10 de nov de 2017

Memórias de um Suicida (Esperanto)

Yvonne A. Pereira

    Não obstante, jamais me senti satisfeito e tranquilo comigo mesmo. Existe um vácuo em meu ser que não será preenchido senão depois da renovação em corpo carnal, depois de plenamente testemunhado a mim mesmo o dever que não foi perfeitamente cumprido na última romagem terrena, abreviada pelo suicídio! A recordação dolorosa daquele Jacinto de Ornelas y Ruiz, por mim desgraçado com a cegueira irremediável, num gesto de despeito e ciúme, permanece indelével, impondo-se às cordas sensíveis do meu ser como estigma trágico do Remorso inconsolável, requisitando de meu destino futuro penalidade idêntica, ou seja - a cegueira, já que aprova máxima de ser cego fora por mim anulada à frente do primeiro ensejo ofertado pela Providência, mediante o suicídio com que julgara poder libertar-me dela, ficando, portanto, com esse débito na consciência! De há muito devera eu ter voltado à reencarnação. O que fora lícito aprender nas Academias da Cidade Esperança foi-me facultado generosamente, pela magnânima diretoria da Colônia, a qual não interpôs dificuldades ao longo aprendizado que desejei fazer. Até mesmo avantajados elementos da medicina psíquica adquiri ao contato dos mestres, durante aulas de Ciência e no desempenho de tarefas junto às enfermarias do Hospital Maria de Nazaré, onde sirvo há doze anos, substituindo Joel, que partiu para novas experiências terrenas, no testemunho que à Lei devia, como suicida que também era. Tal aptidão valer-me-á o poder tornar-me "médium curador", mais tarde, quando novamente habitar a crosta do planeta onde tantas e tão graves expressões de sofrimento existem para flagelar a Humanidade culposa de erros constantes!
    Faltava-me, todavia, o idioma fraterno do futuro, aquele penhor inestimável da Humanidade, e que tenderá a envolvê-la no amplexo unificador das raças e dos povos confraternizados para a conquista do mesmo ideal: - o progresso, a harmonia, a civilização iluminada pelo Amor! Era estudo facultativo esse, como, aliás, todos os demais deveres que tenderíamos a abraçar, mas que os iniciados, particularmente, aconselhavam a fazermos, a ele emprestando grande importância, porquanto esse idioma, cujo nome simbólico é o mesmo de nossa Cidade Universitária, isto é, Esperança - (Esperanto) -, resolverá problemas até mesmo no além-túmulo, facultando aos Espíritos elevados o se comunicarem eficiente e brilhantemente, através de obras literárias e científicas, as quais o mundo terreno tende a receber do Invisível nos dias porvindouros - servindo-se de aparelhos mediúnicos que também se hajam habilitado com mais essa faculdade a fim de bem atenderem aos imperativos da missão que, em nome do Cristo e por amor da Verdade e da redenção do gênero humano, deverão exercer. Ora, convinha extraordinariamente aos meus interesses em geral e aos espirituais em particular, a aquisição, no plano invisível, desse novo conhecimento, ou seja, do idioma "Esperanto".
    Ao reencarnar, levando-o decalcado nas fibras luminosas do cérebro perispiritual, em ocasião oportuna advirme-ia a intuição de reaprendê-lo ao contato de mestres terrenos. Eu fora, aliás, informado de que seria médium na existência porvindoura e comprometera-me a trabalhar, uma vez reencarnado, pela difusão das verdades celestes entre a Humanidade, não obstante o fantasma da cegueira que se postou à minha espera nas estradas do futuro. Meditei profundamente na conveniência que adviria da ciência de um idioma universal entre os homens e os Espíritos, do quanto eu mesmo, como médium que serei, poderei produzir em prol da causa da Fraternidade - a mesma do Cristo -, uma vez o meu intelecto de posse de tal tesouro. Obtida, pois, a permissão para mais esse curso, matriculei-me na Academia que lhe era afeta e me dediquei fervorosamente ao nobre estudo. Não era simplesmente um edifício a mais, figurando na extensa Avenida Acadêmica onde suntuosos palácios se alinhavam em magistral efeito de arte pura, mas escrínio de beleza arquitetônica, que levaria o pensador ao sonho e ao deslumbramento! Era também um templo, como as demais edificações, e nos seus majestosos recintos interiores a Fraternidade Universal era homenageada sem esmorecimentos, e sob as mais sadias inspirações da Esperança, por ministros do Bem, incansáveis em operosidades tendentes ao beneficio e progresso da Humanidade.
