9.8.18

NOSSOS PENSAMENTOS


Questão 457 do Livro dos Espíritos

A telepatia é fato comum entre os Espíritos, de modo que as vibrações mentais têm voz na dimensão que lhes é própria. Os Espíritos elevados podem observar nossos mais secretos pensamentos, no entanto, existem Espíritos que não conseguem conhecê-los, por se encontrarem nas baixas vibrações espirituais. Tudo se prende à evolução de cada um: os Espíritos conseguem manter seus pensamentos ocultos aos seus inferiores mas não podem fazê-lo com relação àqueles que lhe são superiores.
A vida é uma sucessão de valores na pauta da sabedoria, indo até Deus. Nada é oculto que Deus não venha a saber, por ser Ele o Senhor de todas as ciências do universo. No porvir, não tão longe como se pensa, o homem vai dominar a telepatia e poderá conversar à distância, na mais perfeita concordância com os outros. Os exemplos são os médiuns, que já recebem livros e mais livros por esse processo telepático. O Espírito pode estar em grandes distâncias e transmitir para os médiuns, que estes recebem como se estivessem ouvindo-o frente a frente, até com mais nitidez.
O treinamento mais comum para tal mediunidade é a leitura a sós. Deste modo, está se conversando consigo mesmo. Com os recursos da telepatia, esse exercício vai se estendendo até chegar a ouvir sem embaraço os Espíritos, ou mesmo as conversações dos homens, à distância. É uma faculdade inerente a todos os seres. Compete desenvolvê-la com os recursos ao alcance de cada um. O trabalho que os homens fazem, de ondas e microondas, e outros processos mais sofisticados, é uma prova de que se pode transmitir os pensamentos aonde quer que seja, sem as barreiras dos obstáculos da natureza, porque os pensamentos pertencem à outra fonte mais purificada, em se tratando de dimensões das coisas sutis.
A ciência de telepatia entre os homens está esperando que eles reconheçam seus valores e passem a amar seus irmãos, limpando o ódio do coração, o orgulho e o egoísmo da sua vida. Tudo melhora por fora, à medida que se melhora por dentro d’alma. Nossos pensamentos são forças divinas, que podem nos trazer a paz na consciência. Eles podem nos fartar de coisas materiais, podem nos vestir e assegurar nosso equilíbrio em todos os corpos que nos servem pelos caminhos da vida.
É bom que nos lembremos de que temos testemunhas espirituais que registram todos os nossos atos. Negar o que fazemos é complicar nossos destinos. Jesus veio nos ensinar também a pensar. Pelos seus luminosos ensinamentos, mostrou-nos à luz do sol os Seus mais puros sentimentos e as Suas mais belas atitudes, na Sua passagem pela Terra.
Quando a criatura se julga muito só, pensando o que não deveria pensar, pode ter em seu redor multidão de Espíritos ouvindo- a como se falasse pelos processos do verbo. Nossos pensamentos nos mostram o que somos na realidade, porque, quando estamos pensando, escrevemos no livro de Deus, que fica aberto para os que sabem ler.

Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez - Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

8.8.18

CONTIGO

A lei protege.
O lar acolhe.
A família une.
O tempo concede.
O ensejo faculta.
A ação cria.
O mestre orienta.
O livro instrui.
O trabalho habilita.
A luta desbasta.
A prova define.
O hábito mecaniza.
A experiência prepara.
O título endossa.
A dor avisa.
A doença depura.
A tentação experimenta.
O obstáculo desafia.
O amigo ampara.
O adversário incentiva.
O afeto nutre.
O auxílio encoraja.
A bondade abençoa.
A fé sustenta.
A oração fortalece.
A morte examina.
O mérito, no entanto, a fim de que recolhas novo alento e passagem para planos superiores, é problema contigo.
E, em toda circunstância, depende da melhora que fizeres, buscando educar a ti mesmo, aprendendo e servindo, amando e perdoando, para a glória da vida, ante a glória de Deus.

