16.10.26
Comentário Questão 829 do Livro dos Espíritos
Para melhor entendimento do que se passa com os próprios homens, analisemos a resposta à questão nº 536 de "O Livro dos Espíritos" diz: “Tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus".
Deus permite que os homens escravizem os homens e usa esse meio para educá-los, tanto a um como ao outro, porque nada se perde, na grande extensão dos meios educativos. Qual de nós não escravizamos alguém, qual de nós que não fomos escravizados algum dia?
Os negros africanos foram arrebanhados para diversas nações do mundo como escravos, porque eram considerados uma raça primitiva, com exceção de alguns poucos que estavam ali orientando em alguns pontos de princípios educativos.
Não devemos olhar tudo no mundo como tão somente produto da mente humana e, sim, como sistema de despertamento das criaturas. O que Deus não quer, não existe, e Ele, sendo onisciente, já sabia de tudo que iria e vai acontecer no futuro.
Começando pelos reinos da natureza, o homem já habituou a vender e trocar o que a Deus pertence, até os animais. Esse comércio se tornou mais acentuado e passaram a vender seus próprios irmãos, no orgulho irradiante de dominar. Quem no mundo já pôs termo às guerras fratricidas?
Por que Deus permite essa matança incontrolável em várias ' nações do mundo? Isso se processa entre os primitivos e mesmo entre os animais que, por vezes, se alimentam dos próprios companheiros de selva. Certamente que tudo isso, esses processos violentos, desaparecerão da face da Terra com a maturidade dos homens, mas enquanto não chegar a luz ao coração, os homens vão continuar a matar e a escravizar. O homem assemelha-se ao animal e é classificado como tal na própria ciência. É por isso que vive, em parte, vida animal.
Matar e escravizar são fatos que acontecem em mundos de provações e expiações. Quem pode mudar esses acontecimentos? Somente o tempo. As almas sairão, certamente, da escuridão, quando acenderem a luz na intimidade da consciência. Jesus veio ao mundo ao encontro da humanidade, para mostrar aos Espíritos como eles mesmos devem se libertar desses atos e fatos primitivos, limpando dos seus caminhos as nódoas negras provocadas pela escravidão e matanças. Contudo, as lições disso oriundas ficarão no centro da vida, e tanto quem morre, como o escravo, quanto o que faz morrer e escraviza, trocam de posições pela lei das vidas sucessivas, e todos aprendem juntos as lições de amor que salvam a todos.
Lemos em Lucas, no capítulo dezoito, versículo trinta e dois:
Pois será ele entregue aos gentios; escarnecido, ultrajado e cuspido.
Por que Deus permitiu que acontecesse isso com Seu filho amado? A porta que Jesus transpôs foi das mais dolorosas, para voltar aos céus. Entretanto, somente assim Ele pôde despertar nos homens o desejo da renovação espiritual, ao exemplificar a Sua vida nobre e fecunda.
E as grandes catástrofes da natureza? Quem as impulsiona e regula? Somos todos escravos das consequências dos nossos pensamentos. E por que pensamos assim? Tudo é organizado por Deus e somente Ele sabe o porquê. Nós outros devemos obedecer-Lhe com humildade, e ainda amá-Lo sobre todas as coisas, porque o Senhor assim o faz por amor a nós, que ainda não sabemos os verdadeiros motivos, por nos faltar capacidade para tal.
Muitos aspectos da Verdade não são ditas, por não termos ainda ouvidos para ouvir. A Verdade chega aos nossos ouvidos, gradativamente, de acordo com a nossa capacidade espiritual.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez
15.10.26
GUERRA E PAZ
Soldado após a rígida campanha,
Guardando as palmas de ilusória lida,
Marchei de peito arfante e face erguida,
Crendo-me herói de olímpica façanha.
Mas, varando os umbrais da morte estranha,
Revivi, descontente, a própria vida,
E, muito embora os louros da acolhida,
Senti-me verme alçado na montanha.
Alma tocada de arrependimento,
Desperdiçara, em vão, força e cultura,
Qual chama entregue ao temporal violento.
Assim, entre a ventura e a desventura,
Sou rei na guerra de cruel tormento,
E mendigo de paz na sorte escura.
(*) depois de estudar no Stonyhust College, em Blackburn, Inglaterra, e bem assim na Áustria e na França, regressa José Albano da Europa e faz preparatórios no Liceu do Ceará. Em 1908, volta a Europa a serviço do Consulado Brasileiro, em Londres. Viaja, depois, por diversos países, inclusive a Grécia, Turquia, Palestina, Egito e Espanha, onde publica suas Rimas. No ano seguinte transfere-se definitivamente para a França, onde desencarnou. Dele, disse Mário de Alencar.
(apud Pan. V, pág. 220): «Conversando, sentia-se-lhe o orgulho, gerado por desdém e descontentamento dos homens e das coisas, do meio e do tempo. Criticava a todos e a tudo... » Vernaculista e poliglota, «era um gênio atribulado pela obsessão do perfeito». «Inquieto até o delírio, » – frisa a Ant. Cearense, pág. 254 – «impeliam-no na vida os mais desencontrados sentimentos e paixões. » (Fortaleza, Ceará, 12 de Abril de 1882 – Montauban (Tarn-et-Garone), França, 11 de Julho de l923.)
BIBLIOGRAFIA: Rimas de José Albano, Redondilhas; idem, Alegoria; idem, Canção a Camões; idem, Ode à Língua Portuguesa; Four-Sonnets by Joseph Albano with Portuguese Prosc-Translation; etc.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.
14.10.26
Nossos conceitos de paz
Não conseguimos, ainda, atingir o estado de serenidade que objetivamos porque nos equivocamos nos conceitos e nas ações para a construção de um mundo melhor, mais fraterno, mais justo.
A paz para nos é um estado de inércia, de ausência de lutas e conflitos, quando todos pensarão da mesma maneira, terão os mesmos recursos e serão igualmente felizes.
Se mais bem conhecêssemos as leis de Deus, compreenderíamos que essa situação e impossível porque cada um está um estagio de entendimento e para cada um os valores são diferentes. Logo impossível falarmos todos a mesma linguagem sem nos chocar ou conflitar com a opinião do outro.
A paz nada mais é do que o reflexo da consciência tranquila. De nada adianta a ausência de guerras exteriores se os homens estão com seus íntimos fervendo como vulcões prestes a entrar em erupção.
Para nos a paz se assemelha a situação de um cadáver. Despreocupado, improdutivo, deitado e sem metas a atingir. A paz dos inanimados.
Mas essa paz não nos convém porque desejamos crescer e realizar nossas vontades. Para muitos vontade de ter coisas. Para alguns, vontade de ser melhor.
Por que reencarnamos se não for para progredir? Somos um espírito eterno, mas a perfeição eh construída parte a parte, ponto a ponto, dia a dia, E em cada reencarnação aumentamos um pouco nosso tamanho espiritual.
Nas caminhadas pela paz, se vista de branco por fora e por dentro. Nas Passeatas, não incomode o semelhante, não grite em desrespeito a sociedade, nem atravanque as ruas, tumultuando a vida da sua cidade. Não pense que o mundo deve parar para assistir ao seu desfile pela paz, quando você age como um dos mais belicosos seres do planeta.
"A Paz do mundo começa em Mim", já diz o cancioneiro pernambucano Nando Cordel. Mas ele completa ainda na primeira estrofe: "Se eu tenho amor, com certeza sou feliz. Se eu faço o bem ao meu irmão, tenho a grandeza dentro do meu coração. Chegou a hora de a gente construir a paz; ninguém suporta mais o desamor".
Essa e a receita para a paz no mundo. Entendimento e fraternidade entre as pessoas, respeitando a forma de ser de cada um. Suas preferências, suas tendências e vocações porque cada um de nos e uma individualidade e não formamos uma boiada que, sem vontade própria, e conduzida pelo tropeiro.
Construamos primeiro a paz dentro de nos. Ai teremos o que oferecer. Caso contrario, não seremos cristãos e tudo será festa e demagogia.
Otavio Caumo Serrano
13.10.26
A Mediunidade Nossa de Cada Dia
Faculdades mediúnicas ostensivas cederão lugar à faculdades mediúnicas cada vez mais discretas.
Todas as formas de mediunidade evoluem para o campo intuitivo.
Psicografia e psicofonia, por exemplo, são faculdades mediúnicas de transição – enfim, todas as faculdades de ordem intelectual que se rotulam e se limitam são transitórias.
No futuro, em termos de mediunidade, o conteúdo dispensará a forma.
Por esse motivo, o chamado fenômeno das “mesas girantes” , e outros correlatos, é fase completamente superada. (*)
(*) O pequeno grande livro é constituído de 100 capítulos em síntese, todos versando sobre a Mediunidade no Dia a Dia.
Extremamente útil para os estudiosos, os oradores e os médiuns que estão dando os seus primeiros passos na tarefa mediúnica.
O livro poderá ser adquirido pela loja virtual da LEEPP, além de solicitado às mais diversas Distribuidoras de Livros Espíritas.
Endereço da Loja Virtual:
www.leepplojavirtual.com.br
A Editora LEEPP, de Uberaba, tem as suas tarefas assistenciais voltadas para as atividades da Casa Espírita “Bittencourt Sampaio”, Lar Espírita “Pedro e Paulo”, “Recanto da Paz” e Casa Espírita Cristã “Santo Albino.
INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 11 de outubro de 2026.
12.10.26
Soberana Senhora
Além do céu cor de anil,
Com o Vosso amor puro e santo
Protegei nosso Brasil.
Abençoai nosso povo
Hospitaleiro e gentil,
Com a paz que todos sonhamos
Se faça sobre o Brasil.
Que a treva ameaçadora
A rugir de forma hostil,
Em vossa luz se desfaça
Iluminando o Brasil.
E o mal que tantos lhe querem
Com as suas injúrias mil,
Nada possa contra o Bem
Que se espalha no Brasil.
Ó Soberana Senhora,
Do mais traiçoeiro ardil,
Do trono de Vossa glória
Livrai o nosso Brasil!...
Pedro de Alcântara/Baccelli _ blog Espiritismo em Prosa e Verso
Lar Espírita “Pedro e Paulo”
Uberaba – MG, 10 de outubro de 2026.
11.10.26
Tempos Novos
Os ditames da lei estão sendo desobedecidos.
O vinculo moral está sendo rompido.
As instituições estão à deriva.
E o povo a reclamar.
Toda esta obstinação de maldades permeiam o cenário da República.
Sem demora, alguém se levanta e proclama o caos.
Antes, porém, da desordem generalizada, ouvem-se gritos:
- Loucura jamais! Liberdade. Liberdade.
A cena disruptiva poderia ser aludida a nosso País e é certo que encontraria verossimilhança, mas não é.
A hipotética república na verdade é o Azerbaijão.
Lá, a liberdade é fictícia.
A democracia é um simulacro.
Os poderes estão corrompidos.
Vive-se uma ditadura disfarçada.
Estes ares irão mudar? Não se sabe. O que se sabe é que há povo nas ruas exigindo mudanças e são severamente reprimidos.
Esta realidade distante não tem a ver com o Brasil? Tem sim!
O que afirmo claramente e sem meias-palavras é que o nosso País, grandioso e hoje soberano, pode ser transformado num grande Azerbaijão.
Não, isto não é uma realidade distópica, é um cenário possível diante dos fatos que por ventura avançarem no campo da política institucional.
Alguns dirão que os tempos são outros, é verdade, mas a sanha por poder e pelo arbítrio continuam sendo os mesmos apesar de algo aparentemente distante.
E nesta quadra da vida pública brasileira este cenário torna-se plenamente possível.
A elegância das palavras de supostos democratas e amantes do Brasil não esconde, de jeito algum, seus planos devastadores de impor aqui uma república de meia-dúzia de mandantes.
Este perigo é iminente se nada for feito para superação das dificuldades impostas pelo quadro político desorganizado e pela infantilidade política de alguns em pensar que estas coisas não podem ser repetidas por aqui.
Há pouco, lembro bem, tivemos uma tentativa de golpe de Estado e muitos acreditavam que este tipo de coisa parecia impossível. Não era.
Os mesmos abutres da república continuam a se argueirarem em busca do poder pelo voto popular para depois, mediante autogolpe, sufragar uma liberdade interrompida ou de cuidados institucionais graves.
O perigo existe e não é uma fábula de carochinhas.
Isto tudo acontece por duas razões claras.
Uma é de ordem material, outra de cunho espiritual.
A primeira porque o Brasil é um país cobiçado internacionalmente por várias razões. Cheio de riquezas, um vasto território, muita gente para produzir e consumir.
Por outro lado, os vermes espirituais que sugam o poder da Terra veem no Brasil um braço importante para implantar definitivamente seu nefasto plano de dominar o planeta.
Tudo isto não é ficção e necessita que seja dito abertamente sem meias-palavras – repito.
A hora é de despertar e mobilizar as forças do bem em torno de uma causa que una os bons numa mesma trincheira de lutas.
Não se trata de dar mais poder a quem já detém, é momento de abrir os olhos diante da grande serpente e seus tentáculos.
Não pense que há uma turma do bem e outra do mal no plano internacional. Isto é balela. As nações possuem seus interesses e lutam por eles. O Brasil é que deve ter os seus e edificar o que lhe seja conveniente.
Não serão tempos fáceis os que estão por vir qualquer que seja a decisão popular, mas tenebroso seria ainda mais se esta decisão for entregue a mãos que desejam tão-somente usufruir de vantagens pessoais.
Os tempos que se avizinham serão sombrios, não resta dúvida alguma, proveniente de uma era de transição em vigência, no entanto, poderá ser mais obscura se os verdugos do mal assumirem a presidência da República.
O medo correrá em solta neste País.
As liberdades serão subtraídas.
Os interesses nacionais serão solapados.
A ganância chegará a seu cume pelas velhas e corrompidas elites.
O povo será massa de manobra para justificar os desatinos.
Tudo isso poderá ser diferente. Não existe nada absolutamente designado, mas tendências a serem confirmadas ou não.
O braço forte é aquele que estiver assentado nos ensinamentos de Jesus, mas até estes serão ridiculamente utilizados para justificar os desmandos a serem cometidos.
Há luz no fim do túnel porque ninguém está amarrado tampouco o nosso imenso País.
Os supostos donos da verdade sabem dos movimentos das forças contrárias para combater seus interesses destruidores.
Cautela, irmãos!
Coragem em não recuar diante de princípios morais nobres.
A luta pelo bem não cabe recuos de covardia.
Deus ampara a todos, mas deixa que cada um construa o seu destino.
Promovamos o nosso futuro ancorado nos ensinamentos sublimes do Evangelho de Jesus.
Sejamos uma nação de respeito mundial pela dignidade que concede a sua gente.
Desejemos, como sempre fizemos, o bem entre as nações, harmonizadas no mesmo ideal de prosperidade e lealdade a paz.
A vida é nosso bem mais precioso, mas uma vida sem propósito é vazia e sem chance de ser feliz.
Estejamos juntos!
Não nos dispersemos!
A humanidade precisa - e o nosso Brasil - de todos aqueles que desejam criar um futuro melhor e de luz.
Sejamos os soldados desinteressados deste novo amanhã!
Unidos, amaremos mais!
Tiradentes
NOTAS DO MÉDIUM
1. A mediunidade é algo por natureza subjetiva. Há uma diversidade de fatores que se misturam para a eclosão do processo mediúnico e todo médium está sujeito a ela, comigo não é diferente.
2. Semanalmente, há muitos anos, coloco-me à disposição para ditados mentais de psicografia. A habitualidade dos escritos se faz por figuras como Helder Camara, Karol Wojtyla e outros espíritos que eventualmente utilizam da oportunidade para transmitir seus comunicados espirituais.
3. Não há de minha parte qualquer preconceito pelos espíritos que ocasionalmente me procuram, mas é claro que a sintonia e a afinidade são fatores determinantes para a seleção dos espíritos comunicantes.
4. Em época de eleição, geralmente, espíritos que exerceram o ofício político aproximam-se de mim e trasmitem os seus pensamentos e eu os reproduzo neste blog.
5. Quando os conteúdos não passam pelo meu crivo da razão e do bom senso, recorro sempre ao expediente de consultar amigos que possam emitir a sua opinião sobre o texto recebido. Foi o que aconteceu com o texto acima.
6. Na minha análise achei um tanto catastrófico e a personalidade que o assinava poderia efetivamente não ser o seu autor original, até porque jamais havia recebido um texto seu.
7. Tais amigos se manifestaram diferentemente. Um nada achou demais do texto e assenhorou que outros espíritos podem utilizar o nome de outro falando em nome de uma falange. Isto é correto e já aconteceu em outras ocasiões comigo. Ademais, lembrou o conselhor de Allan Kardec que nos detessemos ao conteúdo e não dessemos muita ênfase e importância ao nome do autor.
8. Outro colaborador, apesar da sua seriedade e conhecimento espírita, preferiu dizer-se incompetente para este exame. A última análise, com muito critério, apontou divergências de conteúdo e classificou o espírito comunicante como possível mistificador.
9. Guardei o texto, desde então, e havia decidido não publicá-lo. Mudei de ideia no dia de hoje e submeto a aprecição de todos que o lerão. É livre a aceitação ou não do conteúdo ou autoria como qualquer outra informação mediúnica e não serei eu que defenderei o texto ou o espírito como não é hábito meu fazê-lo.
10. Espero que, de algum modo, ele contribua para o momento presente para quem leia e que o exemplo deste contexto mediúnico também sirvapara entender o quão complexo é o fenômeno mediúnico.
Avancemos com Jesus! Blog de Carlos Pereira
10.10.26
Brasil Predestinado
A ser do mundo o místico celeiro,
Do abençoado pão do Mestre Amado,
Ante a fome de luz do mundo inteiro...
Pão que por sua Voz perpetuado
Nas lições do Evangelho alvissareiro,
Revive o Espiritismo sobranceiro,
Continuando a ser multiplicado...
Ninguém te arredará de teu destino,
Que jaz traçado por poder divino,
Acima das humanas ambições...
Hás de ser para sempre grande e forte,
Nesta missão em sublimado norte
De libertar os povos e as nações!...
Pedro de Alcântara/Baccelli - Blog Espiritismo em Prosa e Verso
Lar Espírita “Pedro e Paulo”
Manhã do dia 1 de outubro de 2026.
Uberaba – MG.
9.10.26
MAIS PACIÊNCIA
Não conserves rancor no coração,
Perdoa a quem te faça ingratidão,
Aumentando na vida a tuas dores.
À derradeira gota de aflição,
Suportando injustiça e humilhação
De quem te faz sofrer em teus labores.
No caminho da fé que te abençoa
E que te põe à prova a persistência...
Quem deseja vencer por sobre a Terra
Necessita de ter mais paciência!...
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã do dia 22 de outubro de 2016, em Uberaba – MG).
8.10.26
Comentário Questão 829 do Livro dos Espíritos
Para melhor entendimento do que se passa com os próprios homens, analisemos a resposta à questão nº 536 de "O Livro dos Espíritos" diz: “Tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus".
Deus permite que os homens escravizem os homens e usa esse meio para educá-los, tanto a um como ao outro, porque nada se perde, na grande extensão dos meios educativos. Qual de nós não escravizamos alguém, qual de nós que não fomos escravizados algum dia?
Os negros africanos foram arrebanhados para diversas nações do mundo como escravos, porque eram considerados uma raça primitiva, com exceção de alguns poucos que estavam ali orientando em alguns pontos de princípios educativos.
Não devemos olhar tudo no mundo como tão somente produto da mente humana e, sim, como sistema de despertamento das criaturas. O que Deus não quer, não existe, e Ele, sendo onisciente, já sabia de tudo que iria e vai acontecer no futuro.
Começando pelos reinos da natureza, o homem já habituou a vender e trocar o que a Deus pertence, até os animais. Esse comércio se tornou mais acentuado e passaram a vender seus próprios irmãos, no orgulho irradiante de dominar. Quem no mundo já pôs termo às guerras fratricidas?
Por que Deus permite essa matança incontrolável em várias ' nações do mundo? Isso se processa entre os primitivos e mesmo entre os animais que, por vezes, se alimentam dos próprios companheiros de selva. Certamente que tudo isso, esses processos violentos, desaparecerão da face da Terra com a maturidade dos homens, mas enquanto não chegar a luz ao coração, os homens vão continuar a matar e a escravizar. O homem assemelha-se ao animal e é classificado como tal na própria ciência. É por isso que vive, em parte, vida animal.
Matar e escravizar são fatos que acontecem em mundos de provações e expiações. Quem pode mudar esses acontecimentos? Somente o tempo. As almas sairão, certamente, da escuridão, quando acenderem a luz na intimidade da consciência. Jesus veio ao mundo ao encontro da humanidade, para mostrar aos Espíritos como eles mesmos devem se libertar desses atos e fatos primitivos, limpando dos seus caminhos as nódoas negras provocadas pela escravidão e matanças. Contudo, as lições disso oriundas ficarão no centro da vida, e tanto quem morre, como o escravo, quanto o que faz morrer e escraviza, trocam de posições pela lei das vidas sucessivas, e todos aprendem juntos as lições de amor que salvam a todos.
Lemos em Lucas, no capítulo dezoito, versículo trinta e dois:
Pois será ele entregue aos gentios; escarnecido, ultrajado e cuspido.
Por que Deus permitiu que acontecesse isso com Seu filho amado? A porta que Jesus transpôs foi das mais dolorosas, para voltar aos céus. Entretanto, somente assim Ele pôde despertar nos homens o desejo da renovação espiritual, ao exemplificar a Sua vida nobre e fecunda.
E as grandes catástrofes da natureza? Quem as impulsiona e regula? Somos todos escravos das consequências dos nossos pensamentos. E por que pensamos assim? Tudo é organizado por Deus e somente Ele sabe o porquê. Nós outros devemos obedecer-Lhe com humildade, e ainda amá-Lo sobre todas as coisas, porque o Senhor assim o faz por amor a nós, que ainda não sabemos os verdadeiros motivos, por nos faltar capacidade para tal.
Muitos aspectos da Verdade não são ditas, por não termos ainda ouvidos para ouvir. A Verdade chega aos nossos ouvidos, gradativamente, de acordo com a nossa capacidade espiritual.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez
7.10.26
GUERRA E PAZ
Soldado após a rígida campanha,
Guardando as palmas de ilusória lida,
Marchei de peito arfante e face erguida,
Crendo-me herói de olímpica façanha.
Mas, varando os umbrais da morte estranha,
Revivi, descontente, a própria vida,
E, muito embora os louros da acolhida,
Senti-me verme alçado na montanha.
Alma tocada de arrependimento,
Desperdiçara, em vão, força e cultura,
Qual chama entregue ao temporal violento.
Assim, entre a ventura e a desventura,
Sou rei na guerra de cruel tormento,
E mendigo de paz na sorte escura.
(*) depois de estudar no Stonyhust College, em Blackburn, Inglaterra, e bem assim na Áustria e na França, regressa José Albano da Europa e faz preparatórios no Liceu do Ceará. Em 1908, volta a Europa a serviço do Consulado Brasileiro, em Londres. Viaja, depois, por diversos países, inclusive a Grécia, Turquia, Palestina, Egito e Espanha, onde publica suas Rimas. No ano seguinte transfere-se definitivamente para a França, onde desencarnou. Dele, disse Mário de Alencar.
(apud Pan. V, pág. 220): «Conversando, sentia-se-lhe o orgulho, gerado por desdém e descontentamento dos homens e das coisas, do meio e do tempo. Criticava a todos e a tudo... » Vernaculista e poliglota, «era um gênio atribulado pela obsessão do perfeito». «Inquieto até o delírio, » – frisa a Ant. Cearense, pág. 254 – «impeliam-no na vida os mais desencontrados sentimentos e paixões. » (Fortaleza, Ceará, 12 de Abril de 1882 – Montauban (Tarn-et-Garone), França, 11 de Julho de l923.)
BIBLIOGRAFIA: Rimas de José Albano, Redondilhas; idem, Alegoria; idem, Canção a Camões; idem, Ode à Língua Portuguesa; Four-Sonnets by Joseph Albano with Portuguese Prosc-Translation; etc.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.
6.10.26
Mensagem publicada na página 04 da Gazeta de Limeira de 06.10.2026
VELOCIDADE
DO ESPÍRITO
O Espírito gasta
algum tempo para percorrer distâncias, no entanto, essa velocidade tem
variações infinitas, de acordo com a evolução da alma. Existem Espíritos tão
materializados, que os seus meios de locomoção são os mesmos dos homens e, por
vezes bem piores, bem como há entidades altamente evoluídas, que viajam grandes
distâncias com a velocidade do pensamento. Cada um se encontra em uma faixa
evolutiva, considerando que a volitação depende de determinados processos
interiores, que cada alma sabe usar para seu proveito próprio e dos que carecem
dos seus trabalhos espirituais. Em determinados casos, usam meios de locomoção
primitiva, igualmente existem aparelhos eletro-magnéticos, no mundo dos
Espíritos, que também são usados para esses trabalhos, sendo muito usados em
assistência aos que sofrem. O Espírito é uma chama divina, consciente, e o
pensamento é seu atributo, cuja força pode levá-lo aonde quer que seja, desde
que tenha condições para tais viagens. A força mental do Espírito superior é
como um verdadeiro milagre, sob o comando da sua vontade. O poder da mente do
Espírito puro é sem limites, porém, mesmo dotado de todas essas conquistas,
respeita, dentro da ordem do universo, os seus irmãos menores, que estão
passando por certos aprendizados, sob o controle da dor. Todavia, há casos em
que eles intervêm com a misericórdia de Deus, em nome da mesma lei de justiça,
ajudando aos que sofrem, quando a condição do sofredor pede esse amparo, para
que possa servir melhor, aproveitando oportunidade difícil de ser granjeada. Os
recursos são diversos e Deus é Amor!
Filosofia Espírita
L.E.89 – João N. Maia – Miramez – Toninho Barana.
5.10.26
Nesta Tua Encarnação
Não importa a opinião pessoal que tenhas em torno desse ou daquele assunto de natureza doutrinária, entregando-te a polêmicas infindáveis.
Não importa o que tenhas sido em existências passadas, ou mesmo o que os outros tenham sido.
Não importa a visão, quase sempre limitada, que possuas da Verdade, para a qual, sobre a Terra, ninguém ainda se encontra absolutamente preparado.
Não importa a razão que te dês nessa ou naquela contenda, à pretexto de estar defendendo a Causa que abraças.
Não importa o cargo transitório que ocupas, e que, em vez de te privilegiar, te cumula de responsabilidades pelas quais responderás.
Não importa os amigos que consideras poderosos, aos quais te ligas com a intenção de tirar algum proveito do que não é amizade.
Não importa o bem que fazes em quantidade, esquecido de lhes dar alguma qualidade.
Não importa a tua capacidade intelectual mais que as possibilidades de teu coração, no amor que devemos uns aos outros.
Não importa as ovações que recebes na tribuna, sem que te preocupes com o que fazes quando dela desces, para que tu mesmo possas ouvir o eco das palavras que disseste a quem te aplaudia.
Sim, nada disso importa tanto quanto importa o que procuras ser por dentro de ti mesmo.
O que importa é o que pensas de ti quando te encontras sozinho.
O que importa é o esforço cotidiano que empreendes para ser hoje melhor que na véspera.
O que importa, mais que a tua erudição, é a tua palavra no exemplo do que pregas.
O que importa é a consideração e o respeito com que tratas a todos, sem a intenção de humilhá-los ou marginalizá-los.
O que importa, enfim, é o que se passa entre ti e o Cristo.
INÁCIO FERREIRA -blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 4 de outubro de 2026.
4.10.26
A Imbecilização da Humanidade
Na obra, o autor constrói uma alegoria perspicaz e bem-humorada sobre os vícios, as virtudes e as contradições humanas, ambientada em uma comunidade onde as dinâmicas sociais revelam o espantoso fascínio que as multidões nutrem pela ignorância em detrimento da sabedoria.
Valter Hugo Mãe explora como a sociedade atual muitas vezes derrapa na avaliação de si própria, preferindo a superficialidade, o eco de opiniões vazias e o riso fácil à busca real pelo conhecimento.
Essa reflexão literária dialoga diretamente com o conceito de imbecilização ou idiotização da humanidade, que não se refere a uma deficiência biológica inata, mas a um processo cultural, tecnológico, político e comportamental induzido.
Na sociedade atual — marcada pelo excesso de informações, pela velocidade das redes digitais e pela cultura do espetáculo —, as pessoas encontram-se imersas em um fluxo constante de estímulos que priorizam a distração em detrimento da reflexão.
Desse modo, o fenômeno contemporâneo se manifesta na intolerância ao debate complexo, na viralização de conteúdos vazios, na substituição do argumento lógico por reações passionais e na simplificação extrema de problemas globais e sociais.
As ferramentas tecnológicas, que poderiam servir à democratização do conhecimento, frequentemente operam como mecanismos de captura da atenção, fragmentando o foco e moldando comportamentos conformistas.
Compreender esse cenário exige olhar para além dos sintomas aparentes e investigar as vozes teóricas e espirituais que se dedicam a decifrar as engrenagens dessa regressão cultural e mental.
A DEGRADAÇÃO DO PENSAMENTO CRÍTICO
Diversos pensadores abordaram, sob diferentes óticas, os mecanismos que conduzem à erosão do intelecto e da autonomia racional na sociedade moderna. Vejamos, abaixo, alguns autores que examinaram essa temática.
Neil Postman argumenta que a humanidade não necessita de um controle distópico baseado unicamente na força ou na censura explícita, tal como imaginado por George Orwell.
Para o autor, a profecia de Aldous Huxley revelou-se mais precisa: a sociedade corre o risco de se corromper e se idiotizar pelo excesso de trivialidade, diversão e irrelevância.
