9.9.26

GLÓRIA DO MUNDO

José Guedes*
 
Suspenso em pleno peito amplo vergel florido,
Existe qual jardim sem espinho e sem hera...
Por mais chuva ou mais sol, conserva o colorido,
E, embora o frio em torno, esplende em primavera...
 
Do regato a jorrar não se escuta um gemido...
Nas brisas de perfume o amor jamais se altera...
E nesse abrigo santo, em pétalas tecido,
A doçura vigia em generosa espera...
 
Remanso de bondade em divino transporte,
Oásis no deserto a sorrir para a morte,
Quem consegue exaltar esse ninho fecundo?...
 
Só Deus!... Só Deus, usando a luz da aurora acesa,
Poderá definir a infinita grandeza
Do coração de mãe como a glória do mundo!...
     
(*) Poeta, jornalista e polemista, colaborou nas mais importantes revistas simbolistas do Paraná. Falando sobre o seu único livro de versos, Fernando Góes (Pan. IV, pág. 221) conclui: «Poemas de alguém que teve uma vida de sofrimentos e que giram em torno do amor à família, da morte, da dúvida, da dor. De forma descuidada – Ismael confessa faltar-lhe o «segredo da Forma;>, o «mérito da Arte» – esses versos são confissões e às vezes pungentes desabafos. » Pertenceu ao Centro de Letras do Paraná, do qual fora sócio fundador, e é, na Academia Paranaense de Letras, o patrono da cadeira nº. 34. (Campo Largo, Paraná, 27 de Julho de 1876 – Curitiba, 7 de Dezembro de 1926).   
BIBLIOGRAFIA: Ciclos, versos; A Mocidade de Hoje, prosa; etc.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

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