José Júlio da Silva Ramos*
Do castelo feudal que o vento forte enrija,
Brame Dom Gil Mendonça, em subida almenara :
– “Agasalho a ninguém!...” – Ressoa a voz preclara,
De florão a florão, de cornija a cornija.
Sempre à noite, há quem chore e beije a pedra rija.
– “E’ a neve!... Abra Dom Gil!...” – Cada rogo dispara
E assopra anseio e dor nos brasões de Carrara,
Sem que o dono feroz se comova ou transija.
Certo dia, no entanto, ouvem-se augúrios de algo...
Surge uma sombra leve e procura o fidalgo
Que, em vão, se estorce e ruge à porta que não cerra.
– “Que bandido me assalta?” – exclama, braço em riste,
Mas o vulto era a morte, e a morte, calma e triste,
Acomoda Dom Gil numa fossa de terra.
(*) Emérito professor de Português do Colégio Pedro II, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira nº. 37, prosador primoroso e poeta lírico de profunda inspiração, Silva Ramos fêz o curso de Direito na Universidade de Coimbra. Filólogo dos mais eminentes, soube influenciar espíritos de escol quais Antenor Nascentes, Manuel Bandeira e Sousa da Silveira. Colaborou em diversas publicações, como A Semana, Revista da Academia Brasileira de Letras, Renascença, etc. «A magnanimidade de Silva Ramos» – disse Alcântara Machado – «é atestada não por este ou aquele capítulo, mas por todas as páginas da sua existência. » (Recife, Pernambuco, 6 de Março de 1853 – Rio de Janeiro, GB, 16 de Dezembro de 1930.)
BIBLIOGRAFIA: Adejos; Pela Vida Fora; A Reforma Ortográfica; Centenário de João de Deus, conferência ; etc.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.
Do castelo feudal que o vento forte enrija,
Brame Dom Gil Mendonça, em subida almenara :
– “Agasalho a ninguém!...” – Ressoa a voz preclara,
De florão a florão, de cornija a cornija.
Sempre à noite, há quem chore e beije a pedra rija.
– “E’ a neve!... Abra Dom Gil!...” – Cada rogo dispara
E assopra anseio e dor nos brasões de Carrara,
Sem que o dono feroz se comova ou transija.
Certo dia, no entanto, ouvem-se augúrios de algo...
Surge uma sombra leve e procura o fidalgo
Que, em vão, se estorce e ruge à porta que não cerra.
– “Que bandido me assalta?” – exclama, braço em riste,
Mas o vulto era a morte, e a morte, calma e triste,
Acomoda Dom Gil numa fossa de terra.
(*) Emérito professor de Português do Colégio Pedro II, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira nº. 37, prosador primoroso e poeta lírico de profunda inspiração, Silva Ramos fêz o curso de Direito na Universidade de Coimbra. Filólogo dos mais eminentes, soube influenciar espíritos de escol quais Antenor Nascentes, Manuel Bandeira e Sousa da Silveira. Colaborou em diversas publicações, como A Semana, Revista da Academia Brasileira de Letras, Renascença, etc. «A magnanimidade de Silva Ramos» – disse Alcântara Machado – «é atestada não por este ou aquele capítulo, mas por todas as páginas da sua existência. » (Recife, Pernambuco, 6 de Março de 1853 – Rio de Janeiro, GB, 16 de Dezembro de 1930.)
BIBLIOGRAFIA: Adejos; Pela Vida Fora; A Reforma Ortográfica; Centenário de João de Deus, conferência ; etc.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário