10.3.26
Mensagem publicada na página 04 da Gazeta de Limeira de 10.03.2026
A VIDA E A LUZ
O sol não
é a única fonte de luz do universo. As primeiras lições de astronomia nos
ensinam essa verdade, mostrando-nos a classificação das estrelas. Os sóis são
inumeráveis na extensão infinita da criação. Se o nosso sol é uma estrela de quinta
grandeza, e as classificadas na quarta, terceira, segunda e primeira? São do
nosso conhecimento bilhões deles, alguns iguais ao nosso e outros em melhores
condições, onde se concentram energia, dando e alimentando vida em todas as
direções do cosmo. Ninguém é privado das bênçãos de Deus. Não podemos dizer que
onde não há calor não existe vida, que onde falta a luz visível, escapa a
inteligência. Os recursos da Divindade são inumeráveis, os Espíritos tomam
corpos diferentes nos diferentes mundos em que habitam. Há almas que pouco
dependem do exterior; elas vivem na própria luz que as circunda. O ambiente que
conheces na Terra ainda se apresenta muito grosseiro diante de mundos
venturosos, onde Espíritos de alta hierarquia estão estagiando, bem como existem
planetas inferiores em comparação com o teu, em que os seres humanos, estão
desabrochando os primeiros traços da razão, e a sua inferioridade na escala de
ascensão requer um mundo de constituição pesada, de ar, alimentos, água e tudo
o mais. O teu sol é uma simples luz bruxuleando no universo. Tudo vem de Deus,
que ora chamamos a Grande Luz, por não compreendermos, nem conhecermos outra
expressão que Lhe possa retratar a grandeza. A vida e a sabedoria são muito
engenhosas, e cabe a nós buscar seus valores permanentes. Podemos dizer que as
próprias trevas são luzes que dormem, porque o Senhor vibra em tudo, e é tudo
que vive.
Filosofia Espírita L.E.58 – João N. Maia
– Miramez – Toninho Barana.
9.3.26
Ana, a Profetisa
Precioso e comovente o depoimento de Lucas sobre Ana, s profetisa, que não se arredava do templo, na expectativa do cumprimento das profecias em torno da vinda do Messias.
Avançada em dias, em longa vigília, ao lado de Simeão, ela não perdia a esperança de que o Senhor viesse para a redenção dos povos da Terra.
Certamente, com limitações impostas pela idade e com a saúde comprometida, não desistia da oração e do auxílio quantos procuravam por seus préstimos espirituais.
Desde quanto tempo Ana, que já viúva, aguardara pela presença do Cristo? É possível que, desde a mocidade, na condição de profetisa, se tivesse dedicado ela a anunciar seu Advento, sofrendo, muitas vezes, o escárnio da incredulidade alheia e a humilhante desconsideração de quem a apontava por insana.
Muitos companheiros de Espiritismo, alcançada certa soma de idade no corpo físico, passam a ser considerados, ou eles mesmos se consideram, inúteis e ultrapassados para o cumprimento de suas obrigações.
Não raro, são propositalmente marginalizados pelos mais jovens, que não lhes possuem a experiência e tampouco a maturidade espiritual que os coloca em espontâneo contato om a inspiração que verte do Alto.
Enquanto no corpo, compete-nos a todos vigiar o patrimônio da fé, até que o Senhor nos dispense de semelhante dever, dentre os homens, e nos convoque a servi-Lo em outros caminhos.
Não aleguemos cansaço de qualquer natureza e não esmoreçamos, mesmo quando mais não possamos fazer do que fazia Ana, que “não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações”, para que o Messias, ao chegar, o encontrasse de portas abertas.
Quem disse que orar não é uma das ações mais importantes?!
Ai do mundo, sem as orações dos homens e mulheres que, devido à sua avançada idade, já foram descartados pela sociedade! Porque, enquanto os jovens insensatos se atritam lá fora e ameaçam a vida na Terra, são eles que permanecem em estado de vigília, na expectativa de um intervenção de ordem superior que salve a Humanidade de completo desastre.
Inácio Ferreira - Blog Mediunidade na Internet
· Extraído do livro “O Jugo Leve” – edição LEEPP
· Uberaba – MG.
8.3.26
O Amor em Evolução
O amor, longe de ser uma abstração estática, é uma força dinâmica que se transforma à medida que o espírito humano amplia sua capacidade de percepção e entrega.
O AMOR PRIMITIVO E A LEI DE TALIÃO
Nos primórdios da organização social, o que chamamos de amor estava intrinsecamente ligado ao instinto de preservação. O afeto era restrito ao clã, à prole e ao parceiro direto, funcionando como uma ferramenta biológica para a continuidade da espécie. Fora do núcleo familiar, o "outro" era visto como uma ameaça.
