15.12.18

Volta, Senhor!


Volta, Senhor, ao longo dos caminhos,
Que outrora percorreste, sobre a Terra,
Anjo da Paz do Céu, em meio à guerra,
Que as almas prende a rudes pelourinhos...

De cidade em cidade, serra em serra,
Volta a plantar mais flores entre espinhos,
Acendendo mais luz nos torvelinhos
Da descrença em que o homem inda se encerra...

Volta, Senhor, agora em teu Natal,
Hoje, amanhã e sempre, que, afinal,
Amor igual ao Teu não pode haver...

Volta, de novo, e não nos deixes mais,
Entregues a nós mesmos que jamais
Saberemos, sem Ti, o que fazer!...

Eurícledes Formiga – Blog Espiritismo em Prosa e Verso
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã de sábado do dia 8 de dezembro de 2018, em Uberaba – MG).

14.12.18

A Religião dos homens e a Religião de Deus


    "Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás ao teu inimigo. Eu porém vos digo: Amai aos vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos Céus, porque Ele faz nascer o seu Sol sobre os bons e sobre os maus, e vir suas chuvas sobre os justos e injustos. Porque, se amardes aos que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos o mesmo? E se saudardes somente aos vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem os gentios também o mesmo? Sede vós, pois, perfeitos, como o vosso Pai celestial é perfeito".
(Mateus, V, 43-48. )
    "Mas os fariseus, sabendo que Jesus fizera calar os saduceus, reuniram-se; e um deles, doutor da lei, para o experimentar, fez-lhe esta
pergunta: Mestre, qual é o grande mandamento da lei?
    "Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo semelhante a este é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Estes dois mandamentos resumem toda a lei e os profetas". (Mateus, XXII, 34-40. )

