"Sobre este artigo
não tenho senão poucas palavras a dizer, senão que é sublime de verdade; nada há
a acrescentar, nada há a suprimir; bem felizes aqueles que unirem fé a essas
belas palavras, aqueles que aceitarão esta Doutrina escrita por Kardec.
Kardec é o homem eleito por Deus para instrução do homem desde o
presente; são palavras inspiradas pelos Espíritos do bem, Espíritos muito
superiores. Acrescentai-lhe fé; lede, estudai toda esta Doutrina: é um conselho
que vos dou." (Revista Espírita 1862, p. 115) (grifo nosso).
Aqui temos a
informação de que Kardec foi "o homem eleito por Deus para instrução do homem",
e somando-se à afirmação do Espírito de Verdade de que iria a sua casa "para te
assistir pelo pensamento", podemos deduzir que o Codificador era um médium de
intuição, fato que poderemos também corroborar tomando-se de suas próprias
palavras:
"Sem ter nenhuma das qualidades exteriores da mediunidade
efetiva, não contestamos em sermos assistidos em nossos trabalhos pelos
Espíritos; porque temos deles provas muito evidentes para disto duvidar, o
que devemos,sem dúvida, a nossa boa vontade, e o que é dado a cada um de
merecer. Além das ideias que reconhecemos nos serem sugeridas, é notável
que os assuntos de estudo e observação, em uma palavra, tudo o que pode ser útil
à realização da obra, nos chega sempre a propósito - em outros tempos eu teria
dito: como por encantamento -, de sorte que os materiais e os documentos do
trabalho jamais nos fazem falta. Se temos que tratar de um assunto, estamos
certos de que, sem pedi-lo, os elementos necessários à sua elaboração nos são
fornecidos, e isto por meios que nada têm senão de muito natural, mas que são,
sem dúvida, provocados por colaboradores invisíveis, como tantas coisas que o
mundo atribui ao acaso." (Revista Espírita 1867, p. 274) (grifo nosso).
Um
pouco mais à frente, em agosto de 1863, numa mensagem a respeito da publicação
da Imitação do Evangelho, título da primeira publicação de O Evangelho Segundo o
Espiritismo, entre outras coisas, foi dito a Kardec:
"[ ... ] Ao te
escolherem, os Espíritos conheciam a solidez das tuas convicções e sabiam que
a tua fé, qual muro de aço, resistiria a todos os ataques.
Entretanto,
amigo, se a tua coragem ainda não desfaleceu sob a tarefa tão pesada que
aceitaste, fica sabendo bem que foste feliz até ao presente, mas que é chegada a
hora das dificuldades. Sim, caro Mestre, prepara-se a grande batalha; o
fanatismo e a intolerância, exacerbados pelo bom êxito da tua propaganda, vão
atacar-te e aos teus com armas envenenadas. Prepara-te para a luta. Tenho,
porém, fé em ti, como tens fé em nós, e sei que a tua fé é das que
transportam montanhas e fazem caminhar por sobre as águas. Coragem, pois, e
que a tua obra se complete. Conta conosco e conta, sobretudo, com a grande
alma do Mestre de todos nós, que te protege de modo tão particular," (Obras
Póstumas, p. 340-341) (grifo nosso).
NESTA MENSAGEM, CONFIRMA-SE QUE
KARDEC recebia uma proteção "de modo tão particular" de Jesus, designado como
"Mestre de todos nós", o que vem corroborar tudo quanto estamos citando.a seu
respeito em relação a ele ser uma pessoa especial, que o qualificava para a
missão de trazer ao mundo a terceira revelação divina e ser assistido por quem
pensamos que foi.
Além disso, podemos ainda citar do Espírito de Verdade:
''As grandes missões só aos homens de escol são confiadas e Deus mesmo os
coloca, sem que eles o procurem, no meio e na posição em que possam prestar
concurso eficaz." (O Livro dos Médiuns} FEB, 2007, p. 488), o que nos permite,
objetivamente, qualificar Kardec como um homem de escol.
Mas estaríamos,
segundo alguns poderão supor, diante de uma outra dificuldade, qual seja: Jesus
poderia se manifestar? Não vemos nenhum problema nisso, desde que não o
mantenhamos no pedestal em que foi colocado quando o transformaram num Deus,
retirando-lhe a sua condição humana, da qual nunca negou ser. É certo, pois nós,
os espíritas, disso não duvidamos - que Ele é realmente um Espírito puro -, e
nesta condição, segundo a classificação dos Espíritos feita por Kardec, Jesus
pode perfeitamente se comunicar, o que, por exemplo, pode ser corroborado pelo
fato acontecido na estrada de Damasco, quando Ele aparece a Paulo de Tarso,
questionando-o sobre porque Lhe perseguia (At 9,5), ou no episódio em que Ele
não permite a Paulo e Silas seguirem para Bitínia (At 16,7).
Quanto à
natureza de Cristo, Kardec, até o mês de setembro de 1867, não quis entrar em
maiores detalhes, argumentando:
"[ ... ] uma solução prematura, qualquer
que ela seja, encontraria muita oposição de parte a parte, e afastaria do
Espiritismo maispartidários do que ela lhe daria; eis por que a prudência nos
faz um dever nos abstermos de toda polêmica sobre esse assunto, até que
estejamos seguros de poder colocar o pé sobre um terreno sólido.""(Revista
Espírita 1867, p. 272) (grifo nosso).
