Eclode, uma vez mais, um conflito de grandes proporções que abala a paz mundial, protagonizado pelos Estados Unidos, Irã e Israel, com ramificações para outros países do Oriente Médio e com a possibilidade de ganhar o mundo inteiro, em decorrência das suas consequências econômicas.
O tabuleiro da geopolítica mundial sempre foi instável devido aos interesses de poder envolvidos onde cada ator internacional deseja prevalecer a sua ambição de domínio. Algumas destas guerras são históricas e se reproduzem em formatos diferentes, mas mantendo a mesma essência da sua origem.
Esperar que a diplomacia e o bom senso sejam os reais vencedores destes conflitos internacionais e certamente orar para apascentar os ânimos e influências, materiais e espirituais, pode ser algo que cada um possa fazer à distância no afã de ver novamente reinar a paz entre estas nações.
Há outro tipo de guerra, porém, que pretendo explorar adiante e esta o embate não é exterior, pelo contrário, ela se desenvolve no íntimo e tal qual a guerra armada, é de difícil solução, mas plenamente possível vencê-la.
A busca pelo autoaperfeiçoamento é, muitas vezes, descrita também em termos militares: uma luta contra os vícios, uma batalha contra o ego ou uma guerra contra a própria sombra.
Essa abordagem beligerante, no entanto, frequentemente resulta em exaustão e repressão, em vez de uma mudança real e profunda.
Para vencer essa guerra interior, é preciso transcender a visão punitiva e adotar uma perspectiva de integração.
Muitos buscadores espirituais e indivíduos em processos terapêuticos caem na armadilha do perfeccionismo moral, um estado em que o desejo de ser "bom" atropela a necessidade de ser "verdadeiro".
Ermance Dufaux alerta que a tentativa de extirpar o "velho homem" à força gera o martírio — um estado de culpa paralisante e punição severa que pouco contribui para a evolução real da alma.
Na Psicologia Analítica, esse processo está intimamente ligado ao conceito de Sombra, que representa tudo aquilo que negamos em nós mesmos: impulsos, desejos inaceitáveis e fraquezas que não se encaixam na imagem idealizada que temos de nós.
Quando tentamos vencer a guerra interior através da mera repressão, estamos apenas empurrando a Sombra para o inconsciente, onde ela ganha força e autonomia. Como afirmava Carl Jung, "o que você resiste, persiste".
A reforma íntima, portanto, não deve ser um processo de eliminação, mas de integração, onde vencer a guerra não significa aniquilar o "inimigo" interno, mas transformá-lo em um aliado por meio do reconhecimento e da aceitação consciente.
O sistema de autoconhecimento conhecido como Pathwork oferece uma estrutura complementar para entender essa dinâmica ao dividir a psique em três níveis: a Máscara, o Eu Inferior e o Eu Superior.
A Máscara é a face que mostramos ao mundo para obter aprovação e evitar a dor, enquanto o Eu Inferior é a sede da negatividade, do egoísmo e das defesas destrutivas. O conflito, ou a guerra, surge quando a Máscara tenta esconder o Eu Inferior para convencer o indivíduo de que ele já atingiu o Eu Superior.
Ermance Dufaux denomina esse fenômeno de "maquiagem espiritual".
Vencer esse conflito exige a coragem de atravessar a Máscara e encarar as distorções do Eu Inferior sem julgamento cruel, mas com uma honestidade radical. A proposta central dela é a substituição da culpa pela responsabilidade; enquanto a culpa é uma forma de vaidade ferida, a responsabilidade é o motor da mudança.
“A reforma íntima é um processo de educação e não de punição, pois o espírito não cresce sob o chicote da censura, mas sob o sol da compreensão”, defende Ermance Dufaux.
Para vencer a guerra, é necessário adotar o que tanto a psicologia profunda quanto o Pathwork chamam de Observador Imparcial. Trata-se de uma instância da consciência que observa as falhas sem se identificar com elas.
Quando deixamos de nos chicotear por sentir raiva ou medo, retiramos o combustível que alimenta esses sentimentos, pois a aceitação amorosa é o único terreno onde a transformação duradoura pode florescer.
O objetivo final desse processo não é atingir uma santidade absoluta e inatingível, mas a Individuação, termo junguiano para a realização da totalidade do ser. Isso implica reconhecer as projeções, acolher a própria vulnerabilidade e dialogar com os complexos em vez de combatê-los como sintomas isolados.
Vencer a guerra interior é, paradoxalmente, declarar a paz consigo mesmo, entendendo que o suposto inimigo é apenas uma parte do ser que ainda está perdida na dor.
Através da síntese entre a espiritualidade lúcida, a profundidade simbólica e a clareza prática, percebemos que a reforma íntima é uma obra de paciência, onde o sucesso não é medido pela ausência de conflitos, mas pela capacidade de lidar com eles com integridade e amorosidade.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Referências Bibliográficas
DUFAUX, Ermance (Espírito); OLIVEIRA, Wanderley Soares de (Psicografia). Reforma íntima sem martírios. Belo Horizonte: Editora Dufaux, 2011.
JUNG, Carl Gustav. O Eu e o Inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2015.
PIERRAKOS, Eva. O Caminho da Autotransformação: O Guia do Pathwork para a Plenitude Espiritual. São Paulo: Cultrix, 1993.
SHARP, Daryl. Léxico Junguiano: Um dicionário de termos e conceitos. São Paulo: Cultrix, 1991.
O tabuleiro da geopolítica mundial sempre foi instável devido aos interesses de poder envolvidos onde cada ator internacional deseja prevalecer a sua ambição de domínio. Algumas destas guerras são históricas e se reproduzem em formatos diferentes, mas mantendo a mesma essência da sua origem.
Esperar que a diplomacia e o bom senso sejam os reais vencedores destes conflitos internacionais e certamente orar para apascentar os ânimos e influências, materiais e espirituais, pode ser algo que cada um possa fazer à distância no afã de ver novamente reinar a paz entre estas nações.
Há outro tipo de guerra, porém, que pretendo explorar adiante e esta o embate não é exterior, pelo contrário, ela se desenvolve no íntimo e tal qual a guerra armada, é de difícil solução, mas plenamente possível vencê-la.
A busca pelo autoaperfeiçoamento é, muitas vezes, descrita também em termos militares: uma luta contra os vícios, uma batalha contra o ego ou uma guerra contra a própria sombra.
Essa abordagem beligerante, no entanto, frequentemente resulta em exaustão e repressão, em vez de uma mudança real e profunda.
Para vencer essa guerra interior, é preciso transcender a visão punitiva e adotar uma perspectiva de integração.
Muitos buscadores espirituais e indivíduos em processos terapêuticos caem na armadilha do perfeccionismo moral, um estado em que o desejo de ser "bom" atropela a necessidade de ser "verdadeiro".
Ermance Dufaux alerta que a tentativa de extirpar o "velho homem" à força gera o martírio — um estado de culpa paralisante e punição severa que pouco contribui para a evolução real da alma.
Na Psicologia Analítica, esse processo está intimamente ligado ao conceito de Sombra, que representa tudo aquilo que negamos em nós mesmos: impulsos, desejos inaceitáveis e fraquezas que não se encaixam na imagem idealizada que temos de nós.
Quando tentamos vencer a guerra interior através da mera repressão, estamos apenas empurrando a Sombra para o inconsciente, onde ela ganha força e autonomia. Como afirmava Carl Jung, "o que você resiste, persiste".
A reforma íntima, portanto, não deve ser um processo de eliminação, mas de integração, onde vencer a guerra não significa aniquilar o "inimigo" interno, mas transformá-lo em um aliado por meio do reconhecimento e da aceitação consciente.
O sistema de autoconhecimento conhecido como Pathwork oferece uma estrutura complementar para entender essa dinâmica ao dividir a psique em três níveis: a Máscara, o Eu Inferior e o Eu Superior.
A Máscara é a face que mostramos ao mundo para obter aprovação e evitar a dor, enquanto o Eu Inferior é a sede da negatividade, do egoísmo e das defesas destrutivas. O conflito, ou a guerra, surge quando a Máscara tenta esconder o Eu Inferior para convencer o indivíduo de que ele já atingiu o Eu Superior.
Ermance Dufaux denomina esse fenômeno de "maquiagem espiritual".
Vencer esse conflito exige a coragem de atravessar a Máscara e encarar as distorções do Eu Inferior sem julgamento cruel, mas com uma honestidade radical. A proposta central dela é a substituição da culpa pela responsabilidade; enquanto a culpa é uma forma de vaidade ferida, a responsabilidade é o motor da mudança.
“A reforma íntima é um processo de educação e não de punição, pois o espírito não cresce sob o chicote da censura, mas sob o sol da compreensão”, defende Ermance Dufaux.
Para vencer a guerra, é necessário adotar o que tanto a psicologia profunda quanto o Pathwork chamam de Observador Imparcial. Trata-se de uma instância da consciência que observa as falhas sem se identificar com elas.
Quando deixamos de nos chicotear por sentir raiva ou medo, retiramos o combustível que alimenta esses sentimentos, pois a aceitação amorosa é o único terreno onde a transformação duradoura pode florescer.
O objetivo final desse processo não é atingir uma santidade absoluta e inatingível, mas a Individuação, termo junguiano para a realização da totalidade do ser. Isso implica reconhecer as projeções, acolher a própria vulnerabilidade e dialogar com os complexos em vez de combatê-los como sintomas isolados.
Vencer a guerra interior é, paradoxalmente, declarar a paz consigo mesmo, entendendo que o suposto inimigo é apenas uma parte do ser que ainda está perdida na dor.
Através da síntese entre a espiritualidade lúcida, a profundidade simbólica e a clareza prática, percebemos que a reforma íntima é uma obra de paciência, onde o sucesso não é medido pela ausência de conflitos, mas pela capacidade de lidar com eles com integridade e amorosidade.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Referências Bibliográficas
DUFAUX, Ermance (Espírito); OLIVEIRA, Wanderley Soares de (Psicografia). Reforma íntima sem martírios. Belo Horizonte: Editora Dufaux, 2011.
JUNG, Carl Gustav. O Eu e o Inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2015.
PIERRAKOS, Eva. O Caminho da Autotransformação: O Guia do Pathwork para a Plenitude Espiritual. São Paulo: Cultrix, 1993.
SHARP, Daryl. Léxico Junguiano: Um dicionário de termos e conceitos. São Paulo: Cultrix, 1991.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário