6.7.20

Melancolia

ANEDOTA ESPÍRITA CAMPEÃ

Vocês me desculpem o sorriso defunto.
Creio, no entanto, que os “mortos” também têm direito à piada – a fazer piada e a sorrir de alguma, quando de fato, ela seja inteligente.
Eu sempre gostei de uma anedota – quando encarnado, confesso, até das mais temperadas.
Se os santos têm direito a sorrir, quanto mais os pecadores, vocês não acham?! – ou serão daqueles que, sempre em cima do muro, não acham e nem desacham nada?!
Nunca, no entanto, sorri da desventura alheia.
Ao contrário, muitas vezes, chorei por conta dela – chorava sozinho, tímido, no meu canto, envergonhado de mostrar as minhas próprias lágrimas.
Ainda hoje, quando os espíritas encarnados me permitem as glândulas lacrimais, eu choro – desde que Jesus chorou por Lázaro, o irmão de Marta e Maria, o humano choro se divinizou em seus olhos!
Todavia, claro, prefiro sorrir – não por deboche! Jamais! Acontece que certas coisas, de fato, desenterram o meu bom humor.
Ultimamente, por exemplo, eu tenho dado boas gargalhadas, iguais, ao que me recordo, apenas quando a minha mãe nos levava, a mim e a minha irmã, a um espetáculo circense.
Ah, eu adorava os palhaços, que surgiam no picadeiro dando cambalhotas – mais até que os trapezistas, que, pelo medo de vê-los cair, tapando os olhos com as mãos, eu escondia o rosto no aconchegante colo de minha mãe.
Quando, mais tarde, eu me tornei espírita, por obra e graça de Modesta, e da Infinita Misericórdia do Senhor, pensei que o “sorriso espírita” fosse proibido...
À exceção dos espíritos obsessores, nenhum outro comparecia às nossas sessões mediúnicas no Sanatório dando risadas pela cara dos médiuns.
Um dia, perguntei a Modesta: - O espírita pode sorrir?! Ela me respondeu com um sorriso e, então, conclui por mim mesmo que, afinal, sorrir não era um comportamento imoral.
Odilon Fernandes, sem ser brincalhão, era um espírita alegre – ele e tantos outros que tive oportunidade de conhecer, que sempre estiveram, e estão, à frente de meus passos na caminhada.
Até onde sei, Chico adorava uma boa história hilariante – e sou testemunha de que, quando não policiado pelos “patrulheiros ideológicos”, ele também costumava contá-la... Certa vez, pedindo socorro ao Dr. Bezerra de Menezes, para o seu olho esquerdo que doía e sangrava, ele disse ao Dr. Bezerra que estava lhe pedindo auxílio não como se fosse gente, mas, sim, um animal... Ao que o inesquecível Benfeitor respondeu: - Chico, se você está me pedindo auxílio como um animal, quem você pensa que eu sou? – Ah, Dr. Bezerra – respondeu o médium –, o senhor é um veterinário de Deus!... Chico completou dizendo que o sorriso do Dr. Bezerra ecoou em toda a sua Dimensão Espiritual e... nas mais próximas!...
Mas, vamos a anedota que, nos tempos últimos, vem me arrancando boas gargalhadas – mais que engraçada, ela é engraçadíssima, quase surreal.
Não se decepcionem vocês, porque eu nunca fui um Cantinflas, nem um Chico Anysio – quem me dera possuir a verve de qualquer um desses dois, quando, em cena, valiam por um espetáculo inteiro.
Tenho certeza, no entanto, de que os internautas bem humorados, os que não vivem de mal com a vida, e, certamente, na sua atual encarnação, não estão se candidatando a uma auréola, haverão de sorrir muito comigo...
Aqui segue a anedota espírita campeã, que, para mim, merece erguer a taça no teatro de lona em que os seus contadores estão se exibindo, na expectativa do aplauso da galera:
- Eu acho engraçadíssimo os espíritas que acham que têm o poder de censurar a liberdade de expressão alheia, inclusive dos mortos, e lhes apor qualquer espécie de mordaça na boca – mordaça que nem a morte conseguiu lhes apor!...

INÁCIO FERREIRA - Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 5 de Julho de 2020.

4.7.20

TRIBUTO A KARDEC

Foste, Kardec, o grande companheiro,
O devotado irmão da Caridade,
Que te doaste a toda Humanidade,
Restaurando o Evangelho, alvissareiro...

