22.8.26

Quando Cremos

Não clames contra a vida em agonia
Qual se te fosse o mundo um mar de fel,
A dor que te fustiga a cada dia
É hábil mão que te apura a cinzel...
 
Não negues ao que sofre o teu farnel
De esperança, de paz e de alegria...
Luta na leira do bem, sê fiel
A combater o mal que em ti porfia...
 
Não te queixes se o fardo pesa tanto...
Socorre a provação e enxuga o pranto
Dos que tombam a sós ao pó na estrada...
 
Ante as bênçãos da Vida Verdadeira,
Os sofrimentos da existência inteira
Quando cremos em Deus não valem nada!...
 
Eurícledes Formiga - blog Espiritismo em Prosa e Verso
(Página recebida pelo médium Carlos a. Baccelli, no dia 27 de janeiro de 1986, em Uberaba – MG).

21.8.26

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Comentário Questão 822 do Livro dos Espíritos

IGUALDADE DOS DIREITOS
 
Consagram as leis de Deus direitos iguais ao homem e à mulher. A igualdade de direitos é a expressão da justiça de Deus. Se os Espíritos são iguais na sua gênese, por que privilégio para um e negação para outros? Tanto a lei divina nos mostra a justiça neste caso, quanto as leis humanas devem fazer o mesmo.
A emancipação da mulher no campo dos direitos avança e toma corpo, de modo que ela tenha a liberdade que lhe compete conquistar, paralelamente com a responsabilidade, duas forças que trabalham para o aperfeiçoamento da alma. Ser-nos-á difícil entender o homem com os seus direitos de posse assegurados na vida e os mesmos direitos negados à mulher, que faz um trabalho grandioso no lar e mesmo fora dele, em favor da educação e da instrução. Porém, o tempo traz a civilização dotada de razão a emancipação da mulher naquilo que ela já conquistou, e hoje já se vêem muitos movimentos feministas, alguns até exagerados, mas tendo explicação na morosidade da justiça da Terra em libertar a mulher. Mas, como nada se faz sem a permissão de Deus, a companheira do homem ganhou com isso, tendo sua sensibilidade mais apurada que ele, para o permanente exercício da comunicação com o Além, por vezes sem perceber.
Certamente que os direitos da mulher são iguais aos dos homens, não obstante, com as funções diferentes, para complemento do todo no lar. Com isso, não fica desvalorizado o trabalho dela, porque cada um foi chamado por Deus para desempenho diferente, mas com a mesma soma de conquistas.
No mundo de Deus, não existem privilégios, assim como em campo algum da vida, por ser Deus eternamente justiça. Podemos comparar pela natureza: vejamos a luz do sol que o Senhor derrama na Terra, nos diferentes reinos, onde todos recebem o mesmo calor, a chuva e o ar, embora cada criatura receba somente o que merece na sua vida particular. Como disse o Mestre, ao que tem, será dado mais, e ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. O que tem sabedoria, conhecimento das leis, ele próprio absorve da luz do sol o que ela pode dar a mais na sua estrutura, e o que não tem esse saber, o que poderia receber pelo saber lhe será tirado. É a justiça operando no silêncio da vida. Trabalhemos, pois, para melhor entender o que nos espera no centro da vida, dependendo dos nossos esforços para adquirir.
Existe a igualdade de direitos, mas não igualdade de conquistas, sendo que um tem tudo nas mãos porque aprendeu a buscar, e o outro ainda não conquistou essa experiência, faltando-lhe mais vivência, que o amanhã trará.
Vamos ver o que está anotado em João, no capítulo seis, versículo cinqüenta e nove, que nos diz:
Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os vossos pais comeram, e contudo morreram. Quem come este pão, viverá eternamente.
Aquele que come somente do pão da Terra para viver fisicamente, sem se lembrar das coisas espirituais, pode se considerar morto, e quem come igualmente do pão do céu, fonte sublimada em Cristo, está sempre vivo pela eternidade afora.
O Espiritismo com Jesus nos distribui o pão do céu, por nos revelar os preceitos de luz do Evangelho e nos mostra o quanto vale vivê-los. Somos todos iguais e recebemos de igual modo pela força da justiça. Deus nos dá tudo com igualdade, mas fez a lei que regula essa dádiva, de acordo com os nossos esforços pela maturidade da alma. Todo trabalhador é digno do seu salário.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez

20.8.26

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Preparando-se para Voltar

A aceitação da finitude física é um dos maiores desafios da jornada humana. Em suas pesquisas com pacientes em estado terminal, a psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross mapeou cinco estágios emocionais característicos do processo de morrer, que servem como itinerário psíquico diante da impermanência do corpo.
O primeiro estágio é a negação, um mecanismo de defesa temporário no qual o indivíduo se recusa a aceitar a gravidade do diagnóstico, agindo como se a morte não fosse inevitável.
Em seguida, surge a raiva, marcada por sentimentos de revolta, inveja dos saudáveis e o questionamento sobre o porquê do sofrimento. superada essa fase, entra-se na barganha, um período de negociação — frequentemente com Deus ou com o destino — em que a pessoa promete mudanças de conduta em troca de mais tempo de vida.
Com a constatação da inevitabilidade do fim, manifesta-se a depressão, caracterizada por um profundo desligamento emocional, tristeza e o luto antecipado pelas perdas inevitáveis.
Por fim, alcança-se a aceitação, momento em que o indivíduo contempla o término da jornada com serenidade, sem desespero ou ressentimento, pronto para o encerramento do ciclo biológico.
Esta abordagem que antecede a morte física serve como pano de fundo para as pessoas não espiritualizadas. Aquelas que não veem perspectiva alguma fora da vivência na matéria ou que mesmo aceitando um porvir se comportam de maneira apegada às impressões da vida terrena.
O fato é que a morte do corpo físico não interrompe a vida, mas marca o início de uma nova etapa para o espírito imortal. A Filosofia Espírita detalha esse processo de transição em cinco fases sucessivas.
O desencarne é o desligamento dos laços fluídicos que unem o perispírito ao corpo biológico. Como ensina Allan Kardec, esse desligamento não é brusco, mas sim gradual, variando em tempo e facilidade conforme o grau de desapego material e a evolução moral do indivíduo.
Logo após o desligamento, sucede a perturbação, um estado de torpor e confusão mental no qual o espírito não compreende com clareza a sua nova condição. A duração desta fase depende diretamente do estado de consciência e dos apegos cultivados durante a vida terrena.
Superada a névoa inicial, o espírito entra na etapa de recuperação, sendo acolhido por benfeitores espirituais em postos de socorro ou colônias regeneradoras — como a colônia Nosso Lar, descrita por André Luiz. Nesse ambiente, ele recebe cuidados para reequilibrar suas energias e repousar do desgaste da enfermidade física.
Com o restabelecimento energético, ocorre a conscientização. O espírito toma plena lucidez de sua imortalidade, reconhece que o corpo físico era apenas uma vestimenta temporária e analisa, com clareza e sem julgamentos punitivos, as ações e escolhas da existência recém-concluída.
Por fim, dá-se a adaptação. O espírito integra-se à dinâmica do mundo espiritual, assumindo tarefas, estudos e aprendizados condizentes com o seu nível de maturidade moral, preparando-se ativamente para novas etapas do seu desenvolvimento.
Logicamente que estas etapas dizem respeito para as pessoas que possuem certo grau de amadurecimento espiritual. Muitas, maioria pode-se afirmar, não seguem este fluxo ou se ocorre é em períodos muitos longos, pois ficam retidas às lembranças da vivência carnal.
Há certa quantidade de espíritos – e não são poucas – que sequer percebem que desencarnaram e retornam ao corpo físico como se nunca houvesse saído dele.
Compreender a morte à luz da espiritualidade transforma radicalmente a postura do ser diante da existência.
A vida no corpo físico e a vida fora dele representam apenas duas faces da mesma moeda: a jornada contínua de evolução da alma.
Estar encarnado é mergulhar em uma oficina de aprendizado dinâmico.
O corpo material funciona como um abençoado instrumento de desaceleração e drenagem de imperfeições, onde os desafios cotidianos, as dores e os relacionamentos servem como ferramentas de burilamento moral.
Já a vida no plano espiritual representa o regresso à nossa pátria de origem, o momento de avaliar o aprendizado absorvido e planejar novas experiências.
Viver com a consciência de ser um espírito imortal na carne permite olhar para a impermanência do mundo material — a perda de bens, as mudanças de ciclos e a separação temporária dos entes queridos — não como tragédias, mas como dinâmicas naturais da escola terrestre.
A certeza da continuidade da vida traz leveza ao presente, ensinando que nada se perde e que cada experiência, por mais desafiadora que seja, é uma oportunidade valiosa de crescimento rumo à plenitude.
Esta é uma das razões que faz com que se afirme comumente que a Filosofia Espírita é libertadora de consciência à medida que tira o indivíduo da prisão existencial no corpo físico.
Lá ou aqui é certo afirmar que a Terra é uma escola e estamos todos matriculados na disciplina do progresso incessante na direção do nosso reencontro com a divindade que nos é inerente.
Carlos Pereira - blog de Carlos Pereira
Referências Bibliográficas
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 93. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2013.
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno: ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2013.
KÜBLER-ROSS, Elisabeth. Sobre a Morte e o Morrer. Tradução de Paulo Menezes. 10. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2017.
XAVIER, Francisco Cândido; LUIZ, André (Espírito). Nosso Lar. 64. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2014.
XAVIER, Francisco Cândido; LUIZ, André (Espírito). O Obreiros da Vida Eterna. 36. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2011.

