30.8.26
CHICO COMPLEMENTA KARDEC
Alguns dicionaristas atribuem ao termo complementar o significado de “completar”, “concluir”, e, neste sentido, cremos que, em se tratando de Doutrina Espírita, ele não esteja bem posto, quando, com ele, se pretende dizer que Chico completa Kardec, porque, em verdade, a Obra Xavieriana, se é o legítimo desdobrar da Codificação, não a conclui.
Sendo o Espiritismo, como escreveu o Codificador, “a ciência do infinito” (“Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita”, em “O Livro dos Espíritos”, item XIII), ele nunca poderá ser complementado, ou completado.
A extraordinária Obra Mediúnica devido à lavra de Chico Xavier representa, pois, com mais propriedade, um acréscimo ao conteúdo do Pentateuco, que, em seus Postulados, há de sempre ampliar-se.
Efetuamos semelhante reflexão porquanto, igualmente, não podemos, em termos de Revelação, considerar qualquer obra espírita, de autor encarnado ou não, como sendo definitiva.
Em louvor à Verdade, carecemos dizer que nós, os desencarnados, apenas nos situamos no “andar de cima” do edifício habitado pelas criaturas humanas em suas diversas condições evolutivas, sendo que o fato de sermos inquilinos do “andar de cima” não nos habilita a tudo saber, por vezes, nem do próprio pavimento em que nos encontramos alojados.
Se, em relação aos encarnados, alguma visão mais ampla nós possuímos da paisagem que quase nos é comum, ela ainda se nos mostra extremamente limitada, num permanente convite à exploração de seus vastos horizontes.
Assim, precisamos dizer que, embora esteja em a Natureza, conforme os Espíritos Superiores disseram a Kardec, e, portanto, seja tão antigo quanto à própria Criação Divina, o Espiritismo, em termos de Conhecimento possui característica dinâmica, progressista, que se remete ao Futuro. Aliás, quando se refere ao Advento do Consolador, que é o Espiritismo, Jesus utiliza o verbo “conhecer” no Pretérito mais-que-perfeito: “Conhecereis a Verdade...”, ou seja: vós conhecereis...
Ele, o Cristo, nos disse que conheceríamos a Verdade, sendo que, com certeza, estava se referindo à Verdade relativa, e não Absoluta, que somente a Deus pode pertencer. Não obstante, pelo que se depreende mesmo o conhecimento relativo da Verdade seria capaz, qual o é, de promover a nossa libertação da ignorância.
Conhecimento algum, em qualquer campo do Saber, deve ser considerado definitivo.
Em termos de Conhecimento Espírita, a Obra Mediúnica que os Espíritos escreveram através de Chico Xavier, representa um “passo adiante”, definindo, em seus contornos doutrinários, o Espiritismo como sendo a Restauração do Cristianismo. Contudo, a jornada evolutiva a ser empreendida pelo espírito é extremamente longa e laboriosa, e perante o vertiginoso avanço da Ciência, o campo do Conhecimento Espírita, a partir de Allan Kardec e Chico Xavier, permanece aberto aos estudiosos.
O Pentateuco não se complementa com a Obra Xavieriana, ou Emmanuelina, mas, sem dúvida que se atualiza e se enriquece com ela, de vez que, a ficarmos apenas e tão somente com o Pentateuco, adotaríamos a mesma postura dos religiosos ortodoxos, em seu fanatismo, ou mesmo dos cientistas não adeptos da tese evolucionista de Darwin, ou de quem se queira atribuí-la que não ao célebre autor de “A Origem das Espécies”.
Sinceramente, repugna-me ao espírito o enfatizar-se ser o Espiritismo uma doutrina pronta e acabada e que nós, os espíritas, no corpo ou fora do corpo, sejamos criaturas, que já tudo saibamos a respeito da Vida além da morte, da qual, praticamente, ainda somos quase todos analfabetos.
INÁCIO FERREIRA - Blog Mediunidade na Internet
29.8.26
Teu Bolso
Nas sendas da evolução,
Não deixes de trabalhar
O campo do coração.
Erradica de tu’alma
O egoísmo milenar,
Que te escraviza a ti mesmo
Sem te deixar avançar.
Começa por dar um pão
Ou um copo d’água pura,
Para a fome ou para a sede
Daquele que te procura.
Não careces, de início,
Segundo percebo e ouço,
Com maior desprendimento,
Enfiar a mão no bolso...
Sob o jugo do egoísmo,
Na ilusão que te seduz,
Só mais tarde entenderás
Que o teu bolso é de Jesus.
Formiga/Baccelli
Lar Espírita “Pedro e Paulo”
Uberaba – MG, 22-8-26
28.8.26
Comentário Questão 823 do Livro dos Espíritos
Os monumentos erigidos nas sepulturas dos poderosos da Terra são impulsionados pelo orgulho e pela vaidade, para mostrar à sociedade que a família do morto é poderosa no domínio do ouro.
O homem, muitas vezes, ainda a caminho da morte, já sente a desilusão dos bens materiais, não se interessando por essa ostentação.
O pobre, neste sentido, é bem mais ajustado, por não sofrer essa perturbação dos que ficaram. Nós temos a dizer que somente levamos para o mundo espiritual o que somos. Felizes daqueles que começaram na Terra a sua reforma de sentimentos, que despertaram para Jesus, nos caminhos do amor e da caridade,os valores do Espírito. Não é preciso ser rico para encher o celeiro do coração; é ter somente boa vontade. O Mestre não tinha onde reclinar a cabeça, entretanto, foi o mais rico de todos os homens, na condição de Filho de Deus, igual a todos os homens.
Os grandes monumentos de pedra erigidos nos "campos santos", poderiam ser transformados pelas famílias ricas, antes da sua feitura, em casas para os que se encontram ao relento. Feito em nome do morto, esse gesto seria um alívio para a sua consciência, como também para os que ficaram. O custo de um túmulo corresponde à alimentação que poderia ser oferecida a muitos famintos, assim como muitos outros gastos inconvenientes que se fazem na Terra, por orgulho e vaidade, por ignorância e prepotência. O orgulho dos parentes atinge o desejo de glorificar a si mesmos, pouco pensando no bem-estar de quem já foi para o outro mundo.
O homem de bem não precisa buscar a sua própria glória; ela vem, por lei, em busca dele. Vejamos o que João anotou no capítulo oito, versículo cinquenta:
Eu não procuro a minha própria glória; há quem a busque e julgue.
Os poderosos da Terra não desconfiaram de que as glórias do mundo são incômodas e passageiras, que não correspondem às necessidades do coração. O sábio nunca procura se mostrar, mesmo fazendo o bem à sociedade, por saber que todos os feitos, bons e maus, serão revelados pela própria natureza por ordem da lei, que nada deixa em segredo que não venha a ser revelado. O orgulho e o egoísmo são tão fortes e poderosos que acompanham quem os possui mesmo depois do túmulo, envolvendo o Espírito nas suas sugestões inferiores e levando-o a sofrer todos os tipos de torturas que eles possam imprimir em sua consciência.
É por isso que a reencarnação é uma bênção de Deus, pois ela nos dá oportunidade de nos desfazermos destes dois monstros que devoram as oportunidades dos seres humanos e prendem os Espíritos, mesmo no mundo espiritual, em situações difíceis de se libertarem.
Sabemos que nem sempre é pelo morto que os familiares fazem essas demonstrações para que a sociedade veja e, sim, para alimentar o orgulho de família na posição em que se encontram. Infelizes desses homens que ignoram seus destinos. Entretanto, o tempo os educará. Eles morrerão e também ficarão conhecendo a verdade que os libertará dessa ignorância.
Os tempos estão chegando, para o bem da humanidade. Que seja por meios violentos, porém a natureza fará as criaturas despertarem para os valores da alma, tendo o Evangelho de Jesus como fonte da vida, por ordem de Deus.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez
27.8.26
FILHO QUE NÃO NASCEU
Fui trazido ao teu colo e sussurro, baixinho:
– “Mãe, eu serei na carne o sonho de teu sonho!...”