    Localizado num extremo da artéria principal da nobre e graciosa cidade do Astral, elevava-se sobre ligeiro planalto circulado de jardins cujos tabuleiros profusos também se multiplicavam em matizes suaves, evolando oblatas de perfumes ao ar fresco, que se impregnava de essências agradáveis e puras.     Arvoredos floridos, caprichosamente mesclados de tonalidades verde-gaio e como que translúcidas, ora esguios, de galhadas festivas, ou frondosos, orlados de festões garridos onde doces virações salmodiavam queixumes enternecidos, alinhavam as alamedas e pequenas praças do jardim, emprestando ao encantador recanto o idealismo augusto dos ambientes criados sob o fulgor das inspirações de mais elevadas esferas. Não foi sem sentir vibrar nas cordas sutis do meu Espírito um frêmito de insólita emoção que lentamente galguei as escadarias que levavam à alameda principal, acompanhado, a primeira vez, de Pedro e Salústio, representantes que eram da direção do movimento universitário do cantão, isto é, espécie de inspetores escolares.
    Ao longe, o edifício fulgia docemente, como estruturado em esmeraldinos tons de delicada quintaessência do Astral. Dir-se-ia que os revérberos do Astro Rei, que muito de mansinho penetrava os horizontes do nosso burgo, resvalando brandamente pelos zimbórios e pelas cornijas rendilhadas e graciosas, o envolviam em bênçãos diárias, aquecendo com ósculos de fraterno estímulo a ideia genial processada no seu interior augusto por um pugilo de entidades esclarecidas, enamoradas do progresso da Humanidade, de realizações transcendentes entre as sociedades da Terra como do Espaço. Era, todavia, a única edificação refulgindo tonalidades esmeraldinas e flavas, em desacordo com suas congêneres, que lucilavam nuanças azuladas e brancas, e que não obedecia ao clássico estilo hindu. Lembraria antes o estilo gótico, evocando mesmo certas construções famosas da Europa, como a catedral de Colônia, com suas divisões e reentrâncias bordadas quais joias de filigrana, suas torres apontando graciosamente para o alto entre flamejamentoa que se diriam ondas transmissoras de perenes inspirações para o exterior.
    Os recintos interiores não decepcionavam, porquanto eram o que de mais belo e mais nobre pude apreciar nos interiores da Cidade Esperança. Feição de catedral, com efeitos de luzes surpreendentes e um acento de arte fluídica da mais fina classe que me seria possível conceber, compreendia-se imediatamente não serem orientais e tampouco iniciados os seus idealizadores; que não pertenceriam à falange sob cujos cuidados nos reeducávamos e que antes deveria tratar-se de realização transplantada de outras falanges, como que uma embaixada especial, sediada em outras plagas, mas com elevadas missões entre nós outros, e cuja finalidade seria, sem sombra de dúvidas, igualmente altruística.
    Com efeito! A uma interrogação minha, Pedro e Salústio responderam tratar-se de uma filial da grande Universidade Esperantista do Astral, com sede em outra esfera mais elevada, a qual irradiava inspiração para suas dependências do Invisível, como até da Terra, onde já se iniciava apreciável movimentação em torno do nobilíssimo certame, entre intelectuais e pensadores de todas as raças planetárias! Igualmente não era, como as demais Escolas do nosso burgo, dirigida por iniciados em Doutrinas Secretas. Seus diretores seriam neutros, na Terra como no Além, em matéria de conhecimentos filosóficos ou crenças religiosas em geral. Seriam antes renovadores por excelência, idealistas a pugnarem por um melhor estado nas relações sociais, comerciais, culturais, etc., etc., que tanto interessam a Humanidade.
    Ali destacamos grandes vultos reformadores do Passado emprestando do seu valioso concurso à formosa causa, alguns deles tendo vivido na Terra aureolados por insuspeitáveis virtudes, e com os próprios nomes registrados na História como mártires do Progresso, porquanto trabalharam em várias etapas terrenas, nobre e heroicamente, pela melhoria da situação humana e da confraternização das sociedades. Surpreendido, ali encontrei plêiade cintilante de intelectuais de toda a Europa aderidos ao movimento, entre muitos o grande Victor Hugo, para só me referir a um representante do continente francês, ainda e sempre genial e trabalhador, dando de suas vastas energias à ideia da difusão de um inapreciável patrimônio entre a Humanidade. Quando, por isso mesmo, tomei lugar no amplo e bem iluminado salão para o advento das primeiras aulas, confessava-me grandemente atraído para essa nova e admirável falange de servidores da Luz.
    Uma vez no recinto, onde nuanças docemente esmeraldinas se casavam ao rendilhado dourado da arquitetura fluídica e sutil, emprestando-lhe sugestões encantadoras, não me pude furtar à surpresa de averiguar ser o elemento feminino superior em número ao masculino, referência feita aos aprendizes. E, durante o prosseguimento de todo o interessante curso, pude verificar com que fervor minhas gentis colegas de aprendizado, as mulheres, se dedicavam à vultosa conquista de armazenarem no refolho do cérebro perispiritico as bases espirituais de um idioma que, uma vez reencarnadas, lhes seria grato lenitivo no futuro, afã generoso a lhes descortinar horizontes mais vastos, assim para a mente como para o coração, dilatando ainda possibilidades muito mais ricas de suavizar críticas situações, remover empecilhos, solucionar problemas com que porventura viessem a deparar no trajeto das reparações e testemunhos inalienáveis do porvir. E que de afeições puríssimas e blandiciosas, durante o mencionado labor?!...
    Ao amável aconchego dos meus companheiros de ideal esperantista, desde os primeiros dias harmonizadas as cordas do meu ser às suas vibrações gêmeas da minha, encheu-se o meu Espírito de indizível satisfação, o coração se me dilatando para o advento da mais viva e consoladora Esperança de melhores dias presidindo às sociedades terrenas do futuro, no seio das quais tantas vezes ainda renasceríamos, rumando para as alcandoradas plagas do Progresso!
     Tal como no desenrolar das lições ministradas pelos antigos mestres Aníbal e Epaminondas, desde o primeiro dia de aula na Academia de Esperanto verificou-se magistral desfile de civilizações terrenas.    Suas dificuldades, muitas até hoje insanadas, muitos dos seus mais graves impasses foram analisados sob nossas vistas interessadas, em quadros expositivos e sequentes como o cinematógrafo, mostrando a Humanidade a debater-se contra as ondas até hoje insuperáveis da multiplicidade de idiomas e dialetos, dificuldades que figuravam ali como um dos flagelos que assolam a atribulada Humanidade, complicando até mesmo o seu futuro espiritual, porquanto no próprio Mundo Invisível se luta contra estorvos motivados pela diferença de linguagem, nas zonas inferiores ou de transição, onde prolifera o elemento espiritual pouco evolvido ou ainda muito materializado.
    Minúcias, ramificações, consequências surpreendentes até mesmo dentro do lar doméstico, empeços desanimadores, no alongamento das relações e até do amor, entre as nações, os povos e os indivíduos, tudo foi magistralmente examinado desde as primeiras civilizações contempladas no planeta até ao século XX, que eu próprio não alcançara no plano material. E, depois, a simplificação dos mesmos casos, a remoção das mesmas dificuldades, a aurora de um progresso franco, também alicerçado na clareza de um idioma que será patrimônio universal, da mesma forma que a Fraternidade e o Amor, unindo ideias, mentes, corações e esforços para um único movimento geral, uma gloriosa conquista: - a difusão da cultura em geral, a aproximação dos povos para o triunfo da unidade de vistas, a felicidade das criaturas! Soletramos, então, os vocábulos. Eram-nos apresentados artística e gentilmente, através de quadros vivos e inteligentes.
    Sobrepunham-se estes em sequências admiráveis de leitura, fornecendo-nos o de que necessitávamos para nos apossarmos dos segredos que nos permitiriam mais tarde até mesmo discursar fluentemente, em assembleias seletas. Eram, portanto, álbuns, livros móveis, inteligentes, como que animados por fluido singular, a nos ensinarem a conversação, a escrita, toda a esplendente irradiação de um idioma que se ia decalcando em nosso intelecto, permitindo-nos, quando reencarnados, a explosão de intuições brilhantes tão logo nos encontrássemos na pista do assunto! E tais eram as perspectivas que nos acenavam os fatos do cimo glorioso daquela conquista, que nos sentimos triplicemente irmanados a toda a Humanidade: pelos laços amoráveis da Doutrina do Cristo; pelo beneplácito da Ciência que nos iluminava o coração e pela finalidade a que nos arrastaria o exercício de um idioma que futuramente nos habilitaria a nos reconhecermos como em nossa própria casa, estivéssemos em nossa Pátria ou vivendo no seio de nações situadas nas mais diferentes plagas do globo terrestre, como até no seio do mundo invisível!
    Ora, a Embaixada Esperantista em nossa Colônia não se limitava a facultar-nos elementos linguísticos capazes de nos confraternizar com os demais cidadãos terrenos, com quem seríamos compelidos a viver nos arraiais da crosta planetária, em futuro próximo. De quando em quando, das esferas mais elevadas desciam visitas de confraternização, no intuito generoso de encorajarem os irmãos de ideal ainda ergastulados nas dificuldades de antigas delinquências. Verdadeiros congressos que eram, tais visitas à nossa Academia tratavam, em assembleias brilhantes, do interesse da Causa, das atividades para a vitória do Ideal, dos sacrifícios e lutas de muitos pares do novo empreendimento para a sua difusão e progresso!
    Era quando tínhamos ocasião de avaliar a colaboração daqueles vultos eminentes que viveram na Terra e cujos nomes a História registrou, e dos quais falamos mais atrás. Grandes turmas de alunos, aprendizes do mesmo movimento, e pertencentes a outras esferas, aderiam a tais congressos, piedosamente colaborando para o reconforto de seus pobres irmãos prisioneiros do suicídio. Então, eram dias festivos em Cidade Esperança! Nas suntuosas praças ajardinadas que circundavam o majestoso palácio da Embaixada Esperantista, sobre tapetes de relvas cetinosas, garridamente mescladas de miosótis azuis, de azáleas níveas ou róseas, realizavam-se os jogos florais, perfeitos torneios de Arte Clássica, durante os quais a alma do espectador se deixava transportar ao ápice das emoções gloriosas, deslumbrada diante da majestade do Belo, que então se revelava em todos os delicados e maviosos matizes possíveis à sua compreensão!
    Destacavam-se os bailados coreográficos e mesmo individuais, levados a cena por jovens e operosas esperantistas, cujas almas reeducadas à luz benfazeja da Fraternidade não desdenhavam testemunhar a seus irmãos cativos do pecado o apreço e a consideração que lhes votavam, descendo das paragens luminosas e felizes em que viviam para a visitação amistosa, com que lhes concediam tréguas para as ominosas preocupações através do refrigério de magnificentes expressões artísticas! Então, a beleza do espetáculo atingia o indescritível, quando, deslizando graciosamente pelo relvado florido, pairando no ar quais libélulas multicores, os formosos conjuntos evolucionavam traduzindo a formosa arte de Terpsicore através do tempo e dos característicos das falanges que melhor souberam interpretá-la; agora, eram jovens que viveram outrora na Grécia, interpretando a beleza ideal dos "ballets" de seu antigo berço natal; depois, eram egípcias, persas, hebraicas, hindus, europeias, extensa falange de cultivadores do Belo a encantar-nos com a graça e a gentileza de que eram portadoras, cada grupo alçando ao sublime o talento que lhes enriquecia o ser, enquanto suntuosos efeitos de luz inundavam o cenário como se feéricos, singulares fogos de artifício descessem dos confins do firmamento para irradiar em bênçãos de luzes sobre a cidade, que toda se engalanava de esbatidos multicores, nuanças delicadas e lindas, que se transmudavam de momento a momento em raios que se entrechocavam, indescritivelmente, em artísticos jogos de cores, entrecruzando-se, transfundindo-se em cintilações sempre novas e surpreendentes!
    E todo esse empolgante e intraduzível espetáculo de arte, que por si mesmo seria uma oblata ao Supremo Detentor da Beleza, verificado ao ar livre e não no recinto sacrossanto dos Templos, fazia-se acompanhar de orquestrações maviosas onde os sons mais delicados, os acordes flébeis de poderosos conjuntos de harpas e violinos, que eram como pássaros garganteando modulações siderais, arrancavam de nossos olhos deslumbrados, de nossos corações enternecidos, haustos de emoções generosas que vinham para tonificar nossos Espíritos, alimentando nossas tendências para o melhor, ao nosso ser ainda frágil descortinando horizontes jamais entrevistos para o plano intelectual! Quantas vezes músicos célebres que viveram na Terra acompanharam as caravanas esperantistas à nossa Colônia, colaborando com suas sublimes inspirações, agora muito mais ricas e nobres, nessas fraternas festividades que o Amor ao próximo e o culto à Beleza promoviam!
    Mas tudo isso era manifestado em um estado de superioridade e grandiosa moral que os humanos estão longe de conceber! Sucediam-se, porém, os concertos: cânticos orfeônicos atingiam expressões miríficas; peças musicais perante as quais as mais arrebatadas melodias terrenas empalideceriam; certames poéticos em cenas de declamação cuja suntuosidade tocava o inimaginável, arrebatando-nos até ao êxtase! E o idioma seleto de que se utilizava esse pugilo magnífico de artistas pertencentes a falanges que viveram e progrediram sob a bandeira de todos os climas, de todas as Pátrias do globo terrestre, era o Esperanto, aquele que iria coroar a iniciação que fizéramos, reeducando-nos aos conceitos da Moral, da Ciência e do Amor! Só se admitia, no entanto, a Arte Clássica.

    Em nossa Cidade Universitária jamais presenciamos o regionalismo de qualquer espécie. E depois que as lágrimas banhavam nossas faces, empolgadas nossas almas ante tanto esplendor e maravilhas, diziam nossas boas vigilantes, acompanhando-nos ao internato para o repouso noturno: - Não vos admireis, meus amigos! O que vistes é apenas o início da Arte no além-túmulo . . . Trata-se da expressão mais simples do Belo, a única que vossas mentalidades poderão alcançar, por enquanto... Em esferas mais bem dotadas que a nossa existe mais, muito mais! . . . Cumpre, porém, à alma pecadora refazer-se das quedas em que incorreu, virtualizando-se através da renúncia, do trabalho, do amor, a fim de merecer o gravitar para elas...

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