12.6.26
Comentário Questão 815 do Livro dos Espíritos
A MAIS TERRÍVEL
Não existem provas piores nem melhores; elas são paralelas às necessidades do aprendiz. Deus não põe fardo pesado em ombros frágeis, isto nos diz o Evangelho de Nosso Senhor. A cruz que se carrega na vida, foi estruturada, medida e pesada, para que se possa caminhar com coragem. As reclamações são mostras de Espírito fraco, que ainda não recolheu a experiência necessária nas lutas terrenas.
As mensagens do além que descem sem cessar para os homens, mostram os deveres de cada criatura ante os compromissos assumidos. Na consciência se encontra o registro do que se compromete com Deus, e Ele, o Soberano Senhor, conhece e tem paciência com Seus filhos. Mas, Ele não retira dos seus caminhos os professores que os possam educar e instruir. Tanto a riqueza quanto a pobreza têm o mesmo peso, em se somando suas dificuldades e sua força de corrigir as criaturas.
Uns lamentam, outros desprezam as oportunidades valiosas, que deverão reconhecer depois do túmulo. No entanto, não se pode dizer que o pobre é o bem-aventurado: isso depende do seu comportamento na vida com a prova da miséria. Não se pode dizer que o rico é o que goza do bem-estar, que Deus o premiou com os bens terrenos. Todos estão na mesma faixa de provas e podem ou não sair-se bem delas, dependendo do grau já alcançado na escala da evolução espiritual. Não devemos julgar, mas podemos analisar em silêncio e tirar dessas deduções experiências para o nosso caminho.
Sofreremos muito mais, se já conhecemos as leis de Deus e não vivemos de acordo com elas. Se o Evangelho de Jesus já está em nossas mãos e em nossa consciência, não percamos a oportunidade de vivê-lo, pelo menos de começar essa vivência. Com o tempo, passaremos a gozar das delícias de urna consciência em paz.
Novamente, vamos lembrar Lucas, no capítulo doze, versículo quarenta e sete:
Aquele servo, porém, que conheceu a vontade do seu Senhor e não se aprontou, nem fez conforme a Sua vontade, será punido com muitos açoites.
Conhecer é muito bom, mas traz para todos nós responsabilidades maiores, porque, conhecendo e nos fazendo de esquecidos, seremos açoitados pelas provas, qual o boi que sai do seu carreiro: o vaqueiro sabe corrigi-lo, e a lei de condicionamento faz lembrar ao mesmo animal, quando pensar em afastar do rebanho, o ferrão do condutor. Assim acontece com os seres humanos.
As provas são variáveis, e nos parece que não existe maior nem menor; todas são iguais, de acordo com as necessidades do aprendiz em questão. Se a miséria provoca as queixas, as riquezas impulsionam para os excessos de todas as ordens. O pobre geralmente deseja ser rico, e o rico, quando no mundo espiritual, deseja ser pobre na sua volta para o mundo físico. Qual dos dois está certo? São lições diferentes, diplomas necessários aos homens, que somente o recebem pelo processo das vidas sucessivas. Tal é a lei.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez
Não existem provas piores nem melhores; elas são paralelas às necessidades do aprendiz. Deus não põe fardo pesado em ombros frágeis, isto nos diz o Evangelho de Nosso Senhor. A cruz que se carrega na vida, foi estruturada, medida e pesada, para que se possa caminhar com coragem. As reclamações são mostras de Espírito fraco, que ainda não recolheu a experiência necessária nas lutas terrenas.
As mensagens do além que descem sem cessar para os homens, mostram os deveres de cada criatura ante os compromissos assumidos. Na consciência se encontra o registro do que se compromete com Deus, e Ele, o Soberano Senhor, conhece e tem paciência com Seus filhos. Mas, Ele não retira dos seus caminhos os professores que os possam educar e instruir. Tanto a riqueza quanto a pobreza têm o mesmo peso, em se somando suas dificuldades e sua força de corrigir as criaturas.
Uns lamentam, outros desprezam as oportunidades valiosas, que deverão reconhecer depois do túmulo. No entanto, não se pode dizer que o pobre é o bem-aventurado: isso depende do seu comportamento na vida com a prova da miséria. Não se pode dizer que o rico é o que goza do bem-estar, que Deus o premiou com os bens terrenos. Todos estão na mesma faixa de provas e podem ou não sair-se bem delas, dependendo do grau já alcançado na escala da evolução espiritual. Não devemos julgar, mas podemos analisar em silêncio e tirar dessas deduções experiências para o nosso caminho.
Sofreremos muito mais, se já conhecemos as leis de Deus e não vivemos de acordo com elas. Se o Evangelho de Jesus já está em nossas mãos e em nossa consciência, não percamos a oportunidade de vivê-lo, pelo menos de começar essa vivência. Com o tempo, passaremos a gozar das delícias de urna consciência em paz.
Novamente, vamos lembrar Lucas, no capítulo doze, versículo quarenta e sete:
Aquele servo, porém, que conheceu a vontade do seu Senhor e não se aprontou, nem fez conforme a Sua vontade, será punido com muitos açoites.
Conhecer é muito bom, mas traz para todos nós responsabilidades maiores, porque, conhecendo e nos fazendo de esquecidos, seremos açoitados pelas provas, qual o boi que sai do seu carreiro: o vaqueiro sabe corrigi-lo, e a lei de condicionamento faz lembrar ao mesmo animal, quando pensar em afastar do rebanho, o ferrão do condutor. Assim acontece com os seres humanos.
As provas são variáveis, e nos parece que não existe maior nem menor; todas são iguais, de acordo com as necessidades do aprendiz em questão. Se a miséria provoca as queixas, as riquezas impulsionam para os excessos de todas as ordens. O pobre geralmente deseja ser rico, e o rico, quando no mundo espiritual, deseja ser pobre na sua volta para o mundo físico. Qual dos dois está certo? São lições diferentes, diplomas necessários aos homens, que somente o recebem pelo processo das vidas sucessivas. Tal é a lei.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez
11.6.26
ESSE PEQUENO ...
Irene Ferreira de Souza Pinto*
Esse pequeno sozinho,
à noite, no pó da estrada,
De roupa suja e rasgada,
Que passa pedindo pão,
E’ um anjo pobre a caminho,
Sob inocente amargura...
Pássaro triste à procura
De ninho e consolação.
Criança desconhecida...
Dormirá? Quem sabe onde?...
E’ órfão?... Ninguém responde.
Aceita o que se lhe dê.
Quantas mágoas tem na vida,
Quanta miséria a consome,
Quanto anseio, quanta fome,
Ninguém sabe, ninguém vê...
Nunca lhe atires ao lado
Qualquer palavra ferina...
Socorre, ampara, ilumina
Em nome do Eterno Bem,
Que esse menino exilado,
Sem lar e sem companhia,
Se o Céu quisesse podia
Ser teu filhinho também!
Encoraja-lhe a esperança,
Envolve-o no teu sorriso
E sentirás, de improviso,
A bênção de doce luz!
E’ que no amor da criança,
Que te agradece o carinho,
Receberás, de mansinho,
A gratidão de Jesus!
(*) Poetisa de fino talento e bela inspiração. A seu respeito, diz Enéas de moura (cole. Poetas Paul, pág.97):” Começou seus estudos no Colégio Florense, de Jundiaí, e os terminou no Sion, de São Paulo. Colaborou na Revista Feminina; foi a criadora das crônicas sociais do Correio Paulistano.” Contista, escreveu na Feira Literária, e em 1921 estreava como romancista, publicando Rosa Maria. No Cemitério da consolação, de S. Paulo, os filhos da poetisa erigiram-lhe um túmulo, onde gravaram o belíssimo soneto “Último desejo”, de autoria dela. (amparo, Estado de São Paulo, 8 de Abril de 1887 – Rio de Janeiro, GB, 21 de Maio de 1944.)
