10.8.24

Confia e Serve

Esquece, coração, a turbulência
Que te golpeia os passos no caminho,
Arrimado ao bordão da paciência,
Segue varando o escuro torvelinho...
 
Recorda-te da paz do Brando Ninho
E atende à voz da própria consciência,
Que degrau a degrau, devagarinho,
Ascenderás aos céus de outra existência...
 
Suporta a provação que te procura,
Na cruz que te redime e que te apura,
Confia em Deus e serve sem temor...
 
Onde e como estiveres, não te esqueças
Que por mais sofras e por mais padeças,
Nada te arredará do Excelso Amor!...
 
Auta de Souza -Blog Espiritismo em Prosa e verso
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, no dia 20 de março de 1986, na cidade de Uberaba – MG).

9.8.24

Para onde iremos após a morte


 

Socorro e concurso

  “Quantos pães tendes?” Jesus (Marcos, 8:5.)


  Observemos que o Senhor, diante da multidão faminta, não pergunta aos companheiros: – “de quantos pães necessitamos?” mas, sim, “quantos pães tendes?”.

  A passagem denota a precaução de Jesus no sentido de alertar os discípulos para a necessidade de algo apresentar à Providência Divina como base para o socorro que suplicamos.

  Em verdade, o Mestre conseguiu alimentar milhares de pessoas, mas não prescindiu das migalhas que os apóstolos lhe ofereciam.

  O ensinamento é precioso para a nossa experiência de oração.

  Não vale rogar as concessões do Céu, alongando mãos vazias, com palavras brilhantes e comoventes, mas sim pedir a proteção de que carecemos, apresentando, em nosso favor, as possibilidades ainda que diminutas de nosso esforço próprio.

  Não adianta solicitar as bênçãos do pão imobilizando os braços no gelo da preguiça, como é de todo impróprio rogar os talentos do amor, calcinando o coração no fogo do ódio.

  Decerto, o Senhor operará maravilhas, no amparo a todos aqueles que te partilham a marcha…

  Dispensará socorro aos que amas, transformará o quadro social em que te situas e exaltará o templo doméstico em que respiras…

  Contudo, para isso, é necessário lhe ofereças os recursos que já conseguiste amontoar em ti mesmo para a extensão do progresso e para a vitória do bem.

  Não te esqueças, pois, de que no auxílio aos outros não prescindirá o Senhor do auxílio, pequenino embora, que deve encontrar em ti.

 

Livro: Palavras de Vida Eterna - Francisco C. Xavier – Emmanuel.

8.8.24

Lázaro Redivivo


 

Estados negativos da alma

Insegurança, conflito íntimo, frustrações, tristeza, desânimo, cólera, inconformidade e apreensão, com outros estados negativos da alma, espancam sutilmente o corpo físico, abrindo campo a moléstias de etiologia obscura, à força de se repetirem constantemente, dilapidando o cosmo orgânico.

Livro: Companheiro - Chico Xavier - Emmanuel 

6.8.24

Doutrina dos Espíritos


 

ADEUSES DE SAUDADE

F. MANGABEIRA (FRANCISCO Cavalcanti MANGABEIRA) *
 
Olhando a Terra envolta em sombra escura,
Fico a cismar sozinho na saudade...
O’ Galera da Vida, que procura
O teu giro na luz da imensidade?
 
5.      Vejo o assomar de cenas vis e insontes
Do palco de mim mesmo ressurgidas.
Nos brilhos festivais dos horizontes
Decifram-se mistérios de outras vidas.
 
9.       Recordo os dias tristes e risonhos...
10.   No presente, o passado entre em conflito...
      Na teia luminosa de mil sonhos,
O meu pensar desmaia no Infinito...
 
13.  Doces notas ecoam delicadas...
Há lira oculta além dos promontórios
Das nuvens de outras terras, espalhadas
Por alfombras varando espaços flóreos.
 
Vastos campos de dores e prazeres
Entreabrem-se ao mundo e aos corações.
19.    A carícia da fé embala os seres,
E as almas são repuxos de orações.
 
Em toda a parte o amor vibra e esplendora...
A vida – movimento de beleza –
Revela o eterno bem estrada afora
Em cada pulsação da Natureza.
 
Quais belos focos de esperança,
Almas libertas tomam novo alento.
Do Amor Sem Fim derrama-se a bonança...
EM tudo há melodia e encantamento...
 
Terra! Galera ao sol, luta e porfia!
Guarda contigo a Grande Humanidade!
Homens! Canta a festa da alegria,
Enquanto choro adeuses de saudade!...
 
(*) Médico, jornalista e poeta. Viveu uma existência agitada e heróica. À maneira de Luís Delfino, soube associar a Medicina à Poesia, até que a morte o colheu, em viagem, depois de servir na libertação do Acre, vítima de terrível polinevrite palustre. Agripino Grieco coloca-o entre os poetas do “nosso segundo parnasianismo”. Nélson Werneck Sodré, por outro lado, situa-o entre os poetas menores do romantismo. Tem a poesia de Francisco Mangabeira, segundo Américo de Oliveira, “eloquentíssimos êxtases passionais, e todos os sentimentos assumiram elevações verdadeiramente inéditas”  (apud A. Diniz, Francisco Mangabeira, pág. 207). Patrono, na Academia de Letras da Bahia, da cadeira nº 70. (Salvador, Bahia, 8 de fevereiro de 1879 – A bordo do paquete S. Salvador, na altura de Gapuri, entre Belém e S. Luís, 27 de janeiro de 1904.)
BIBLIOGRAFIA: Hostiário; Tragédia Épica, poema; Últimas poesias; além de inéditos.
5.      Entenda-se “Vejo o assomar de cenas vis e insontes / ressurgidas do palco de mim mesmo”.
9-13 Ler com sinérese: di/as e e/co/am. Atente-se, ainda, no hipérbato: “Doces notas ecoam delicadas...”
10.  Antítese
19.  Leia-se com hiato: fé/ em/ba/la
Livro: Antologia dos Imortais - Francisco C. Xavier e Waldo Vieira