21.5.26

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ESCALADA

João da CRUZ E SOUZA*

Louva o suplício da matéria escrava,
No turbilhão de cárceres e algemas.
E canta, coração, inda que espremas
O fel da própria dor em pranto e lava.
 
Chora e avança cansado, mas não temas;
Sangrem-te embora os pés na urtiga brava,
Caminha imune al lodo que deprava,
Purificado em lágrimas supremas.
 
51  Indiferente às cóleras e às fúrias,
Apaga o fogo das paixões espúrias,
Sofre humilde e sereno por vencê-las...
 
Peregrino de trágico deserto,
Um dia, subirás, enfim liberto,
Gema solar em túnica de estrelas!...
____________________
(*) Filho de pais escravos, Cruz e Souza é a figura mais expressiva do Simbolismo no Brasil e, ao lado de Mallarmé e Stefan George, um dos grandes nomes do movimento simbolista no mundo, segundo Roger Bastide. 《Tinha》 - escreveu seu grande amigo Virgílio Várzea (apud A. Muricy, Pan. Mov. Sim. Brás., I, pág. 98) - 《uma grande paixão pelas idéias humanitárias, e serviu-as sempre, como um fanático, sem se poupar sacrifícios, na tribuna, em praça pública e principalmente no jornalismo.》 Tendo sofrido acerbas provações, naturalmente dentro das dívidas cármicas, o grande poeta continua, hoje, em afanosa luta pela difusão das 《ideais humanitárias》, entre as quais agora incluiu o Espiritismo e o Esperanto, a corroborar que a vida, com efeito, não cessa no túmulo. Principalmente no setor esperantista, o artista de Faróis é uma personalidade atuante na Espiritualidade. Em 1961, ano em que se comemorou, em todo o Brasil, o primeiro centenário de seu nascimento, os mais representativos centros culturais do país lhe tributaram mil e uma homenagens, culminando com a publicação de suas Obras Completas, organizadas por Andrade Muricy, em primorosa apresentação, pela Editora José Aguilar Ltda. A extraordinária produção do genial poeta provocou, dos que o rodeavam, os epítetos de 《Cisne Negro》, 《Dante Negro》,《Poeta Negro》, epítetos – diz A. Muricy (op. Cit.,pág. 101) 《compreendidos no senso mais elevado e consecratório de tais expressões》. (Desterro, hoje Florianópolis, SC, 24 de Novembro de 1861 – Sítio, atual Antônio Carlos, Minas Gerais, 19 de Março de 1898.)
BIBLIOGRAFIA: Broqueis; Evocações; Faróis; Últimos Sonetos; etc.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

19.5.26

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Mensagem publicada na página 6 da Gazeta deLimeira de 19.05.2026

 

MATÉRIA E FORÇA VITAL

Quando cessa a vida nos seres orgânicos, a matéria se decompõe, por força de determinadas leis que a sustentam e regulam. O princípio vital na criação move os canais de circulação no corpo, deixa-o, após um tempo, retornando à sua fonte e volta a circular no universo em todas as direções, na ordenação da vida. Essa energia divina dá entrada no embrião humano, com duas semanas e meia, pelo ajustamento do chacra cardíaco do perispírito, ao corpo em formação. Daí é que começa o primeiro impulso do coração, em movimento. Essa força vital é inquietante. Ela se esgota por meios diversos mas, se abastece por variadas formas. Assim como os pulmões extraem o oxigênio do ar para purificação do sangue, aliviando a tensão do cérebro para equilíbrio do corpo, os centros de força (chacras) extraem do mesmo ar, e fora dele, o hálito divino, na divina sequência dos seus movimentos, abastecendo de força vital a forma física, para que ela continue com os seus movimentos instintivos e as suas defesas naturais, no regime de vida que deve levar. E a mente não deixa de ser um fator muito importante neste trabalho, quando ela é educada nos moldes que a ciência do Espírito estabelece, reforçado no Evangelho de Jesus. O agente vital sensibiliza o corpo para que o Espírito possa manejá-lo de acordo com as suas necessidades. Para cada ser humano há uma cota de energia vital, que pode ser diminuída ou aumentada, de acordo com a capacidade de cada um. A morte do corpo é, pois, a ausência dessa força. A força vital é o beijo da luz em seu movimento permanente, e o Espírito é o amor de Deus, como atributo do Seu coração para os corações de Seus filhos, mostrando-lhes os caminhos que levam à felicidade.

Filosofia Espírita L.E.70 – João N. Maia – Miramez – Toninho Barana.

18.5.26

CARTAS do Dr. INÁCIO aos ESPÍRITAS Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