BIBLIOGRAFIA: Primeiro Vôo; Gorjeios; O Tutor de Célia, contos; etc.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.
Esse pequeno sozinho,
à noite, no pó da estrada,
De roupa suja e rasgada,
Que passa pedindo pão,
E’ um anjo pobre a caminho,
Sob inocente amargura...
Pássaro triste à procura
De ninho e consolação.
Criança desconhecida...
Dormirá? Quem sabe onde?...
E’ órfão?... Ninguém responde.
Aceita o que se lhe dê.
Quantas mágoas tem na vida,
Quanta miséria a consome,
Quanto anseio, quanta fome,
Ninguém sabe, ninguém vê...
Nunca lhe atires ao lado
Qualquer palavra ferina...
Socorre, ampara, ilumina
Em nome do Eterno Bem,
Que esse menino exilado,
Sem lar e sem companhia,
Se o Céu quisesse podia
Ser teu filhinho também!
Encoraja-lhe a esperança,
Envolve-o no teu sorriso
E sentirás, de improviso,
A bênção de doce luz!
E’ que no amor da criança,
Que te agradece o carinho,
Receberás, de mansinho,
A gratidão de Jesus!
(*) Poetisa de fino talento e bela inspiração. A seu respeito, diz Enéas de moura (cole. Poetas Paul, pág.97):” Começou seus estudos no Colégio Florense, de Jundiaí, e os terminou no Sion, de São Paulo. Colaborou na Revista Feminina; foi a criadora das crônicas sociais do Correio Paulistano.” Contista, escreveu na Feira Literária, e em 1921 estreava como romancista, publicando Rosa Maria. No Cemitério da consolação, de S. Paulo, os filhos da poetisa erigiram-lhe um túmulo, onde gravaram o belíssimo soneto “Último desejo”, de autoria dela. (amparo, Estado de São Paulo, 8 de Abril de 1887 – Rio de Janeiro, GB, 21 de Maio de 1944.)
BIBLIOGRAFIA: Primeiro Vôo; Gorjeios; O Tutor de Célia, contos; etc.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.
7.6.26
Médiuns Espíritas - Como estão e para onde irão
A Pesquisa sobre Mediunidade Espírita (PMed 2026), conduzida por Ivan Franzolim, constitui um marco importante no esforço de compreender empiricamente o exercício da mediunidade ostensiva no Brasil.
Com base em 1.315 respostas válidas distribuídas por 26 estados e 290 cidades, o estudo oferece um panorama consistente da realidade vivida por médiuns espíritas, revelando tanto aspectos consolidados quanto fragilidades e desafios que merecem reflexão.
De modo geral, o retrato apresentado é o de uma mediunidade madura, institucionalmente integrada e motivada por ideais assistenciais.
A prática mediúnica ocorre predominantemente no âmbito dos Centros Espíritas, em reuniões coletivas, regulares e organizadas, reforçando o caráter disciplinado e comunitário da atividade.
A psicofonia permanece como a principal forma de manifestação, confirmando sua centralidade nos trabalhos de desobsessão e atendimento espiritual.
O perfil dos participantes evidencia um grupo majoritariamente feminino e envelhecido, com elevado nível de escolaridade. Mais de 70% dos respondentes têm 50 anos ou mais e a ampla maioria possui formação superior, sendo significativa a parcela com pós-graduação.
Esse dado indica que o exercício mediúnico está fortemente sustentado por indivíduos com trajetória intelectual e vivência prolongada na doutrina. Esse mesmo aspecto, contudo, revela um ponto sensível: a baixa participação de jovens sugere risco de descontinuidade geracional, colocando em pauta a necessidade de estratégias de renovação no movimento espírita.
