5.11.26

A HISTÓRIA DE JONAS Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Comentário Questão 832 do Livro dos Espíritos

HOMENS BONS
 
Em todas as épocas existem homens bons, mesmo entre aqueles que tinham escravos, pois a própria lei permitia a escravidão entre os homens. Todavia, existiam senhores que maltratavam seus escravos e os vendiam como animais de carga e, por vezes, em piores condições. Faltava-lhes a humanidade para com os seus irmãos, filhos do mesmo Deus de bondade e de amor.
Sabemos também que a escravidão em todo o mundo era um processo de despertamento das criaturas e, se nada se faz sem a permissão de Deus, ela teve algo de útil para os cativos.
Não podemos esquecer ainda que havia a alforria para os escravos e, em muitos casos, muitos deles não queriam ser livres porque, no caso em questão, eles iriam sofrer mais. A sociedade não compreendia que o escravo poderia ter liberdade e, na verdade, mesmo não existindo escravidão, como nos dias que correm, continuava a existir a escravidão à discriminação racial e social.
As diferenças sociais sempre existiram em todos os países, no entanto, é bom saber que o respeito, onde o mundo é superior, é que garante a paz e todos se sentem felizes nas posições que ocupam.
A lei que determinava a escravidão, não mandava violentar o escravo; isso acontecia por livre arbítrio dos homens maldosos. Nós sempre, bem o sabemos, respondemos pelos nossos feitos. Há uma lei que se chama justiça, que cobra ceitil por ceitil, o que pesa sobre os ombros dos faltosos, para que esses aprendam a amar, reconhecendo que todos somos filhos do mesmo pai.
As lições na Terra são irremovíveis, em todos os sentidos do existir, desde a mínima partícula da matéria, até os acúmulos dos mundos. Eles se fazem e desfazem, e cada vez mais se expressam com mais brilho na sua intimidade. é da lei que nada pára; tudo cresce, o homem é que fica parado.
O homem bom e inteligente que sempre existiu, que direcionou sua sabedoria para o amor, é o Espírito mais velho na contagem sideral e que já recolheu experiência nos caminhos da Verdade. Esses homens mesmos, nascidos em épocas em que existiam a escravidão, a inquisição e, recuando mais, as cruzadas foram pessoas boas, que se comportavam bem diante de todas as situações, ante os seus irmãos cativos e mesmo prisioneiros de guerras. Não podemos deixar de mencionar que esses cativos e prisioneiros, quase todos eles, eram de má índole; se não o fossem, não receberiam as provações que vivenciaram.
Se somente recebemos o que merecemos, a própria escravidão foi merecimento dos que a sofreram, entretanto, o tempo, escoando o carma coletivo, nos mostra os fardos mais leves e os jugos mais suaves, de maneira que desapareceram, por lei e por evolução, as cruzadas, as inquisições e a escravidão, que continuaram a existir somente por dentro das criaturas. Essa guerra de dentro, somente o próprio Espírito pode vencer, fazendo despertar o Cristo no coração.
O bom entendedor reconhece em Jesus e na sua herança para a humanidade, o Evangelho que veio mostrar a força poderosa para a verdadeira libertação espiritual. Mesmo sendo escravos de qualquer posição, no nosso íntimo poderemos ser livres em Cristo. Precisamos meditar muito, estudar mais e nos transformarmos bastante intimamente, para que possamos compreender as leis de Deus e obedecer a elas, porque de outra forma não alcançaremos a felicidade.
Qualquer escravo somente se torna livre conhecendo a Verdade.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez

4.11.26

NOVAS MENSAGENS de Luiz Sérgio Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

HISTÓRIA DO AMOR

Artur Gonçalves De Sales*
 
Pede a ostra colada à pedra em que se escalva :
– “Ajuda-me, Senhor! Sou larva triste e feia!...”
Nisso, o mergulhador pisa o lençol de areia,
Qual fulmíneo titã, no abismo verde-malva.
 
Pensa, encantada, a pobre: – “Eis alguém que me salva..."
O homem, contudo, ataca e a mísera baqueia.
Depois, sofre, na tona, o facão que a golpeia,
Fere, insulta, escarnece e lanha, valva em valva.
 
Mas, em vez de revolta, a vítima indefesa
Oferta-lhe, ao cair, por troféu de beleza,
A pérola que brilha entre os arpões e os rascos...
 
Essa é a história do amor que se alteia, sublime ;
Inda mesmo a sangrar, sob a injúria do crime,
Beija e enriquece as mãos dos seus próprios carrascos.
 