Nesse contexto, a justiça era exercida pela Lei de Talião ("olho por olho, dente por dente"). Foi o primeiro grande ensaio de equilíbrio social, limitando a vingança desmedida a uma retribuição proporcional. O amor, aqui, era uma semente ainda envolta na casca rígida do egoísmo e do medo.
Os povos antigos, das tradições mesopotâmicas às primeiras organizações nômades, entendiam a convivência como um pacto de conveniência, onde a solidariedade era uma estratégia de defesa contra a natureza hostil.
A RUPTURA DE JESUS: O AMOR COMO LEI MAIOR
A vinda de Jesus marca a maior transição paradigmática da história afetiva da Terra. Ele não apenas pregou o amor, mas o personificou, deslocando o eixo da justiça da punição para a misericórdia. Ao afirmar "Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros", Jesus rompeu as fronteiras do tribalismo e da seletividade afetiva.
Seu Evangelho introduziu o conceito de Ágape — o amor desinteressado que não espera retorno. Jesus propôs o amor aos inimigos, algo impensável para a lógica da época, estabelecendo que a verdadeira evolução espiritual não reside no quanto somos amados, mas na nossa capacidade de irradiar benevolência independentemente das circunstâncias.
O amor deixou de ser um sentimento passivo para se tornar uma decisão ativa de auxílio e compreensão.
A AMOROSIDADE NA ATUALIDADE
Avançando para a contemporaneidade, a compreensão do amor ganha novas camadas através da proposta da amorosidade. O amor precisa ser desmistificado e trazido para o campo da saúde mental e das relações interpessoais práticas.
A filosofia espírita comumente define a amorosidade como o amor em movimento, aplicado às pequenas interações do cotidiano. Enquanto o amor pode ser visto como um ideal grandioso, a amorosidade é a "ferramenta de trabalho". Ela envolve o autoacolhimento, o reconhecimento das próprias sombras e a aceitação do outro como ele é, sem as exigências de perfeição que caracterizam o amor romântico idealizado ou o misticismo excessivo.
O MANIFESTO ATITUDE DE AMOR
No livro Seara Bendita, o "Manifesto Atitude de Amor" surge como um divisor de águas para os trabalhadores do bem e para a sociedade em geral. Ele propõe que a mensagem de Jesus não pode mais ser vivida apenas no campo do discurso religioso, mas deve se transformar em uma postura ética e psicológica.
Os pontos centrais desse progresso incluem:
A Autotransformação sem Culpa. O amor começa na aceitação das próprias limitações. Não se ama o próximo sem antes desenvolver uma relação de compaixão com a própria trajetória.
O Fim do Julgamento. A evolução do amor no planeta exige a substituição do tribunal pela escola. O outro não é um réu a ser julgado, mas um aluno em uma série diferente da nossa.
A Afetividade como Cura. A amorosidade é apresentada como o recurso terapêutico por excelência, capaz de dissolver processos obsessivos e desajustes emocionais.
O PROGRESSO TRANSVERSAL NAS CULTURAS
Embora o referencial cristão seja central, a evolução do amor é um fenômeno global. Vemos reflexos dessa "Atitude de Amor" no conceito de Ubuntu nas culturas africanas ("Eu sou porque nós somos"), no Ahimsa (não violência) das tradições indianas e na busca pela harmonia coletiva no pensamento oriental.
A história mostra que os povos que mais prosperaram em termos de bem-estar social foram aqueles que conseguiram expandir o círculo da alteridade.
O progresso do amor no planeta é a jornada de saída do "Eu" em direção ao "Nós", culminando no "Todos".
Hoje, a ciência e a psicologia começam a validar o que o Evangelho já anunciava: a empatia e a cooperação são os motores reais da evolução biológica e social.
O PRÓXIMO PASSO DA EVOLUÇÃO
O amor em evolução não é uma linha reta, mas uma espiral ascendente. Saímos da barbárie, atravessamos a justiça legalista e estamos, agora, sendo convidados a ingressar na era da consciência amorosa.
O "Manifesto Atitude de Amor" nos lembra que o amor não é apenas um sentimento suave, mas uma força de resistência contra o ódio e a indiferença.
Amar, no estágio atual da Terra, exige coragem para ser vulnerável e maturidade para servir.
A mensagem de Jesus continua ecoando, agora revigorada por uma abordagem que une a espiritualidade ao autoconhecimento, provando que o destino final da humanidade é a plena integração na lei do amor.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Referências Bibliográficas
BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 2020.
DUFAUX, Ermance (Espírito). Reforma Íntima sem Martírio. Psicografado por Wanderley Soares de Oliveira. Belo Horizonte: Editora Dufaux, 2005.
OLIVEIRA, Wanderley Soares de. Seara Bendita: Atitude de Amor. Belo Horizonte: Editora Dufaux, 2012.
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131. ed. Brasília: FEB, 2013.
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