3.7.22


 

São Muitos

São muitos os espíritos que, quando desencarnam, não conseguem adaptar-se à sua nova condição de vida, no Planeta Espiritual...
Alguns não logram se afastar da Terra o suficiente...
Outros não se afastam da cidade que habitavam e que nela insistem em continuar habitando...
Muitos outros sequer se afastam da casa que residiam, ou de seu quarto...
Um sem número deles apenas se afasta do corpo que ocupava quando ele entra em decomposição...
Em consequência, para centenas, ou milhares, de espíritos, a reencarnação acontece com maior rapidez...
Em pouco tempo, meses ou anos, voltam a reencarnar no seio da própria família consanguínea...
Para tais, o Mundo Espiritual é como se não existisse, pois que a Terra é o seu maior ponto de referência para o que compreendem seja a Vida...
Desencarnam, deixam o corpo pesado, mas não desencarnam o pensamento...
Não conseguem vencer o peso da gravidade que detém os seus corpos espirituais quase nas vizinhanças do orbe terrestre...
Alguns, por vezes, se beneficiam nas sessões mediúnicas, às quais são conduzidos por espíritos que os auxiliam...
Afirmam não terem consciência de sua própria desencarnação...
Acreditam-se vivendo ainda entre os encarnados...
Contestam os irmãos que com eles procuram dialogar, na tarefa do esclarecimento...
Voltam, repetidas vezes, até que, um dia, maior lucidez quanto ao seu desenlace os favorece e, então, se afastam...
Integram-se à Dimensão mais próxima, que é como se formasse parede-meia com a Terra...
Estes demoram-se mais tempo deste Outro Lado...
Todavia, quanto mais próximo o desencarnado se mantiver do planeta terrestre, mais depressa acontece a sua reencarnação...
Sem programação alguma...
Sem escolhas...
Reencarnam por ação mecânica da Lei...
Por esse motivo é que, com certa facilidade, se percebe em um recém-nascido ou em uma criança um pouco mais crescida os traços, físicos e psicológicos, de um familiar, ou de um amigo, que partiu...
E, não raro, o espírito, em tais condições, reencarna no corpo que se lhe oportuniza, ou seja, “mergulha” no ventre materno, sem exata consciência de que ressurgirá na condição de homem ou mulher...
Dentro desse contexto, ainda carecemos de levar em conta os que, infelizmente, desencarnam dormindo, e, deste Outro Lado, dormindo permanecem, e dormindo tornam a acordar no berço em que renascem, para, outra vez, prosseguirem dormindo por mais uma encarnação, ou duas...

INÁCIO FERREIRA Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 3 de Julho de 2022.

2.7.22


 

Remédio Eficaz

Se sofres de depressão
E padeces amargura,
A Caridade possui
O remédio que te cura.
 
Se trazes inquietação
Por dentro da própria alma,
Procura na Caridade
O remédio que te acalma.
 
Se o problema é solidão
E estranha melancolia,
A Caridade é o remédio
Que te devolve a alegria.

Se choras, caído ao chão,
Na prova que te suplanta,
A Caridade é remédio
Na força que te levanta.

Se lutas com a obsessão
Por moléstia renitente,
A Caridade é o remédio
Que te torna resistente.
 
Em qualquer situação,
No mal que não te compraz,
A Caridade será
O teu remédio eficaz.
 
Eurícledes Formiga - Blog Espiritismo em Prosa e Verso
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião da Casa Espírita “Bittencourt Sampaio”, na noite de 24 de Julho de 1991, em Uberaba – MG).

1.7.22


 

APRESENTAÇÃO DOS DESENCARNADOS

O aspecto que as entidades desencarnadas assumem perante os médiuns humanos, quando se comunicam na Terra, pode variar infinitamente.
Os Espíritos superiores, pelo domínio natural que exercem sobre as células psicossomáticas, podem adotar a apresentação que mais proveitosa se lhes afigure, com vistas à obra meritória que se propõem realizar.
Entretanto, essa maneira de intercâmbio não é a mais comum, porque, de modo geral, os desencarnados impressionam os instrumentos mediúnicos encarnados na forma em que efetivamente se encontram.
Decerto, não falta indumentária digna às criaturas que se emanciparam do vaso físico, roupagem, toda ela, confeccionada com esmero e carinho por mãos hábeis e nobres da esfera extrafísica.
Importante considerar, todavia, que os Espíritos desencarnados, mesmo os de classe inferior, guardam a faculdade de exteriorizar os fluidos plasticizantes que lhes são peculiares, espécie de aglutininas mentais com que envolvem a mente mediúnica encarnada, recursos esses nos quais plasmam, como lhes seja possível, as imagens que desejam expressar e que adquirem para as percepções do médium coloração e movimento, fazendo-o exprimir-se ou agir, em comportamento semelhante ao sujeito passivo na hipnose provocada.
Tais fenômenos, porém, são isolados e apenas se verificam entre o médium e a entidade que o influencia, sem substância na realidade prática, qual ocorre no campo das sugestões, durante a interligação mento-psíquica, entre o hipnotizado e o hipnotizador.
Surge, diante disso, uma questão curiosa: Como entender a existência de roupas, calçados e outros petrechos nas entidades desencarnadas?
Esclarece André Luiz: "A mente não comanda as moléculas de algodão do vestuário de que se serve no corpo físico, mas pode usá-las, segundo as suas necessidades no mundo.
Ocorre o mesmo no Plano Espiritual, em que nos utilizamos das possibilidades ao nosso alcance para atender a esse ou àquele imperativo de nossa apresentação.

