6.4.26

DEUS, NOSSO PAI Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Jesus - O Homem Imortal

A celebração da Semana Santa não surgiu como um evento único, mas como uma construção gradual ao longo dos primeiros quatro séculos do Cristianismo. Ela evoluiu de uma celebração anual simples da Ressurreição para um ciclo complexo que recria os últimos dias de Jesus.
RECONSTRUÇÃO HISTÓRICA
Nos primeiros cem anos após a morte de Jesus não existia uma "Semana Santa". Os primeiros seguidores do Nazareno, depois conhecidos como cristãos, celebravam apenas a Páscoa, que era uma celebração única e contínua da Paixão, Morte e Ressurreição.
A celebração estava intimamente ligada à Pessach (Páscoa Judaica) e havia uma disputa sobre a data.
Alguns grupos celebravam no dia 14 do mês de Nisan (calendário lunar), enquanto outros defendiam que a celebração deveria ser sempre em um domingo, o dia da ressurreição.
A partir do ano 200 d.C., a celebração começou a se desmembrar.
Documentos como a Tradição Apostólica de Hipólito de Roma mostram que os fiéis começaram a observar um jejum rigoroso na sexta-feira e no sábado, culminando na vigília pascal no domingo. Surgia daí o conceito do Tríduo Pascal.
No século IV é que a ideia de se criar a Semana Santa se consolida como a conhecemos hoje, impulsionado por dois fatores principais.
Primeiramente, devido ao Concílio de Niceia (325 d.C.). O Imperador Constantino e os bispos padronizaram a data da Páscoa: ela deveria ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia do equinócio da primavera (no Hemisfério Norte). Isso separou definitivamente a data cristã da judaica.
O segundo fator refere-se à influência de Jerusalém e a Peregrina Egéria. Após a "paz constante" de Constantino, Jerusalém tornou-se um centro de peregrinação. Os fiéis queriam rezar nos locais exatos onde os eventos ocorreram. Egéria, uma viajante (possivelmente da Galiza ou Gália), escreveu o Itinerarium, um diário detalhado descrevendo as liturgias em Jerusalém por volta de 381-384 d.C. Ela relata procissões no Domingo de Ramos e serviços especiais na Sexta-Feira Santa, que os peregrinos levavam de volta para suas cidades na Europa e no Oriente.
Pouco a pouco, houve a evolução para a comemoração em dias específicos.
O Domingo de Ramos originou-se em Jerusalém no século IV. Os fiéis carregavam ramos de palmeira ou oliveira da Igreja do Monte das Oliveiras até a cidade.
A Quinta-Feira Santa começou a ser celebrada para marcar a instituição da Eucaristia. No final do século IV, em Cartago e Roma, já havia celebrações especiais para o "Lava-pés".
A Sexta-Feira Santa, inicialmente, era um dia de silêncio e jejum absoluto. A veneração da Cruz (beijar a relíquia) começou em Jerusalém após o suposto achado da "Verdadeira Cruz" por Helena, mãe de Constantino.
O Sábado de Aleluia (Vigília), historicamente, era o momento principal para o batismo de novos convertidos (os catecúmenos), significando o renascimento para uma nova vida.
Entre os séculos X e XIV, a Semana Santa ganhou contornos mais dramáticos.
Surgiram as encenações da Paixão, as procissões de flagelantes e as representações do "Santo Sepulcro", visando ensinar a história de Jesus para uma população que, em sua maioria, não sabia ler.
Uma curiosidade histórica é que a Quaresma (os 40 dias de preparação) só se estabilizou por volta do século IV. Antes disso, o jejum pré-páscoa durava apenas alguns dias ou uma semana. O número 40 foi adotado para espelhar o tempo de Jesus no deserto e o êxodo dos hebreus.
Como demonstrado, a Semana Santa e a Quaresma, fazem parte da liturgia da Igreja Católica Apostólica Romana e que outras denominações religiosas aderiram a ela.
