28.11.25

Cap. 18 – INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTO Francisco C. Xavier (autor) André Luiz (espírito)


 

TENTAÇÕES DE CRISTO

Surgem então as três tentações principais, as mais difíceis de vencer por qualquer pessoa (o arcano 3 representa a obra completa, e dá o resumo esquemático de um todo). Com efeito, as três provas citadas englobam os três aspectos da personalidade: as sensações (etérico), as emoções (astral) e o intelecto (mental concreto).
1.º TENTAÇÃO - O egoísmo na luta da sobrevivência e do bem estar, da satisfação das necessidades básicas da criatura humana: a fome, o repouso, as ânsias fisiológicas do sexo, as angústias das sensações chamadas físicas, mas na realidade pertencentes ao duplo etérico. Então, o Espírito é instado a ceder aos desejos egoísticos dos sentidos do eu menor, dando-lhe a alimentação que o satisfaça, simbolizada no pão que mata a fome. O ato de matar a fome faz bem compreender a índole dessa tentação, muito mais vasta que a simples fome estomacal: trata-se de SACIAR os instintos inferiores do etérico que se manifesta através do corpo denso.
Além disso, outro aspecto transparece: preso no mundo material das formas, o espírito (personalidade) tenta transformar as pedras”(que exprimem os ensinamentos interpretados à letra) em pão, isto é, em alimento. Explicamos: o espírito, ao invés de adorar espiritualmente (em Espírito de verdade, Jo. 4:23 e 24) , pretere a exteriorização material da religião, que lhe possa satisfazer aos sentidos físicos, aos instintos sensoriais, emocionais e intelectuais, e por isso transforma os vãos do espírito em pães materiais, visíveis e sensíveis, chegando ao clímax de pretender transformar o próprio Deus em pão. Todo seu espiritualismo reduz-se a liturgias e ritos, a atos externos e poderes ocultos de magia, de vaidade, de vestimentas diferentes e exóticas, de tudo o que satisfaça à separação, ao luxo, à ostentação da pompa de satanás (que é exatamente a vaidade das criaturas humanas), assim, a espiritualização nesse grau visa à elevação do próprio eu pequeno, em detrimento de todos os outros eus, julgados outras pessoas. E a criatura cega transforma os preceitos evangélicos, interpretados ao pé da letra (pedras) em satisfações egolátricas de instinto que lhes saciem a fome de vaidade (pães).
O combate a essa tentação é feito pela auto-disciplina, isto é, pela disciplina que o Espírito, guiado pelo EU REAL impõe ao eu menor, fazendo-lhe ver que o Homem (integral) vive de tudo o que vem de Deus, desse Deus residente no coração do homem, e não apenas das exterioridades transitórias da personalidade efêmera.
2.ª TENTAÇÃO - A vaidade própria do eu personalístico que se julga separado, diferente, e sempre (são raríssimas as exceções!) superior a todos os demais, é outra das mais difíceis provas a ser superada pelo espírito” mergulhado na Cruz da personalidade (cruz, quatro pontas, significando o quaternário inferior). Lançar-se do pináculo do templo (emoção de grandes efeitos mágicos) na certeza de que Deus o protege em tudo, mesmo nas loucuras insensatas de pretensões vaidosas, por um privilégio a que se julga com direito. De fato, o desenvolvimento do corpo astral aguça as emoções e as hipertrofias de tal forma, que elas empanam o raciocínio equilibrado, toldam a razão, fazem perder o senso das proporções. Nas criaturas emocionalmente desequilibradas vemos a ânsia de operar milagres; a rebelião contra a autoridade da Razão superior, a pretensão egocêntrica de que ele sabe e os outros são ignorantes; a ambição de possuir poderes para comandar movimentos religiosos; o desejo de ser chefe espiritual ou religioso, nem que seja de um pugilo de criaturas que se fascinam por suas palavras, e as acompanham cegamente, tributando-lhes elogios a cada palavra que proferia, e que ele aceita, com gratidão, porque lhe acaricia a vaidade. Essa a razão de vermos, desde que a história registra os acontecimentos da sociedade humana, essa constante fragmentação religiosa, que se opera logo após o desaparecimento do Mensageiro divino que as revelou. Numerosas são as criaturas que se julgam taumaturgos, com poderes sobre os anjos e, rebelando-se contra o meio ambiente, instituem a própria seita. Daí verificarmos que esses homens não defendem idéias novas, divulgando-as em estudos e pesquisas impessoais, mas antes, querem logo iniciar grupos novos e dissidentes, dos quais passam eles ser o chefe, o cabeça. Quantas heresias se multiplicaram nos primeiros séculos do cristianismo, quantas seitas pulularam nos meios evangélicos, quantos movimentos teosóficos e rosa-cruzes que se combatem, quantos milhares de centros espíritas se fragmentam do pensamento original, criando inovações, quase nunca com sentido lógico, quase sempre sem razão de ser; mas o móvel subconsciente e o desejo de chefiar alguma coisa, de separar-se do grupo, de concorrer demonstrando gozar de proteções especiais do mundo espiritual. Não é esta uma característica apenas das criaturas encarnadas: também os desencarnados que carregam para além do túmulo, no espírito, seus defeitos personalísticos, também eles gostam muito de criar seus grupinhos, onde possam pontificar, conseguindo no mundo astral o que não conseguiram na Terra; aproveitam médiuns invigilantes, e aí temos outra facção a surgir.
E é típico exigirem separação, proibirem estudos e leituras, colocando livros no índex particular, e garantindo que a salvação (ou pelo menos especiais privilégios) só se dará dentro daquele pugilo.
Como isto se passa no mundo material, que é o mundo da divisão, é natural que arrastem após si todos os que sintonizam com o separatismo, cedendo à tentação de atirar-se do pináculo do templo da Verdade, para os labirintos barônticos do personalismo satânico.
Outro ângulo dessa tentação é a ambição de poderes mágicos, a crença de que gestos e atos físicos criem efeitos espirituais; a pretensão de dominar espíritos e elementais, sem pensar nos resultados que daí possam advir. Os poderes ocultos, que envaidecem e separam as criaturas, é aspecto importante dessa prova de fogo por que todos os que já desenvolveram o corpo emocional (astral) têm que passar.
O combate a essa tentação, isto é, a vitória sobre essa prova, esse exame - a que só é submetida certa classe de pessoas mais evoluídas que as da anterior tentação porque já desenvolveram o corpo astral - é realizada com a auto-renúncia do eu menor: não tentarás o Senhor teu Deus exprime, pois, não quererás ser superior ao teu EU REAL, não pretenderás exigir dele favores especiais nem quererás impor-te a ele. Renunciar à própria vaidade de querer ser chamado pai ou mestre (a ninguém na Terra chameis vosso pai, porque só UM é vosso Pai: aquele que está nos céus; nem queirais ser chamados mestres, porque um só é vosso mestre: o Cristo Mat. 23:9-10), esse Cristo Interno que está dentro de TODOS, e não apenas de alguns privilegiados.
Jesus deu-nos o exemplo típico dessa vitória: pregou um IDEAL, mas não chefiou nenhum movimento religioso; atendeu aos judeus, sem afastá-los de Moisés; socorreu à siro-fenícia, sem arrancá-la de seus ídolos; elogiou o centurião romano, sem exigir o seu repúdio a Júpiter; e, no exemplo da caridade perfeita, citou o samaritano, de religião diferente da Sua. E de tal forma renunciou à Sua personalidade, que o Cristo agiu plenamente através dele (Nele habitou corporalmente toda a plenitude da Divindade Col. 2:9) de tal maneira, que, durante séculos, foi Ele confundido com o próprio Deus. E isso foi conseguido com o Seu mergulho humilde nas águas da matéria, na Sua encarnação como ser humano: aniquilou-se tomando a forma de servo, feito semelhante aos homens e, sendo reconhecido como homem, humilhou-se, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz (Filip. 2:7-8).
 