Outro elemento central revelado pela pesquisa é a complexidade da experiência mediúnica.
Longe de se restringir a uma única forma de manifestação, os médiuns tendem a apresentar múltiplas modalidades simultaneamente, combinando psicofonia com vidência, audiência, intuição e outras percepções.
Essa diversidade indica que a mediunidade, na prática, é dinâmica e multifacetada, desafiando classificações rígidas ou simplificadoras.
No que diz respeito ao transe mediúnico, os dados são particularmente relevantes ao desmistificar a ideia de inconsciência total. Predomina entre os respondentes a consciência ou a semiconsciência durante as manifestações, o que implica um papel ativo do médium no processo.
Essa constatação reforça a noção de responsabilidade individual, exigindo discernimento, equilíbrio emocional e preparo moral para a adequada condução das comunicações espirituais.
A experiência subjetiva do médium também apresenta aspectos positivos.
Antes e depois das reuniões, predominam sentimentos de paz, leveza, gratidão e dever cumprido, sugerindo que a mediunidade, quando bem orientada, tende a produzir efeitos equilibradores.
A pesquisa, no entanto, também evidencia a presença de sintomas físicos e emocionais, como ansiedade, cansaço e alterações fisiológicas, indicando que a prática mediúnica envolve repercussões psicossomáticas que não podem ser ignoradas.
Apesar da experiência acumulada dos participantes, o estudo revela importantes lacunas na formação e no acompanhamento dos médiuns.
Insegurança, dúvida e falta de feedback aparecem como dificuldades recorrentes, inclusive entre trabalhadores experientes.
Além disso, há dificuldades conceituais na compreensão e classificação das mediunidades, demonstrando um descompasso entre a vivência prática e a elaboração teórica. Ou mesmo o que não é mediunidade como os fenômenos anímicos e personímico.
Um aspecto particularmente interessante é a presença de uma cultura mediúnica híbrida.
Mesmo com alto nível de escolaridade, os participantes utilizam uma linguagem que mistura elementos da doutrina espírita com termos e conceitos de outras tradições espiritualistas.
Essa característica revela que a mediunidade praticada nos Centros não é apenas doutrinária, mas também cultural, influenciada por experiências pessoais, tradições orais e sincretismos diversos.
Outro ponto relevante é a existência, ainda que minoritária, de mediunidades consideradas raras, como psicometria, xenoglossia, efeitos físicos e psicopictografia.
A pesquisa indica que essas manifestações nem sempre encontram acolhimento adequado nos Centros Espíritas, evidenciando uma tendência institucional de concentrar atenção nas formas mais tradicionais, especialmente na psicofonia.
No plano institucional, a PMed 2026 evidencia fragilidades na gestão das atividades mediúnicas.
A ausência de feedback estruturado, a falta de critérios para avaliação e registro de produções mediúnicas e a dificuldade de lidar com fenômenos fora do padrão indicam que a qualidade do trabalho está diretamente relacionada ao preparo dos dirigentes e à organização do Centro.
A partir desses resultados, algumas perspectivas se delineiam.
A primeira é a necessidade de compreender a mediunidade como um processo educativo, coletivo e contínuo, e não apenas como manifestação espiritual isolada. Isso implica investimento em formação permanente, acompanhamento sistemático e reflexão crítica sobre a prática.
Outra perspectiva importante é a superação do modelo passivo de mediunidade.
Os dados sugerem que o médium é participante ativo do fenômeno, o que exige maior ênfase na responsabilidade, no discernimento e na autonomia moral.
A mediunidade, nesse sentido, deve ser compreendida como uma interação complexa, envolvendo dimensões espirituais, psicológicas e sociais.
Além disso, a diversidade de experiências e terminologias aponta para a necessidade de evolução conceitual.
O campo mediúnico contemporâneo apresenta uma expansão semântica que exige maior clareza teórica e diálogo entre prática e doutrina.
A pesquisa evidencia que a mediunidade, embora essencialmente espiritual, não pode ser dissociada de fatores humanos, como estado emocional, condições físicas, ambiente e suporte institucional. Trata-se, portanto, de um fenômeno integrado, que demanda abordagem multidimensional.
Em síntese, a PMed 2026 revela uma mediunidade viva, complexa e profundamente inserida na realidade dos Centros Espíritas.
Ao mesmo tempo em que confirma a força do ideal assistencial e a maturidade de seus praticantes, aponta desafios significativos relacionados à formação, gestão e renovação.
O principal ensinamento que emerge do estudo é que a mediunidade, para cumprir plenamente sua função, precisa ser sustentada por uma base sólida de estudo, acompanhamento e organização, integrando experiência pessoal e responsabilidade institucional em um processo contínuo de aprendizado e aperfeiçoamento.
A pesquisa, portanto, é rica de informações a serem cuidadosamente meditadas pelos núcleos espiritistas e que sirva de base para a melhoria da sua prática mediúnica e de sua aplicação benéfica para o próximo e à comunidade que serve.
Obrigado, Ivan Franzolim por mais esta contribuição para o movimento espírita, colaborando para que nossa prática da mediunidade seja menos de achismo e amadorismo e mais investigativa e, portanto, mais científica.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Com base em 1.315 respostas válidas distribuídas por 26 estados e 290 cidades, o estudo oferece um panorama consistente da realidade vivida por médiuns espíritas, revelando tanto aspectos consolidados quanto fragilidades e desafios que merecem reflexão.
De modo geral, o retrato apresentado é o de uma mediunidade madura, institucionalmente integrada e motivada por ideais assistenciais.
A prática mediúnica ocorre predominantemente no âmbito dos Centros Espíritas, em reuniões coletivas, regulares e organizadas, reforçando o caráter disciplinado e comunitário da atividade.
A psicofonia permanece como a principal forma de manifestação, confirmando sua centralidade nos trabalhos de desobsessão e atendimento espiritual.
O perfil dos participantes evidencia um grupo majoritariamente feminino e envelhecido, com elevado nível de escolaridade. Mais de 70% dos respondentes têm 50 anos ou mais e a ampla maioria possui formação superior, sendo significativa a parcela com pós-graduação.
Esse dado indica que o exercício mediúnico está fortemente sustentado por indivíduos com trajetória intelectual e vivência prolongada na doutrina. Esse mesmo aspecto, contudo, revela um ponto sensível: a baixa participação de jovens sugere risco de descontinuidade geracional, colocando em pauta a necessidade de estratégias de renovação no movimento espírita.
Outro elemento central revelado pela pesquisa é a complexidade da experiência mediúnica.
Longe de se restringir a uma única forma de manifestação, os médiuns tendem a apresentar múltiplas modalidades simultaneamente, combinando psicofonia com vidência, audiência, intuição e outras percepções.
Essa diversidade indica que a mediunidade, na prática, é dinâmica e multifacetada, desafiando classificações rígidas ou simplificadoras.
No que diz respeito ao transe mediúnico, os dados são particularmente relevantes ao desmistificar a ideia de inconsciência total. Predomina entre os respondentes a consciência ou a semiconsciência durante as manifestações, o que implica um papel ativo do médium no processo.
Essa constatação reforça a noção de responsabilidade individual, exigindo discernimento, equilíbrio emocional e preparo moral para a adequada condução das comunicações espirituais.
A experiência subjetiva do médium também apresenta aspectos positivos.
Antes e depois das reuniões, predominam sentimentos de paz, leveza, gratidão e dever cumprido, sugerindo que a mediunidade, quando bem orientada, tende a produzir efeitos equilibradores.
A pesquisa, no entanto, também evidencia a presença de sintomas físicos e emocionais, como ansiedade, cansaço e alterações fisiológicas, indicando que a prática mediúnica envolve repercussões psicossomáticas que não podem ser ignoradas.
