28.8.26

O ESPIRITISMO EM LINGUAGEM FÁCIL Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Comentário Questão 823 do Livro dos Espíritos

ÚLTIMO ATO DE ORGULHO
 
Os monumentos erigidos nas sepulturas dos poderosos da Terra são impulsionados pelo orgulho e pela vaidade, para mostrar à sociedade que a família do morto é poderosa no domínio do ouro.
O homem, muitas vezes, ainda a caminho da morte, já sente a desilusão dos bens materiais, não se interessando por essa ostentação.
O pobre, neste sentido, é bem mais ajustado, por não sofrer essa perturbação dos que ficaram. Nós temos a dizer que somente levamos para o mundo espiritual o que somos. Felizes daqueles que começaram na Terra a sua reforma de sentimentos, que despertaram para Jesus, nos caminhos do amor e da caridade,os valores do Espírito. Não é preciso ser rico para encher o celeiro do coração; é ter somente boa vontade. O Mestre não tinha onde reclinar a cabeça, entretanto, foi o mais rico de todos os homens, na condição de Filho de Deus, igual a todos os homens.
Os grandes monumentos de pedra erigidos nos "campos santos", poderiam ser transformados pelas famílias ricas, antes da sua feitura, em casas para os que se encontram ao relento. Feito em nome do morto, esse gesto seria um alívio para a sua consciência, como também para os que ficaram. O custo de um túmulo corresponde à alimentação que poderia ser oferecida a muitos famintos, assim como muitos outros gastos inconvenientes que se fazem na Terra, por orgulho e vaidade, por ignorância e prepotência. O orgulho dos parentes atinge o desejo de glorificar a si mesmos, pouco pensando no bem-estar de quem já foi para o outro mundo.
O homem de bem não precisa buscar a sua própria glória; ela vem, por lei, em busca dele. Vejamos o que João anotou no capítulo oito, versículo cinquenta:
Eu não procuro a minha própria glória; há quem a busque e julgue.
Os poderosos da Terra não desconfiaram de que as glórias do mundo são incômodas e passageiras, que não correspondem às necessidades do coração. O sábio nunca procura se mostrar, mesmo fazendo o bem à sociedade, por saber que todos os feitos, bons e maus, serão revelados pela própria natureza por ordem da lei, que nada deixa em segredo que não venha a ser revelado. O orgulho e o egoísmo são tão fortes e poderosos que acompanham quem os possui mesmo depois do túmulo, envolvendo o Espírito nas suas sugestões inferiores e levando-o a sofrer todos os tipos de torturas que eles possam imprimir em sua consciência.
É por isso que a reencarnação é uma bênção de Deus, pois ela nos dá oportunidade de nos desfazermos destes dois monstros que devoram as oportunidades dos seres humanos e prendem os Espíritos, mesmo no mundo espiritual, em situações difíceis de se libertarem.
Sabemos que nem sempre é pelo morto que os familiares fazem essas demonstrações para que a sociedade veja e, sim, para alimentar o orgulho de família na posição em que se encontram. Infelizes desses homens que ignoram seus destinos. Entretanto, o tempo os educará. Eles morrerão e também ficarão conhecendo a verdade que os libertará dessa ignorância.
Os tempos estão chegando, para o bem da humanidade. Que seja por meios violentos, porém a natureza fará as criaturas despertarem para os valores da alma, tendo o Evangelho de Jesus como fonte da vida, por ordem de Deus.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez

27.8.26

HERDEIROS do NOVO MUNDO Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria.


 

FILHO QUE NÃO NASCEU

José Guedes*
 
Fui trazido ao teu colo e sussurro, baixinho:
– “Mãe, eu serei na carne o sonho de teu sonho!...”
Depois, em prece ardente, em ti meus olhos ponho,
Pássaro fatigado ante a úsnea do ninho.
 
Abraço-te. És comigo a esperança e o caminho...
Em seguida – oh! irrisão! –, eis que, num caos medonho,
Expulsas-me a veneno, e, bruto, me empeçonho,
Serpe oculta a ferir-te em silêncio escarninho.
 
Já me dispunha a dar o golpe extremo, quando
Surge alguém que me obriga a deixar-te dançando
Em formoso salão onde o prazer fulgura.
 
Passa o tempo. Hoje volto... É o amor que em mim arde.
Mas encontro-te, oh! mãe, a gemer, triste e tarde,
Sombra que foi mulher, enjaulada à loucura...
 
(*) O poeta não se identificou nas reuniões a que compareceu.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

26.8.26

Gravação do Estudo detalhado do livro MECANISMOS DA MEDIUNIDADE Capítulo 19 – IDEOPLASTIA


 

Lições da Noite de São Bartolomeu

Na calada da noite de 23 para 24 de agosto de 1572, em Paris, deflagrou-se um dos episódios mais sangrentos e emblemáticos das guerras de religião na Europa: o Massacre da Noite de São Bartolomeu.
A França do século XVI encontrava-se profundamente fraturada pelo conflito entre a maioria católica e os huguenotes — protestantes calvinistas franceses —, em uma disputa que transbordava o campo da fé para alcançar a luta pelo controle político da coroa Valois.
O ambiente que antecedeu a tragédia foi marcado pelo casamento do jovem rei protestante Henrique de Navarra (futuro Henrique IV) com Margarida de Valois, a rainha Margot, irmã do rei Carlos IX e filha da influente rainha-mãe Catarina de Médici.
O matrimônio havia sido arquitetado como um ato de reconciliação nacional, atraindo para a capital francesa a nobreza protestante e milhares de fiéis huguenotes.
A tensão política, contudo, atingiu o ápice com a tentativa de assassinato do almirante Gaspard de Coligny, principal liderança militar e política dos huguenotes.
Tio do rei e figura proeminente no conselho real, Coligny defendia a intervenção francesa nos Países Baixos contra a Espanha, ideia que aterrorizava Catarina de Médici e a facção católica ultraconservadora liderada pelos duques de Guise.
Diante do fracasso do atentado e do temor de uma retaliação armada dos protestantes reunidos em Paris, o conselho real, sob forte pressão de Catarina de Médici e do duque de Anjou, convenceu o frágil rei Carlos IX a autorizar a eliminação preventiva das lideranças protestantes.
A célebre frase atribuída ao monarca — de que se matassem Coligny, que matassem todos para que não restasse nenhum para reprochá-lo — marcou o início da carnificina.
Ao soar dos sinos da igreja de Saint-Germain-l'Auxerrois, as forças reais e as milícias católicas iniciaram a execução programada.
O assassinato seletivo das lideranças, no entanto, logo degenerou em um massacre popular descontrolado.
O ódio religioso e a intolerância reprimida alimentaram a fúria das turbas, que perseguiram, saquearam e chacinaram homens, mulheres, idosos e crianças huguenotes por semanas, estendendo as matanças a diversas províncias francesas.
Estima-se que entre 10.000 e 30.000 pessoas tenham sido mortas ao longo do evento, consolidando a Noite de São Bartolomeu como o símbolo supremo do fanatismo e da crueldade motivada pelo dogma e pela hegemonia política.
Para além das causas políticas e sociais tangíveis, a Doutrina Espírita e a literatura mediúnica descortinam os bastidores transcendentais que fomentaram e se desdobraram a partir do massacre de 1572.
Longe de ser um surto isolado de loucura humana, a Noite de São Bartolomeu insere-se em uma milenar teia de compromissos cármicos e manipulações mentais orquestradas por organizações das trevas no submundo astral.
Na obra “A Noite de São Bartolomeu”, pelo espírito J. W. Rochester, são expostas as intensas obsessões e as sombras espirituais que envolveram a corte dos Valois.
Catarina de Médici e seus colaboradores atuaram sob o influxo de inteligências soberbas do invisível, cujo propósito era manietar a renovação das ideias e perpetuar o domínio mental da ignorância e da culpa.
O orgulho político e a vaidade religiosa converteram os governantes em joguetes de forças trevosas, precipitando a derrocada moral de toda uma dinastia.
Essa teia de bastidores é aprofundada na obra “Os Dragões”, ditada pelo espírito Maria Modesto Cravo e psicografada por Wanderley Oliveira.
O livro revela a existência das castas draconianas — entidades de elevada inteligência e vasto conhecimento técnico e psicológico, descendentes de ancestrais transmigrados que se entrincheiraram no ódio e no domínio do astral inferior.
Maria Modesto Cravo explica que a Casa de Valois e os arquitetos do massacre eram espíritos vinculados às hostes dos dragões que, embriagados pelo poder, responderam pelo assassinato de cerca de cem mil almas ao longo daquele contexto histórico.
Em um comovente relato contido na mesma obra, revela-se a reunião mediúnica realizada em 1936 no Sanatório Espírita de Uberaba, sob a coordenação de Maria Modesto Cravo e do médico Inácio Ferreira.
