Boa Morte
Para que servem as flores?
Certo
que é para embelezar um ambiente, deixar o seu aroma maravilhoso, mas, num dia
como o de hoje, dedicado à memória dos falecidos, servem para demonstrar uma
homenagem póstuma àqueles que são queridos e não mais estão entre os vivos do
corpo físico.
Pois bem, as flores refletem este pesar por não mais se
encontrar entre vós aquele que um dia conviveu e que deixou marcas de sua
presença.
Um morto é lembrado muitas vezes no ano, mas quando é o dia
dedicado aos finados, ele se torna mais presente entre aqueles que o amaram de
verdade.
A lembrança, portanto, o faz estar mais próximo dos seus, pelo menos
pelos pensamentos.
O morrer, porém, se reveste, a cada dia que passa, de nova
figuração no entendimento. Se antes, tínhamos a impressão de que jamais iríamos
encontrar quem deixamos na sepultura, atualmente vemos que é possível tê-lo mais
perto com mais constância.
Na verdade, toda vez que pensamos em alguém que se
foi, ele estará, onde estiver, sintonizando tais pensamentos e emoções.
Como
é grande a terra e, ao mesmo tempo, tão pequena, pois no influxo do pensamento
consegue-se chegar rapidamente ao “país dos mortos” e deixar a sua
mensagem.
De outro modo, como faço há algum tempo, os que se foram conseguem,
quando possível, dizer da sua imortalidade. Que maravilha, meu Pai!
Quando
morremos temos a esperança de sobreviver. E quando abrimos os olhos no mundo da
esperança e constatamos a nossa sobrevivência, grande alegria consome as nossas
almas, sobretudo para aqueles que foram bem-aventurados, ou seja, souberam
utilizar a vida física para criarem um bom propósito de vida, souberam
materializar boas coisas na humanidade.
Esta é por aqui a senha para uma vida
melhor: a prática de boas obras.
Quando se chega alguém com méritos de uma
vida reta, os céus se abrem em louvor e uma equipe de espíritos vem ao seu
socorro, de braços abertos, para reintroduzi-lo com segurança na nova morada que
habitará.
Esta sensação de morrer varia de pessoa para pessoa, haja vista que
vi – e vejo – pessoas em extrema carência moral e seus destinos, infelizmente,
são tenebrosos.
No país da morte tem de tudo, no entanto, o que predomina é a
máxima do Cristo: “cada um segundo as suas obras”.
Louvo ao Pai todos os dias
para que dê aos seus filhos a temperança necessária no momento da partida para o
lugar onde estou. Não há mistérios para aquele que estuda as coisas do espírito,
mas, mesmo assim, uma viagem para o desconhecido, para lugar que não se sabe
exatamente o que vai acontecer, proporciona certo mal-estar na alma. Somente a
fé inquebrantável é que dará forças para o momento supremo do morrer.
Todos
que aqui estão, em processo de evolução, sentem-se confortados. O fato de
conhecer melhor o mecanismo da vida espiritual os fazem mais confiantes no
amanhã.
Tenham paciência em vossas vidas e as consequências serão positivas
no lado de cá.
Destaco a paciência porque aqui como aí, as coisas seguem a um
ritmo que é traçado pelo Pai e, portanto, nada ocorre por acaso nem no seu tempo
incorreto, até mesmo a partida do corpo físico.
Neste dia de lembrança e
homenagem aos “mortos”, fico pensando o que seria das pessoas se vissem aos
seus em espírito à beira da sua catacumba. Ora, muitos, por absoluto espanto,
correria cemitério afora. Outros, possivelmente, ficariam paralisados sem saber
o que fazer. Poucos entabulariam um diálogo equilibrado com a alma do
falecido.
Ora, por que não fazê-lo deste jeito num dia de hoje?
Ser
lembrado e tratado com naturalidade é tudo que se quer no mundo dos vivos no
espírito. Portanto, ajamos com naturalidade diante da morte física e tenhamos a
convicção de que nada se perderá nos planos do Pai.
A boa morte é
proporcional à boa vida no corpo físico. Assim sendo, cuide-se. Faça por onde
ser melhor a sua estada quando aqui novamente chegar. Essencialmente, faça o
bem.
Um abraço,
Helder Camara
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