3.ª TENTAÇÃO - Esta é a experimentação que as criaturas encarnadas (presas à personalidade, crucificadas no quaternário inferior) têm maior dificuldade em superar. Não é mais no duplo etérico, com as sensações; nem no astral, com as emoções, mas no mais terrível de todos os adversários, maior que os prazeres (sensações), maior que a vaidade (emoções): trata-se do INTELECTO, isto é, do ORGULHO de julgar-se melhor que os outros. Daí parte a oposição máxima, não mais no mesmo plano, de ser diferente, mas num plano acima, de ser superior. Todas as criaturas se julgam ACIMA DOS OUTROS. Pode tratar-se de um ignorante: há um ponto em que não cede, há sempre um aspecto em que ninguém o iguala. Por ínfima que seja a criatura, embora reconhecendo a superioridade de outrem num ou noutro pormenor, descobre sempre algo em que ninguém lhe é superior. Daí a crítica e o julgamento que sempre todos nos acreditamos autorizados a fazer. E a ambição orgulhosa do mando ataca a todos, ao lado da ambição de posses materiais (riquezas) que lhes dê prestígio e superioridade no mundo material, para garantir-lhe a força da superioridade.
Todos querem ter mais e melhor do que o vizinho. Se o não conseguirem, não importa: são mais educados, mais generosos, mais inteligentes, mais fortes, mais saudáveis, ou gozam de amizades mais ilustres, qualquer coisa se arrumará, pela qual eles não se trocam pelo fulano... Comum é que o chefe religioso venha a ambicionar logo a seguir o domínio político, para ampliar sua ascendência sobre as massas e fazer crescer sua autoridade carismática, outorgada por Deus. Os meios para conseguí-lo não lhe ferem o escrúpulo. E uma vez guindados ao poder, não mais desejam apear. Nem sempre isso ocorrerá visando a uma nação: pode ser apenas pequeno grupo e até uma família reduzida. Isso explica o desgosto dos pais ao verem seus filhos crescerem e se independizarem. Daí a rebeldia dos filhos, em certa idade, sentindo também a tentação do mando, pretendendo derrubar os pais do pedestal em que se encontram.
Provenientes desse messianismo do poder, os ditadores, da direita, da esquerda ou do centro cercearem a liberdade dos súditos, certos de que só eles, e os que os aplaudem, são iluminados, têm sabedoria e compreensão, constituindo os outros um rebanho sem espírito. Desconhecem que cada criatura tem Deus dentro de si: para eles, Deus está só com eles, porque eles são os protegidos, colocados pela Divindade acima de todos os mortais.
Não estamos falando de alguns homens, mas de TODAS AS CRIATURAS HUMANAS. Sem exceção, somos todos experimentados nesse setor.
Para superar essa tentação há um só remédio: o auto-sacrificio, não mais adorando a personalidade (satanás), mas unicamente cultuando a Deus que está DENTRO DE NÓS, como também DENTRO DE TODAS AS CRIATURAS: moços e velhos, homens maduros e crianças, mulheres e homens, brancos e negros, ignorantes e sábios, santos e criminosos.
Quando compreendermos e sentirmos isso, sacrificaremos nosso personalismo, e ligaremos nosso espírito ao EU REAL. Colocaremos a personalidade em seu lugar, submetendo-a, como o fez Jesus: rende-te, satanás, submete-te à individualidade!
Prestar culto à personalidade (satanás) é IDOLATRIA, e praticara idolatria é, seguindo as Escrituras, pecar por adultério contra Deus. O Espírito tem que estar ligado ao EU REAL e não à personalidade; se ele se afasta do primeiro para ligar-se ao segundo, está cometendo adultério, está separando o que Deus uniu (O que Deus uniu o homem não separe, Mat. 19:6 e Mc. 10:9).
Só o sacrifício, com a submissão do eu menor, é que pode conferir a vitória sobre o orgulho da personalidade, que desejaria dominar e submeter a si a individualidade, pedindo: adore-me!
Quando, porém, o homem vence as três etapas, dominando as sensações, as emoções e o intelecto, ele vê que os anjos de Deus vêm servi-lo, e o eu menor (satanás o antagonista), se retira vencido, até o momento oportuno, porque outras provas ainda virão, todas elas ensinadas nos Evangelhos.
Livro: SABEDORIA DO EVANGELHO
CARLOS TORRES PASTORINO

27.11.25

AMOR E LUZ Livo espirita a venda na LER Livros Revistas Papelaria Francisco C. Xavier


 

Comentário Questão 794 do Livro dos Espíritos

LEGISLAÇÃO HUMANA
O Espírito primitivo não tem condições de assimilar as leis naturais, nem de compreendê-las na sua profundidade. Quando os agrupamentos das pessoas são muito atrasados, são movidos quase que totalmente pelos instintos. Com o passar do tempo, o progresso os prepara para criar uma legislação, de acordo com seu conhecimento, passando essas almas a entender que somente o progresso pode levá-las para melhores dias. Através dos séculos vão reformulando as suas leis e chegando cada vez mais perto das leis naturais.
O Espírito cresce passo a passo, e vai sempre avançando, ano a ano. A legislação humana é necessária até quando os homens compreenderem e se prepararem para a obediência das leis divinas, que se expressam em tudo. Ainda mais, há uma voz da consciência que revela as necessidades humanas, para que sejam transcritas como leis dos homens.
As exigências da sociedade nas tribulações correspondentes ao seu tamanho evolutivo, exigem leis especiais transitórias. Os vícios e a força negativa que os comandam, gritam por modalidades nas leis humanas que correspondem a seus interesses; essa é a característica da civilização dos Espíritos internados na carne, ainda por um pouco de tempo. O mundo espiritual conhece e deixa que os seres humanos as façam, sofrendo as conseqüências do que fazem para aprender, descobrindo as leis naturais que Deus institui e que são eternas.
Para viver as leis dos Céus, é indispensável que se tenha capacidade para amar todas as criaturas. Não fiquemos com medo de decretos e leis humanas, pois eles são temporais e mudam com a mudança das personalidades que as estabeleceram.
A legislação tem feições variadas, com o perpassar do tempo. Meditemos no que diz o apóstolo Paulo, em l Coríntios, capítulo quinze, versículo trinta e sete:
E quando semeias, não semeias o corpo que há de ser, mas o simples grão, como de trigo, ou de qualquer outra semente.
O corpo da lei humana é semeado no grão, que deve crescer e modificar-se, pois ainda não é como deve ser, como disse o apóstolo. Somente as leis de Deus são eternas e imutáveis. As leis humanas são preparo para que os povos possam compreender as de Deus, porém, mesmo sendo humanas são inspiradas pelos benfeitores espirituais que comandam os povos, e nos fazem ver em todas as coisas, os valores espirituais.
Observemos o quanto houve de progresso na legislação humana, até os dias atuais. Isso é força do progresso, que é lei de Deus, em favor dos seres humanos. Tornamos a dizer, como um sábio da Terra: nada se acaba, tudo se transforma, e sempre para melhor.
Não poderia a humanidade se reger somente pelas leis naturais, feitas pelo Supremo Senhor do Universo, por faltar-lhe despertamento para tal vivência. Nos primeiros passos da sociedade, a vida tem de seguir os caminhos tortuosos, pois é um aprendizado para os iniciantes.
 
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez.

26.11.25

Gravação do Estudo detalhado do livro EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS Francisco C. Xavier e Waldo Vieira (autores) André Luiz. (espírito)


 

DESOBSESSÃO

Alfredo José dos Santos Nora *
 
Vertendo suor em baga
No médium que o entretém,
Ei-lo que chega do além,
O Espírito em sombra e chaga.
 
Desfaz-se em revolta e praga,
Condena, fere, porém
Escuta o verbo de alguém,
Que ajuda, enternece e afaga.
 
Na palavra que renova,
O fogo revel da prova
Agora é bálsamo de luz.
 
E o pobre, ante a paz bem-vinda,
Embora chorando ainda,
Bendiz o amor de Jesus.
 (*) Após estudar Engenharia até o 4º ano do curso, Alfredo Nora abraçou a carreira de funcionário da Central do Brasil. Poeta e jornalista brilhante, colaborou em várias revistas e jornais. “Conquanto fosse um poeta essencialmente lírico”,− escreveu seu amigo Jorge Azevedo (Estado de Minas de 24/9/61) − possuía, sempre afiado, o estilete da sátira. E, nos seus momentos de euforia espiritual, gostava de perfilar a família em versos leves e humorísticos. E gostava, também, e muito de escrever a amigos cartas em versos. (Município de Piraí , estado do Rio, 18/11/1881) − Desencarnou em 13/11/1948.)
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

25.11.25

Cap.17 OS MENSAGEIROS – O ROMANCE DE ALFREDO Francisco C. Xavier (autor) André Luiz (espírito)


 

Mensagem publicada na página 4 da Gazeta de Limeira de 25-11-2025

 
OS SERES VIVOS
Os planetas do sistema solar são filhos do grande astro, e por afinidade o circulam vinculados à harmonia profunda do Amor. A Terra, nos seus primórdios, era como que uma luz líquida a se solidificar, assegurada por fios invisíveis que se chamam gravidade. O germe da vida foi colocado por Deus em toda a sua formação, que passou a dormir no seu berço, esperando para dar início à formação dos seres vivos, no planeta já solidificado e refeito da grande confusão telúrica. Chuvas e tempestades assolaram toda a superfície, na formação dos mares e dos rios. E no cair das chuvas, outra chuva de fluidos aconteceu, para que os elementos primitivos pudessem acasalar-se com o que estava chegando, vida de variadas formas. Foi no seio térmico dos oceanos que surgiram os primeiros passos da vida na Terra, com o encontro dos dois elementos: físico e espiritual. Tudo isso idealizado e amparado pelos instrutores da vida maior, tendo o Cristo como Comandante da casa de Deus. Os seres vivos datam de bilhões de anos. Os agentes vivos foram se agrupando por afinidade, aparecendo os movimentos automáticos das formas unicelulares. O progresso dominou e vários outros agrupamentos se processaram, sob a visão espiritual. Formas variadas foram surgindo nas águas, rumo às vidas aperfeiçoadas. Surgindo, então, o corpo humano idealizado pelo Cristo. O corpo humano é o retrato do universo em miniatura, filho de bilhões de anos, pelo empuxo da própria vida, vida de Deus. Convidamos todos os seres humanos que desejam entender e pesquisar as coisas do passado, a dar as mãos à reforma íntima, à auto-análise ao aprimoramento próprio. Somente por esta porta poderão entrar na escola divina dos conhecimentos da genealogia dos seres vivos, para depois buscar, com mais segurança, os caminhos do Espírito.
Filosofia Espírita L.E.43 – João N. Maia – Miramez – Toninho Barana.