Livro: Evolução em dois Mundos - Francisco C. Xavier/Waldo Vieira - Andre Luiz 

30.6.22

A Grande Paz

A paz é algo desejada por toda a humanidade. E é justo que assim seja.
Um mundo em paz, uma pessoa em paz, uma comunidade em paz leva-nos à verdadeira felicidade prometida por Jesus.
Acontece que chegar à paz exige certo esforço humano.
A paz individual, fomentadora das demais, é trabalho árduo e cansativo porque, invariavelmente, mesmo sem desejarmos, nos afastamos continuamente dela.
Este gesto inconsequente de afastamento da paz se dá porque temos ainda muita ação do ego nos nossos pensamentos e nas nossas decisões.
Ele é inquieto por natureza.
Ele é audaz em não nos deixar parados e serenos.
Ele é febril em atiçar tendências e ilusões.
Mas podemos vencê-lo ou, ao menos, domá-lo.
Jesus, o insigne terapeuta da humanidade, nos ensinou a calar o coração da seguinte forma: “Tendes a paz que vou dou, mas ela não é uma paz qualquer.”
A paz que Ele se referenciou é uma paz proveniente da alma e, desta forma, despojada de sentimentos de bem-querença individual que não esteja associada automaticamente ao benefício do outro.
Portanto, a paz de Jesus, imorredoura e profunda, diz respeito a algo que não está concentrado no poder das coisas terrenas, mas nos auspícios do coração humano expressados na sua espiritualidade latente.
É uma busca interior, de dentro para fora, sem escutar os apelos da vaidade, do egoísmo, da satisfação material pelo acúmulo de coisas e por aí vai.
Sem as interferências externas, centrado no seu próprio eu, é possível, pouco a pouco, se conseguir a paz interior.
Agora, após isso, num movimento contínuo e progressista, vá imediatamente ao encontro daquele que sofre ou que precisa da sua ajuda.
Este bem ao outro, creia firmemente, te dará outro tipo de paz. A paz do bem-servir é intraduzível, pois, além de aquietar o coração, despeja sobre si mesmo uma satisfação incomensurável. É como se, de alguma forma, estivéssemos nos reencontrando com o Criador.
Esta paz somente ocorrerá se nos desligarmos dos apetites externos e nos concentrarmos no pão da alma. O que realmente alimenta e sacia.
Quando assim procedemos, nossa inquietação pode ser traduzida de inconformismo com a ausência de condições de paz para os outros. Isto porque, na sociedade que vivemos, ainda irresoluta com os apelos da alma, ainda prevalece o bem de poucos em detrimento da maioria.
É com inquietação na alma que cito com contumaz frequência aquilo que presencio daqui e que vi com os olhos físicos quando estava aí.
A brutal injustiça social é gritante e aviltante aos olhos do Criador.
Parece que muitos estão anestesiados a ela como se este quadro desolador fosse assim mesmo, que é natural que exista e se estabeleça. É como se disséssemos a nós mesmos que deve existir no plano humano os pobres e miseráveis, os famintos e despossuídos.
Não é!
Este inconformismo reinante na mente e coração de alguns atrapalha a grande paz.
Sim, porque é impossível ter paz interior e ficar absorto, ausente, estagnado, insensível, ao que nos rodeia.
Devemos lutar pela paz social e busca-la, igualmente, como procuramos em exercícios de meditação, de escuta de músicas que elevam o espírito, de livros que exortam o bem-estar íntimo.
Evangelho sem ação social é ficção de pseudocrístãos.
Portanto, minha paz depende da paz de meus irmãos de caminho. Foi isto que aprendi com o Cristo e será isso que levarei a bom termo até o fim dos meus dias no plano que estou, porque a vida somente faz sentido quando entregamos nosso coração para o bem da humanidade e do cosmos.
Felicidade e paz não podem ser obtidas apenas em nível individual.
Esta é a paz proclamada pelo Cristo Jesus!
Esta é a paz que persigo e luto.
Hélder Câmara - Blog Novas Utopias