16.10.13

Questão 228 do Livro dos Espíritos
PAIXÕES HUMANAS

O espírito elevado, quando toma um corpo humano por missão, sob a influência de Jesus Cristo, quase sempre recebe a herança moral da família, entretanto, a sua pureza moral lhe dá qualidades e forças no sentido de se livrar de todas as influências negativas. É uma batalha, uma luta em que ele sai sempre vitorioso, podendo ser comprovado pelas vidas dos grandes missionários Que estiverem na Terra.
A influência do meio, certamente, exerce uma pressão poderosa na alma que participa do ambiente mas, para tanto, Jesus nos deixou as armas adequadas para a defesa contra todas as investidas das trevas .
Há muitos espíritos que, quando partem do mundo físico, levam para o espiritual as paixões que viveram na carne. São espíitos inferiores que, em muitos casos, lutaram para abandoná-las, porém a evolução não lhes conferiu forças para a limpeza do coração e a estabilidade da consciência. Todavia, eles não perderão outras oportunidades, que sempre virão em nome da bondade de Deus. Nenhuma das minhas ovelhas se perderá, disse Jesus. Os espíritos, mesmo no mundo espiritual, têm campo propício para domar suas paixões; depende da boa vontade de quem deseja delas se livrar.
As riquezas e as misérias que nos acompanham depois do túmulo são nossas ações, a vida que levamos, tanto no mundo físico quanto no espiritual. Eis porque o Evangelho nos mostra. com brandura, mas com firmeza, que devemos perdoar aos nossos ofensores enquanto estivermos com eles a caminho, pois o perdão traz oportunidades inúmeras para aquisição de outras qualidades espirituais, como o amor e a caridade.
Esquecer o orgulho e o egoísmo já é um passo de luz em busca da perfeição que tanto nos interessa. Em qualquer posto que ocuparmos no mundo das formas, deveremos tomar atitudes elevadas, e nelas deixar a eficiência crescer e prosperar. Quem persistir no bem, será salvo de todas as investidas do mal.
O espírito elevado, mesmo que renasça em meio de ignorantes e distantes da chamada civilização humana, deixa-se conhecer pela pertinácia no modo de viver dia a dia. Ele conhece e sente as leis naturais, por trazê-Ias vivas no coração, com assistência da consciência em estado de segurança espiritual. A luz, quando acesa, não se apaga jamais, e os valores, quando despertados no imo d'alma, não retrocedem. A missão do Espiritismo é despertar almas para a vida superior. A Doutrina dos Espíritos tem a sagrada missão de tornar os homens melhores, de transformá-los mais depressa, fazendo reviver o Cristianismo, de modo a nascer o Mestre no coração de todas as criaturas.
O dicionário de amanhã deverá desconhecer os nomes de tantas paixões que os de hoje mencionam com exuberância. Elas ficarão esquecidas, pela influência de Jesus em nossas vidas. Existem inúmeros espíritos que chegaram à Terra com tendências enormes para as paixões humanas, no entanto, ao saírem dela, voltaram
livres destas forças negativas, dando glória a Deus e louvando a presença de Jesus em seus caminhos. Vejamos o quanto vale a obstinação no bem, pois esse bem nos mostra todos os caminhos que nos leva ao amor.
Observemos nossa vida, analisemos o que fazemos do tempo que nos foi confiado. Se temos tendências para algumas das paixões que o mundo coleciona, varramo-las dos nossos caminhos e coloquemos em seus lugares os preceitos de Jesus, esforçando-los para vivê-Ios com alegria, de modo que a fraternidade pura seja o nosso clima de todos os segundos.
 

