20.3.26

BIOÉTICA UMA CONTRIBUIÇÃO ESPÍRITA Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

DESEQUILÍBRIOS...

    Encontras-te angustiado. Sofrimento e desajuste unem-se para dar à paisagem social da Terra o aspecto triste e imenso Nosocômio onde pessoas se apresentam dominadas por afecções de longo curso, sem perspectivas de recuperação. Dizes que até o oxigênio do ar parece carregado de substâncias tóxicas de penetração profunda, que atingem os tecidos sutis da vida psíquica.
    Anotas desertores da ordem, que há pouco eram paradigmas do dever e te referes às novas gerações que parecem enlouquecidas, na correria desvairada, sexólatra, nos longos dédalos da sandice.
    As melhores afeições que constituíam fortaleza em que te refugiavas, se encontram vencidas e transitam indiferentes como se o egoísmo as conquistasse de inopino.
    Os ideais superiores da Humanidade parecem frouxa claridade que tremeluz, apagando-se.
    Só desequilíbrios campeiam, fecundos, dominadores.
    E temes a grande escuridão, aquela noite moral a que se reportam as advertências evangélicas...
    Estás receoso quanto ao futuro.
    Indagas, perquires e não te podes furtar a sérias preocupações, observando o riso, que na maioria dos semblantes é esgar agônico.
    Não duvides, porém, da presença positiva do Cristo na Terra sofredora destes dias.
    Escutam-se as vozes da vida imortal falando em toda parte.
    Repercute em milhões de espíritos o chamado do Consolador, restabelecendo as diretrizes da verdade.
    Há dor, sim ! Ela, porém, é o prenúncio de justas alegrias.
    Quando a mente se ensoberbece e desvaira, o sofrimento é a única voz que alcança a acústica do ser.
    As grandes lutas produzem as melhores seleções.
    O atrito desgasta, mas corrige arestas e dá formas harmoniosas.
    Não te permitas enxergar somente uma parte do panorama da atualidade.
    Pensa nos que estão silenciosos em laboratórios, atuantes nas cátedras do ensino nobre, afervorados nos organismos da legislação em toda parte, atarefados nos gabinetes de pesquisas, confiantes nos tratos de terra onde semeiam, e modificarás o conceito.
    Amamentando, a mãe generosa não receia o amanhã do filhinho: preserva-o e ajuda-o hoje.
    Sob teto acolhedor, o homem não considera a possibilidade de ficar soterrado sob ele: frui a benção do agasalho hoje.
    Bendize, também, a oportunidade de hoje produzires para o bem e cuida que o Senhor se encarregará dos resultados para o porvir.
    Existe muito amor onde somente enxergas degredo e horror.
    Muita bondade medra inesperadamente em lugares em que ninguém supõe encontrá-la.
    O amor de Nosso Pai por tudo zela. Reencoraja-te, levanta o ânimo, prossegue.
    Quando tudo conspirava contra aquele reduzido grupo de homens e mulheres atemorizados; quando o Líder que os guiava com segurança experimentara o martírio até a morte; quando um amigo se deixa enganar, a ponto de em desequilíbrio trair o Amigo; quando o depositário da confiança geral, colhido de surpresa e temendo vinditas e represálias, negara o Benfeitor; quando a soledade e o temor os ameaçavam até o desespero; quando tudo parecia perdido: ideais desvanecidos, planos malbaratados, desejos acalentados em doces noites de vigília soçobrados; quando tudo eram sombras, ei-Lo que retorna rutilante e vivo, gentil e nobre, conclamando aqueles mesmos corações ao perene embate da redenção. Elevando-se do ânimo alquebrado para a alegria da vida, deram as próprias vidas e renovaram com os seus exemplos as paisagens do mundo... Jesus vive, e a doutrina que agora ressurge dos escombros dos séculos remodelará a Terra inteira, um dia em breve, quando estaremos todos felizes ao comando d'Ele.
Livro: Lampadário Espírita - Divaldo P Franco - Joanna de Ângelis

19.3.26

BRASIL, CORAÇÃO DO MUNDO PÁTRIA DO EVANGELHO Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Comentário Questão 805 do Livro dos Espíritos

FACULDADES ADQUIRIDAS
As faculdades adquiridas pelas almas não são esquecidas em tempo algum, mesmo que estas voltem à carne pela lei da reencarnação, e não possam expressar seus valores, com toda a plenitude, por provações ou opção. Elas guardam no centro da vida o que aprenderam por experiências.
Não existe regressão do Espírito; o que dá a impressão de recuo é o fato de que ele veste uma roupa carnal, deformada pela sua própria escolha e exigência cármica. Pode, bem assim, reencarnar em mundos inferiores, com a tarefa de ajudar aos que ali se encontram em estado de sono. Os superiores têm o dever universal de dar as mãos a quem se encontra na retaguarda.
O Espírito, ao passar de um mundo superior para um inferior, conserva sua superioridade, mas nem sempre pode expressá-la no seu todo, nas suas andanças como mestre e guia. Todavia, o que ele adquiriu, isso ele nunca perde e ninguém toma; é conquista dos seus esforços individuais, é tesouro divino que a eternidade sabe conservar em seu coração.
Num exemplo bem singelo, quando se vai em busca de alguém que se interessa proteger, em cadeias, hospitais ou outros lugares onde há muitas provações, não se perde os valores morais e espirituais. é o que se passa com os Espíritos benfeitores, que descem de planos superiores para nos assistirem nas nossas necessidades. Eles conservam seus valores, mesmo trabalhando nas sombras. Assim se passa com as almas redimidas que aceitam, ou escolhem, a tarefa de ajudar aos homens, por vezes os mais ignorantes. As aptidões por eles adquiridas são luzes benfeitoras que servem para clarear os que vivem ainda no escuro, dirigidos pela ignorância.
A diversidade de aptidões corresponde ao despertamento das qualidades gradativamente. É uma lei natural que se processa em todas as criaturas de Deus, pela presença do amor universal do Criador. O tempo é muito importante para o despertamento dos valores espirituais nas almas. Depois que os Espíritos despertarem todos os seus valores, aí ocorre a grande transformação em suas vidas; desaparece dos seus caminhos o próprio tempo, e o espaço deixa de existir. Eis aí o Espírito se libertando das leis das quais não mais precisa. A fé avoluma-se de tal forma na alma, que acontecem muitas maravilhas, como Marcos anotou no capítulo onze, versículo vinte e três:
Porque em verdade vos afirmo, que se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te ao mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele.
Com o desabrochar dos talentos internos do Espírito, surge nos céus da consciência um sol que se chama Fé, força poderosa que Jesus usou muito na Terra, quando teve que curar os enfermos e levantar os caídos, mostrando ao povo a presença de Deus no coração do homem, pela fé. Deus permitiu que os homens, em graus diversos, manifestassem seus dons, e sentissem que dentro de si existem todos os recursos de vida. No futuro, pelo poder da fé, veremos que poderemos ser o nosso próprio médico, porque da nossa mente partirão ordens de harmonia que os corpos obedecerão na fluência do nosso verbo de luz.
Se sabemos que nada perdemos do bem que adquirimos, qual o nosso dever? Trabalhar para despertarmos novas aptidões e exercitá-las onde quer que estejamos, em forma de caridade, onde não falte o amor ensinado pelo Divino Mestre de todos nós, Jesus Cristo.
 
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Mirame
z

18.3.26

Gravação do Estudo detalhado do livro EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS Cap. 37 da segunda parte – DESENCARNAÇÃO


 

ELA I

RODRIGUES DE ABREU (Benedito Luís de Abreu)*
Onde ela passa qual estrela,
Célere e luminosa,
Varrendo a escuridão da vida humana,
O carvão da miséria
Faz-se bendito lume,
Atraindo as mãos frias
De velhos e crianças
Que so1uçam na sombra.
Onde ela passa docemente,
Por divina visto
Entre as campas do mundo,
Toda planta esmagada
Reverdece de nova
Ao brilha da esperança.
Onde ela passa generosa,
Sobre a lama da Terra,
Lírios brotam do charco,
Perfumados e puros,
Coma bênçãos do Céu
Projetadas no lodo.
Ninguém lhe ouviu jamais qualquer palavra
De azedia ou censura.
Apenas a vaidade muitas vezes
Lhe toma a retaguarda
E espalha a pessimismo
Nos corações, em torno,
Comentando, agressiva,
A torva indiferença
Dos que bebem a sós
O vinho da ilusão
E devoram cruéis,
O pão da mesa farta,
Dando sobras ao mofo,
Atolados na usura 35 Que a aura anestesia.
Ela passa, entretanto,
Nobre, serena e bela,
Em profundo silêncio,
Educando e servindo
Sem que ninguém lhe escute 41 Sequer o próprio hálito...
Porquanto, em tudo e em todos,
E’ sempre a Caridade — a Luz que veio de Deus.
__________________________________________________________
(*) Poeta, teatrólogo, educador. Escreveu nos principais jornais e revistas dos Pais. Tendo sido a infância de RA uma das mais afanosas, iniciou ele o curso primário em Piracicaba, completando-o em S. Paulo. Depois de muitas reviravoltas por diversos colégios, de outras cidades, regressa o poeta à Capital paulista, onde passa a lecionar. Posterior­mente, transfere-se para sua terra natal, desencarnando, mais tarde, em Bauru. Péricles Eugênio da Silva Ramos (in Lit, no Brasil, III, t. 1, pá­gina 538) classifica RA como poeta modernista não «histórico» e acrescenta, adiante, que ele <cultivou uma poesia simples, sentimental e do­lorida». Embora Afonso Schmidt (in Dic. Aut. Paulistas, pág. 16) o considere «um dos maiores poetas de S. Paulo», Domingos Carvalho da Silva, <0 seu melhor critico», diz que RA, como poeta, foi "alto valor que não chegou a realizar-se, mas que manteve sempre a sua individua­lidade» (apud Pan. VI, pág. 80). (Municipal de Capivari, Est. de São Paulo, 27 de Setembro de 1897 — Bauru, Est. de São Paulo, 24 de Novembro de 1927.)
BIBLIOGRAFIA:     Noturnos; A Sala dos Passes Perdidos; Casa Destelhada; etc.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira