19.7.26
Convergências e Divergências da Filosofia Espírita com as Leis Herméticas
O Caibalion (do inglês The Kybalion) é um livro publicado originalmente em 1908, em Chicago, sob o pseudônimo de "Três Iniciados".
A identidade real dos autores permanece debatida, mas fortes evidências e registros de direitos autorais apontam para o escritor e advogado William Walker Atkinson, uma figura central no movimento do Novo Pensamento.
A obra propõe-se a compilar e sintetizar os ensinamentos fundamentais do Hermetismo, uma tradição filosófico-espiritual atribuída a Hermes Trismegisto — uma figura sincrética que funde o deus egípcio Thoth e o deus grego Hermes.
Embora a tradição hermética original remonte aos primeiros séculos da Era Cristã (registrada no Corpus Hermeticum), O Caibalion funciona como uma releitura moderna desses conceitos, estruturada em torno de sete grandes princípios universais que regem a realidade visível e invisível.
AS 7 LEIS HERMÉTICAS
O cerne de O Caibalion reside na apresentação de sete leis ou princípios que governam o Universo:
Princípio do Mentalismo. "O Todo é Mente; o Universo é Mental." Toda a realidade fenomênica procede de uma inteligência subjacente. A matéria é uma manifestação da energia mental universal.
Princípio da Correspondência. "O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima." Existe uma harmonia e analogia entre os diferentes planos de manifestação (físico, mental e espiritual). Microcosmo e macrocosmo se refletem.
Princípio da Vibração. "Nada está parado; tudo se move; tudo vibra." A diferença entre as diversas manifestações da matéria, da mente e do espírito reside unicamente nas suas taxas de vibração. Quanto mais elevada a vibração, mais espiritual a substância.
Princípio da Polaridade. "Tudo é Duplo; tudo tem polos; tudo tem o seu oposto; o igual e o desigual são a mesma coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau." Polaridades como calor e frio, amor e ódio, ou luz e escuridão são apenas extremos da mesma escala contínua.
Princípio do Ritmo. "Tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação." O Universo opera em ciclos de atividade e repouso, avanço e retrocesso.
Princípio de Causa e Efeito. "Toda Causa tem seu Efeito; todo Efeito tem sua Causa; tudo acontece de acordo com a Lei; o Acaso é simplesmente um nome dado a uma Lei não reconhecida." Não há acidentes no tecido universal; todo evento é o desdobramento necessário de antecedentes.
Princípio de Gênero. "O Gênero está em tudo; tudo tem o seu princípio masculino e o seu princípio feminino; o gênero se manifesta em todos os planos." Não se limita ao sexo biológico, mas refere-se às energias geradora (masculina) e receptiva/criativa (feminina) necessárias para qualquer criação.
CONVERGÊNCIAS COM A FILOSOFIA ESPÍRITA
A Filosofia Espírita, sistematizada por Allan Kardec no século XIX, guarda profundas convergências com os axiomas de O Caibalion, demonstrando que a mecânica das leis espirituais opera de forma lógica e universal.
I. Mentalismo
Convergência: O Espiritismo define Deus como a Inteligência Suprema e estabelece que o pensamento é o atributo essencial do Espírito, modelando o fluido cósmico.
O Livro dos Espíritos: Q. 1: "Que é Deus? Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas." Q. 27 indica a existência de dois elementos gerais no Universo: a matéria e o espírito, sendo este último o princípio inteligente.
André Luiz (Mecanismos da Mediunidade, Cap. IV): "O pensamento é a força que atua sobre o fluido cósmico universal, modelando-o e dando-lhe direção, criando formas e projeções que se materializam no plano em que opera."
II. Correspondência
Convergência: A interrelação entre o plano espiritual e o físico, onde a Terra e o corpo humano refletem estruturas e leis existentes nas dimensões espirituais.
O Livro dos Espíritos: Q. 85: "Os Espíritos constituem um mundo à parte, que preexiste e sobrevive a tudo." Q. 86: "O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, preexistente, eterno." O plano físico é uma cópia transitória e adaptada dele.
André Luiz (Nosso Lar, Cap. I e II): O autor descreve a colônia espiritual com habitações, praças e hospitais que mimetizam a estrutura terrena, porém em grau superior de pureza e funcionalidade: "A colônia, que é essencialmente de trabalho e transição, apresenta organização urbana que surpreende o recém-chegado pela semelhança com as formas da Terra..."
III. Vibração
Convergência: A matéria difere do espírito apenas pelo grau de quintessência ou densidade. O perispírito e os fluidos espirituais são explicados por variações vibratórias.
O Livro dos Espíritos: Q. 29: "A matéria existe em estados que vos são desconhecidos. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que nenhuma impressão cause aos vossos sentidos..."
André Luiz (Evolução em Dois Mundos, Cap. I): "O fluido cósmico é o plasma divino, hausto do Criador... Nele se estruturam os sistemas de matéria sutil ou densa, conforme o padrão vibratório em que se manifestam os agentes inteligentes."
IV. Polaridade
Convergência: O bem e o mal, a ignorância e a sabedoria não são forças ontologicamente opostas e independentes, mas graus diferentes de evolução e percepção da Lei Divina.
O Livro dos Espíritos: Q. 642: "O mal não é o oposto absoluto do bem, mas a ausência deste, ou o desvio do homem da lei de Deus." O Espírito imperfeito difere do Puro Espírito apenas pelo grau de depuração e tempo de aprendizado.
André Luiz (Libertação, Cap. III): "O mal é apenas o bem desgovernado, a energia criadora desviada do seu reto caminho, necessitando de reajuste e orientação, e não de destruição."
V. Ritmo
Convergência: A alternância regular entre a vida no plano físico (encarnação) e a vida no plano espiritual (erraticidade), o repouso e a atividade.
O Livro dos Espíritos: Q. 223: "A alma, após a morte corporal, volta ao mundo dos Espíritos, de onde saíra, para novamente passar por uma nova existência corpórea, após um período mais ou menos longo de erraticidade."
André Luiz (Missionários da Luz, Cap. XIII): Descreve o processo cíclico de preparação e retorno à carne como um fluxo natural da alma que necessita alternar os períodos de esforço ativo no plano físico com o balanço e aprendizado no plano espiritual.
VI. Causa e Efeito
Convergência: A lei de ação e reação ou carma, segundo a qual cada indivíduo colhe invariavelmente os frutos morais de suas escolhas presentes e passadas.
O Livro dos Espíritos: Q. 964: "Deus tem leis plenas de sabedoria... O homem sofre sempre a consequência de suas próprias faltas; não há uma só infração da lei de Deus que não traga consigo a sua punição."
André Luiz (Ação e Reação, Cap. VII): "Cada criatura constrói o seu próprio destino. A lei de causa e efeito funciona com precisão matemática, devolvendo a cada um o reflexo de suas próprias ações na economia do Universo."
VII. Gênero
Convergência: As polaridades complementares feminina e masculina operam na criação e evolução da alma. O Espírito em si não tem sexo anatômico, mas expressa essas energias conforme a necessidade evolutiva.
O Livro dos Espíritos: Q. 200: "Têm sexo os Espíritos? Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização corpórea. Há entre eles amor e simpatia, mas fundados na concordância dos sentimentos." Q. 201: "Pode o Espírito que animou o corpo de um homem animar o de uma mulher...? Sim, as almas passam por ambas as posições para adquirir as qualidades de cada um desses estados."
André Luiz (Evolução em Dois Mundos, Cap. VIII): "O sexo não é um acidente mecânico, mas uma condição sagrada da alma, cujos princípios masculino e feminino se completam e se alternam nas experiências reencarnatórias para a plena realização do ser perante a Divindade."
DIVERGÊNCIAS ENTRE O HERMETISMO E O ESPIRITISMO
Apesar do forte paralelismo mecânico-filosófico, as duas doutrinas divergem em pontos estruturais:
A Natureza de Deus (Panteísmo vs. Teísmo). O Caibalion flerta com uma visão marcadamente panteísta ou panenteísta, onde o Universo é uma projeção estrita "dentro da mente" do Todo, confundindo-se criador e criatura. O Espiritismo adota uma postura teísta: Deus é o criador, independente de Sua criação; o Espírito e a matéria são efeitos da vontade divina, e não fragmentos da substância de Deus (Q. 14 de O Livro dos Espíritos refuta categoricamente o panteísmo).
