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O espírito Erasto de Paneas trouxe uma referência de como se comportariam os planetas submetidos todos no universo à lei do progresso. Adiantou-se em afirmar que tal classificação era meramente didática, nada absoluta. Os mundos evoluiriam em cinco fases: primitivo, expiação e provas, em regeneração, felizes e puros. Este progresso se daria nas dimensões intelectual e moral – e eu acrescentaria física. Entre uma fase e outra ocorreria um período de transição.
Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, Erasto (Paris, 1863) declara:
(...) A Terra, seguindo essa lei, esteve material e moralmente num estado inferior ao que hoje se encontra, e atingirá, sob esse duplo aspecto, um grau mais elevado. Ela chegou a um de seus períodos de transformação, em que, de mundo expiatório, tornar-se-á mundo regenerador; então os homens serão ditosos, porque a lei de Deus nela reinará."
Há quem conteste este princípio da filosofia espírita argumentando que a civilização humana não é homogênea e que não existe, efetivamente, sinais que o orbe terráqueo esteja progredindo. As desigualdades e injustiças, a violência, os vícios, entre outros fatores, denunciariam o atraso da Terra, apesar dos muitos avanços comparado a períodos recentes.
Admitindo-se, porém, que o progresso seja inevitável e universal, como seria caracterizado o nosso planeta depois de regenerado e na condição de feliz?
Não há um modelo de civilização ideal desenvolvida descrito pelos espíritos, embora existam livros que desenhem este novo amanhã terreno (1), mas qualquer que seja ele o bem-estar seria geral; a harmonia e a paz predominaria entre os povos; o bem prevaleceria sobre o mal; a espiritualidade ganharia espaço para os valores materiais e por aí vai.
É neste contexto que se insere a série Pluribus (2025), de Vince Gilligan, produzida e distribuída pela Apple TV+.
A trama se passa em Albuquerque, Novo México (EUA). Tudo começa quando astrônomos detectam um sinal de rádio vindo do espaço profundo que contém uma sequência de RNA. Cientistas reproduzem esse código em laboratório, o que acaba liberando um vírus extraterrestre que se espalha rapidamente por todo o planeta.
Este vírus não mata ou transforma as pessoas em monstros, mas sim as conecta em uma mente coletiva pacífica e hiper-inteligente conhecida como "Os Outros". A humanidade torna-se uma comunidade de cooperação perfeita: não há mais guerras, crimes ou fome, pois todos compartilham pensamentos, memórias e emoções.
Inexplicavelmente, treze pessoas no mundo não são absorvidas por esta estranha força cooptativa, entre elas está Carol Sturka (Rhea Seehorn), uma escritora de romances de fantasia. Ela se rebela contra esta situação e se põe a encontrar uma forma de reverter esta contaminação coletiva.
O modelo Pluribus de regeneração planetária para se conseguir a tão almejada felicidade é baseada em quatro princípios:
- Erradicação do Conflito. Ao compartilhar pensamentos e sentimentos, o individualismo e o egoísmo desaparecem. A série mostra um mundo sem guerras, crimes ou desigualdade, pois a dor de um é sentida por todos;
- Empatia Radical. A "Mente Colmeia" elimina o preconceito. Não há "o outro" a ser odiado quando todos fazem parte do mesmo "nós";
- Sustentabilidade e Ética: Na série, o coletivo passa a respeitar a natureza e os animais de forma absoluta, operando sob uma lógica de preservação que a humanidade individualista nunca conseguiria alcançar;
- Eficiência Coletiva: A soma de todo o conhecimento humano disponível instantaneamente para todos permite resolver crises complexas (fome, doenças, logística) com precisão matemática.
Neste novo modelo de vida civilizacional toda a humanidade é feliz e a paz e a justiça social, enfim, é alcançada. A questão que trago nestes artigos é: este modelo Pluribus de felicidade coletiva seria compatível com um possível modelo espírita de mundo feliz?
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
O espírito Erasto de Paneas trouxe uma referência de como se comportariam os planetas submetidos todos no universo à lei do progresso. Adiantou-se em afirmar que tal classificação era meramente didática, nada absoluta. Os mundos evoluiriam em cinco fases: primitivo, expiação e provas, em regeneração, felizes e puros. Este progresso se daria nas dimensões intelectual e moral – e eu acrescentaria física. Entre uma fase e outra ocorreria um período de transição.
Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, Erasto (Paris, 1863) declara:
(...) A Terra, seguindo essa lei, esteve material e moralmente num estado inferior ao que hoje se encontra, e atingirá, sob esse duplo aspecto, um grau mais elevado. Ela chegou a um de seus períodos de transformação, em que, de mundo expiatório, tornar-se-á mundo regenerador; então os homens serão ditosos, porque a lei de Deus nela reinará."
Há quem conteste este princípio da filosofia espírita argumentando que a civilização humana não é homogênea e que não existe, efetivamente, sinais que o orbe terráqueo esteja progredindo. As desigualdades e injustiças, a violência, os vícios, entre outros fatores, denunciariam o atraso da Terra, apesar dos muitos avanços comparado a períodos recentes.
Admitindo-se, porém, que o progresso seja inevitável e universal, como seria caracterizado o nosso planeta depois de regenerado e na condição de feliz?
Não há um modelo de civilização ideal desenvolvida descrito pelos espíritos, embora existam livros que desenhem este novo amanhã terreno (1), mas qualquer que seja ele o bem-estar seria geral; a harmonia e a paz predominaria entre os povos; o bem prevaleceria sobre o mal; a espiritualidade ganharia espaço para os valores materiais e por aí vai.
É neste contexto que se insere a série Pluribus (2025), de Vince Gilligan, produzida e distribuída pela Apple TV+.
A trama se passa em Albuquerque, Novo México (EUA). Tudo começa quando astrônomos detectam um sinal de rádio vindo do espaço profundo que contém uma sequência de RNA. Cientistas reproduzem esse código em laboratório, o que acaba liberando um vírus extraterrestre que se espalha rapidamente por todo o planeta.
Este vírus não mata ou transforma as pessoas em monstros, mas sim as conecta em uma mente coletiva pacífica e hiper-inteligente conhecida como "Os Outros". A humanidade torna-se uma comunidade de cooperação perfeita: não há mais guerras, crimes ou fome, pois todos compartilham pensamentos, memórias e emoções.
Inexplicavelmente, treze pessoas no mundo não são absorvidas por esta estranha força cooptativa, entre elas está Carol Sturka (Rhea Seehorn), uma escritora de romances de fantasia. Ela se rebela contra esta situação e se põe a encontrar uma forma de reverter esta contaminação coletiva.
O modelo Pluribus de regeneração planetária para se conseguir a tão almejada felicidade é baseada em quatro princípios:
- Erradicação do Conflito. Ao compartilhar pensamentos e sentimentos, o individualismo e o egoísmo desaparecem. A série mostra um mundo sem guerras, crimes ou desigualdade, pois a dor de um é sentida por todos;
- Empatia Radical. A "Mente Colmeia" elimina o preconceito. Não há "o outro" a ser odiado quando todos fazem parte do mesmo "nós";
- Sustentabilidade e Ética: Na série, o coletivo passa a respeitar a natureza e os animais de forma absoluta, operando sob uma lógica de preservação que a humanidade individualista nunca conseguiria alcançar;
- Eficiência Coletiva: A soma de todo o conhecimento humano disponível instantaneamente para todos permite resolver crises complexas (fome, doenças, logística) com precisão matemática.
Neste novo modelo de vida civilizacional toda a humanidade é feliz e a paz e a justiça social, enfim, é alcançada. A questão que trago nestes artigos é: este modelo Pluribus de felicidade coletiva seria compatível com um possível modelo espírita de mundo feliz?
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
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