27.2.26

AVES PEREGRINAS 📖 Romance espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Comentário Questão 803 do Livro dos Espíritos

IGUALDADE
 
Todos os homens são iguais perante Deus, bem como todos os Espíritos que habitam a criação; no entanto, é bom raciocinar que nem todos assimilam da mesma forma as bênçãos que recebem.
Cada criatura se encontra em uma faixa de vida diferente, e quem as coloca nessa diferença é o tempo. Não fomos feitos todos de uma só vez; a criação tem sua marcha, em passos sucessivos. As idades espirituais são diversas, pois Deus pára de criar e ainda continua criando mundos e sóis, almas e homens. A maturidade é gradativa. Ele doa a todos com o mesmo amor, no entanto, cada um recebe o que merece, de acordo com a sua capacidade espiritual.
O sol derrama seus raios sem verificar onde eles são úteis, visando à igualdade de tudo e de todos, porém, o Espírito elevado extrai deles o que o bruto não consegue. O primeiro tem consciência destes valores; o segundo deixa o trabalho para o instinto e só assimila o que serve para a sua vida.
As leis são feitas por Deus para todos os Seus filhos, no entanto, existem muitos destes, que já se libertaram de muitas leis, porque eles e o Pai se apresentam como uno e não precisam de leis para serem corrigidos. As leis existem para educar; depois de integrados no Pai, os Espíritos já não são escravos delas, irradiando o puro amor, sem alteração dos sentimentos. Onde essas almas se encontram, aí está o céu e Deus desprendendo bênçãos em todas as direções.
Os homens passam por muitas provações por necessitarem de corrigenda, pois são ainda violentos. As sementes por eles semeadas são de violência, por isso colhem violência, senão dos próprios homens, da natureza que os corrige. Vejamos o que colherão os homens dominados pelas paixões, em Marcos, capítulo treze, versículo oito, onde temos a fala do Divino Mestre:
Porque se levantará nação contra nação e reino contra reino. Haverá terremotos em vários lugares e também fome: estas cousas são o princípio das dores.
O plantio da violência foi feito por muitos milênios seguidos e a atmosfera espiritual do planeta se encontra carregada de maldições, fruto da desobediência às leis que foram feitas para educar as criaturas. Somente existe um progresso para educar a humanidade: a dor. Depois que passarem por esta fase de sono, quando todos despertarem para o Cristo, cessará essa idade de sofrimento, aparecendo a bonança, de modo que a humanidade entre no período da regeneração espiritual.
Todos somos iguais, e a lei da reencarnação na Terra prova essa Verdade, vestindo o Espírito de novos corpos, o quanto for necessário para o devido despertamento. Porém, nem todos precisam dela, por já terem alcançado o grau de purificação. Por esse fato, se compreenderá como se liberta de certas leis que, para uns são indispensáveis e para outros não têm mais necessidade.
É bom saber que todos os homens estão submetidos à lei da natureza, mas nem todos os Espíritos. Aonde chegou a pureza espiritual, a vida se processa em outra faixa de vida. A assimilação é bem diferente dos ignorantes, pois a desarmonia não existe no seio angélico. No entanto, é bom que se compreenda que Deus tem o mesmo amor para todas as suas criaturas.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez

26.2.26

ENDEREÇO CERTO 📖Livro Espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

DOCE PARALÍTICA

Antônio Valentim da Costa Magalhães (*)
 
(Preito de amor à irmã aprisionada no leito há trinta anos...)
Revejo-te a brilhar no fausto de outras eras...
No tronco de cetim, sob o dossel de opalas,
Gravas horrendas leis, e o povo, ao proclamá-las,
Deita pranto e suor nas provações severas...
 
Ninfa adulada e loura, em róseas primaveras,
Fragrâncias orientais suavíssimas trescalas,
E contraste, irrisão! Quando surges e falas,
Epopéias de dor em fúria transverberas...
 
Depois de longo tempo, augusta soberana,
Encontrei-te a chorar... Tristonha ruína humana,
Enferma e sem ninguém que te incense ou idolatre!
 
Mas reencarnada, assim, desditosa e esquecida,
Lavaste o coração, purificaste a vida
E fulgas qual estrela entre as sombras do catre!
 
(*) Romancista, poeta, crítico literário, teatrólogo, contista e jornalista. Bacharel pela Faculdade de Direito de S. Paulo, Valentim Magalhães advogou durante anos no Ri de Janeiro, onde foi professor de Português e, depois, de Pedagogia na Escola Normal. Diretor-fundador do celébre jornal literário – A Semana – e membro fundador da Academia Brasileira de Letras, o suave poeta de Rimário exerceu poderosa influência nos meios culturais do Pais. Colaborou em diversos diários importantes do Rio e de S. Paulo. Segundo Péricles Eugênio da Silva Ramos (Pan., III, pág. 29), foi VM um dos poetas mais representativos da poesia socialista. (Rio de Janeiro, GB, 16 de Janeiro de 1859 – Rio de Janeiro, GB, 17 de Maio de 1903.)
BIBLIOGRAFIA: Cantos e lutas; Rimário; Quadros e Contos; Horas Alegres; etc.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

25.2.26

Gravação do Estudo detalhado do livro EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS Cap. 14 da segunda parte – ABORTO CRIMINOSO


 

A Catolicidade dos Espíritas

O Espiritismo não surgiu no vácuo. Ele foi o produto de um efervescente movimento denominado Neoespiritualismo, que varreu a Europa e os Estados Unidos na metade do século XIX.
Na França, essa eclosão de fenômenos encontrou em Allan Kardec a competência necessária para transformar o caos de informações dispersas em um corpo doutrinário coeso.
Allan Kardec não apenas catalogou comunicações; ele sistematizou uma tríade que propunha, simultaneamente, uma ciência de observação e uma filosofia com profundas consequências ético-morais e religiosas.
Ao desembarcarem no Brasil ainda no século XIX, os livros seminais de Allan Kardec contagiaram a intelectualidade da época. O que se seguiu, contudo, foi um processo de aculturação.
Para que a novidade se enraizasse entre as massas — em sua maioria simples e iletradas — o Espiritismo assumiu uma marca acentuadamente cristã.
Essa inclinação para o Evangelho de Jesus foi estratégica: sem ela, a filosofia espírita provavelmente teria permanecido confinada a pequenos gabinetes de estudos e curiosidades.
1.    O Desvio de Rota: A "Igreja" Mediúnica
O problema central identificado na evolução do movimento espírita brasileiro não foi a adoção da ética cristã, mas o grau de inclinação que aproximou demasiadamente o Espiritismo do Catolicismo Romano.
O resultado foi um sincretismo de crenças e comportamentos onde a reflexão filosófica e a experimentação científica foram obscurecidas pelas práticas de caridade material, curas e receituários. Interessantes e necessárias à época, mas que não deveria ter se limitado a isso.
Neste cenário, o Espiritismo no Brasil transformou-se em uma religião que, em muitos aspectos, é um arremedo do Catolicismo. Muitos centros espíritas tornaram-se "igrejas mediúnicas", onde a ausência de discernimento entre a ética do Cristo e a teologia católica promoveu uma miscelânea de ritos.
2.    Paralelos de Forma: Práticas Metamorfoseadas
Muitos espíritas, egressos do catolicismo ou mantendo vínculos com ambas as correntes, adaptaram seus comportamentos pessoais dentro dos núcleos espíritas, criando "altares disfarçados". Essa transmutação de ritos é evidente em práticas cotidianas:
-         Água Fluidificada. Atua como um substituto direto para a "Água Benta", mantendo a percepção de um veículo para bênçãos e curas físicas;
-         O Passe. Funciona liturgicamente como a "Bênção" ou imposição de mãos clerical, substituindo a figura do padre pela do médium; e
-         Evangelho no Lar. Uma adaptação da leitura bíblica em família, focada na harmonia doméstica;
-         Invocação aos Espíritos Superiores. Representa a invocação feita aos santos católicos para sua intercessão nas necessidades cotidianas. Trocou-se um Santo Expedito, por exemplo, por um Bezerra de Menezes;
-         Calendário Litúrgico. A absorção passiva de celebrações como a Páscoa, Semana Santa, Natal e Dia de Finados, como se fizessem parte do calendário espírita original.
3.    Abismos Teológicos: Onde as Doutrinas se Separam
Apesar da semelhança externa, um confronto direto entre os princípios fundamentais revela divergências profundas e, por vezes, inconciliáveis.
A Natureza da Mediunidade
Para o Catolicismo, embora o mundo espiritual possa se manifestar, a busca ativa por contato é proibida (necromancia), sob o risco de engano por entidades demoníacas. O contato seguro é restrito à oração e intercessão dos santos.
Já para o Espiritismo, a mediunidade é uma faculdade biológica e uma lei natural. O intercâmbio é incentivado como ferramenta de progresso, consolo e estudo das leis da vida.
Unicidade da Vida x Reencarnação
O dogma católico estabelece que o homem morre uma só vez, seguindo-se o julgamento e o destino eterno (Céu, Purgatório ou Inferno).
O Espiritismo, por outro lado, vê na reencarnação a base da justiça divina: o espírito passa por múltiplas existências para reparar equívocos e evoluir até a perfeição. Não há penas eternas; os estados de sofrimento são transitórios e dependentes do esforço próprio.
A Pluralidade de Vidas nos Mundos
A teologia católica tradicionalmente focou na Terra como o palco único da Redenção.  Para o católico, a aceitação plena dessa pluralidade exigiria uma reformulação completa de sua teologia.
O Espiritismo classifica os mundos de acordo com seu adiantamento moral (primitivo, expiação e provas, regeneração, ditosos, puros).
Obsessão e Exorcismo
Ambos concordam que espíritos podem interferir negativamente na vida humana, mas divergem no diagnóstico e tratamento.
O catolicismo trata a possessão através do ritual de Exorcismo, exclusivo do sacerdote.
O Espiritismo utiliza a "desobsessão", focada na sintonia vibratória e no esclarecimento do espírito obsessor.
4.    O Espiritismo Laico: Um Movimento de Resistência
Em resposta a esse "excesso de misticismo", surgiram segmentos dentro do movimento espírita que defendem um Espiritismo laico e atualizado. Estes grupos buscam afastar o "dogmatismo" e focar estritamente na obra de Allan Kardec sob um viés racional e científico. O argumento é que, se o Espiritismo no Brasil seguisse estritamente o modelo de seu fundador ("Kardecista"), sua feição social e prática seria completamente distinta da atual.
5.    O Respeito à Individualidade de Crença
A "catolicidade" dos espíritas brasileiros é um fenômeno antropológico e sociológico compreensível, fruto da pressão de uma cultura religiosa dominante.
Neste sentido, deve-se respeitar toda manifestação particular de crença e ninguém – absolutamente ninguém – tem nada a ver com isso.
Defensor da liberdade de pensar e de expressão como valores fundamentais da condição humana, o Espiritismo deve assegurar a cada profitente o seu direito de configurar a sua fé de acordo com a sua concepção de mundo e, sobretudo, compreendendo a influência social e do atavismo neste processo de escolha.
Já não se vive mais o tempo da obrigação de se “ler na mesma cartilha”.
Já passou a época da perseguição aos diferentes com acusações de heresia, afastamento da sua comunidade e condenação pública.
Quem desejar per se misturar princípios católicos e espíritas e adaptar ao seu universo intelectual e sentimental que o faça sem qualquer constrangimento.
O respeito à "customização da fé" é um princípio aderente a alteridade que compreende a pluralidade de concepções e tenta encontrar um ponto de harmonia na convivência.
A questão não é a catolicidade dos espíritas, é a catolicidade do Espiritismo e do movimento espírita. É a transmutação deste conjunto de crenças católicas para os ambientes doutrinários com a finalidade de acomodar interesses particulares.
6.    O Incentivo ao Estudo Doutrinário
Como resolver este imbróglio?
Dois caminhos iniciais podem ser sugeridos: o incentivo ao estudo doutrinário e a busca por concepções e práticas consentâneas com estes princípios.
É imprescindível ao espírita, ao admitir-se como tal, estudar (não apenas ler) aquilo que se convencionou chamar de obras básicas da filosofia espírita para sedimentar seus conhecimentos da doutrina. Saber o que é e o que não é Espiritismo representa o primeiro passo para se apropriar desta denominação.
Consequentemente, os dirigentes dos núcleos espíritas, respeitando a diversidade, deve empreender esforços no sentido de direcionar as práticas doutrinárias para a afirmação dos princípios fundamentais do Espiritismo, aliado, naturalmente, a sua aplicabilidade moral.
A transferência passiva de outras concepções para dentro dos centros espíritas, no entanto, compromete a identidade da proposta original de Allan Kardec para as agremiações doutrinárias.
O anseio por um Espiritismo mais fiel às suas bases teóricas não pode ser adiado, sob pena de a doutrina se dissolver em um sincretismo que apaga sua contribuição original.
7.    Para Além do Purismo Doutrinário
Esta aderência prática aos princípios fundamentais da Filosofia Espirita nada tem a ver com a defesa de um puritanismo doutrinário que, muitas vezes, confunde o apego à letra do que ao seu espírito.
Primeiramente em reconhecer que o Espiritismo não representa a última palavra da verdade na Terra e que todas as outras correntes espiritualistas estejam abaixo de seu patamar de sabedoria. Nada disso.
O Espiritismo é mais um saber neste imenso leque de leitura da realidade e possui as suas próprias lentes para interpretá-la.
Ao invés de um suposto purismo teórico seria mais conveniente defender uma coerência doutrinária.
Ser coerente com o Espiritismo não se resume ao domínio intelectual das obras básicas aqui citadas, mas sim à integração entre o que professamos e como agimos nas "pequenas coisas" da vida.
A verdadeira coerência não é um exercício de memória acadêmica. Muitas vezes, o espírita conhece profundamente estes livros básicos de Allan Kardec e tantos outros, mas mantém um comportamento rígido ou arrogante.
A coerência real surge quando a lógica da doutrina se transforma em sentimento e atitude.
Um dos pilares da coerência doutrinária é o acolhimento da nossa própria humanidade.
Tentar aparentar uma santidade que ainda não possuímos representa uma hipocrisia moral. E talvez seja esta uma das razões da falência de algumas tradições religiosas.
Certamente o que seja mais saudável é reconhecer nossas imperfeições e trabalhar honestamente sobre elas, sem máscaras. Ser coerente é ser autêntico no processo de reforma íntima.
A coerência exige que a "fé raciocinada" que os espíritas pregam seja aplicada nos momentos de crise.
Se o indivíduo prega a imortalidade da alma e a justiça divina, por exemplo, mas entra em desespero profundo ou revolta diante de qualquer perda material, há uma quebra de coerência. O desafio é manter a base doutrinária como guia para as reações emocionais.
A maior prova de coerência doutrinária é a capacidade de amar e conviver.
"Não há coerência doutrinária onde não existe fraternidade legítima."
Se o conhecimento espírita não torna a pessoa mais doce, compreensiva e paciente com os "afetos" (família, amigos, colegas), esse conhecimento é apenas informação morta.
Pois é assim que se reconhece o verdadeiro espírita na acepção do sistematizador do pensamento espírita, Allan Kardec: pelo esforço que ele faz para dominar suas tendências negativas (sombra) e promover a sua transformação moral (luz).
Além dos rótulos e mais próximo da autenticidade.
Assim seja!
Para quem seja de assim seja.
Amém!
Para quem seja de amém.
Carlos Pereira  Blog de Carlos Pereira
 Referências Bibliográficas
Fontes da Doutrina Espírita
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: princípios da doutrina espírita. Tradução de Guillon Ribeiro. 93. ed. Brasília: FEB, 2013.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: ou guia dos médiuns e dos evocadores. Tradução de Guillon Ribeiro. 82. ed. Brasília: FEB, 2008.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131. ed. Brasília: FEB, 2013.
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno: ou a justiça divina segundo o espiritismo. Tradução de Manuel Justiniano Quintão. Brasília: FEB, 2010.
DUFAUX, Ermance (Espírito). Laços de afeto. Psicografado por Wanderley Oliveira. Belo Horizonte: Editora Dufaux, 2006. 248 p.
Fontes da Doutrina Católica
CATECISMO da Igreja Católica. 3. ed. Petrópolis: Vozes; São Paulo: Paulinas, Loyola, Ave-Maria, 1993.
BÍBLIA Sagrada. Tradução da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). 2. ed. Brasília: Edições CNBB, 2018.
VATICANO. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Cidade do Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2005.
Obras de Diálogo e Análise Comparativa
PIRES, J. Herculano. O Espírito e o Tempo: introdução antropológica do espiritismo. 9. ed. São Paulo: Edicel, 2005.
INCONTRI, Dora. Kardec para o século 21. Bragança Paulista: Editora Comenius, 2024. 192 p.
STOLL, Sandra Lúcia. Espiritismo à brasileira. São Paulo: Editora UNESP; Selo Negro, 2003. 296 p.
AUBRÉE, Marion; LAPLANTINE, François. A mesa, o livro e os espíritos: gênese, evolução e atualidade do espiritismo no Brasil. Tradução de Maria Isaura Pereira de Queiroz. Rio de Janeiro: Editora UNESP; Selo Negro, 2009. 352 p.
KLOPPENBURG, Boaventura. O Espiritismo no Brasil: orientação para católicos. Petrópolis: Vozes, 1995.

24.2.26

BATE PAPO COM O ALÉM 📖 Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Mensagem publicada na página 4 da Gazeta de Limeira de 24/02/2026

 A CONSTITUIÇÃO FÍSICA

A constituição física dos mundos que circulam no universo apresenta algumas diferenças, principalmente naqueles que não são da mesma idade sideral. A matéria primitiva é a mesma em todos os mundos; a maturidade é que modifica a sua composição. Podemos observar pela ciência oficial da Terra, nas suas pesquisas sobre os planetas vizinhos, que são encontrados neles, elementos que existem na Terra e, certamente, outros que escapam às sensibilidades dos instrumentos dos homens. Entretanto, os próprios cientistas revelam as diferenças na atmosfera, umas mais pesadas, outras rarefeitas, as diferenças na gravidade e a liberdade que têm os raios cósmicos, por não encontrarem a camada protetora de ozônio, de que a Terra foi merecedora, a falta de mares e de vegetação, não sendo constatada a presença dos animais. Há muitos mundos que já foram habitados e vivem em outra função que não é a de moradia para Espíritos reencarnados, entretanto, são todos iguais, por terem nascido da mesma fonte universal, por terem saído das mãos de Deus. O de que mais precisamos é do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo no coração, e que ele seja pregado em toda parte. É pura pretensão julgar que estamos com a verdade e as outras religiões e filosofias com a ilusão. Todos temos trabalhos a realizar diante de Deus e de nossa consciência. Todos somos irmãos, filhos do mesmo Pai. A perfeição ainda escapa aos nossos sentidos, mas devemos buscá-la com todo ânimo, com toda a boa vontade. O Livro dos Espíritos é um manancial onde poderemos buscar assuntos e conversar sobre as belezas da criação e das suas leis naturais. A constituição física dos mundos tem algumas diferenças, porém, tem muito mais igualdade do que diferença, desde a forma até os elementos.

Filosofia Espírita L.E.56 – João N. Maia – Miramez – Toninho Barana.

23.2.26

MONUMENTO de Carlo Bourlet Reedição dentro do programa de homenagens da FEB ao jubileu de 100 anos do Esperanto.


 

Prece por Determinação

Senhor,
Eu não sou muito de orar,
Porque, em verdade, não saberia
Nem por onde começar,
Tantos são os rogos
Que tenho a fazer-Te.
A lista das petições é grande, Senhor:
Paciência.
Compreensão.
Aceitação.
Desapego.
Renúncia.
Indulgência.
Humildade...
E por aí, vai, enchendo
Um caderno de mil folhas!
Todavia, para resumir,
Eu te pediria apenas que me auxiliasses
Na Determinação de ser melhor
Do que sou,
Na superação de mim mesmo,
Fazendo o bem ao meu alcance,
Sem dar ouvidos àqueles
Que procuram me desanimar
De seguir-Te os passos,
Hoje e para sempre!...
 
Inácio Ferreira- Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 22 de fevereiro de 2026.

22.2.26

ATITUDE DE AMOR 📖 Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

A Máscara da Sanidade

O filme A Empregada, baseado no best-seller de Freida McFadden, estabelece-se como um thriller psicológico claustrofóbico que utiliza o ambiente doméstico como um tabuleiro de xadrez emocional.
A trama acompanha Millie, uma mulher em busca de recomeço após passagens pelo sistema judiciário, que aceita trabalhar como empregada doméstica para a abastada família Winchester.
O cenário é a personificação do sonho americano: uma mansão impecável habitada por Andrew Winchester, um marido atencioso e bem-sucedido, e Nina Winchester, uma esposa cuja instabilidade emocional e comportamentos erráticos parecem tornar a vida de Andrew um fardo heroico.
A arquitetura da casa — com seu quarto no sótão que tranca apenas pelo lado de fora — serve como metáfora para a dinâmica de poder ali estabelecida.
Enquanto Millie tenta navegar pelos abusos psicológicos e pelas exigências contraditórias de Nina, ela é atraída pela figura de Andrew, que se projeta como a única âncora de sanidade naquele ambiente.
O que a narrativa propõe, entretanto, é um mergulho nas camadas da manipulação, onde a perfeição de Andrew não é um traço de caráter, mas uma armadura narcisista meticulosamente construída para ocultar uma psique predatória.
Andrew Winchester é o tipo característico do Narcisismo Grandioso. O narcisista não é apenas alguém com "muita autoestima", mas alguém que utiliza as relações interpessoais para regular seu próprio ego.
Andrew é o mestre da extroversão e do charme superficial. Ele se apresenta como o "salvador" — tanto de Nina, a quem ele supostamente protege de suas próprias crises, quanto de Millie, a quem ele oferece uma oportunidade de emprego quando ninguém mais o faria.
Essa necessidade de ser visto como moralmente superior e protetor representa a busca por suprimento narcisista.
Andrew não busca conexão real; ele busca admiração e controle. Quando o controle sobre Nina começa a vacilar ou quando ele precisa de uma nova fonte de validação, ele utiliza o gaslighting para desestabilizar a percepção da realidade das mulheres ao seu redor.
O comportamento de Andrew é funcional: ele manipula o ambiente para que todos se sintam dependentes de sua aprovação, garantindo que ele permaneça no topo da hierarquia de status daquela micro sociedade doméstica.
Se mergulhalharmos na estrutura psíquica profunda diríamos que o narcisista sofre de uma incapacidade de relacionar-se com o "Self" (o centro da totalidade psíquica).
Andrew Winchester vive inteiramente identificado com sua Persona — o papel social de marido perfeito. Ele não tem um mundo interior rico; ele tem apenas uma imagem a manter.
O narcisista, na realidade, projeta sua própria Sombra (seus impulsos sombrios, sua raiva e sua fraqueza) nos outros.
No filme, Andrew projeta toda a sua malícia e instabilidade em Nina. Ao fazer o mundo acreditar que Nina é a "louca", Andrew consegue manter sua imagem de pureza.
Esse comportamento seria a "fome narcisista": a necessidade de devorar a identidade do outro para preencher o próprio vazio existencial.
Andrew não vê Millie ou Nina como seres independentes, mas como "objetos" que devem refletir sua própria glória. Se o espelho (a mulher) se quebra ou deixa de refletir o que ele deseja, ele se torna cruel, até porque o "Ego inflado" que não tolera a frustração.
A tensão do filme atinge seu ápice quando percebemos que a "bondade" de Andrew é a forma mais refinada de abuso.
A transformação de caráter de Andrew é quase impossível, pois ele carece de empatia genuína. Ele opera em um sistema de soma zero: para que ele se sinta poderoso, as mulheres em sua vida devem se sentir pequenas, culpadas e desorientadas.
O quarto do sótão é o símbolo máximo desse narcisismo maligno. Representa o lugar onde ele isola a realidade para que possa ditar as regras.
Esta é a estratégia de manutenção de poder através do isolamento, uma tentativa do narcisista de aprisionar o outro em sua própria psique doente, impedindo que a vítima tenha qualquer visão externa que possa desmascarar a fraude do abusador.
Andrew Winchester revela um homem que é prisioneiro de sua própria grandiosidade. Sua patologia é uma ferramenta de sobrevivência social que lhe permite navegar por espaços de prestígio enquanto destrói vidas de forma privada. Andrew é incapaz de transformação porque não reconhece seu próprio vazio.
Andrew Winchester não é um vilão de thriller comum; ele é um estudo de caso sobre como o narcisismo pode ser letal quando disfarçado de virtude.
O filme nos deixa com uma lição sombria: em uma casa governada por um narcisista, a única forma de sobrevivência não é a compreensão ou o amor, mas a ruptura total com o espelho distorcido que ele oferece.
A "Empregada" não é apenas alguém que limpa a casa, mas aquela que acaba por remover os escombros de uma fachada que escondia um abismo psicológico.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Referências Bibliográficas
CAMPBELL, W. Keith; CRIST, Carolyn. A nova ciência do narcisismo: entenda um dos maiores desafios do nosso tempo e aprenda a criar relacionamentos mais saudáveis. Tradução de Marcello Borges. 1. ed. Rio de Janeiro: Alta Life, 2020.
SCHWARTZ-SALANT, Nathan. Narcisismo e transformação de caráter: a psicologia das crises de narcisismo. Tradução de Maria Silvia Mourão Netto. 11. ed. São Paulo: Cultrix, 1982.
Trailer do filme>>> https://youtu.be/lgWy4oVTZTk 

21.2.26

ZEDISMO e a Literatura A Poética de Gilberto Gil 📖Livro a venda na LER Livros Revistas Papelaria

 



Pão de Cada Dia

A Esperança, meu amigo,
É um caminho aberto em luz –
Nessa luz é que eu prossigo
Carregando a minha cruz...
 
Nada faz-me recuar,
Devo seguir sempre além,
Aprendendo a superar
As lutas que a vida tem...
 
Entre as tramas do destino,
A Esperança é que me guia,
E o seu fermento divino
É o meu pão de cada dia!...
 