24.11.25

Cap.16 OS MENSAGEIROS – NO POSTO DE SOCORRO Francisco C. Xavier (autor) André Luiz (espírito)


 

Lições de “Nosso Lar”

 Dentre as lições que pude extrair do livro “Nosso Lar”, uma das que mais me chamou atenção, quando encarnado, e, pela vez primeira, efetuei a sua leitura, é que a cidade “Nosso Lar” não era uma cidade espírita. Não era, e continua não sendo, nem será. Aliás, cidades, ou países, com essa ou aquela nomenclatura religiosa é “coisa da Terra” – coisa de planeta inferior. Desde que o mundo é mundo, na essência de todo conflito humano, mais que um motivo de ordem política, ou mesmo econômica, vamos nos deparar com uma causa de natureza religiosa – ou se preferirem, de natureza não ética. Sócrates foi condenado à cicuta por contrariar os sofistas. Jesus foi crucificado por não concordar com os escribas e fariseus. Gandhi libertou a Índia, mas não logrou pacificar hindus e muçulmanos. Nas diferentes Dimensões Espirituais, mais, ou menos, materializadas, quanto mais inferiores se revelem, pelos que as povoam, mais a vida, em todas as suas expressões, se encontra rotulada – quer dizer: mais as mentes se mostram “regionalizadas”, lutando umas pelo poder sobre as demais. Na cidade “Nosso Lar”, embora fundada por portugueses desencarnados, habituados, quando na Terra, a colonizar, não há bandeira que se desfralde cujo lema não seja simplesmente o do “amai-vos uns aos outros”. Diante do que acontece, presentemente, entre os encarnados, pode-se dizer que a Terra, do ponto de vista espiritual, ainda, talvez, sequer seja um orbe de expiações e provas, tal o primitivismo do comportamento humano em assuntos de transcendência. Vivem-se, na atualidade terrestre, ferrenhos embates religiosos que, do campo da retórica, estão passando, e vão passar ainda mais, para o campo da prática - a questão religiosa engendrando as questões racistas e sociais mais graves, que tendem a mergulhar o mundo em guerra sem precedentes. Houve-se em grande inspiração León Denis, quando disse: “O Espiritismo não será a religião do futuro, mas, sim, o futuro das religiões”. O sábio Chico Xavier ensinava: “Eu não creio que nós, os espíritas, venhamos a ser os ‘tais’... Acredito que o Espiritismo caminhará ao lado das demais religiões cristãs, para, um dia, formarmos com elas o Cristianismo Total.” Espiritismo, em sentido que transcende, não é religião – é “um sistema de vida”, como, igualmente, dizia Chico Xavier – Espiritismo é a Verdade que, gradativamente, viremos a conhecer, mas da qual, evidentemente, ainda nos encontramos muitos distantes. Por este motivo, o espírito que se responsabilizou, junto a Kardec, pela Codificação, se denominou “O Espírito da Verdade” – “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Ser espírita não é ser religioso no sentido literal do termo, mas ser cristão, ou, pelo menos, tentar sê-lo. Chico, certa vez, em desabafo, falou com veemência: “O Espiritismo é uma doutrina livre, nasceu livre e precisa continuar livre... Se, um dia, ele deixar de ser o que é, eu deixo de ser espírita e vou tentar ser cristão.” Ser espírita deveria ser o mesmo que ser cristão, mas, pelo que Chico disse, ser cristão parece ser mais do que simplesmente dizer-se espírita. É uma pena, um grande desserviço à Causa do Espiritismo Cristão, quando se tenta hierarquizá-lo, pessoalizá-lo – é uma pena, dirigentes e médiuns espíritas tão vaidosos e personalistas, que, com o seu personalismo e vaidade, vão distorcendo a Doutrina. 
INÁCIO FERREIRA Uberaba – MG, 23 de novembro de 2025.

23.11.25

Cap.15 OS MENSAGEIROS – A VIAGEM Francisco C. Xavier (autor) André Luiz (espírito)


 

Progresso Maior

A Nação brasileira é feita de restos do passado. Ela foi construída, como todas as demais nações, como produto da força de seu povo ao longo do tempo. Neste contexto, convém afirmar, o Brasil possui na sua matriz racial três grandes troncos: a branca, a negra e a índia. Das três, aquela que mais sofreu para se manter livre no exercício de seus direitos foi, sem dúvida alguma, a raça negra.
Quando os portugueses perceberam no início da colonização que não poderiam contar com o apoio do braço indígena para a produção correu logo para se juntar a outras tantas nações que procuravam na escravização negra a fonte para a obtenção do trabalho e de geração de suas riquezas.
Este comportamento atroz, destituído de qualquer humanidade, durou cerca de três séculos no nosso País. Os negros eram deportados da África em direção ao Brasil com a promessa de ganhos financeiros, quando não eram usurpados já na sua origem. Aqui chegando, percebiam a cilada que haviam catapultado ou que seu destino já estava traçado, ou seja, trabalhar exaustivamente até a última gota de seu suor e de seu sangue.
Foram deportados para cá milhares de negros. Negros que sustentaram todo o nosso progresso econômico de então. Fomos os algozes de toda uma raça e achávamos, pasmem senhores, que tudo aquilo era muito certo. Os negros existiam, pensavam muitos, para servir aos brancos, e evocando até a suprema divindade colocavam-no como uma raça menor, pois nem alma detinham.
Foi assim que forjamos o progresso desse País durante muito tempo, sob o jugo do chicote feroz e da arbitrariedade sem medida.
Colocamos o negro diante de uma situação de ridicularização completa, de subtração total de sua dignidade, de menosprezo a sua condição humana.
Dos barões do café aos senhores de engenho, todos usurparam a liberdade de uma raça inteira como supremacia de outra.
Aliás, até hoje, muitos ainda pensam desta maneira. Só que avançaram no campo da discriminação e suas arrogâncias são tais que junto ao negro somaram todos aqueles despossuídos do capital, isto é, os pobres de toda sorte.
Muita luta, aqui e no astral, foram travadas para que a Terra do Cruzeiro não manchasse seu destino com letras de terror e crueldade que não pudesse mais se soerguer e comandar uma reação de direitos civis e sociais como exemplo para o mundo.
Os negros que não entendiam a loucura reinante, que viam a separação autoritária de suas famílias, que viam seus amores sendo usados pelos senhores na alimentação de sua ganância sexual, ou em outros distúrbios de comportamento, faziam de um tudo para acabar com a vida material destes e inflamavam o ódio em todas as suas formas de manifestação.
Muitos espíritos chegaram para reencarnar como negros para acalmar, um pouco que seja, esta febre de ressentimento e dor que parecia não ter mais fim. Eram os sábios de sua tribo ou de seu clã e ganhavam o respeito geral pela sua altivez e sabedoria, sem se declinarem se mostravam gigantes. Foram muitos deles denominados na época e até hoje como Pais-Velhos. Representavam, em muitos casos, o símbolo da própria raça.
Não podemos nos esquecer do exemplo materno. As matronas que davam o seu próprio seio para soerguer o branco raquítico.
O que ocorreu, ao longo do tempo, é que a mistura racial foi inevitável. O que estava em jogo, meus senhores, não era a preservação de uma raça, mas o aparecimento de uma nova era, a era da fraternidade. Este era o desafio maior a ser vencido.
Com o advento da libertação definitiva dos escravos em 1888 em ato assinado pela Princesa Isabel, o destino do País estava assegurado, mas haveria que reconstruir todo o legado destes três séculos de dominação e manipulação de uma classe a outra.
Este desafio de construir uma Nação fraterna vivemo-la  até hoje, pois as sequelas daquele tempo ainda encontram-se presentes.
O que ocorreu, meus senhores, é que nos desviamos deliberadamente do que nos foi traçado inicialmente e perdemos bom tempo na reorganização de nossa agenda espiritual para que pudéssemos continuar no progresso das metas que esperavam os espíritos altaneiros para o nosso Brasil.
No campo espiritual, tivemos atrasos. Mesmo no momento que deveria desabrochar toda a carga de espiritualidade entre as culturas espirituais negras e brancas, em todas as suas matizes, tivemos, meus senhores, foi o desgraçamento de uma oportunidade ímpar de progresso espiritual. Foi assim que surgiu, não da noite para o dia, mas que poderia ter sido bem diferente, as crenças umbandistas no nosso País.
Elas viriam ocupar um espaço que estava perdido, sem lugar para se manifestar. Foi então que um grupo de espíritos de alto quilate espiritual se colocou, sob a égide do Cristo Jesus, a por pedra sobre pedra no edifício da nova realidade espiritual entre os homens.
A Umbanda segue os mesmos passos do Espiritismo, mas com o atenuante de não criar barreiras, qualquer que seja a forma, de progresso espiritual na direção do bem.
Neste contexto, senhores, venho aqui dizer aqui da minha alegria em ver que diversos ambientes espíritas, finalmente, começam a descerrar as cortinas do preconceito e colocar em seu lugar as relações abertas e fraternas com todas as culturas espirituais convergentes aos ditames do Evangelho do Cristo.
Neste momento de comemoração daquilo que se convencionou denominar de “Dia da Consciência Negra”, aporto o meu desejo sincero que tenhamos um avanço cada vez maior e significativo para que possamos ver mais rapidamente os objetivos de união de toda uma gente.
A cultura espiritual negra não é diferente de nenhuma outra, apenas guarda em si elementos de sua etnia que se somam aos que desejam efetivamente o progresso espiritual mais amplo.
Estou aqui como homem que defendeu, como pode, os membros de uma raça que, naquela época, se mostrava como uma distorção do direito social, mas que representava, na realidade, a distorção da conduta humana na terra.
Neste tempo todo, conheci os meandros da espiritualidade em que eles, meus irmãos em pele negra, participam como comunidade cósmica. Há todo um emaranhado de causas e ações que ainda teremos a oportunidade, se Deus quiser, de revelar a tantos quantos desejem saber.
O progresso segue, mas as lutas continuam.
O progresso nos diz que devemos manter a guarda contra as injustiças sociais.
O progresso nos ensina que se não nos mantivermos em alerta crescerá bem mais o quadro de pobreza e miséria social, sem lados quaisquer de raça. No fundo, somos todos humanos, integrantes de uma só raça, de um só povo de Deus.
Ao querido Zumbi, hoje reencarnado, o nosso agradecimento pela força e luta.
Aos inconformados com a condição humana servil, o nosso apoio para que não baixem a cabeça jamais.
Aos “tementes” em Deus que possamos continuar a lutar pela igualdade de todos na criação de um mundo melhor que seja, sobretudo, mais humano.
Joaquim Nabuco – Blog Reflexões de um imortal

22.11.25

Canção ao Brasil

Eu continuo, Brasil,
A ter em ti esperança,
Uma esperança que aumenta
Quanto mais o tempo avança...
 
Tua prova está no fim,
Raia o Sol da Liberdade,
Que inundará os teus céus
De divina claridade...
 
Embora a treva se oponha,
Desde a Europa, o Mundo Velho,
Ninguém muda o teu destino
De ser Pátria do Evangelho...
 
Eis que é chegada a hora,
Que, desde muito, se espera,
Que à Humanidade se abram
Os portais da Nova Era...
 
O Bem vencerá o mal,
Que há de ser desterrado,
E, para sempre, serás
De Jesus, o Mestre Amado...
 
Embora a treva se oponha
Desde a Europa, o Mundo Velho,
Ninguém muda o teu destino
De ser Pátria do Evangelho!...
 
Pedro de Alcântara/Baccelli - Blog Espiritismo em Prosa e Verso
Lar Espírita “Pedro e Paulo”
Uberaba – MG, 15 de novembro de 2025.

21.11.25

Cap.13 OS MENSAGEIROS – PONDERAÇÕES DE VICENTE Francisco C. Xavier (autor) André Luiz (espírito)


 

Deus em Você

As mudanças chegam e elas são inevitáveis. O que vem de Deus força alguma pode aplacar. Esta é a verdade verdadeiríssima nas nossas vidas. Compreender, portanto, os desígnios de Deus é sinal de grande sabedoria. Como, porém, escutar Deus em nós?
Este desafio de cada ser humano está na exata proporção que ele tem de desprendimento de si mesmo e ir em busca do outro. Quando saímos do nosso ego e nos voltamos para o que o exterior tem para nos ensinar ficaremos abertos a novidades mil que nem poderíamos imaginar que elas existiriam.
Quando nos deixamos ser envolvidos pela natureza, a qual pertencemos, possibilitaremos encontrar surpresas que estavam a um palmo de nosso nariz, absolutamente evidentes, e sequer desconfiávamos da sua existência. Misturar-se, portanto, à natureza é o caminho mais fácil de chegarmos a Deus. As lições que ela irá nos fornecer nos fará outra pessoa, creia nisso.
Eu mesmo desde o momento que passei a observar com mais carinho a criação comecei a ficar contagiado com tanta beleza e emoção. Percebam, por exemplo, a beleza inesgotável que as flores possuem. Já parou para perceber como é intrincado o desenvolvimento de uma flor? Ela nasce como tudo vindo da terra e absorve na sua seiva o elemento primordial que lhe dá vida. Quando deixa o caule e começa a se enroscar para tomar forma, a flor vai desenvolvendo processos interessantíssimos até ganhar a forma que tem. Já viu as reentrâncias que ela faz em si mesma? Como conseguir aquela textura tão firme e ao mesmo tempo tão suave? E a cor, a força da cor é impressionante. Somente Deus estando ali, na sua engenhosidade divina, para produzir tanta beleza aos nossos olhos. E o que aprender com isso?
A flor se permite trocar com a natureza e seguindo o seu instinto de flor ela vai tomando a forma pela qual foi preconcebida. Nós somos iguais a flor. Se deixarmos nos nutrir pela seiva da bondade divina, o nosso coração transbordará de bondade. Se permitirmos que a natureza divina desenvolva-se em nós passaremos a ser alguém muito belo. Basta que deixemos o nosso íntimo mostrar as qualidades que possuímos adormecidas. É neste movimento natural que deixaremos Deus transparecer-Se em nós.
A natureza nos ensina diariamente, mas é imprescindível esta permissão. Se, porém, ficamos absorvidos com estímulos artificiais então não aprenderemos nada. Deus em nós significa permitir que sua presença se faça em nosso atos diários. Somente isso. Ele se mostrará no primeiro impulso, no impulso do bem. Será assim que caminhará a humanidade para novos dias.
Deus não está nas armas. Está na flor.
Deus não está no ódio. Está no amor.
Deus não está no conflito. Está na solução.
Deus representa o outro lado de tudo que proporciona a humanidade o encontro consigo mesma em tom de harmonia e paz. Se não existe harmonia e paz consequentemente lá não existe a presença de Deus.
Quando nos deixarmos também escutar o nosso íntimo, como demonstrei, passaremos igualmente a descobrir Deus em nós.
O que está por fora tem que entrar em contato com o que está por dentro e gerar uma ação de harmonia e encanto. A sensação de bem-estar chegará naturalmente e nos sentiremos, finalmente, conectados com a Criação.
Passe, portanto, a reservar minutos para estabelecer esta conexão e aí tudo passará a fazer mais sentido e suas pegadas na terra serão mais firmes e produtivas.
Escute Deus em você. Não haverá sensação melhor de paz que você desfrutará.
Paz,
Helder Câmara – Blog Novas Utopias

20.11.25

OS MENSAGEIROS – A PALAVRA DE MONTEIRO Francisco C. Xavier (autor) André Luiz (espírito)


 

LEGISLAÇÃO HUMANA

O Espírito primitivo não tem condições de assimilar as leis naturais, nem de compreendê-las na sua profundidade. Quando os agrupamentos das pessoas são muito atrasados, são movidos quase que totalmente pelos instintos. Com o passar do tempo, o progresso os prepara para criar uma legislação, de acordo com seu conhecimento, passando essas almas a entender que somente o progresso pode levá-las para melhores dias. Através dos séculos vão reformulando as suas leis e chegando cada vez mais perto das leis naturais.
O Espírito cresce passo a passo, e vai sempre avançando, ano a ano. A legislação humana é necessária até quando os homens compreenderem e se prepararem para a obediência das leis divinas, que se expressam em tudo. Ainda mais, há uma voz da consciência que revela as necessidades humanas, para que sejam transcritas como leis dos homens.
As exigências da sociedade nas tribulações correspondentes ao seu tamanho evolutivo, exigem leis especiais transitórias. Os vícios e a força negativa que os comandam, gritam por modalidades nas leis humanas que correspondem a seus interesses; essa é a característica da civilização dos Espíritos internados na carne, ainda por um pouco de tempo. O mundo espiritual conhece e deixa que os seres humanos as façam, sofrendo as conseqüências do que fazem para aprender, descobrindo as leis naturais que Deus institui e que são eternas.
Para viver as leis dos Céus, é indispensável que se tenha capacidade para amar todas as criaturas. Não fiquemos com medo de decretos e leis humanas, pois eles são temporais e mudam com a mudança das personalidades que as estabeleceram.
A legislação tem feições variadas, com o perpassar do tempo. Meditemos no que diz o apóstolo Paulo, em l Coríntios, capítulo quinze, versículo trinta e sete:
E quando semeias, não semeias o corpo que há de ser, mas o simples grão, como de trigo, ou de qualquer outra semente.
O corpo da lei humana é semeado no grão, que deve crescer e modificar-se, pois ainda não é como deve ser, como disse o apóstolo. Somente as leis de Deus são eternas e imutáveis. As leis humanas são preparo para que os povos possam compreender as de Deus, porém, mesmo sendo humanas são inspiradas pelos benfeitores espirituais que comandam os povos, e nos fazem ver em todas as coisas, os valores espirituais.
Observemos o quanto houve de progresso na legislação humana, até os dias atuais. Isso é força do progresso, que é lei de Deus, em favor dos seres humanos. Tornamos a dizer, como um sábio da Terra: nada se acaba, tudo se transforma, e sempre para melhor.
Não poderia a humanidade se reger somente pelas leis naturais, feitas pelo Supremo Senhor do Universo, por faltar-lhe despertamento para tal vivência. Nos primeiros passos da sociedade, a vida tem de seguir os caminhos tortuosos, pois é um aprendizado para os iniciantes.
 
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez.

19.11.25

Gravação do Estudo detalhado do livro EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS Cap. 20 – CORPO ESPIRITUAL E RELIGIÕES



DESERTOR

Galba de Paiva*
     
Silêncio... Inércia... Morte, O fim de tudo...
Era o estranho ideal que acalentara
Quando vivi qual cego, surdo, mudo,
Ou sonâmbulo em crise longa e rara.
 
Covarde e tresloucado, em transe agudo,
De súbito fugi à vida amara
E marchei, constrangido, para o estudo
Do enigma que, em vão, me acabrunhara.
     
Mas não morri... Morreu-me o vaso impuro...
E, distante da carne transitória,
Colho o passado e planto o meu futuro.
 
Nem mistério, nem cinza à nossa frente...
Apenas o homem louco de vanglória
Procurando enganar-se inûtilmente.
(*) Poeta distinto, jornalista, conferencista e crítico literário. Depois de cursar o Liceu Alagoano, de Maceió, bacharelou-se pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, tendo sido o orador da turma de 1915. Exerceu várias funções públicas na administração e na magistratura do Rio Grande do Sul. Colaborou em diversos jornais e revistas, dentre outros o Diário do Interior, de Santa Maria, Ultima Hora, de Porto Alegre, Fon-Fon! e Leitura Para Todos, do Rio de Janeiro. Na revista carioca A Semana foi critico literário ao tempo de Adelino Magalhães. De 1930 até à sua desencarnação, viveu no Rio de Janeiro, advogando no foro. (Uruguaiana, Rio Grande do Sul, 26 de Setembro de 1893 – Rio de Janeiro, GB, 1 de Julho de 1938.)
BIBLIOGRAFIA : Folhas, versos; Hora Azul, conferência; Elogio das Cores, idem ; etc.
Livro: Antologia dos Imortais - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

18.11.25

Cap.11 OS MENSAGEIROS – BELARMINO O DOUTRINADOR Francisco C. Xavier (autor) André Luiz (espírito)


 

Mensagem publicada na página 4 da Gazeta de Limeira no dia 18/1182025

 

IDADE DOS MUNDOS

Não podes avaliar aquilo que foge aos teus sentidos. Podes contornar os valores e perceber a grandeza da criação de Deus. Circunstanciar as coisas é nosso dever, desde que não passemos os limites da nossa evolução. A sabedoria vem de uma semente que Deus colocou em nossa consciência. Bater às portas é o nosso dever, porém, abri-las, compete a Deus, que nos dirige e sustenta todos. A verdade que não suportamos poderá estragar nosso ânimo e desviar o nosso roteiro dos conhecimentos mais puros. É como nos diz Paulo de Tarso: "Quando eu era criança, tomava alimento de criança, quando passei a adulto, mudei de alimento". O alimento da verdade segue esse mesmo trajeto. O Espírito, quando está preparado, recebe uma verdade mais pura. A idade da formação dos mundos se encontra distante do entendimento humano, porque foge ao tempo e ao espaço, escapa à matemática terrestre e alcança as equações espirituais da conjuntura divina. Os homens formaram uma micro-contagem, porque a sua vida gira dentro de acanhadas condições em que eles suportam viver. Todos já sabem que as formas são aglomerações de energias, e que a energia disseminada no espaço é segregação da matéria - são como que os dois tempos de respiração da Divindade, tempo esse incontável e inconcebível pelos processos humanos. Para que saber as idades dos mundos, se ainda não descobrimos a idade do ódio no coração do ignorante? Para que saber o tempo que passou para se formar a Terra, se ainda não compreendemos como nasceu o ciúme, o egoísmo e a vaidade? Lutemos primeiro contra essas distorções da personalidade, gastemos o tempo na desintegração destes inconvenientes, comecemos a formar os mundos do bem e a contar o tempo para que o homem entenda a idade do amor, para o despertamento das almas.