Apesar da experiência acumulada dos participantes, o estudo revela importantes lacunas na formação e no acompanhamento dos médiuns.
Insegurança, dúvida e falta de feedback aparecem como dificuldades recorrentes, inclusive entre trabalhadores experientes.
Além disso, há dificuldades conceituais na compreensão e classificação das mediunidades, demonstrando um descompasso entre a vivência prática e a elaboração teórica. Ou mesmo o que não é mediunidade como os fenômenos anímicos e personímico.
Um aspecto particularmente interessante é a presença de uma cultura mediúnica híbrida.
Mesmo com alto nível de escolaridade, os participantes utilizam uma linguagem que mistura elementos da doutrina espírita com termos e conceitos de outras tradições espiritualistas.
Essa característica revela que a mediunidade praticada nos Centros não é apenas doutrinária, mas também cultural, influenciada por experiências pessoais, tradições orais e sincretismos diversos.
Outro ponto relevante é a existência, ainda que minoritária, de mediunidades consideradas raras, como psicometria, xenoglossia, efeitos físicos e psicopictografia.
A pesquisa indica que essas manifestações nem sempre encontram acolhimento adequado nos Centros Espíritas, evidenciando uma tendência institucional de concentrar atenção nas formas mais tradicionais, especialmente na psicofonia.
No plano institucional, a PMed 2026 evidencia fragilidades na gestão das atividades mediúnicas.
A ausência de feedback estruturado, a falta de critérios para avaliação e registro de produções mediúnicas e a dificuldade de lidar com fenômenos fora do padrão indicam que a qualidade do trabalho está diretamente relacionada ao preparo dos dirigentes e à organização do Centro.
A partir desses resultados, algumas perspectivas se delineiam.
A primeira é a necessidade de compreender a mediunidade como um processo educativo, coletivo e contínuo, e não apenas como manifestação espiritual isolada. Isso implica investimento em formação permanente, acompanhamento sistemático e reflexão crítica sobre a prática.
Outra perspectiva importante é a superação do modelo passivo de mediunidade.
Os dados sugerem que o médium é participante ativo do fenômeno, o que exige maior ênfase na responsabilidade, no discernimento e na autonomia moral.
A mediunidade, nesse sentido, deve ser compreendida como uma interação complexa, envolvendo dimensões espirituais, psicológicas e sociais.
Além disso, a diversidade de experiências e terminologias aponta para a necessidade de evolução conceitual.
O campo mediúnico contemporâneo apresenta uma expansão semântica que exige maior clareza teórica e diálogo entre prática e doutrina.
A pesquisa evidencia que a mediunidade, embora essencialmente espiritual, não pode ser dissociada de fatores humanos, como estado emocional, condições físicas, ambiente e suporte institucional. Trata-se, portanto, de um fenômeno integrado, que demanda abordagem multidimensional.
Em síntese, a PMed 2026 revela uma mediunidade viva, complexa e profundamente inserida na realidade dos Centros Espíritas.
Ao mesmo tempo em que confirma a força do ideal assistencial e a maturidade de seus praticantes, aponta desafios significativos relacionados à formação, gestão e renovação.
O principal ensinamento que emerge do estudo é que a mediunidade, para cumprir plenamente sua função, precisa ser sustentada por uma base sólida de estudo, acompanhamento e organização, integrando experiência pessoal e responsabilidade institucional em um processo contínuo de aprendizado e aperfeiçoamento.
A pesquisa, portanto, é rica de informações a serem cuidadosamente meditadas pelos núcleos espiritistas e que sirva de base para a melhoria da sua prática mediúnica e de sua aplicação benéfica para o próximo e à comunidade que serve.
Obrigado, Ivan Franzolim por mais esta contribuição para o movimento espírita, colaborando para que nossa prática da mediunidade seja menos de achismo e amadorismo e mais investigativa e, portanto, mais científica.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
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