Lembrando que liturgia é o culto público oficial e a celebração comunitária da fé de algumas religiões cristãs.
O ESPIRITISMO E A SEMANA SANTA
E o Espiritismo o que tem a ver com a Semana Santa?
A princípio, nada!
Allan Kardec, o sistematizador do pensamento espírita, não tratou deste assunto, por dois motivos básicos: (1) o Espiritismo não é uma religião institucional; e (2) O Espiritismo não é um braço institucional da Igreja Católica Apostólica Romana.
Não há, literalmente, uma linha na conhecida Codificação Espírita ou no conjunto das 12 edições anuais da Revista Espírita (1858 – 1869) referindo-se a este assunto e por um motivo muito simples: não cabe ao Espiritismo se imiscuir em assuntos de qualquer religião.
No Brasil, o Espiritismo e os espíritas passaram a “cultuar” a Semana Santa - e principalmente a Páscoa - como se fosse uma “liturgia espírita”.
Vejamos, abaixo, algumas possíveis razões dessa absorção deste credo católico pelos espíritas:
a forte influência cultural católica de mais de cinco séculos no Brasil que impôs um comportamento automático deste evento passado de geração em geração;
a baixa instrução doutrinária dos espíritas;
a catolicidade dos espíritas;
a conveniência de estratos do movimento espírita em não esclarecer este contexto e ir de encontro ao status quo.
A postura encontrada para minimizar esta idiossincrasia doutrinária é criar um analogismo: criar uma visão espirita desta liturgia católica.
Os argumentos utilizados para este fim, na maioria dos casos, são bem arrazoados.
Alguns são construídos a partir da lógica de uma leitura particular, mas deixando claro que o Espiritismo não trata desta data comemorativa, mas interpreta o significado moral e psicológico que se pode tirar daqueles momentos derradeiros da passagem de Jesus no corpo físico. Como aliás, de toda a trajetória existencial de Jesus, e que isso pode ser feito em qualquer momento e não apenas numa data específica.
Outros, porém, nitidamente, deixam suas tintas de catolicidade e criam simbolismos – os quais o Espiritismo não lida.
DIFERENÇAS DOUTRINÁRIAS
Em uma rápida análise das diferenças doutrinárias abissais entre o Espiritismo e o Catolicismo sobre o tema, pode-se destacar:
Quaresma e Jejum
Na Codificação Espírita, especialmente em "O Livro dos Espíritos", a ideia de privação física (como o jejum quaresmal) é ressignificada. O verdadeiro jejum é o da alma — abster-se do egoísmo, do orgulho e da maledicência. Na Questão 724 de O Livro dos Espíritos, aborda-se que a privação de alimentos é meritória apenas se for feita em benefício do próximo. Allan Kardec comenta na Revista Espírita (1862) que as práticas exteriores não têm valor se o coração permanecer impuro.
Domingo de Ramos
Este evento é tratado como um exemplo da volubilidade humana. Na Revista Espírita, Allan Kardec observa em diversas passagens (como em análises sobre a "Opinião Pública") como a mesma multidão que estendeu ramos para Jesus no domingo foi a que pediu sua crucificação na sexta-feira. A lição aqui é sobre a fragilidade dos aplausos terrestres e a necessidade de fidelidade aos princípios espirituais, independentemente do reconhecimento externo.
Semana Santa e a Paixão
A "Paixão", se insistirmos em ter uma visão espírita, pode ser vista não sob a ótica do sofrimento redentor pelo sangue, mas como o testemunho supremo de amor. O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo XV ("Fora da Caridade não há Salvação"), reforça-se que o sacrifício de Jesus foi o exemplo máximo de entrega. Na Revista Espírita (setembro de 1860) há comunicações sobre o "Suplício de Jesus", enfatizando que o Mestre não veio para apaziguar a ira de Deus, mas para mostrar que o espírito triunfa sobre a matéria e a morte.
