúnicos. Realmente, lendo-se cruamente as páginas iniciais de “Nosso Lar”, não se pode concluir que André Luiz seja o Dr. Carlos Chagas, já que ele, orientado pela Equipe Espiritual que tutelou o trabalho mediúnico de Chico Xavier, recomendou que, neste sentido, poucas pistas fossem deixadas. Por este motivo, o próprio Emmanuel, no prefácio da obra, datado de 3 de Outubro de 1943 (significativa a data, não?!), escreveu:
“Embalde os companheiros encarnados procurariam o médico André Luiz nos catálogos da convenção.
“Por vezes, o anonimato é filho do legítimo entendimento e do verdadeiro amor. (...)
“André Luiz precisou, igualmente, cerrar a cortina sobre si mesmo.
“É por isso que não podemos apresentar o médico terrestre e autor humano, mas sim o novo amigo e irmão na eternidade.”
Bem, para não nos estendermos neste arrazoado, Chico perguntou ao Dr. Carlos Chagas com que nome ele pretenderia assinar o que, porventura, viesse a escrever por seu intermédio. Vendo que um dos irmãos de Chico, do segundo casamento de seu pai, ressonava numa cama próxima, o ilustre cientista perguntou-lhe: - Qual é o nome de seu irmão?... O Médium respondeu-lhe de pronto: - André Luiz!... – Então – disse-lhe o Dr. Chagas –, será esse o nome que adotarei, porque eu também sou seu irmão!...
Simples assim.
Agora, evidentemente, as controvérsias, tão a gosto dos espíritas, existem. Mas este é outro assunto com o qual, sinceramente, não pretendemos perder tempo.
E os comentários que havíamos planejado para o capítulo 26 de “Nosso Lar”, ficarão para a próxima semana. Claro, se até lá o médium não desencarnar por aí, e eu, por minha vez, não desencarnar por aqui.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 26 de junho de 2017.

26 de jun de 2017

Nova Política

A triste realidade que vivemos no nosso País é consequência direta da degeneração dos costumes morais na política. O que se infiltrou no tecido político brasileiro, há alguns séculos, foi a apropriação indevida do Estado. Inicialmente isto ocorreu pelas mãos de portugueses exploradores e infiéis à Pátria. Tal costume foi aprendido entre nós, brasileiros de primeira hora, e quando nos tornamos uma República, ao invés de destruirmos este câncer moral chamado corrupção, demos a ele a notoriedade que não deveria e ele se implantou completamente nas nossas práticas políticas e governamentais.
É triste afirmar isso, mas não podemos nos afastar da verdade dos fatos. O que isso nos trouxe? Um completo desrespeito à coisa pública e a multiplicação de desmandos como se este procedimento fosse algo absolutamente natural. Não é.
O que dizer dos “homens ilustres da República” sendo pegos pelas mãos invisíveis da Polícia Federal e da Justiça?
Tudo isso é uma tentativa inequívoca do Estado em dizer claramente: não é possível mais suportar tanta vergonha com aquilo que nos pertence, é hora de dizer um basta definitivo.
Hoje, estes tais “homens ilustres” reproduzem o que falaram mal de outros supostos “homens ilustres”. É uma réplica de depoimentos às avessas. São todos, infelizmente, iguais. Transmuda-se a sigla partidária, mas mantém-se a mesma prática cruel e corrosiva do Estado.
Os entes públicos se alinham aos empresários inescrupulosos para se debandarem em roubar – perdoem-me, mas esta é a palavra mais crua e real – o que pertence ao conjunto dos brasileiros.
É certo que há aí um ar de decepção. É certo, também, meus caros, que tudo isso precisa acontecer para que tenhamos o desenvolvimento de uma consciência mais pura diante dos fenômenos políticos e eleitorais, não se deixando levar por promessas vazias e demagógicas arquitetadas por profissionais bem pagos de marketing. Nós somos o produto de uma farsa que eles protagonizaram como se o nosso papel fosse de salvador de um País ao elegerem eles para comandar os nossos destinos.
O homem cruel e inescrupuloso não tem bandeira partidária. Não tem princípios elevados. Não tem compromisso com ninguém. Tem apenas um só objetivo: locupletar-se do dinheiro público.
Toda esta aparente tragédia é oportunidade bendita de renovação política e institucional. Novos atores do bem-estar social precisam ter espaço para repartir as suas ideias e trazer a lúmen uma nova experiência de vida.  Eles estão prontos e nascerão com esta finalidade, basta deixá-los agir.
O que aí está não tem mais vez. Está carcomido. Provou-se ineficaz. Os discursos são vazios. As soluções são tolas. Isto vai morrer e o que vai nascer trará uma nova arquitetura de pensamento e uma nova práxis política.
Serão rechaçados de início. Dirão que são sonhadores, falta a eles os pés no chão. Acusarão de inexperientes. Falarão que isso não vai funcionar. Tentarão agitar as massas. O que eles não percebem é que já se faz presente uma camada diferenciada da população que deseja menos ideologia barata e mais ação prática e eficaz.
Novos ares chegarão à política brasileira. Claro, como sempre, que é necessário separar o joio do trigo, mas isto faz parte do aperfeiçoamento democrático de um País.
Avante, brasileiros!
As mudanças estão nas suas mãos e não deixe que outros façam aquilo que é a sua responsabilidade fazer.
Estaremos juntos nesta caminhada.
Estaremos juntos como sempre estivemos.