Livro “Religião dos Espíritos” –  Francisco C. Xavier – Emmanuel – Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

7.8.18

XI – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER


Os nossos estudos do livro “Libertação”, nesta semana, bem que poderiam ter por título: A Pergunta de André Luiz.
Continuando a dialogar com Gúbio, André lhe inquiriu: “Com que fim - perguntei – essas legiões retardadas se mancomunam, além da morte, se despidas da vestimenta grosseira de carne devem saber, mais que nunca, que se empenham em combates inúteis?”.
De fato, ao espírito encarnado, muito difícil compreender que, na Vida de além-túmulo, os homens fora do corpo não assimilem a realidade, capitulando diante de sua própria ignorância...
Não seria de se esperar que, pelo menos, deste Outro Lado da Vida, os espíritos lograssem tomar consciência de seus erros, inclusive de ordem dogmática, no campo da fé, em que, ao longo dos séculos, tanto temos errado?
Gúbio, o sábio Instrutor, sorriu, e a sua resposta, embora óbvia, não deixou de soar com o ineditismo que a Verdade sempre soa aos ouvidos de quem, voluntariamente, busca ignorá-la:
- “Reportamo-nos a espíritos perfeitamente humanos, não obstante desencarnados, e tais perguntas, André, poderiam ser formuladas, mesmo na Crosta da Terra. Por que razão, nós mesmos, antes de acordar a consciência para a revelação divina, nos precipitávamos nas linhas inferiores, todos os dias, contrariando espetacularmente a Lei? (...)”.
Sim, por que nós mesmos, quando no corpo carnal, não compreendemos a inutilidade do mal?! Como não considerarmos ilógico que o espírito, apenas por conta de seu desenlace do envoltório denso, possa renovar-se intimamente?!
E Gúbio questiona André:
“Ante as sugestões do Plano Divino que te povoam, agora, o pensamento, lembras-te de algum tempo passado em que tivesses cogitado sinceramente da própria sublimação?”.
*
A verdade é que o homem, moralmente, não se transforma mais além da morte do que possa se transformar na Terra, desde agora.
Por que ocorreria alguma mudança moral significativa no espírito, pelo fenômeno da desencarnação, e não lhe ocorreria, assim, alguma mudança de ordem intelectual?! Pode o espírito com inclinações inferiores, deixar de ser o que é de hora para outra?! Pode alguém de intelecto obtuso, transfigurar-se em espírito erudito, apenas por, supostamente, ir contemplar as estrelas mais de perto?!
*
Vejamos que André Luiz, após ouvir as considerações do Instrutor, ainda confessa o que, sem dúvida, nos é difícil de aceitar, quando não nos aprofundamos nos temas que não conhecemos se não superficialmente:
“A argumentação de Gúbio era bela e sugestiva; entretanto, eu sentia dificuldades para aceitar a ideia de purgatórios e infernos dirigidos.”.
Sobre a Terra, não os temos?! A criminalidade não é organizada e dirigida, muitas vezes, de dentro das penitenciárias, ou do interior dos palácios?!...
Quadrilhas de espíritos encarnados, no mundo inteiro, escravizam o poder, submetem os povos, incrementam a guerra, tramam tão somente em favor de seus próprios interesses... Tais legiões, sob o jugo de legiões outras, que as controlam do Invisível, mantém, em todos os aspectos, a Humanidade em longo cativeiro de ignorância, porquanto o seu objetivo é o da “conservação do primitivismo mental da criatura humana”.
Esta é uma das mais graves denúncias que o Moderno Espiritualismo já pode fazer ao homem em todas as épocas da Humanidade.

INÁCIO FERREIRA – Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 6 de agosto de 2018.

6.8.18

A Bíblia é a Palavra de Deus?


