18.6.26
Comentário Questão 816 do Livro dos Espíritos
O rico certamente tem melhores chances de prestar serviços ao próximo, de fazer a mais bela caridade que se possa praticar, que é aquela de oportunizar ao pobre a ganhar o seu sustento, para viver feliz com a sua família. No entanto, é o que não faz a maior parte dos ricos; uns são obrigados a fazê-lo porque dependem do trabalho daqueles, e não multiplicam seus bens sem os braços dos chamados miseráveis.
Com a riqueza, as suas necessidades materiais crescem e eles gastam o que não deveriam em viagens pouco úteis a lugares que os atraem, inspirados na vaidade e mesmo no orgulho. Assim, vão embrutecendo cada vez mais seu sentimento de caridade, que deveria ser exercitado com aqueles que os ajudam a ganhar a fortuna. Enquanto gastam milhões em jornadas para conhecer outros povos, seus assalariados passam fome, frio e, por vezes, não têm teto, nem os seus filhos têm escolas. É certo que muitos vieram com a provação da pobreza, mas o que é desperdiçado poderia amenizar seus sofrimentos.
Quando o rico se lembra da caridade, ele exige, muitas vezes, tanta coisa das pessoas e das casas de caridade, que esfriam esse sentimento no coração. Não sabe o rico que a riqueza e a alta posição que ela traz é porta para o despenhadeiro das imundícies morais, o incentivo para a negação de tributos e o endurecimento do coração para com a sociedade submissa, que o ajuda a viver na fartura.
O mau rico nunca quer saber das coisas espirituais. Acha que o dinheiro faz tudo e oferta, por vezes, alguma coisa para as instituições religiosas, como porta para a salvação, sem saber que não é por esse meio que se salva e, sim, pela caridade que não desfigura o amor. Somente pode se salvar, se aplicar a auto-disciplina, reformando os velhos sentimentos das paixões inferiores, quando apagar o orgulho e o egoísmo, quando a renúncia atingir seu coração, de modo a levá-lo a administrar seus bens sem ser apegado a eles.
Jesus, o dono de tudo, o dirigente do planeta, disse: "O filho do homem não tem uma pedra para reclinar a cabeça". O rico do mundo tem em suas mãos inúmeros meios de fazer o bem, mas faz, quase sempre, o mal com o ouro que possui.
A riqueza e o poder podem dar origem a todo o tipo de paixões inferiores, desvirtuando os mais elevados sentimentos. Ricos, deveríeis falar qual Francisco de Assis, ante a lembrança do Cristo:
- "Senhor, que quereis que eu faça?" Em seguida, abrir os ouvidos para escutar a resposta do Mestre e passar a viver o que Ele diz no Evangelho da vida; fazer a caridade e praticar o amor, aquele que emana de Deus, nosso Pai.
Se é difícil um rico entrar no reino do céu, o pobre não tem facilidade também, porque a todos os dois falta maturidade espiritual. Somente conhecendo a verdade pode-se ser livre, de modo que a consciência fique imperturbável para sempre. E para conhecermos o Espírito livre, Lucas registrou a fala do Mestre, no capítulo doze, versículo vinte e nove:
Não andeis, pois, a indagar o que haveis de comer ou beber, e não vos entregueis a inquietações.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez
17.6.26
EU SÓ
23 Eu só e o surdo mundo...
O leito me veste em branco.
As cadeiras repousam em branco.
As paredes estão levantadas em branco,
Sustentando o teto parado, em branco.
As janelas talhadas em branco
Deixam passar o vento gárrulo e brincalhão,
Que desliza sem cor.
As cortinas, parecendo longas mãos brancas,
Engastadas nos braços rijos da porta,
Acenam adeus, em branco.
34 Eu só e o surdo mundo...
Quero fitar os rostos que me cercam,
Mas vejo apenas semblantes graves,
Semelhantes a camafeus de cobre em placas de alumínio.
Quero gritar o terror do desconhecido,
Mas a boca foi trancada pelas chaves da névoa muito branca
Que me envolve de todo...
Falam somente em mim as grossas gotas brancas
Que me rolam da face.
Eu mudo e o surdo mundo...
Depois de muitas horas de expectativa em branco,
45 na vazante branca em que ainda respiro,
surge a enchente das sombras.