    A religião dos homens não é a religião de Deus. A religião dos homens se resume nos sacramentos: batismo, confissão, crisma, matrimônio, missas, extrema-unção, procissões, festas, dias-santos.
    A religião de Deus é caridade, misericórdia, paz, paciência, tolerância, perdão, amor a Deus, amor ao próximo.
    A religião dos homens é misericórdia sujeita ao numerário.
    A religião de Deus está isenta do dinheiro do mundo.
    A religião dos homens circunscreve a razão e o sentimento, prescrevendo a ignorância; não admite a evolução.
    A religião de Deus reclama o estudo e proclama o progresso.
    A religião dos homens consiste em dogmas e mistérios que a consciência repele e o sentimento repudia.
    A religião de Deus derruba as barreiras do sobrenatural e afirma que nunca disse, nem dirá a última palavra, porque é de evolução permanente.
    A religião dos homens escraviza as almas, escraviza a inteligência, anula a razão, condena a análise, a investigação, o livre-exame.
    A religião de Deus manda ao indivíduo, como Paulo, examinar tudo, crescer em todo o conhecimento, fazer o estudo crítico do que lhe for apresentado para separar o bom do mau e não ter tropeço no "dia do Cristo".
    A religião dos homens não tem espírito: para ela o Evangelho é letra-morta, não tem a palavra de Jesus; seus santos são de pau e barro; suas virtudes, de incenso e alfazema; suas obras são folguedos, festanças com alarido de sinos, de foguetes, de fanfarra; seus ornamentos, de fitas e papéis de cores.
    A religião de Deus é vivificada pelo Espírito da vida eterna, é acionada pelas Revelações sucessivas, baseia-se na palavra de Jesus, nos Evangelhos, nas Epístolas Apostólicas. Seus santos são espíritos vivos, puros, ou que se estão purificando e que vêm comunicar-se com os homens na Terra, para guiá-los à verdade; suas virtudes são as curas dos enfermos operadas por esses Espíritos, as manifestações de materializações, de transportes, de fotografia, que vem dar a certeza da imortalidade e estabelecer a verdadeira fé.
    A religião dos homens é a aflição, o desespero, a morte; ao doente ela só oferece a confissão auricular; ao agonizante a extrema-unção e depois da morte o De-Profundis com as subseqüentes missas, que constituem um gravame eterno para a família do morto.
    A religião de Deus é a consolação, a esperança, a vida: ao doente dá remédios, fluidos divinos para lenir o sofrimento; ao agonizante desvenda o reino da imortalidade e afirma o prosseguimento da vida independente da vida na Terra; dá de graça a misericórdia, cerca o paciente de amor e a todos recomenda a oração gratuita como meio de auxiliar os que sofrem.
    A religião dos homens é composta de uma hierarquia que começa no pequeno cura de aldeia para se elevar através das dignidades de cônego, monsenhor, bispo, arcebispo, cardeal, ao caporal maior, o Sumo Pontífice Infalível, o Papa; cada qual se distingue pela tonsura, vestimenta, rubis, pedrarias de esmeraldas, brilhantes, diamantes e roupagens de seda, de púrpura, de
holanda: obrigando o hábito a fazer o monge.
    A religião de Deus é ministrada pelo Espírito, por intermédio dos dons espirituais de que fala o grande apóstolo da luz em sua gloriosa Epístola, hoje de divulgação mundial; ela não distingue o religioso, o cristão, pelo hábito, pela opa, pela batina, pelos anéis, pela coroa, pela mantilha, pelos rosários, pelas medalhas, pelas cruzes, porque qualquer tartufo ou "tartufa"
pode usar essas insígnias; mas reconhece o cristão, o religioso pelo caráter, pelo critério, pela fé que dele emana, pela caridade que o caracteriza, pela esperança não fingida que manifesta.
    A religião dos homens persegue, anatematiza, odeia e calunia os que são descrentes.
    A religião de Deus perdoa, ora, auxilia, serve e ampara seus próprios perseguidores, detratores, caluniadores e adversários.
    A religião dos homens se ilumina à luz do azeite, da cera, da eletricidade.
    A religião de Deus é a luz do Mundo e de todo o Universo. A religião dos homens é insípida, corruptível; usa o sal material.
    A religião de Deus é o sal da Terra: conserva, transforma, purifica.
    A religião dos homens tem igrejas de pedra, de terra, de cal, de ferro, de madeira.
    A religião de Deus tem por igreja, como disse o apóstolo, almas, Espíritos vivificantes.
    As igrejas dos homens são de matéria inerte, caem ao embate dos ventos, das tempestades, das correntezas.
    Contra a Igreja de Deus os elementos não prevalecem; ela é imperecível e se nos mostra cada vez mais viva, mais luminosa.
    A religião dos homens é a opressão, o orgulho, o egoísmo, a mercancia.
    A religião de Deus é a da liberdade, da humildade, do amor, do desinteresse. A religião dos homens não é a religião de Deus: a religião dos homens é a dos homens e para os homens.
    A religião de Deus é a luz universal que proclama a verdade, o caminho e a vida, repetindo a palavra do incomparável sábio e santo, Jesus o Cristo:
Amai os vossos inimigos; orai pelos que vos caluniam; que a vossa justiça seja maior que a dos escribas e fariseus; amai a Deus e ao próximo, porque neste amor se fundam a lei e os profetas; sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai celestial!

Livro: Parábolas e Ensinos de Jesus -  Cairbar Schutel.