Filosofia Espírita L.E.42 – João N. Maia – Miramez – Toninho Barana

17.11.25

Cap.10 OS MENSAGEIROS – A EXPERIÊNCIA DE JOEL Francisco C. Xavier (autor) André Luiz (espírito)


 

O Espírito da Verdade

Discute-se sobre a identidade do Espírito da Verdade.
João Batista?
Sócrates?
O inconsciente de Kardec?
Jesus?
Não importa Quem ele tenha sido.
Importa Nele o Pensamento do Cristo...
Que o Espiritismo é o Consolador.
Que a Codificação Espírita tenha sido sancionada pelo Divino Mestre.
Que toda a Falange que se movimentava em torno de Allan Kardec servia aos propósitos do Senhor.
Importa que o Espiritismo seja a Revivescência do Cristianismo.
Que a Obra de Kardec e de Chico Xavier é uma Obra inteira, e que, a rigor, não pertence a um nem a outro.
Nem aos seus supostos Autores Espirituais.
Kardec foi um codinome de Hippolyte Leon Denizard Rivail.
Chico Xavier, uma Instituição Espiritual.
A Doutrina não se pessoaliza em o “Batista”, nem em o “Evangelista”.
O Espiritismo é Jesus.
Todos os demais simples medianeiros.
Intérpretes do Senhor.
Seus servos.
Em Espiritismo, quem diz o que diz por si mesmo está fora do Contexto Divino.
Pensamentos pessoais são transitórios.
Falíveis.
Passíveis de revisão.
Paulo dizia que não era ele quem vivia mais, mas, sim, o Cristo que nele vivia.
Todavia, mesmo assim, Cristo não vivia e ainda nem vive integralmente em Paulo.
Nem em Pedro.
Nem em algum dos Doze.
E muito, muito menos em mim ou em ti – na palavra e na ação.
O Espiritismo é cristão, mas ainda não é o Cristianismo Total.
Sobre a Terra, e no Mais Além, à grande distância Além, ainda não se tem cabeça e coração para O Espírito.
Falta Espaço e Tempo.
Importa, pois, caminhar hoje, amanhã e no dia seguinte.
De cabeça baixa.
E coração alevantado.
Reverentes sempre.
INÁCIO FERREIRA - Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 15 de novembro de 2025.

16.11.25

O AMOR JAMAIS TE ESQUECE Romance espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria André Luiz Ruiz (autor) Lucius (espírito)


 

AS TRÊS REVELAÇÕES

     Revelar, do latim "revelare", significa, literalmente, sair sob o véu, e, figuradamente, descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida.
    A característica essencial de qualquer revelação tem de ser a verdade. Revelar o segredo é tornar conhecido um fato; se é falso, já não é um fato e, por consequência, não existe revelação.
    No sentido especial da fé religiosa, a revelação se refere, mais particularmente, das coisas espirituais que o homem não pode descobrir por meio da inteligência, nem com o auxílio dos sentidos, e cujo conhecimento lhe dá Deus através de Seus mensageiros, quer por meio da palavra direta, quer pela inspiração. Neste caso, a revelação é sempre feita a homens predispostos, designados sob o nome de profetas ou messias.
    Todas as religiões tiveram seus reveladores, e estes, embora longe estivessem de conhecer toda a verdade, tinham uma razão de ser providencial, porque eram apropriados ao tempo e ao meio em que viviam, ao caráter particular dos povos a quem falavam, e aos quais, eram relativamente superiores.
    Allan Kardec [A Gênese - cap I] assevera que três foram as grandes revelações da Lei de Deus: a primeira representada por Moisés, a segunda por Jesus e a terceira e última revelação pelo Espiritismo.
    Em [O Consolador], o benfeitor Emmanuel tange ao tema da seguinte forma:
    "Até agora a Humanidade da era cristã recebeu a grande Revelação em três aspectos essenciais: Moisés trouxe a missão da Justiça; o Evangelho, a revelação insuperável do Amor e o Espiritismo, em sua feição de Cristianismo redivivo, traz, por sua vez, a sublime tarefa da Verdade."
    De onde se conclui, o Velho Testamento, o Novo testamento, da Bíblia e o Espiritismo, não são religiões, como os controladores do povo organizaram, trabalhando (alterando) nas traduções e cabe a cada um de nós "buscar a Verdade, que Liberta".
    De onde se conclui, o Velho Testamento, o Novo testamento, da Bíblia e o Espiritismo, não são religiões, como os controladores do povo organizaram, trabalhando (alterando) nas traduções e cabe a cada um de nós "buscar a Verdade, que Liberta".

15.11.25

Cap.9 OS MENSAGEIROS – OUVINDO IMPRESSÕES Francisco C. Xavier (autor) André Luiz (espírito)


 

Tempo e Vida

Eis que o tempo continua
A passar com rapidez,
Não esperando ninguém
A fazer o que não fez.

Inútil pedir mais tempo
Ao tempo que se esgotou,
Quem não plantou, que plantasse
Na gleba que ignorou...

Agora, só amanhã,
Que hoje é luz que se apaga,
O dia já se fez noite,
Terminou a humana saga...

Quem não dá valor ao tempo,
Convém que tome ciência,
Que, brincando de viver,
Põe a perder a existência...

Querendo voltar atrás,
Não adiante chorar,
Como se pudesse alguém
Fazer o tempo parar...

- Minhas mãos estão vazias... –
Reclama o homem longevo,
Mas, a morte lhe responde:
- É assim mesmo que eu te levo!...

Formiga/Baccelli - Blog Espiritismo em Prosa e Verso
Lar Espírita “Pedro e Paulo”
Uberaba – MG, 8 de novembro de 2025.

14.11.25

Cap.8 OS MENSAGEIROS – O DESASTRE DE ACELINO Francisco C. Xavier (autor) André Luiz (espírito)


 

OS DEZ MANDAMENTOS

     Os dez mandamentos, recebidos mediunicamente pelo profeta (Moises), brilham ainda hoje por alicerce de luz na edificação do direito, dentro da ordem social.
A palavra da Esfera Superior gravava a lei de causa e efeito para o homem, advertindo-o solenemente:
- Consagra amor supremo ao Pai de Bondade Eterna, n’Ele reconhecendo a tua divina origem.
- Precata-te contra os enganos do antropomorfismo , porque padronizar os atributos divinos absolutos pelos acanhados atributos humanos é cair em perigosas armadilhas da vaidade e do orgulho.
- Abstem-te de envolver o Julgamento Divino na estreiteza de teus julgamentos.
- Recorda o impositivo da meditação em teu favor e em benefício daqueles que te atendem na esfera de trabalho, para que possas assimilar com segurança os valores da experiência.
- Lembra-te de que a dívida para com teus pais terrestres é sempre insolvável por sua natureza sublime.
- Responsabilizar-te-ás pelas vidas que deliberadamente extinguires.
- Foge de obscurecer ou conturbar o sentimento alheio, porque o cálculo delituoso emite ondas de força desorientada que voltarão sobre ti mesmo.
- Evita a apropriação indébita para que não agraves as próprias dívidas.
- Desterra de teus lábios toda palavra dolosa a fim de que se não transforme, um dia, em tropeço para os teus pés.
- Acautela-te contra a inveja e o despeito, a inconformação e o ciúme, aprendendo a conquistar alegria e tranquilidade, ao preço do esforço próprio, porque os teus pensamentos te precedem os passos, plasmando-te, hoje, o caminho de amanhã.
Livro Evolução em dois Mundos - Chico Xavier e Waldo Vieira - André Luiz

