30.9.26

GUERRA E PAZ

JOSÉ de Abreu ALBANO *
 
Soldado após a rígida campanha,
Guardando as palmas de ilusória lida,
Marchei de peito arfante e face erguida,
Crendo-me herói de olímpica façanha.
 
Mas, varando os umbrais da morte estranha,
Revivi, descontente, a própria vida,
E, muito embora os louros da acolhida,
Senti-me verme alçado na montanha.
 
Alma tocada de arrependimento,
Desperdiçara, em vão, força e cultura,
Qual chama entregue ao temporal violento.
 
Assim, entre a ventura e a desventura,
Sou rei na guerra de cruel tormento,
E mendigo de paz na sorte escura.
 
(*) depois de estudar no Stonyhust College, em Blackburn, Inglaterra, e bem assim na Áustria e na França, regressa José Albano da Europa e faz preparatórios no Liceu do Ceará. Em 1908, volta a Europa a serviço do Consulado Brasileiro, em Londres. Viaja, depois, por diversos países, inclusive a Grécia, Turquia, Palestina, Egito e Espanha, onde publica suas Rimas. No ano seguinte transfere-se definitivamente para a França, onde desencarnou. Dele, disse Mário de Alencar.
(apud Pan. V, pág. 220): «Conversando, sentia-se-lhe o orgulho, gerado por desdém e descontentamento dos homens e das coisas, do meio e do tempo. Criticava a todos e a tudo... » Vernaculista e poliglota, «era um gênio atribulado pela obsessão do perfeito». «Inquieto até o delírio, » – frisa a Ant. Cearense, pág. 254 – «impeliam-no na vida os mais desencontrados sentimentos e paixões. » (Fortaleza, Ceará, 12 de Abril de 1882 – Montauban (Tarn-et-Garone), França, 11 de Julho de l923.)
BIBLIOGRAFIA: Rimas de José Albano, Redondilhas; idem, Alegoria; idem, Canção a Camões; idem, Ode à Língua Portuguesa; Four-Sonnets by Joseph Albano with Portuguese Prosc-Translation; etc.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

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