    O Espiritismo nunca teve como objeto, a condenação de credos, doutrinas ou escolas filosóficas e, muito menos, pretende ser o forno de incineração de livros e ideias, pois tem como roteiro a liberdade de escolha e pensamento, adstritos ao livre arbítrio. A Bíblia, para nós, é um livro humano, repleto de sabedoria, informações históricas e culturais dos povos aos quais se refere. Todavia, são inúmeros os erros e absurdos nela contidos, o que é próprio dos atos da lavra humana.
    A Obra Codificada nos dá roteiro seguro para identificarmos o que procede da vontade soberanamente sábia de Deus. Na questão 12 da primeira parte de "Obras Póstumas" de Allan Kardec encontramos:
    "O homem tem um farol para a procura do desconhecido: são os atributos de Deus. Uma vez admitido que Deus não pode deixar de ser eterno, imutável, imaterial, uno, onipotente, soberanamente justo e bom, infinito em todas as suas perfeições, todo a doutrina ou teoria, científica ou religiosa, que deprimir, ainda infinitesimalmente, qualquer daqueles predicados, é necessariamente falsa, pois tende à negação do próprio Deus".
    Assim, de acordo com o ensinamento de Kardec, tudo quanto arranhar os conceitos de bondade, justiça e perfeição de Deus, deve ser considerado falso.
    Partindo desse pressuposto, passemos à leitura da Bíblia.
    Em Gênesis II, 6, está:
    "Então se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra e isso lhe pesou no coração".
    Deus, infinitamente sábio poderia errar, para depois arrepender-se? Claro que não, logo essa afirmação é falsa, segundo o Espiritismo.
    Deus, infinitamente justo, daria ordens para despojar (roubar, furtar) alguém? Certamente não. Mas em Êxodo III, 22, está a triste estória do saque sobre os egípcios, a mando de Deus, segundo a Bíblia.
    Deus, na sua bondade infinita seria capaz de considerar imunda a mulher par haver dado à luz os filhos? Pois essa falta de caridade bárbara está noticiada no capitulo XXIII de Levítico. Deus seria capaz de pedir o auxílio de um espírito, paro espalhar mentiras? Pois a Bíblia diz que sim. Está em I Reis no Capítulo XXII.
    Seria um desfiar quase infindável de passagens bíblicas, onde o Senhor é visto matando, irando-se, ordenando saques e, até mesmo, impedindo que pessoas defeituosas penetrassem no templo. Isso seriam atos de amor, de justiça ou morais? Certamente não, o que nos leva, segundo o ensinamento de Kardec, a ter essa fonte como completamente estranha aos preceitos divinos.
    Se, por algum motivo fossemos levados a aceitar um principio científico, filosófico ou religioso, que os avanços do conhecimento viessem a demonstrar equivocados, o Codificador nos aponta o caminho a seguir nas mesmas "Obras Póstumas", no último capítulo que trata dos "Princípios Fundamentais da Doutrina Espírita" onde ensina:
    "O Espiritismo, caminhando com o progresso, nunca ficará na retaguarda, porque se novos descobrimentos demonstrarem que está em erro acerca de um ponto, ele se modificará nesse ponto. Se uma nova verdade surgir, ele a deverá acolher".
    Pelo que foi dito, temos a Bíblia como livro da lavra humana, cheia de belos ensinamentos e ricas informações, mas com falências que desmentem a sua feitura Divina

Esse Capelli

5.8.18

A Bênção da Chuva


    Na tarde de 28 de março de 1981, chovia muito em Uberaba. Pacientemente, Chico esperava que o aguaceiro passasse.
    A copa frondosa do abacateiro oferecia precário abrigo para todos os que ali nos reuníamos ávidos por aprender.
    A reportagem do programa "Fantástico", da TV Globo, do Rio de Janeiro, filmava tudo de dentro de um carro de aluguel.
    Como sempre, várias caravanas de diversos Estados, estavam presentes, notadamente de Curitiba, Paraná.
    A chuva amaina e o Sr. Weaker convida-nos ao início da reunião na Vila dos Pássaros Pretos.
    A prece, como de hábito, é proferida pelo prof. Thomaz. Chico toma a palavra e explica que o culto se divide em duas partes: a primeira, dos comentários em torno de uma página do Evangelho; a segunda, "o encontro com os amigos que nos hospedam...".
    "O Evangelho Segundo o Espiritismo" convida-nos a examinar o cap. 25, "Buscai e Achareis".
    Cada companheiro convidado aos comentários por orientação de Chico, não deve exceder ao tempo de quatro minutos, "para que tenhamos um maior número de opiniões em torno do texto lido".
    Uma confreira, fazendo uso da palavra, observa que "é pelo trabalho que caminhamos rumo à conquista do amor"; alguém assinala que o trabalho, conjugado à oração, constitui excelente antídoto contra a tentação; por nossa vez, acentuamos que o trabalho longe de ser uma expiação, é uma bênção de Deus. Gasparetto, também presente à tarefa, destaca o trabalho como terapia; D. Zibia Gasparetto, médium de psicografia que todos admiramos, adverte-nos para o trabalho de nos conhecermos intimamente; Langerton, o amigo de Peirópolis, diz que "o trabalho é a nossa âncora"; Márcia comenta que o "ajuda-te" é mensagem para que tenhamos iniciativa própria e que "o céu te ajudará" traduz a confiança que devemos depositar na providência divina...
    Apesar da chuva, os nossos irmãos carentes, entre eles muitas crianças e velhinhos, não arredaram o pé da fila que daí a instantes seria beneficiada com os óbulos da fraternidade, numa demonstração eloquente de que ali estão por necessidade e não por ociosidade, como divulgam alguns adversários da caridade.
    Agora, era chegado o grande momento: Chico Xavier, inspirado por Emmanuel, ia falar.
    Apesar de completamente ensopados, inclusive o Chico molhara-se um pouco, procuramos colocar-nos na máxima condição de receptividade para ouvir. Aos beijos do sol, um arco-íris emoldura o templo da natureza.
    Chico fala: "Estamos aqui reunidos, sob a chuva, para nos conhecer com mais segurança. Estamos numa hora de confrontação...
    Quantos não gostariam de estar trabalhando sob a chuva? Quantos enfrentam o problema da terra ressequida? A calamidade da seca é comparável a dos terremotos. Há mais de dois anos não chovia em sete Estados da Federação. Em João Molevade, Minas Gerais, centenas de operários lidam com o aço em fogo, nas grutas. Eu conheço moças que trabalham em boates para sustentar mães que estão em sanatórios... os que trabalham no clima da calúnia, em busca do numerário para obtenção do pão de cada dia...
    Nós não vamos esquecer essa chuva como lição-advertência.
    Hoje vamos retornar aos nossos lares com um conhecimento mais amplo de uns para com os outros...
    Pela primeira vez, há quinze dias, aconteceu um desastre com algumas companheiras nossas quando retornavam a São Paulo, após orarmos no Grupo Espírita da Prece. Muitos, certamente, irão falar...
    Mas estarão se esquecendo de agradecer os milhares de reuniões, dos dias em que não houve nada...
    A chuva é uma amiga que também veio enfeitar o nosso culto, para termos a sensação dos que estão debaixo das pontes, dos casebres, dos andarilhos...
    Esta, ao meu ver - encerrou o Chico - é a nossa maior lição desta tarde".
    Sim, não havia o que reclamar.
    E a chuva, na voz de Chico Xavier, transformara-se em lição.
    A água das nuvens lavara-nos o exterior, mas a água dos Céus carreara, com o enxurro, mais alguns dos detritos que enodoam as nossas almas.