Depois, em prece ardente, em ti meus olhos ponho,
Pássaro fatigado ante a úsnea do ninho.
Abraço-te. És comigo a esperança e o caminho...
Em seguida – oh! irrisão! –, eis que, num caos medonho,
Expulsas-me a veneno, e, bruto, me empeçonho,
Serpe oculta a ferir-te em silêncio escarninho.
Já me dispunha a dar o golpe extremo, quando
Surge alguém que me obriga a deixar-te dançando
Em formoso salão onde o prazer fulgura.
Passa o tempo. Hoje volto... É o amor que em mim arde.
Mas encontro-te, oh! mãe, a gemer, triste e tarde,
Sombra que foi mulher, enjaulada à loucura...
(*) O poeta não se identificou nas reuniões a que compareceu.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira
26.8.26
Lições da Noite de São Bartolomeu
A França do século XVI encontrava-se profundamente fraturada pelo conflito entre a maioria católica e os huguenotes — protestantes calvinistas franceses —, em uma disputa que transbordava o campo da fé para alcançar a luta pelo controle político da coroa Valois.
O ambiente que antecedeu a tragédia foi marcado pelo casamento do jovem rei protestante Henrique de Navarra (futuro Henrique IV) com Margarida de Valois, a rainha Margot, irmã do rei Carlos IX e filha da influente rainha-mãe Catarina de Médici.
O matrimônio havia sido arquitetado como um ato de reconciliação nacional, atraindo para a capital francesa a nobreza protestante e milhares de fiéis huguenotes.
A tensão política, contudo, atingiu o ápice com a tentativa de assassinato do almirante Gaspard de Coligny, principal liderança militar e política dos huguenotes.
Tio do rei e figura proeminente no conselho real, Coligny defendia a intervenção francesa nos Países Baixos contra a Espanha, ideia que aterrorizava Catarina de Médici e a facção católica ultraconservadora liderada pelos duques de Guise.
Diante do fracasso do atentado e do temor de uma retaliação armada dos protestantes reunidos em Paris, o conselho real, sob forte pressão de Catarina de Médici e do duque de Anjou, convenceu o frágil rei Carlos IX a autorizar a eliminação preventiva das lideranças protestantes.
A célebre frase atribuída ao monarca — de que se matassem Coligny, que matassem todos para que não restasse nenhum para reprochá-lo — marcou o início da carnificina.
Ao soar dos sinos da igreja de Saint-Germain-l'Auxerrois, as forças reais e as milícias católicas iniciaram a execução programada.
O assassinato seletivo das lideranças, no entanto, logo degenerou em um massacre popular descontrolado.
O ódio religioso e a intolerância reprimida alimentaram a fúria das turbas, que perseguiram, saquearam e chacinaram homens, mulheres, idosos e crianças huguenotes por semanas, estendendo as matanças a diversas províncias francesas.
Estima-se que entre 10.000 e 30.000 pessoas tenham sido mortas ao longo do evento, consolidando a Noite de São Bartolomeu como o símbolo supremo do fanatismo e da crueldade motivada pelo dogma e pela hegemonia política.
Para além das causas políticas e sociais tangíveis, a Doutrina Espírita e a literatura mediúnica descortinam os bastidores transcendentais que fomentaram e se desdobraram a partir do massacre de 1572.
Longe de ser um surto isolado de loucura humana, a Noite de São Bartolomeu insere-se em uma milenar teia de compromissos cármicos e manipulações mentais orquestradas por organizações das trevas no submundo astral.
Na obra “A Noite de São Bartolomeu”, pelo espírito J. W. Rochester, são expostas as intensas obsessões e as sombras espirituais que envolveram a corte dos Valois.
Catarina de Médici e seus colaboradores atuaram sob o influxo de inteligências soberbas do invisível, cujo propósito era manietar a renovação das ideias e perpetuar o domínio mental da ignorância e da culpa.
O orgulho político e a vaidade religiosa converteram os governantes em joguetes de forças trevosas, precipitando a derrocada moral de toda uma dinastia.
Essa teia de bastidores é aprofundada na obra “Os Dragões”, ditada pelo espírito Maria Modesto Cravo e psicografada por Wanderley Oliveira.
O livro revela a existência das castas draconianas — entidades de elevada inteligência e vasto conhecimento técnico e psicológico, descendentes de ancestrais transmigrados que se entrincheiraram no ódio e no domínio do astral inferior.
Maria Modesto Cravo explica que a Casa de Valois e os arquitetos do massacre eram espíritos vinculados às hostes dos dragões que, embriagados pelo poder, responderam pelo assassinato de cerca de cem mil almas ao longo daquele contexto histórico.
Em um comovente relato contido na mesma obra, revela-se a reunião mediúnica realizada em 1936 no Sanatório Espírita de Uberaba, sob a coordenação de Maria Modesto Cravo e do médico Inácio Ferreira.
Na oportunidade, ao socorrerem o espírito obsessor Matias — que em sua encarnação parisiense integrara a família Valois sob o nome de Carlos IX —, o benfeitor Eurípedes Barsanulfo esclarece que o Sanatório Espírita de Uberaba e os serviços assistenciais nascentes no Brasil representavam o início de um longo resgate consciencial.
A hecatombe de São Bartolomeu serviu como o ápice da queda moral para levas de espíritos que, séculos mais tarde, seriam alforriados dos pátios de escravidão do astral (como o Vale do Poder) para ressarcimento mediante a reencarnação.
Complementando esse panorama, a obra “Ecos de São Bartolomeu”, de Luiz Antonio Millecco e Isabel Bittencourt de Souza, bem como o livro “Na Noite de São Bartolomeu”, de Janaína Farias, demonstram a persistência dos laços de afeto e ódio ao longo do tempo.
As vítimas e algozes daquela noite trágica reencontraram-se em sucessivas romagens terrenas, enfrentando as marcas psíquicas do remorso, das fobias e da loucura.
A literatura espiritual demonstra que a dor e os desajustes mentais do século XX e XXI — como os delírios, a esquizofrenia e a obsessão grave — constituem muitas vezes o "escoadouro" da culpa acumulada naquelas noites de terror, em que o Evangelho foi traído sob o pretexto de defendê-lo.
Esse grande movimento migratório de almas culpadas e devedoras para o solo brasileiro relaciona-se diretamente com o "transporte da árvore evangélica", no qual espíritos outrora dogmáticos e persecutórios receberam da Providência Divina a oportunidade de reerguer a própria consciência por meio do trabalho fraternista e da vivência da fé raciocinada.
À luz da Filosofia Espírita, o massacre da Noite de São Bartolomeu traz profundas lições sobre a lei de causa e efeito, a evolução da consciência e a imperiosa necessidade de transformação moral das coletividades.
O evento exemplifica como a intolerância religiosa e a pretensão de ser detentor exclusivo da verdade absoluta geram dolorosas algemas cármicas que exigem séculos de reajuste, suor e regeneração.
O principal aprendizado que sobressai desse episódio histórico é a urgência de se desenvolver uma autêntica ética da alteridade — o reconhecimento, o respeito e a valorização do outro em sua singularidade e em seu direito inalienável de crer e pensar de forma diversa.
Como leciona Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos” e em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, a verdadeira caridade não consiste na imposição de crenças, mas sim na benevolência para com todos, na indulgência para com as imperfeições alheias e no perdão das ofensas.
Na atualidade, embora os massacres em praça pública motivados por guerras confessionais pareçam distantes da realidade ocidental, as raízes mentais do fanatismo permanecem ativas.
A polarização ideológica, o preconceito religioso, o cancelamento virtual e a incapacidade de conviver com o contraditório são manifestações modernas dos mesmos sentimentos de arrogância e personalismo que alimentaram os sinos de São Bartolomeu.
Quando o indivíduo se julga no direito de desumanizar aquele que discorda de sua visão de mundo, reabre as portas para os mesmos processos obsessivos e contagiosos que obscureceram a França do século XVI.
