Questão 450 do Livro dos
Espíritos
Tudo no mundo é
condicionamento da vontade da alma. Tudo obedece à boa vontade, que não deixa
de ser exercício para uma determinação. O próprio saber é um exercício no
aprendizado todos os dias. O que se faz em uma escola, a não ser exercitar o
saber todos os dias? Eis porque chamamos de condicionamento, que não deixa de
ser, igualmente, o despertamento dos valores da alma, que trazemos desde o
nosso nascimento, pela vontade do Criador. A dupla vista pode ser desenvolvida
pelo exercício, desde, porém, que ele obedeça a certas regras na comunhão com a
vontade.
Todas as faculdades
mediúnicas, para melhor se expressarem, carecem de exercício permanente. Nesse
avanço, elas se vão desabrochando e subindo na escala dos dons. Podemos
observar que a palavra é um dom. Se fechamos a boca por algum tempo, deixando
de usar o verbo, esse poderá ir-se atrofiando, como outros músculos que
garantem a existência. Assim os ouvidos, assim todos os membros do corpo. Tudo
foi feito para ser usado. Se se construir uma casa, e depois de pronta,
fechá-la, e se ninguém usá-la para morar, depois de certo tempo ela irá se
desmoronando. Essa é uma lei do uso, que conserva tudo o que foi feito para ser
usado.
O exercício é valioso em
todas as circunstâncias, entrementes, necessário se faz que saibamos exercitar
e, muito mais, usar aquilo que é objeto do exercício. Em tempos idos, havia
escolas para desenvolvimento dos dons espirituais, para previsão de fatos, para
as pitonisas e outros, como há o exercício para o político, para o direito, para
a medicina e outras atividades. O terapeuta que não exercita seu aprendizado na
cura, vai até se esquecendo dos valores que condicionou nas escolas.
Podemos aprender muito sobre
o amor, esse é o nosso dever; no entanto, se não exercitamos esse amor todos os
dias, ele vai se atrofiando a ponto de esconder-se nas dobras da consciência, e
passará a dormir. O exercício dessa virtude incomparável é a garantia da fonte
divina em nossos corações. Assim a caridade, assim o perdão, a paciência, de
modo a abranger todas as qualidades do Espírito.
Deus nos mostra essa lei, por
ser a vida movimento constante. Devemos nos movimentar a todos os momentos, em
tudo o que for bom, agradável e prestativo, que desta forma aparecerá a
dilatação dos poderes da alma, que acorda em todos os seus valores, e a
felicidade ficará mais perto, como aquisição de quem teve boa vontade de
exercitar esses dons de ouro para a paz de seu coração em Cristo.
A faculdade de dupla vista,
tanto quanto as outras que conhecemos, têm relação com o organismo humano,
quando estamos na carne, em raízes profundas. Certos organismos impedem a
manifestação das faculdades, e essa permanece dormindo. A mente ativa tem
grande influência nos centros de forças, donde vêm os estímulos para os
exercícios das faculdades mencionadas.
De todo trabalho resulta o
progresso: do trabalho honesto resulta a ascensão divina. Procuremos exercitar
os nossos valores em aprendizado justo que o tempo dar-nos-á o resultado das
nossas atenções.
Lembrando de novo a
mediunidade, insistimos que é necessária essa faculdade, para que o médium
seja, no amanhã, um médium de luz, por estar com o Mestre dentro do coração, a
lhe dar as diretrizes que levam ao amor.
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