É dentro desta mesma prudência que
vemos o porquê de Kardec não ter também dito claramente que Jesus era o Espírito
de Verdade.
Acreditamos que, talvez, seja muito mais complicado um
Espírito puro se manifestar a seres humanos do que vir como um deles e ser
aprisionado num corpo físico, como aconteceu ao "nosso guia e modelo" quando
esteve encarnado aqui entre nós por trinta e poucos anos. Isso ocorre por pura
questão de vibrações; a nossa é tão inferior em relação aos espíritos puros
desencarnados que torna difícil sintonizarmos com eles. Em relação a
reencarnarem entre nós é, julgamos, "menos difícil", porquanto não se fala em
vibrações equivalentes, mas em leis naturais que regulam a encarnação de um
espírito puro em mundos inferiores, atendendo ao desejo de Deus.
NO
EVANGELHO, A QUEM esse nome poderia qualificar?
Mas afinal, a quem
poderíamos qualificar com o codinome "a Verdade"? De onde podemos tirar algo
para relacionar com ele? Se o Espiritismo, conforme sustentam os Espíritos
superiores, é o Cristianismo redivivo, só podemos encontrar alguma coisa no
Evangelho, o que, convém lembrar, também foi sugestão de Kardec para que assim
procedêssemos.
Fizemos uma pesquisa, na qual procuramos eliminar as
passagens comuns entre os evangelistas. Como resultado encontramos Jesus
empregando por 60 vezes a expressão "Em verdade vos digo", quantidade que
reportamos ser bem significativa.
Podemos enumerar mais duas outras
passagens para demonstrar a importância que Ele dava à palavra verdade.
primeira: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai a não ser
por mim." (João 14,6). No desdobramento da parte inicial deste versículo,
teremos os três epítetos a que Jesus se atribui: "Eu sou o Caminho. Eu sou a
Verdade. Eu sou a Vida." Será que por aqui já não daria para identificarmos
quem poderia se denominar a Verdade? Segunda: "E conhecereis a verdade, e a
verdade vos libertará" (João 8,32) que, se a colocássemos dessa forma: "E
conhecereis a Jesus, e Jesus vos libertará", ficaria plenamente inteligível e,
além disso, poderia perfeitamente ser aplicada.
Somente estas passagens já
nos levaram a concluir que Jesus é, de fato, o Espírito de Verdade, pois
estariam nelas as razões de ter usado o nome "a Verdade".
E colocamos a
seguinte pergunta: algum Espírito superior teria a insensatez ou vaidade de usar
o codinome "a Verdade", sabendo que poderíamos relacioná-lo a Jesus? Improvável,
pois a elevação que tais Espíritos atingiram não lhes permitiria dizer coisas
dúbias que induziriam as pessoas a pensar coisas equivocadas, principalmente em
se tratando de levar alguém a confundi-Ios com Jesus.
Vejamos, agora,
estas passagens do Evangelho:
"Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós."
(Jo 14,18).
"Quando vier o Paráclito, que vos enviarei de junto do Pai, o
Espírito da Verdade, que vem do Pai, dará testemunho de mim." (Jo 15,26).
"No entanto, eu vos digo a verdade: é de interesse que eu parta, pois, se não
for, o Paráclito não virá a vós. Mas se for, envia-lo-ei a vós." (Jo 16,7).
"Tenho ainda muito que vos dizer, mas não podeis agora suportar. Quando
vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à verdade plena, pois não falará
de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas
futuras." (Jo 16,12-13).
"[ ... ] Chega a hora em que já não vos falarei
em figuras, mas claramente vos falarei do Pai." (Jo 16,25).
Então, temos
aqui Jesus afirmando duas coisas: sua volta e que enviaria o Espírito de
Verdade. Inclusive, condiciona a vinda dele com a sua partida para o mundo
espiritual, o que seria perfeitamente aplicável se ambos fossem a mesma
personalidade.
O problema que geralmente
se vê é que Jesus trata o Espírito de Verdade como se fosse outra pessoa, razão
pela qual alegam não poder ser Ele este personagem. Entretanto, esquecem-se de
que, repetidas vezes, usou deste expediente, conforme podemos ver nos
Evangelhos. A designação de "Filho do Homem", neles constante, certamente só
poderá nos levar a atribuí-Ia a Jesus; porém, sempre utilizava esta expressão
como se fosse para uma outra pessoa e não a Ele próprio.
Uma coisa bem
interessante iremos encontrar no livro "Apocalipse", que é uma referência
explícita de que Jesus viria com um novo nome:
"Venho logo! Segura com
firmeza o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. Quanto ao vencedor, farei
dele uma coluna no templo do meu Deus, e daí nunca mais sairá. Escreverei nele o
nome do meu Deus e o nome da Cidade do meu Deus - a nova Jerusalém, que desce do
céu, de junto do meu Deus - e o meu novo nome." (Ap 3,11-12).
Portanto, há aqui uma previsão da volta de Jesus com um novo nome que, por tudo
quanto está sendo colocado nesta pesquisa, só nos leva a deduzir ser o Espírito
de Verdade.