O Espiritismo nos convida a compreender que a diversidade de caminhos espirituais e filosóficos faz parte do plano pedagógico de Deus para a humanidade.
Nenhuma instituição, religião ou doutrina possui o monopólio da virtude ou da salvação.
O que regenera a alma não é o rótulo sectário, mas a transformação íntima expressa no amor incondicional, na tolerância ativa e na edificação do bem comum.
Em suma, as "Lições da Noite de São Bartolomeu" ecoam como um alerta imemorial: a violência cometida em nome de Deus é a maior de todas as profanações.
O verdadeiro progresso da humanidade só se consolidará quando superarmos a ilusão da supremacia dogmática e erguermos, na convivência diária, a ponte da fraternidade e do respeito irrestrito à consciência do próximo.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Referências Bibliográficas
FARIAS, Janaína. Na Noite de São Bartolomeu. Psicografado pelo espírito Jean Lucca. Matão: O Clarim, 2018.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 93. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2013.
KRIJANOWSKAIA, Wera. A Noite de São Bartolomeu. Pelo Espírito J. W. Rochester. Catanduva - SP: Boa Nova Editora, 2000.
MILLECCO, Luiz Antonio; SOUZA, Isabel Bittencourt de. Ecos de São Bartolomeu. Niterói, Rio de Janeiro: Lachâtre, 1998.
OLIVEIRA, Wanderley. Os Dragões: o diamante no lodo não deixa de ser diamante. Pelo espírito Maria Modesto Cravo. Belo Horizonte: Editora Dufaux, 2009.
25.8.26
Mensagem publicada na página 4 da Gazeta de Limeira de 25.08.26
OS
ESPÍRITOS TÊM FIM?
O
Espírito encarnado sofre grandes limitações no que concerne à capacidade de
maior entendimento sobre a vida espiritual. Nem tudo nos é dado a saber. O
conhecimento sempre acompanha o crescimento espiritual e é uma lei de
equilíbrio em favor das próprias criaturas. A pergunta, se os Espíritos têm
fim, foi feita inspirada na razão, no entanto, devemos dizer que as leis no
plano maior da vida nem sempre têm relação com as que existem na Terra. O que é
impossível para os homens não o é para Deus, como igualmente o que se conhece
por princípio se perde na grande equação da Divindade. É certo que, em geral,
os homens têm ansiedade pela vida. Se ela terminasse no túmulo, e com isso o
Espírito tivesse fim, seria fator de desestímulo para todos os homens da Terra e
dos outros planetas habitados para os quais a evolução e o progresso não
existiriam. Porém, a bondade de Deus é tamanha que Ele nos fez à Sua
semelhança, palavra divina que ilumina, consola e se transforma em felicidade
para todas as criaturas. Se somos semelhantes ao Criador, somos eternos, e o
tempo para nós, como Espíritos, servir-nos-á para a renovação interior: quanto
mais velhos, mais novos... No mundo espiritual, estudamos e pesquisamos os
mistérios de Deus, que são muitos. Descem ao nosso plano grandes almas, para
nos ensinar algo mais sobre o amor, a ciência e a própria filosofia, e devemos
dizer que há assuntos para os quais nos falta ainda o entendimento. Usamos a
oração para compreender, na gradação das leis, o que nos é dado a conhecer. Do
que compreendemos, algumas coisas passamos para os homens, pelas faculdades
mediúnicas dos mesmos. Devemos repetir, para o bem estar geral, que somos
eternos na eternidade de Deus, mesmo com todas as transformações sofridas.
Filosofia Espírita L.E.83 – João N. Maia
– Miramez – Toninho Barana.
24.8.26
Finalidade do Espiritismo
Informação para a formação.
Luz para extinguir a treva da ignorância.
Caminho para ser perlustrado pelos próprios pés de quem logra vislumbrá-lo.
De nada adianta teoria sem prática.
Conhecimento sem aplicação.
Não se ergue uma casa sobre a areia, mas sobre alicerce sólido.
Fé sem obras, principalmente em si mesma, é morta.
O espírita que não busca exemplificar o que prega pode ser comparado à frondosa figueira, porém, sem frutos.
Incorporar espíritos é fácil; difícil é incorporar a Mensagem.
Escrever livros é fácil; difícil é escrever o livro da própria vida.
Chico dizia que mais importante que desenvolver a mediunidade é desenvolver a bondade.
Espiritismo na boca é simples propaganda.
Espiritismo no coração é silêncio e trabalho.
Ensinava outro Francisco, o de Assis: “Prega o Evangelho o tempo todo; se necessário, utilize palavras.”
INÁCIO FERREIRA - Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 23 de agosto de 2026.
23.8.26
CARNE TERRESTRE
O livro “Nosso Lar”, de André Luiz, psicografado, em 1943, por Chico Xavier, é, deveras, surpreendente. Cada vez que temos oportunidade de lê-lo com atenção, as suas páginas nos descortinam novas revelações sobre a vida no Mundo Espiritual, com informações sobre as quais, numa leitura ligeira, havíamos passado por cima, sem atentarmos para a sua importância e transcendência.
É o caso, por exemplo, do que se encontra inserido no capítulo 7 – “Explicações de Lísias” –, numa simples conversa de André Luiz com o filho de Laura, que haverá de hospedá-lo em sua residência na referida cidade espiritual.
No 7º parágrafo, Lísias, em seu diálogo esclarecedor, considera: “A morte do corpo não conduz o homem a situações miraculosas (...). Todo processo evolutivo implica gradação. Há regiões múltiplas para os desencarnados, como existem planos inúmeros e surpreendentes para as criaturas envolvidas de carne terrestre.”
A referência à “carne terrestre” nos leva, naturalmente, a refletir acerca da existência de uma carne que não é terrestre, mas, sim, de natureza espiritual!
Aliás, toda palavra do vocabulário humano não passa de nomenclatura, que, segundo os Espíritos, é muito limitada para que seja utilizada em assuntos do Mundo, ou Planeta, Espiritual para a Terra.
Segundo os estudiosos, a “dedução consiste em se chegar a uma verdade particular e/ou específica a partir de outra mais geral ou abrangente.” Portanto, em Lógica, aprende-se também raciocinando por “dedução”. Aliando Fé e Razão, o Espiritismo é Lógica pura!...
Quando Lísias, no diálogo com André Luiz, refere-se à “carne terrestre”, ele, naturalmente, nos enseja a raciocinar por dedução, sendo-nos, portanto, lícito admitir a existência de carne não terrestre...
Logo, de acordo com o pensamento de Aristóteles, que é considerado o “pai” da Lógica, o corpo espiritual, ou perispírito, igualmente, é feito de carne!
Continuando a raciocinar, sendo o perispírito, ou corpo espiritual, constituído de carne – uma simples nomenclatura –, o termo “reencarnação”, empregado para o espírito que renasce em diferentes Mundos Espirituais, não é fora de propósito.
Aliás, o que é carne?! Você já se fez semelhante pergunta?! Ao comer, por exemplo, um pedaço de carne o que você está comendo?! Nada mais e nada menos, imaginando comer carne, você está “comendo” água, proteína, gordura, minerais e carboidratos. E “comendo” proteína você está “comendo aminoácidos”, ou seja, moléculas atômicas de Carbono, Oxigênio, Hidrogênio e Oxigênio. Então, aquela picanha assada que você adora degustar não é mais do que um composto químico quartenário, que, às vezes, pode conter até Enxofre.
Então, é isso aí. Os ferrenhos contestadores da Reencarnação do Mundo Espiritual, além de não estarem bem informados a respeito de Espiritismo – não leram sequer “Nosso Lar”, ou se leram, não conseguiram lhe penetrar a essência – me parecem não saber nada de Química.
Paciência, fazer o quê?! De minha parte, também confesso que muito pouco sei da ciência do irlandês Roberto Boyle – eu mal conheço a fórmula química da água!...
