15.4.19

XLIII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO”


ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

No capítulo VIII – “Inesperada Intercessão” –, André Luiz, Gúbio e Elói são, finalmente, recebidos por Gregório, que “rodeava-se de mais de cem entidades em atitude adorativa”.
Qual seria o poder que Gregório exercia sobre tais espíritos?! Hipnótico?! Que espécie de dependência, por certo, continuavam a ter dele?! O próprio André questiona: “Quem seria Gregório naquele recinto? Um chefe tirânico ou um ídolo vivo, saturado de misterioso poder?”
Gregório era ali adorado como se fosse um deus, à feição dos antigos imperadores romanos... E o mais incompreensível é que ele tinha perfeita noção de que se encontrava desencarnado, mas continuava em seu “jogo ilusório”, submetendo aos seus caprichos tantos espíritos que se lhe obedeciam...
O sacerdote, então, passa a arguir Gúbio, que confirma ali estar em nome de “Matilde”, e, ao simples enunciar de seu nome, experimenta certo abalo.
Gúbio lhe diz:
- Asseverou-nos querer-te com desvelado amor materno.
Então, o sacerdote esclarece que ambos, ele e sua mãe, estavam separados há alguns séculos, sentenciando:
- (...) Ela serve ao Cordeiro, eu sirvo aos Dragões. (*)
(*) Aqui solicitamos a permissão de nossos irmãos e irmãs internautas para indicarmos a leitura da obra de nossa lavra espiritual, “Do Outro Lado do Espelho” – edição Didier.
*
Esclarecendo sobre os “Dragões”, André Luiz acrescenta uma nota de rodapé:
“Espíritos caídos no mal, desde eras primevas da Criação Planetária, e que operam em zonas inferiores da vida, personificando líderes de rebelião, ódio, vaidade e egoísmo; não são, todavia, demônios eternos, porque individualmente se transformam para o bem, no curso dos séculos, qual acontece aos próprios homens.”
Duas observações de nossa parte:
1 – “... desde épocas primevas da Criação Planetária...”, portanto, muitos deles, são espíritos rebelados há séculos e milênios.
2 – “... não são, todavia, demônios eternos...”, mas, dentro da relatividade do tempo, podem ser considerados “demônios”, espíritos que se colocam a serviço de inteligências que buscam “a perversão dos processos divinos que orientam a evolução planetária.” (Cap. I, de “Libertação” – “Ouvindo Elucidações”)
*
Aduzimos que os denominados “Dragões” possuem numerosos “agentes”, no corpo e fora do corpo, que, ao longo dos séculos, têm procurado entravar o avanço da Humanidade – nem mesmo a própria Doutrina Espírita lhes têm escapado à perniciosa influência, na tentativa de lhe deturpar os Princípios.
*
Entre Gregório e Gúbio, estabelece-se, então, quase um confronto de ordem intelectual, como se passassem a duelar com invisíveis floretes – Gúbio, evidentemente, procurava terçar com as armas do amor, que outras não poderiam ser as que ele portava.
- Criticas, porventura, os Dragões, que se incumbem da Justiça? – perguntou Gregório, duramente.
- Quem sou para julgar? – comentou Gúbio com simplicidade – não passo dum servidor na escola da vida.
- Sem eles – prosseguiu o hierofante, algo colérico, que seria da conservação da Terra?
*
Sim, existem espíritos que se arvoram em tomar uma suposta justiça em suas mãos, e, no caso dos “Dragões”, a Justiça, escrita com J, querendo significar a Justiça Divina!
Esses espíritos, que conhecemos, repetindo, no corpo e fora do corpo, valem-se de sofismas que, não raro, chegam a convencer aqueles que não estejam fortemente amparados pelos seus propósitos no Bem.
São eles que, com falsos milagres e prodígios, quase chegam a enganar os próprios “escolhidos”...

INÁCIO FERREIRA – Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 15 de abril de 2019.