(*) Depois de ter assentado praça no 9º Batalhão de Infantaria e tentado matricular-se na Escola Militar, no Rio de Janeiro, Artur de Sales voltou a Salvador, onde, em 1905, recebeu o diploma de aluno-mestre, da Escola Normal. Exerceu o magistério primário «em aprendizados agrícolas». Foi um dos fundadores da Academia de Letras da Bahia, aí ocupando a cadeira nº. 8. A obra poética de AS, a princípio simbolista, passou depois a ser concebida parnasianamente. Suas poesias, em geral abrangendo temas populares, revelam-lhe o grande interesse pelas coisas do mar. Considerado «admirável plástico do verso» por Jackson de Figueiredo, foi ainda Artur de Sales, na expressão de Eugênio Gomes, um «ébrio de Shakespeare», traduzindo-lhe, em versos alexandrinos, a peça Macbeth. (Cais Dourado, Salvador, Bahia, 7 de Março de 1879 – Salvador, 27 de Junho de 1952.)
BIBLIOGRAFIA: Poesias (1901-1915) ; Poemas Regionais; etc.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

3.11.26

HERDEIROS DO NOVO MUNDO Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Cuidar-se

A patroa pede ao menino, seu criado, que lhe faça um cafuné nas costas. Está cansada, um dia dolorido, muitas preocupações e nada como um momento de relaxamento.
Após o carinho do pequeno, eis que lhe dá a vontade de dormir. Sonhos chegam a sua mente. Onde estaria naquele lugar? O que se passa com ela? Não conhece quem quer que seja por ali.
No sonho se vê em pé olhando para um espelho. Se enxerga naquela imagem, mas descobre que há algo de diferente nela. Suas feições são as mesmas, mas muita coisa ao seu redor parece diferente. Não sabe explicar bem, mas aquela era ela de uma forma jamais vista.
Ela se viu por completa naquele espelho. Ele refletia tão somente as projeções de sua alma, algo que não conseguira ver pelos olhos físicos. 
Uma aura distorcida, meio embranquecida, um tanto pegajosa, não era agradável ver aquilo. De outro modo, partes de seu corpo mostravam-se igualmente escurecidas, como a lhe dizer: “cuide de mim, cuide de mim”.
Ela de pronto se recorda de muitos fatos da vida. Alguns, proveitosos. Outros, mais distantes, menos agradáveis. Um nó na garganta e uma dor no coração lhe aprisionaram àquelas imagens.
Dor é o que sentia. Dor na alma e parecia que doía mais que as dores físicas. Tinha consciência, naquele momento, que não estava se vendo num espelho real, ou melhor, num espelho material. Era como se visse translucidamente, transparentemente, um auto reconhecimento. 
Chorou. Chorou copiosamente no sonho. O que estava fazendo com a sua vida? O que estava lhe atormentando tanto que ela não percebia? Ou pelo menos não queria perceber?
De pronto, retorna ao corpo. Descobre-se molhada de suor. Um leve trêmito e uma angústia no coração. Teria aquele sonho sido um aviso? Pusera-se a pensar.
No dia seguinte, após recuperada do impacto inicial daquele sonho revelador, Maria Alice tomou uma decisão, segundo ela a decisão da sua vida: não iria mais se preocupar tanto com a vida dos outros, bastava a dela, que já tinha muito para observar. Ela iria cuidar dela mesma a partir daquele momento. Não achou isto um golpe de egoísmo, tratava-se de dar um tempo maior a si mesma, a sua vida que escoava de suas mãos todos os dias.
Cuidar de si mesma, eis a decisão magnânima de Maria Alice. E você, cuida carinhosamente da sua vida?
Meus pais, em vida física, sempre depositaram muita confiança em mim. Diziam que eu era um menino próspero, inteligente, que saberia me arrumar na vida. Acreditei nisso e durante muito tempo investi em mim. Hoje, aqui no lugar dos espíritos, continuo a investir o meu tempo nos bens mais preciosos que posso ter: a minha formação moral.
Todos os dias aprendo um pouco mais. Exerço sobre mim o cuidado de aprender nos mínimos detalhes, nas oportunidades que a vida me dá. Por isso, sou imensamente feliz e grato. Feliz por ter estas oportunidades à mão e grato por tudo que o Deus Pai nos concede gratuitamente.
Se você ainda não despertou para cuidar carinhosamente de você, pare um pouco e reflita sobre isso. Não prego aqui o abandono da solidariedade, o que trato nestas linhas é que se não dermos atenção primeiramente a nós mesmos estaremos condenados a sermos infelizes, porque até para fazer o outro melhor, nós necessitamos estar melhores.
Cuide-se, cuide-se com carinho e a vida também haverá de lhe tratar da mesma maneira.
Um abraço,
Joaquim Nabuco – Blog Reflexões de um Imortal.