Negar-se, pois, a tese da Reencarnação no Mundo Espiritual, por não se admitir que os átomos possam, igualmente, sobreviver ao fenômeno da “morte”, voltando a se unirem no Mais Além, para constituírem uma espécie de carne celeste, é não conseguir raciocinar por “dedução” e nem por “indução”.
Aliás, noutro capítulo de “Nosso Lar”, o de número 9 – “Problema de Alimentação”, André Luiz chega, inclusive, a se referir à grave questão de tráfico de alimentos na cidade espiritual, envolvendo, principalmente, alimentos proteicos.
Se para bom entendedor, uma palavra basta, e para péssimo entendedor toda palavra é inútil, vamos parando por aqui, esperando que os que menos tiverem a cabeça feita (nada tem a ver com o significado de “cabeça feita” na Umbanda ou no Candomblé) na teimosia e na “política” doutrinária, ponham-se a pensar, porque, afinal, as únicas cabeças que não foram feitas para pensar são as do alfinete, do parafuso e do prego.
INÁCIO FERREIRA – Blog Mediunidade na Internet
22.8.26
Quando Cremos
Qual se te fosse o mundo um mar de fel,
A dor que te fustiga a cada dia
É hábil mão que te apura a cinzel...
Não negues ao que sofre o teu farnel
De esperança, de paz e de alegria...
Luta na leira do bem, sê fiel
A combater o mal que em ti porfia...
Não te queixes se o fardo pesa tanto...
Socorre a provação e enxuga o pranto
Dos que tombam a sós ao pó na estrada...
Ante as bênçãos da Vida Verdadeira,
Os sofrimentos da existência inteira
Quando cremos em Deus não valem nada!...
Eurícledes Formiga - blog Espiritismo em Prosa e Verso
(Página recebida pelo médium Carlos a. Baccelli, no dia 27 de janeiro de 1986, em Uberaba – MG).
21.8.26
Comentário Questão 822 do Livro dos Espíritos
Consagram as leis de Deus direitos iguais ao homem e à mulher. A igualdade de direitos é a expressão da justiça de Deus. Se os Espíritos são iguais na sua gênese, por que privilégio para um e negação para outros? Tanto a lei divina nos mostra a justiça neste caso, quanto as leis humanas devem fazer o mesmo.
A emancipação da mulher no campo dos direitos avança e toma corpo, de modo que ela tenha a liberdade que lhe compete conquistar, paralelamente com a responsabilidade, duas forças que trabalham para o aperfeiçoamento da alma. Ser-nos-á difícil entender o homem com os seus direitos de posse assegurados na vida e os mesmos direitos negados à mulher, que faz um trabalho grandioso no lar e mesmo fora dele, em favor da educação e da instrução. Porém, o tempo traz a civilização dotada de razão a emancipação da mulher naquilo que ela já conquistou, e hoje já se vêem muitos movimentos feministas, alguns até exagerados, mas tendo explicação na morosidade da justiça da Terra em libertar a mulher. Mas, como nada se faz sem a permissão de Deus, a companheira do homem ganhou com isso, tendo sua sensibilidade mais apurada que ele, para o permanente exercício da comunicação com o Além, por vezes sem perceber.
Certamente que os direitos da mulher são iguais aos dos homens, não obstante, com as funções diferentes, para complemento do todo no lar. Com isso, não fica desvalorizado o trabalho dela, porque cada um foi chamado por Deus para desempenho diferente, mas com a mesma soma de conquistas.
No mundo de Deus, não existem privilégios, assim como em campo algum da vida, por ser Deus eternamente justiça. Podemos comparar pela natureza: vejamos a luz do sol que o Senhor derrama na Terra, nos diferentes reinos, onde todos recebem o mesmo calor, a chuva e o ar, embora cada criatura receba somente o que merece na sua vida particular. Como disse o Mestre, ao que tem, será dado mais, e ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. O que tem sabedoria, conhecimento das leis, ele próprio absorve da luz do sol o que ela pode dar a mais na sua estrutura, e o que não tem esse saber, o que poderia receber pelo saber lhe será tirado. É a justiça operando no silêncio da vida. Trabalhemos, pois, para melhor entender o que nos espera no centro da vida, dependendo dos nossos esforços para adquirir.
Existe a igualdade de direitos, mas não igualdade de conquistas, sendo que um tem tudo nas mãos porque aprendeu a buscar, e o outro ainda não conquistou essa experiência, faltando-lhe mais vivência, que o amanhã trará.
Vamos ver o que está anotado em João, no capítulo seis, versículo cinqüenta e nove, que nos diz:
Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os vossos pais comeram, e contudo morreram. Quem come este pão, viverá eternamente.
Aquele que come somente do pão da Terra para viver fisicamente, sem se lembrar das coisas espirituais, pode se considerar morto, e quem come igualmente do pão do céu, fonte sublimada em Cristo, está sempre vivo pela eternidade afora.
O Espiritismo com Jesus nos distribui o pão do céu, por nos revelar os preceitos de luz do Evangelho e nos mostra o quanto vale vivê-los. Somos todos iguais e recebemos de igual modo pela força da justiça. Deus nos dá tudo com igualdade, mas fez a lei que regula essa dádiva, de acordo com os nossos esforços pela maturidade da alma. Todo trabalhador é digno do seu salário.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez
20.8.26
Preparando-se para Voltar
O primeiro estágio é a negação, um mecanismo de defesa temporário no qual o indivíduo se recusa a aceitar a gravidade do diagnóstico, agindo como se a morte não fosse inevitável.
Em seguida, surge a raiva, marcada por sentimentos de revolta, inveja dos saudáveis e o questionamento sobre o porquê do sofrimento. superada essa fase, entra-se na barganha, um período de negociação — frequentemente com Deus ou com o destino — em que a pessoa promete mudanças de conduta em troca de mais tempo de vida.
Com a constatação da inevitabilidade do fim, manifesta-se a depressão, caracterizada por um profundo desligamento emocional, tristeza e o luto antecipado pelas perdas inevitáveis.
Por fim, alcança-se a aceitação, momento em que o indivíduo contempla o término da jornada com serenidade, sem desespero ou ressentimento, pronto para o encerramento do ciclo biológico.
Esta abordagem que antecede a morte física serve como pano de fundo para as pessoas não espiritualizadas. Aquelas que não veem perspectiva alguma fora da vivência na matéria ou que mesmo aceitando um porvir se comportam de maneira apegada às impressões da vida terrena.
O fato é que a morte do corpo físico não interrompe a vida, mas marca o início de uma nova etapa para o espírito imortal. A Filosofia Espírita detalha esse processo de transição em cinco fases sucessivas.
O desencarne é o desligamento dos laços fluídicos que unem o perispírito ao corpo biológico. Como ensina Allan Kardec, esse desligamento não é brusco, mas sim gradual, variando em tempo e facilidade conforme o grau de desapego material e a evolução moral do indivíduo.
Logo após o desligamento, sucede a perturbação, um estado de torpor e confusão mental no qual o espírito não compreende com clareza a sua nova condição. A duração desta fase depende diretamente do estado de consciência e dos apegos cultivados durante a vida terrena.
Superada a névoa inicial, o espírito entra na etapa de recuperação, sendo acolhido por benfeitores espirituais em postos de socorro ou colônias regeneradoras — como a colônia Nosso Lar, descrita por André Luiz. Nesse ambiente, ele recebe cuidados para reequilibrar suas energias e repousar do desgaste da enfermidade física.
Com o restabelecimento energético, ocorre a conscientização. O espírito toma plena lucidez de sua imortalidade, reconhece que o corpo físico era apenas uma vestimenta temporária e analisa, com clareza e sem julgamentos punitivos, as ações e escolhas da existência recém-concluída.
Por fim, dá-se a adaptação. O espírito integra-se à dinâmica do mundo espiritual, assumindo tarefas, estudos e aprendizados condizentes com o seu nível de maturidade moral, preparando-se ativamente para novas etapas do seu desenvolvimento.
