19.5.26

DEIXE-ME PARTIR Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Mensagem publicada na página 6 da Gazeta deLimeira de 19.05.2026

 

MATÉRIA E FORÇA VITAL

Quando cessa a vida nos seres orgânicos, a matéria se decompõe, por força de determinadas leis que a sustentam e regulam. O princípio vital na criação move os canais de circulação no corpo, deixa-o, após um tempo, retornando à sua fonte e volta a circular no universo em todas as direções, na ordenação da vida. Essa energia divina dá entrada no embrião humano, com duas semanas e meia, pelo ajustamento do chacra cardíaco do perispírito, ao corpo em formação. Daí é que começa o primeiro impulso do coração, em movimento. Essa força vital é inquietante. Ela se esgota por meios diversos mas, se abastece por variadas formas. Assim como os pulmões extraem o oxigênio do ar para purificação do sangue, aliviando a tensão do cérebro para equilíbrio do corpo, os centros de força (chacras) extraem do mesmo ar, e fora dele, o hálito divino, na divina sequência dos seus movimentos, abastecendo de força vital a forma física, para que ela continue com os seus movimentos instintivos e as suas defesas naturais, no regime de vida que deve levar. E a mente não deixa de ser um fator muito importante neste trabalho, quando ela é educada nos moldes que a ciência do Espírito estabelece, reforçado no Evangelho de Jesus. O agente vital sensibiliza o corpo para que o Espírito possa manejá-lo de acordo com as suas necessidades. Para cada ser humano há uma cota de energia vital, que pode ser diminuída ou aumentada, de acordo com a capacidade de cada um. A morte do corpo é, pois, a ausência dessa força. A força vital é o beijo da luz em seu movimento permanente, e o Espírito é o amor de Deus, como atributo do Seu coração para os corações de Seus filhos, mostrando-lhes os caminhos que levam à felicidade.

Filosofia Espírita L.E.70 – João N. Maia – Miramez – Toninho Barana.

18.5.26

CARTAS do Dr. INÁCIO aos ESPÍRITAS Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

