1.7.14

“DOUTOR, MANEIRA AÍ!”

- Doutor, maneira aí! – quase que posso ouvir você me dizer.
Não maneiro, não.
Contemporizar não é comigo.
Chega de ficar em cima do muro.
O que aconteceu ao Cristianismo é culpa nossa. Você quer que o que está em vias de acontecer ao Espiritismo, seja culpa nossa, de novo?!
Por isto, não maneiro, não.
Quem não quiser me ler, não leia.
Quem quiser jogar o que escrevo na lata de lixo, digo que ela fica logo aí debaixo do lugar onde ele está sentado.
Eu seria capaz de pregar Jesus na cruz, mas não seria capaz de adulterar uma palavra saída da boca Dele.
Chantagem comigo, não funciona – nunca funcionou.
Nem com o médium, felizmente, pois o dia que com ele funcionar, eu o deixarei, e vou procurar outro médium no prostíbulo.
Jesus disse aos doutores da lei que as prostitutas haveriam de precedê-los em sua entrada no Reino de Deus.
Claro, como não se ir parar na cruz depois disto?!
Então, meu caro, se quiser maneirar, maneira você.
Eu já cansei de dizer que não sou espírito Mentor, e não estou interessado em ser.
Sou capaz de deitar no chão para um necessitado me pisar, e até fazer xixi em cima de mim, mas, para quem não precisa, não vem que não tem.
Agora, vou dizer uma coisa: sei que não sou espírito Mentor, mas sei também que desde que Chico Xavier desencarnou Mentor encarnado não tem nenhum.
A escassez é tremenda – tempo das vacas magras.
Querendo demonstrar uma humildade que não, tem gente aí na Terra engolindo uma saparia.
Nada é capaz de fazer mais mal à Doutrina que um espírita pecador querer se fazer passar por santo.
Eu não tenho loja de máscaras.
Convencionou-se que espírito obsessor só se comunica em reunião de desobsessão. Comigo, se ferraram, porque eu sou alfabetizado, e psicografo – escrevo livros. E daí?! Os livros são meus. Escrevo e publico o que eu quiser.
Não venham querer me enquadrar – neste esquadro de vocês, eu não me enquadro. Fico torto, mas não me enquadro!
Vocês vão ter que me aguentar como eu sou.
Amem-me, ou odeiem-me.
“Assim, porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca...”
Tem muita coisa boa no Movimento Espírita, mas também tem muita hipocrisia.
Eu vou dizer a vocês: para mim, o melhor do Movimento Espírita está na cozinha de um Centro Espírita, onde uns dois ou três, considerados ignorantes em termos de conhecimento doutrinário, estão fazendo sopa para os pobres.
E o pior, salvo exceções, está na cúpula.
Eta, turminha! Haverá pranto e ranger de dentes...

INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 30 de junho de 2014.