Postman aponta que a cultura do espetáculo transforma o discurso público em mero entretenimento, onde o pensamento profundo perde espaço para a superficialidade.
"Huxley temia que a verdade fosse se afogada em um mar de irrelevância. Ele temia que o pouco que nos importava fosse dado como pasto para o amor pelo andróide, pela comédia ou pela música. Ele temia que nossa cultura se tornasse uma vasta cultura de cabaré, dedicada à dança e ao espetáculo, ao show e à diversão." (POSTMAN, 1999).
Em outra perspectiva , o escritor e semioticista italiano Umberto Eco direcionou críticas contundentes ao impacto das plataformas digitais e da internet na difusão da ignorância coletiva.
Para Eco, as redes sociais concederam voz pública a discursos desprovidos de embasamento crítico que, anteriormente, ficavam restritos ao âmbito privado, nivelando por baixo o debate público e conferindo à desinformação o mesmo peso do conhecimento científico ou especializado.
"As redes sociais dão o direito de falar a legiões de imbeciles que, antes, falavam apenas no bar, depois de um copo de vinho, sem prejudicar a coletividade. Eram rapidamente silenciados, enquanto agora têm o mesmo direito de palavra de um Prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis." (ECO, 2015).
No contexto da sociologia jurídica e da filosofia política, o jurista Rubens Casara analisa a criação de subjetividades moldadas pela lógica de mercado e pela concorrência extrema.
O processo de "idiossubjetivação" descrito pelo autor revela como o indivíduo é induzido a se enxergar apenas como um competidor utilitário, abdicando da alteridade, do pensamento crítico e do engajamento político humanizado, o que reduz o espectro da consciência cidadã.
"Tudo se transforma em oportunidade de negócios para cada um, empresários-de-si e concorrentes ao modo das empresas. Daí para o outro como inimigo e para o ódio irreconciliável com a diferença é um passo. Fecha-se assim o ciclo da máquina de idiossubjetivação." (CASARA, 2024).
Olavo de Carvalho em sua análise sobre o panorama cultural aborda a formação daquilo que denominou "imbecil coletivo". Trata-se da perda da autonomia intelectual do indivíduo quando submetido a dinâmicas de grupo, modismos ideológicos e pressões institucionais, resultando em um sistema mental impermeável à realidade objetiva e pautado pela repetição mecânica de chavões.
"O 'imbecil coletivo' não é a soma de imbecis individuais. É uma entidade autônoma, dotada de uma lógica própria, na qual a imbecilidade de cada um se potencializa na massa até formar um sistema impermeável a qualquer contato com a realidade." (CARVALHO, 1996).
A IMBECILIZAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DAS SOMBRAS
Para além das dimensões sociológicas e culturais, a literatura espírita traz análises profundas sobre os bastidores invisíveis que influenciam o comportamento humano coletivo.
No livro Nova Ordem Mundial, atribuído ao espírito Ângelo Inácio e psicografado pelo médium Robson Pinheiro, revela-se que o processo de embrutecimento intelectual e moral da humanidade não ocorre de forma puramente casual.
Segundo os apontamentos da obra, existe um plano arquitetado em regiões extrafísicas densas por entidades sintonizadas com o mal — herdeiras de velhos processos de rebeldia contra as leis cósmicas —, que buscam sistematicamente subjugar a humanidade terrena.
A estratégia central das chamadas "sombras" consiste em desestabilizar as bases do pensamento crítico, da ética e da espiritualidade por meio de um programa sistemático de manipulação mental e controle de massas.
Os espíritos mentores esclarecem que os laboratórios e núcleos de influência espiritual inferior utilizam técnicas avançadas de hipnose, indução mental e sintonia com os instintos mais primários dos encarnados.
Ao alimentar a polarização, o fanatismo, o medo, o egoísmo desenfreado e a busca incessante por distrações fúteis, essas forças conseguem paralisar a capacidade de discernimento dos indivíduos.
A estratégia visa criar uma obediência cega e um terreno fértil para o caos social, político e cultural, impedindo que a humanidade desperte para os valores elevados do espírito e para a transição planetária regeneradora.
Desse modo, a "imbecilização" coletiva funciona como uma arma de dominação sutil: ao manter a mente humana embrutecida e distraída nas teias da superficialidade e da apatia moral, as potências das sombras encontram o ambiente ideal para exercer influência indireta sobre os rumos da civilização, desafiando os guardiões da luz e os princípios do progresso espiritual.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Referências Bibliográficas
CASARA, Rubens. A construção do idiota: o processo de idiossubjetivação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2024.
CARVALHO, Olavo de. O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras. Rio de Janeiro: Topbooks, 1996.
ECO, Umberto. Declaração sobre as redes sociais e o direito à palavra de legiões de imbecis. La Repubblica / Universidade de Turim, fev. 2015.
INÁCIO, Ângelo (Espírito); PINHEIRO, Robson (Médium). Nova Ordem Mundial. Contagem: Casa dos Espíritos Editora, 2024.
MÃE, Valter Hugo. O Século dos Imbecis. São Paulo: Biblioteca Azul, 2026.
POSTMAN, Neil. Divertindo-nos até a Morrer: O Discurso Público na Era do Show Business. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
3.10.26
Fé, Oração e Caridade
Se queres vencer a luta,
Sem que a luta te degrade,
Escolha por tuas armas:
Fé, Oração e Caridade.
Se o desânimo aparece
E tudo te desagrade,
Utiliza este bordão:
Fé, Oração e Caridade.
Se a esperança se esvai,
Não importa em que idade,
Busca força neste trio:
Fé, Oração e Caridade.
Se a tristeza te ameaça,
Sombra que a alma te invade,
Mantém acesa esta luz:
Fé, Oração e Caridade.
Se temes pelo futuro,
Da Terra em tanta maldade,
Confia em Deus e exercita:
Fé, Oração e Caridade.
Sempre que, em tudo, vejas,
Prova e dificuldade,
Tenhas por teus aliados:
Fé, Oração e Caridade.
Formiga/Baccelli - Blog Espiritismo em Prosa e Verso
Lar Espírita “Pedro e Paulo”
Uberaba – MG, 26-9-26
2.10.26
Recados do Purgatório
Marie de la Croix levava uma vida de recolhimento, marcada por profundas aspirações místicas, rigor com os deveres conventuais e uma intensa dedicação à oração.
Por outro lado, sua companheira de congregação, a Irmã Marie Gabrielle, havia falecido prematuramente em fevereiro de 1871, com apenas trinta e seis anos de idade.
Em vida terrena, Marie Gabrielle destacava-se por uma personalidade por vezes volúvel, negligente em relação a certas exigências da vida religiosa e relutante frente aos conselhos de correção e disciplina que Marie de la Croix frequentemente lhe direcionava.
Era comum que Marie Gabrielle dissesse em tom de brincadeira à sua colega: "Se eu for para o Purgatório, você me tirará de lá!", sem que nenhuma das duas imaginasse o teor profético e literal que essa frase assumiria anos mais tarde.
O intercâmbio entre os dois planos de vida teve início em novembro de 1873, quando Marie de la Croix passou a escutar gemidos misteriosos e prolongados dentro do claustro. Inicialmente assustada e temendo que se tratasse de alguma ilusão ou perturbação de ordem anímica ou espiritual inferior, a religiosa intensificou suas preces, vias-sacras e comunhões.
O fenômeno persistiu até que, em fevereiro de 1874, a voz se identificou claramente como sendo da falecida Irmã Marie Gabrielle.
A partir desse momento, estabeleceu-se uma comunicação constante por meio da audição anímica (clarividência e Clariaudiência) e da escrita mediúnica.
Marie Gabrielle relatou detalhadamente a realidade do estado purgatorial.
Dividiu suas experiências em diferentes níveis de sofrimento espiritual decorrentes das faltas cometidas em vida: desde a falta de fervor na oração e o apego às vaidades mundanas até o descaso com os votos sagrados.
O conteúdo das mensagens enfatizava a necessidade de profunda conversão, o valor do sofrimento suportado com resignação, a importância das orações e missas em sufrágio, e advertências severas sobre a responsabilidade moral daqueles que servem no altar e na educação religiosa.
A Filosofia Espírita, sistematizada por Allan Kardec, explica que os fenômenos descritos no manuscrito traduzem-se como manifestações legítimas de espíritos sofredores que ainda se encontram presos às vibrações e aos resíduos densos de suas imperfeições terrenas.
O conceito de "Purgatório" não é compreendido pelo Espiritismo como um local geográfico de tormentos físicos eternos ou aplicados por um Deus punitivo, mas sim como um estado moral de consciência — a erraticidade dolorosa — onde o espírito estagiário colhe as consequências lógicas de suas próprias escolhas e desvios morais.
O grau de sofrimento na dimensão espiritual está estritamente vinculado à intensidade do arrependimento e à natureza das faltas cometidas.
O fato de Marie Gabrielle descrever dores morais intensas, angústias e saudades de Deus reflete o processo de autoconfrontação do espírito com o seu passado.
As preces enviadas pelos vivos na carne — como as orações de Marie de la Croix — possuem real eficácia, pois o pensamento emitido com amor e fervor atua como fluido benéfico que consola, alivia e esclarece o espírito sofredor, estimulando-o ao arrependimento e ao progresso moral rumo a esferas mais luminosas.
Tais fatos também demonstram a universalidades dos fenômenos espíritas que não se isolam nas paredes teóricas do Espiritismo, mas constitui sensibilidade humana natural a todas as culturas, povos e religiões.
A mediunidade da irmã Marie de la Croix é um demonstrativo claro dessa amplitude de interface com o mundo espiritual, pela força dos fatos, mesmo não sendo uma prática contínua da Igreja Católica Apostólica Romana.
É mais uma demonstração de que no contexto existencial existe apenas um fato patente: vida – somente vida.
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Referências Bibliográficas
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 86. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006.
MARIA DA CRUZ, Irmã. O Manuscrito do Purgatório. Tradução baseada na edição francesa Le Manuscrit du Purgatoire. Anápolis: Editora Cidade do Imaculado Coração de Maria, 2005.
TAVARES, Clóvis. Mediunidade dos Santos. Brasília: FEB; Araras: IDE, 2015.
Comentário da questão 828 do Livro dos Espíritos
A palavra é força poderosa em todas as suas ressonâncias, no entanto, nem sempre o que se fala corresponde à vivência. É muito comum a criatura anunciar certas verdades, porém, se encontrar longe delas. Grandes homens comumente são liberais com os estranhos e carrascos com a própria família. Esforçam-se e, por vezes, sofrem para parecerem o que não são para os outros, por simples necessidade de manter a posição, mas os pensamentos que partem da sua realidade interna agitam em direção àqueles que vivem com eles, desfazendo dos esforços alheios que os ajudam no dia-a-dia. Esta é a verdade, entretanto, a vida não os despreza, procurando daqui e dali meios de os educar, pois este é o destino de todas as almas criadas por Deus.
A teoria quase sempre vem primeiro para os estudiosos da verdade, e os teóricos sabem das leis, mas não as vivem. É dessa falta que eles sofrem as consequências, que a mesma lei os castiga sem remissão. Os agentes de Deus têm tolerância para com essa faixa de almas, que representa quase toda a população da Terra, por saberem que não irão viver nessa postura eternamente. Algum dia, usarão as suas próprias forças para se corrigirem. As almas iluminadas, voltando ao passado, observamos que elas também passaram pelos mesmos processos de reajustamento espiritual. O "não julgueis para não serdes julgados" é ponto divino sobre como amar, ainda mais aos que não despertaram para o amor.
O Mestre dos mestres, que poderemos considerar como o canal da misericórdia para a humanidade, aliviava as faltas dos homens e, por vezes, lhes perdoava os pecados, não no sentido exato da palavra, porque misericórdia é alívio. Ele dizia quase sempre quando curava um enfermo: "Vai, e não tornes a pecar". E Lucas anotou no capítulo cinco, versículo vinte e três:
Qual é mais fácil, dizer:
Estão perdoados os teus pecados, ou levanta-te e anda?
Jesus aplicava todos os meios possíveis para aliviar e mesmo curar os enfermos dos seus males. Ò Senhor era liberal com todas as criaturas, por saber que todos são iguais, na igualdade com que Deus os criou. Os mais adiantados nos caminhos da espiritualidade são aqueles que usam teoria, sem esquecerem o esforço de viver o que falam e pregam aos outros. Podemos observar nesse tipo de Espírito a maturidade à vista.
Aquele que pretende parecer desperto em seus valores e não o é, engana-se a si mesmo, mas, como todo engano é breve, ele mesmo desconfia do seu comportamento, e a dor, os infortúnios e todos os tipos de problemas, fazem com que ele modifique o modo pelo qual vive, ganhando condições no trabalho de libertação, para se libertar definitivamente.
Deus sabe, e todos os benfeitores espirituais reconhecem, que não existe outra marcha em se estudando a ascensão dos Espíritos. Os recursos que têm para educar os homens, visam mostrar que devem se esforçar para melhorar, porém, sabemos que isso se processa passo a passo, na esteira do tempo.
Convém notar que todos passam por esses processos, e quem mais sabe disto é o Criador. Em todos os lances de Jesus, quando esteve na Terra junto aos homens, sentimos a irradiação da sua tolerância para com aqueles que descuidam da vivência das leis naturais, e isso ocorreu com os próprios discípulos do seu coração.
A liberalidade e a fraternidade devem ser exercitadas em todas as direções do viver, para que a vida se torne o verdadeiro amor.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez
30.9.26
GUERRA E PAZ
Soldado após a rígida campanha,
Guardando as palmas de ilusória lida,
Marchei de peito arfante e face erguida,
Crendo-me herói de olímpica façanha.
Mas, varando os umbrais da morte estranha,
Revivi, descontente, a própria vida,
E, muito embora os louros da acolhida,
Senti-me verme alçado na montanha.
Alma tocada de arrependimento,
Desperdiçara, em vão, força e cultura,
Qual chama entregue ao temporal violento.
Assim, entre a ventura e a desventura,
Sou rei na guerra de cruel tormento,
E mendigo de paz na sorte escura.
(*) depois de estudar no Stonyhust College, em Blackburn, Inglaterra, e bem assim na Áustria e na França, regressa José Albano da Europa e faz preparatórios no Liceu do Ceará. Em 1908, volta a Europa a serviço do Consulado Brasileiro, em Londres. Viaja, depois, por diversos países, inclusive a Grécia, Turquia, Palestina, Egito e Espanha, onde publica suas Rimas. No ano seguinte transfere-se definitivamente para a França, onde desencarnou. Dele, disse Mário de Alencar.
(apud Pan. V, pág. 220): «Conversando, sentia-se-lhe o orgulho, gerado por desdém e descontentamento dos homens e das coisas, do meio e do tempo. Criticava a todos e a tudo... » Vernaculista e poliglota, «era um gênio atribulado pela obsessão do perfeito». «Inquieto até o delírio, » – frisa a Ant. Cearense, pág. 254 – «impeliam-no na vida os mais desencontrados sentimentos e paixões. » (Fortaleza, Ceará, 12 de Abril de 1882 – Montauban (Tarn-et-Garone), França, 11 de Julho de l923.)
BIBLIOGRAFIA: Rimas de José Albano, Redondilhas; idem, Alegoria; idem, Canção a Camões; idem, Ode à Língua Portuguesa; Four-Sonnets by Joseph Albano with Portuguese Prosc-Translation; etc.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.
29.9.26
Mensagem publicada na página 04 da Gazeta de Limeira de 29.09.2026
FORMA DOS
ESPÍRITOS
Os
Espíritos não têm formas da maneira que se concebe, por viverem em uma faixa
diferente da vida física. Se tomarem alguma forma para se fazerem reconhecidos,
podem mudar na hora que lhes for conveniente. Sua mente é uma força que a tudo
transforma, com as bênçãos da sabedoria e do amor, conquistadas através dos
evos. Para Deus, o Espírito tem um esquema, tem uma forma ideada por Ele,
imutável na sua constituição divina. Há diferenças no que tange aos planos de
vida. Os que vivem em regiões inferiores têm necessidades que são dispensadas
nos planos elevados. Porém, todos caminham para a libertação espiritual. Há
regiões no espaço em que habitam Espíritos de formas grotescas, como de
verdadeiros animais e vivem como tais. Na região em que estagiamos e os homens
na carne não escapam a essa lei. O Espírito animalizado na carne não consegue
transformá-la, no entanto, tem as aparências do reino em que vive e pensa. E a
luz que nos circunda nos fala quem somos com clareza. A reencarnação é uma
bênção para os Espíritos inferiores, que eles próprios desconhecem. A carne é
uma esponja absorvente das mazelas. A carne é um esconderijo, senão um
conforto, para os prisioneiros da consciência. Os Espíritos não têm forma, sob
o ponto de vista da forma como pensas. No entanto, é uma chama divina, é uma
luz, com todas as qualidades a serem desabrochadas, de modo a enriquecer a
vida, lembrando o seu Criador. Não devemos parar de pesquisar, porém, devemos
fazer disso processos ensinados pelo Evangelho, estimulando as virtudes no
centro do coração, para que essa luz seja um sol a fim de confortar-lhe a
consciência.
Filosofia Espírita L.E.88 – João N. Maia
– Miramez – Toninho Barana.
28.9.26
Entrevista com Helder Camara
HC. Acontece sempre nos períodos eleitorais estas confusões, estes embates de parte a parte, é natural. Política é assim mesmo. Cada um que defenda o seu naco de verdade. A democracia se fortalece desse jeito. O que não é correto, absolutamente desaconselhável, é o uso da política para disseminar o ódio e colocá-la a serviço de objetivos espúrios.
CP. O senhor falou em disseminação do ódio. Eu me lembro que este comportamento é relativamente novo na política brasileira, pelo menos que eu conheça. Sempre houve o embate, o domínio das paixões pelos candidatos, mas ódio era uma questão localizada.
HC. Era sim, de certa forma! Havia mais respeito mesmo no trato das diferenças ideológicas. Era um outro nível de debate das ideias. Divergia-se, mas com respeito. Hoje, esta diferença se acentuou de tamanha maneira que beira ao ódio e à destruição do oponente. Isto é terrível. Lembro, porém, que no tempo da ditadura militar, de outra maneira, esta diferença, muitas vezes, foi pretexto para o extermínio do oponente. Morte mesmo. Assassinato. Desaparecimento de políticos e engajados na política. O ódio se transvestia de hipocrisia e o arbítrio e o autoritarismo mostrava as suas garras de maneira covarde e assassina.
CP. Não me lembrava disso. O senhor viveu isto na pele.
HC. Vivi. E era preciso ter muita coragem para enfrentar os poderosos daquela época, pois era a vida que estava em próprio risco. E eles eram ousados e frios. Um obedecia ao outro cegamente no submundo do poder. Ainda bem que isto acabou, mas não podemos ficar passivos diante de qualquer ameaça de tirania.
CP. O senhor acompanha o que está acontecendo na política brasileira?
HC. Muito mais do que se pode imaginar. Nós, espíritos comprometidos com o bem, não ficamos de braços cruzados esperando a boa sorte chegar. Não. Somos sujeitos ativos do amanhã no lado de cá da vida. Continuamos combativos e ativos. Agora mesmo enveredamos numa cruzada de paz na hora do voto. Há especulações que soubemos que no dia da eleição desejam armar situações inusitadas e já estamos trabalhando para dissipar estas iniciativas. Não dormimos eternamente por aqui como muitos pensam.
CP. Ontem surgiu uma notícia na mídia e redes sociais que dava conta da perseguição que se faria em torno de Nossa Senhora Aparecida. Até onde existe verdade nisso, o senhor sabe?
HC. Não, não sei. Não sei se é especulação ou é fato, vou pesquisar. O que posso dizer é que o nosso País é majoritariamente cristão nas crenças, o que não quer dizer que todos, como sabem, possuem as mesmas denominações religiosas. Cada um possui as suas particularidades e que devem ser respeitadas. A convivência pacífica entre as religiões exige tolerância e respeito. Não se pode confundir religião com política no sentido partidário, isto jamais, senão ficaremos escravos de uma elite religiosa no poder como era no passado. A diversidade deve ser respeitada.
CP. O senhor tem uma preferência nestas eleições presidenciais?
HC. Não tenho, apesar das simpatias naturais de pensamento. O que desejo é um Brasil melhor. Mais justo e soberano nas suas decisões. Um País que respeite seu povo, sobretudo o mais sofrido. Uma Nação que procure ser justa e mais igualitária. Um governo que seja de todos e não apenas de uma facção. Um governo bom é um governo que une os contrários e não aquele que estimula o conflito e a dissensão.
CP. O senhor tem a esperança que sairemos melhores desta eleição?
HC. Sinceramente não sei quem vai ganhar as eleições, mas tenho sempre a esperança que o povo sabe o que é melhor para ele, mesmo quando as decisões parecem equivocadas. O fato de acreditar em alguém que lhe estimule dias melhores é sempre um exercício de esperança, não é? Se este político ou esta corrente ideológica não corresponder às expectativas geradas, este mesmo povo troca de grupo na eleição seguinte. É assim que vive a democracia, não é mesmo?
CP. O problema é este, Dom Helder. Tem gente é democrata nas aparências...o senhor sabe disto.
HC. Sei, meu filho, como sei. As entranhas do poder são perigosíssimas. Você nem imagina o quanto. O antro de sujeitos que tramam a maldade na Terra é enorme. Incalculável. São eles que combatemos diuturnamente. Eles se infiltram na política e sorrateiramente trabalham para promover o caos. Não é uma questão ideológica esta ou aquela simplesmente. Estes inimigos do povo e da humanidade lutam para provocar o desentendimento geral. O Brasil, se não abrir os olhos, pode entrar para este grupo de atuação destes facínoras do mundo invisível.
CP. Jesus é progressista ou conservador?
HC. Jesus é amor, meu filho, Jesus é amor. A política do jeito que está aí ainda está distante de ser uma política voltada para os interesses do Cristo, mesmo e principalmente daqueles que abrem a boca supostamente para defendê-lo. Jesus trouxe uma nova lógica de vida para a humanidade e estamos ainda distantes dela. Sem uma nação justa não há Jesus. Sem uma nação alteritária não há Jesus. Sem uma nação fraterna não há Jesus. Sem uma nação amorosa e bondosa não existe Jesus.