O Caráter da Evolução Moral. No Hermetismo (especialmente na leitura do Novo Pensamento contida em O Caibalion), as leis são ferramentas neutras de transmutação mental para o domínio da realidade individual e aquisição de poder pessoal. No Espiritismo, as leis universais têm um caráter essencialmente moral e teleológico. O sofrimento e a reencarnação não visam apenas ao equilíbrio de polaridades energéticas, mas à purificação do sentimento (o desenvolvimento do amor e da caridade).
Origem do Mal. Para o Hermetismo, o mal e o bem são polos equivalentes e necessários da mesma escala (Princípio da Polaridade). No Espiritismo, o mal não tem realidade ontológica eterna; ele é uma condição transitória decorrente do livre-arbítrio e da ignorância do Espírito em suas fases iniciais de evolução. O destino final de todas as almas é a perfeição pura, onde o mal deixa de existir.
Os dois pensamentos, portanto, dialogam para o mesmo ponto em diversas direções, mas se afastam em alguns poucos.
No fundo, trata-se de sabedoria milenar na busca eterna da verdade com ângulos específicos de percepção dela.
E assim amadurecemos o nosso pensamento e aprendemos o que há além dos olhos físicos, até porque o essencial ainda é invisível a eles.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Referências Bibliográficas
ATKINSON, William Walker (Três Iniciados). O Caibalion: Estudo sobre a Filosofia Hermética do Antigo Egito e da Grécia. Tradução de Rosabis Camaysar. São Paulo: Pensamento, 2020.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. Brasília: FEB, 2013.
XAVIER, Francisco Cândido; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Ação e Reação. 30. ed. Brasília: FEB, 2014.
XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Evolução em Dois Mundos. 27. ed. Brasília: FEB, 2013.
XAVIER, Francisco Cândido; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Libertação. 32. ed. Brasília: FEB, 2014.
XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Mecanismos da Mediunidade. 28. ed. Brasília: FEB, 2013.
XAVIER, Francisco Cândido; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Missionários da Luz. 45. ed. Brasília: FEB, 2015.
XAVIER, Francisco Cândido; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Nosso Lar. 64. ed. Brasília: FEB, 2014.
A identidade real dos autores permanece debatida, mas fortes evidências e registros de direitos autorais apontam para o escritor e advogado William Walker Atkinson, uma figura central no movimento do Novo Pensamento.
A obra propõe-se a compilar e sintetizar os ensinamentos fundamentais do Hermetismo, uma tradição filosófico-espiritual atribuída a Hermes Trismegisto — uma figura sincrética que funde o deus egípcio Thoth e o deus grego Hermes.
Embora a tradição hermética original remonte aos primeiros séculos da Era Cristã (registrada no Corpus Hermeticum), O Caibalion funciona como uma releitura moderna desses conceitos, estruturada em torno de sete grandes princípios universais que regem a realidade visível e invisível.
AS 7 LEIS HERMÉTICAS
O cerne de O Caibalion reside na apresentação de sete leis ou princípios que governam o Universo:
Princípio do Mentalismo. "O Todo é Mente; o Universo é Mental." Toda a realidade fenomênica procede de uma inteligência subjacente. A matéria é uma manifestação da energia mental universal.
Princípio da Correspondência. "O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima." Existe uma harmonia e analogia entre os diferentes planos de manifestação (físico, mental e espiritual). Microcosmo e macrocosmo se refletem.
Princípio da Vibração. "Nada está parado; tudo se move; tudo vibra." A diferença entre as diversas manifestações da matéria, da mente e do espírito reside unicamente nas suas taxas de vibração. Quanto mais elevada a vibração, mais espiritual a substância.
Princípio da Polaridade. "Tudo é Duplo; tudo tem polos; tudo tem o seu oposto; o igual e o desigual são a mesma coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau." Polaridades como calor e frio, amor e ódio, ou luz e escuridão são apenas extremos da mesma escala contínua.
Princípio do Ritmo. "Tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação." O Universo opera em ciclos de atividade e repouso, avanço e retrocesso.
Princípio de Causa e Efeito. "Toda Causa tem seu Efeito; todo Efeito tem sua Causa; tudo acontece de acordo com a Lei; o Acaso é simplesmente um nome dado a uma Lei não reconhecida." Não há acidentes no tecido universal; todo evento é o desdobramento necessário de antecedentes.
Princípio de Gênero. "O Gênero está em tudo; tudo tem o seu princípio masculino e o seu princípio feminino; o gênero se manifesta em todos os planos." Não se limita ao sexo biológico, mas refere-se às energias geradora (masculina) e receptiva/criativa (feminina) necessárias para qualquer criação.
CONVERGÊNCIAS COM A FILOSOFIA ESPÍRITA
A Filosofia Espírita, sistematizada por Allan Kardec no século XIX, guarda profundas convergências com os axiomas de O Caibalion, demonstrando que a mecânica das leis espirituais opera de forma lógica e universal.
I. Mentalismo
Convergência: O Espiritismo define Deus como a Inteligência Suprema e estabelece que o pensamento é o atributo essencial do Espírito, modelando o fluido cósmico.
O Livro dos Espíritos: Q. 1: "Que é Deus? Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas." Q. 27 indica a existência de dois elementos gerais no Universo: a matéria e o espírito, sendo este último o princípio inteligente.
André Luiz (Mecanismos da Mediunidade, Cap. IV): "O pensamento é a força que atua sobre o fluido cósmico universal, modelando-o e dando-lhe direção, criando formas e projeções que se materializam no plano em que opera."
II. Correspondência
Convergência: A interrelação entre o plano espiritual e o físico, onde a Terra e o corpo humano refletem estruturas e leis existentes nas dimensões espirituais.
O Livro dos Espíritos: Q. 85: "Os Espíritos constituem um mundo à parte, que preexiste e sobrevive a tudo." Q. 86: "O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, preexistente, eterno." O plano físico é uma cópia transitória e adaptada dele.
André Luiz (Nosso Lar, Cap. I e II): O autor descreve a colônia espiritual com habitações, praças e hospitais que mimetizam a estrutura terrena, porém em grau superior de pureza e funcionalidade: "A colônia, que é essencialmente de trabalho e transição, apresenta organização urbana que surpreende o recém-chegado pela semelhança com as formas da Terra..."
III. Vibração
Convergência: A matéria difere do espírito apenas pelo grau de quintessência ou densidade. O perispírito e os fluidos espirituais são explicados por variações vibratórias.
O Livro dos Espíritos: Q. 29: "A matéria existe em estados que vos são desconhecidos. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que nenhuma impressão cause aos vossos sentidos..."
André Luiz (Evolução em Dois Mundos, Cap. I): "O fluido cósmico é o plasma divino, hausto do Criador... Nele se estruturam os sistemas de matéria sutil ou densa, conforme o padrão vibratório em que se manifestam os agentes inteligentes."
IV. Polaridade
Convergência: O bem e o mal, a ignorância e a sabedoria não são forças ontologicamente opostas e independentes, mas graus diferentes de evolução e percepção da Lei Divina.
O Livro dos Espíritos: Q. 642: "O mal não é o oposto absoluto do bem, mas a ausência deste, ou o desvio do homem da lei de Deus." O Espírito imperfeito difere do Puro Espírito apenas pelo grau de depuração e tempo de aprendizado.
André Luiz (Libertação, Cap. III): "O mal é apenas o bem desgovernado, a energia criadora desviada do seu reto caminho, necessitando de reajuste e orientação, e não de destruição."
V. Ritmo
Convergência: A alternância regular entre a vida no plano físico (encarnação) e a vida no plano espiritual (erraticidade), o repouso e a atividade.
O Livro dos Espíritos: Q. 223: "A alma, após a morte corporal, volta ao mundo dos Espíritos, de onde saíra, para novamente passar por uma nova existência corpórea, após um período mais ou menos longo de erraticidade."
André Luiz (Missionários da Luz, Cap. XIII): Descreve o processo cíclico de preparação e retorno à carne como um fluxo natural da alma que necessita alternar os períodos de esforço ativo no plano físico com o balanço e aprendizado no plano espiritual.