Logicamente que estas etapas dizem respeito para as pessoas que possuem certo grau de amadurecimento espiritual. Muitas, maioria pode-se afirmar, não seguem este fluxo ou se ocorre é em períodos muitos longos, pois ficam retidas às lembranças da vivência carnal.
Há certa quantidade de espíritos – e não são poucas – que sequer percebem que desencarnaram e retornam ao corpo físico como se nunca houvesse saído dele.
Compreender a morte à luz da espiritualidade transforma radicalmente a postura do ser diante da existência.
A vida no corpo físico e a vida fora dele representam apenas duas faces da mesma moeda: a jornada contínua de evolução da alma.
Estar encarnado é mergulhar em uma oficina de aprendizado dinâmico.
O corpo material funciona como um abençoado instrumento de desaceleração e drenagem de imperfeições, onde os desafios cotidianos, as dores e os relacionamentos servem como ferramentas de burilamento moral.
Já a vida no plano espiritual representa o regresso à nossa pátria de origem, o momento de avaliar o aprendizado absorvido e planejar novas experiências.
Viver com a consciência de ser um espírito imortal na carne permite olhar para a impermanência do mundo material — a perda de bens, as mudanças de ciclos e a separação temporária dos entes queridos — não como tragédias, mas como dinâmicas naturais da escola terrestre.
A certeza da continuidade da vida traz leveza ao presente, ensinando que nada se perde e que cada experiência, por mais desafiadora que seja, é uma oportunidade valiosa de crescimento rumo à plenitude.
Esta é uma das razões que faz com que se afirme comumente que a Filosofia Espírita é libertadora de consciência à medida que tira o indivíduo da prisão existencial no corpo físico.
Lá ou aqui é certo afirmar que a Terra é uma escola e estamos todos matriculados na disciplina do progresso incessante na direção do nosso reencontro com a divindade que nos é inerente.
Carlos Pereira - blog de Carlos Pereira
Referências Bibliográficas
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 93. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2013.
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno: ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2013.
KÜBLER-ROSS, Elisabeth. Sobre a Morte e o Morrer. Tradução de Paulo Menezes. 10. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2017.
XAVIER, Francisco Cândido; LUIZ, André (Espírito). Nosso Lar. 64. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2014.
XAVIER, Francisco Cândido; LUIZ, André (Espírito). O Obreiros da Vida Eterna. 36. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2011.
18.8.26
Mensagem publicada na página 6 da Gazeta de Limeira de 18.08.26
OS ESPÍRITOS SÃO IMATERIAIS?
Os
Espíritos, como criaturas divinas, são realidades, por terem sido criados; são
almas nas quais despertam valores capazes de fazê-las sentir os atributos de
Deus. Os Espíritos são constituídos de matéria que escapa aos sentidos humanos,
em O Livro dos Espíritos: matéria quintessenciada. O Espírito não tem forma
definida. No caso do Espírito superior, ele pode tomar a forma que desejar e o
seu comando é a mente. Por isso podemos chamar o Espírito de ser incorpóreo,
por não ter ele precisamente um corpo, como se entende as formas. Recorrendo a
imagens, vejamos a massa de trigo para o preparo do pão, no processo de
fermentação! Assim é a matéria quintessenciada nas mãos do Criador. Antes, era
um todo, depois, o próprio tempo a separou em individualidades, qual a massa
que se transmuta em pães: individualizada, porém, carregando a mesma essência
de vida e da vida maior. Assim é o Espírito individualizado: vai ao calor das
bênçãos do Pai Celestial para que a razão se expanda no tempo e no espaço,
garantindo a sua personalidade, que caminha para novas conquistas,
conscientizando-se de tudo e sentindo a necessidade de libertação, conquistando
a si mesmo e assistindo no palco da consciência ao desabrochar dos valores
inerentes a sua própria vida. Os Espíritos são imateriais pelo estado de
matéria que se conhece, no entanto, tudo que existe nasceu da mesma fonte
divina, e desse nascimento até ao Espírito, ocorreram diversas transmutações de
todas as ordens, para que a luz maior irradiasse no centro da vida, e a
harmonia se fizesse no seio da luz, obedecendo à vontade do Criador.
Filosofia Espírita L.E.82 – João N. Maia
– Miramez – Toninho Barana.
17.8.26
Nem o Demo
Estando na Terra, envergando a carcaça, preparas-te para a luta cotidiana.
Dificilmente, atravessarás um dia sem luta.
Surpresas desagradáveis.
Problemas que te buscam onde te encontras.
Dificuldades habituais que, de repente, se agravam.
É assim mesmo.
Procures não te alterar emocionalmente.
Esforça-te, por dentro, para trazeres a paz que tentas demonstrar por fora.
Consola-te com o pensamento de que não há mal que venha para ficar.
Mais cedo ou tarde, no mínimo, uma prova sucederá a outra, e, então, a prova-novidade, quem sabe, virá a te pesar menos.
E, a não ser que sejas promovido, além da morte, à Dimensões mais altas, as lutas se desdobrarão, porquanto crescer é um fenômeno que dói
Jesus não se elevou ao Calvário sem quedas e sem lacerações.
Fortalece-te na oração, enxuga as lágrimas e segue com a tua cruz.
Sobretudo, não páres de trabalhar.
Embora claudicando, cumpre com o teu dever, mesmo porque, por mais tentes, não conseguirás relegá-lo a outrem.
Escreveu célebre autora, creio que Annie Besant, que, sem crucificar-se, ninguém logra cristificar-se.
Se dizes que não tens a intenção de cristificar-se, digo-te que também hás de sofrer por isso.
Não se sabe de espírito algum nas Trevas, nem o Demo, que se declare completamente feliz com a escuridão.
Luz!...
INÁCIO FERREIRA -Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 16 de agosto de 2026.
16.8.26
A vida nas cordas de um violão
Como é maravilhoso ver um violão tocar a sua melodia e nos encantar.
Um bom violonista faz-nos literalmente chegar às alturas com um repertório bem executado.
Mas quero aqui, neste breve comentário, me concentrar sobre o violão na sua compleição física e melodiosa.
Primeiramente, perceba, o seu formato peculiar. Uma parte semi-arredondada e em seguida aquela haste com a continuação das cordas.
Ali, no manuseio mágico cordas é que a gente chega a sonhar.
Um dedo aqui, outro lá, e os movimentos frenéticos dos dedos para tirar daquele conjunto de cordas uma série de sons que pareciam dormindo ou escondidos.
É como se violonista viesse acordar os sonhos adormecidos e mostrar-lhe a beleza inaudita.
No fim da haste, há o aperto correto das cordas para que elas possam produzir o seu melhor. Chama-se de afinação.
O ouvido apurado do músico vai recolher o melhor som possível para as notas. Coisa realmente de artista. Tirar o melhor de cada uma delas.
No centro, aquele vazio estratégico para fazer reverberar um som numa acústica inigualável.
O violão faz parte de uma família maior. Violoncelos, violinos e outros tantos instrumentos musicais que chamam a atenção para as variações dos formatos, mas a mágica é a mesma em reproduzir os sons divinos em suas cordas.
Penso que nós, seres humanos, somos exatamente como os nossos companheiros violões e sua família.
Somos seres vibracionais por natureza e temos vários sons de qualidade da alma para serem reproduzidos.
As sete cordas podem ser uma representação das várias habilidades que possuímos que precisam ser descobertas e bem manipuladas para reproduzirem igualmente a sua beleza única.
A vida vai nos ensinando como manejar as cordas do nosso violão interno para que o mundo possa conhecer as nossas imensas potencialidades.
Também nós precisamos dos nossos apertos.
A vida na sua corrida vai nos proporcionando situações que nos faz ajustar internamente, aprimorando-nos para produzir o nosso melhor.
As cordas soltas, sem a harmonia necessária, seriam um desperdício do instrumento. Nós também. Sem um ajuste das nossas potencialidades nada produziríamos de interessante.
Manejar a vida qual o manejo das cordas do violão pode ser uma metáfora a ser descoberta no dia a dia da vida.
Todo dia é dia de compormos uma melodia nova e brilhante para encantar a todos com a nossa presença.
Todo dia é dia para ajustar as cordas do nosso caminhar em direção ao Pai.
Todo dia é dia para aproveitar a oportunidade de realizar uma grande apresentação que encante a todos.
Toquemos a vida qual se toca a magia de um simples violão e a vida, certamente, se manifestará com mais beleza e cumplicidade.
Helder Camara - Blog Novas Utopias
15.8.26
Comentário Questão 821 do Livro dos Espíritos
As funções da mulher são grandiosas, por vezes até maiores que as do homem, pois é ela que gera filhos na sua intimidade, alimentando-os com o seu amor.
A geração de um filho, pode-se dizer que é a maravilha das maravilhas. Quem não vê Deus neste fenômeno, é cego, por não querer examinar os processos da vida. Isso é a manifestação da própria Divindade dentre os seres encarnados, que opera nos animais, nas aves e mesmo no reino vegetal, em se observando os frutos e as flores.
A função da mulher no lar é divina, mesmo tendo expressão humana. Quando se diz que a mulher é parte fraca, é por força de expressão; diante do corpo do homem, é um complexo humano aprimorado que o futuro espera para grandes realizações. Não se quer aqui desprezar o seu companheiro, que ocupa na vida funções grandiosas também; cada um no seu lugar, onde Deus põe as criaturas para a co-realização de muitas coisas, buscando sua própria paz. Se Deus fez o homem e a mulher, qual de nós poderemos menosprezar a vontade do Criador? A razão do Espírito tem pouco alcance no que tange à verdade. Somente Deus sabe de tudo; sendo onisciente e onipresente, gera a vida sem erro.
Os seres humanos têm olhos e não veem; têm ouvidos e não ouvem; são dotados de muitos sentidos, mas dormem pela ignorância, por isso não se interessam pela verdade. Os que sabem mais um pouco, reconhecem com isso que nada sabem ante a presença do Criador. A humanidade se encontra caminhando para melhores dias em tudo, até e mesmo no que se refere ao aperfeiçoamento do instrumento físico, que ainda deixa muito a desejar, quando o comparamos ao de um mundo altamente evoluído; no entanto, o corpo de carne na Terra é uma bênção de Deus, instrumento divino para o aperfeiçoamento das almas.
Em João, capítulo seis, versículo quarenta e oito, se vê narrado assim:
Eu sou o pão da vida.
Mas, como encontrar esse pão da vida, para que não tenhamos mais fome? Somente a reencarnação pode nos despertar para essa procura, porque as provações despertam as criaturas para tais interesses. Jesus é o pão da vida, mas como encontrar Jesus? é pelas vidas sucessivas, pois, por elas, recordamos e fixamos na consciência o que a teoria nos ensinou no mundo espiritual. Não podemos esquecer que foi a Doutrina Espírita que mais explicou e revelou essa verdade aos homens que, conscientes dela, entendem a libertação física mais próxima do Pão da Vida, que se aproxima mais de nós, a saciar a nossa fome.
Se a mulher é que dá aos homens as primeiras noções de vida, ela merece o respeito de todos e a devida atenção para cumprir ainda melhor sua missão, que beneficiará a todos.
Nós, do plano espiritual, falando às mulheres, tornamos a dizer que elas são o ponto alto para nós, onde poderemos derramar os elevados conceitos no silêncio para os seus corações sensíveis, e que possam direcionar todos eles para a educação daqueles que as rodeiam. Que não percam a paciência, pois ninguém perde em ser dócil aos ensinamentos de Jesus. Preparem-se para os dias de amanhã, onde os próprios homens enriquecerão seus valores na condição de companheiros e irmãos na mesma jornada, e que o terceiro milênio seja abençoado por Deus pelos canais de Jesus Cristo, para que a Terra seja o paraíso prometido e esperado pelos homens de fé. No entanto, isso é conquista de todas as criaturas reunidas.
Que Deus abençoe o homem e a mulher, para que os dois se tornem um.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez
14.8.26
A Influência da Imaginação na Produção Mediúnica - 2
Compreender de que modo a mente humana capta os estímulos do ambiente e como reconfigura ou constrói imagens mentais na ausência de objetos físicos é fundamental não apenas para a teoria do conhecimento, mas também para o estudo de fenômenos complexos da consciência.
Dentre esses fenômenos, destaca-se a prática mediúnica, na qual o sujeito atua como intermediário de percepções físicas e extrafísicas.
Em sua obra Percepção e Imaginação, Sílvia Faustino de Assis Saes empreende uma reconstituição histórica e conceitual do modo como a tradição filosófica demarcou a fronteira entre o ato de perceber e o ato de imaginar.
A percepção é fundamentalmente caracterizada como a apreensão imediata do real, uma relação direta de presença na qual o objeto se impõe aos sentidos do sujeito cognoscente.
Por outro lado, a imaginação frequentemente oscilou entre o estatuto de mera réplica enfraquecida da sensação e o de uma faculdade criativa autônoma.
Saes demonstra que a imaginação não se reduz a um resíduo da percepção; trata-se de uma função cognitiva dotada de dinâmica própria, capaz de ir além da experiência imediata e conferir novos sentidos e horizontes à realidade apreendida.
Essa autonomia da dimensão imaginativa ganha rigor fenomenológico com Jean-Paul Sartre em A Imaginação. Sartre opõe-se radicalmente ao "ilusório erro das coisas na mente", herdado do empirismo, que concebia a imagem como uma cópia impressa na psique.
Para o filósofo francês, a imagem não é uma "coisa" residente na consciência, mas um tipo específico de ato intencional da própria consciência. Enquanto a percepção lida com um objeto presente que se revela gradualmente por meio de contínuos perfis e perspectivas, a consciência imaginante visa a um objeto ausente ou inexistente.
Ao imaginar, a consciência realiza um ato de "nadação" em relação ao mundo exterior, suspendendo a presença imediata para colocar o objeto sob uma perspectiva inteiramente intencionada.
Diferente do objeto percebido, que sempre surpreende e transborda a intenção do observador, a imagem, nesta perspectiva sartreana contém estritamente aquilo que a própria consciência nela depositou.
Complementando a perspectiva filosófica, a psicóloga Verena Kast, em Imaginação: espaço de autoconhecimento e liberdade, aborda o tema sob a ótica da psicologia analítica e da autorregulação psíquica.
Kast compreende a imaginação como uma ponte viva entre os processos conscientes e os conteúdos do inconsciente. Distanciando-se da visão da imaginação como simples devaneio alienante, a autora a conceitua como um recurso integrador e transformador, vital para a expressão de afetos, intuições e símbolos primordiais.
A imaginação ativa atua como uma linguagem tradutora que confere forma e sentido às impressões sutis do mundo interno, permitindo que conteúdos psíquicos difusos se tornem estruturados e compreensíveis para o ego consciente.
A análise conjunta dessas três perspectivas oferece arcabouço conceitual consistente para interpretar a dinâmica do fenômeno mediúnico.
Entende-se por mediunidade a faculdade pela qual certos indivíduos percebem e transmitem ideias, sensações ou impulsos atribuídos a fontes espirituais ou extrafísicas.
O processo mediúnico pode ser compreendido como uma experiência composta por duas etapas interligadas: a receptiva e a tradutora.
A primeira etapa corresponde à percepção mediúnica propriamente dita. Semelhante à percepção descrita por Saes e à intencionalidade receptiva ressaltada por Sartre, o médium experimenta o impacto de um elemento "outro" — uma presença, vibração, estado emocional ou corrente de pensamento externa que se impõe à sua sensibilidade.
Nessa fase, a percepção opera como canal de captação de dados originais que transcende o espectro dos sentidos físicos ordinários, exigindo do sujeito uma atitude de abertura e sintonização.