Na oportunidade, ao socorrerem o espírito obsessor Matias — que em sua encarnação parisiense integrara a família Valois sob o nome de Carlos IX —, o benfeitor Eurípedes Barsanulfo esclarece que o Sanatório Espírita de Uberaba e os serviços assistenciais nascentes no Brasil representavam o início de um longo resgate consciencial.
A hecatombe de São Bartolomeu serviu como o ápice da queda moral para levas de espíritos que, séculos mais tarde, seriam alforriados dos pátios de escravidão do astral (como o Vale do Poder) para ressarcimento mediante a reencarnação.
Complementando esse panorama, a obra “Ecos de São Bartolomeu”, de Luiz Antonio Millecco e Isabel Bittencourt de Souza, bem como o livro “Na Noite de São Bartolomeu”, de Janaína Farias, demonstram a persistência dos laços de afeto e ódio ao longo do tempo.
As vítimas e algozes daquela noite trágica reencontraram-se em sucessivas romagens terrenas, enfrentando as marcas psíquicas do remorso, das fobias e da loucura.
A literatura espiritual demonstra que a dor e os desajustes mentais do século XX e XXI — como os delírios, a esquizofrenia e a obsessão grave — constituem muitas vezes o "escoadouro" da culpa acumulada naquelas noites de terror, em que o Evangelho foi traído sob o pretexto de defendê-lo.
Esse grande movimento migratório de almas culpadas e devedoras para o solo brasileiro relaciona-se diretamente com o "transporte da árvore evangélica", no qual espíritos outrora dogmáticos e persecutórios receberam da Providência Divina a oportunidade de reerguer a própria consciência por meio do trabalho fraternista e da vivência da fé raciocinada.
À luz da Filosofia Espírita, o massacre da Noite de São Bartolomeu traz profundas lições sobre a lei de causa e efeito, a evolução da consciência e a imperiosa necessidade de transformação moral das coletividades.
O evento exemplifica como a intolerância religiosa e a pretensão de ser detentor exclusivo da verdade absoluta geram dolorosas algemas cármicas que exigem séculos de reajuste, suor e regeneração.
O principal aprendizado que sobressai desse episódio histórico é a urgência de se desenvolver uma autêntica ética da alteridade — o reconhecimento, o respeito e a valorização do outro em sua singularidade e em seu direito inalienável de crer e pensar de forma diversa.
Como leciona Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos” e em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, a verdadeira caridade não consiste na imposição de crenças, mas sim na benevolência para com todos, na indulgência para com as imperfeições alheias e no perdão das ofensas.
Na atualidade, embora os massacres em praça pública motivados por guerras confessionais pareçam distantes da realidade ocidental, as raízes mentais do fanatismo permanecem ativas.
A polarização ideológica, o preconceito religioso, o cancelamento virtual e a incapacidade de conviver com o contraditório são manifestações modernas dos mesmos sentimentos de arrogância e personalismo que alimentaram os sinos de São Bartolomeu.
Quando o indivíduo se julga no direito de desumanizar aquele que discorda de sua visão de mundo, reabre as portas para os mesmos processos obsessivos e contagiosos que obscureceram a França do século XVI.
O Espiritismo nos convida a compreender que a diversidade de caminhos espirituais e filosóficos faz parte do plano pedagógico de Deus para a humanidade.
Nenhuma instituição, religião ou doutrina possui o monopólio da virtude ou da salvação.
O que regenera a alma não é o rótulo sectário, mas a transformação íntima expressa no amor incondicional, na tolerância ativa e na edificação do bem comum.
Em suma, as "Lições da Noite de São Bartolomeu" ecoam como um alerta imemorial: a violência cometida em nome de Deus é a maior de todas as profanações.
O verdadeiro progresso da humanidade só se consolidará quando superarmos a ilusão da supremacia dogmática e erguermos, na convivência diária, a ponte da fraternidade e do respeito irrestrito à consciência do próximo.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Referências Bibliográficas
FARIAS, Janaína. Na Noite de São Bartolomeu. Psicografado pelo espírito Jean Lucca. Matão: O Clarim, 2018.   
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 93. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2013.   
KRIJANOWSKAIA, Wera. A Noite de São Bartolomeu. Pelo Espírito J. W. Rochester. Catanduva - SP: Boa Nova Editora, 2000.
MILLECCO, Luiz Antonio; SOUZA, Isabel Bittencourt de. Ecos de São Bartolomeu. Niterói, Rio de Janeiro: Lachâtre, 1998.
OLIVEIRA, Wanderley. Os Dragões: o diamante no lodo não deixa de ser diamante. Pelo espírito Maria Modesto Cravo. Belo Horizonte: Editora Dufaux, 2009.