13.11.25

Comentário Questão 793 do Livro dos Espíritos

CIVILIZAÇÃO COMPLETA
Uma civilização completa , somente podemos reconhecê-la quando apresenta duas forças em harmonia: o desenvolvimento moral e o intelectual. A civilização que se educa nesses dois aspectos, faz desaparecer do seu seio as paixões inferiores que obscurecem todos os sentimentos da humanidade.
Nesse arrojo de vida pede-se a cada um o esforço próprio, para que esse esforço passe a ser coletivo, pertencente a todas as criaturas de Deus. O homem não pode nascer desde a primeira vez, pelas bênçãos da encarnação, já purificado, já tendo despertas em si todas as qualidades morais e tendências aperfeiçoadas em todos os rumos. Isto é fruto, como já falamos, do tempo, mas um tempo demorado, porque somos feitos iguais e a evolução acontece com todos, na seqüência das vidas sucessivas.
Quantos bilhões de anos não levou a Terra, esta simples casa de Deus, em comparação às outras mais velhas que bailam no espaço cósmico, no preparo, com a finalidade de facilitar a educação e instrução da humanidade? Deus tudo fez e espera pacientemente, por conhecer o ritmo da evolução.
Hoje em dia, quando se fala em um país "altamente civilizado", sabemos que nele proliferam as paixões mais tristes, o desregramento moral em todas as direções que uma inteligência mal formada pode conceber, faltando nas almas que compõem essa nação, o Evangelho de Jesus, único educador que assegura às almas a paz interior. Os homens aprendem alguma coisa e a aplicam na destruição, onde as dominantes são o orgulho e o egoísmo.
Todas as civilizações da Terra, algum dia, chegarão a se completar, de modo a podermos chamá-las de civilizações de luz, por se darem as mãos, por fundirem a educação dos sentimentos com a instrução. A humanidade, para ser realmente civilizada, na profundidade da palavra, deve banir do seu seio os vícios incompatíveis com a serenidade da alma. O egoísmo escurece todas as possibilidades valiosas dos Espíritos. A miséria humana se encontra sob a inspiração direta do orgulho e do egoísmo, geradores de todas as outras misérias dos caminhos humanos. Livrar-se deles é libertar o coração para a luz do Cristo.
Se se pretende aprender o desprendimento dos bens terrenos, é preciso buscar conhecer a história dos grandes personagens que deixaram rastros de luz nos seus caminhos, desprendendo-se das coisas transitórias, para valorizarem as eternas, os tesouros que existem no céu da intimidade.
Para se libertar de todos os sofrimentos, não se deve esperar um libertador exterior, como muitos o fazem; o Cristo interno é que comanda a liberdade divina. O povo sempre espera um libertador externo, de maneira a não exigir esforço próprio, pois ele fará tudo por todos. Como se engana a humanidade! Já na época de Jesus, muitos pensavam assim. Em João, no capítulo sete, versículo quarenta e um, ele assim se refere, para melhor esclarecimento nosso:
Outros diziam:
Ele é o Cristo; outros, porém, perguntavam:
Porventura o Cristo virá da Galiléia?
Todos os ensinamentos do Evangelho são de origem divina, que fazem entender a mensagem de Deus em todas as faixas evolutivas da Terra e dos planos espirituais. A Galiléia, e a descendência de Davi, estão, pois, na intimidade das consciências. Jesus é o despertador cósmico das consciências das almas, para que o Cristo nasça no coração de cada um. O Cristo volta, mas, desta vez, no mundo interno das criaturas, não de uma vez para todos, mas na gradação da escala a que pertence a alma. Jesus é o instrumento do preparo divino e humano de todos os povos.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez.

Cap.7 OS MENSAGEIROS – A QUEDA DE OTÁVIO Gravação do Estudo detalhado do livro


 

12.11.25

Gravação do Estudo detalhado do livro EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS Cap. 19 – ALMA E REENCARNAÇÃO


 

DESENCARNAÇÃO

Álvaro Sá de castro Meneses*
 
Dorme a ninfa obscura em desvão da floresta...
Tênue réstia solar dissolve a névoa fina.
Agita-se o casulo. A múmia pequenina
E’ féretro mirim que, súbito, se enfresta.
 
A borboleta em luz, como alguém que protesta
Contra o sono letal sob a folha mofina,
Desdobra as asas de ouro e, leve bailarina,
Sobe às grimpas do azul em delírio de festa...
     
A morte é assim também... No corpo inerte, langue,
Silêncio e rigidez trabalham de partilha,
Tentando nova forma a que a vida se engrade!...
 
Mas do estojo larval, sem o lume do sangue,
A alma ressurge e voa, ascende, canta e brilha,
Ave do Grande Além, galgando a imensidade...
 
(*) Castro Menezes, que foi «conteur» e cronista, além de poeta precoce e advogado pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais d Rio de Janeiro, esteve algum tempo no Pará, onde foi professor e jornalista, tendo também exercido a magistratura em seu Estado natal. Um dos fundadores da revista Rosa-Cruz, um dos mais importantes órgãos do movimento simbolista carioca. Redator, no Rio de Janeiro, de A Tribuna, de O Imparcial e do Jornal do Commercio. Pertenceu à, Academia Fluminense de Letras. (Niterói, Estado do Rio, 3 de Junho de 1883 – Rio de Janeiro, GB, 7 de Março de 1920.)
BIBLIOGRAFIA: Mitos; Poesias; Estrada de Damasco; etc.
Livro: Antologia dos Imortais - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

11.11.25

Cap.6 OS MENSAGEIROS – ADVERTÊNCIAS PROFUNDAS Francisco C. Xavier (autor) André Luiz (espírito)


 

Mensagem publicada na página 04 da Gazeta de Limeira em 11/11/2025

RENOVAÇÃO

Tudo o que existe renova-se, sob as leis que regem a matéria e determinam que ela tem um fim. Quanto ao Espírito, outras são as regras que lhe sustentam a vida, na vida de Deus. Nada se desfaz. As coisas se renovam e a renovação é o desfazer daquilo que foi feito. O envelhecimento é lei. O Espírito quando evoluído, quanto mais velho, mais novo fica por dentro, as suas modificações não são propriamente renovações, mas despertamento dos valores que dormem em seu coração espiritual, cuja gênese e destino desconhecemos. Tudo depende de conhecermos as vias do amor. O Espírito mais velho, de despertamento, se integra na juventude, e a sua consciência avança para o infinito. A evolução da alma é, pois, sem limites, transcendendo os limites que os homens compreendem. "Deus renova o mundo, como renova os seres vivos" respondem os Espíritos a Allan Kardec. A renovação dos seres vivos são as mudanças de corpos, para despertar a semente que vibra no seio da matéria. É bom que sejamos conscientes de que nada se acaba. Não existe morte, nem para a própria matéria, ela também tem sua ascensão e é infinita a sua purificação. A sua evolução é feita sob os cuidados dos iluminares da eternidade, na vigilância de Deus. Se queres compreender as mudanças e transformações de tudo e o despertamento do Espírito, é necessário amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Se não te interessares pelo amor, continuarás no centro da renovação universal e do despertar interior, até que grite pelos canais da dor, o "basta" ao esquecimento das leis. Então, passarás a entender pelo sofrimento, pela leitura dinâmica da vida, começarás a ter o maior respeito e a melhor vivência com a harmonia.

Filosofia Espírita L.E.41 – João N. Maia – Miramez – Toninho Barana.

10.11.25

MAIS HISTÓRIAS QUE TRAZEM FELICIDADE Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Especulações em Torno De Jesus Cristo

Temos acompanhado, através da mídia, espírita e não espírita – algumas são apenas espiritualistas –, especulações, no mínimo, em nossa opinião, descabidas, em torno do Nascimento de Jesus, nosso Mestre e Senhor.
De nossa parte, ficamos somente com que o Codificador, Allan Kardec, escreveu nas páginas iniciais de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, afirmando que priorizaria o aspecto moral das lições de Jesus, de vez que, os demais aspectos, por exemplo, os dos milagres e das predições, davam margem a polêmicas estéreis.
Fico mesmo com a impressão de que os nossos irmãos encarnados “sabem” mais do que, deste Outro Lado da Vida, sabemos de Jesus, porquanto aqui estando, onde Jesus deveria estar, ou seja, no Mundo Espiritual, nada sabemos de Seu paradeiro, da maneira como Ele teria descido à Terra, ou, afinal, como o Seu corpo desapareceu no túmulo que Lhe fora cedido por José de Arimateia...
Desculpem-nos, mas é tanta cogitação sem sentido sobre a gravidez de Maria de Nazaré, que chega a ser extremamente vulgar a quem nos deve merecer imensa reverência.
Sei que nada sou para aconselhar a quem seja, a respeito de assunto algum, mas, caso pudesse, eu diria que seria melhor pararem com tanta perda de tempo com “revelações” em claras mistificações do pensamento, ainda mais quando se envolve a figura venerável de Chico Xavier.
A única Biografia confiável do Cristo à nossa disposição, no Orbe Terrestre e no Além, e o será por séculos infindos, é a que consta dos Evangelhos ditos canônicos, e não centenas e centenas de outras biografias que circulam em todos os idiomas, não passando, muitas delas, de ficções literárias com os propósitos mais variados.
Já se disse, inclusive – pasmem! –, que um óvulo teria sido retirado de Maria, e, a fim de que ela pudesse se manter na virgindade, fosse levado a uma nave espacial para ser fecundado; que o corpo de Jesus era fluídico, como se constituído de fluidos todos os corpos humanos não o fossem; que Jesus era um, e o Cristo outro...
Enquanto muitos de nós outros vamos entretendo-nos com essas concepções, mergulhando as mentes incautas no universo do maravilhoso, a Maravilha do Evangelho vai sendo esquecida, como se  o que Jesus falou e fez não fosse o bastante para, verdadeiramente, nos maravilhar e nos interessar para que possamos promover a construção do Reino de Deus em nós mesmos.
Pessoalmente, dou razão à resposta de um amigo que, convidado a participar de certo programa de TV, respondeu que não iria porque não tem nenhuma “revelação” a fazer a respeito de absolutamente nada, e que o referido programa vive do que é sensacionalismo.
Nestas palavras, o nosso intuito não é o de crítica, mas, sim, o de expressar o que pensamos a respeito do que muitos nos escrevem, perguntando: se somos, ou não, adeptos de que a Estrela de Belém era uma nave espacial, etc?! Eis aqui a nossa resposta sincera a todas as questões congêneres que nos endereçam: A RESPEITO DE JESUS CRISTO NADA SABEMOS E NADA PODEMOS ACRESCENTAR AO QUE OS APÓSTOLOS ESCREVERAM, e que, cá para nós, demoraram muito a escrever – deveriam, sim, tê-lo feito bem mais cedo do que o fizeram, porque, confiantes em sua humana memória, muito do que Ele falou e fez, conforme testemunhou João, em seu Evangelho (escrito, aproximadamente, entre os anos 80 e 100 d.C.) deve ter se perdido, e que não caberiam em todos os livros que pudessem vir a ser escritos.
INÁCIO FERREIRA - Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 9 de novembro de 2025.

9.11.25

Gravação do Estudo detalhado do livro OS MENSAGEIROS Cap. 5 – OUVINDO INSTRUÇÕES


 

A Régua

A régua que medirdes as atitudes dos outros será a mesma régua que medirá as tuas atitudes.
Os homens, desavisadamente, não conseguem levar as suas vidas sem se importarem com a vida de seu irmão de caminho. Intrometem-se em suas vidas como se ela fosse a sua própria vida. Não sabem com isso que estão dando a mesma liberdade para que outros façam o mesmo.
A liberdade de expressão se coaduna com a responsabilidade pelo que se faz. O que está em jogo nesta questão é a reciprocidade dos atos, ou seja, a medida que fizermos algo será a mesma medida que seremos cobrados. Esta compreensão versa sobre a capacidade de sermos indulgentes uns com os outros, haja vista que não gostaríamos que alguém fosse excessivamente rígido em seus julgamentos conosco.
É neste sentido que o Nosso Senhor Jesus Cristo proferiu as suas palavras sábias de que com o ferro que feríssemos alguém com este mesmo ferro seríamos ferido. A consciência desta verdade universal nos fará mais cautelosos no julgamento dos outros e, assim, mais tolerantes.
A indulgência é fundamental para podermos bem diligenciar as nossas vidas e evitarmos, por demais, os julgamentos precipitados e as considerações escabrosas.
Se fôssemos mais indulgentes, evitaríamos  muitos conflitos e, com isso, teríamos uma Terra mais pacificada do que esta que vivemos hoje.
A régua, meus irmãos, será exatamente a mesma, então, cuideis em ser justo com as tuas palavras e ações para não conflitares com os outros e trazeres para ti pesos maiores do que deves carregar na tua jornada terrena.
Queira Deus que possamos exercer a indulgência uns com os outros sempre para que possamos ter de vez a paz tão desejada.
Helder Camara - Blog Novas Utopias

8.11.25

ESPERANTO Livro bilingue em Esperanto e Português a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Trovas ao Léu

Sou um bagre de lagoa,
Nadando em labor insano,
Que, de repente, se viu
Na vastidão do oceano.
Formiga
 
No Jardim da Criação,
Sou um pobre beija-flor,
Cuja vida se resume
À corola de uma flor.
Maria Modesto
 
Ante a grandeza do mar,
Que sobre a praia se alteia,
Por entre milhões de outros,
Sou humilde grão de areia.
Alceu Novaes
 
Entre os astros do infinito,
Embora acenda o seu lume,
O Sol sabe que não passa
De pequeno vaga-lume.
Lafayette Mello
 
Esse Universo de Deus
É maior do que se julga,
Que dentro dele eu me sinto
Bem menor que uma pulga.
Domingas
 
Em meu caso pessoal,
Ante um pé de jurubeba,
Que floresce frutifica,
Eu não passo de uma ameba.
Manoel Roberto
 
Creio, sim, Manoel Roberto,
Mas creio mesmo, de fato,
Que, da ameba, você
Não é mais que o carrapato.
Inácio Ferreira
 
A Terra é um cupinzeiro
Neste Fazendão sem fim,
Cada homem dentro dele
É apenas um cupim.
Aurora
 
Reverente a Jesus Cristo,
A ser mais eu não me arrisco,
Porque fui e continuo
Sendo menos do que cisco.
Chico
 
Baccelli/Autores Diversos Blog Espiritismo em Prosa e Verso
Lar Espírita “Pedro e Paulo”
Uberaba – MG, 1-11-25

7.11.25

A ADVERTÊNCIA DO CRISTO

“Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!” – Mateus, capítulo 6 – versículo 23.
 
Uma das advertências do Cristo que mais nos deixa com receio de nós mesmos, é, sem dúvida, a que nos encimam as reflexões no assunto do Blog desta semana.
Falando a respeito da luz e das trevas, Ele nos chama a atenção para a pior espécie de trevas que pode existir em nós: àquela que supomos ser luz! Em outras palavras: a mentira que supomos ser verdade, a arrogância que imaginamos ser humildade, a traição que julgamos ser lealdade...
As trevas que, em nós, se disfarçam de luz, são de muito maior complexidade do que as trevas declaradamente trevas.
Um exemplo marcante foi o de Paulo de Tarso, que, defendendo a Lei Antiga, não hesitou em se transformar em ferrenho perseguidor dos cristãos – foi preciso que ficasse cego para que voltasse a enxergar!
Pode ser, na tácita defesa de nossos pontos de vista e argumentos, estejamos completamente equivocados.
Recordo-me de Modesta, numa fala que, aliás, tivemos oportunidade de reproduzir em um de nossos livros: “Amai-vos e Instruí-vos”. Em certo diálogo conosco, ela nos disse que um de seus maiores medos, numa futura reencarnação, seria renascer dentro de circunstâncias que a levassem a esquecer-se de seu compromisso com o Cristo! Confesso-lhes que, igualmente, quando penso em tal possibilidade, eu chego a tremer nas bases...
A questão é que, sobre a Crosta, a influência do meio, somando-se ao esquecimento do passado, que acomete o espírito em seu mergulho à carne, pode, sim, nos afastar da Luz da qual tão somente agora, timidamente, estamos nos aproximando.
Noto que, infelizmente, muitos companheiros de Ideal Espírita-Cristão imaginando estar caminhando na luz, estão tateando nas trevas – e isto se deve à nossa incapacidade de raciocinar com a Verdade, sem que os nossos raciocínios sejam tisnados por interesses de ordem pessoal.
Antes carreguemos no espírito trevas que sejam trevas, que trevas disfarçadas de luz – não tanto aos olhos alheios quanto aos nossos próprios olhos!
Preferível, pois, mil vezes, que estejamos verdadeiramente cegos, na expectativa de cura pela luz, que de olhos supostamente arregalados, nos deslumbramento da luz que nos provoca cegueira real.
O pedido do cego de Jericó a Jesus foi altamente significativo. Indagado pelo Senhor: “Que queres que eu te faça?”, ele respondeu: “Mestre, que eu torne a ver.” Ele não clamou por mais luz, mas, sim, que tornasse a ver – que tornasse a ver como outrora, porque, no transcurso da existência, ele havia perdido a visão.
Muitas vezes, infelizmente, perdemos a visão da Doutrina – deixamos de enxergar os interesses dela para enxergarmos os nossos! Que cegueira terrível esta, que nos leva a confundir os interesses da Doutrina com os nossos!...
Que fique, portanto, nesta semana, este singelo texto para as nossas reflexões, porque – acreditem – não haverá maior desapontamento para o espírito que desencarnar acreditando ter feito o bem, quando, em realidade, fez o mal – defendeu e propagou a Doutrina, quando simplesmente concorreu para a distorção de sua Mensagem, trabalhando para estabelecer o caos em suas fileiras.
INÁCIO FERREIRA Blog Mediunidade na Internet

AMOR E JUSTIÇA Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria

 


6.11.25

MUNDO ESPIRITUAL É PLANETA Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Comentário Questão 792 do livro dos Espíritos

FRUTOS PERFEITOS
 
O aperfeiçoamento das criaturas é lento, que se reajusta como condicionamento espiritual, em experiências de passo a passo. Já falamos muitas vezes que Deus colocou, por amor, no centro da vida de cada Espírito, dons eternos, todos iguais, e esses dons se despertam nos Espíritos lentamente, pela força do tempo. À medida que o homem cresce, eles vão se irradiando, de forma que o ambiente da alma faz lembrar o ambiente de Deus, seu criador.
A civilização não pode, de uma vez, ou em pouco tempo, iluminar o Espírito. Esse processo estaria fora da lei que assegura a gradatividade para tudo e o Espírito faz parte do todo, que deve obedecer às mesmas leis estabelecidas pelo Criador. A civilização que começa, a despontar em uma nação não pode dotar imediatamente essa nação das duas qualidades espirituais: moral e sabedoria. O trabalho é fruto de milênios e a marcha da civilização obedece a uma certa ordem, para desabrochar seus valores reais. É para tanto que existe a lei de reencarnação, onde os Espíritos voltam à Terra com novas roupas, quantas vezes forem necessárias, e cada vez avançam um pouco no seu aprimoramento espiritual.
A história nos informa que são necessários os flagelos, os dilúvios, as catástrofes coletivas e individuais, para um acerto de consciência da civilização a cada criatura. Até para receber o bem em certa escala é preciso preparação, para que esse bem não se converta imediatamente em mal. Vamos ler Marcos, no capítulo quinze, versículo quinze:
Então Pilatos, querendo contentar a multidão, soltou-lhe Barrabás; após mandar açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado.
Quando o Mestre dos mestres já tinha terminado a Sua mensagem aos homens, esses mesmos homens deveriam aproveitar a misericórdia recebida, agradecendo com glória a presença do Céu na Terra, mas a falta de preparo da humanidade fez Pilatos soltar o que os seres humanos pediam, adquirindo um carma mais pesado, para entrar em duros testemunhos no futuro e aprenderem com mais eficiência as mensagens do Senhor sobre a vida.
É desta maneira que a civilização não pode, de uma só vez, aperfeiçoar os seres humanos sem os devidos preparos espirituais, que somente o tempo pode fazer amadurecer. Jesus era consciente disso, e chegou a profetizar o que os homens fariam d'Ele. Assim previam, também, certos profetas, séculos antes do Mestre.
As faculdades do Espírito desabrocham lentamente, dentro da lei do progresso. Se pudesse ser de outra forma, Deus não deixaria assim acontecer. Isso ocorre em todos os mundos habitados por Espíritos encarnados e mesmo desencarnados. Eles todos obedecem à lei do progresso, que garante a elevação de toda a casa de Deus.
De uma civilização incompleta não se pode esperar perfeição, no entanto, a civilização atual é um começo, de maneira a levar a alma a chegar algum dia a reunir todos os seus valores e tornar-se um sol em favor dela mesma. Tudo que fazemos de bem, é para a nossa própria paz.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez.

