5.3.26

BIANCA, CLARA, KARINA Livro Espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

DON GIL MENDONÇA

José Júlio da Silva Ramos*
 
Do castelo feudal que o vento forte enrija,
Brame Dom Gil Mendonça, em subida almenara :
– “Agasalho a ninguém!...” – Ressoa a voz preclara,
De florão a florão, de cornija a cornija.
 
Sempre à noite, há quem chore e beije a pedra rija.
– “E’ a neve!... Abra Dom Gil!...” – Cada rogo dispara
E assopra anseio e dor nos brasões de Carrara,
Sem que o dono feroz se comova ou transija.
 
Certo dia, no entanto, ouvem-se augúrios de algo...
Surge uma sombra leve e procura o fidalgo
Que, em vão, se estorce e ruge à porta que não cerra.
 
– “Que bandido me assalta?” – exclama, braço em riste,
Mas o vulto era a morte, e a morte, calma e triste,
Acomoda Dom Gil numa fossa de terra.
 
(*) Emérito professor de Português do Colégio Pedro II, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira nº. 37, prosador primoroso e poeta lírico de profunda inspiração, Silva Ramos fêz o curso de Direito na Universidade de Coimbra. Filólogo dos mais eminentes, soube influenciar espíritos de escol quais Antenor Nascentes, Manuel Bandeira e Sousa da Silveira. Colaborou em diversas publicações, como A Semana, Revista da Academia Brasileira de Letras, Renascença, etc. «A magnanimidade de Silva Ramos» – disse Alcântara Machado – «é atestada não por este ou aquele capítulo, mas por todas as páginas da sua existência. » (Recife, Pernambuco, 6 de Março de 1853 – Rio de Janeiro, GB, 16 de Dezembro de 1930.)
BIBLIOGRAFIA: Adejos; Pela Vida Fora; A Reforma Ortográfica; Centenário de João de Deus, conferência ; etc.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

4.3.26

Gravação do Estudo detalhado do livro EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS Cap. 15 da segunda parte – Passe Magnético


 

