Se ontem, atribulado, andei sem rumo certo,
Nômade do ideal, gemendo estrada afora,
Hoje, crente, proclamo, ao coração que chora,
A alegria imortal do espírito liberto...
Renovado, feliz, vou pelo mundo agora,
Já não mais como fui, amargando o deserto,
E antevejo o painel do futuro entreaberto,
Em torrentes de amor a crescer hora a hora...
Em Jesus encontrei o Mentor dos Mentores,
A guardar no Evangelho a Cartilha Suprema,
Libertarão do mal, consolação nas dores.
Glorificado seja o Senhor Bem Amado,
Erguendo a liberdade ao pé de cada algema,
Pregando a redenção para todo culpado!...
(*) Poeta, jornalista e polemista, colaborou nas mais importantes revistas simbolistas do Paraná. Falando sobre o seu único livro de versos, Fernando Góes (Pan. IV, pág. 221) conclui: «Poemas de alguém que teve uma vida de sofrimentos e que giram em torno do amor à família, da morte, da dúvida, da dor. De forma descuidada – Ismael confessa faltar-lhe o «segredo da Forma;>, o «mérito da Arte» – esses versos são confissões e às vezes pungentes desabafos. » Pertenceu ao Centro de Letras do Paraná, do qual fora sócio fundador, e é, na Academia Paranaense de Letras, o patrono da cadeira nº. 34. (Campo Largo, Paraná, 27 de Julho de 1876 – Curitiba, 7 de Dezembro de 1926).
BIBLIOGRAFIA: Ciclos, versos; A Mocidade de Hoje, prosa; etc.
Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.
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