Livro: Filosofia Espírita - V - João Nunes Maia - Miramez

15.10.13


NOVO PENTECOSTE

Inicialmente, devo dizer que a expressão acima, para designar, na atualidade a multiplicação e a diversidade de médiuns que vêm surgindo no Espiritismo, não é minha, e sim de Irmão José.
Sirvo-me dela para responder a você que, naturalmente preocupado com o aparecimento de tantos médiuns, mormente no campo da literatura espírita, me escreveu pedindo uma explicação.
Claro que, em torno do assunto, as ilações doutrinárias poderiam ser muitas, porque a análise de todo e qualquer problema comporta vários ângulos de visão, sendo que, isoladamente, nenhum deles é capaz de atinar com a sua causa.
Reflitamos no fenômeno que ocorreu durante a realização da festa de Pentecoste, quando, segundo “Atos dos Apóstolos”, cerca de cento e vinte pessoas, ficando cheias do Espírito Santo, entraram a falar em línguas diferentes, na maior sessão mediúnica de caráter público que se tem notícia na História.
Zombando deles, dos Doze que se multiplicaram por dez, alguns chegaram a dizer que estivessem embriagados... Vejamos que, nos dias que correm, não mudou muito, porque, hoje em dia, em vez de os médiuns serem rotulados de alcoólatras, eles são chamados de obsidiados!
A questão, porém, meu amigo, é que, naquela época, com a mediunidade se generalizando tanto, não havia como, ao mesmo tempo, se mandar cento e vinte médiuns para a cadeia, ou, então, colocá-los em mordaça, concorda?!
Enquanto, por ordem do Sinédrio, a soldadesca corresse atrás de uns tantos, até com o objetivo de passá-los pelo fio da espada, outros tantos continuariam falando o que os doutores da lei não queriam ouvir...
Penso eu que, no Espiritismo, em relação à multiplicação dos médiuns e as suas autoridades sinedritas, vem acontecendo agora o mesmo fenômeno, com a diferença de que os “Doze” não se multiplicaram apenas dez, mas por mil, ou quiçá por mais alguns zeros acrescentados à unidade!
As autoridades sinedritas da Doutrina, que querem conservar o controle da mediunidade, jazem desesperadas – parecendo galinhas tontas a correr atrás de baratas no galinheiro!
Os médiuns, notadamente os de psicografia, estão brotando do chão feito tiririca! E, neste exato momento, debaixo da sola dos sapatos das referidas autoridades, estão germinando médiuns...
Agora, se tem ou não tem valor o que os desencarnados vêm grafando através deles, isto é outra história, que, evidentemente, compete a cada um analisar de per si – o certo, porém, é que ninguém pode pretender cassar o direito de encarnados e desencarnados de escreverem e publicar o que desejam!
Ora, existem mais escritores no Mundo Espiritual do que os existem na Terra, sem significar, no entanto, que todos eles, unicamente porque se sirvam da mediunidade, estejam compromissados com a Causa Espírita. Este raciocínio também vale para os médiuns, porque, afinal, a mediunidade não é espírita. Da mesma maneira que não se pode falar num olho espírita, num ouvido espírita, num nariz espírita, etecetera, não se pode falar em mediunidade espírita, porque ela não é patrimônio da Doutrina.
Portanto, meu caro, em relação ao seu questionamento, a respeito da tiriricagem dos médiuns de uns tempos a esta parte, a única coisa que eu posso dizer a você é o seguinte: It’s good!...
Veja que escrevi tiriricagem, e não tietagem, porque, aos médiuns, em qualquer idioma falado, seja no Velho ou no Novo Pentecoste, tietagem is bad!...

INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 14 de outubro de 2013.