VI. Causa e Efeito
Convergência: A lei de ação e reação ou carma, segundo a qual cada indivíduo colhe invariavelmente os frutos morais de suas escolhas presentes e passadas.
O Livro dos Espíritos: Q. 964: "Deus tem leis plenas de sabedoria... O homem sofre sempre a consequência de suas próprias faltas; não há uma só infração da lei de Deus que não traga consigo a sua punição."
André Luiz (Ação e Reação, Cap. VII): "Cada criatura constrói o seu próprio destino. A lei de causa e efeito funciona com precisão matemática, devolvendo a cada um o reflexo de suas próprias ações na economia do Universo."
VII. Gênero
Convergência: As polaridades complementares feminina e masculina operam na criação e evolução da alma. O Espírito em si não tem sexo anatômico, mas expressa essas energias conforme a necessidade evolutiva.
O Livro dos Espíritos: Q. 200: "Têm sexo os Espíritos? Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização corpórea. Há entre eles amor e simpatia, mas fundados na concordância dos sentimentos." Q. 201: "Pode o Espírito que animou o corpo de um homem animar o de uma mulher...? Sim, as almas passam por ambas as posições para adquirir as qualidades de cada um desses estados."
André Luiz (Evolução em Dois Mundos, Cap. VIII): "O sexo não é um acidente mecânico, mas uma condição sagrada da alma, cujos princípios masculino e feminino se completam e se alternam nas experiências reencarnatórias para a plena realização do ser perante a Divindade."
DIVERGÊNCIAS ENTRE O HERMETISMO E O ESPIRITISMO
Apesar do forte paralelismo mecânico-filosófico, as duas doutrinas divergem em pontos estruturais:
A Natureza de Deus (Panteísmo vs. Teísmo). O Caibalion flerta com uma visão marcadamente panteísta ou panenteísta, onde o Universo é uma projeção estrita "dentro da mente" do Todo, confundindo-se criador e criatura. O Espiritismo adota uma postura teísta: Deus é o criador, independente de Sua criação; o Espírito e a matéria são efeitos da vontade divina, e não fragmentos da substância de Deus (Q. 14 de O Livro dos Espíritos refuta categoricamente o panteísmo).
O Caráter da Evolução Moral. No Hermetismo (especialmente na leitura do Novo Pensamento contida em O Caibalion), as leis são ferramentas neutras de transmutação mental para o domínio da realidade individual e aquisição de poder pessoal. No Espiritismo, as leis universais têm um caráter essencialmente moral e teleológico. O sofrimento e a reencarnação não visam apenas ao equilíbrio de polaridades energéticas, mas à purificação do sentimento (o desenvolvimento do amor e da caridade).
Origem do Mal. Para o Hermetismo, o mal e o bem são polos equivalentes e necessários da mesma escala (Princípio da Polaridade). No Espiritismo, o mal não tem realidade ontológica eterna; ele é uma condição transitória decorrente do livre-arbítrio e da ignorância do Espírito em suas fases iniciais de evolução. O destino final de todas as almas é a perfeição pura, onde o mal deixa de existir.
Os dois pensamentos, portanto, dialogam para o mesmo ponto em diversas direções, mas se afastam em alguns poucos.
No fundo, trata-se de sabedoria milenar na busca eterna da verdade com ângulos específicos de percepção dela.
E assim amadurecemos o nosso pensamento e aprendemos o que há além dos olhos físicos, até porque o essencial ainda é invisível a eles.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Referências Bibliográficas
ATKINSON, William Walker (Três Iniciados). O Caibalion: Estudo sobre a Filosofia Hermética do Antigo Egito e da Grécia. Tradução de Rosabis Camaysar. São Paulo: Pensamento, 2020.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. Brasília: FEB, 2013.
XAVIER, Francisco Cândido; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Ação e Reação. 30. ed. Brasília: FEB, 2014.
XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Evolução em Dois Mundos. 27. ed. Brasília: FEB, 2013.
XAVIER, Francisco Cândido; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Libertação. 32. ed. Brasília: FEB, 2014.
XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Mecanismos da Mediunidade. 28. ed. Brasília: FEB, 2013.
XAVIER, Francisco Cândido; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Missionários da Luz. 45. ed. Brasília: FEB, 2015.
XAVIER, Francisco Cândido; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Nosso Lar. 64. ed. Brasília: FEB, 2014.
18.7.26
Brasil Livre
Brasil, tu és a Pátria do Cruzeiro,
O meu coração freme de alegria,
Repleto de esperança em novo dia
A esplender em teu céu de brigadeiro...
Nas bênçãos do Divino Companheiro
Que te conduz os passos na porfia,
Vencerás toda a treva mais sombria
E hás de mostrar-te em luz ao mundo inteiro...
Passada em breve a cruel tormenta,
Que o teu povo, às vezes, desalenta,
Do lamaçal florescerá teu chão...
Transformando a derrota em vitória,
Escreverás nas páginas da História
Que não sofreste e não lutaste em vão!...
Pedro d’Alcântara/Baccelli
Lar Espírita “Pedro e Paulo”
Uberaba, sábado, 11 de julho de 2026.
O meu coração freme de alegria,
Repleto de esperança em novo dia
A esplender em teu céu de brigadeiro...
Nas bênçãos do Divino Companheiro
Que te conduz os passos na porfia,
Vencerás toda a treva mais sombria
E hás de mostrar-te em luz ao mundo inteiro...
Passada em breve a cruel tormenta,
Que o teu povo, às vezes, desalenta,
Do lamaçal florescerá teu chão...
Transformando a derrota em vitória,
Escreverás nas páginas da História
Que não sofreste e não lutaste em vão!...
Pedro d’Alcântara/Baccelli
Lar Espírita “Pedro e Paulo”
Uberaba, sábado, 11 de julho de 2026.
17.7.26
EMMANUEL Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria ✍️ Francisco C. Xavier (Autor) Emmanuel (espírito) Editora: FEB 250 páginas tamanho 13 x 18 cm. ❤️https://www.facebook.com/MensageirosLuz ❤️ estudo detalhado de NOSSO LAR https://youtu.be/ydMsfCDlxRk https://www.facebook.com/MensageirosLuz ❤️ palestras de Toninho Barana https://youtu.be/F9R8x9MoAXw ❤️ curso preparatório ESPIRITISMO https://youtu.be/O1YIF2zfPXE ❤️ conheça ESPERANTO https://youtu.be/zD3AktmQYTE https://youtu.be/yDlcRe4zW_4
O sonho de união não acabou
A divisão que hoje impera na Europa não é satisfatória para os interesses mundiais. O que lá acontece é que não houve o devido ajuste de conduta entre os povos. É natural que seja assim, pois, somente pouco a pouco, é que tudo se concretiza na união de povos.
Os alemães, os franceses, os ingleses e todos os outros componentes da União Europeia sabiam da dificuldade que seria em materializar este antigo sonho de união. As barreiras a serem transpostas são imensas. Os interesses individuais devem casar com os interesses coletivos e isso fere ao que se convencionou denominar de soberania nacional.
Ora, como fazer parte do todo, sem se integrar a ele, sem se adaptar a conjuntura total?
Estes azedumes locais são naturais e esperados. Os nacionalistas nunca viram com bons olhos a aproximação de povos que antes foram circunstancialmente seus inimigos. Enxergam com certa desconfiança as diferenças e decisões tomadas em colegiado. Afinal, como ficará a vontade do meu país diluída entre os demais?
Esta expectativa negativa de muitos europeus ganhou eco entre os britânicos, não todos eles, mas de um agrupamento mais conservador, portanto, menos liberal a ideias novas.
Eles acham que o mundo não mudou. Que a libra esterlina é forte por natureza. Que seu país ainda é, de certa forma, o centro do mundo. Não entendem como é que eles podem ficar sem emprego e muitos europeus de outras nações ocuparem o seu lugar.
Esta relação de perdas e ganhos é uma contabilidade que todos os países integrantes da União Europeia fazem constantemente. Em outras palavras, averiguam se é melhor estar sozinho ou fazer parte de um grande grupo de nações.
Esta contabilidade, meus caros, para todos, sem exceção, têm se demonstrado positiva, afinal de contas, isoladamente, ungindo de suas próprias ações, dificilmente conseguiriam os resultados desejados. Hoje, fazendo parte da “nação europeia” sentem-se, muitos deles, seguros e fortes. Esta é a razão do reforço pela ideia integrativa europeia. As contas, no final, batem no azul.
A União Europeia sabe do momento decisivo que atravessa. A inesperada, mas ainda não concretizada saída dos britânicos, é, sem dúvida alguma, uma queda nas pretensões plurais que já estão em desenvolvimento.
Torcemos para que os ingleses reflitam melhor sobre a sua decisão, aliás, muitos já estão fazendo, mesmo aqueles que votaram favoravelmente no plebiscito separatista. A pena para a saída do bloco continental será tamanha que poderá, inclusive, ocorrer um retrocesso nesta decisão. Não tenho dúvidas alguma sobre isso.
Este patamar de coisas é observado por nós espíritos com muita clareza. Estamos atentos aos fatos igualmente a vocês aí no plano físico. As repercussões não são apenas de ordem material. Diria que são primeiramente de ordem espiritual, pois não existe efeito sem uma causa fundante.
Aguardemos os fatos. Muita água ainda está por rolar sob as pontes londrinas. Nada é definitivo, a não ser a própria vida que nos abastece de esperanças e alegria.
Joaquim Nabuco - Blog Reflexões de um Imortal
Os alemães, os franceses, os ingleses e todos os outros componentes da União Europeia sabiam da dificuldade que seria em materializar este antigo sonho de união. As barreiras a serem transpostas são imensas. Os interesses individuais devem casar com os interesses coletivos e isso fere ao que se convencionou denominar de soberania nacional.
Ora, como fazer parte do todo, sem se integrar a ele, sem se adaptar a conjuntura total?
Estes azedumes locais são naturais e esperados. Os nacionalistas nunca viram com bons olhos a aproximação de povos que antes foram circunstancialmente seus inimigos. Enxergam com certa desconfiança as diferenças e decisões tomadas em colegiado. Afinal, como ficará a vontade do meu país diluída entre os demais?
Esta expectativa negativa de muitos europeus ganhou eco entre os britânicos, não todos eles, mas de um agrupamento mais conservador, portanto, menos liberal a ideias novas.
Eles acham que o mundo não mudou. Que a libra esterlina é forte por natureza. Que seu país ainda é, de certa forma, o centro do mundo. Não entendem como é que eles podem ficar sem emprego e muitos europeus de outras nações ocuparem o seu lugar.
Esta relação de perdas e ganhos é uma contabilidade que todos os países integrantes da União Europeia fazem constantemente. Em outras palavras, averiguam se é melhor estar sozinho ou fazer parte de um grande grupo de nações.
Esta contabilidade, meus caros, para todos, sem exceção, têm se demonstrado positiva, afinal de contas, isoladamente, ungindo de suas próprias ações, dificilmente conseguiriam os resultados desejados. Hoje, fazendo parte da “nação europeia” sentem-se, muitos deles, seguros e fortes. Esta é a razão do reforço pela ideia integrativa europeia. As contas, no final, batem no azul.
A União Europeia sabe do momento decisivo que atravessa. A inesperada, mas ainda não concretizada saída dos britânicos, é, sem dúvida alguma, uma queda nas pretensões plurais que já estão em desenvolvimento.
Torcemos para que os ingleses reflitam melhor sobre a sua decisão, aliás, muitos já estão fazendo, mesmo aqueles que votaram favoravelmente no plebiscito separatista. A pena para a saída do bloco continental será tamanha que poderá, inclusive, ocorrer um retrocesso nesta decisão. Não tenho dúvidas alguma sobre isso.
Este patamar de coisas é observado por nós espíritos com muita clareza. Estamos atentos aos fatos igualmente a vocês aí no plano físico. As repercussões não são apenas de ordem material. Diria que são primeiramente de ordem espiritual, pois não existe efeito sem uma causa fundante.
Aguardemos os fatos. Muita água ainda está por rolar sob as pontes londrinas. Nada é definitivo, a não ser a própria vida que nos abastece de esperanças e alegria.
Joaquim Nabuco - Blog Reflexões de um Imortal
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