Os estímulos espirituais e extrafísicos, entretanto, frequentemente chegam à mente do médium sob forma abstrata, fluídica ou não verbal. É nesse ponto que a imaginação se insere de maneira determinante na segunda etapa do processo: a tradução e a codificação.
Conforme o modelo apresentado por Verena Kast, a imaginação fornece o repertório simbólico, linguístico e imagético pelo qual a percepção sutil ganha corpo inteligível.
O médium recorre, inevitavelmente, à sua estrutura mental, às suas memórias e ao seu arcabouço cultural para dar forma visual, auditiva ou escrita ao conteúdo percebido.
A imagem mediúnica surge, portanto, da fusão entre a impressão captada e o esforço imaginativo-estruturante da psique do intermediário.
A interação entre a percepção e a imaginação no exercício da mediunidade revela aspectos tanto benéficos quanto problemáticos.
Como contribuição positiva, destaca-se a capacidade da imaginação educada de atuar como um refinado tradutor de realidades abstratas.
Uma imaginação flexível e bem desenvolvida enriquece a capacidade do médium de expressar conceitos complexos, oferecendo metáforas e terminologias adequadas para transmitir a essência da comunicação sutil.
Paralelamente, uma percepção sensível e treinada amplia o alcance das impressões extrafísicas, permitindo ao médium discriminar nuanças vibratórias sutis e reconhecer a autenticidade e a intenção dos estímulos recebidos.
Por outro lado, o uso inadequado ou a falta de discernimento sobre a natureza dessas faculdades psíquicas pode comprometer a fidelidade do processo mediúnico.
O principal risco reside na preponderância da consciência imaginante em detrimento da percepção real, fenômeno comumente denominado animismo.
Nesses casos, o médium, operando no modo sartreano da imaginação — em que a consciência cria o próprio objeto —, passa a projetar seus próprios desejos, traumas, crenças ou fantasias inconscientes, acreditando erroneamente estar percebendo uma entidade externa.
A imaginação deixa de atuar como tradutora e converte-se em geradora de ruídos e distorções, comprometendo a precisão da mensagem e induzindo o sujeito a cenários ilusórios ou alucinatórios.
A diferenciação rigorosa entre o perceber e o imaginar demonstra que ambas as faculdades não são opostas, mas complementares na estruturação da experiência humana.
No campo da mediunidade, essa articulação mostra-se crucial: enquanto a percepção assegura a captação do estímulo genuíno advindo da dimensão sutil, a imaginação cumpre o papel indispensável de traduzir e materializar esses estímulos em linguagem compreensível.
O equilíbrio entre o rigor receptivo da percepção e a função mediadora da imaginação é a chave para a prática mediúnica lúcida, capaz de mitigar as interferências animistas e de expressar com fidelidade o intercâmbio entre o visível e o invisível.
Cabe ao dialogador ou dirigente da prática mediúnica receber as informações trazidas pelo médium e analisar criteriosamente de modo a separar aquilo que é uma real captação espiritual do que é uma percepção e imaginação criativas do sensitivo. Filtro de conteúdo.
Nada demais se o processo mediúnico se apresenta dessa maneira, faz parte da subjetividade inerente ao fenômeno.
Não se trata de mistificação, porque este processo não e consciente nem deliberado, é apenas a manifestação espontânea do psiquismo do médium.
Assim caminha a conexão dimensional entre vivos e “mortos”.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Referências Bibliográficas
KAST, Verena. Imaginação: espaço de autoconhecimento e liberdade. Petrópolis: Vozes, 2025.
SAES, Sílvia Faustino de Assis. Percepção e imaginação. São Paulo: É Realizações, 2010.
SARTRE, Jean-Paul. A imaginação. Tradução de Paulo Neves. Porto Alegre: L&PM, 2008.
REENCARNAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO
3 Não terás outros deuses diante de mim.
4 Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
5 Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.
É uma passagem do velho testamento sobre a reencarnação:
Nos 10 mandamentos a reencarnação é ensinada.
Êxodo, 20:5: "Eu, o senhor, teu Deus, sou Deus zeloso que visito a maldade dos pais nos filhos, na terceira e quarta geração”. E não “até” a terceira e quarta geração, como traduzem deturpadamente hoje em dia. A visita de Deus, ou seja, o cumprimento de sua lei se dará na terceira e quarta geração porque o espírito infrator já teve tempo, muitas vezes, de reencarnar na mesma família. Por outra, por que Deus deixaria de lado a primeira e segunda geração? Não há explicação sem a reencarnação. Inclusive, somente assim entendemos o que disse o profeta Ezequiel (18:20): ”O filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai a iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a perversidade do perverso ficará sobre este.” Assim, vemos que o confundir vingança com justiça é algo peculiar ao homem, não a Deus. A alma que pecar é que recebe a correção e não outrem.
Sergio Aleixo
Na versão deturpadamente adotada nas religiões Deus, punindo os filhos, netos e bisnetos daqueles que cometeram iniquidades, além de contrariar Ezequiel (18:20) deixa de ser Soberanamente Bom e Justo, como define o conceito central da divindade na codificação espírita de Allan Kardec, presente logo no início de O Livro dos Espíritos, indicando que a perfeição infinita exclui qualquer possibilidade de maldade, parcialidade ou injustiça.
Toninho Barana
12.8.26
FILII DEI
Homem! Filho de Deus! Cansado itinerante!
Fita a glória da Altura e avança, peregrino!
3. O livre arbítrio – a grande estrela, alva e constante,
Demarca-te o fiel supremo do destino.
5. Sê prudente, sê bom, sê puro, viandante!
Teu passo é ouvido além no Universo Divino,
Tanto na ação do bem que se alteia abundante,
Quanto na ação do mal que freme em desatino!
A clava da Justiça, horizonte a horizonte,
Da Sublime Harmonia é sempre a Eterna Fonte,
11. Seja no peito em flor, seja no peito em chaga.
A todo fel da estrada estende a paz em troca,
Segue, antigo viajor, para Deus que te avoca,
À luz do Excelso Amor que todas a sombra esmaga!...
(*) Discípulo ilustre de Tobias Barreto, Martins Júnior foi poeta, orador, jornalista, jurista-filósofo, historiador do Direito e professor catedrático. Membro da Academia Brasileira de Letras. Patrono, na Academia Pernambucana de Letras, da cadeira nº 25. Entre outras homenagens que lhe foram prestadas no Recife, por ocasião de seu primeiro centenário de nascimento, em 1960, o acadêmico Ivan Lins, em sessão especial da Academia Brasileira de Letras, em 07-12-60, consagrou-lhe brilhante conferência sob o título “Martins Júnior e a poesia científica”. (Recife, Pernambuco, 24 de novembro de 1860 – Rio de Janeiro, GB. 22 de agosto de 1904).
BIBLIOGRAFIA: Visões de Hoje; Estilhaços; Tela Policroma; e numerosas obras de Direito.
3. Conquanto correto este alexandrino, pode, contudo, ser lido com acentuação na 4ª, 8ª e 12ª sílabas, como no 5º verso do poema “Morta_Viva”, de Tela Policroma (apud Supl. Lit. do Jornal do Comércio, 19-03-61):
“Em/quan/to eu/ vou/ mor/ren/do à/ mín/gua de/tu’/al/ma”
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
5-11. Observem-se dois casos de epímone: “Sê prudente, sê bom, sê puro, viandante!” e “Seja no peito em flor, seja no peito em chaga! (Veja-se G. Campos, N. Cl. Nº 32, nota 85, pág. 26).
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira
11.8.26
Mensagem publicada na página 4 da Gazeta de Limeira de 11.08.26
FORMAÇÃO
ESPONTÂNEA
Acreditar
que os Espíritos se formam espontaneamente é desconhecer as leis do Criador.