30.6.14


Tempo Presente

Eu sei que os dias passam, vão embora e não voltam mais. Escampam das nossas mãos, como se água fosse, e deixam de existir. O que passou, passou, não volta mais. O que fazer? Olhar para frente e seguir. Não há alternativa na vida.
A vida é assim, é desse jeito, então nos adaptemos a ela. Sejamos como ela é. A opção que temos é viver o momento presente em plenitude. O que quer dizer plenitude? É viver intensamente, por completo, por inteiro, estar todo imerso no agora. Esta alternativa, para quem vive assim, é de alívio. Alivia a alma porque não vai ficar choramingando o passado que não foi como deveria e mais ainda projetando um futuro sem nada fazer.
A vida nos oferece estas lições, aproveitemo-las em nosso favor. Quem me dera poder incutir isto na mente das pessoas. É, porque vejo tanta gente voltada para o futuro e esquecendo-se de fazer o essencial nos dias de hoje. Outras, não conseguem se desarnar do que aconteceu ontem e vivem repetindo aquela ladainha:
- No meu tempo não era assim...
Eu vejo o futuro, mas ajo no hoje. O presente me oferece oportunidades mil e só depende de mim, de mais ninguém. Sou eu quem diz para onde devo ir e, sobretudo, para onde não quero ir. Se vou deixando a vida me levar sem ter um norte definido, poderei chegar à deriva e indo precipício abaixo me quebrar completamente. Não vou deixar isso acontecer, de jeito algum. Vou ter atitude na vida, vou ser eu, vou colocar em prática os meus sonhos.
O problema, muitas vezes, é que as pessoas não sonham. Não possuem propósitos na vida. Vão vivendo por viver. Que tristeza o peso dos dias sem razão para viver.
Viver é ter sonhos, é ter um ideal, é ter uma causa maior, é ter algo que valha a pena acordar todos os dias, que faça ter valor cada respiração que der. Isto é viver.
Não pense no futuro de braços cruzados. Pense no futuro agindo, movimentando forças para o alcance de seu ideal de vida. Você verá que a vida ficará bem mais divertida e interessante.
Quem, porém, apenas transfere para o futuro as realizações que deveria fazer hoje, engana-se e engana os outros. É adiando que nunca se faz. Desculpas e mais desculpas e nada acontece. Isso não!
Pois bem, refaça a sua vida já, agora. Disponha-se a melhorar a qualidade de seu viver. Seja ativo e empondere-se da sua vida, afinal de contas, ela é sua e de mais ninguém.
Levante-se, homem e mulher de Deus, e seja co-criador do Pai na edificação de uma Terra melhor que depende muito da sua ação em particular, senão Ele, o Altíssimo, sequer teria perdido o tempo precioso Dele para lhe criar.
Paz,
Helder Camara

29.6.14

"Estávamos, certa vez, sob chuvas de observações e eu pedi ao Espírito Emmanuel: "que fazer? dizem tanto mal ..." e ele respondeu: "Olha, a boca do mal na Terra é como a boca da noite. Ninguém consegue fechá-la. Vamos trabalhar, trabalhar......"

Livro: Palavras de Chico Xavier

28.6.14

CORBEILLE  DE TROVAS
 
Quem espera, além da morte,
Ascender à Luz Divina,
Quase sempre, não consegue
Acender nem lamparina.
*
Em quem vive por viver,
Sem mostrar vida mudada,
A morte, a Grande Mudança,
Ao chegar, não muda nada.
*
Por sobre o palco do mundo,
A vida é peça que apraz...
Mas, a morte, quando surge,
Tira a peça de cartaz.
*
Na existência de quem luta
E a Vida sempre bendiz,
Toda noite se converte
Em dia claro e feliz.
*
A saudade é um sentimento
Que por mais nos desconforte
É o que nos dá a certeza
Que o amor sobrevive à morte.
*
Resplendendo sobre o monte,
Onde foi fincada ao léu,
A cruz do Cristo na Terra
Aponta o rumo do Céu.

Eurícledes Formiga
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã de sábado do dia 21 de junho de 2014, em Uberaba – MG). 