O Choque Geracional nos Ambientes Espíritas

Um filme que utilizei bastante como exemplo de mudança organizacional nas minhas capacitações para gestores e lideranças foi “Mudança de Hábito”, 1992.
A cena em que os jovens da vizinhança entram na igreja de St. Katherine é o grande ponto de virada do filme. Ela simboliza a quebra da barreira entre a instituição religiosa rígida e a comunidade vibrante, mas negligenciada ao redor.
Antes da chegada de Deloris Van Cartier (Whoopi Goldberg), a paróquia de St. Katherine era um lugar sombrio, vazio e desconectado da realidade brutal das ruas de São Francisco.
A Madre Superiora acreditava que a igreja deveria ser um refúgio de silêncio e tradição, mas isso só afastava as pessoas. O coral das freiras era, honestamente, terrível — desafinado e sem vida.
Quando Deloris assume a regência do coral e decide que, para atrair as pessoas, a música precisa ter alma e ritmo. Ela começa a infundir clássicos religiosos com a energia do Motown e do Soul.
Enquanto as freiras ensaiam e se apresentam com uma nova roupagem, as portas da igreja, que antes ficavam fechadas, são abertas.
Na rua, os jovens que costumam passar o tempo jogando basquete ou apenas vagando pelo bairro param o que estão fazendo. Eles ouvem um som que não reconhecem como "música de igreja": é rítmico, animado e contagiante.
Atraídos pela batida de músicas eles se aproximam timidamente da entrada. A expressão no rosto deles é de choque ao verem as freiras dançando e cantando com energia.
Aos poucos, eles começam a preencher os bancos do fundo. O que era um deserto de bancos vazios começa a se transformar em um espaço multicultural e multigeracional.
A cena atinge seu ápice quando o coral transita de um canto gregoriano tradicional para um arranjo explosivo de música pop adaptada.
Eles não apenas assistem; eles começam a bater palmas e a se mover no ritmo da música. A igreja deixa de ser um museu de silêncio para se tornar o centro da comunidade.
Essa cena é fundamental porque prova o ponto de Deloris: para salvar a paróquia, que corria o risco de ser fechada pelo Bispo por falta de fundos e fiéis, era preciso falar a língua do povo.
É nesse momento que a Madre Superiora percebe que, embora os métodos de Deloris sejam heterodoxos, eles trouxeram de volta a vida e a esperança para St. Katherine.
O que a descrição desta cena tem a ver com o atual momento do movimento espírita brasileiro, de maneira geral, e especialmente com relação à presença dos jovens nas casas espíritas?
Creio que o Movimento Espírita se encontra em uma encruzilhada histórica. Se, por um lado, a base doutrinária sistematizada por Allan Kardec no século XIX mantém-se atual em sua essência filosófica e científica, por outro, as estruturas organizacionais das casas espíritas enfrentam o desafio de dialogar com as gerações Z e Alpha.
As gerações atuais são marcadas pela hiperconectividade e pelo acesso instantâneo à informação. A Geração Z (nascidos entre 1997 e 2010) e a Geração Alpha (pós-2010) possuem um perfil pragmático e um forte senso de justiça social.
Para esses jovens, o conhecimento não é algo a ser recebido passivamente de uma autoridade, mas construído coletivamente. Eles valorizam a transparência, a diversidade e a aplicabilidade prática dos conceitos aprendidos, rejeitando formalismos vazios ou dogmatismos velados – sim, apesar de não caber, o Espiritismo está cheio de dogmatismos.
Tradicionalmente, muitas casas espíritas operam sob um modelo hierárquico herdado das gerações Baby Boomer e X. Este modelo prioriza a palestra expositiva, onde o público assume um papel passivo, e cursos com currículos rígidos e lineares.
O funcionamento das novas mentes, no entanto, é em rede, não linear. Enquanto o centro busca a preservação de tradições e rituais de convivência, os jovens buscam agilidade, diálogo e uma linguagem que reflita os dilemas contemporâneos, como saúde mental, sustentabilidade e identidade.
A maior convergência entre a doutrina e as novas gerações reside na "fé raciocinada". O convite kardequiano ao questionamento e à análise científica atrai naturalmente o jovem que desconfia de dogmas – verdades absolutas, inquestionáveis, intocáveis.
Além disso, o foco na caridade e no auxílio ao próximo ressoa com o desejo de impacto social positivo dessas gerações. Eles, entretanto, querem mais. Desejam transformar o status quo. Querem implantar projetos sustentáveis de promoção social, de libertação do assistencialismo.
As divergências também surgem na forma do aprendizado espírita: a linguagem rebuscada, a resistência ao uso de tecnologias durante os estudos e o conservadorismo moral em temas sociais urgentes criam uma barreira que impede o sentimento de pertencimento.
Para acolher as novas gerações, o movimento espírita precisa transitar do modelo de transmissão bancária do conhecimento (vide Paulo Freire) para o modelo de participação. Isso implica a adoção de metodologias ativas, onde o estudo se dê por meio de debates, oficinas e produção de conteúdo digital.
É necessário que a casa espírita se torne um "espaço seguro" para o diálogo sobre questões da atualidade, sem julgamentos moralistas, mas com base na ética do Evangelho.
A digitalização do acolhimento e a inclusão do jovem nos processos de tomada de decisão das instituições são passos fundamentais para garantir a continuidade da mensagem espírita no futuro.
Se sempre ocorreu hiatos no choque de gerações em qualquer campo do saber, no desdobrar das épocas, o choque geracional em curso é mais profundo e radical.
Nunca as novas gerações estiveram tão sedentas de espiritualidade, sobretudo para fomentar as transformações que imagina introduzir na sociedade, mas o modelo clerical catolicista que foi adotado nos ambientes espiritistas impede a eclosão destas mudanças.
Quando será que abandonaremos os nossos mesmismos e adotaremos a nossa mudança de hábito?
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 50. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 93. ed. Brasília: FEB, 2013.
KARDEC, Allan. A Gênese: os milagres e as predições segundo o espiritismo. Brasília: FEB, 2013.
LIMA, Marcus Vinicius de. Espiritismo e Juventude: diálogos necessários. Rio de Janeiro: CELD, 2018.
PRENSKY, Marc. Nativos Digitais, Imigrantes Digitais. On the Horizon, MCB University Press, v. 9, n. 5, out.
TEIXEIRA, Raul. Desafios da Educação. Pelo Espírito Camilo. Niterói: 2001. Frázio, 2005.

16.5.26

OS EXILADOS DA CAPELA Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Psicologia Transpessoal: Dois Passos a Mais