14.10.13

Raul Seixas sobre as Drogas
Frente a realidade que me surpreendeu, a metamorfose agora é outra!
A Sociedade Alternativa não acontece no embalo dos sonhos mal sonhados, nasce na individualidade daqueles que vivem na real.
Vivi como um cometa que passa e causa espanto, não consegui ajustar-me na órbita que poderia sustentar-me na trajetória rumo a felicidade que sonhei para mim e para os outros. Porém, ainda não apaguei, vou continuar entre a luz e a sombra, procurando minha própria luz em constante metamorfose.
Voltei sem alarde, faço da mente do médium o meu telégrafo para revelar ao mundo das ilusões, a verdadeira Sociedade Alternativa que nos aguarda no universo infinito e que deve ser construída no universo íntimo de cada um, aí e agora. Depois de atravessar os vales escuros da dor e do sofrimento, minha visão ampliou-se e pude compreender que aqueles que buscam afogar suas ansiedades e frustrações nas drogas químicas e alcoólicas, é como um epilético criado artificialmente que sofre e faz sofrer. Por isso, vejo-me na obrigação consciencial de informar aos companheiros que estão a caminho que o sofrimento não pára aí, ele se estende pelos vales espirituais do sofrimento, onde a epilepsia se torna real, processando a duras penas os elementos venenosos inseridos no corpo perispiritual.
Muitas vezes, embalados pelo sonho e pelo lirismo dos poetas e pelo modismo estimulado pela sociedade de consumo, deixamos de enxergar a realidade à nossa volta e buscamos distrair a nossa consciência das responsabilidades inerentes a verdadeira finalidade da vida, conseqüentemente, alteramos o valor das coisas e os conceitos sobre juventude, lar, família e objetivos, deixando cair vertiginosamente o nosso amor próprio e o amor por aqueles que nos são caros. Nesse conceito equivocado, tudo se torna lícito, até mesmo o que não convém. Os que viveram esse tipo de liberdade na Terra, hoje superlotam os vales das sombras à semelhança de larvas, arrastando-se entre o limo e as escarpas dos abismos espirituais, situação em que, alguns casos, podem se prolongar durante séculos.
Antes de questionar a vida, questione a si mesmo, analise seus conceitos, seus sentimentos, sua gratidão por aqueles que o ajudaram a renascer na Terra e, com certeza, você encontrará uma grande razão para viver e lutar contra o único inimigo que pode derrotá-lo: você mesmo!

Raul Seixas

(Psicografado por Nelson Moraes, no dia 23 de março de 2002)

12.10.13


FRUSTRAÇÃO

Enquanto te sorri a oportunidade
Segue fazendo o bem onde a Vida te enseja,
Sem nunca desistir, seja a luta qual seja,
De sempre trabalhar em prol da Humanidade.

Estende as tuas mãos na ação da caridade,
Sem receio do mal que te agride e dardeja,
Na mais nobre intenção de quem tão só deseja
Minimizar a dor com gestos de bondade.

Pensa que o tempo passa e logo não terás
O que possas fazer para voltar atrás,
Evitando em tu’alma a grande frustração...

Porque, no Mais Além, não há dor mais doida
Que a certeza de quem chegou ao fim da vida
Carregando o pesar de ter vivido em vão!...

Eurícledes Formiga
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã de sábado do dia 5 de outubro de 2013, em Uberaba – MG). 

11.10.13

REVERENCIANDO KARDEC
Livro: Doutrina de Luz - Francisco C. Xavier - Emmanuel.
 

Antes de Kardec, embora não nos faltasse a crença em Jesus, vivíamos na Terra atribulados por flagelos da mente, quais os que expomos:
- o combate recíproco e incessante entre os discípulos do Evangelho;
- o cárcere das interpretações literais;
- o espírito de seita;
- a intransigência delituosa;
- o obsessão sem remédio;
- o anátema nas áreas da filosofia e da ciência;
- o cativeiro aos rituais;
- a dependência quase absoluta dos templos de pedra para as tarefas da edificação íntima;
- a preocupação de hegemonia religiosa;
- a tirania do medo, ante as sombrias perspectivas do além-túmulo;
- o pavor da morte, por suposto fim da vida.
Depois de Kardec, porém, com a fé raciocinada nos ensinamentos de Jesus, o mundo encontra no Espiritismo Evangélico benefícios incalculáveis, como sejam:
- a libertação das consciências;
- a luz para o caminho espiritual;
- a dignificação do serviço ao próximo;
- o discernimento;
- o livre acesso ao estudo da lei de causa e efeito, com a reencarnação explicando as origens do sofrimento e as desigualdades sociais;
- o esclarecimento da mediunidade e a cura dos processos obsessivos;
- a certeza da vida após a morte;
- o intercâmbio com os entes queridos domiciliados no Além;
- a seara da esperança;
- o clima da verdadeira compreensão humana;
- o lar da fraternidade entre todas as criaturas;
- a escola do Conhecimento Superior, desvendando as trilhas da evolução e a multiplicidade das “moradas” nos domínios do Universo.
Jesus - o amor.
Kardec - o raciocínio.
Jesus - o Mestre.
Kardec - o Apóstolo.
Seguir o Cristo de Deus, com a luz que Allan Kardec acende em nossos corações, é a norma renovadora que nos fará alcançar a sublimação do próprio espírito, em louvor da Vida Maior.

