7.6.26

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Médiuns Espíritas - Como estão e para onde irão

A Pesquisa sobre Mediunidade Espírita (PMed 2026), conduzida por Ivan Franzolim, constitui um marco importante no esforço de compreender empiricamente o exercício da mediunidade ostensiva no Brasil.
Com base em 1.315 respostas válidas distribuídas por 26 estados e 290 cidades, o estudo oferece um panorama consistente da realidade vivida por médiuns espíritas, revelando tanto aspectos consolidados quanto fragilidades e desafios que merecem reflexão.
De modo geral, o retrato apresentado é o de uma mediunidade madura, institucionalmente integrada e motivada por ideais assistenciais.
A prática mediúnica ocorre predominantemente no âmbito dos Centros Espíritas, em reuniões coletivas, regulares e organizadas, reforçando o caráter disciplinado e comunitário da atividade.
A psicofonia permanece como a principal forma de manifestação, confirmando sua centralidade nos trabalhos de desobsessão e atendimento espiritual.
O perfil dos participantes evidencia um grupo majoritariamente feminino e envelhecido, com elevado nível de escolaridade. Mais de 70% dos respondentes têm 50 anos ou mais e a ampla maioria possui formação superior, sendo significativa a parcela com pós-graduação.
Esse dado indica que o exercício mediúnico está fortemente sustentado por indivíduos com trajetória intelectual e vivência prolongada na doutrina. Esse mesmo aspecto, contudo, revela um ponto sensível: a baixa participação de jovens sugere risco de descontinuidade geracional, colocando em pauta a necessidade de estratégias de renovação no movimento espírita.
Outro elemento central revelado pela pesquisa é a complexidade da experiência mediúnica.
Longe de se restringir a uma única forma de manifestação, os médiuns tendem a apresentar múltiplas modalidades simultaneamente, combinando psicofonia com vidência, audiência, intuição e outras percepções.
Essa diversidade indica que a mediunidade, na prática, é dinâmica e multifacetada, desafiando classificações rígidas ou simplificadoras.
No que diz respeito ao transe mediúnico, os dados são particularmente relevantes ao desmistificar a ideia de inconsciência total. Predomina entre os respondentes a consciência ou a semiconsciência durante as manifestações, o que implica um papel ativo do médium no processo.
Essa constatação reforça a noção de responsabilidade individual, exigindo discernimento, equilíbrio emocional e preparo moral para a adequada condução das comunicações espirituais.
A experiência subjetiva do médium também apresenta aspectos positivos.
Antes e depois das reuniões, predominam sentimentos de paz, leveza, gratidão e dever cumprido, sugerindo que a mediunidade, quando bem orientada, tende a produzir efeitos equilibradores.
A pesquisa, no entanto, também evidencia a presença de sintomas físicos e emocionais, como ansiedade, cansaço e alterações fisiológicas, indicando que a prática mediúnica envolve repercussões psicossomáticas que não podem ser ignoradas.
Apesar da experiência acumulada dos participantes, o estudo revela importantes lacunas na formação e no acompanhamento dos médiuns.
Insegurança, dúvida e falta de feedback aparecem como dificuldades recorrentes, inclusive entre trabalhadores experientes.
Além disso, há dificuldades conceituais na compreensão e classificação das mediunidades, demonstrando um descompasso entre a vivência prática e a elaboração teórica. Ou mesmo o que não é mediunidade como os fenômenos anímicos e personímico.
Um aspecto particularmente interessante é a presença de uma cultura mediúnica híbrida.
Mesmo com alto nível de escolaridade, os participantes utilizam uma linguagem que mistura elementos da doutrina espírita com termos e conceitos de outras tradições espiritualistas.
Essa característica revela que a mediunidade praticada nos Centros não é apenas doutrinária, mas também cultural, influenciada por experiências pessoais, tradições orais e sincretismos diversos.
Outro ponto relevante é a existência, ainda que minoritária, de mediunidades consideradas raras, como psicometria, xenoglossia, efeitos físicos e psicopictografia.
A pesquisa indica que essas manifestações nem sempre encontram acolhimento adequado nos Centros Espíritas, evidenciando uma tendência institucional de concentrar atenção nas formas mais tradicionais, especialmente na psicofonia.
No plano institucional, a PMed 2026 evidencia fragilidades na gestão das atividades mediúnicas.
A ausência de feedback estruturado, a falta de critérios para avaliação e registro de produções mediúnicas e a dificuldade de lidar com fenômenos fora do padrão indicam que a qualidade do trabalho está diretamente relacionada ao preparo dos dirigentes e à organização do Centro.
A partir desses resultados, algumas perspectivas se delineiam.
A primeira é a necessidade de compreender a mediunidade como um processo educativo, coletivo e contínuo, e não apenas como manifestação espiritual isolada. Isso implica investimento em formação permanente, acompanhamento sistemático e reflexão crítica sobre a prática.
Outra perspectiva importante é a superação do modelo passivo de mediunidade.
Os dados sugerem que o médium é participante ativo do fenômeno, o que exige maior ênfase na responsabilidade, no discernimento e na autonomia moral. 
A mediunidade, nesse sentido, deve ser compreendida como uma interação complexa, envolvendo dimensões espirituais, psicológicas e sociais.
Além disso, a diversidade de experiências e terminologias aponta para a necessidade de evolução conceitual.
O campo mediúnico contemporâneo apresenta uma expansão semântica que exige maior clareza teórica e diálogo entre prática e doutrina.
A pesquisa evidencia que a mediunidade, embora essencialmente espiritual, não pode ser dissociada de fatores humanos, como estado emocional, condições físicas, ambiente e suporte institucional. Trata-se, portanto, de um fenômeno integrado, que demanda abordagem multidimensional.
Em síntese, a PMed 2026 revela uma mediunidade viva, complexa e profundamente inserida na realidade dos Centros Espíritas.
Ao mesmo tempo em que confirma a força do ideal assistencial e a maturidade de seus praticantes, aponta desafios significativos relacionados à formação, gestão e renovação.
O principal ensinamento que emerge do estudo é que a mediunidade, para cumprir plenamente sua função, precisa ser sustentada por uma base sólida de estudo, acompanhamento e organização, integrando experiência pessoal e responsabilidade institucional em um processo contínuo de aprendizado e aperfeiçoamento.
A pesquisa, portanto, é rica de informações a serem cuidadosamente meditadas pelos núcleos espiritistas e que sirva de base para a melhoria da sua prática mediúnica e de sua aplicação benéfica para o próximo e à comunidade que serve.
Obrigado, Ivan Franzolim por mais esta contribuição para o movimento espírita, colaborando para que nossa prática da mediunidade seja menos de achismo e amadorismo e mais investigativa e, portanto, mais científica.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira

6.6.26

AMOR IMBATIVEL AMOR Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Trovas e Trovadores

Jamais queiras, com teus mimos,
Comprar a opinião de alguém,
Quem faz o bem, não precisa
Da opinião de ninguém.
Formiga
 
Seja a discussão qualquer
No tema que se defende,
Quem se encontra com a razão,
Nunca grita nem ofende.
Alceu Novais
 
Toda mentira no tempo,
No que fez ou que não fez,
Sob mil e um disfarces,
Mostrará sua nudez.
Manoel Roberto
 
Aquele que te critica
Na ação em que se vê,
No fundo, no bem que fazes,
Desejava ser você.
Domingas
 
No caminho em que pervagas,
Acenda a tua candeia.
Não há quem possa brilhar
Às custas da luz alheia.
Maria Modesto
 
Nada te mostra pequeno,
Bem menor que um anão,
Que o sentimento de inveja
Que nutres contra teu irmão.
Benedita Fernandes.
 
A verdade sobre si.
Por muito te desconforte,
É o maior horror que existe,
Na Outra Vida, além da morte.
Inácio Ferreira
 
Autores Diversos/Baccelli - Espiritismo em Prosa e Verso
Lar Espírita “Pedro e Paulo”
Uberaba – MG, 30-5-26

4.6.26

O HOMEM DO CADERNO Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

ESPLENDORES

Afonso Celso de Assis Figueiredo Júnior*
     
Além, a luz do espaço se esfacela
Em explosões de sons e cores raras,
Tecendo o amor e a glória nas searas
Da vida universal sublime, bela...
 
Brilham, depois do azul que o céu revela,
Astros em bando, iguais longas aparas
De altas constelações, em formas claras:
Sóis pendendo de vasta passarela...
 
O homem fita espantado as nebulosas
Bailando em formações maravilhosas,
E vê-se um verme à frente do Destino...
 
Ante o excelso esplendor finda-se o engano...
Como se faz pequeno o orgulho humano!
Como se torna imenso o Amor Divino!
     
(*) Poeta., romancista, historiador, jornalista, dramaturgo e orador consumado. Doutorou-se Afonso Celso na Faculdade de Direito de São Paulo, em 1881. Professor e diretor da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Reitor da Universidade do Brasil. Membro fundador da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira nº. 36. Pertencia à Academia das Ciências de Lisboa. Colaborou em muitos jornais e revistas de S. Paulo e do Rio, principalmente no Jornal do Brasil desta última cidade. Veio a ser presidente perpétuo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Possuía numerosos títulos honoríficos. Foi um dos primeiros esperantistas no Brasil. A sua musa era natural e espontânea, clara e simples. Rodrigo Octávio Filho, à beira do túmulo do grande brasileiro, afirmou : «Afonso Celso foi poeta, e emocionou. Foi mestre, e ensinou. Foi patriota, e pregou. » (Apud Homenagem à memória do Conde Affonso Celso, pág. 35.) (Ouro Preto, Minas Gerais, 31 de Março de 1860 – Rio de Janeiro, GB, 11 de Julho de 1938.)
BIBLIOGRAFIA: Prelúdios; Devaneios; Telas Sonantes; etc.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.