Livro "Chico Xavier, à Sombra do Abacateiro" - Carlos A Baccelli

4.8.18

GLORIFICANDO A VIDA


Imaginei que a vida fosse um só
Momento de ilusão... Que, ao fim de tudo,
Na cova, o corpo putrefato e mudo,
Do homem que fui restasse apenas pó...

E assim seguindo, coração desnudo,
A vaguear sem rumo – pobre Jó! –,
Mendigava conforto, arrimo e dó,
Em desespero anônimo... Contudo...

Quando fechei os olhos para o mundo,
E pude ver-me, à luz do céu profundo,
Sobrevivendo em místico transporte...

Roguei a Deus no Templo do Universo,
Inspiração para compor meu verso,
Glorificando a Vida além da morte!...

Hermes Fontes (*)
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião íntima da Casa Espírita “Bittencourt Sampaio”, na noite do dia 5 de fevereiro de 1987, na cidade de Uberaba – MG). 
(*) SONETO INSERIDO NO LIVRO, RECENTEMENTE LANÇADO, “PEREGRINO DO CRISTO”, AUTORES DIVERSOS, DA LAVRA MEDIÚNICA DE CARLOS A. BACCELLI – Editora LEEPP – Uberaba – MG).

3.8.18

Paz de Espírito


“Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. – João, 16-33.
Realmente, não há bem mais precioso em todos os tempos, mas, principalmente, nos dias atuais, a que o homem possa aspirar que a paz de espírito.
Toda a tranquilidade que a Humanidade almeja alcançar, extinguindo, de vez, tantos conflitos externos, tem a sua origem na serenidade íntima de cada um de seus integrantes.
Impossível, porém, que a paz interior seja conquistada sem que o homem, individualmente, tome a decisão de sobrepor os valores espirituais aos bens perecíveis do mundo.
A criatura humana, pacificada interiormente, nada teme a sua, volta, porquanto, ao dilatar a sua compreensão da Vida, sabe que todas as lutas e obstáculos são naturais no caminho que estão palmilhando, e que, ao término de qualquer refrega, a vitória sempre pertencerá ao Amor e à Verdade.
As páginas singelas que constituem este livro foram escritas em momento de reflexão, efetuados do Mundo Espiritual para a Terra, com o único propósito de fortalecer quantos tencionam continuar resistindo aos convites para enveredarem pela portas larga das ilusões, que se lhes escancara para conduzi-los ao abismo de indefectíveis padecimentos.
Inácio Ferreira
Livro: PAZ DE ESPÍRITO