O Choque Geracional nos Ambientes Espíritas

Um filme que utilizei bastante como exemplo de mudança organizacional nas minhas capacitações para gestores e lideranças foi “Mudança de Hábito”, 1992.
A cena em que os jovens da vizinhança entram na igreja de St. Katherine é o grande ponto de virada do filme. Ela simboliza a quebra da barreira entre a instituição religiosa rígida e a comunidade vibrante, mas negligenciada ao redor.
Antes da chegada de Deloris Van Cartier (Whoopi Goldberg), a paróquia de St. Katherine era um lugar sombrio, vazio e desconectado da realidade brutal das ruas de São Francisco.
A Madre Superiora acreditava que a igreja deveria ser um refúgio de silêncio e tradição, mas isso só afastava as pessoas. O coral das freiras era, honestamente, terrível — desafinado e sem vida.
Quando Deloris assume a regência do coral e decide que, para atrair as pessoas, a música precisa ter alma e ritmo. Ela começa a infundir clássicos religiosos com a energia do Motown e do Soul.
Enquanto as freiras ensaiam e se apresentam com uma nova roupagem, as portas da igreja, que antes ficavam fechadas, são abertas.
Na rua, os jovens que costumam passar o tempo jogando basquete ou apenas vagando pelo bairro param o que estão fazendo. Eles ouvem um som que não reconhecem como "música de igreja": é rítmico, animado e contagiante.
Atraídos pela batida de músicas eles se aproximam timidamente da entrada. A expressão no rosto deles é de choque ao verem as freiras dançando e cantando com energia.
Aos poucos, eles começam a preencher os bancos do fundo. O que era um deserto de bancos vazios começa a se transformar em um espaço multicultural e multigeracional.
A cena atinge seu ápice quando o coral transita de um canto gregoriano tradicional para um arranjo explosivo de música pop adaptada.
Eles não apenas assistem; eles começam a bater palmas e a se mover no ritmo da música. A igreja deixa de ser um museu de silêncio para se tornar o centro da comunidade.
Essa cena é fundamental porque prova o ponto de Deloris: para salvar a paróquia, que corria o risco de ser fechada pelo Bispo por falta de fundos e fiéis, era preciso falar a língua do povo.
É nesse momento que a Madre Superiora percebe que, embora os métodos de Deloris sejam heterodoxos, eles trouxeram de volta a vida e a esperança para St. Katherine.
O que a descrição desta cena tem a ver com o atual momento do movimento espírita brasileiro, de maneira geral, e especialmente com relação à presença dos jovens nas casas espíritas?
Creio que o Movimento Espírita se encontra em uma encruzilhada histórica. Se, por um lado, a base doutrinária sistematizada por Allan Kardec no século XIX mantém-se atual em sua essência filosófica e científica, por outro, as estruturas organizacionais das casas espíritas enfrentam o desafio de dialogar com as gerações Z e Alpha.
As gerações atuais são marcadas pela hiperconectividade e pelo acesso instantâneo à informação. A Geração Z (nascidos entre 1997 e 2010) e a Geração Alpha (pós-2010) possuem um perfil pragmático e um forte senso de justiça social.
Para esses jovens, o conhecimento não é algo a ser recebido passivamente de uma autoridade, mas construído coletivamente. Eles valorizam a transparência, a diversidade e a aplicabilidade prática dos conceitos aprendidos, rejeitando formalismos vazios ou dogmatismos velados – sim, apesar de não caber, o Espiritismo está cheio de dogmatismos.
Tradicionalmente, muitas casas espíritas operam sob um modelo hierárquico herdado das gerações Baby Boomer e X. Este modelo prioriza a palestra expositiva, onde o público assume um papel passivo, e cursos com currículos rígidos e lineares.
O funcionamento das novas mentes, no entanto, é em rede, não linear. Enquanto o centro busca a preservação de tradições e rituais de convivência, os jovens buscam agilidade, diálogo e uma linguagem que reflita os dilemas contemporâneos, como saúde mental, sustentabilidade e identidade.
A maior convergência entre a doutrina e as novas gerações reside na "fé raciocinada". O convite kardequiano ao questionamento e à análise científica atrai naturalmente o jovem que desconfia de dogmas – verdades absolutas, inquestionáveis, intocáveis.
Além disso, o foco na caridade e no auxílio ao próximo ressoa com o desejo de impacto social positivo dessas gerações. Eles, entretanto, querem mais. Desejam transformar o status quo. Querem implantar projetos sustentáveis de promoção social, de libertação do assistencialismo.
As divergências também surgem na forma do aprendizado espírita: a linguagem rebuscada, a resistência ao uso de tecnologias durante os estudos e o conservadorismo moral em temas sociais urgentes criam uma barreira que impede o sentimento de pertencimento.
Para acolher as novas gerações, o movimento espírita precisa transitar do modelo de transmissão bancária do conhecimento (vide Paulo Freire) para o modelo de participação. Isso implica a adoção de metodologias ativas, onde o estudo se dê por meio de debates, oficinas e produção de conteúdo digital.
É necessário que a casa espírita se torne um "espaço seguro" para o diálogo sobre questões da atualidade, sem julgamentos moralistas, mas com base na ética do Evangelho.
A digitalização do acolhimento e a inclusão do jovem nos processos de tomada de decisão das instituições são passos fundamentais para garantir a continuidade da mensagem espírita no futuro.
Se sempre ocorreu hiatos no choque de gerações em qualquer campo do saber, no desdobrar das épocas, o choque geracional em curso é mais profundo e radical.
Nunca as novas gerações estiveram tão sedentas de espiritualidade, sobretudo para fomentar as transformações que imagina introduzir na sociedade, mas o modelo clerical catolicista que foi adotado nos ambientes espiritistas impede a eclosão destas mudanças.
Quando será que abandonaremos os nossos mesmismos e adotaremos a nossa mudança de hábito?
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 50. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 93. ed. Brasília: FEB, 2013.
KARDEC, Allan. A Gênese: os milagres e as predições segundo o espiritismo. Brasília: FEB, 2013.
LIMA, Marcus Vinicius de. Espiritismo e Juventude: diálogos necessários. Rio de Janeiro: CELD, 2018.
PRENSKY, Marc. Nativos Digitais, Imigrantes Digitais. On the Horizon, MCB University Press, v. 9, n. 5, out.
TEIXEIRA, Raul. Desafios da Educação. Pelo Espírito Camilo. Niterói: 2001. Frázio, 2005.