Blog Esoiritismo em Prosa e Verso
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, na reunião pública do “Grupo Espírita da Prece”, na noite de 16 de janeiro de 1988, em Uberaba – MG).

20.2.26

Comentário Questão 802 do Livro dos Espíritos

APRESSAR O PROGRESSO
 
Os que pedem milagres sempre encontram fenômenos maravilhosos, no seu dia-a-dia, ou estudando a história dos povos. O maior fenômeno transcendental de todos os tempos foi a vinda de Jesus à Terra; os prodígios operados por Ele foram incontáveis, e mesmo depois que voltou para o Pai, continuou a fazê-los por toda parte. Ele mesmo disse que ninguém é profeta em sua Terra, e foi justamente ali que Ele também encontrou a incredulidade quanto a Sua procedência. Até hoje, depois de quase dois mil anos, ainda há quem negue que Ele é o Cristo que havia de vir.
Somente a Doutrina dos Espíritos veio tirar os homens dessa incredulidade, produto da ignorância. Essa é a resposta de por que Deus não apressa o progresso: não creiamos somente porque vemos, pois a crença nasce da maturidade espiritual.
Os meios de mostrar à humanidade a existência dos Espíritos, o mundo espiritual os tem. Só nos basta analisá-los e concluirmos que não adianta; usar esses recursos é perder tempo para os novos fariseus e escribas espalhados pelo mundo inteiro.
Estamos trabalhando e não paramos de nos esforçar no sentido de que os homens se esclareçam. Preparamos terreno para a maturidade das almas, pelos processos do tempo e do esforço. Eis aí o nosso instrumento, a Doutrina dos Espíritos revelando e fazendo renascer o Cristianismo original, de modo que os homens acordem à luz da verdade e reconheçam Aquele que é o caminho de todos nós, que é a verdade e a vida. Ele já se libertou de todas as leis, para se integrar no coração espiritual do próprio Criador.
Nós, na verdade, estamos vivendo os tempos de apressamento do progresso, mas, nos limites que a humanidade possa assimilar. é chegado o fim dos tempos maus, e os flagelos, as dores sem conta e as catástrofes são o apressamento do progresso, que a lei permite fazer, mas, com o intuito que Paulo nos apresenta na sua fala à Timóteo, conforme o capítulo um, versículo cinco:
Ora, o intuito da presente admoestação, visa ao amor que procede de coração puro e de consciência boa e de fé sem hipocrisia.
A pureza de coração, de consciência e de fé, nos leva a mostrar aos companheiros os ensinamentos elevados com tal simplicidade, que ajuda no amadurecimento das almas. Essas são as bênçãos de Deus que estão se derramando por todos os lados, e. o Espiritismo é um desses instrumentos de luz para clarear o mundo.
Esperamos o esforço de cada um, para que as portas se abram, porque os Anjos do Senhor estão transitando por todos os lados, mas, somente entram nos corações que abrirem as portas dos sentimentos. Todos somos portadores de luz imortal de Deus; deixemos que brilhe a nossa luz, porque somente ela nos conduzirá à felicidade.
Apressemo-nos em entender Jesus e deixemos o Cristo comandar os nossos sentimentos, de modo que o amor se transforme em diversas forças para nos mostrar a verdade, pelos canais da esperança.
Os milagres que se esperam, os maiores e os mais convincentes têm a sua fonte na própria intimidade de cada um. Ninguém vem a conhecer a verdade apenas pela ciência; ela tão somente dá notícia da sua existência. A verdade deve ser sentida.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez

ASAS DA LIBERDADE 📖 Romance espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

19.2.26

À CAMINHO DA LUZ 📖Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

DIVINO SOL

AUGUSTO Carvalho Rodrigues DOS ANJOS *
 
Noite. Retorne À Terra. Entre os aflitos
Que a luta impele aos últimos degraus,
Sinto a perturbação que envolve o caos
10     E a exalação de todos os detritos.
 
Entre o mundo e meu pranto, a sós, vagueio,
Na torva indagação que me constringe.
A vida é aterradora e imensa esfinge
No horror que me tortura de permeio.
 
Ao coro estranho de sinistros ventos,
Ergue-se a angústia num milhão de vozes...
Do choro mudo a imprecações ferozes,
Há turbilhões de trágicos lamentos.
 
Paixões embatem com medonha fúria.
O fel da provação verte sem peias...
O homem é como alguém que abrindo as veias
Tenta fugir debalde à carne espúria.
 
Em toda a parte, a dor comprime o cerco,
E os que dormem, quais míseros cativos,
Assemelham-se a tristes morto-vivos,
Agonizando em túmulos de esterco.
 
Acorrentada entre os horrendos muros
Dos seus próprios grilhões imanifestos,
A Humanidade escuta os vãos protestos
Dos sonhos que morreram nascituros...
 
Mas, dissipando a sombra por rompê-la,
Na gleba que de lodo se engalana,
Como sinal de Deus na furna humana,
28     Surge sublime e resplendente estrela.
 
Há nova luz de amor que tudo invade.
E percebo, no pântano entrevisto,
Que a redenção virá, brilhando em Cristo,
Ante o Divino Sol da caridade.
     (*) Bacharelando-se em Direito, na cidade do Recife, três anos depois transfere-se Augusto dos Anjos para o Rio de Janeiro, onde permanece por dois anos, lecionando na Escola Normal e no Colégio Pedro II. Muda-se posteriormente para Leopoldina, Minas, tornando-se abnegado diretor do Grupo Escolar “Ribeiro Junqueira”, até à desencarnação. Cognominado o “Poeta da Morte” por Antônio Torres, emparelha-se com Antero Quental, como sendo poeta filósofo do mais alto nível. Os temas científicos encontraram em AA “o seu grande explorador”, segundo a expressão usada por Darcy Damasceno (In A Lit. no Brasil, III, t. 1, pág. 388). Apesar do pessimismo empedernido do poeta paraibano, salienta Fernando Góes (Pan., V, pág.64) que “ em muitos passos de sua obra áspera e amarga há traços de um grande espiritualismo”. (Engenhos Pau d’Arco, perto da Vila do Espírito Santo, Paraíba, 20 de Abril de 1884 – Leopoldina, Minas Gerais, 12 de Novembro de 1914.)
    BIBLIOGRAFIA: eu; eu e outras poesias.
4. Observa-se a semelhança desta estância com a primeira de “As Cismas do Destino” (Eu e Outras Poesias, pág. 67), que vamos  transcrever na íntegra:
“Recife. Ponte Buarque de Macedo.
Eu, indo em direção à casa do Agra,
Assombrado com a minha sombra magra,
Pensava no destino e tinha medo!”
28. Atente-se na aliteração em s.
61. Ei-lo, o doente... Cf. a nota 3-4, pág.110.
A respeito do metro deste verso em que a 6ª sílaba tônica recai no que cf. o 1º verso do soneto “Solitário”: “Como um fantasma que se refugia”; o 10º verso de “O Lamento das Coisas”: “Da transcendência que se não realiza...”, etc.
70-71. horrenda – hirta. Não raro, freqüentavam o vocabulário do poeta estas palavras. Cf. “Os Doentes” – VII, VIII e IX; “ Noite de visionário”;  “Apóstrofe à Carne”; “Louvor à Unidade”; etc.
73. Aposiopese: “E’ o parto novo...”
76. abdômen: “ a rima abdômen é, do ponto de vista orto-épico, camônico, imperfeita. Mas em verdade revela que, embora requintado em muitos aspectos de sua pronúncia, Augusto do Anjos se deixaria levar de certas tendências populares. A pronúncia canônica, aliás, de abdômen é práticamente inexistente, salvo nas situações tensas de cátedra, oratório ou teatro culto requintado.” (Nota de Antônio Houaiss – N. Cl., nº. 46, da pág. 21.)
82. E’ ainda de M. Cavalcanti Proença que vamos citar uma estatística: “No Monólogo de uma sombra, de Augusto dos Anjos, 55 entre 186 decassílabos (30%) são acentuados na 6ª sílaba, que é a tônica do proparoxítono.” (Ritmos e Poesias, Págs. 80-81.) Nos 88 decassílabos que ora estudamos, o poeta, que por este ritmo tem acentuado parentesco com Cesário Verde, ostentou 16 vocábulos proparoxítonas acentuados na 6ª  sílaba (18%).
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

18.2.26

Gravação do Estudo detalhado do livro EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS


 



A Urgência da Alteridade

No início dos anos dois mil, tive conhecimento de uma palavra e, consequentemente, de um conceito que me chamou a atenção: alteridade.
A partir daí, comecei a estudar sobre o assunto e a me surpreender com o tanto de substância que aquele conceito trazia. Com o tempo, por causa da explosão da internet e da possibilidade de acesso a uma pluralidade enorme de opiniões, entendi não apenas a pertinência, mas, sobretudo, a urgência que o tema possui no mundo contemporâneo.
Percebi que sem ela, sem criarmos e exercitarmos a ética da alteridade, estaremos todos nós condenados às lutas políticas sem fim; às matanças das guerras; ao caos civilizatório; ao conflito destruidor da humanidade.
Esta conclusão a que chego não é exagero.
Tomarei como exemplo didático para abordar o tema da alteridade o debate realizado pelo Podcast 3 Irmãos, entre o pastor Henrique Vieira e Ben Mendes, o qual reproduzo abaixo. Se possível, assista o vídeo e depois continue a ler o que vem a seguir.
https://youtu.be/sr625nLTwFc 
1.     Conceito de alteridade
Alteridade (do latim alter: o outro) é a capacidade de reconhecer, respeitar e acolher o "outro" em sua diferença, sem tentar reduzi-lo a si mesmo ou invalidar a sua existência.
Embora a discussão sobre o "outro" exista desde a Grécia Antiga, foi o filósofo lituano-francês Emmanuel Levinas (1906–1995) quem colocou a alteridade como o centro da filosofia, elevando a Ética ao status de "Filosofia Primeira" (acima da Metafísica).
Para Levinas, a alteridade não é apenas uma característica; é a essência do Outro que individualmente nunca ninguém poderia capturar ou compreender totalmente.
A relação de alteridade para Levinas é assimétrica, haja vista que impõe obrigações para com o outro sem esperar nada em troca. O outro será sempre superior a cada um no sentido de que sua existência impõe um limite ao egoísmo que carregamos.
Outros filósofos avançaram na reflexão sobre alteridade, desde o existencialismo até a fenomenologia.
Martin Buber (Áustria, 1878-1965) propôs a existência de duas formas fundamentais de nos relacionarmos com o mundo: (1) o Eu-Isso, quando tratamos o outro como uma coisa, uma ferramenta ou um objeto de análise; e (2) o Eu-Tu, quando ocorre a relação de diálogo verdadeiro, onde reconhecemos a alteridade total do outro. Para Buber, Deus é o "Tu Eterno" que encontramos através das nossas relações com os outros seres humanos.
Para Jean-Paul Sartre (França, 1905-1980), a alteridade é marcada pelo conflito. Ele argumenta que o olhar do outro nos transforma em objeto, roubando a liberdade plena. É dele a famosa citação: "O inferno são os outros". Isso significa que a presença do outro (a alteridade) nos obriga a nos vermos através de olhos alheios, o que gera uma tensão constante entre o "Eu" e o "Outro".
Mikhail Bakhtin (Rússia, 1895-1975) focou o conceito de alteridade na linguagem. Para ele, a consciência humana é essencialmente dialógica. Só passamos a ter consciência de nós mesmos através da interação com a alteridade. Eu preciso do olhar e da palavra do outro para completar a minha própria identidade.
Simone de Beauvoir (França, 1908-1986) aplica o conceito de alteridade para explicar a opressão feminina. Ela argumenta que o homem se colocou como o "Sujeito" (o Absoluto), enquanto a mulher foi definida como o "Outro" (o Relativo). Ela demonstra como a sociedade pode usar a alteridade para marginalizar grupos, transformando a "diferença" em "inferioridade".
2.     Aplicando o conceito de alteridade no debate
O debate revelou um contraste profundo entre duas posturas: uma que utiliza a diferença como ferramenta de exclusão e outra que a utiliza como ponte para a comunhão.
Na fala de Ben Mendes, observa-se uma resistência em reconhecer a legitimidade da identidade e da fé de Henrique Vieira. A alteridade é substituída pelo dogmatismo, onde o "outro" só é aceitável se enquadrado nos critérios de verdade do "eu".
A partir daí, o debate descamba em mostrar o que representa a ausência da ética da alteridade nas relações. Vejamos algumas citações que denotam isto:
"Não dá nem pra te chamar de pastor" e "Além de herege, eu digo que você é desonesto teologicamente".
Nesta citação, Ben Mendes desumaniza e rotula quem pensa diferente dele. Nega a identidade ministerial de Henrique Vieira, utilizando termos como "anátema" e "herege". Ao fazer isso, ele retira do oponente o direito de ser reconhecido como par no diálogo.
"Muitos estão naquela condição sim porque não querem o trabalho. Preferem ficar em uma situação onde pessoas com a mentalidade do Henrique fomentam a estadia dessas pessoas lá".
Ben Mendes, nesta citação, trata as pessoas em situação de rua com profunda falta de empatia. O "outro" (o pobre) é visto como alguém que "escolhe" o sofrimento, ignorando as complexidades estruturais que o definem.
Ao contrário desta postura permanente de anulação do outro, como se inimigo fosse, o pastor Henrique Vieira conclamava em todo o debate a necessidade de respeito ao outro e a tentativa de construção de uma relação de paz na diferença.
Henrique Vieira personifica a alteridade ao defender que a diferença não é um obstáculo, mas um valor democrático e cristão. Sua fala busca construir "pontes" em vez de "muros".
"O meu oponente hoje, eu reconheço nele dignidade. Eu reconheço nele cidadania. Eu reconheço nele o direito de expressar a sua fé e as suas posições políticas".
Mesmo sob ataque, Henrique Vieira reafirma a humanidade e o direito de fala de Mendes, praticando a alteridade no sentido mais estrito: reconhecer no oponente um igual em dignidade.
“Eu fui lá num ato de ponte de diálogo para dizer isso aqui é legítimo... transformando muros de preconceito em pontes de comunhão" e "Eu não fui lá tolerar eu fui lá aprender com a cultura com a espiritualidade com a religiosidade".
Lição de alteridade religiosa e racial do pastor. Henrique Vieira defende as religiões de matriz africana, reconhecendo nelas uma "sacralidade" que muitos de seu próprio grupo negam. Ele se desloca de sua posição de "pastor cristão" para aprender com o "outro" religioso.
"Eu sou um homem cheio de contradições e limites... eu não tenho todas as respostas".
Ao admitir suas próprias falhas, Henrique Vieira se coloca no mesmo nível que qualquer outra pessoa, evitando a postura de superioridade moral que impede a alteridade.
O debate ilustra o embate entre a identidade exclusivista (Ben Mendes), onde o "outro" é um erro a ser corrigido ou um perigo a ser combatido; e identidade pluralista (Henrique Vieira), onde o "outro" é um mistério a ser respeitado e um irmão a ser amado.
Em um, a alteridade é inexistente porque a diferença é vista como desonestidade ou heresia. No outro, a alteridade é o fio condutor, permitindo que o diálogo ocorra mesmo em meio a divergências teológicas e políticas profundas. O "outro" é um mistério a ser respeitado e um irmão a ser amado.
Henrique Vieira resume essa análise ao afirmar que o país precisa de um ambiente onde as pessoas de quem ele discorda não sejam vistas como "indignas da minha saudação ou do meu olhar", o que é a essência do conceito de alteridade.
3.     A alteridade nos arraiais espíritas
Como aprendizes da convivência fraterna e harmoniosa, nós espíritas, intramuros, ainda carecemos muito de sermos alteritários.
Dizemo-nos defensores da liberdade de expressão, do livre-pensar, como pressupõe toda boa ciência e filosofia, mas nossas posturas ao longo do tempo, com exceções – é claro, tem sido de rechaço e perseguição, onde pensar fora do establishment é motivo de afastamento sutil do “herege” (possivelmente para não contaminar as ovelhas) e acusação, não raro, de obsessão grave.
Na realidade, ressoam inconscientemente velhos comportamentos do passado de repressão às normas estabelecidas e se edita um novo “Index Prohibitorum”, de livros, de exposições, de pessoas, de ideias.
Na contramão deste raciocínio, surgiu há mais de vinte anos uma literatura espírita que colocou a alteridade na ordem do dia.
Pelas mãos do médium Wanderley Oliveira, o espírito Ermance Dufaux, em obediência à solicitação do espírito Adolfo Bezerra de Menezes, começou a dar tintas mais significativas ao tema convidando a todos a praticarem a ética da alteridade nos mais diversos flancos.
Para Ermance Dufaux, a alteridade não é apenas "tolerar" o próximo, mas um exercício profundo de descentramento do ego. Ela explica que a maior barreira para a alteridade é o orgulho, que nos faz querer que o outro pense, sinta e aja conforme os nossos próprios valores.
A alteridade surge quando paramos de projetar nossas necessidades e sombras no outro. Seria a capacidade de permitir que o outro seja quem ele é, sem o julgamento punitivo que tenta "moldá-lo" à nossa imagem.
Um dos pontos centrais na obra de Ermance Dufaux é o respeito ao grau evolutivo e ao ritmo de cada espírito. Ela trabalha a ideia de que cada pessoa possui um "mapa" emocional e espiritual diferente:
"O respeito à individualidade alheia é o teste supremo da nossa própria harmonia. Quem não aceita o outro como ele é, ainda não aprendeu a aceitar a si mesmo em suas próprias limitações."
A alteridade implica reconhecer que o outro tem o direito de errar e de estar em um estágio de aprendizado diferente do nosso, sem que isso o torne inferior.
Ermance Dufaux propõe que a verdadeira fraternidade exige uma escuta empática, que é uma ferramenta prática da alteridade.
Escutar o outro não é apenas ouvir palavras, mas sintonizar com a dor e a história que o outro carrega. A alteridade, aqui, manifesta-se no silêncio do julgamento para que a voz do próximo possa ecoar.
"A caridade de ouvir é talvez uma das maiores expressões de amor que podemos oferecer, pois nela doamos o tempo e o espaço de nossa alma para que o outro possa existir diante de nós."
Ermance Dufaux alerta frequentemente sobre as relações doentias de dependência emocional (simbiose). Para ela, a alteridade é o antídoto para esses vínculos.
Enquanto na simbiose eu "anulo" o outro ou me deixo anular, na alteridade há o reconhecimento de duas consciências distintas e autônomas.
Amar com alteridade, segundo a Ermance, é amar com liberdade. É o "amor-liberdade" em contraposição ao "amor-posse".
Ermance sugere que não devemos buscar uma perfeição utópica na convivência, mas uma fraternidade possível.
Reconhecer os limites do próximo e não exigir dele uma virtude que ele ainda não possui.
Se eu exijo que o outro seja perfeito para que eu o ame, estou amando o meu ideal de perfeição, e não a pessoa real. A alteridade é o amor pelo ser real, não pelo ideal.
4.     A alteridade em Allan Kardec
A fase de transição planetária que tanto é citada no meio espírita não se fará sem o embate de antigos com novos modelos civilizatórios. A travessia de uma fase para outra se caracterizaria, como previu o sistematizador do pensamento espírita, Allan Kardec, pelo choque de ideias.
Allan Kardec era por excelência um ser alteritário em seus valores.
Lembremos, oportunamente, algumas das suas citações nesta direção:
-       "Pelo choque das ideias é que se desprende a luz." (Revista Espírita, julho de 1864, no artigo "Autoridade da Doutrina Espírita").
-       "As contradições, aliás, nem sempre são tão reais quanto parecem. [...] O meio de se chegar à verdade é o de se analisar todas as opiniões, de se comparar as razões pró e contra, e de se não decidir senão quando a lógica e o bom senso tenham pronunciado o seu veredito." (O Livro dos Espíritos, Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, item VII).
-       "A divergência de opiniões não deve jamais alterar os sentimentos de fraternidade, nem ser um pretexto para o azedume; se não nos podemos entender sobre certos pontos, entendamo-nos sobre os princípios fundamentais que devem ser o laço comum." (Revista Espírita, fevereiro de 1866).
-       "A união não consiste na uniformidade absoluta de pensamentos, o que é impossível, mas na concordância dos sentimentos morais."  (O Livro dos Médiuns, Cap. XXIX, item 334).
Allan Kardec propunha um "choque de ideias" produtivo baseado nos seguintes pilares: (1) Universalidade. Se uma ideia é verdadeira, ela resistirá ao choque e será confirmada em múltiplos lugares; (2) Lógica. O argumento deve passar pelo crivo da razão, independentemente da autoridade de quem o profere; e (3) Fraternidade. Pode-se discordar da ideia sem atacar o indivíduo, exercício prático de alteridade.
5.     A urgência da alteridade
Parecia que os espíritos já sabiam – e creio que sim – do que estava por vir para a humanidade e inseriu a pauta da alteridade como prioritária para efetivamente se construir um mundo regenerado.
Uma civilização evoluída se alicerça na busca da convergência de interesses na diversidade e não na anulação dos contrários.
Aquele que se denomina espírita – e mais, espírita cristão – deve estar em consonância com os ensinamentos dos Espíritos Superiores e com Jesus.
Neste sentido, é razoável admitir que pode até existir alteridade sem amor, mas jamais existirá amor sem alteridade.
Não edificaremos um mundo justo, igual e fraterno sem reconhecemos o outro, ouvirmos empaticamente o outro, procurarmos entender o outro (sem necessariamente concordar com ele), e buscarmos sinceramente a convergência no que seja possível avançar, entendendo que ali estarão dois irmãos que apenas pensam diferente.
Hélder Câmara pregava que “se diverges de mim, tu me enriqueces”.
Paulo Freire ensinava que "ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo."
Maria Modesto Cravo defende que “divergir sempre, deixar de amar jamais”.
É o que penso por ora, meu irmão!
Posso estar equivocado em meus pensamentos e argumentos. Talvez 10% do que escrevi. 30%...50%...ou mais.
É o meu lado de percepção da realidade das coisas e do que aprendi até o momento na minha trajetória evolutiva de espírito imortal que está apenas no abc da eternidade.
Desse modo, se o que expresso não bate com a sua visão de mundo, peço a sua alteridade em ler este artigo.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
 