5.11.25

Gravação do Estudo detalhado do livro EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS Cap. 18 – SEXO E CORPO ESPIRITUAL


 

DESCULPA

Irene Ferreira de Souza Pinto*

Escuta serenamente
Quem te repele ou censura.
Há muito fel de amargura,
Em forma de maldição.
Às vezes quem te maltrata
Arrasta apenas consigo
Sede, fome e desabrigo
Por brasas no coração.

Quem te injuria e escarnece,
Na frase agressiva, azeda,
Em si sofre a labareda
Que verte do próprio mal.
Toda cólera é doença.
Aquele que se enraivece
Solicita o pão e a prece
Do socorro fraternal.

Muita gente cai nas trevas,
Por não achar, no caminho,
Brandura, silêncio e ninho,
No peito amigo de alguém.
Inda que ofensas te cubram
E lâminas te retalhem,
Que as tuas forças não falhem
Na força que espalha o bem.

Desculpa, constantemente,
O golpe, a pedrada, o insulto,
Apesar do pranto oculto,
Amargo, desolador!
 
– Quem tolera e quem perdoa,
Embora de alma ferida,
Encontra, na própria vida,
O reino do Eterno Amor.
 
 (*) Poetisa de fino talento e bela inspiração. A seu respeito, diz Enéas de moura (cole. Poetas Paul, pág.97):” Começou seus estudos no Colégio Florense, de Jundiaí, e os terminou no Sion, de São Paulo. Colaborou na Revista Feminina; foi a criadora das crônicas sociais do Correio Paulistano.” Contista, escreveu na Feira Literária, e em 1921 estreava como romancista, publicando Rosa Maria. No Cemitério da consolação, de S. Paulo, os filhos da poetisa erigiram-lhe um túmulo, onde gravaram o belíssimo soneto “Último desejo”, de autoria dela. (amparo, Estado de São Paulo, 8 de Abril de 1887 – Rio de Janeiro, GB, 21 de Maio de 1944.)
BIBLIOGRAFIA: Primeiro Vôo; Gorjeios; O Tutor de Célia, contos; etc.
Livro: Antologia dos Imortais - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

4.11.25

Esperanto na Transcomunicação Instrumental


 

ALMAS ETERNAS Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Mensagem publicada na página 04 da Gazeta de Limeira em 04/11/2025

VIAJANTES SIDERAIS

Cometas tem um trabalho de purificação da matéria. Deles desprende algo por onde andam, para que o próprio fluido se transforme e se alinhe, retomando às posições desejadas pelos engenheiros siderais, em coerência com a vontade maior, na formação das próprias galáxias. E quando a vida de um cometa chega ao término, ele é induzido para os buracos negros, caldeirões cósmicos de reformulação da matéria. É o nada se perde, na expressão divina da verdade espiritual. Certamente que todos nós não escapamos das influências astrais, e é neste sentido que Jesus nos falou com propriedade nestes termos: Conhecereis a verdade e ela vos libertará. O Espírito altamente evoluído influencia os astros e não é influenciado por eles, comanda os astros e não é comandado por eles, domina os astros e não é dominado por eles. Essa é a verdade; todavia o magnetismo astral desprendido dos corpos celestes tem o seu domínio em todos os reinos da natureza, até o homem, se esse ainda não tiver condições de se libertar pela verdade. Quando um cometa se aproxima da Terra, causa muitos desastres ecológicos na lavoura e pecuária. Às vezes desprende um magnetismo inferior por onde passa, atingindo os meridianos terrenos, de sorte a perturbar o equilíbrio da vida. O organismo humano, igualmente, é afetado por esse viajante sideral, porque o corpo humano é semelhante à Terra, como se fosse uma sua miniatura. O Espírito conhecedor destas leis, se defende pela sua própria conduta, forma um campo de força de defesa em torno de si, queimando esses resíduos astrais pela força do amor, criando uma área viva de amparo em seu redor. A caridade é um dos meios que ajuda a nos proteger, objetivando o aprimoramento espiritual, o despertamento para Deus. Que possamos ser viajantes siderais, mas somente fazendo o bem, com as marcas da eternidade.

Filosofia Espírita L.E.40 – João N. Maia – Miramez – Toninho Barana.

3.11.25

ME E O PEQUENO PLANETA Livro infanto-juvenil espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

A Revolta dos Defuntos

"Incidente em Antares" é o último romance de Érico Veríssimo, publicado em 1971, utilizando o Realismo Fantástico para fazer uma contundente sátira social e política do Brasil, especialmente no contexto que antecedeu e acompanhou a ditadura militar.
O livro narra a trajetória da cidade fictícia de Antares, no Rio Grande do Sul, desde sua fundação até 1963. Em dado momento, na véspera do golpe militar, ocorre uma greve geral que paralisa completamente a cidade de Antares, incluindo os serviços essenciais, como o cemitério.
Naquele dia, sete pessoas morrem na cidade. Como os coveiros aderiram à greve, os sete caixões foram abandonados em frente ao cemitério, sem poderem ser sepultados. Devido à decomposição e à ameaça à saúde pública, os mortos, em um fenômeno inexplicável e cômico, se levantam de seus caixões e marcham até o coreto da praça principal.
Os "defuntos" se tornam a voz da cidade, exigindo que a greve termine para que possam ser enterrados. Após o ultimato dos falecidos, a pressão pública e a vergonha forçam a prefeitura a ceder e a greve é suspensa, de modo que os sete defuntos puderam ser finalmente sepultados.
Em um ato de "operação borracha", as autoridades e a elite de Antares trabalham para encobrir e desmentir o ocorrido, alegando que tudo não passou de alucinações coletivas ou uma jogada de marketing. O medo do escândalo e a necessidade de preservar as aparências fazem com que a população rapidamente "esqueça" o incidente.
Outro incidente, porém, acompanha a humanidade há muitos séculos: o incidente da imortalidade.
Apesar de muitos povos e culturas pregarem em contrário, o mundo ocidental, de maneira geral, entronou o materialismo e seus diversos mecanismos de perpetuação para negar a continuidade da vida.
Alude-se um céu beneplácito ou um terrível inferno depois da morte e fica por aí mesmo, ou seja, promete-se eternamente as graças celestiais ou terrores satânicos. Não há muita escolha.
No século XIII, a Igreja Católica Apostólica Romana instituiu o dia 2 de novembro como o dia de finados, dedicados a rezar por aqueles que estivessem num processo de purificação no purgatório – um lugar extrafísico criado para abrigar os que não tinha os créditos suficientes para entrar no céu nem os pecados beligerantes para ser condenado ao fogo do inferno.
Na verdade, a Igreja Católica apenas oficializou uma prática iniciada no século X pelo Abade beneditino do Mosteiro de Cluny, na França, Odilon, que veio posteriormente a se tornar santo. Santo Odilon fixou em 2 de novembro o dia para ser dedicado à comemoração de todos os fiéis defuntos.
Com a vinda dos portugueses para o Brasil no século XVI e a imposição do Catolicismo como religião oficial do Estado, o tempo se encarregou de consolidar esta data como consagrada aos defuntos.
O fato é que esta data é uma iniciativa católica que se enraizou na cultura ocidental.
Ocorre, no entanto, que os defuntos que sempre deram o seu ar da graça na história da humanidade, resolveram se rebelar e numa espécie de invasão organizada saíram das suas sepulturas, à exemplo de Antares, para afirmarem que não morreram, mas apenas se transferiram de endereço.
As vozes dos defuntos em greve pelo restabelecimento da verdade da imortalidade do ser foram ouvidas em diversos lugares entre os séculos 18 e 19: as conversas espirituais de Emmanuel Swedenborg, na Suiça, em 1743; o caso das Irmãs Fox e os fenômenos de Hydesville, nos Estados Unidos, em 1848; a disseminação dos fenômenos das mesas girantes e falantes na Europa, nos anos 50 e 60, do século XIX; a sistematização do pensamento dos espíritos por Allan Kardec, a partir de 1857, na França, e muito mais.
A revolta dos defuntos, desde então, não parou mais.
Aproveitando-se de um tal de Chico Xavier, no Brasil, no século XX, é que eles se aproveitaram para contar “tim-tim por tim-tim” as coisas desse mundo de lá. Tinha até correio espiritual com a entrega de cartas dos defuntos para seus parentes.
Os defuntos dos europeus encontraram na Terra da Santa Cruz os defuntos dos índios, negros, ciganos e toda uma gente que morava no lado de cá do planeta. Juntaram as forças para fortalecer a sua revolta.
Apesar das inúmeras evidências, tem gente que insiste em passar a borracha nesta patente realidade, afirmando ser coisa do diabo, problema psiquiátrico ou pura charlatanice, pois morreu, pereceu.
A admissão da imortalidade do ser altera completamente a maneira de ler a realidade e promove uma mudança de paradigmas sem precedentes derrubando preconceitos, concepções, teorias, crenças...
Uma delas a de que defunto tem dia. Tem dia não, meu senhor!
O culto aos mortos, que é uma atitude venerável e de muitas culturas, no entanto, não se resume a um dia e tampouco se reivindica a passagem do purgatório para um lugar melhor. Dia de defunto – e este é o grande motivo do motim do além – é todo dia. Porque é todo dia que a memória desperta os momentos marcantes que tivemos com eles e é todo dia que o coração se enche de um aperto de saudade indescritível.
Os defuntos batem as portas das mesas mediúnicas todos os dias para nos lembrarmos que sua rebelião somente terá fim quando for admitido e praticado a normalidade do sempre existir.
Para a filosofia espírita esta comemoração de dia de finados, de certo modo, se torna inócua, haja vista que na bula espírita somente existe espaço para a vida. Vida antes de vir ao corpo físico, vida no corpo físico e vida depois da morte.
Como lembra a composição popular, “amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância digam não”.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira.