3.9.26

FILOSOFANDO

Casimiro cunha *
 
A quem saiba agradecer,
Cumprindo voto e promessa,
A vida entrega recursos
Muito acima do que peça.
             *
 Resguarda a ponderação
Por bênção de cada dia.
E’ no riso e na conversa
Que a loucura principia.
             *
 Foge ao luxo de sentir
Preguiça, fastio e tédio.
Quem desiste do trabalho
E’ doente sem remédio.
             *
  Elogia sóbriamente
Na palavra que desdobras.
Se o fogo sai dos limites,
162     Arrasa com as boas obras.
             *
 Muitos alcançam no mundo
Dinheiro, glória e ciência,
Mas pouca gente consegue
A força da paciência.
             *
Estuda, ampara, semeia,
Constrói, auxilia e emenda.
Enquanto estás no serviço,
Ninguém te vê na contenda.
            *
Ora e vigia. O perigo
E’ maior no coração
Da pessoa que se sente
Distante da tentação.
            *
Abraça, na tolerância,
Estrada, clima e dever.
Jamais exijas dos outros
O que não possas fazer.
     (*) Órfão de pai aos sete anos, tendo cursado apenas as primeiras letras em escolas primárias, Casimiro Cunha, depois de haver uma vista aos 14 anos por acidente, cegou da outra aos 16. Adolescente, ainda, colaborou na impressa vassourense. Desde que se tornou espírita confesso, estendeu aos periódicos espiritistas, principalmente ao Reformador, a sua produção poética. Foi um dos fundadores do Centro Espírita “Bezerra Menezes”, de Vassouras. Mário Cis era o pseudônimo que ele comumente usava. Prefaciando o primeiro livro do poeta – Singelos -, M. Quintão chegou a afirmar que ele “fechara os olhos às misérias da Terra, para melhor entrever as belezas do Céu”. Jamais se lhe ouviu dos lábios um queixume, uma palavra de revolta. Era a resignação em pessoa. “Alma feita de luz,” – afirmou-o Armando Gonçalves (Colar de Pérolas, pág. CXXVI) – “é um dos mais vigorosos literatos que enchem de orgulho o torrão fluminense.” (Vassouras, Estado do Rio, 14 de Abril de 1880 – Vassouras, 7 de novembro de 1914.)
     BIBLIOGRAFIA: a) do homem terreno: Singelos; Efêmeros; aves Implumes; Pétalas; Perispíritos; Álbum de Delba, póstumas.
     b) do poeta desencarnado: Cartas do Evangelho; cartilha da Natureza; História de Maricota; Gotas de Luz – todas pelo médium Francisco Cândido Xavier; Juca Lambisca e Timbolão – pelos medianeiros desta Antologia.
13. Leia-se in-com-preen-sões,com sinérese.
18. Ler no/ ar, em duas sílabas.
83. Cf. a nota nº. 13 deste capítulo.
114. Note-se a mestria com que o poeta se serviu do bordão: “Simplifica, simplifica.”
162. Leia-se com as, em uma sílaba (Ectlipse).
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

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