Tudo crepeia em torno...
Céus! Não sou Deus
Que traduz a noite em poema de estrelas,
Nem pirilampo humilde que acende a lanterninha lucilante...
Eu cego e o surdo mundo...
52 Levanto-me, tateio, choro, clamo, esmagado pelas mós invisíveis da escuridão,
Por muito tempo...
De improviso, porém, nova luz rasga as trevas, e os fotônios,
Que me atingem as pupilas cansadas, dizem-me sem palavras
Para que me aquiete, anunciando, por fim
Que Deus é meu pai
E que a Vida é minha mãe,
Guardando-me nos braços, para sempre, para sempre!
23-24. Observem-se, versos mais abaixo, as variantes do ante canto – “Eu só e o surdo mundo”.
45. Digno de nota o gosto obsessivo do poeta pelo vocábulo “branco”, chegando a praticar, quase, a batologia.
52. Atente-se na dinamização expressiva dada pelo assíndeto.
(*) Contista, romancista, e poeta do grupo dos <<novíssimos>>,, cursava o 5º ano da Faculdade de Direito de S. Paulo, quando desencarnou. Nos últimos tempos de ginásio, colaborava com jornais de Itápolis. Depois encetou a publicação de poesias e contos nos periódicos Álvares de Azevedo, Tribuna Liberal, XI de Agosto, etc. Orador oficial da Associação Acadêmica <<Álvares de Azevedo>>, aos 19 anos já <<era o representante intelectual do corpo discente da Faculdade>> (apud Xangô e ..., pág. 12). Em 1936, foi eleito presidente da referida Associação Acadêmica. Redigiu, com Osmar Pimentel e Mário da Silva Brito, a folha universitária Anhanguerra. Participou do movimento intelectual da <<Bandeira>>,chefiado por Cassiano Ricardo e Menotti del Picchia. Membro da Academia de Letras da Faculdade.Ulisses Guimarães (apud Dic. Aut. Paul., pág. 469) disse que ele <<foi um lírico, como tal eminentemente subjetivo>>. <<Seus poemas,>> - escreveu Dulce Salles Cunha ( Auut. Contemp. Brasileiros, pág.229) - <<em geral muito pessoais, são quase todos isentos de senões,>> (Itajobi, Est.S.Paulo, 21 de agosto de 1916 –S.Paulo, Est.de S. Paulo, 23 de Dezembro de 1937.)
BIBLIOGRAFIA: Xangô e Outros Poemas, obra póstuma.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira
16.6.26
Mensagem publicada na página 06 da Gazeta de Limeira de 16.06.2026
O INSTINTO EM MARCHA
O instinto é uma inteligência rudimentar sem a conquista do raciocínio, é um atributo do Espírito em marcha para a perfeição. No animal ele é o primeiro clarão da alma, esforçando-se para chegar às condições do humano. Como é infinita a ascensão, ele não para de buscar e nesta busca encontra as inúmeras possibilidades do despertamento das suas qualidades. Dificilmente poderemos constatar onde termina o instinto e começa a razão. Esses dois valores se confundem e se aprimoram no decorrer da vida, em busca de Deus. A razão se desperta no homem, numa gradação quase imperceptível. O homem primitivo é quase igual ao animal, mas, com possibilidades de começar a surgir em si ideias, de maneira a melhorar as suas próprias condições de vida. Daí, partem outras qualidades que até então fazem parte do desconhecido. Aquele a quem se chama de santo, gênio ou místico já se entrega à intuição divina, e é por isso que ele acerta mais que o homem comum. É de se notar que Deus está presente em toda a parte. Ele criou leis, de maneira que elas possam vigiar onde vibram na mais perfeita harmonia de vida. O modo que podemos entender até agora é este: todos somos filhos de Deus com as mesmas possibilidades e os mesmos preitos, por herança divina, porém, para os homens, se movendo em plena razão, a vida mostra que devem se esforçar para conquistar, por serem filhos adultos que já sabem o que fazer. Não nos esqueçamos de Jesus porque, para nós, Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Passando por Ele, encontraremos com mais segurança, Deus. E com Jesus, o instinto se transforma com mais fulgor, em dons mais aprimorados.
Filosofia Espírita L.E.73 – João N. Maia – Miramez – Toninho Barana.
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