Vencendo a Guerra Interior

Eclode, uma vez mais, um conflito de grandes proporções que abala a paz mundial, protagonizado pelos Estados Unidos, Irã e Israel, com ramificações para outros países do Oriente Médio e com a possibilidade de ganhar o mundo inteiro, em decorrência das suas consequências econômicas.
O tabuleiro da geopolítica mundial sempre foi instável devido aos interesses de poder envolvidos onde cada ator internacional deseja prevalecer a sua ambição de domínio. Algumas destas guerras são históricas e se reproduzem em formatos diferentes, mas mantendo a mesma essência da sua origem.
Esperar que a diplomacia e o bom senso sejam os reais vencedores destes conflitos internacionais e certamente orar para apascentar os ânimos e influências, materiais e espirituais, pode ser algo que cada um possa fazer à distância no afã de ver novamente reinar a paz entre estas nações.
Há outro tipo de guerra, porém, que pretendo explorar adiante e esta o embate não é exterior, pelo contrário, ela se desenvolve no íntimo e tal qual a guerra armada, é de difícil solução, mas plenamente possível vencê-la.
A busca pelo autoaperfeiçoamento é, muitas vezes, descrita também em termos militares: uma luta contra os vícios, uma batalha contra o ego ou uma guerra contra a própria sombra.
Essa abordagem beligerante, no entanto, frequentemente resulta em exaustão e repressão, em vez de uma mudança real e profunda.
Para vencer essa guerra interior, é preciso transcender a visão punitiva e adotar uma perspectiva de integração.
Muitos buscadores espirituais e indivíduos em processos terapêuticos caem na armadilha do perfeccionismo moral, um estado em que o desejo de ser "bom" atropela a necessidade de ser "verdadeiro".
Ermance Dufaux alerta que a tentativa de extirpar o "velho homem" à força gera o martírio — um estado de culpa paralisante e punição severa que pouco contribui para a evolução real da alma.
Na Psicologia Analítica, esse processo está intimamente ligado ao conceito de Sombra, que representa tudo aquilo que negamos em nós mesmos: impulsos, desejos inaceitáveis e fraquezas que não se encaixam na imagem idealizada que temos de nós.
Quando tentamos vencer a guerra interior através da mera repressão, estamos apenas empurrando a Sombra para o inconsciente, onde ela ganha força e autonomia. Como afirmava Carl Jung, "o que você resiste, persiste".
A reforma íntima, portanto, não deve ser um processo de eliminação, mas de integração, onde vencer a guerra não significa aniquilar o "inimigo" interno, mas transformá-lo em um aliado por meio do reconhecimento e da aceitação consciente.
O sistema de autoconhecimento conhecido como Pathwork oferece uma estrutura complementar para entender essa dinâmica ao dividir a psique em três níveis: a Máscara, o Eu Inferior e o Eu Superior.
A Máscara é a face que mostramos ao mundo para obter aprovação e evitar a dor, enquanto o Eu Inferior é a sede da negatividade, do egoísmo e das defesas destrutivas. O conflito, ou a guerra, surge quando a Máscara tenta esconder o Eu Inferior para convencer o indivíduo de que ele já atingiu o Eu Superior.
Ermance Dufaux denomina esse fenômeno de "maquiagem espiritual".
Vencer esse conflito exige a coragem de atravessar a Máscara e encarar as distorções do Eu Inferior sem julgamento cruel, mas com uma honestidade radical. A proposta central dela é a substituição da culpa pela responsabilidade; enquanto a culpa é uma forma de vaidade ferida, a responsabilidade é o motor da mudança.
“A reforma íntima é um processo de educação e não de punição, pois o espírito não cresce sob o chicote da censura, mas sob o sol da compreensão”, defende Ermance Dufaux.
Para vencer a guerra, é necessário adotar o que tanto a psicologia profunda quanto o Pathwork chamam de Observador Imparcial. Trata-se de uma instância da consciência que observa as falhas sem se identificar com elas.
Quando deixamos de nos chicotear por sentir raiva ou medo, retiramos o combustível que alimenta esses sentimentos, pois a aceitação amorosa é o único terreno onde a transformação duradoura pode florescer.
O objetivo final desse processo não é atingir uma santidade absoluta e inatingível, mas a Individuação, termo junguiano para a realização da totalidade do ser. Isso implica reconhecer as projeções, acolher a própria vulnerabilidade e dialogar com os complexos em vez de combatê-los como sintomas isolados.
Vencer a guerra interior é, paradoxalmente, declarar a paz consigo mesmo, entendendo que o suposto inimigo é apenas uma parte do ser que ainda está perdida na dor.
Através da síntese entre a espiritualidade lúcida, a profundidade simbólica e a clareza prática, percebemos que a reforma íntima é uma obra de paciência, onde o sucesso não é medido pela ausência de conflitos, mas pela capacidade de lidar com eles com integridade e amorosidade.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
 Referências Bibliográficas
DUFAUX, Ermance (Espírito); OLIVEIRA, Wanderley Soares de (Psicografia). Reforma íntima sem martírios. Belo Horizonte: Editora Dufaux, 2011.
JUNG, Carl Gustav. O Eu e o Inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2015.
PIERRAKOS, Eva. O Caminho da Autotransformação: O Guia do Pathwork para a Plenitude Espiritual. São Paulo: Cultrix, 1993.
SHARP, Daryl. Léxico Junguiano: Um dicionário de termos e conceitos. São Paulo: Cultrix, 1991.

3.3.26

ALA DEZOITO Livro Espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Mensagem publicada na página 4 da Gazeta de Limeira de 03.03.2026

 

ORGANIZAÇÃO FÍSICA

Existem diferenças na organização física dos mundos habitados. Elas acompanham o estado evolutivo dos mundos e o comportamento da matéria de que são constituídos. Se nos encontrarmos num planeta onde a alimentação dos seus habitantes é rarefeita, a organização fisiológica tem de ser diferente, por não precisarem mais de certos órgãos como estômago, intestinos etc. Se uma civilização planetária já enxerga sem usar os olhos, é desnecessário esse instrumento da visão. O mundo tem a forma que lhe cabe pela sua própria evolução, o Espírito é o mesmo, só que nos graus de ascensão se afiguram grandes diferenças. Tudo obedece a um ritmo de ascensão sem quebra de harmonia, que é a base da própria vida universal. Existem mundos mais atrasados e mais adiantados que a Terra, onde por vezes temos de reencarnar, e para tal, temos que fazer adaptação e até recebermos novos corpos no planeta em que iremos nos manifestar fisicamente. Todavia, o Espírito é o mesmo e a matéria é a mesma, por todos os quadrantes do infinito, mas, obediente às leis que vigoram nos mundos e nos espaços da criação. O Senhor gosta das diferenças e mutações, portanto criou as leis que as regulam e assistem, e nós devemos fazer o mesmo. Não existe nada inferior para o Grande Arquiteto do Universo. Nuns já afloraram maiores valores, noutros menos, mas carregam consigo todos eles, a bênção do Doador Maior. Não podes pensar que as diferenças físicas, morais e intelectuais possam criar barreiras intransponíveis. Elas são escolas que devemos estudar com amor, para aprendermos com humildade as lições que nos oferecem.

Filosofia Espírita L.E.57 – João N. Maia – Miramez – Toninho Barana.