Por não dispormos de outro termo mais adequado, cabe-nos dizer que Deus nos
criou pela Sua potente força de vontade. Podemos dizer que Ele disse: “Faça-se a
Luz, e a Luz se fez”, não deixando de ser um simbolismo divino. O tempo na
contagem humana, que se gastou para que o Espírito se expressasse como
inteligente, está perdido no próprio tempo. Nada se opera no esquema de Deus
sem o trabalho permanente d'Ele e dos Seus filhos maiores, disseminados em toda
a criação universal. Devemos andar de passo a passo e, quando o progresso nos
chamar, busquemos acelerar nossa marcha, por já suportarmos o entendimento. Em
tudo encontramos as marcas das mãos da Divindade, que deixa o selo da
perfeição. Tudo que Ele fez está perfeito; a ignorância é que nos faz ver erro
onde não existe. Estamos todos em processo de despertamento espiritual, e aí é
que encontramos a desarmonia, sem que ela exista realmente. Se Deus nos criou à
Sua Semelhança, no que devemos crer, estamos de posse de muitas qualidades, que
aparecerão com o tempo, que fará desabrochar os nossos talentos pelas bênçãos
do próprio Criador. Referente ao Espírito, a coisa é muito mais séria. Seria
sua formação espontânea? Certamente que não; é uma programação divina, a Sua
mais perfeita criação. Nada existe imperfeito, saído das Suas mãos de luz. O
entendimento da formação das coisas e dos Espíritos nos leva ao maior respeito
por tudo que nos serve e que nos ajuda a ascender para o infinito. Agora,
devemos pedir a Jesus para nos ajudar a compreender com mais acerto certas leis
que nos assistem e nos comandam.
Filosofia Espírita L.E.81 – João N. Maia
– Miramez – Toninho Barana.
9.8.26
ESPERANÇA
Nem todos conseguem, por enquanto, o vôo sublime da fé, mas a força da esperança é tesouro comum.
Nem todos podem oferecer, quando querem, o pão do corpo e a lição espiritual, mas ninguém na Terra está impedido de espalhar os benefícios da esperança.
A dor costuma agitar os que se encontram no "vale da sombra e da morte", onde o medo estabelece atritos e onde a aflição percebe o "ranger de dentes", nas "trevas exteriores", mas existe a luz interior que é a esperança.
A negação humana declara falências, lavra atestados de impossibilidade, traça inextricáveis labirintos, no entanto, a esperança vem de cima, à maneira do Sol que ilumina do alto e alimenta as sementeiras novas, desperta propósitos diferentes, cria modificações redentoras e descerra visões mais altas.
A noite espera o dia, a flor o fruto, o verme o porvir... O homem, ainda mesmo que se mergulhe na descrença ou na dúvida, na lágrima ou na dilaceração, será socorrido por Deus com a indicação do futuro.
Jesus, na condição de Mestre Divino, sabe que os aprendizes nem sempre poderão acertar inteiramente, que os erros são próprios da escola evolutiva e, por isto mesmo, a esperança é um dos cânticos sublimes do seu Evangelho de Amor.
Imensas têm sido, até hoje, as nossas quedas, mas a confiança do Cristo é sempre maior. Não nos percamos em lamentações. Todo momento é instante de ouvir Aquele que pronunciou o "Vinde a mim ..."
Levantemo-nos e prossigamos, convictos de que o Senhor nos ofereceu a luz da esperança, a fim de acendermos em nós mesmos a luz da santificação espiritual.
Livro: Vinha de Luz – Francisco C Xavier - Emmanuel
8.8.26
SEPULTA ILUSÕES
Dos prazeres efêmeros do mundo,
Passageiras e inúteis ambições
No corpo que se mostra moribundo...
Caminhando na estrada que transpões,
Abandona no abismo mais profundo,
Tantos anseios vãos, tantos senões,
Que te apartam da luz do céu fecundo...
Nada leves contigo que não seja
A paz de consciência que se almeja
Ao reto cumprimento do dever...
Pois quem somente morre sobre a Terra,
Sepultando ilusões a que se aferra,
Além da própria morte irá viver!...
Eurícledes Formiga - Blog Espiritismo em Prosa e Verso
7.8.26
Hereditariedade Moral
O Espírito que se encarna escolhe o pai cujo exemplo o fará avançar no caminho preferido, e repercute, elevando-lhes ou enfraquecendo-lhes, os talentos daquele que lhe deu a vida corpórea; nos dois casos, a conjunção simpática existe anteriormente ao nascimento, e é desenvolvida em seguida nas relações da família, pela imitação e pelo hábito.
Depois da hereditariedade familiar, quero, meus amigos, vos revelar a origem da discordância que separa os indivíduos de uma mesma raça, de repente notável ou desonrado por um de seus membros que ficou estranho entre ela. O grosseiro viciado que está encarnado num centro elvado, e o Espírito luminosos que se encarna entre seres grosseiros, ambos obedecem à misteriosa harmonia que aproxima as partes divididas de um todo, e faz concordar o infinitamente pequeno com a suprema grandeza. O Espírito culpado, apoiado sobre as virtudes adquiridas de seu procurador terrestre, espera se fortalecer por elas, e se sucumbe e retorna à erraticidade menos carregado de ignorância e melhor preparado para sustentar uma nova luta.
Livro: Revista Espírita - tomo 5 - 1862 - Allan Kardec - Médium Sra. Costel - Espírito São Luiz
5.8.26
FATIAS
Vigia teu próprio exemplo
Na obra cristã de fato.
Toda fonte de água pura
Faz lobo sair do mato.
*
Guarda humildade e modéstia
Sem blasonar poderio.
Alta cabeça orgulhosa –
- Coração triste e vazio.
*
Foge a todo pessimismo
Sorrindo ao pior encargo.
Para o gosto corrompido,
O próprio mel surge amargo.
*
Quanto possível evita
Cair nas teias do engano.
Pela amostra apresentada
Reconhecemos o pano.
*
Observa o prato cheio,
A refeição tem limite.
Onde governa a razão
Há metragem no apetite.
*
Não menosprezes ninguém,
Sê liberal na atenção.
Leve fósforo inflamado
Faz arder o quarteirão.
*
Atende cada problema
De espírito vigilante.
Ninguém consegue assoprar
E sorver no mesmo instante.
*
Quem critica e fala muito,
De amor e paz morre
Conserva, na própria boca,
A prisão da própria língua.
(*) Órfão de pai aos sete anos, tendo cursado apenas as primeiras letras em escolas primárias, Casimiro Cunha, depois de haver uma vista aos 14 anos por acidente, cegou da outra aos 16. Adolescente, ainda, colaborou na impressa vassourense. desde que se tornou espírita confesso, estendeu aos periódicos espiritistas, principalmente ao Reformador, a sua produção poética. Foi um dos fundadores do Centro Espírita “Bezerra Menezes”, de Vassouras. Mário Cis era o pseudônimo que ele comumente usava. Prefaciando o primeiro livro do poeta – Singelos -, M. Quintão chegou a afirmar que ele “fechara os olhos às misérias da Terra, para melhor entrever as belezas do Céu”. Jamais se lhe ouviu dos lábios um queixume, uma palavra de revolta. Era a resignação em pessoa. “Alma feita de luz,” – afirmou-o Armando Gonçalves (Colar de Pérolas, pág. CXXVI) – “é um dos mais vigorosos literatos que enchem de orgulho o torrão fluminense.” (Vassouras, Estado do Rio, 14 de Abril de 1880 – Vassouras, 7 de novembro de 1914.)
BIBLIOGRAFIA: a) do homem terreno: Singelos; Efêmeros; aves Implumes; Pétalas; Perispíritos; Álbum de Delba, póstumas.
b) do poeta desencarnado: Cartas do Evangelho; cartilha da Natureza; História de Maricota; Gotas de Luz – todas pelo médium Francisco Cândido Xavier; Juca Lambisca e Timbolão – pelos medianeiros desta Antologia.
13. Leia-se in-com-preen-sões,com sinérese.
18. Ler no/ ar, em duas sílabas.
83. Cf. a nota nº. 13 deste capítulo.
114. Note-se a mestria com que o poeta se serviu do bordão: “Simplifica, simplifica.”
162. Leia-se com as, em uma sílaba (Ectlipse).
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira
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