27.6.14


Passeio na Roça

Fumaça de fogueira em noite de São João...
No meu Nordeste, reza a tradição, devemos acender uma fogueira em homenagem a São João. A fogueira lembra, lá em tempos idos, o sinal que Isabel fez para anunciar o nascimento do profeta. A fogueira que representa uma notícia alvissareira é lembrada até hoje nas  festividades juninas.
Esta festa maravilhosa une toda a gente do meu querido Nordeste. Aquele que reverencia a São João não pode deixar de construir a sua fogueira como também caprichar nos quitutes da época. Quem me dera poder novamente comer uma canjica das boas ou um milho cozido, sem falar na pamonha gostosa e outras tantas delícias desta época de muito forró e outras danças típicas.
A festa de São João é a festa mais popular do Nordeste brasileiro. Brinquei muito quando menino, isto porque pobre e rico se igualam no São João, ambos são convidados a fazer o mesmo passeio na roça.
É este ponto que quero destacar de agora em diante: pobre e rico fazerem o mesmo caminho na vida.
Por que é que rico deve ter a melhor escola e o pobre não?
Por que é que rico deve ter o melhor médico e pobre nem isso?
Onde está escrito que rico deve ter sempre o melhor e o pobre tenha que viver a penar?
A natureza é a mesma para todos. Deus deu a todos o mesmo ar, as mesmas árvores, a mesma praia, o mesmo céu. Nada distinguiu a seus filhos. Por uma questão puramente humana, os seus filhos criaram distinções e privilégios. Uns podem, outros não. Esta separação é dos homens e não de Deus.
Deus proporcionou a todos as mesmas oportunidades, os homens excluíram alguns de seus irmãos em usufruírem plenamente o banquete da vida. A luta de classes, o embate social, a disputa econômica tem nome, chama-se egoísmo.
O egoísmo humano foi que criou as separações, os apartheids, as distinções, os privilégios.
Se o homem soubesse dividir melhor o que Deus ofereceu não haveria as grandes disparidades que enxergamos. Falta Jesus na relação humana, como falta...
Jesus veio lembrar que não adianta concentrar os bens deste mundo, que o verdadeiro tesouro não está aqui, mas nos céus. Ele mesmo deu este depoimento de vida. Teve uma vida simples e não menos feliz por causa disso. Sabia usufruir das coisas boas da vida quando tinha acesso a elas, mas em nenhum momento se tornou prisioneiro delas.
Separar é coisa menor. Partilhar é coisa maior.
Proporcionar o acesso aos bens da terra para todos, eis o desafio a ser encarado e vencido.
Aprendamos com as festas juninas a dividir o mesmo espaço, a comer da mesma comida, a dançar da mesma música, a compartilhar da mesma alegria, a viver feliz na mesma roça.
Que Deus nos abençoe!
Helder Camara

26.6.14

Questão 315 do Livro dos Espíritos
     ADMIRAÇÃO
 
   O espírito elevado tem plena admiração pelas obras que deixou, desde quando essas obras foram em benefício da humanidade. Tanto ele admira as obras que ficaram com o sinal das suas mãos, como outras que seus companheiros de plano também fizeram.
    Não tem egoísmo, nem adoração somente por sua obra; os seus olhos vêem o belo, que faz parte da harmonia universal. Ele é tomado por alguns momentos de tristeza, se fez alguma coisa prejudicial aos outros, mesmo que o tenha feito inconsciente da ação maléfica. O bem comum lhe causa alegria constante.
    Essa nossa conversa é um toque a todos os encarnados. O espírito na carne está sujeito a tomar caminhos que não deveria palmilhar e, com a Doutrina dos Espíritos, ficarão conscientes dos deveres, e com o modo de raciocinar mais lúcido, de sorte que o coração em Cristo lhes inspire e aí possam tomar decisões acertadas para se alegrarem mais, quando estiverem novamente no plano espiritual.
    O mal que tenhamos feito como encarnados nos atormenta pelos canais da consciência, e o reparo tem que ser feito com urgência, porque somente assim ele cessa de nos atormentar. Eis porque os nossos benfeitores nos apresentam como solução a volta à Terra, porque é na carne que o reparo é mais rápido, principalmente se foi nela que cometemos as faltas.
    Passemos a admirar as grandes obras dos grandes instrutores de humanidade, porque é pensando nelas que elas poderão nos inspirar para fazer mesmo as pequenas coisas, como sendo o início para a nossa paz. É preciso ler as obras da Doutrina Espírita, pois elas ajudarão na escolha dos caminhos, e a melhor escola para quem deseja se iniciar nos conceitos de Jesus é a que nos dá lições internas, que começam com a renovação dos costumes de vida.
    O homem precisa conhecer a si mesmo; a senda de luz que deve trilhar com mais segurança é o mundo interior. O fora da caridade não há salvação é meio de grande utilidade para que se tenha inspiração divina, no sentido de começar a amar ao próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas.
    Esforçemo-nos para sentir admiração por nossas obras, que isso nos dará forças para maiores aberturas no servir, porém, analisando, alegrando-nos no que fazemos, mas em silêncio, para que os outros não vejam o gazofilácio da vaidade tocar alto pela força do orgulho. O louvor em boca própria faz desaparecer o nome sagrado que descobrimos pela boca de Jesus, que se chama Amor.
    A admiração que devemos ter sem limites é pela obra de Jesus, procurando copiá-lo sem receio, que ela nos levará à paz intema, de modo a assistir ao sol da verdade despontar no mundo da nossa própria consciência.
    É lindo para o espirito que deixou a Terra conservar o mesmo amor pelas obras que deixou, sejam elas obras de arte ou de literatura, desde quando essas obras falem da vida universal, da caridade de Deus, do amor e do perdão. Nessa contemplação de seus feitos, a sua consciência esplende todas as forças, lhe mostrando que cumpriu seu dever, apresentando-se com isso novas esperanças, para outras etapas, que podem vir em outras vidas.


Livro: Filosofia Espírita VII - João Nunes Maia - Miramez

25.6.14

Observações a Propósito dos Desenhos de Júpiter
Estamos inserindo neste número da Revista, conforme havíamos anunciado, o desenho 51 de uma habitação de Júpiter, executado e gravado pelo Sr. Victorien Sardou como médium, ao qual acrescentamos o artigo descritivo que teve a gentileza de escrever a respeito. Seja qual for, sobre a autenticidade dessas descrições, a opinião dos que nos poderiam acusar de nos ocuparmos do que acontece nos mundos desconhecidos, quando há tanto o que fazer na Terra, rogamos aos nossos leitores não perderem de vista que o nosso objetivo, como o indica o subtítulo da revista é, antes de tudo, o estudo dos fenômenos, nada devendo, portanto, ser negligenciado. Ora, como fato de manifestação, esses desenhos são, incontestavelmente, os mais notáveis, se considerarmos que o autor não sabe desenhar nem gravar, e que o desenho que oferecemos foi por ele gravado em água forte, sem modelo nem ensaio prévio, em nove horas. Supondo que esse desenho seja uma fantasia do Espírito que o traçou, o simples fato de sua execução não seria um fenômeno menos digno de atenção e, a esse título, cabe à nossa coletânea torná-lo conhecido, bem como a descrição que dele nos deram os Espíritos, não para satisfazer à vã curiosidade das pessoas fúteis, mas como objeto de estudo para quantos desejarem aprofundar-se em todos os mistérios da ciência espírita. Incorreria em erro quem acreditasse que fazemos da revelação de mundos desconhecidos o objeto capital da doutrina; para nós isso não constituiria senão um acessório, que julgamos útil como complemento de estudo. Para nós, o essencial será sempre o ensinamento moral, de sorte que procuramos, nas comunicações do além-túmulo, sobretudo aquilo que possa esclarecer a Humanidade e conduzi-la ao bem, único meio de lhe assegurar a felicidade neste e no outro mundo. Não se poderia dizer o mesmo dos astrônomos, que igualmente sondam os espaços, e perguntar qual seria a utilidade, para o bem da Humanidade, saberem calcular com precisão rigorosa a parábola de um astro invisível? Nem todas as ciências têm um interesse eminentemente prático; entretanto, a ninguém ocorre tratá-las com desdém, porque tudo que amplia o círculo das idéias contribui para o progresso. Dá-se o mesmo com as comunicações espíritas, ainda que escapem ao círculo acanhado da nossa personalidade.
Revista Espírita - tomo I - Allan Kardec - agosto 1858