A trajetória da psicologia como ciência sempre foi marcada por uma busca incessante pela compreensão da psique humana. Foi apenas na segunda metade do século XX, contudo, que a disciplina se permitiu atravessar o portal do ego para explorar o que há de mais profundo e transcendente no ser.
Até a década de 1960, o cenário psicológico era dominado por três grandes correntes: (1) o Behaviorismo, focado no comportamento observável; (2) a Psicanálise, focada no inconsciente biográfico; e o (3) Humanismo, focado na autorrealização.
Embora revolucionárias, muitos teóricos sentiam que faltava algo essencial: a dimensão espiritual e os estados não ordinários de consciência.
Em 1967, nomes como Abraham Maslow, Anthony Sutich e Stanislav Grof fundaram a Psicologia Transpessoal.
Ela surgiu como a "Quarta Força", propondo que o ser humano não é apenas um conjunto de reflexos ou traumas infantis, mas um ser dotado de uma centelha transcendente.
Seu foco principal esteve no estudo de experiências de pico, estados místicos, intuição e a conexão com o sagrado. Trouxe uma mudança de paradigma: o ego deixa de ser o fim último da terapia para se tornar um veículo da consciência expandida.
Apesar dos avanços da Psicologia Transpessoal acadêmica, existe uma lacuna entre a teoria e a prática da autotransformação profunda.
É neste ponto que o estudo das obras de Joanna de Ângelis e dos conteúdos recebidos por Eva Pierrakos se tornam não apenas útil, mas necessário para uma psicologia integral.
A mentora espiritual, através da psicografia de Divaldo Pereira Franco, construiu uma obra monumental que faz a ponte perfeita entre a doutrina espírita e a psicologia profunda, especialmente a Junguiana.
Joanna de Ângelis oferece uma compreensão do "Ser Imortal". Ela detalha como as sombras e os complexos não são apenas desta vida, mas heranças de um passado reencarnacionista.
Sua abordagem foca na autocura através do autoconhecimento e da aplicação das leis de amor, trazendo uma ética transcendente que a psicologia acadêmica muitas vezes evita.
Já o Pathwork (Trabalho do Caminho) é um corpo de 258 palestras canalizadas por Eva Pierrakos que foca no desvendamento do Eu Sombrio para a liberação do Eu Superior.
O Pathwork é prático e absolutamente honesto sobre a negatividade humana.
Enquanto muitas correntes transpessoais podem não se aprofundar no uso da espiritualidade para evitar traumas reais, o Pathwork exige que o indivíduo encare sua máscara e sua maldade interna para que a luz verdadeira possa emergir.
A incorporação desses conteúdos pela psicologia transpessoal, em especial, permitiria uma visão do homem que é, ao mesmo tempo, científica e transcendente.
Primeiramente, porque Joanna de Ângelis fornece o mapa da imortalidade e da evolução do ser através dos tempos.
Depois porque Eva Pierrakos, canalizando os ensinamentos do “Guia”, fornece as ferramentas de mineração psicológica para limpar o terreno da personalidade.
Estudar essas fontes é reconhecer que a saúde mental não é apenas a ausência de sintomas, mas o alinhamento pleno da criatura com o seu Criador e com o seu propósito cósmico.
A Psicologia Transpessoal deve dar estes passos a mais – e como qualquer disciplina que se pretenda científica – permitir-se investigar e incorporar conteúdos que são provindos da dimensão espiritual, base de inspiração da transpessoalidade.
Um cenário, no entanto, é certo: a psicologia do futuro será, inevitavelmente, uma psicologia da alma.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Pós-Graduado em Psicologia Transpessoal pela Faculdade de São Marcos – MG.
 
Referências Bibliográficas
FRANCO, Divaldo Pereira; ÂNGELIS, Joanna de (Espírito). Autodescobrimento: uma busca interior. 1. ed. Salvador: LEAL, 1995. (Série Psicológica, v. 2).
FRANCO, Divaldo Pereira; ÂNGELIS, Joanna de (Espírito). O Despertar do Espírito. 1. ed. Salvador: LEAL, 2000. (Série Psicológica, v. 7).
FRANCO, Divaldo Pereira; ÂNGELIS, Joanna de (Espírito). O Ser Consciente. 1. ed. Salvador: LEAL, 1993. (Série Psicológica, v. 1).
FRANCO, Divaldo Pereira; ÂNGELIS, Joanna de (Espírito). Triunfo Pessoal. 1. ed. Salvador: LEAL, 2002. (Série Psicológica, v. 9).
GROF, Stanislav. Além do Cérebro: nascimento, morte e transcendência em psicoterapia. Rio de Janeiro: Welt, 1987.
JUNG, Carl Gustav. O Eu e o Inconsciente. Tradução de Dora Ferreira da Silva. Petrópolis: Vozes, 2011.
MASLOW, Abraham H. Introdução à Psicologia do Ser. 2. ed. Rio de Janeiro: Eldorado, 1972.
PIERRAKOS, Eva. O Caminho da Autotransformação. Tradução de Gilson César Cardoso de Sousa. São Paulo: Cultrix, 1992.
PIERRAKOS, Eva. Não Temas o Mal: o método do Pathwork para transformar o eu inferior e encontrar a aceitação de si mesmo. São Paulo: Cultrix, 1996.
PIERRAKOS, Eva; THESENGA, Donovan. Criando União: o método do Pathwork para relacionamentos. São Paulo: Cultrix, 1995.
SALDANHA, Vera. A Psicologia Transpessoal: abordagem integrada de saúde e educação. Ijuí: Unijuí, 2008.
SUTICH, Anthony. The emergence of the Transpersonal Orientation: a personal note. Journal of Transpersonal Psychology, v. 1, n. 1, 1969.