3.4.26

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Comentário Questão 806 do Livro dos Espíritos

CONDIÇÕES SOCIAIS
 
As condições sociais, como as desigualdades entre os homens, não são obra de Deus. São condições temporárias necessárias, devido à desigualdade de posições das criaturas, no que se refere à escala de aperfeiçoamento das almas. Essa condição, repetimos, é passageira, pois somente as leis estabelecidas por Deus são imutáveis no tempo e no espaço.
O bom observador notará sempre, no correr do tempo, que as condições humanas vão se transformando lentamente, e sempre para melhor. Todos os povos vão absorvendo, pela força do progresso espiritual, leis mais justas e mais humanas, vendo-se em seus semelhantes, em outra dimensão de vida. Mesmo com as facilidades que o mundo oferece hoje para o homem errar, ele acaba acertando mais, por ter sido feito para a glória da própria vida.
O orgulho nos parece que cresce mais com o egoísmo, antiga chaga que já floresceu muito, mas que agora está sendo combatida pelos seres humanos em diversas escolas filosóficas e religiosas, e pela maior escola da vida, que se chama maturidade espiritual.
Os que desconhecem as leis de Deus e a existência do Todo Poderoso se mostram duvidosos no que tange à posição do homem ante a eternidade. Não encontrando salvação para o mundo e para sua humanidade, são profetas do pessimismo, no entanto, para Deus não existe o impossível. Ele age no momento adequado e a tudo conserta, usando os próprios homens de boa vontade. As Suas leis corrigem todos os deslizes, usando dos feitos humanos como exemplos e lições para os que incorrem em erro.
As desigualdades que se vêem nos povos, o são por merecimento de cada um. Não que Deus abençoe uns mais que os outros; é devido à escala a que pertence, é força espiritual da justiça, que marca a lei de reencarnação para todas as almas em trânsito na Terra. Quem deseja viver fora da faixa a que pertence, é que sofre as conseqüências da violência acionada por si mesmo; a justiça é o mesmo amor que protege a todos. No Evangelho de João poderemos ler o seguinte, no capítulo onze, versículo dez:
Mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz.
E quem anda fora do nível em que deve viver por justiça, somente encontra trevas, por desconhecer o que deve receber e sentir por misericórdia de Deus. Não queiramos ser o que não somos. Cada criatura tem dentro de si um vigia, que lhe dá conhecimento dos seus poderes e dos seus limites, em tudo que faz e pensa. Mesmo nas condições sociais em que se encontra, por que avançar para as lutas sem as devidas armas com que possa se defender? O que acontece com um médico que não se aprimorou na arte de curar?
As desigualdades nos mostram até onde o outro já chegou, e é um convite para que possamos ir também, porque a vida oferece ensejo 
para todas as criaturas.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez

2.4.26

Mensagem publicada na página 6 da Gazeta de Limeira de 02.04.2026

 

A ANIMALIZAÇÃO DA MATÉRIA

O agente divino interpenetra tudo. Ele é como que o hálito de Deus auscultando toda a criação nos mínimos detalhes, a matéria mais ou menos amadurecida, com ele afiniza e fica em estado de vivência animalizada. Todo espiritualismo, e principalmente a Doutrina dos Espíritos, nos faz entender o respeito que devemos demonstrar por tudo que existe, porque em tudo existe igualmente o traço da divindade, para que a vida ali prolifere e esplenda nas belezas que os Céus desejam. Nós vivemos ligados a vários mundos em plena comunicação com eles, e eles conosco, mesmo inconscientemente. Quando temos conhecimento disto, as comunicações melhoram, e as trocas de experiências entram num processo consciente. O Espírito desejoso de conhecer-se e o ambiente onde vive é aquele que está disposto a dar o primeiro passo na infinidade dos esclarecimentos espirituais, e não perde o tempo que passa a nosso favor. A matéria é a presença divina a nossa frente. O princípio vital fecunda a matéria, que vira mãe a unir-se para compor em movimento, expressando a vida e mostrando belezas em seus gestos em busca de outras formas mais elevadas. O ser espiritual, encarnado ou desencarnado, quando começa a auto-educação, no silêncio de cada dia, sem reclamar, sem discutir, ou sem exigir, com o tempo acenderá uma luz no seu próprio ser, em conexão com a luz que sustenta e gera vidas, garantindo-lhe uma paz imperturbável na consciência, mostrando-lhe que valeu a pena sofrer, lutar e confiar no trabalho empreendido, porque todo o exterior passou a lhe obedecer, para a conquista da felicidade que todos almejamos. Abençoemos a matéria, pois ela é nosso veículo de trabalho e de esperança!

Filosofia Espírita L.E.62 – João N. Maia – Miramez – Toninho Barana.