14.4.19

Um Gesto de Amor


Não posso conter a minha emoção porque simplesmente ela traduz o espelho da minha vida. Durante muito tempo, dediquei a minha existência na terra na busca da paz entre os homens e o final da miséria. Em síntese, simbolizei na justiça plena a presença viva do Cristo.
Achava que deveria reviver os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo em cada ato que fazia. Esse era o desafio que me impunha. Por esta razão, muitas vezes fui ridicularizado. Alguns me chamavam de lunático ou exibicionista. Outros queriam atestar a minha idoneidade moral.
Como poderia entender tudo isso senão o inconformismo de muitos com aquilo que eles não conseguiam ainda fazer. Meus gestos, minhas palavras, iam ao encontro do ensinamento de Jesus. Esse era o meu único propósito.
Se alguns não entendiam, o que eu poderia fazer? Jesus também não fora compreendido à sua época e, como observava, nem tampouco hoje.
Pois bem, ontem, ao negociar a paz no Sudão, vimos o mesmo gesto nobre do Cristo no nosso querido Papa Francisco.
Que dizer de tudo isso senão a repetição do gesto magnânimo de Jesus naquela pequena assembleia de irmãos. Ensinava para a humanidade que se não nos diminuíssemos não conseguiríamos nos agigantar diante de Deus.
Meu Deus, que lição de humildade de Nosso Senhor como a nos dizer: “faça o mesmo para poder se vencer”.
Meus irmãos, o Papa Francisco nada fez demais senão copiar o gesto de Nosso Senhor, como também a nos dizer: “eu posso tentar promover a paz se tiver eu um primeiro gesto nesta direção”.
Agora, o mundo inteiro fala dessa ação corajosa e simples do querido papa dos pobres e desafortunados da alma. Os próprios sudaneses, neste instante, conversam entre si para dar uma resposta ao mundo, porque todos querem saber a razão que fez um pontífice imitar o gesto de Jesus.
Ora, o que representa um gesto diante da promoção da paz entre irmãos de um mesmo país, evitando milhares de mortes?
Meus irmãos, quando será que nós também copiaremos a Jesus no nosso dia a dia?
Quando será que sairemos do nosso pedestal de orgulho e presunção e iremos ao encontro daqueles que nos humilham?
A vida é tão curta para debatermos questões sem consequência. Os instantes são tão breves diante da eternidade da vida. Mas o que fazemos senão protestar, ignorar, se apartar da palavra do Cristo com nossas atitudes diárias.
Jesus foi o exemplo em pessoa da encarnação do amor na Terra. Ensinou-nos e exemplificou entre nós a chama abrasante do amor nos corações. Ele foi o amor em forma de gente e por que não aprendermos com ele?
Meu Pai, quando a humanidade deixará de lado a prepotência e a desigualdade para finalmente se tratar como irmãos que todos nós somos?
Papa Francisco, grato pelo gesto que salvará milhares, pois foi desse jeito que agiu o Nosso Senhor e salvador da humanidade.
Que sejas tu, na cadeira de Pedro, a tentar imitá-Lo e a nos lembrar que somente através do amor poderemos nos elevar a Deus.

Helder Camara – Blog Novas Utopias

13.4.19

PEDRA DE TROPEÇO


Supera o mal por pedra de tropeço,
Que alguém haja interposto em teu caminho,
E procura avançar, devagarinho,
Sem por ninguém perder o teu apreço...

Recorda: toda glória tem seu preço,
E, embora estejas a lutar sozinho,
Segue vencendo o escuro torvelinho
Que te parece a vida pelo avesso...

Conserva-te tranquilo e confiante,
Sem vacilar no bem um só instante,
Ou desertar aos nobres ideais...

O barro sob o fogo se aprimora,
A árvore podada se reflora,
E a luz em meio às trevas brilha mais!...

Eurícledes Formiga – Blog Espiritismo em Prosa e Verso
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã de sábado do dia 30 de março de 2019, em Uberaba – MG).

12.4.19

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO


    Estes princípios para mim, não são apenas uma teoria, eu os coloco em prática, faço o bem tanto quanto o permite a minha posição, presto serviço quando posso, os pobres jamais foram rejeitados em minha casa, ou tratados com dureza; a todo momento não foram sempre recebidos com a mesma benevolência? Jamais lamentei meus passos e minhas diligências para prestar serviço; pais de família não saíram da prisão pelos meus cuidados?Certamente não me cabe fazer o inventário do bem que pude fazer; mas, num momento em que parece tudo esquecer-se, é-me muito permitido, creio, chamar à minha lembrança que a minha consciência me diz que não fiz mal a ninguém, que fiz todo o bem que pude, e isso o repito sem pedir conta da opinião, sob esse aspecto, a minha consciência está tranquila e de alguma ingratidão com a qual pude ser pago, em mais de uma ocasião, isso não poderia ser para mim um motivo para  deixar  de  fazê-lo; a ingratidão é uma das imperfeições da Humanidade, e como nenhum de nós está isento de cesuras, é preciso saber passar aos outros pelo que nos passa a nós mesmos, a fim de que se possa dizer, como J. C.: “que aquele que está sem pecado, lhe atire a primeira pedra.” Continuarei, pois, a fazer todo o bem que puder, mesmo aos meus inimigos, porque o ódio não me cega; e eu lhes estenderia sempre a mão para tirá-los de um precipício, se a ocasião disso se apresentasse.
    Eis como entendo a caridade cristã, compreendo uma religião que nos ordena retribuir o mal com o bem, com mais forte razão restituir o bem pelo bem. Mas não compreenderia jamais a que nos prescrevesse retribuir o mal com o mal

Pensamento íntimos de Allan Kardec; documento encontrado em seus papéis.
Livro: Obras Póstumas – Allan Kardec 

10.4.19

NA TERRA E NO ALÉM


Questão 807

Interessado em desfrutar vantagens transitórias no imediatismo da existência terrestre, quase sempre o homem aspira à galhardia de apresentação e a porte distinto, elegância e domínio, no quadro social em que se expressa; entretanto, conduzido à Esfera Superior, pela influência renovadora da morte, identifica as próprias deficiências, na tela dos compromissos inconfessáveis a que se junge, e implora da Providência Divina determinados favores na reencarnação, que envolvem, de perto, o suspirado aprimoramento para a Vida Maior.
É assim que cientistas famosos, a emergirem da crueldade, rogam encarceramento na idiotia; políticos hábeis, que abusaram das coletividades a que deviam proteção e defesa, suplicam inibições cerebrais que os recolham a precioso ostracismo; administradores dos bens públicos que não hesitaram em esvaziar os cofres do povo, a favor da economia particular, solicitam raciocínio obtuso que lhes entrave a sagacidade para o furto aparentemente legal; criminosos que brandiram armas contra os semelhantes requisitam braços mutilados, assinando aflitivas sentenças contra si mesmos; suicidas que menosprezaram as concessões do Senhor, atendendo a deploráveis caprichos, recorrem a organismos quebrados ou violentados no berço, para repararem as faltas cometidas contra si mesmos; tribunos da desordem pedem os embaraços da gaguez; artistas que se aviltaram, arrastando emoções alheias às monstruosidades da sombra, invocam a internação na cegueira física; caluniadores eminentes, que não vacilaram no insulto ao próximo, requerem o martírio silencioso dos surdos-mudos; desportistas eméritos e bailarinos de prol, que envileceram os dons recebidos da Natureza, exoram nervos doentes e glândulas deficitárias que os segreguem a distância de novas quedas morais; traidores que expuseram corações respeitáveis, no pelourinho da injúria, demandam a própria detenção no catre dos paralíticos; mulheres que desertaram da excelsa missão feminina, a se prostituírem na preguiça e na delinquência, solicitam moléstias ocultas que lhes impeçam a expansão do sentimento enfermiço, expoentes da beleza e da graça que corromperam a perfeição corpórea, convertendo-a em motivo para transgressões lamentáveis, requestam longos estágios em quadros penfigosos que lhes desfigurem a forma, de modo a expiarem nas chagas da presença inquietante as culpas ominosas que lhes agoniam os pensamentos...

Livro “Religião dos Espíritos” –  Francisco C. Xavier – Emmanuel – Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

9.4.19

XLII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO”


- ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Encerrando o capítulo VII, Gúbio esclarece que “existem, ainda, nos setores da luta humana, milhões de renascimentos de almas criminosas que tornam ao mergulho da carne premidas pela compulsória do Plano Superior, de modo a expiarem delitos graves”.
A assertiva acima impõe certas reflexões:
- “... almas criminosas que tornam ao mergulho da carne premidas pela compulsória do Plano Superior...” – Como funcionaria, neste caso, a denominada “compulsória”?! Como, afinal, se dará a reencarnação dessas almas criminosas, que, evidentemente, são contrariadas em sua vontade?!
- Sabemos que, para reencarnar, o espírito carece de passar pelo “restringimento” de seu corpo espiritual... A palavra, dentre outros, tem como sinônimo: declínio, encolhimento, abate, apoucamento, minguamento... Para essas almas criminosas, o restringimento aconteceria de forma natural, ou sob alguma espécie de constrangimento?! O que pensam os nossos internautas?!...
*
André, que havia estranhado que os três “ovóides” renasceriam na condição de filhos do casal de fazendeiros, registra a palavra esclarecedora de Gúbio:
- Em ocorrências dessa ordem, a individualidade responsável pela desarmonia reinante converte-se em centro de gravitação das consciências desequilibradas por sua culpa (destacamos) e assume o comando dos trabalhos de reajustamento, sempre longos e complicados, de acordo com os ditames da Lei.
(...) Os princípios de atração governam o Universo inteiro. Nos sistemas planetários e nos sistemas atômicos vemos o núcleo e os satélites. Na vida espiritual, os ascendentes essenciais não diferem. Se os bons representam centro de atenção dos espíritos que se lhes afinam pelos ideais e tendências, os grandes delinquentes se transformam em núcleos magnéticos das mentes que se extraviaram da senda reta, em obediência a eles.
Que maravilha!...
Eis a metafísica da Lei de Causa e Efeito!...
Algozes e vítimas se imantam por compromissos de ordem moral que, em essência, se expressam por fenômeno de natureza física.
Assim como os planetas (e não apenas os planetas, mas também todos os corpos menores) do Sistema “descendem” do Sol, por sua vez, o Sol guarda a obrigação de sustentá-los e iluminá-los, até que, por assim dizer, se lhe reintegrem à “massa”.
O Sistema Solar nos leva a inferir sobre o nosso “relacionamento” com Deus, ou o Criador. “Pois nele vivemos e nos movemos, e existimos...” – disse Paulo, em Atos dos Apóstolos, capítulo 17, versículo 28.
A Missão de Jesus, Sol das Almas, Luz da Vida, é a de fazer com que passemos a orbitar ao Seu redor, para que, com Ele passemos a nos reintegrar à “Massa Divina”, seja lá a terminologia que os nossos internautas queiram empregar.
*
Quase no derradeiro parágrafo do capítulo, o Instrutor, acariciando a fronte do espírito daquela mulher desventurada, diz em prece:
- Transportará consigo três centros vitais desarmônicos e, até que os reajuste na forja do sacrifício, recambiando-os à estrada certa, será, na condição de mãe, um imã atormentado ou a sede obscura e triste de uma constelação de dor.
Assim, quantos de nós, pela culpa adquirida no pretérito, ou no presente, nos transformamos em “sedes” obscuras e tristes “de uma constelação de dor”?! Claro, não apenas na condição de mãe, mas também de pai, de filho, de neto, enfim, de irmão!...

INÁCIO FERREIRA – Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 8 de abril de 2019.

8.4.19

O Brilho do Amor


A singeleza da vida se expressa de mil formas.
Ao entardecer, o sol se vai em brilhos fugidios lá no horizonte. Ninguém mais o vê em dado momento e ele desaparece.
Chega a noite aos pouquinhos e depois se estabelece completamente.
É negra a noite, escura demais. E para abrilhantá-la aparecem as estrelas a colimar com sua luz a nossa vista.
Pingos de luz que se juntam no infinito de nossos olhos.
Negra a noite, cheia de luz.
Aos poucos, porém, essa escuridão também se vai.
Lá distante, de onde partiu, volta o sol. Lança seus primeiros raios. Assim, do mesmo jeito que se foi ele retorna.
Aos poucos, se faz pleno novamente. Uma luz tão profunda e intensa que irradia a todos a sua presença. Quando menos percebemos, ele está de volta e o mundo outra vez é todo luz.
Assemelho a esse espetáculo da vida diária, que nos proporciona a mãe natureza, a presença do Cristo em nossas vidas.
Há muito tempo, Ele retornou para os páramos do espírito. Deixou a sua luz no firmamento das nossas almas. Nós sabíamos que ela existe e ele nos deixou, pingo a pingo, gente a gente, o amor nas criaturas. Como a nos dizer: “Deixe brotar essa miniatura de amorosidade que ela se transformará numa grande luz na terra.”
Pois bem, cada um de nós é responsável por fazer brilhar fortemente a luz do amor.
Quando permitimos que o amor brilhe em nossos corações, ele começa a tomar conta de todo o nosso ser.
Quando vemos, já somos todos amor.
Viramos estrelas do Pai na terra.
Quando, finalmente, todos fizerem o mesmo ritual de transformação amorosa, o mundo inteiro será somente de luz.
É essa a metáfora divina no entardecer e no alvorecer do mundo.
A luz se foi há dois mil anos e ela está para retornar. Pouco a pouco, vamos transformar a humanidade transformando-nos a nós mesmos.
Brilhe a vossa luz! - clamou o mestre das nossas vidas.
Brilhemos o nosso amor para que Deus e o Cristo se façam presentes na terra, hoje e sempre, porque somente o amor é eterno.

Helder Camara – Blog Novas Utopias