21.2.26

ZEDISMO e a Literatura A Poética de Gilberto Gil 📖Livro a venda na LER Livros Revistas Papelaria

 



Pão de Cada Dia

A Esperança, meu amigo,
É um caminho aberto em luz –
Nessa luz é que eu prossigo
Carregando a minha cruz...
 
Nada faz-me recuar,
Devo seguir sempre além,
Aprendendo a superar
As lutas que a vida tem...
 
Entre as tramas do destino,
A Esperança é que me guia,
E o seu fermento divino
É o meu pão de cada dia!...
 
Blog Esoiritismo em Prosa e Verso
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, na reunião pública do “Grupo Espírita da Prece”, na noite de 16 de janeiro de 1988, em Uberaba – MG).

20.2.26

Comentário Questão 802 do Livro dos Espíritos

APRESSAR O PROGRESSO
 
Os que pedem milagres sempre encontram fenômenos maravilhosos, no seu dia-a-dia, ou estudando a história dos povos. O maior fenômeno transcendental de todos os tempos foi a vinda de Jesus à Terra; os prodígios operados por Ele foram incontáveis, e mesmo depois que voltou para o Pai, continuou a fazê-los por toda parte. Ele mesmo disse que ninguém é profeta em sua Terra, e foi justamente ali que Ele também encontrou a incredulidade quanto a Sua procedência. Até hoje, depois de quase dois mil anos, ainda há quem negue que Ele é o Cristo que havia de vir.
Somente a Doutrina dos Espíritos veio tirar os homens dessa incredulidade, produto da ignorância. Essa é a resposta de por que Deus não apressa o progresso: não creiamos somente porque vemos, pois a crença nasce da maturidade espiritual.
Os meios de mostrar à humanidade a existência dos Espíritos, o mundo espiritual os tem. Só nos basta analisá-los e concluirmos que não adianta; usar esses recursos é perder tempo para os novos fariseus e escribas espalhados pelo mundo inteiro.
Estamos trabalhando e não paramos de nos esforçar no sentido de que os homens se esclareçam. Preparamos terreno para a maturidade das almas, pelos processos do tempo e do esforço. Eis aí o nosso instrumento, a Doutrina dos Espíritos revelando e fazendo renascer o Cristianismo original, de modo que os homens acordem à luz da verdade e reconheçam Aquele que é o caminho de todos nós, que é a verdade e a vida. Ele já se libertou de todas as leis, para se integrar no coração espiritual do próprio Criador.
Nós, na verdade, estamos vivendo os tempos de apressamento do progresso, mas, nos limites que a humanidade possa assimilar. é chegado o fim dos tempos maus, e os flagelos, as dores sem conta e as catástrofes são o apressamento do progresso, que a lei permite fazer, mas, com o intuito que Paulo nos apresenta na sua fala à Timóteo, conforme o capítulo um, versículo cinco:
Ora, o intuito da presente admoestação, visa ao amor que procede de coração puro e de consciência boa e de fé sem hipocrisia.
A pureza de coração, de consciência e de fé, nos leva a mostrar aos companheiros os ensinamentos elevados com tal simplicidade, que ajuda no amadurecimento das almas. Essas são as bênçãos de Deus que estão se derramando por todos os lados, e. o Espiritismo é um desses instrumentos de luz para clarear o mundo.
Esperamos o esforço de cada um, para que as portas se abram, porque os Anjos do Senhor estão transitando por todos os lados, mas, somente entram nos corações que abrirem as portas dos sentimentos. Todos somos portadores de luz imortal de Deus; deixemos que brilhe a nossa luz, porque somente ela nos conduzirá à felicidade.
Apressemo-nos em entender Jesus e deixemos o Cristo comandar os nossos sentimentos, de modo que o amor se transforme em diversas forças para nos mostrar a verdade, pelos canais da esperança.
Os milagres que se esperam, os maiores e os mais convincentes têm a sua fonte na própria intimidade de cada um. Ninguém vem a conhecer a verdade apenas pela ciência; ela tão somente dá notícia da sua existência. A verdade deve ser sentida.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez

ASAS DA LIBERDADE 📖 Romance espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

19.2.26

À CAMINHO DA LUZ 📖Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

DIVINO SOL

AUGUSTO Carvalho Rodrigues DOS ANJOS *
 
Noite. Retorne À Terra. Entre os aflitos
Que a luta impele aos últimos degraus,
Sinto a perturbação que envolve o caos
10     E a exalação de todos os detritos.
 
Entre o mundo e meu pranto, a sós, vagueio,
Na torva indagação que me constringe.
A vida é aterradora e imensa esfinge
No horror que me tortura de permeio.
 
Ao coro estranho de sinistros ventos,
Ergue-se a angústia num milhão de vozes...
Do choro mudo a imprecações ferozes,
Há turbilhões de trágicos lamentos.
 
Paixões embatem com medonha fúria.
O fel da provação verte sem peias...
O homem é como alguém que abrindo as veias
Tenta fugir debalde à carne espúria.
 
Em toda a parte, a dor comprime o cerco,
E os que dormem, quais míseros cativos,
Assemelham-se a tristes morto-vivos,
Agonizando em túmulos de esterco.
 
Acorrentada entre os horrendos muros
Dos seus próprios grilhões imanifestos,
A Humanidade escuta os vãos protestos
Dos sonhos que morreram nascituros...
 
Mas, dissipando a sombra por rompê-la,
Na gleba que de lodo se engalana,
Como sinal de Deus na furna humana,
28     Surge sublime e resplendente estrela.
 
Há nova luz de amor que tudo invade.
E percebo, no pântano entrevisto,
Que a redenção virá, brilhando em Cristo,
Ante o Divino Sol da caridade.
     (*) Bacharelando-se em Direito, na cidade do Recife, três anos depois transfere-se Augusto dos Anjos para o Rio de Janeiro, onde permanece por dois anos, lecionando na Escola Normal e no Colégio Pedro II. Muda-se posteriormente para Leopoldina, Minas, tornando-se abnegado diretor do Grupo Escolar “Ribeiro Junqueira”, até à desencarnação. Cognominado o “Poeta da Morte” por Antônio Torres, emparelha-se com Antero Quental, como sendo poeta filósofo do mais alto nível. Os temas científicos encontraram em AA “o seu grande explorador”, segundo a expressão usada por Darcy Damasceno (In A Lit. no Brasil, III, t. 1, pág. 388). Apesar do pessimismo empedernido do poeta paraibano, salienta Fernando Góes (Pan., V, pág.64) que “ em muitos passos de sua obra áspera e amarga há traços de um grande espiritualismo”. (Engenhos Pau d’Arco, perto da Vila do Espírito Santo, Paraíba, 20 de Abril de 1884 – Leopoldina, Minas Gerais, 12 de Novembro de 1914.)
    BIBLIOGRAFIA: eu; eu e outras poesias.
4. Observa-se a semelhança desta estância com a primeira de “As Cismas do Destino” (Eu e Outras Poesias, pág. 67), que vamos  transcrever na íntegra:
“Recife. Ponte Buarque de Macedo.
Eu, indo em direção à casa do Agra,
Assombrado com a minha sombra magra,
Pensava no destino e tinha medo!”
28. Atente-se na aliteração em s.
61. Ei-lo, o doente... Cf. a nota 3-4, pág.110.
A respeito do metro deste verso em que a 6ª sílaba tônica recai no que cf. o 1º verso do soneto “Solitário”: “Como um fantasma que se refugia”; o 10º verso de “O Lamento das Coisas”: “Da transcendência que se não realiza...”, etc.
70-71. horrenda – hirta. Não raro, freqüentavam o vocabulário do poeta estas palavras. Cf. “Os Doentes” – VII, VIII e IX; “ Noite de visionário”;  “Apóstrofe à Carne”; “Louvor à Unidade”; etc.
73. Aposiopese: “E’ o parto novo...”
76. abdômen: “ a rima abdômen é, do ponto de vista orto-épico, camônico, imperfeita. Mas em verdade revela que, embora requintado em muitos aspectos de sua pronúncia, Augusto do Anjos se deixaria levar de certas tendências populares. A pronúncia canônica, aliás, de abdômen é práticamente inexistente, salvo nas situações tensas de cátedra, oratório ou teatro culto requintado.” (Nota de Antônio Houaiss – N. Cl., nº. 46, da pág. 21.)
82. E’ ainda de M. Cavalcanti Proença que vamos citar uma estatística: “No Monólogo de uma sombra, de Augusto dos Anjos, 55 entre 186 decassílabos (30%) são acentuados na 6ª sílaba, que é a tônica do proparoxítono.” (Ritmos e Poesias, Págs. 80-81.) Nos 88 decassílabos que ora estudamos, o poeta, que por este ritmo tem acentuado parentesco com Cesário Verde, ostentou 16 vocábulos proparoxítonas acentuados na 6ª  sílaba (18%).
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira