A. BRANCO *
Encarcerado, enfim, nas grades da memória,
Tudo tresanda em mim o sinistro bafio
Da torva escuridão a que me sentencio,
Na câmara de fel da sombra merencória.
Mocidade, ilusão, tudo é lodo e vanglória
Esbarrando na morte – horrendo desafio! –
Para a descida ao caos ignoto, imenso, frio,
E ser lama pensante, escória sob a escória.
O’ minhalma infeliz, porque assim te sublevas?
Corvo triste da mágoa a crocitar nas trevas,
Volve em prece a dormir na paz inerme do ovo!
Sepulta, coração, no tremedal medonho,
A aflição derradeira e o derradeiro sonho
Para tudo esquecer e começar de novo!
(*) Não se identificando por óbvias razões, ensina-nos o poeta que, após a desencarnação, se carregamos frustrações e culpas, debalde procuraremos fugir às «grades da memória». Só a reencarnação, com efeito, representa a terapêutica ideal, quando teremos de «começar tudo de novo».
Livro: Antologia dos Imortais - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.
Encarcerado, enfim, nas grades da memória,
Tudo tresanda em mim o sinistro bafio
Da torva escuridão a que me sentencio,
Na câmara de fel da sombra merencória.
Mocidade, ilusão, tudo é lodo e vanglória
Esbarrando na morte – horrendo desafio! –
Para a descida ao caos ignoto, imenso, frio,
E ser lama pensante, escória sob a escória.
O’ minhalma infeliz, porque assim te sublevas?
Corvo triste da mágoa a crocitar nas trevas,
Volve em prece a dormir na paz inerme do ovo!
Sepulta, coração, no tremedal medonho,
A aflição derradeira e o derradeiro sonho
Para tudo esquecer e começar de novo!
(*) Não se identificando por óbvias razões, ensina-nos o poeta que, após a desencarnação, se carregamos frustrações e culpas, debalde procuraremos fugir às «grades da memória». Só a reencarnação, com efeito, representa a terapêutica ideal, quando teremos de «começar tudo de novo».
Livro: Antologia dos Imortais - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.
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