26.12.25

Os Cinco Nascimentos de Jesus

O mundo ocidental comemora em 25 de dezembro, todos os anos, como o Dia de Natal. É uma celebração dúbia porque, ao mesmo tempo, se lembra do nascimento de Jesus, um homem nascido há mais de dois mil anos, mas igualmente se introduz a figura de outro personagem, um tal de Noel, um homem de origem incerta cuja memória reporta-se aos rituais dos Vikings, há milhares de anos. 
Claramente, há uma disputa de espaço e de narrativa. 
O nascimento de Jesus tem a ver com a existência, mensagem e vida de um homem extraordinário que trouxe um conjunto de valores a serem seguidos – ou perseguidos - pela humanidade, mais restrita ao lado ocidental do planeta. 
O surgimento do Papai Noel tem a ver com uma antiga tradição que foi incorporada pelos romanos no século III no calendário oficial das festividades populares e que ganhou gradualmente contornos diversos até se tornar o símbolo de uma campanha consumista de uma sociedade capitalista. 
Não é possível, embora se insista, conciliar os dois personagens num mesmo retrato de época. São entes completamente díspares. Um exalta os valores espirituais, o outro superdimensiona os valores materiais. 
Não será do “bom velhinho” que se pretende refletir neste espaço, mas do personagem maior de Nazaré. 
Há, no entanto, cinco dimensões do nascimento de Jesus: a dimensão física; a dimensão nunciática; a dimensão da ressurgência; a dimensão institucional; e a dimensão inspiracional. 
A dimensão física é a história que se conta e se encontra nos Evangelhos de Mateus e Lucas que afirma ter Jesus nascido em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes e do imperador César Augusto. Logo ao nascer teria recebido a visita de três reis da magia que vieram adorá-lo e presenteá-lo. Mal chegou ao mundo se tornou um refugiado porque seus pais levaram-no para o Egito, pois o rei havia ordenado a matança dos recém-nascidos naquele período. Morto o rei Herodes, já em segurança, vai para o lugarejo de Nazaré. 
O nascimento de Jesus na sua dimensão nunciática se dá no momento em que, aproximadamente aos trinta anos de idade, sai da casa da sua família para pregar a Boa Nova da chegada do Reino de Deus para a humanidade. Em três anos se investe na pele de um líder de uma doutrina que centra a sua mensagem na aprendizagem do amor a conquista da felicidade e a possibilidade de reconexão com a divindade. Doze homens, algumas mulheres e vários grupos de iniciados da sua nova filosofia de vida começam a segui-lo e seus ensinamentos e feitos começam a correr o mundo que percorre para anunciar esta nova era. 
Jesus é acusado de criminoso, julgado arbitrariamente, torturado e assassinado pelos romanos com o incentivo da elite religiosa judaica da época. Três dias após a sua morte por crucificação reaparece em corpo espiritual para atestar sua promessa que jamais morreria. Essa ressurgência é decisiva para que a sua mensagem revolucionária pudesse ganhar gradualmente mais repercussão e conquistar novos adeptos. Os seguidores do Nazareno em pouco tempo se transformavam nos cristãos, sobretudo pelo excelente trabalho propagandístico de Paulo de Tarso, um ex doutor da lei judaica que saiu para divulgar vibrantemente a mensagem do messias de Nazaré. 
O quarto nascimento de Jesus se deu pela formalização de grupos institucionais de seus seguidores através do instrumento jurídico das igrejas. A Igreja Católica Apostólica Romana; as Igrejas Ortodoxas (Oriental e Bizantina); o Protestantismo em sete vertentes; os Pentecostais e os Restauracionistas, são segmentos que defendem a mensagem de Jesus, principalmente na parte ocidental do planeta, totalizando cerca de 2,5 bilhões de seguidores.
Há, no entanto, outro tipo de nascimento de Jesus e ele ocorre de maneira particular, individual, na intimidade de cada ser. É o nascimento inspiracional. Jesus pela sua mensagem ou pelo seu halo espiritual contagia as almas transformando definitivamente a vida da pessoa que, a partir daquele instante mágico, se torna outro ser humano. Foi assim com Saulo de Tarso na estrada de Damasco. Foi assim com Francisco de Assis na igreja em ruínas. É assim diariamente com milhões e milhões de pessoas que são tocadas pelo perfume suave da sua presença no seu espírito. 
Quando se deseja “Feliz Natal” para alguém e isto não acontece da boca para fora como mera formalidade de conveniência da época, creio que quer dizer que “seja feliz o nascimento da mensagem de Jesus dentro de você e que ela transforme para melhor a sua existência.” 
É preciso trazer Jesus para o dia de seu nascimento. 
Menos panetone e mais solidariedade. 
Menos queijo do reino e mais fraternidade. 
Menos bebidas e mais compaixão. 
Mas, para que isso aconteça, você tem que nascer para Jesus de verdade. E aí, neste dia, será uma festa nos céus e as estrelas irão brilhar mais intensamente. 
Este é o milagre do Natal! 
Carlos Pereira Blog de Carlos Pereira

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