CP. Jesus então ainda é uma ficção na Terra, a sua proposta, seu evangelho, sua mensagem...
HC. Claro que sim, mas é aí que nos levanta o ânimo de luta, exatamente porque há um grande espaço de mudança e de trabalho para um mundo melhor. É aí que se agigantam as palavras imorredouras e sábias de Jesus. O evangelho de Jesus é a maior plataforma moral de transformação da sociedade. Precisamos urgentemente acordar para esta realidade. Não falo de religião, falo de valores, falo de princípios morais de regeneração da condição humana no planeta.
CP. Dom Helder, o papo não vai ter fim porque há muitas nuanças a serem exploradas. O que senhor gostaria de deixar nesta nossa conversa?
HC. Que sigam literalmente a Jesus! Jesus é a pedra central das nossas ações. Ele não estava de brincadeira quando afirmou que seu reino ainda não era deste mundo, mas deixou uma promessa nas entrelinhas que um dia seria. Para isso, plantou as sementes do projeto de Reino de Deus para todos nós. E ele cumpre esta promessa há mais de dois mil anos. Nossa Terra será outra, sem antes, porém, infelizmente, passarmos por dissabores que servirão de lição para construirmos esta nova era. Muita água ainda vai rolar, mas no fim preponderá a palavra e a vontade de Jesus. Creia nisto!
26.9.26
ESPALHA A MENSAGEM
Que a existência na Terra é passageira,
Igual à luz do dia que se esgueira
Na escuridão da noite em horas mudas.
Arrima-te na fé em que te escudas
E segue sempre, de alma sobranceira,
Espalhando a mensagem alvissareira
Nas bênçãos do Evangelho que desnudas.
Fala de amor a quem se desconsola,
Na solidão da prova em que se isola,
Sem mais ter esperança ou ideal...
Levanta a tua voz anunciando,
A quem segue na estrada soluçando,
Que Jesus Cristo vence todo o mal!...
Eurícledes Formiga - Blog Espiritismo em Prosa e Verso
24.9.26
À frente da morte
Tuas lágrimas são gotas de fel em sua taça de esperança.
Tuas aflições são espinhos a se lhe implantarem no coração.
Tua mágoa destrutiva é como neve de angústia a congelar-lhe os sonhos.
Tua tristeza inerte é sombra a escurecer-lhe a nova senda.
Por mais que a separação te lacere a alma sensível, levanta-te e segue para a frente, honrando-lhe a confiança, com a fiel execução das tarefas que o mundo te reservou.
Não vale a deserção do sofrimento, porque a fuga é sempre a dilatação do labirinto em que nos arroja a invigilância, compelindo-nos a despender longo tempo na recuperação do rumo certo.
Recorda que a lei de renovação atinge a todos e ajuda quem te antecedeu na grande viagem, com o valor de tua renúncia e com a fortaleza de tua fé, sem esmorecer no trabalho — nosso invariável caminho para o triunfo.
Converte a dor em lição e a saudade em consolo, porque, de outros domínios vibratórios, as afeições inesquecíveis te acompanham os passos, regozijando-se com as tuas vitórias solitárias, portas adentro de teu mundo interior.
Todas as provas objetivam o aperfeiçoamento do aprendiz e, por enquanto, não passamos de meros aprendizes na Terra, amealhando conhecimento e virtude, em gradativa e laboriosa ascensão para a vida eterna.
Deus, a Suprema Sabedoria e a Suprema Bondade, não criaria a inteligência e o amor, a beleza e a vida, para arremessá-los às trevas.
Repara em torno dos próprios passos. A cada noite no mundo segue-se o esplendor do alvorecer.
O inverno áspero é sucedido pela primavera estuante de renascimento e floração.
A lagarta, que hoje se arrasta no solo, amanhã librará em pleno espaço com asas multicolores de borboleta.
Nada perece. Tudo se transforma na direção do Infinito Bem.
Compreendendo, assim, a verdade, entesourando-lhe as bênçãos, aprendamos a encontrar na morte o grande portal da vida e estaremos incorporando, em nosso próprio Espírito, a luz inextinguível da gloriosa imortalidade.
Livro Escrínio de Luz - Francisco Cândido Xavier - Emmanuel
23.9.26
Comentário da questão 827 do Livro dos Espíritos
Se o homem não respeitar seu companheiro em caminho, como poderá exigir que seja respeitado? E como ficaria o mundo se não houvesse esse respeito mútuo? Se retornarmos à Idade Média poderemos imaginar como ficaria...
Temos obrigação espiritual de observar o direito dos outros porque se não agirmos assim, estaremos desrespeitando o próprio Deus que criou todos iguais.
Disse Jesus, analisando os dez mandamentos dados a Moisés:
Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos.
E acrescenta o Mestre:
- Aí estão todas as leis e os profetas.
Nossos direitos são limitados pelos do nosso próximo. Os limites são traçados por Deus, para a paz de todas as criaturas. Criaram-se leis, por causa da ignorância dos direitos alheios. Quando toda a humanidade compreender o amor e amar no sentido universal, certamente que não será mais necessário recorrer às leis.
Um cientista ou um mestre não encontra mais sentido nos primeiros anos de estudo em uma escola básica. Se quer aprender mais, avança mais além. Os primeiros anos de escola são para as crianças. Assim é na vida; as primeiras leis de disciplina são para os indisciplinados.
Jesus já dizia: - "Não façais aos outros, o que não quereis para vós." Podemos perguntar a nós mesmos em monólogo: queremos ser desrespeitados? Certamente que não; então, respeitemos os outros, que a justiça nos devolverá segundo fizermos.
O respeito aos outros nunca tira o direito de pertencer a si mesmo, porque cada criatura é um mundo onde vibram todas as leis universais, que comandam o Espírito imortal para a paz de todo o complexo físico, que se interliga no mundo espiritual, pois tudo saiu da mesma fonte divina. Os dois mundos se entrelaçam, em junção harmoniosa, porque sem um o outro não pode viver.
As necessidades humanas recorrem sempre aos valores do Espírito. Vejamos o que aconteceu com Paulo, citado em Atos dos Apóstolos, no capítulo dezenove, versículo seis:
E impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas, como profetizavam.
Como não respeitar os outros, se precisamos deles? Foi preciso o Espírito intervir pelos canais mediúnicos de Paulo, para ajudar, curando e instruindo aos que precisavam das bênçãos de Deus. Se queremos paz, façamos boas obras onde estivermos, que essa paz se transforma, por justiça, no que possa nos fazer bem. Somos o que fazemos pelos outros. Não é preciso que os olhos humanos nos acompanhem os passos; a nossa própria consciência guarda o que pensamos e fazemos. Ainda mais, emitimos imagens do que pensamos, empregando o fluido cósmico como livro da natureza, onde nós mesmos escrevemos nossa condenação ou absolvição.
As leis de Deus não erram em seus julgamentos e entregam a cada um o que se fez para merecer nos campos da vida. Cada existência que tivermos é, pois, uma página que escrevemos. Nós mesmos iremos lê-las depois, e o tribunal da consciência decidirá o que receberemos pelo que fizemos. Essa é a lei.
A consciência é Deus dentro de nós, como centelha abençoada, que tudo grava sem precisar de acusar nem perseguir aos que erram. O próprio Espírito se condena, pelo que sobe da profundidade do ser para a mente, que é parte da consciência profunda. Se amarmos como o amor se expressa na vida, estaremos amando a Deus e ao próximo, e somente o amor nos salvará da opressão da consciência.
A nossa liberdade natural cresce com o crescimento da fraternidade universal exercida em nossos caminhos.
Livro Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez
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