Referências
1. Debate e Referências Contemporâneas
MENDES, Ben; VIEIRA, Henrique. Política e Religião: Debate sobre fundamentalismo e justiça social. YouTube, 2026.
MÍDIA NINJA. Henrique Vieira expõe o fundamentalismo da extrema-direita. Canal Mídia Ninja, YouTube, 2026.
2. Filosofia e Conceitos de Alteridade
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Tradução de Paulo Bezerra. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003. (Original publicado em 1979).
BEAUVOIR, Simone de. O Segundo Sexo. Tradução de Sérgio Milliet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009. (Original publicado em 1949).
BUBER, Martin. Eu e Tu. Tradução de Newton Aquiles Von Zuben. 10. ed. São Paulo: Centauro, 2001. (Original publicado em 1923).
LEVINAS, Emmanuel. Totalidade e Infinito. Tradução de José Pinto Ribeiro. Lisboa: Edições 70, 1988. (Original publicado em 1961).
SARTRE, Jean-Paul. O Ser e o Nada: ensaio de ontologia fenomenológica. Tradução de Paulo Perdigão. 13. ed. Petrópolis: Vozes, 2005. (Original publicado em 1943).
3. Literatura Espírita e Psicológica
DUFAUX, Ermance (Espírito). Escutando Sentimentos. Psicografado por Wanderley Oliveira. Belo Horizonte: Editora Dufaux, 2004.
DUFAUX, Ermance (Espírito). Merecer ser Feliz. Psicografado por Wanderley Oliveira. Belo Horizonte: Editora Dufaux, 2002.
DUFAUX, Ermance (Espírito). Reforma Íntima sem Martírio. Psicografado por Wanderley Oliveira. Belo Horizonte: Editora Dufaux, 2001.
Para quem desejar aprofundar sobre o tema, sugiro assistir a série "A Urgência da Alteridade" que fiz com Alexandra Torres:
https://youtu.be/ihTU-rrNBfI

17.2.26

O APRENDIZ DO EVANGELHO 📖Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Mensagem publicada na página 4 da Gazeta de Limeira em 17.02.2026

 

MUNDOS HABITADOS

Dependendo da forma de vida sobre a qual queiramos saber, ela existe em todo lugar! Tudo que saiu das mãos do Criador esplende vida; no entanto, em se tratando de vida física, com as aparências da que existe na Terra, a resposta toma outras direções. Nem todos são habitados, por seres humanos, por formas visíveis. Alguns mundos são desabitados, mas teremos a ventura de constatar mundos habitados por seres com aparência idêntica à dos companheiros da Terra, uns mais adiantados, outros mais atrasados. É bom que salientemos que não existe algo inútil no seio da criação, pois, se Deus é a Inteligência Suprema, como iria fazer coisas sem proveito? O homem se encontra ansioso para conhecer outros mundos, e o prêmio dos esforços consecutivos será as próprias descobertas. Cada Espírito é um universo em miniatura e as leis de fora são as mesmas de dentro das almas. Basta sejam estudadas e respeitadas, para que a luz se faça nos caminhos das criaturas. O que existe fora, existe dentro; o que está no alto está no baixo. Muitos insistem, perguntam e estudam, as prováveis vindas de seres superiores à Terra, por veículos siderais, e mesmo nos perguntam se são prováveis essas visitas. Respondemos que sim, com toda a certeza. No entanto, é necessário o preparo, e o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo é a melhor cartilha para tal empreendimento. Podes trocar experiências com irmãos de outros mundos, essa é a lei, mas, é bom te conscientizares do que deves fazer dessas experiências assimiladas dos companheiros de pátrias mais elevadas que a tua. E quando alcançares igualmente outros mundos, que estejas preparado para levar a mensagem da fraternidade nas linhas do amor.

Filosofia Espírita L.E.55 – João N. Maia – Miramez – Toninho Barana.