Foste, do Cristo, o excelso mensageiro,
O embaixador sublime da Verdade,
Que por mais a descrença não se agrade,
Prossegue, tempo afora, sobranceiro...

Deus te engrandeça em todos os caminhos,
Por sobre a Terra, ou nos Celestes Ninhos,
Receba a nossa eterna gratidão...

Deus te cubra de bênçãos onde estejas,
Pela festa de luz que nos ensejas
No banquete da Fé e da Razão!...

Eurícledes Formiga - Blog Espiritismo em Prosa e Verso
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do Lar Espírita “Pedra e Paulo”, na manhã de domingo do dia 14 de Junho de 1992, em Uberaba – MG).

3.7.20

AS ÁRVORES

"E levantando ele os olhos, disse: Vejo os homens, pois os vejo como árvores que andam". (Marcos, 8: 24)
O cego de Bethsaída, retomando os dons sagrados da vista, proferiu observações de grande interesse. Sua comparação é das mais belas. O reino das árvores apresenta silenciosas mensagens aos que saibam ouví-lo.
Qual acontece no caminho das criaturas, existem árvores de todos os feitios. Vêem-se as que se cobrem apenas de ramos farfalhados à maneira dos homens palavrosos; as tortuosas, copiando os seres indecisos, ensaiando passos para o ingresso nas estradas retilíneas; as frutíferas que auxiliam carinhosamente as criaturas, não obstante os golpes e incompreensões recebidos, dando a idéia das almas santificadas, que servem ao Bem  e à Verdade no silêncio divino.
Nessa flora, como os seres ignorantes e grasseiros que ainda não chegaram a ser homens espirituais, não obstante a sua forma físca, existe igualemente as plantas invasoras e parasitárias, que não chegaram a ser árvores apesar da forma verde de suas folhas.
Quem não terá visto, alguma vez, a erva daninha, tentando sufocar a laranjeira, imitando as lutas da estrada humana?
Quem  não terá observado a trepadeira fascinante, florindo na copa de uma árvore centenária, dando a impressão de ser tão alta e de tronco tão robusto quanto ela?
Que homem não terá reconhecido o ataque das plantas minúsculas, que costumam esconder as estradas e invadir as propriedades ao abandono?
O plano dos vegetais oferece às criaturas lições de profundo valor.
Se já podes ver, como aquele cego feliz de Bethsaída, procura ser um elemento últil e digno entre as árvores que andam.

Trecho extraído do livro "Levantar e seguir" Francisco C. Xavier - Emmanuel.

Amor que Cura

2.7.20

Apresentação dos Desencarnados

Que princípios regem a apresentação dos Espíritos desencarnados aos médiuns humanos?
ANDRÉ LUIZ: O aspecto que as entidades desencarnadas assumem perante os médiuns humanos, quando se comunicam na Terra, pode variar infinitamente.
Os Espíritos Superiores, pelo domínio natural que exercem sobre as células psicossomáticas, podem adotar a apresentação que mais proveitosa se lhes afigure, com vistas à obra meritória que se propõem realizar.
Entretanto, essa maneira de intercâmbio não é a mais comum, porque, de modo geral, os desencarnados impressionam os instrumentos mediúnicos encarnados na forma em que efetivamente se encontram.
Decerto, não falta indumentária digna às criaturas que se emancipam do vaso físico, roupagem, toda ela, confeccionada com esmero e carinho por mãos hábeis e nobres da esfera extrafísica.
É importante considerar, todavia, que os Espíritos desencarnados, mesmo os classe inferior, guardam a faculdade de exteriorizar os fluidos plasticizantes que lhe são peculiares, espécie de aglutininas mentais com que envolvem a mente mediúnica encarnada, recursos esses nos quais plasmam, como lhes seja possível, as imagens que desejam expressar e que adquirem para as percepções do médium coloração e movimento, fazendo-o exprimir-se ou agir, em comportamento semelhante ao passivo comum na hipnose provocada.
Tais fenômenos, porém, são isolados e apenas se verificam entre o médium e a entidade que o influencia, sem substância na realidade prática, qual ocorre no campo das sugestões, durante a interligação mento-psíquica, entre o hipnotizado e o hipnotizador.
Como interpretaremos a existência de roupas, calçados e peças protéticas nas entidades desencarnadas se tais petrechos são inanimados, não sendo dirigidos de modo direto pela mente?
ANDRÉ LUIZ: A mente não comanda as moléculas de algodão do vestuário de que se serve no corpo físico, mas pode usá-las, segundo as suas necessidades no mundo.
Ocorre o mesmo no Plano Espiritual, em que nos utilizamos das possibilidades ao nosso alcance para atender a esse ou àquele imperativo de nossa apresentação.

LIVRO: Evolução em Dois Mundos - Francisco C Xavier - André Luiz/Waldo Vieira 

1.7.20

APENAS PARA MEDITAR

O estudioso do Espiritismo não ignora que foram os espíritos “batedores”, considerados dos últimos na Escala Espírita, que abriram caminho para que os fenômenos fossem estudados, ensejando a codificação da Doutrina.
No livro “Seara dos Médiuns”, à página intitulada “Aviso, Chegada e Entendimento”, Emmanuel, através da psicografia de Chico Xavier, escreve com beleza ímpar: “Em 1848, no vilarejo de Hydesville, inicia-se publicamente a chegada dos comandos da sobrevivência.
“Os emissários desencarnados, quais familiares há muito tempo ausentes da própria casa, alcançam a moradia terrestre, batendo freneticamente à porta”.
Estudando a biografia do abençoado medianeiro de Emmanuel, notamos que a sua conversão ao Espiritismo, ocorrida em 1927, deu-se por conta do processo obsessivo que acometeu uma das irmãs, Maria da Conceição Xavier.
Quantos outros tarefeiros do Bem e da Verdade, em diferentes épocas, não têm sido chamados ao labor por “providenciais” ingerências do mundo espiritual inferior?
Maria Modesto Cravo, médium portadora de excelentes faculdades, chegou à cidade de Sacramento, Estado de Minas Gerais, à procura do apóstolo Eurípedes Barsanulfo, assediada por espíritos que lhe subtraiam a saúde e a paz.
Yvonne do Amaral Pereira, a inesquecível co-autora de “Memórias de um Suicida”, fala das perturbações que, desde Lavras, sua terra natal, também em Minas Gerais, experimentava por ação das entidades espirituais que desejam induzi-la a colocar termo à própria vida.
Zilda Gama, a extraordinária médium de Victor Hugo, foi chamada ao exercício da mediunidade devido a doloroso calvário particular que lhe fora infligido pela ação de espíritos infelizes que, por pouco, não lhe comprometem a encarnação.
                           *                             *                         *
Onde a luz principia a brilhar é comum o adensar das trevas ao redor, no intuito de ofuscá-la. Não obstante, por mais se compactem, não mais logram que lhe destacar o esplendor!
Mas também assim nos referimos, nesta página, porque, muitas vezes, nos deparamos com certo preconceito entre os adeptos do Espiritismo em relação a espíritos que, em nome do Cristo, labutam fora de nossos arraiais doutrinários.
Particularmente – digo-lhes –, desde quando no corpo físico, fiquei a dever inestimáveis favores a seres desencarnados que, pela sua modéstia intelectual, sempre receberam o rótulo de “entidades inferiores” – em um sem-número de ocasiões, foram esses irmãos ligados às seitas afro-brasileiras que me valeram na lida contra ferrenhos e cultos perseguidores do Mais Além!
Recordo-me que, certa vez, ao se referir a determinadas atividades que são levadas a efeito nas salas de passes, nos centros espíritas, Chico Xavier destacou o ignorado trabalho das entidades encarregadas dos serviços que não competem a outras de maior elevação. Ele mesmo afirmava se valer, com relativa frequência, dos préstimos dos chamados “elementais”, quando, por exemplo, necessitava localizar um objeto ou uma página mediúnica perdida entre tantos papéis acumulados.
Antes, pois, de qualquer manifestação preconceituosa de nossa parte, no que diz respeito a nossos irmãos desencarnados de primária evolução espiritual, não olvidemos que foi a um dos habitantes mais singelos do mundo espiritual – um espírito “batedor” – que o Espírito da Verdade confiou uma das tarefas mais relevantes para que a História do Espiritismo começasse a se escrever sobre a Terra!

INÁCIO FERREIRA Blog Mediunidade na Internet