Sábado de Aleluia 
Não há menção específica ao "Sábado de Aleluia" como festa litúrgica na codificação, mas o conceito de Jesus entre os mortos é explicado pela comunicabilidade espiritual. O Espiritismo ensina que, enquanto o corpo de Jesus estava no sepulcro, sua individualidade espiritual estava ativa, consolidando os ensinos aos seus discípulos em espírito (o que explica as aparições posteriores).
Páscoa
Este é o ponto de maior distinção doutrinária. Para o Espiritismo, a "Ressurreição" de Jesus não foi o retorno do corpo de carne, mas sua aparição em corpo espiritual (perispírito). A Gênese, no seu Capítulo XV, Allan Kardec explica os fenômenos das aparições de Jesus após a morte como manifestações mediúnicas de efeitos físicos e visuais (materializações). O que se denomina como Páscoa, neste contexto analógico, celebra a Imortalidade da Alma. Jesus provou que a morte é apenas uma transição e que a individualidade persiste.
Particularmente, creio que a comemoração da Semana Santa pelos católicos e pelos espíritas com matriz mental católica só faz bem.
Lembrar os episódios finais da encarnação de Jesus, didaticamente para o aprendizado espiritual, é magnífico.
A estatura moral desse Homem e seu exemplo de fibra e coerência, sobretudo neste momento de ápice da dor humana, são excepcionais.
A superioridade espiritual deste ser que zela pelo planeta Terra, segundo as suas próprias palavras, representa o alento de bilhões de vidas, entre encarnados e desencarnados.
A demonstração da imortalidade que afasta de vez as crenças materialistas e promove novo alento para a humanidade é espetacular.
O fato de falarmos sobre Ele, sua mensagem e obra, é mais uma evidência da sua imortalidade. 
A passagem do vazio perante o nada depois da morte para a esperança da continuidade da vida já serviu para despertar consciências adormecidas sem fé e esperança.
Um dia, uma parte dos espíritas entenderá que o Espiritismo não é uma versão reformada da Igreja Católica que aceita a reencarnação e pratica a mediunidade. Ocasião em que estará se libertando de paradigmas de antigas crenças que o Espiritismo veio combater.
O mais importante é que no estágio de progresso espiritual de cada um a reflexão sobre este acontecimento da vida de Jesus faça algum bem.
Imagine o halo psíquico e energético que deve ser criado por causa da mobilização desta temática nas mentes e corações de centenas de milhões de espíritos os dois planos da vida, além dos desarmes de ódio e vingança?
Neste ponto, cada um deve acreditar no que achar melhor para si e ninguém tem nada a ver com isso.
Avancemos com Jesus!
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Referências Bibliográficas
ALBERIGO, Giuseppe (Org.). História dos Concílios Ecumênicos. São Paulo: Paulus, 1995.
EGÉRIA. Peregrinação de Egéria (Itinerarium Egeriae). Tradução de Alexandra de Brito Oliveira. Petrópolis: Vozes, 1998.
KARDEC, Allan. A Gênese: os milagres e as predições segundo o espiritismo. 53. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2013.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 131. ed. Brasília: FEB, 2013.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 93. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2013.
KARDEC, Allan. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. Coleção Completa (1858-1869). Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Brasília: FEB, 2004-2009.
DIX, Dom Gregory. The Shape of the Liturgy. 3. ed. Londres: Continuum, 2005.
JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago, 2001.

5.4.26

Jesus - O Homem Integral

Escrever sobre Jesus de Nazaré é adentrar um terreno onde a história e a psicologia se entrelaçam de maneira indissociável.
Ao longo de dois milênios, sua figura foi moldada por tradições que, por vezes, distanciaram o homem real daquele que caminhou pelas terras da Galileia.
A compreensão contemporânea, no entanto, busca resgatar o que se pode chamar de Jesus Integral: uma síntese harmoniosa entre a humanidade pulsante, a maestria intelectual e a transcendência espiritual.
O HOMEM: A HUMANIDADE EM SUA PLENITUDE
Para compreender o ser integral, é preciso primeiro observar a figura do Nazareno despida de adornos puramente litúrgicos como foi comumente descrito na oficialidade religiosa.
Ele foi um homem de seu tempo, inserido em uma estrutura social complexa e, muitas vezes, opressora.
Sua humanidade manifestava-se na conexão profunda com a natureza, na sensibilidade diante das paisagens e, principalmente, na capacidade de se emocionar de forma genuína.
Jesus não era um ser impassível; ao contrário, expressou empatia, compaixão e uma profunda solidariedade pela dor alheia.
Essa humanidade, longe de ser um sinal de fraqueza, era a evidência de uma saúde psíquica invejável. Jesus possuía uma gestão emocional sem precedentes, não reprimindo sentimentos, mas elaborando-os através de uma consciência expandida.
Mesmo em momentos de sofrimento extremo, sua capacidade de manter a empatia e o autocontrole demonstrava que o aspecto humano Nele era a base para uma resiliência corajosa.
Ao sentar-se à mesa com marginalizados e tocar aqueles que a sociedade evitava, Jesus quebrou barreiras de preconceito, vivendo uma encarnação plena na história e demonstrando que a verdadeira força reside na caridade e na solidariedade.
O MESTRE: A ANDRAGOGIA DO AMOR E A INTELIGÊNCIA
Como mestre, transformou a própria vida em um laboratório de aprendizado, utilizando a convivência e a parábola como ferramentas para atingir as camadas mais profundas do entendimento humano.
Sua andragogia não buscava apenas seguidores, mas pensadores capazes de questionar suas próprias contradições.
Frequentemente, respondia a perguntas com novos questionamentos, forçando seus interlocutores a um mergulho interior e ao desenvolvimento do raciocínio crítico.
O mestre focava no potencial latente de cada indivíduo, tratando o erro não como uma condenação definitiva, mas como uma etapa do aprendizado.
Sua abordagem era terapêutica, visando a reconstrução do "eu" através do afeto e da paciência.
Jesus revolucionou o conceito de autoridade ao ensinar que o maior poder reside no serviço ao próximo.
Ao simplificar leis complexas em princípios éticos universais, Jesus propôs uma educação para a plenitude, buscando o equilíbrio entre as necessidades práticas da existência e as aspirações mais elevadas da alma.
Suas lições, baseadas em elementos do cotidiano, permanecem como arquétipos de cura e equilíbrio interpessoal.
O ESPÍRITO SUPERIOR: A CONEXÃO COM O TRANSCENDENTE
A terceira dimensão desta personalidade extraordinária é sua estatura espiritual.
Além de filósofo ético ou reformador social, Jesus se apresentava com uma consciência plena de sua origem e destino, manifestando o que se pode chamar de espírito de pureza absoluta.
Sua superioridade não era uma forma de distanciamento, mas sim o ápice de uma evolução que o tornava o modelo ideal de perfeição possível ao entendimento humano.
Jesus vivia em uma constante comunhão com Deus, integrando totalmente o seu centro psíquico com a realidade espiritual – “Eu e o Pai somos um”. (João 10:30)
Jesus utilizou sua passagem pela Terra para demonstrar a continuidade da vida e a força da imortalidade.
Sua consciência superior permitia que Ele permanecesse livre internamente, mesmo diante de limitações físicas ou pressões externas.
O conceito de ser integral surge quando se percebe que Nele não havia separação entre o divino e o humano; ele era o espírito que dominava a matéria sem desprezá-la.
Jesus vivia um estado de consciência elevado como uma realidade interna presente, e não como um lugar geográfico distante.
Assim, sua trajetória revela que a verdadeira superioridade espiritual se traduz em paz interior inabalável e em um serviço incessante em benefício da coletividade humana.
Jesus, o Homem Integral, apresenta-se como um modelo de equilíbrio para a humanidade.
Ele permanece atual porque sua mensagem não se baseia em teorias abstratas, mas na vivência da integralidade.
Ser integral, seguindo esse exemplo, significa aceitar a própria humanidade com suas dores, desenvolver a maestria sobre os próprios pensamentos e emoções, e aspirar à conexão com o transcendente que habita em cada ser.
Jesus não é um personagem do passado, ou que deva ser lembrado apenas em alguns períodos comemorativos, mas um caminho de autoconhecimento que aponta para a saúde mental, a justiça social e a plenitude existencial.
Sua mensagem maior está centrada na aprendizagem do amor.
Como mestre, demonstrava na prática o que ensinava, e convidava seus continuadores-aprendizes a igualmente segui-Lo: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.” (João, 13:35)
Avancemos com Jesus!
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Referências Bibliográficas
BETTO, Frei. Entre todos os homens. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.
CURY, Augusto. O Mestre dos Mestres: Jesus, o maior educador da história. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.
CURY, Augusto. O Mestre da Sensibilidade: Jesus, o maior especialista no território da emoção. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.
FRANCO, Divaldo Pereira (Pelo Espírito Joanna de Ângelis). Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia Profunda. Salvador: LEAL, 2000.
RENAN, Ernest. Vida de Jesus. São Paulo: Martin Claret, 2004.