16.2.26

UM VERMELHO ENCARNADO NO CÉU Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Drogas – Problema de Base

No Sanatório Espírita de Uberaba era comum que familiares fossem levar algum de seus entes queridos a fim de se tratar do vício das drogas – comumente, pais ou avós internando o filho ou o neto.
Imaginavam, em maioria, que o problema fosse de ordem obsessiva, ou seja: ação dos desencarnados sobre o encarnado, induzindo-o ao consumo de drogas – à época, no que tange ao vício, o álcool e a cannabis eram as drogas de uso mais corriqueiro.
Conversando conosco, solicitavam, inclusive, que um trabalho de desobsessão fosse feito, com o propósito de que o obsessor, no singular ou no plural, fosse afastado, crendo, ainda, que pudéssemos fazê-lo como em um passe de mágica.
Habitualmente, os que chegavam para tratamento no Sanatório já estavam em situação complicada também no campo da saúde física e/ou mental.
Contudo, observávamos que, praticamente, quase em todos os casos de semelhante dependência tinha no lar, ou na educação, a sua base de origem.
Pais que, ignorando as questões da Reencarnação e da lei de Causa e Efeito, pensavam que os seus filhos fossem espíritos de superior elevação, sem qualquer desvio de caráter ou que o valha.
E, sendo assim, na infância e na adolescência, os havia relegado a certo esquecimento no que tange à disciplina necessária, com o intuito de desenvolverem hábitos novos.
Não se interessavam pelos seus estudos na escola, não os vigiavam na escolha dos companheiros, não os fazia sequer com que arrumassem os seus quartos, quando se levantassem...
E por aí vai.
Sobretudo, quando adolescentes, ou entrando na fase adulta, não necessitassem trabalhar para aprenderem, às suas custas, a ganhar o pão de cada dia.
Não vamos aqui mencionar outras causas, como, por exemplo, os constantes conflitos domésticos que os filhos, então menores, eram constrangidos a assistirem ao vivo.
Em síntese, como dizia Chico Xavier, eles, os filhos e netos carecendo internação, devido aos vícios, às vezes, de muito tempo, não haviam recebido de seus tutores a indispensável cota de amor de que todos necessitamos.
Há quem seja contrário à disciplina imposta aos menores, esquecidos de que disciplina, igualmente, é uma forma de amor. Ninguém ama menos o filho ou o neto porque, desde quando possível, os conduza a trabalho digno.
A facilidade, unida ao tempo ocioso, é péssima educadora.
Na atualidade, com tantos e tantos, no mundo todo, se entregando às drogas, cada uma mais viciante e destruidora que outra, não temos dúvida em afirmar, e reafirmar, que o seu problema de base – inclusive para os que as traficam – é o ambiente doméstico – o lar!...
INÁCIO FERREIRA - Blog Mediunidade na Internet

15.2.26

AQUELES QUE AMAM 📖 Romance espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Meu Coração é do Povo

A minha presença no carnaval de Pernambuco este ano é saudosa. Lembraram de mim e me puseram como centro das atenções no famoso bloco do Galo da Madrugada.
Quem sou eu para tamanha honraria.
Fizeram-me peça central de maneira inesperada e surpreendente: puseram o meu coração, simbolicamente, no galo gigante.
Que atenção honrosa, mas devo dizer que não mereço tanto a não ser se toda esta homenagem vier acompanhada de outro reconhecimento: Helder era um entre milhares.
Sim, eu represento um entre tantos que trabalham diuturnamente para fazer um mundo melhor.
Há os que se tornam conhecidos, como eu, mas a grande maioria dos trabalhadores da paz e do bem está numa condição anônima.
São pais e mães que atuam na educação de seus filhos para que eles se tornem gente de bem.
São professores que, além de ensinar as letras oficiais, transferem valores que marcarão para toda a vida aquelas crianças.
São padres e pastores, diversos religiosos, que dedicam as suas vidas ao próximo, qual fez o nosso senhor Jesus Cristo, e tomam o rebanho para si em louvor ao Cristo crucificado.
São políticos sérios que dedicam as suas vidas na promoção do bem comum, lutando para criar boas leis ou administrar bem as suas cidades.
São todos aqueles que se despem do seu egoísmo para pensar na humanidade, representada numa multidão, num pequeno grupo ou mesmo em apenas uma pessoa.
O que eles possuem em comum?
Um coração dedicado ao amor a todas as criaturas, seus irmãos de caminho.
Um coração que trasborda sabedoria e paz.
Um coração que é de todos.
Neste momento em que o mundo possui tantas guerras a se resolver...
Nesta quadra em que ainda não conseguimos eliminar o problema da fome e da miséria...
Nesta fase da humanidade onde o dinheiro e o materialismo ainda ditam a ordem das coisas...
Tenho a dizer que precisamos, mais e mais, de corações que estejam a serviço do outro sem condicionamentos e sem esperar nada em troca.
A todos, neste carnaval e na vida diária, quero desejar que este simbolismo trazido pelo artista do meu coração estampado ou transmutado para o galo maior possa lembrar justamente esta necessidade de fazermos o bem sem olhar a quem.
Bem-aventurados os misericordiosos, dizia nosso mestre Jesus de Nazaré.
Bem-aventurados aqueles que possuem os corações puros, igualmente.
Tudo isto quer dizer ou lembrar o Nosso Senhor que as mudanças de verdade, as mudanças profundas, para que elas efetivamente aconteçam, começam e se estabelecem no coração do ser humano.
Que a lembrança feita seja estímulo para a mudança individual e da humanidade.
Meu coração pertence a Deus, nosso Pai Maior.
Meu coração, da mesma maneira, é de propriedade de nosso senhor Jesus Cristo.
Mas, neste carnaval, porém, como aliás aconteceu em toda a minha vida quando estava mais perto de vocês, meu coração, se sou padre e padre de verdade, é do povo de Deus.
Brinquem em paz, meus queridos!
Helder Camara - Blog Novas Utopias

14.2.26

ESTUDANDO NOSSO LAR 📖Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Médiuns, Irmãos

De toda definição,
Que se lhe possa pedir,
Transcendendo a própria ação,
Mediunidade é servir.
Formiga
*
Médium que muito duvida
Da tarefa em que se faz,
Da própria mediunidade
Esperava um pouco mais.
Maria Modesto
*
O médium que não se esforça
Com mais trabalho e estudo,
Sempre permanece à espera
Que os espíritos façam tudo.
Alceu Novais
*
Quem trabalha com Jesus
Ao longo de seus caminhos,
Há de colher muitas flores,
Mas, também muitos espinhos.
Domingas
*
É uma linha muito tênue,
À mais arguta visão,
Que em alguns médiuns separa
Mediunidade e obsessão.
Fausto De Vito
*
Todo candidato a médium
Sem pensar que se desdoura,
Sempre começa a servir
No cabo de uma vassoura.
Inácio Ferreira
*
Um perigo para o médium
É quando se crendo arauto,
Troca a botinha matéria
Por botinha “salto alto”.
Rufina
 
Diversos Autores/Baccelli - Blog Espiritismo em Prosa e Verso
Lar Espírita “Pedro e Paulo”
Uberaba – MG, 8-2-2026.

13.2.26

AROMATERAPIA - MAGIA DOS AROMAS 📖 Livro a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Jeito de Foliar

Festa popular invade as ruas do meu Brasil.
Que maravilha ver tanta gente fantasiada, cheia de alegria, a cantar, a dançar, a amar.
O carnaval é festa popular das mais interessantes porque faz o ser humano extravasar as coisas negativas que enferrujam o seu organismo e a sua mente. É uma verdadeira lavagem mental e espiritual.
A alegria do povo pernambucano, em particular, que tive a oportunidade de vivenciar de perto, é coisa contagiante. Já me referi outras vezes que a minha vontade como bispo era sair no meio do povo para dizer da alegria de viver. Pelo menos é assim que vejo o carnaval. Que festa bonita e colorida. Festa do povo em geral. Ricos e pobres se encontram na mesma praça, cantando e dançando a mesma música. É uma forma de socializar a alegria.
Eu não posso me responsabilizar aqui é com os excessos. E não posso me associar aqui com os que aproveitam a festa popular para roubar, agredir, exagerar na dose. Dose em todos os sentidos. Isto não é carnaval, isto é desvario.
Como é importante separar uma coisa da outra. Escrevo isso porque creio que não devo censurar algo que faz parte da alma do povo brasileiro. É uma expressão livre da vontade em querer brincar, brincar saudavelmente.
O que acontece é que pedaços expressivos da população aproveitam para se esbaldarem. Estes não são carnavalescos, são desnutridos de bom senso e, muitas vezes, de autoestima. Escondem-se numa fantasia qualquer ou exageram nos sentidos humanos para locupletar o seu vazio interior ou sua falta de amor-próprio.
O problema, portanto, não é do carnaval, mas do que fazem com o carnaval.
Não posso aqui ser ingênuo do complexo de coisas que ocorre durante esta festa popular. Trabalho, diuturnamente, no lado espiritual da festa, em diminuir os efeitos dos equívocos cometidos por parte das pessoas que não são brincantes, são “brigantes”.
É lastimável também ver o estado febril que a bebida provoca e o acoplamento dos espíritos sobre todos aqueles que aproveitam o momento para se deliciar nos prazeres da carne.
É este o carnaval que os homens conseguiram produzir por enquanto. O que hei de fazer, condenar? Jamais. Não vou tirar o excesso pela essência.
Como não posso falar de bem dos blocos líricos que vi passar todos os anos na porta das Fronteiras?
Como não devo expressar a beleza das escolas de samba que apresentam um verdadeiro espetáculo cultural para as nossas lentes visuais?
O ponto de equilíbrio, quero crer, um dia o homem saberá dar. Enquanto isto não acontece, vamos aperfeiçoando, pouco a pouco, o jeito de foliar.
Educando para evitar os danos que podem perdurar pelo resto da vida.
Orientando para evitar tomar decisões precipitadas.
Acolhendo os desequilibrados no corpo e no espírito.
Neste carnaval, como na vida toda, deixe a alegria passar e brinque no bloco do amor e da fraternidade.
Evoé!
Helder Câmara – Blog Novas Utopias

12.2.26

JESUS E (É) VIDA 📖DVD espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Comentário Questão 802 do Livro dos Espíritos

APRESSAR O PROGRESSO
 
Os que pedem milagres sempre encontram fenômenos maravilhosos, no seu dia-a-dia, ou estudando a história dos povos. O maior fenômeno transcendental de todos os tempos foi a vinda de Jesus à Terra; os prodígios operados por Ele foram incontáveis, e mesmo depois que voltou para o Pai, continuou a fazê-los por toda parte. Ele mesmo disse que ninguém é profeta em sua Terra, e foi justamente ali que Ele também encontrou a incredulidade quanto a Sua procedência. Até hoje, depois de quase dois mil anos, ainda há quem negue que Ele é o Cristo que havia de vir.
Somente a Doutrina dos Espíritos veio tirar os homens dessa incredulidade, produto da ignorância. Essa é a resposta de por que Deus não apressa o progresso: não creiamos somente porque vemos, pois a crença nasce da maturidade espiritual.
Os meios de mostrar à humanidade a existência dos Espíritos, o mundo espiritual os tem. Só nos basta analisá-los e concluirmos que não adianta; usar esses recursos é perder tempo para os novos fariseus e escribas espalhados pelo mundo inteiro.
Estamos trabalhando e não paramos de nos esforçar no sentido de que os homens se esclareçam. Preparamos terreno para a maturidade das almas, pelos processos do tempo e do esforço. Eis aí o nosso instrumento, a Doutrina dos Espíritos revelando e fazendo renascer o Cristianismo original, de modo que os homens acordem à luz da verdade e reconheçam Aquele que é o caminho de todos nós, que é a verdade e a vida. Ele já se libertou de todas as leis, para se integrar no coração espiritual do próprio Criador.
Nós, na verdade, estamos vivendo os tempos de apressamento do progresso, mas, nos limites que a humanidade possa assimilar. é chegado o fim dos tempos maus, e os flagelos, as dores sem conta e as catástrofes são o apressamento do progresso, que a lei permite fazer, mas, com o intuito que Paulo nos apresenta na sua fala à Timóteo, conforme o capítulo um, versículo cinco:
Ora, o intuito da presente admoestação, visa ao amor que procede de coração puro e de consciência boa e de fé sem hipocrisia.
A pureza de coração, de consciência e de fé, nos leva a mostrar aos companheiros os ensinamentos elevados com tal simplicidade, que ajuda no amadurecimento das almas. Essas são as bênçãos de Deus que estão se derramando por todos os lados, e. o Espiritismo é um desses instrumentos de luz para clarear o mundo.
Esperamos o esforço de cada um, para que as portas se abram, porque os Anjos do Senhor estão transitando por todos os lados, mas, somente entram nos corações que abrirem as portas dos sentimentos. Todos somos portadores de luz imortal de Deus; deixemos que brilhe a nossa luz, porque somente ela nos conduzirá à felicidade.
Apressemo-nos em entender Jesus e deixemos o Cristo comandar os nossos sentimentos, de modo que o amor se transforme em diversas forças para nos mostrar a verdade, pelos canais da esperança.
Os milagres que se esperam, os maiores e os mais convincentes têm a sua fonte na própria intimidade de cada um. Ninguém vem a conhecer a verdade apenas pela ciência; ela tão somente dá notícia da sua existência. A verdade deve ser sentida.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez

11.2.26

Gravação do Estudo detalhado do livro EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS estudo detalhado de NOSSO LAR


 

DIVIDE

AUTA DE SOUZA*
 
Não somos simplesmente os bens da vida...
Deus reparte a bondade com grandeza.
O próprio pão que te enriquece a mesa
É mensagem da terra dividida.
 
Fita a glória solar fremindo acesa,
A fonte que ao repouso te convida
E as flores que se entregam sem medida,
No coração de luz da Natureza...
 
Divide assim também do que te sobre.
O celeiro do bem nunca está pobre,
Inda que singeleza nele brade.
 
82  A prece, o bolo, o caldo, o leite e a veste
São dividendos para o Lar Celeste,
No tesouro de amor da eternidade...
_____________________
(*)《Poetisa de grande emoção religiosa》, no dizer de Afrânio Peixoto, órfã de pai e mãe, AS, desde cedo, enfrentou o mar de provações redentoras, no qual vogou por toda a sua curta vida física. Educada no Estado de Pernambuco, amargou uma existência de acerbos sofrimentos. 《Sua vida》- di-lo Hostílio Montenegro - 《foi uma coroa de espinhos atada com a tuberculose.》 Seu livro Horto (1899) traz um prefácio de Olavo Bilac, no qual o poeta, após dizer que o volume 《vem revelar uma poetisa de raro merecimento》, faz esta ressalva: 《não há nas estrofes do Horto o labor pertinaz de um artista.》 《 Talento e sensibilidade》 – observa Domingos Carvalho da Silva (Vozes Fem. da poesia Brás., pág. 25) - 《Não faltaram à triste moça tísica do Nordeste, que cometeu todavia, o equívoco irreparável de fixar os olhos brilhantes em Lamartine, quando já brilhava a estrela de Mallarmé e Verlaine.》(Maracaiba, Rio Grande do Norte, 12 de Setembro de 1876 – Natal. Rio Grande do Norte, 7 de Fevereiro de 1901.)
BIBLIOGRAFIA: Horto. A 3ª edição, Rio de Janeiro, 1936, é prefaciada por Alceu Amoroso Lima.
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25-32. Ler com hiato:  so/fre e/ er/ra;
                                  De/ que o /ho/mem.
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39. Leia-se to/da a/ ho/ra, em três sílabas.
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62. Cf. a nota n° 39 deste capítulo.
__________________________
82. Observe-se a enumeração.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

10.2.26

APRENDENDO A VIVER 📖 Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Mensagem publicada na página 04 da Gazeta de Limeira de 10.02.2026

 FONTE UNIVERSAL

Somos todos filhos do mesmo Pai, Deus, única força reconhecidamente livre e poderosa, que criou e assiste todas as coisas geradas no Seu seio. Ninguém vive à parte do Criador. Se alguma alma fosse desligada da fonte universal, ela pereceria, porque vivemos e nos alimentamos nela. As variações de raças que existem não impedem a nossa irmandade e nos favorecem, por constatarmos a grande inteligência d'Aquele que nos fez. Além da afinidade com os nossos semelhantes, a palavra irmão não se aplica somente no reino dos homens; ela avança e domina todos os reinos da natureza. E saindo da faixa em que vivem, os homens podem regalar-se, por serem, igualmente irmãos dos anjos, agentes divinos do Senhor, que trabalham e alimentam a vida em todas as direções do infinito. Deus colocou a gema da vida vibrando em cada criatura, com a perfeição das Suas próprias mãos. No esquema divino ninguém está perto ou longe; todos estamos na eternidade juntos, vivendo e desfrutando da vida do grande Foco Universal, como filhos da Luz. A separação nos traz a carência e o egoísmo nos atrofia, o orgulho nos cega, e o ódio nos faz esquecer a esperança no futuro. Precisamos e temos necessidade de viver juntos, e desse encontro com os nossos semelhantes, se processa uma troca de experiência, que abre nossos caminhos ao alcance da paz. Somente a ignorância induz a criatura à separação. A vida exterior é de grande importância para todos nós, onde quer que estejamos na escala de ascensão, todavia, se não passarmos pelos caminhos interiores, cheios de obstáculos e carregados de espinhos, não vamos ter olhos para ver o belo na feição do todo. Devemos repetir, quantas vezes nos convier, que todos somos irmãos em Cristo, filhos de Deus.

Filosofia Espírita L.E.54 – João N. Maia – Miramez – Toninho Barana