10.10.13


Manifestações de um polêmico
O Mentor da casa

Na carona do assunto levantado pelo amigo Alfredo Bastos, vamos desenvolver este assunto que acho muito interessante: O mentor do centro espírita.
Conforme todos sabem, os espíritas falam muito no “Mentor da casa”, aquele ser que para eles é muito importante, é indispensável e concebido como alguém muito especial, que deve sempre ser ouvido, consultado e invariavelmente obedecido em tudo o que sugerir e até em impor e determinar.
Afinal de contas, quem é o mentor do centro espírita que você freqüenta?
Você já procurou se informar acerca disto?
Será que os próprios dirigentes do centro sabem quem ele foi e quem ele é?
Outra pergunta que, certamente, vai mexer com a cabeça daqueles espíritas de superficialidade que se resumem a qualificar simplesmente como polêmico quem tem a coragem de levantar um assunto deste:
Quem elegeu determinado espírito ao cargo de mentor do centro espírita?
Quem determinou que tal espírito fosse o mentor do centro?
Quais foram os critérios adotados para o mesmo ascender à posição?
Tenho certeza de que os espíritas não saberão responder estas perguntas.
É exatamente por isto que quero convidar todos a aprofundarmos neste questionamento.
Mas primeiro vamos relembrar, de novo, como é que se inicia um centro espírita.

A fundação de um centro espírita

Conforme eu abordei noutro artigo que escrevi recentemente, qualquer pessoa pode fundar um centro espírita, já que não há exigências de cumprimento de nenhuma legislação e não há normas e procedimentos fiscais previstos para tal iniciativa.
Se alguém freqüenta um centro espírita mais antigo e, de uma hora para outra, despertar a vontade de criar o seu próprio, percebe que tem uma garagem em casa que não está sendo usada, desperta-se na idéia de que deve fazer dali um centro espírita, porque tem muita gente que mora nas imediação. Decide fazer o centro, faz mesmo, começa a funcionar e não tem preocupação nenhuma quanto ao modelo que deve adotar.
Faz o que quer e bem entende.
É uma pessoa boa? É sim.
É uma pessoa caridosa, que adora dar coisas para os pobres? É sim.
É uma pessoa honesta? É sim.
Ótimo, esses requisitos são interessantes e, por causa deles, o novo centro começa a atrair a freqüência de várias pessoas, que trazem outras, mais outras, mais outras... até que o espaço, inicialmente para apenas quarenta cadeiras, fica insuficiente e... vamos fazer uma campanha para construir a nossa sede própria, com capacidade para mais de trezentas pessoas.
O centro cresce e fica famoso. Daqui a pouco ele já tem vinte, trinta... quarenta anos de existência e, não demora, já estará comemorando os seus cinqüenta anos.
É assim que muitos centros espíritas começam, geralmente a maioria.

O nível de conhecimento dos seus fundadores

Conforme falamos, o fundador da casa pode ser uma pessoa honesta, boa e caridosa. Mas será que esses são requisitos suficientes para a fundação de uma casa espírita? 
Tenho eu a impressão de que para isto existe um pré-requisito que deve ser indispensável: O conhecimento do Espiritismo.
Será que todos aqueles que fundam, conduzem e dirigem a maioria dos centros espíritas de fato conhecem o Espiritismo?
É claro, Alamar. Se a pessoa já vem de outro centro, só podemos imaginar que ela conheça o Espiritismo e saiba o que está fazendo.
Será que o fato de alguém freqüentar um centro por algum tempo, inclusive por alguns anos, implica em que necessariamente conheça o Espiritismo?
Não se deixe levar apenas pelas argumentações do Alamar, use a sua própria inteligência, observe bem como se processam as práticas da maioria dos centros espíritas, durante anos e anos, e tire você mesmo a conclusão: 
Será que o modelo habitual de procedimento dos centros é capaz de fazer com que alguém aprenda realmente o que é o Espiritismo? Se não há intercâmbio com os espíritos, para atender ao apelo de Kardec, como é possível haver entendimento e avanço no Espiritismo?
A principal atividade da maioria dos centros é a palestra, geralmente feita por alguém da casa ou por convidados. Chamam de “doutrinária” e geralmente essa doutrinária segue um mesmo ritual comum na grande maioria dos centros:
Prece inicial, leitura da uma mensagem de um livro, palestra, passe, água magnetizada e prece final. Tudo igual, como o ritual da missa.
A mediúnica ocorre invariavelmente apenas uma vez por semana, limitada a uma hora, resumida a apenas uma meia dúzia de participantes e objetivando apenas atender espíritos sofredores, revoltados, raivosos e vingativos. Não há espaço de tempo para diálogo com os espíritos amigos e orientadores. Quando há algum espaço com um POUQUINHO de tempo maior, é para a figura do Mentor da Casa. 
Reunião de estudos: Podem observar o detalhe que a maioria dessas reuniões (já procuramos apurar isto) destina-se a estudar obras de autoria de alguns espíritos, embora respeitáveis, mas não tem Allan Kardec como prioridade. Em alguns casos tem estudo de “O Livro dos Espíritos”, mas raramente estudam “O Livro dos Médiuns” e outros que fazem parte do conjunto de 19 livros que constituem o entendimento das idéias de Kardec.
É exatamente o freqüentador ou, talvez, trabalhador desse modelo de espiritismo que se acha preparado para fundar um novo centro espírita.
Não vamos entrar em detalhes sobre isto não, porque já entrei em outro artigo anterior, vamos abordar apenas a questão do mentor da casa que é o foco deste artigo.

Quem é o mentor da casa?

Ninguém sabe. Só sabe que é um espírito “bom”.
Se um espírito chega saudando as pessoas com o famoso “Que a Paz de Jesus esteja com todos”, invariavelmente é muito bem recebido. Até aí tudo bem, porque todos os espíritos devem ser bem recebidos.
Mas já se cria logo uma simpatia, por causa da sua saudação.
Aí esse espírito passa a vir com regularidade, toma o médium toda semana e sempre transmite alguma mensagem, que os freqüentadores da casa acham lindas.
Pronto, virou mentor da casa!
Nós sabemos quem foi o Dr. Bezerra de Menezes, sabemos quem foi a Joanna de Ângelis, que foi a Sóror Joana Angélica e outras suas encarnações; sabemos que Emmanuel foi o padre Manoel de Nóbrega e outras suas encarnações e sabemos que o André Luiz foi o Faustino Esposel, embora alguns imaginam e admitem que ele tenha sido Carlos Chagas ou até Oswaldo Cruz.
Por acaso, você sabe quem o mentor do seu centro foi em alguma encarnação passada? Conhece pelo menos o histórico dele na última encarnação? A maioria não sabe.
Este problema é sério ou não tem relevância nenhuma?
Observe bem a importância disto:
O mentor da casa é o espírito mais ouvido pelos seus participantes e dirigentes. O que ele diz passa a ser lei na casa e, por isto, é muito comum a gente ouvir coisas do tipo:
- “É orientação do mentor da casa”.
- “Fazemos desse jeito, porque recebemos orientação do mentor da casa”.
- “Sentimos muito, mas não podemos adotar isso, porque o mentor da casa não admite”.
E por aí vai.
E Allan Kardec, onde é que fica?
Nessa onda, muitos procedimentos incoerentes, absurdos e até ridículos acontecem em muitos centros espíritos, absolutamente incompatíveis com aquilo que Kardec ensinou e praticou durante a sua vivência espírita:
Reunião em torno de uma mesa, exigência de uma toalha branca forrando essa mesa, exigência da roupa branca para a mediúnica, invenção da velha plaquinha “O Silêncio é uma prece”, falem baixo no centro, proibição de músicas, de flores e de um monte de coisas. Proibição de aplausos e de elogios, rigor excessivo quanto a horários, exigência de roupas em cores chamadas sóbrias, ambiente lúgubre nas mediúnicas, restrições ao sorriso, palmas das mãos voltadas para cima na hora do passe, tirar os sapatos para tomar passe, ojeriza ao dinheiro, mania de exigir que dêem de graça até mesmo coisas que não são recebidas de graça, recomendação para fingir que é pobre, fingir que é humilde e fingir para os outras que, por ser espírita, já atingiu evolução, etc. etc. etc.
Há também a proibição de eventos festivos no salão do centro, mesmo por necessidades urgentes de busca por recursos financeiros para a casa, sob o absurdo argumento de que fazer festa no local baixa o padrão vibratório da casa.
Gente, vamos raciocinar: O mentor de um centro espírita que deixa cair o padrão vibratório da casa pelo fato das pessoas estarem felizes e trabalhando para a sua própria manutenção é um despreparado, um insensato e inconseqüente que deve ser demitido pela diretoria, por não ter condição de ser mentor de coisa alguma. Precisa se reciclar.

Vamos questionar sobre o mentor

Primeiro – O fato de um espírito chegar a um centro espírita pronunciando a frase “que a paz de Jesus esteja com todos” não quer dizer necessariamente que seja espírito evoluído.
Segundo – O fato de um espírito se comunicar numa mediúnica não quer dizer que seja um espírito espírita.
Terceiro – Ainda que seja um espírito que, quando encarnado, fora dirigente de centro espírita, não quer dizer também que seja necessariamente conhecedor do Espiritismo. 
Quarto – Espírito que foi padre ou freira em encarnações passadas, por mais que manifeste carinho e dedicação para com o Espiritismo e até bons ensinamentos, poderá também trazer idéias católicas da sua cultura, o que não quer dizer que estejam todas em compatibilidade com o Espiritismo. Exemplo disto é a prática do sexo só para procriação e a cultura de imoralização do sexo.
Quinto – Imposições e determinações que alguns mentores fazem, não são atitudes de espíritos elevados, porque espírito elevado numa impõe nem determina nada.
Sexto – Se aborrecer quando questionado pelos trabalhadores da casa, assim como pela não obediência total àquilo que ele quer, não é característica de espírito elevado.

Toda instituição espírita deve rever os seus conceitos acerca dessa figura que foi instituída como “mentor da casa”. Deve, sim, questionar esse espírito, deve procurar saber quem ele foi e parar com essa conversa de que não há necessidade nenhuma de identificar os espíritos. Em algumas situações não temos necessidade de identificar os espíritos, mas isto apenas em ALGUMAS situações e não em todas as situações. 
Que tipo de coerência temos nós em conviver durante anos com uma pessoa, sem ao menos saber quem é de quem se trata?
Se não admitimos isto nas convivências com encarnados, por que vamos ter que admitir em relação a desencarnados?
Precisamos, sim, conversar com os espíritos, procurar saber quem eles são, quais são os seus conhecimentos em relação AO ESPIRITISMO e isto não está errado e nem é anti doutrinário.
Sei que muita gente não vai poder fazer isto porque nos seus centros não há tempo para conversar com os espíritos já que o tempo total é destinado a atender espíritos problemáticos e revoltados; mas outros centros podem fazer isto, sim, porque dão espaço para os espíritos amigos falarem a vontade e devem fazer.
Com certeza, espíritos que são verdadeiramente elevados terão o maior prazer em prestar todas as informações que a equipe lhes pedir e nenhum deles se aborrecerá ou demonstrará qualquer tipo de má vontade em relação ao procedimento. Podem ter certeza disto.
Se o mentor se aborrecer, pode mandá-lo passar no departamento de pessoal e receber as suas contas, que ele está demitido. Se quiser reclamar direitos na justiça do trabalho, que vá!

Conscientização espírita mais racional

Precisamos disto, amigos. Chega de espíritas bobos e indisponíveis à racionalidade. Chega de tanta besteira na prática espírita, chega de mesmismo.
Esse negócio de santificar mentor é uma das maiores bobagens que se pratica no meio espírita, considerar mentor com palavra final da casa e não questionável é sinal de limitação da inteligência dos trabalhadores e dirigentes.
A base é Kardec, portanto, qualquer recomendação de mentor, principalmente quando ordem ou imposição, deve ser rigorosamente levada ao crivo de Kardec, pra saber se vai ser ou não ser acatada.
            Abração.