CAUSA E CASA ESPÍRITAS Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria

 



3.4.26

CÉU AZUL Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Comentário Questão 806 do Livro dos Espíritos

CONDIÇÕES SOCIAIS
 
As condições sociais, como as desigualdades entre os homens, não são obra de Deus. São condições temporárias necessárias, devido à desigualdade de posições das criaturas, no que se refere à escala de aperfeiçoamento das almas. Essa condição, repetimos, é passageira, pois somente as leis estabelecidas por Deus são imutáveis no tempo e no espaço.
O bom observador notará sempre, no correr do tempo, que as condições humanas vão se transformando lentamente, e sempre para melhor. Todos os povos vão absorvendo, pela força do progresso espiritual, leis mais justas e mais humanas, vendo-se em seus semelhantes, em outra dimensão de vida. Mesmo com as facilidades que o mundo oferece hoje para o homem errar, ele acaba acertando mais, por ter sido feito para a glória da própria vida.
O orgulho nos parece que cresce mais com o egoísmo, antiga chaga que já floresceu muito, mas que agora está sendo combatida pelos seres humanos em diversas escolas filosóficas e religiosas, e pela maior escola da vida, que se chama maturidade espiritual.
Os que desconhecem as leis de Deus e a existência do Todo Poderoso se mostram duvidosos no que tange à posição do homem ante a eternidade. Não encontrando salvação para o mundo e para sua humanidade, são profetas do pessimismo, no entanto, para Deus não existe o impossível. Ele age no momento adequado e a tudo conserta, usando os próprios homens de boa vontade. As Suas leis corrigem todos os deslizes, usando dos feitos humanos como exemplos e lições para os que incorrem em erro.
As desigualdades que se vêem nos povos, o são por merecimento de cada um. Não que Deus abençoe uns mais que os outros; é devido à escala a que pertence, é força espiritual da justiça, que marca a lei de reencarnação para todas as almas em trânsito na Terra. Quem deseja viver fora da faixa a que pertence, é que sofre as conseqüências da violência acionada por si mesmo; a justiça é o mesmo amor que protege a todos. No Evangelho de João poderemos ler o seguinte, no capítulo onze, versículo dez:
Mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz.
E quem anda fora do nível em que deve viver por justiça, somente encontra trevas, por desconhecer o que deve receber e sentir por misericórdia de Deus. Não queiramos ser o que não somos. Cada criatura tem dentro de si um vigia, que lhe dá conhecimento dos seus poderes e dos seus limites, em tudo que faz e pensa. Mesmo nas condições sociais em que se encontra, por que avançar para as lutas sem as devidas armas com que possa se defender? O que acontece com um médico que não se aprimorou na arte de curar?
As desigualdades nos mostram até onde o outro já chegou, e é um convite para que possamos ir também, porque a vida oferece ensejo 
para todas as criaturas.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez

2.4.26

Mensagem publicada na página 6 da Gazeta de Limeira de 02.04.2026

 

A ANIMALIZAÇÃO DA MATÉRIA

O agente divino interpenetra tudo. Ele é como que o hálito de Deus auscultando toda a criação nos mínimos detalhes, a matéria mais ou menos amadurecida, com ele afiniza e fica em estado de vivência animalizada. Todo espiritualismo, e principalmente a Doutrina dos Espíritos, nos faz entender o respeito que devemos demonstrar por tudo que existe, porque em tudo existe igualmente o traço da divindade, para que a vida ali prolifere e esplenda nas belezas que os Céus desejam. Nós vivemos ligados a vários mundos em plena comunicação com eles, e eles conosco, mesmo inconscientemente. Quando temos conhecimento disto, as comunicações melhoram, e as trocas de experiências entram num processo consciente. O Espírito desejoso de conhecer-se e o ambiente onde vive é aquele que está disposto a dar o primeiro passo na infinidade dos esclarecimentos espirituais, e não perde o tempo que passa a nosso favor. A matéria é a presença divina a nossa frente. O princípio vital fecunda a matéria, que vira mãe a unir-se para compor em movimento, expressando a vida e mostrando belezas em seus gestos em busca de outras formas mais elevadas. O ser espiritual, encarnado ou desencarnado, quando começa a auto-educação, no silêncio de cada dia, sem reclamar, sem discutir, ou sem exigir, com o tempo acenderá uma luz no seu próprio ser, em conexão com a luz que sustenta e gera vidas, garantindo-lhe uma paz imperturbável na consciência, mostrando-lhe que valeu a pena sofrer, lutar e confiar no trabalho empreendido, porque todo o exterior passou a lhe obedecer, para a conquista da felicidade que todos almejamos. Abençoemos a matéria, pois ela é nosso veículo de trabalho e de esperança!

Filosofia Espírita L.E.62 – João N. Maia – Miramez – Toninho Barana.