Joaquim Nabuco – Blog Reflexões de um Imortal

25 de jun de 2017

Passeio na Roça

Fumaça de fogueira em noite de São João...
No meu Nordeste, reza a tradição, devemos acender uma fogueira em homenagem a São João. A fogueira lembra, lá em tempos idos, o sinal que Isabel fez para anunciar o nascimento do profeta. A fogueira que representa uma notícia alvissareira é lembrada até hoje nas  festividades juninas.
Esta festa maravilhosa une toda a gente do meu querido Nordeste. Aquele que reverencia a São João não pode deixar de construir a sua fogueira como também caprichar nos quitutes da época. Quem me dera poder novamente comer uma canjica das boas ou um milho cozido, sem falar na pamonha gostosa e outras tantas delícias desta época de muito forró e outras danças típicas.
A festa de São João é a festa mais popular do Nordeste brasileiro. Brinquei muito quando menino, isto porque pobre e rico se igualam no São João, ambos são convidados a fazer o mesmo passeio na roça.
É este ponto que quero destacar de agora em diante: pobre e rico fazerem o mesmo caminho na vida.
Por que é que rico deve ter a melhor escola e o pobre não?
Por que é que rico deve ter o melhor médico e pobre nem isso?
Onde está escrito que rico deve ter sempre o melhor e o pobre tenha que viver a penar?
A natureza é a mesma para todos. Deus deu a todos o mesmo ar, as mesmas árvores, a mesma praia, o mesmo céu. Nada distinguiu a seus filhos. Por uma questão puramente humana, os seus filhos criaram distinções e privilégios. Uns podem, outros não. Esta separação é dos homens e não de Deus.
Deus proporcionou a todos as mesmas oportunidades, os homens excluíram alguns de seus irmãos em usufruírem plenamente o banquete da vida. A luta de classes, o embate social, a disputa econômica tem nome, chama-se egoísmo.
O egoísmo humano foi que criou as separações, os apartheids, as distinções, os privilégios.
Se o homem soubesse dividir melhor o que Deus ofereceu não haveria as grandes disparidades que enxergamos. Falta Jesus na relação humana, como falta...
Jesus veio lembrar que não adianta concentrar os bens deste mundo, que o verdadeiro tesouro não está aqui, mas nos céus. Ele mesmo deu este depoimento de vida. Teve uma vida simples e não menos feliz por causa disso. Sabia usufruir das coisas boas da vida quando tinha acesso a elas, mas em nenhum momento se tornou prisioneiro delas.
Separar é coisa menor. Partilhar é coisa maior.
Proporcionar o acesso aos bens da terra para todos, eis o desafio a ser encarado e vencido.
Aprendamos com as festas juninas a dividir o mesmo espaço, a comer da mesma comida, a dançar da mesma música, a compartilhar da mesma alegria, a viver feliz na mesma roça.
Que Deus nos abençoe!

Helder Camara – Blog Novas Utopias

24 de jun de 2017

GRÃO DE AREIA

Ergo a fronte e comtemplo a vastidão,
Astros e sóis brilhando no Infinito,
Coexistindo sem nenhum conflito,
Celestes lumes no sidéreo chão...

Quanta beleza e paz na Criação,
Que admiro de espírito contrito,
Sem que consiga emudecer o grito,
Que me escapa do peito, em oração...

Todo o Universo é um mar de estrelas,
Que se derrama em luz, ao acendê-las,
Por sobre a Terra, a obscura aldeia...

Porém, na praia cósmica que vejo,
Perante tantos orbes em cortejo,
O Sol é tão somente um grão de areia!...

TOBIAS BARRETO

(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã de sábado do dia 16 de junho de 2017, em Uberaba – MG).

23 de jun de 2017

CIGARRA MORTA

Chamam-me agora aí
Cigarra morta,
E não podia haver melhor definição,
Porque caí estonteada à porta
Do castelo em ruínas,
Do desencanto e da desilusão!...

Minhas futilidades pequeninas...
Meus grandes desenganos...
Eu mesma inda não sei
Se é ventura morrer na flor dos anos...
Sei apenas que choro
O tempo que perdi,
Cantando em demasia a carne inutilmente;
E vivo aqui, somente,
De quanto idealizei
De belo, de perfeito, grande e santo,
Que inda hei de realizar
Com a rima do meu verso e a gota do meu pranto.

Dá-me força, Senhor,
Para concretizar meu anseio de amor:
Evita-me a saudade
Da minha improdutiva mocidade!

Eu não quero sentir,
Como cigarra que era,
A falta das canículas doiradas
Sob a luz de ridente primavera.
Já que tombei cansada de cantar,
Calando amargamente,
Perdoa, Deus de Amor, o meu pecado:
Que eu olvide a cigarra do passado,
Para ser uma abelha previdente.


Livro: Parnaso de Além-Túmulo - Francisco C Xavier - CARMEN  CINIRA

22 de jun de 2017

DRUÍDAS

Hipolite Leon Denizard Rivail, codificador da doutrina Espírita, assinou os livros espíritas com o nome de Allan Kardec, após ser informado pelos Espíritos ter sido ele um Druida numa de suas vidas passadas.
     
    Embora os Druidas somente neste milênio haja se apresentado publicamente, contudo a atuação deles é muitíssimo mais antigo do que se pensa. Antes de a Atlântida ser tragada pelo oceano muito das pessoas que lá viviam migraram, e que uma das correntes migratórias foi habitar no oeste da Europa. Com certeza os desse grupo foram os Druidas, mas que por milênios viveram sem desenvolverem uma civilização, mesmo assim conservando a ciência trazida do Continente submerso.
    Os Druidas tinham grandes conhecimentos astronômicos como se pode ver pelos círculos de pedra. Aquelas construções tinham dupla finalidade, a de servir como centros de força telúricas e siderais para a realização dos rituais e, ao mesmo tempo, também, funcionavam como observatórios, especialmente dedicados à marcação das efemérides anuais, ou seja, eram calendários por meio do que o povo pudesse evidenciar a posição do Sol e de algumas estrelas em relação com determinados monumentos e assim pudesse saber das datas festivas, do início dos períodos próprios para início do plantio, etc.
    Contudo, este se constituía um uso secundário e popular, pois na realidade aquelas construções diziam respeito à utilização das forças telúricas e siderais, e em especial aquelas forças ligadas as ciências dos cristais, trazidas para a Europa pelos emigrantes da Atlântida.
    Os Druidas foram considerados magos, feiticeiros, especialmente em decorrência dos conhecimentos que eles tinham de medicina, do uso das plantas medicinais, do controle do clima, etc. Eram capaz de provocar manifestações telúricas e siderais, provocar ou fazer cessar chuvas, isto, é, controlar o ritmo das chuvas, de desviar furacões e ciclones, controlar as marés, atenuar os tremores de terra e as erupções vulcânicas, além de outros fenômenos climatológicos. Isto eles dominavam bem e procediam em parte com o uso de cristais e em parte pela ação da mente, evidentemente com um poder muito ampliado graças aos rituais procedidos em lugares de força, como Stonehenge e outros círculos de pedra.
Apesar de ter um contato muito forte com a Mãe natureza, os druidas acreditam em Deus como força criadora, ou seja, não existe a mesma dualidade que existe na wicca.
    A ciência dos Druidas encerrava muitos mistérios e durante séculos tem se comentado a respeito de Avalon, uma maravilhosa "ilha encantada", lugar de grandes mistérios.
    Não se pode dizer que Stonehenge, Glastonbury e outros sítios megalíticos hajam sido construídos pelos Druidas deste milênio, eles apenas usaram o que os seus antepassados construíram. A datação pelo carbono-14 mostra que aquelas construções são anteriores à fase clássica do Druidismo. Isto é verdade, pois foram construídos logo depois da chegada dos atlantes àquelas plagas. Na realidade foram construídos, e ainda existem centenas de círculos de pedra especialmente na Bretanha e na Escócia.
    Embora os Celtas e Druidas não fizessem uso intenso da linguagem escrita, especialmente para transmitir seus conhecimentos, mesmo assim eles tinham uma escrita expressa sob a forma de um alfabeto conhecido por alfabeto rúnico. As runas são símbolos gráficos com os quais podem ser gravados sons, palavras, mas o principal uso dos desenhos, as runas, é de natureza mágico.
    Bem mais que o alfabeto hebraico as runas são símbolos evocativos de poderes e representam para o druidismo o que o alfabeto hebraico representa para a Cabala.
    As runas têm o poder de canalizar as forças mentais, de projetar a mente da pessoa a um nível ampliado de consciência e daí a captação de conhecimentos ocultos, de conhecimentos velados, de situações afastadas no espaço e no tempo.
    As propriedades mágicas das runas eram usadas por Celtas e Druidas como forma de saber o passado e o futuro. Essa arte ainda hoje é muito praticada, mas tenhamos em mente que a quase totalidade daqueles que se anunciam como adivinhos rúnicos na verdade são enganadores, que vivem comercializando uma arte sagrada. Trata-se de um sistema milenar cujos conhecimentos são secretos, cujo domínio é reservado somente aos iniciados.

    Na Inglaterra e países nórdicos existem diversas organizações druídicas sérias, mas somente uma delas é devidamente credenciada para conferir graus iniciáticos.

21 de jun de 2017

O ESPÍRITO ENCARNADO

Questão 400 do Livro dos Espíritos

 O Espírito encarnado é como se fosse um encarcerado: está preso na carne por laços fluídicos que o fazem prisioneiro por determinado tempo. Ele aspira constantemente à liberdade, no entanto, a sua consciência lhe avisa que ele tem um dever a cumprir, que abandonar o corpo antes do tempo poderá ser bem pior.
O medo de morrer, que quase todo mundo tem, vem das pequenas lembranças dos compromissos assumidos no mundo espiritual. Não fora isso, e seria muito grande o número de suicídios por pequenos aborrecimentos. Os poucos casos que acontecem são por falta do entendimento bastante para certa análise. Não é tirando a própria vida que acontece a libertação. Isso só piora a situação espiritual de quem o faz. O Espiritismo nos esclarece acerca da vida, nos informando as leis que regem o universo, contando-nos casos verídicos de quem tirou a própria vida física e dobrou seus padecimentos, tendo de voltar à carne com cargas mais pesadas do que antes.
Se o encarcerado preocupa todos os dias com a sua liberdade, a alma que toma um corpo tem mais preocupação em se libertar, porque se encontra mais presa que o condenado no cárcere. No entanto, isso depende de quem se encontra na cadeia e no corpo físico; se é um Espírito mais elevado, ele suporta as suas provações com paciência e resgata suas dívidas com mais ou menos bom ânimo.
A reencarnação é, como já falamos em muitas mensagens, um processo criado por Deus para o nosso despertamento espiritual, cujos meios não podemos discutir por ter sido o Senhor de todos os mundos quem a planejou para o bem de todas as criaturas.
Existem vários tipos de cárcere, e a dor é um deles, e dos mais pesados. Se perguntarmos a um sofredor se ele quer ficar livre dos seus padecimentos, dos seus infortúnios, certamente que a resposta será afirmativa. Assim é a dor da carne, que segura a alma por muitos anos, como sendo lição valiosa, no sentido da libertação espiritual. Quanto mais grosseiro é o corpo, mais depressa a alma deseja voar para a sua liberdade. Quando o fardo é pesado e o jugo sofrível, o carregador deseja largá-lo, entrementes, os guias espirituais sempre estão ativos, aconselhando os encarcerados na carne para suportarem com paciência até ao fim, para serem salvos do passado, e sentirem no coração a esperança do futuro.
É preciso que aqueles que se encontram na carne façam mais força para ficar o mais que puderem nela. As lições são duras, mas compensadoras, e a repetição desta oportunidade é bem mais difícil para o coração ansioso de luz. O Espírito encarcerado pode permanecer de bom grado na carne. Se tem evolução espiritual, ele faz esforço todos os dias na caridade verdadeira, de modo que ela lhe dá forças novas em todos os rumos do entendimento; ele usa, na hora de esmorecimento, a oração e a vigilância. E Jesus não o deixa sozinho no caminho das provas.
Em comparação com o Espírito livre, a reencarnação se compara com o sono da alma, mas depende muito do estado de despertamento da mesma. Existem irmãos no plano espiritual, livres do corpo de carne, em piores situações que os próprios encarnados, mesmo os mais endurecidos. Isso depende muito de cada criatura. A Doutrina Espírita nos mostra os caminhos mais acertados para ganharmos a paz de consciência.

Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez - Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.