13.12.18

O PODER DA VONTADE


Questão 475 do Livro dos Espíritos

Para libertar-se da dominação de Espíritos inferiores é indispensável cortar a sintonia que temos com eles. Já dissemos muitas vezes que a obsessão, e mesmo a possessão, é processo de afinidade espiritual do obsediado com o obsessor.
O poder da vontade é válido, mas não é somente pela vontade que se pode ficar livre dos Espíritos perseguidores; a razão nos fala que devemos nos livrar desse tipo de companhia mudando o modo de pensar e, certamente, de viver. Os corvos sobrevoam onde o cheiro os atrai; as moscas procuram ambiente que lhes convém; e assim, os homens buscam sempre o ambiente da sua natureza íntima e atraímos Espíritos da nossa mesma faixa de entendimento. Deves fortalecer o poder da vontade, que é o teu dever, porém, deves usar essa vontade forte para o aperfeiçoamento das qualidades espirituais que carregas no coração.
Existem vários tipos de Espíritos; os dominadores são os piores, pois eles emitem forças negativas para nos dominar, de acordo com as suas idéias de escravidão. Compete-nos reagir com as nossas forças igualmente, mas, também nos esforçando para sair da dependência, e isso se opera com a nessa renovação espiritual, modificando as nossas atitudes, a nossa vida.
Pureza mental não é fácil de conquistarmos, todavia, nunca é impossível. Depois que passarmos ao domínio de nós mesmos, nunca mais voltaremos atrás, porque a vida é crescente, buscando o infinito. A nossa alegria é que a felicidade existe e todos poderemos encontrá-la, ficando com ela eternamente, quando a vida se constituirá em um verdadeiro condicionamento de firmeza de princípios, que encontrará afinidade em nosso mundo interior, espraiando-se em toda a extensão infinita interna, acendendo luzes e edificando o amor nas linhas da fraternidade. Se te modificares e te integrares com a caridade, é certo que somente Espíritos da mesma índole aproximar-se-ão do teu coração.
A religião menos procurada no mundo terreno é a mais perfeita: a religião do amor. Ela pode tomar muitos nomes, mas é sempre a mesma, é o sol da Divindade saída dos lábios de Jesus. A Terra, antes de Cristo, conhecia o nome amor, mas, fazia dele um processo de interesse próprio. Depois do Mestre, esse amor tornou-se um brilhante, transmutando-se em todas as virtudes do bem, capaz de levar as criaturas para a verdadeira paz íntima. O amor é a maior expressão de Deus por onde ele vibre.
Desenvolve o poder da vontade, mas saibas usar esse poder da tua mente, colocando os teus sentimentos a serviço da dama mais iluminada da Terra: a caridade, com as suas divisões benfeitoras e fiéis à fraternidade. Tudo que fizeres, faze-o com amor. Ele sempre dá um toque de luz nos impulsos da vida, libertando-te de todas as injúrias que venhas a encontrar nos caminhos do despertamento espiritual.
Para nos livrarmos das más companhias, necessário se faz criemos ambiente para que os bons companheiros possam encontrar em nós afinidades onde vibram seus corações. Meditemos em Jesus, de modo que a Sua presença em nós faça renovar nossos sentimentos, nos indicando o que devemos fazer da vida. A possessão não nos domina completamente; e ficando um resto de luz nas idéias, podemos fazer dela um caminho para o arrependimento.
Busquemos o Evangelho, para que ele possa nos induzir à renovação da vida no coração da própria vida. Jesus nunca fica longe dos Seus tutelados. Ele está estendendo Suas mãos, permanentemente, em procura das nossas. Aceitemos o Seu chamado.

Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez - Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

12.12.18

FENÔMENO MEDIÚNICO


Questão nº525

O fenômeno mediúnico é de todos os tempos e ocioso seria mostrar, num estudo simples, o papel que lhe cabe na gênese de todos os caminhos religiosos.
Importa anotar, porém, que os povos primitivos, sentindo a influência dos desencarnados a lhes pesar no orçamento psíquico, promovem medidas com que supõem garantir-lhes segurança e tranqüilidade no reino da morte.
Egípcios, assírio-caldeus, gregos, israelitas e romanos prestam-lhes homenagens e considerações.
E para vê-los e ouvi-los conservam consigo certa classe de iniciados característicos.
Equivalendo aos médiuns modernos, havia sacerdotes em Tebas, magos em Babilônia, oráculos em Atenas, profetas em Jerusalém e Arúspices em Roma.
Administrações e cometimentos, embaixadas e expedições, exércitos e esquadras movimentam-se, quase sempre, sob invocações e predições.
A civilização faraônica adquire mais largo esplendor, ao pé dos túmulos.
A comunidade ninivita consulta adivinhos e astrólogos.
Especifica a tradição que a alma de Teseu, em refulgente armadura, guiava as legiões helênicas, em Maratona.
Conta o Velho Testamento que dedos intangíveis escrevem terrível sentença no festim de Baltasar.
A sociedade patrícia celebra as festas lemurianas, com o intuito de apaziguar os espíritos errantes.
Contudo, quase todas as manifestações de intercâmbio, entre os vivos da Terra e os vivos da Espiritualidade, evidenciavam-se mescladas de sombra e luz.
No delírio de símbolos e amuletos, em nome dos mortos, estimulavam-se preces e libações, virtudes e vícios, epopéias e bacanais.
Com Jesus, no entanto, recolhe o homem o necessário crivo moral para definir responsabilidades e objetivos.
Em sua luminosa passagem, o fenômeno mediúnico, por toda parte, é intimado à redenção da consciência.
É assim que surpreendemos o Divino Mestre afirmando-se em atitudes claras e decisivas.
Não somente induz Maria de Magdala a que se liberte dos perseguidores invisíveis que a subjugam, mas também a criar, em si própria, as qualidades condignas com que se fará, mais tarde, a mensageira ideal da ressurreição.
Socorre, generoso, os alienados mentais do caminho, desalgemando-os das entidades infelizes que os atenazam; contudo, entretém-se, ele mesmo, com espíritos glorificados, no cimo do Tabor.
Promete a Simão Pedro auxiliá-lo contra o assalto das trevas e, tolerando-lhe pacientemente as fraquezas na hora da negação, condu-lo, pouco a pouco, à exaltação apostólica.
Honorificando a humildade de Estevão, que suporta sereno as fúrias que o apedrejam, aciona-lhe os mecanismos da clarividência, e o mártir percebe-lhe a presença sublime, antes de se render à imposição da morte.
Compadece-se de Saulo de Tarso, obsidiado por seres cruéis que o transformam em desalmado verdugo, e aparece-lhe, em espírito, na senda de Damasco, para ensiná-lo, através de longos anos de renunciação e martírio, a converter-se em padrão vivo de bondade e entendimento.
E continuando-lhe o ministério divino, dispomos hoje, na Terra, da Doutrina Espírita a restaurar-lhe as lições como força que educa o fenômeno psíquico, joeirando-lhe as expressões e demonstrando-nos a todos que não bastam mediunidades fulgurantes, endereçadas ao regozijo da inteligência, no palanque das teorias ou no banquete das convicções, e sim que, sobretudo, é inadiável a nossa purificação de espírito para o levantamento do Bem Eterno.

Livro “Religião dos Espíritos” –  Francisco C. Xavier – Emmanuel – Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

11.12.18

XXVIII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO”

– ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

No capítulo V – “Operações Seletivas”, de “Libertação”, André Luiz descreve a triagem a que os espíritos eram submetidos, semanalmente, por “juízes implacáveis”, qual se, realmente, tivessem “montado” ali, no palacete de Gregório, um tribunal inquisidor.
Curioso! A ideia que o estudioso mais arguto pode extrair do fato é que os espíritos, que haviam pertencido à Igreja de Roma, não tendo, além da morte, encontrado o Céu e o Inferno, tomavam a justiça em suas próprias mãos.
*
As “operações seletivas”, segundo André, realizavam-se “com base nas irradiações de cada um”, a partir das emanações de seu corpo espiritual, sendo feitas com “instrumentos”, talvez, semelhantes ao chamado “Kirlian”, “acidentalmente” descoberto, em 1939, por Semyon Kirlian, e que ainda esperam por maior aperfeiçoamento na Terra.
*
Entre André e Gúbio, então, desenvolve-se interessante diálogo:
- Todas as entidades vieram constrangidas, conforme sucedeu conosco? Há espíritos satânicos recordando as oleografias religiosas da Crosta, disputando as almas no leito de morte?
O Instrutor respondeu, esclarecendo:
- Sim, André, cada mente vive na companhia que elege. Semelhante princípio prevalece para quem respira no corpo denso ou fora dele. É imperioso reconhecer, porém, que a maioria das almas asiladas neste sítio vieram ter aqui, obedecendo a forças de atração. (...)
Na sequência, indaga o Autor espiritual:
- Oh! – exclamei em voz sussurrante – por que motivo confere o Senhor atribuições de julgadores a espíritos despóticos? Por que estará a justiça, nesta cidade estranha, em mãos de príncipes diabólicos?
Gúbio esclarece:
- Quem se atreveria a nomear um anjo de amor para exercer o papel de carrasco? Ao demais, como acontece na Crosta Planetária, cada posição, além da morte, é ocupada por aquele que a deseja e procura.
*
A esta altura, solicitamos permissão para perguntar aos nossos irmãos e irmãs internautas:
- Como será o Mundo Espiritual dos seguidores do Islamismo, os nossos irmãos fieis à palavra do profeta Maomé, contida no “Corão”?
E o dos seguidores de Buda, os chamados budistas, que acreditam na existência do Nirvana?
E o dos judeus, adeptos do Judaísmo, que, em sua maioria, acreditam na ressurreição em um mundo futuro?
E o de profitentes de outras crenças religiosas, levando-se em consideração que, na atualidade, o número de religiões no mundo ultrapassa dez mil?...
*
André Luiz, Gúbio e Elói estariam, porventura, em visita àquela “cidade estranha”, dominada pelos “gregorianos”, visitando uma cidade habitada pelos adeptos do Espiritismo?!
Pode-se, ainda, dizer que mesmo “Nosso Lar”, situada em plano superior da Dimensão Umbralina, é caracterizada como cidade espírita?!
O Mundo Material que habitam os homens na Terra não lhes será apenas um reflexo do Mundo Espiritual mais próximo, e vice-versa?!...
Recorremos aqui à “bancada universitária espírita” para que, evidentemente, nos socorram nas respostas de semelhantes questões.
- Espíritas! Vamos pensar! Aonde é que vocês andam com a cabeça?!...

INÁCIO FERREIRA – Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 10 de dezembro de 2018.

10.12.18

Deus, uma Realidade


Alguém, certa vez, afirmou que não precisaríamos de Deus. Simplesmente apagaríamos esta ideia e o mundo continuaria sendo o mesmo eternamente.
Deus, segundo esse raciocínio, é uma fábula humana, uma criação desnecessária, o homem, por si só, teria condições de se explicar e a tudo que o cerca.
Para que Deus? Para quem segue esta lógica, Deus representa apenas uma figura de retórica e instrumento de manipulação de gente ignorante.
Hodiernamente, uma nova classe de anti-Deus se posta na trincheira ateísta. Os novos cientistas de plantão acham absurda a ideia de Deus. Deus é uma invenção, Deus é um delírio dos povos.
Contra essa corrente de opinião, pautada pela ignorância divina na criação, aportam-se os deístas de toda ordem.
Uns, o supremo arquiteto do universo e causa racional da humanidade.
Outros, o miraculoso, o que tudo pode e faz, o que governa as nossas vidas, o tirano, de certa forma.
Alguns mais atribuem a Deus o papel paternalista, de acobertador das nossas imperfeições e males, super protetor dos seus filhinhos indefesos e incautos.
Há outras explicações e derivações da concepção divina, mas quero atribuir a minha aqui neste espaço.
Deus é tudo, é a potência máxima, é a razão de ser do universo, da imensa criação, o principio de tudo, onde tudo se originou e para onde todos caminharão.
Não crer na Sua existência é tolice de materialistas prepotentes. Lógico que Deus nunca existiu com os atributos humanos que lhe desenharam, no entanto, diminui-lo pela nossa pequenez e dizer que Ele é uma invenção da imaginação humana é desprezar a totalidade e perfeição do Cosmos e da natureza que nos abriga.
Crer que tudo é obra do acaso, que criou-se fortuitamente, que apareceu do nada, é absurdo maior.
Por não ter a explicação total, por não compreender a sua plenitude, por não conseguir chegar até Ele, não quer dizer que Ele não exista.
Apequenar Deus, aliás, tem sido a preocupação dos homens, poucos desses quiseram aceitar o desafio de tentar entende-lo pela lógica da máxima grandeza possível.
Deus, porém, creio, não está nem aí para isso, para os rebeldes de Sua criação.
Ele é aquele ou o que podemos atribuir a excelsitude. Não podemos compreendê-lo na sua inteireza, podemos, entretanto, atribuir, mesmo que distorcidamente, uma ideia do que Ele poderia vir a ser.
Tenhamos calma, pois logo-logo haveremos de subir um degrau a mais na trajetória humana da terra e aí compreenderemos um pouco mais da Sua verdadeira face.
Acalmemos os nossos ânimos diante desses improváveis autossuficientes e pautemos a nossa conduta de adoração respeitosa e de encaminhamento de sua ação venturosa em nossas vidas.
Aos que Nele acreditam ou percebem sua presença grandiosa, sejamos os continuadores de Sua obra interminável.
 Joaquim Nabuco – Blog Reflexões de um Imortal.

9.12.18

A REENCARNAÇÃO


    I. A VOLTA DO ESPÍRITO À VIDA CORPÓREA
    a) Metempsicose.
    Na Antiguidade, povos da Ásia (como os indus), da África (os egípcios) e da Europa (gregos, romanos e os celtas) acreditavam que o espírito do homem poderia voltar a viver na Terra em uma nova existência. Alguns deles acreditavam que pudesse vir a animar um corpo de animal e vice-versa, teoria esta denominada de Metempsicose.
    Esclarece a Doutrina Espírita que essa volta em corpo animal é impossível, pois o espírito nunca retrocede no grau de evolução alcançado, podendo apenas estacionar, temporariamente.
    b) Ressurreição.
    Era crença entre os judeus antigos a ideia de que uma pessoa, depois de morta, podia ressuscitar, isto é, ressurgir, reaparecer neste mundo. Diziam ressurreição para qualquer manifestação do espírito, fosse em vidência, aparição, materialização.
    Algumas religiões atuais falam de ressurreição como a volta à vida no mesmo corpo.
    A Ciência demonstra, porém, que a  ressurreição da carne é materialmente impossível já que, com a morte, o corpo entra em decomposição e as substâncias que o compunham se transformam e são  reaproveitadas dentro do ciclo biológico.
    E o apóstolo Paulo também já esclarecia que "a carne e o sangue não podem herdar o reino dos céus", (1 Cor. 15, v. 50) e que é "espiritual" o corpo (perispírito) com o qual continuamos a viver no Além e com o qual ressurgimos, reaparecemos, após a morte física (v. 45).
    No Evangelho encontramos menções de pessoas que teriam sido "ressuscitadas" por Jesus (Lázaro; o filho da viúva de Naim; a filha de Jairo, chefe da sinagoga de Cafarnaum). É que, naquele tempo, confundiam com a morte os estados de catalepsia ou de letargia; nesses estados anormais e às vezes patológicos, há perda temporária da sensibilidade e do movimento e rigidez muscular plástica; na catalepsia isso é parcial; é geral na letargia, um sono patológico que dá ao corpo a aparência de morte real.
Jesus não "ressuscitou" aquelas pessoas; o que fez foi corrigir com seu magnetismo superior o estado físico doentio, anormal, e ordenar com sua autoridade moral, que seus espíritos retomassem a atividade normal através do corpo, que ainda não havia morrido e do qual, portanto, ainda não se haviam desligado totalmente.
    c) Reencarnação.
    A Doutrina Espírita não endossa a teoria da Metempsicose nem a da Ressurreição da carne. O que o Espiritismo prega é a Reencarnação, ou seja:
o espírito, sendo imortal, não se desfaz com o corpo físico, continua a viver com o seu próprio corpo espiritual (perispírito) e pode voltar a se ligar com a matéria, formando um novo corpo, para viver outra existência na Terra.
    É uma ressurreição, um ressurgimento do espírito na carne mas não a ressurreição da carne.
    II. PARA QUÊ, ONDE E ATÉ QUANDO O ESPÍRITO REENCARNA?
    a) Para quê?
    Deus nada inútil faz. Se o espírito reencarna, é para cumprir desígnios divinos. Reencarnando, o espírito:
    - coopera na obra da criação;
    - adquire experiências (provas);
    - expia erros passados (resgates);
    - progride sempre (evolução).
    b) Onde?
    O espírito reencarna muitas vezes num mesmo mundo, apropriado ao seu grau de evolução, ou em mundos semelhantes, e em cada nova existência tem a oportunidade de dar um passo na senda do progresso, despojando-se de suas imperfeições.
    À medida que progride, se nada mais tiver a aprender num mundo, o espírito passará a reencarnar em outro mundo mais evoluído. E, assim, sucessivamente.
    Poderá, também, reencarnar em mundo inferior ao seu grau de evolução, se for para executar ali uma missão que impulsione o progresso dos seus habitantes.
    c) Até quando?
    Muito numerosas são as reencarnações, porque o progresso do espírito é lento, quase infinito.
    E não há como delimitar o número de encarnações que cada um terá de cumprir em cada globo, pois o espírito evolui mais depressa ou mais devagar, segundo o seu livre-arbítrio.
    Mas certamente há, no programa divino, uma previsão de tempo para que cada humanidade alcance determinado grau médio de progresso. Ao se atingir esse limite, os retardatários serão retirados do meio que progrediu mais e encaminhados para continuar o seu progresso em mundos inferiores, com os quais ainda se afinam.
    Quando se tornar um puro espírito, o espírito não reencarnará mais, justamente porque, já tendo alcançado o progresso possível nos mundos corpóreos, não mais precisará se ligar a um mundo material.
    III. DE UMA ENCARNAÇÃO PARA OUTRA
    Como, nas diversas encarnações, o espírito é o mesmo, em sua nova existência o homem pode conservar semelhanças de manifestações e traços do caráter moral das existências anteriores.
    Sofrerá porém, as modificações dos costumes de sua nova posição social.
Ex.: se de senhor ele se torna escravo, suas inclinações poderão ser diferentes e haveria dificuldade em reconhecê-lo, ante a influência do meio, da educação etc.
    Também poderá ter melhorado moralmente, poderá ter ocorrido um aperfeiçoamento considerável, que venha a mudar bastante o seu caráter. Ex.:
de orgulhoso e mau pode ter-se tornado humilde e fraterno, desde que se haja arrependido por compreender o que é verdadeiro e bom.
    O novo corpo não tem nenhuma relação com o antigo, que foi destruído.
    Entretanto, o espírito se reflete no corpo; embora este seja apenas matéria, é modelado pelas qualidades do espírito, que lhe imprimem uma certa característica, principalmente ao semblante; com razão, pois, apontam os olhos como o espelho da alma, ou seja, que o rosto, mais particularmente, reflete a alma. Não se confunda, porém, beleza física, aparência corpórea, com qualidades morais e espirituais.

Livros consultados:
De Allan Kardec:
- "O Livro dos Espíritos", 2ª parte, caps. III, IV, V e VII.
De Gabriel Delanne:
- "A Reencarnação".
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Fonte: "Iniciação ao Espiritismo", Therezinha Oliveira