16.1.26

Seria Pluribus o modelo espírita de felicidade para a humanidade? - 2

A Série Pluribus, produzida e exibida pela Apple TV+, é instigante em provocar uma reflexão sobre o futuro que a humanidade deseja para si.
Se o objetivo principal for a promoção da felicidade geral, uma invasão extraterrestre fez este serviço por nós. A estratégia utilizada foi disseminar um vírus que altera o comportamento individual e coletivo, de maneira biológica, neural e psíquica da comunidade terrena.
Cada pessoa mantém a sua identidade e estrutura física, mas passa a fazer parte de uma grande rede mental e emocional, onde o que afeta um tem impacto em todos – “Os Outros”.
A felicidade conquistada pelo conjunto da humanidade deriva desta mega conexão global e compartilhamento dos mesmos valores.
Este modelo de felicidade Pluribus seria compatível com os princípios da filosofia espírita?
Analisemos, a seguir, alguns fatores e façamos comparações destes modelos – sabendo, de antemão, que não há um modelo desenhado pelo Espiritismo, mas características que devem estar presentes se este modelo existisse.
1.   Solidariedade Universal
O Modelo de Felicidade Pluribus sustenta-se na unidade da diversidade, onde os interesses individuais devem dar lugar aos interesses coletivos e altruístas.
O Modelo de Felicidade Espírita defende o fim dos privilégios, pois a nova ordem social não deverá ser baseada no nascimento ou na posse, mas no mérito moral; e a união dos povos, onde as barreiras entre as nações cairão à medida que os homens compreenderem que todos são membros da mesma família espiritual.
Há convergência de perspectivas.
2.   Processo de Mudança
O Modelo de Felicidade Pluribus é baseado na mudança individual induzida, sem ela não acontece a mudança social. Para isso, o ego deve ser eliminado e a vontade tem que estar submetida a uma supra consciência única.
O Modelo de Felicidade Espírita geralmente se concentra na necessidade de aquisição do autoconhecimento que promova a autotransformação levando ao autoamor e este na direção de amar ao outro e a Deus. "A Terra não será transformada por um milagre, mas pela transformação dos homens que a habitam."
Há divergência de perspectivas.
O Modelo Pluribus parte do pressuposto de que o ser humano é incapaz de realizar esta conquista evolutiva e, por isso, dá um empurrãozinho pela introjeção do vírus.
O Modelo Espírita se ancora na melhoria moral contínua do ser humano submetido que está à lei do progresso.
3.   Diferenças de Mentalidade
O Modelo de Felicidade Pluribus tratou os 13 divergentes como elementos a serem cooptados pela persuasão beirando a manipulação.
O Modelo de Felicidade Espírita é tolerante quanto aos divergentes, mas com firmeza de propósito. Os não adaptáveis à Nova Terra são expurgados para outros planetas de mesma frequência vibracional e os demais permanecem no seu processo evolutivo.
Há divergência de perspectivas.
O Modelo Pluribus é determinado, apesar da aparente amorosidade de seu discurso. Os não adaptados que, por alguma razão, morrem, são descartados friamente (+ 800 milhões na série).
O Modelo Espírita oferece oportunidades de readaptação à Lei Divina pelo arrependimento e reparação como mecanismo de aprendizagem do espírito.
4.   Livre-Arbítrio
No Modelo Pluribus de Felicidade não há escolha de rumo pelo indivíduo. O comportamento é imposto por um agente externo (o vírus/sinal). O livre-arbítrio é sacrificado em nome da estabilidade sistêmica.
Num provável Modelo Espírita de Felicidade, a protagonista Carol Sturka representaria muito bem o argumento espírita de que a dor e a melancolia, por exemplo, são preferíveis se forem o preço da liberdade e da identidade real.
Há divergência de perspectivas.
O Modelo Pluribus elimina etapas do desenvolvimento espiritual. Incapaz de se forcar no seu progresso como deveria, a autonomia é colapsada e todos viram um autômato do propósito maior. Nada de variações ao modelo. Nada de divergências. Pensamento único e focado.
Para o Modelo Espírita, a transição para um mundo melhor exige o exercício pleno do livre-arbítrio. A felicidade é uma conquista do esforço pessoal. Aliás, esta é a principal característica de uma fase de regeneração, como a própria palavra apresenta. Esta fase é o início de um grande processo de transformação planetária, onde o homem ainda é falível e tem provas, mas já não encontra prazer no mal. O Modelo Pluribus simplesmente deletou a fase de regeneração humana passando imediatamente para a fase de feclidade.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Continua e conclui com a Parte 3

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