18.8.26

O Espiritismo Aplicado Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Mensagem publicada na página 6 da Gazeta de Limeira de 18.08.26

 OS ESPÍRITOS SÃO IMATERIAIS?

Os Espíritos, como criaturas divinas, são realidades, por terem sido criados; são almas nas quais despertam valores capazes de fazê-las sentir os atributos de Deus. Os Espíritos são constituídos de matéria que escapa aos sentidos humanos, em O Livro dos Espíritos: matéria quintessenciada. O Espírito não tem forma definida. No caso do Espírito superior, ele pode tomar a forma que desejar e o seu comando é a mente. Por isso podemos chamar o Espírito de ser incorpóreo, por não ter ele precisamente um corpo, como se entende as formas. Recorrendo a imagens, vejamos a massa de trigo para o preparo do pão, no processo de fermentação! Assim é a matéria quintessenciada nas mãos do Criador. Antes, era um todo, depois, o próprio tempo a separou em individualidades, qual a massa que se transmuta em pães: individualizada, porém, carregando a mesma essência de vida e da vida maior. Assim é o Espírito individualizado: vai ao calor das bênçãos do Pai Celestial para que a razão se expanda no tempo e no espaço, garantindo a sua personalidade, que caminha para novas conquistas, conscientizando-se de tudo e sentindo a necessidade de libertação, conquistando a si mesmo e assistindo no palco da consciência ao desabrochar dos valores inerentes a sua própria vida. Os Espíritos são imateriais pelo estado de matéria que se conhece, no entanto, tudo que existe nasceu da mesma fonte divina, e desse nascimento até ao Espírito, ocorreram diversas transmutações de todas as ordens, para que a luz maior irradiasse no centro da vida, e a harmonia se fizesse no seio da luz, obedecendo à vontade do Criador.

Filosofia Espírita L.E.82 – João N. Maia – Miramez – Toninho Barana.