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ENTENDE A JESUS

Adelaide Augusta Câmara (AURA CELESTE)
 
Escuta a voz do amor por onde fores,
Guarda contigo as láureas da ventura,
E esparze por mil gestos redentores
A luz da paz à senda mais obscura,
 
Contempla a Vida em bênçãos multicores
No roteiro da anônima criatura,
A flor, o orvalho, a brisa e os resplendores
Do céu azul na fonte d’água pura...
 
Descobre em tudo as dádivas celestes
Sustendo docemente os passos, prestes
A cair nas abismos da jornada.
 
Fala, sorri, estuda, canta e ora,
Mas entende a Jesus que espera e chora
No triste olhar da infância abandonada!
 
(*) Poetisa, conferencista, contista e educadora, deixou belas páginas lítero-doutrinárias, em prosa e verso, subscrevendo-as geralmente com o pseudônimo de Aura Celeste. Levada ao Espiritismo pelo Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, trabalhou em diversas instituições espíritas do Rio de Janeiro, a elas dedicando o melhor de suas energias. Fundadora e diretora do Asilo Espírita «João Evangelista», lar para crianças desprotegidas, onde realizou a tarefa máxima de educadora competente e Extremosa. Entre as várias faculdades mediúnicas de que era dotada, sobressaíram a receitista e a psicofônica. Prefaciando-lhe o livro Vozes d’Alma, Leal de Souza chamou-lhe «a grande Musa moderna, a Musa espiritualista». (Natal, Rio Grande do Norte, 11 de Janeiro de 1874 – leio de Janeiro, GB, 24 de Outubro de 1944.)
BIBLIOGRAFIA : Vozes d’Alma, versos ; Sentimentais, versos ; Aspectos da Alma, contos; Palavras Espíritas, palestras; etc.
Obras de sua mediunidade: Orvalhos do Céu; Do Além; etc.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

1.4.26

Gravação do Estudo detalhado do livro EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS Cap. 19 da segunda parte

 


