24.4.26

O COLAR DA ÍNDIA Livro espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

A POLÍTICA EM “NOSSO LAR”

Uma leitura mais atenta do livro “Nosso Lar”, por sinal, uma obra revolucionária sob todos os aspectos, em nossos arraiais doutrinários, poderá modificar, substancialmente, a nossa visão sobre a Vida no Mundo Espiritual.
No capítulo 9, intitulado “Problema de Alimentação”, as revelações são, então, surpreendentes, de deixar basbaque aquele que ainda não conseguiu libertar-se do dogmatismo que a religião, de maneira geral, há séculos impõe à Humanidade.
Em precioso diálogo com Lísias, André Luiz fica sabendo que, por exemplo, segundo os anais da cidade, há um século, ela “lutava com extremas dificuldades para adaptar os habitantes às leis da simplicidade”, porque “muitos chegados ao ‘Nosso Lar’ duplicavam exigências”, evidenciando, pois, a sua condição meramente humana.
Acrescenta Lísias que, os recém-chegados, “queriam mesas lautas, bebidas excitantes, dilatando velhos vícios terrenos”, com certeza, sem maior consciência de sua própria condição de desencarnados, que, por suas exigências, não possuíam qualquer pensamento de ordem mais solidária, que envolvesse a carência do próximo.
Destaca o amigo de André – pasmemos! –, “que apenas o Ministério da União Divina ficou imune de tais abusos” (de tais corrupções, que chegavam, inclusive, a envolver tráfico de alimentos, ou, mais especificamente, de carne).
Uma situação que, convenha-se, é muito parecida com a situação política vivenciada na atualidade brasileira, que não se sabe de um único Ministério que não esteja envolvido em questões de propina, sob o beneplácito do Governo.
Mas a questão política de “Nosso Lar”, cidade fundada por distintos portugueses, desencarnados no Brasil no século XVI, não para aí.
O novo Governador, que assumira o lugar do anterior – que não se sabe se renunciou ou recebeu o impeachment –, com o intuito de preservar a ordem, solicitou intervenção externa: “... a pedido da Governadoria, vieram duzentos instrutores de uma esfera muito elevada, e a fim de espalharam novos conhecimentos, relativos à ciência da respiração e da absorção de princípios vitais da atmosfera.”
Ainda tem mais: “Algumas entidades eminentes (falsos intelectuais) chegaram a formular protestos de caráter público” – ou seja, foram para a Avenida Paulista de “Nosso Lar”, promovendo passeatas, com bandeiras desfraldadas certamente, reclamando das novas medidas implementadas pelo Governador, que tentava evitar com que a cidade caísse, de vez, sob o domínio das trevas.
A situação, então, segundo Lísias, chegou a tal ponto, que o Governador, ipsis literis, “determinou funcionassem todos os calabouços da Regeneração, para isolamento dos recalcitrantes”, sendo que, em outras palavras, mandou para cadeia os que estavam acostumados a usufruir das facilidades de um Governo que se corrompera.
Bom que se frise, uma vez mais, que estamos nos referindo ao que é descrito por André Luiz, em “Nosso Lar”, e, os inconformados com semelhante realidade, são livres para protocolarem em qualquer tribunal de justiça os seus pedidos de liminar, que, naturalmente, envolverão o autor espiritual da Obra e o seu médium Chico Xavier.
Claro, não houve conflito armado na cidade espiritual, não obstante, ainda segundo André Luiz, o Governador, com a finalidade de preservar a ordem pública, recorreu às Forças Armadas “e pela primeira vez na sua administração, mandou ligar as baterias elétricas da cidade, para emissão de dardos magnéticos a serviço da defesa comum.”
Acrescenta Lísias em sua narrativa, que “a colônia ficou, então, sabendo o que vem a ser a indignação do espírito manso e justo”, que, talvez, tenha se inspirado na atitude do Cristo quando, munido de uma vergasta, expulsou os vendilhões do Palácio (ops), do Templo.
Num parágrafo anterior, do referido capítulo, a fim de não ficarmos devendo citações aos nossos atentos leitores, Lísias disse a André Luiz que, no Ministério da Regeneração, grande número de colaboradores – gente do terceiro e do quarto e do quinto e, quiçá, do sexto escalão – “entretinha certa intercâmbio clandestino em virtude dos vícios de alimentação.”
Igualmente, não queremos polemizar. Apenas desejamos deixar registrado que o ser humano, na Terra ou no Mais Além, enquanto não logra transcender-se em sua humanidade, é sempre o mesmo na defesa de seus mesquinhos interesses, apoiando-se em inúmeros sofismas para que prossiga defendendo a sua cômoda posição em detrimento dos interesses da coletividade.
INÁCIO FERREIRA - Blog Mediunidade na Internet
Veja no Youtube o estudo detalhado que fizemos do livro NOSSO LAR: https://youtu.be/ydMsfCDlxRk?list=PLJUZisvOqWSPUK1M4CUECfKNsE1Z4FMkB 

23.4.26

REFLEXOS DE UM PASSADO Romance espírita a venda na LER Livros Revistas Papelaria


 

Comentário Questão 809 do Livro dos Espíritos

RESPONSABILIDADE
 
Em tudo o que fazemos, a responsabilidade se apruma a nossa frente, pedindo, no silêncio da nossa imaginação, que entendamos este compromisso. Todos o entendem, mais ou menos, desde quando não deixem se perder as ondas emitidas pela consciência ao raciocínio.
No caso de herança, muitas vezes não se conhece a origem da fortuna herdada, mas, mesmo sem o beneficiário o saber, já é um compromisso assumido, ao pôr as mãos em dinheiro que não nasceu dos próprios esforços. O rico tem oportunidades inúmeras de ajudar aos que sofrem, pela caridade bem conduzida, aquela que não fica somente dando pão aos que têm fome, mas que lhes ensina quando oportuno, a plantar o trigo.
Riqueza soma responsabilidades no caminho do seu portador. Ela é um empréstimo valioso de Deus para que se possa despertar no coração os sentimentos do amor, através do bem comum que se pode fazer. Quantas riquezas, observamos, estão sendo desperdiçadas em mãos invigilantes, em passeios desnecessários, que em muitos casos complicam a vida, em luxo extravagante que aumenta o orgulho da família, desperta a vaidade e traz sempre junto o egoísmo!
Se veio às tuas mãos a riqueza, pelo trabalho ou por herança, medita nos bens materiais e o porquê da sua existência em teu caminho. Analisa os homens generosos, estuda as grandes vidas e passa a copiar os ensinamentos dos grandes benfeitores da humanidade. O ouro é cego; o seu guia é que responde pelos seus feitos.
Disse Jesus que dificilmente entraria um rico no reino dos Céus mas, isso nunca é impossível, porque não existe o impossível, onde a caridade é o clima e o amor o alimento. Jesus tem o poder de a tudo transformar, e sempre para melhor.
O rico tem muitas oportunidades de salvar-se porque, pelas suas possibilidades de conhecimento e de vigiar por toda parte, tem oportunidades variadas de perceber com maiores detalhes a vida de Jesus e os benefícios por Ele criados. Certamente que não lhes falta a oportunidade de acesso a muitas obras que falam sobre a vida do Guia Espiritual da Terra, e de perceber, por toda parte, os sinais dos Seus fenômenos. João anotou, no capítulo seis, versículo trinta e seis:
Porém, eu já vos disse que, embora me tenhais visto, não credes.
A riqueza, para quem tem olhos para ver, permite observar com facilidade a bondade de Deus por toda parte, e o próprio Jesus de braços abertos a chamar para o melhor trabalho que existe na Terra: ensinar aos outros, sem ostentação, a ganhar o seu próprio pão. A agricultura, a fruticultura, a floricultura e outros poderiam ser processos da multiplicação dos pães em tempos novos, promovida pelos ricos, para que os homens vissem o amor de Deus para com Seus filhos.
Também os ricos de conhecimento e de recursos intelectuais deveriam saber como guiar aos que lhes buscam orientação. Entretanto, parece que não vêem que todos os meios de comunicação que têm em suas mãos são possibilidades de guiar a humanidade, esquecendo, muitas vezes, seus deveres de verdadeiros guias, lembrando-se apenas de sua posição.
Observemos as responsabilidades dessas heranças, que se não forem bem aplicadas, poderão ser atrofiadas pelo tempo e pela justiça.
Se a herança partiu de uma fonte injusta, pode-se transformá-la em ouro de luz, que ilumina os próprios pervertidos para, no amanhã, corrigirem seus deslizes.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez

22.4.26

Gravação do Estudo detalhado do livro MECANISMOS DA MEDIUNIDADE Capítulo 1 – ONDAS E PERCEPÇÕES



ESCALADA

João da CRUZ E SOUZA*
 
Louva o suplício da matéria escrava,
No turbilhão de cárceres e algemas.
E canta, coração, inda que espremas
O fel da própria dor em pranto e lava.
 
Chora e avança cansado, mas não temas;
Sangrem-te embora os pés na urtiga brava,
Caminha imune al lodo que deprava,
Purificado em lágrimas supremas.
 
51  Indiferente às cóleras e às fúrias,
Apaga o fogo das paixões espúrias,
Sofre humilde e sereno por vencê-las...
 
Peregrino de trágico deserto,
Um dia, subirás, enfim liberto,
Gema solar em túnica de estrelas!...
_____________________
(*) Filho de pais escravos, Cruz e Souza é a figura mais expressiva do Simbolismo no Brasil e, ao lado de Mallarmé e Stefan George, um dos grandes nomes do movimento simbolista no mundo, segundo Roger Bastide. 《Tinha》 - escreveu seu grande amigo Virgílio Várzea (apud A. Muricy, Pan. Mov. Sim. Brás., I, pág. 98) - 《uma grande paixão pelas idéias humanitárias, e serviu-as sempre, como um fanático, sem se poupar sacrifícios, na tribuna, em praça pública e principalmente no jornalismo.》 Tendo sofrido acerbas provações, naturalmente dentro das dívidas cármicas, o grande poeta continua, hoje, em afanosa luta pela difusão das 《ideais humanitárias》, entre as quais agora incluiu o Espiritismo e o Esperanto, a corroborar que a vida, com efeito, não cessa no túmulo. Principalmente no setor esperantista, o artista de Faróis é uma personalidade atuante na Espiritualidade. Em 1961, ano em que se comemorou, em todo o Brasil, o primeiro centenário de seu nascimento, os mais representativos centros culturais do país lhe tributaram mil e uma homenagens, culminando com a publicação de suas Obras Completas, organizadas por Andrade Muricy, em primorosa apresentação, pela Editora José Aguilar Ltda. A extraordinária produção do genial poeta provocou, dos que o rodeavam, os epítetos de 《Cisne Negro》, 《Dante Negro》,《Poeta Negro》, epítetos – diz A. Muricy (op. Cit.,pág. 101) 《compreendidos no senso mais elevado e consecratório de tais expressões》. (Desterro, hoje Florianópolis, SC, 24 de Novembro de 1861 – Sítio, atual Antônio Carlos, Minas Gerais, 19 de Março de 1898.)
BIBLIOGRAFIA: Broqueis; Evocações; Faróis; Últimos Sonetos; etc.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira