29.12.25

Imortalidades

- Reflexões sobre a Continuidade do Existir - Final
O livro “Imortalidades”, de autoria do pensador Eduardo Giannetti, é uma profunda reflexão filosófica sobre o tema. É fruto de anotações de muitos anos e merece ser lido para acompanhar sua linha de raciocínio que é extensa.
Qualquer esforço de síntese, como este por exemplo, correrá o risco de ser incompleto e não exime a necessidade de leitura do livro, pelo contrário, reforça esta necessidade.
Eduardo Giannetti é criterioso no que aborda e traz ao leitor uma abordagem rica de detalhes e nuanças tornando cativante o ato da leitura.
As imortalidades a que se refere é o esforço do ser humano em manter-se de algum modo imortal. Para isso, o autor defende quatro caminhos que a humanidade persegue para atingir este estado: prolongar a vida; esperanças supraterrenas; expectativas terrenas e o presente absoluto.
Prolongar a Vida é o desejo de estender a existência física e mental indefinidamente, por meio da ciência e da tecnologia.
Esperanças Supraterrestres consiste na fé em alguma forma de vida após a morte defendido pela maioria das religiões.
Expectativas Terrenas seria a preocupação com a posteridade e o legado que se deixará para as gerações futuras por meio dos descendentes, criações, feitos e outras realizações.
Presente Absoluto tem a ver com a experiência de momentos extáticos que proporciona o vislumbre do inexprimível e redimem o existir, eternizando-o.
Estes quatro vetores da busca da imortalidade são efetivamente defensáveis de algum modo, mas também frágeis de outro.
O anseio da indestrutibilidade do ser é instintivo. Ninguém em sã consciência deseja desaparecer, deixar de existir. Somos movidos por uma corrente de vida que nos impulsiona para continuarmos a ser o que somos. Ou bem mais.
Nossa ideia de imortalidade tem a ver com os propósitos que possuímos para a vida. A vida imortal tem a ver com a continuidade do ser noutra condição, a espiritual – essência de tudo.
Sem esta condição, a perenidade é nula porque, mais cedo ou mais tarde, deixaremos o corpo carnal e o tempo vai se encarregar de fazer desaparecer todos os nossos rastros, físicos e memoriais.
A memória perene sobre tudo, o estado de vigília, a consciência plena do que faz é um desejo legítimo de todos e deve ser respeitado.
Temos os germens da imortalidade incrustrados nos nossos espíritos que clama por vida, sempre vida, nunca morte ou desaparecimento.
A questão central, portanto, reside em saber o que cada um entende por vida.
Se a vida for entendida apenas no contexto biológico, então o morrer significará a destruição total, o aniquilamento definitivo. Se, porém, for entendida como uma passagem experiencial do espírito na dimensão física, então os nossos olhos sobre a vida serão outros completamente diferentes.
A vida continua. Este é o fato que os espíritos abundantemente nos trazem pelas diversas experiências espirituais. E isto é um passo que todos devem dar para ressignificar o existir. Nada disso tem a ver com religião, mas com espiritualidade.
Eduardo Giannetti é um pensador lúcido, mas não quis adentrar mais a fundo pela fenomenologia espírita. Se assim o fizesse, certamente, suas conclusões seriam outras bastante diferentes.
O que interessa neste ensaio sobre a perenidade do ser humano é despertar os curiosos e inconformados a estudarem um pouco mais sobre o assunto. Este é o clarão que a humanidade precisa: fugir da prisão da materialidade e se abrir às portas da imortalidade pelo espírito.
Somos imortais e o progresso humano demonstrará esta máxima como natural da condição humana.
Carlos Pereira - blog de Carlos Pereira

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