O Evangelho de Donald Trump

A intersecção entre religião e política nos Estados Unidos, intensificada pela ascensão de Donald Trump, apresenta um dos fenômenos socioculturais mais complexos do século XXI.
Para uma parcela significativa do eleitorado, Trump não é apenas um líder partidário, mas uma figura providencial destinada a restaurar valores perdidos.
Ao confrontarmos, no entanto, o "corpus" de suas falas, atos e estilo de liderança com o núcleo dos ensinamentos de Jesus de Nazaré — especificamente as Bem-Aventuranças e o Mandamento do Amor —, emerge uma tensão profunda e, por vezes, irreconciliável entre o "Reino" pregado pelo Cristo e o "Império" idealizado pelo trumpismo.
O Sermão da Montanha, registrado no Evangelho de Mateus, é amplamente considerado a "Constituição" do Reino de Deus. Nele, Jesus estabelece uma inversão radical das lógicas de poder do mundo antigo e moderno.
Enquanto as sociedades frequentemente exaltam a força, a riqueza e a autossuficiência, Jesus inicia seu discurso com uma série de bênçãos destinadas àqueles que o mundo despreza.
Donald Trump, por outro lado, construiu sua identidade pública e política sobre a premissa da vitória a qualquer custo, da força bruta e da retaliação implacável.
Onde Jesus afirma: "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus" (Mateus 5:3), sugerindo a necessidade de reconhecer a própria insuficiência diante do divino, a retórica trumpista fundamenta-se em um hiper narcisismo.
Em diversas ocasiões, Trump afirmou categoricamente que apenas ele possuía a capacidade de "consertar" o sistema, uma postura que substitui a dependência espiritual pela autolatria da competência individual.
Essa dissonância se estende à virtude da mansidão.
Jesus ensina que "Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra" (Mateus 5:5). A mansidão cristã não deve ser confundida com passividade, mas sim com a força sob controle e a recusa em usar a violência — física ou verbal — para dominar o outro.
A práxis de Trump é o oposto direto: o domínio pelo conflito.
O uso sistemático de apelidos pejorativos para adversários, a incitação à hostilidade em comícios e a visão de mundo onde o diálogo é sinal de fraqueza contrastam com a promessa de herança da terra pela temperança.
Para a lógica de Trump, a terra não é herdada pelos mansos, mas conquistada pelos "espertos" e pelos que exercem a pressão mais forte.
No campo da ética interpessoal, a questão da misericórdia e da retaliação cria um abismo ainda maior.
"Bem-aventurados os misericordiosos..." (Mateus 5:7) é uma máxima que propõe o perdão e a compaixão como pilares da convivência humana. Em contrapartida, um dos dogmas centrais do pensamento de Donald Trump é a lei do retorno amplificada.
Em sua filosofia de vida e negócios, a regra de ouro é: se alguém o ataca, deve-se atacar de volta "dez vezes mais forte".
Enquanto o Evangelho propõe o perdão das ofensas como forma de libertação, o trumpismo propõe o acerto de contas como ferramenta essencial de manutenção da imagem de "vencedor".
A análise torna-se ainda mais aguda ao considerarmos o Grande Mandamento de Jesus: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
A definição cristã de "próximo" é radicalmente inclusiva, como ilustrado na Parábola do Bom Samaritano, onde o "outro" — o estrangeiro ou o inimigo religioso — é quem deve ser acolhido e cuidado.
A política de Trump, sintetizada no lema "America First", estabelece uma hierarquia de valor que frequentemente desumaniza o estrangeiro em prol de um nacionalismo excludente.
Políticas como a separação de famílias na fronteira e uma retórica que descreve imigrantes como "invasores" que "envenenam o sangue do país" colidem frontalmente com a hospitalidade exigida por Jesus.
No "Evangelho de Trump", o próximo é apenas aquele que é leal à sua causa ou compartilha de sua identidade nacional; o dissidente ou o necessitado externo é visto meramente como um custo ou uma ameaça.
Mesmo a relação com a divindade sofre uma inversão.
O cristianismo exige a submissão do ego à vontade de Deus. O fenômeno do trumpismo, no entanto, muitas vezes instrumentaliza a religião para validar o ego nacional ou individual.
O gesto de segurar uma Bíblia em frente à Igreja de St. John em 2020, após o uso de força contra manifestantes, exemplifica o uso do símbolo sagrado como um artefato de poder político e coerção, e não como um guia de submissão espiritual.
Por fim, a bem-aventurança dos pacificadores — "Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus" (Mateus 5:9) — parece não encontrar solo fértil na liderança de Trump.
Sua trajetória é intrinsecamente divisiva, prosperando na dicotomia do "nós contra eles". Ao atacar instituições democráticas e a imprensa, e ao flertar com retóricas que culminaram em eventos de violência como o do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, Trump distancia-se do ideal de pacificação social.
O "Evangelho de Donald Trump" apresenta-se como um evangelho de prosperidade, poder e proteção de identidade.
Ele ressoa com um arquétipo de "Messias Guerreiro" que muitos buscavam para lutar batalhas culturais no mundo secular.
Sob a ótica do Evangelho de Jesus, entretanto, percebe-se que Jesus propôs um caminho de esvaziamento, enquanto Trump propõe um caminho de exaltação.
Onde Jesus pede para oferecer a outra face, Trump exige o contra-ataque.
Onde Jesus pede para acolher o menor, Trump prioriza o muro.
Essa comparação revela que o apoio cristão a figuras com este perfil muitas vezes não se baseia na semelhança de caráter com o de Jesus, mas em uma aliança pragmática onde os valores do Sermão da Montanha são sacrificados no altar da conveniência política.
A ética de Jesus permanece como o que sempre foi: um escândalo para aqueles que buscam o poder terreno acima de tudo. E, neste sentido, vale a pena lembrar que era “inevitável que venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! Melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequeninos." (Lucas 17:1-2)
Qual dos dois evangelhos você vai adotar como inspiração para a sua vida: o de Jesus de Nazaré ou o de Donald Trump?
Um alerta apenas: é impossivel servir simultaneamente a Deus e a Mamon...
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Referências Bibliográficas
BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009. (Contendo o Evangelho de Mateus, capítulos 5 a 7 – Sermão da Montanha).
CAMPBELL, W. Keith; MILLER, Joshua D. The Handbook of Narcissism and Narcissistic Personality Disorder: Theoretical Approaches, Empirical Findings, and Treatments. Hoboken: John Wiley & Sons, 2011.
KELLERMAN, Barbara. The End of Leadership. New York: HarperBusiness, 2012.
LOWEN, Alexander. Narcisismo: a negação do verdadeiro self. Tradução de Álvaro Cabral. São Paulo: Cultrix, 1983.
MORAES, Gerson Leite de. O Evangelho segundo Donald Trump: a utilização da religião pela direita americana. In: Revista de Teologia e Cultura, Campinas, v. 12, n. 1, p. 45-62, jan./jun. 2021.
SCHARMER, Otto. Teoria U: como liderar a partir do futuro que emerge. Tradução de Maria Lúcia de Oliveira. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.
STOTT, John. Contracultura cristã: a mensagem do Sermão do Monte. Tradução de Yolanda M. Krievin. São Paulo: ABU Editora, 1981.
TRUMP, Donald J.; SCHWARTZ, Tony. Trump: a arte da negociação. Tradução de Marcos José da Cunha. Rio de Janeiro: Alta Books, 2017.