                           Alamar Régis Carvalho
        Analista de Sistemas, Escritor e Antares DINASTIA
                          alamarregis@redevisao.net 
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9.10.13

Questão 227 do Livro dos Espíritos
INSTRUÇÃO DOS ESPÍRITOS ERRANTES 
 
Os espíritos errantes, se ajustam em uma escala muito grande, porém, muitos já estão despertos para o aprendizado, mesmo que seja com os homens mais abalizados, no que tange às leis universais. Eles se instruem na vida espiritual em cursos intensivos e no próprio trabalho em colônias espirituais, bem como junto aos homens instruídos da Terra. Assistem muitos congressos dos seres humanos, anotam coisas e se interessam todas as inovações que se fazem no planeta. 
Assistimos a muitas reuniões humanas, onde tomam parte grupos de espíritos com intenções elevadas de aprender com eles. Isso é muito nobre aos olhos dos benfeitores do mundo espiritual. 
Mas há espíritos errantes, sem a maturidade devida, que não se interessam pelo progresso e, pela sintonia, se acham ligados a almas da mesma índole, onde escapa o interesse de servir e aprender. 
Quando falamos que a Terra é uma universidade de Deus, é porque nela se encontram grandes almas que vieram trazer a luz do saber e a prática do amor. Basta observar atentamente que as lições elevadas se encontram em toda parte. O espírito sopra onde quer que seja, diz o Evangelho de Nosso Senhor. 
É facil reconhecer o espíito encarnado que tem a missão de ajudar; ele é sempre afável, desprendido, e consubstancia sua vida no ambiente do amor e da caridade. Mesmo que esse homem não tenha escolaridade, o que corresponde a diplomas, ele irradia virtudes que agradam e confortam a quem pode observar. 
A Terra é, pois, uma cópia pálida do mundo espiritual. As almas que têm olhos para ver, encontram celeiros de bênçãos no que diz respeito à instrução, e os que têm ouvidos para ouvir, acumulam dádivas imensuráveis na consciência, onde pode e deve participar o coração. 
Muitos almejam estadia em colônias esprituais, das quais têm notícias pelos livros mediúnicos, e se esquecem de que a Terra é uma dessas colônias, de valores indescritíveis, onde as coisas louváveis existem com abundância. Depende da busca ou, se desejarmos entender com o Evangelho, do buscai e achareis. 
O espírito benévolo tem mais facilidade de compreender as leis naturais que a Divindade escreveu dentro e fora das consciências com letras de luz. Jesus Cristo foi e é um sol para toda a humanidade. Ele é a misericórdia de Deus para as criaturas; é a própria voz de Deus a nos convidar para a iluminação mais rápida. Ele deixou para todos, preceltos que despertam os valores espirituais, fazendo-nos interessar pelo amor mais puro e pela caridade mais nobre. 
A Doutrina dos Espíritos é um posto avançado do mundo espiritual no planeta, porque consola aos que sofrem e instrui os que ignoram a verdade. Os espíritos que se encontram encarnados e aceitam o consolador prometido têm mais facilidade para se prepararem- em toda a verdade, de modo que, ao retornarem ao mundo espiritual chegam lá com algo a mais no coração e muito mais tranqüilidade na consciência. 
Quem se encontra na Terra, movendo-se em um corpo de carne, que agradeça a Deus pela oportunidade valiosa, e faça tudo para compreender as leis que regem o campo fisiológico, conservando-ocom saúde e bem-estar. Quando mais tempo viver no campo da carne, mais possibilidades terá o espírito de aprendizado. Aquilo que ele já conhece para o seu equilíbrio, passará para os que ainda não sabem. Esse é um dos deveres do espírito em marcha para a luz: trocas de experiências, fortalecendo o aprendizado.
 

Livro: Filosofia Espírita - V - João Nunes Maia - Miramez