2.8.12


LEIA E REFLITA
 
Repetimos que a fonte principal do progresso das idéias Espíritas está na satisfação que ela proporciona a todos aqueles que as aprofundam, e que nelas em uma coisa se não um útil passatempo; ora, como se quer ser feliz antes de tudo, não é de admirar que se prenda a uma idéia que torne feliz. Dissemos em alguma parte que no caso do Espiritismo, o período de curiosidade passou, e que o do raciocínio e o da filosofia lhe sucederam. A curiosidade não tem senão um tempo: uma vez satisfeita, se lhe muda o objeto para passar a um outro; e não ocorre o mesmo com aquele que se dirige ao pensamento sério e ao julgamento. O Espiritismo tem sobretudo progredido depois que foi melhor compreendido em sua essência íntima, depois que se viu sua importância, porque ele toca a corda mais sensível do homem: a da sua felicidade, mesmo neste mundo; aí está a causa de sua propagação, o segredo da força que o fará triunfar. Vós todos que atacais, quereis, pois, um meio certo de combatê-lo com sucesso? Revista Espírita - Allan Kardec(1860)
O parágrafo acima foi escrito por Allan Kardec e serve para uma breve reflexão de nossa parte. Vemos ainda nos dias de hoje a maioria dos que se afirmam Espíritas, atraída pelos fenômenos, pelos efeitos espetaculares das aparições e ainda a cata de curas miraculosas ou de soluções imediatas para os seus problemas. Os horários de estudos nas Casas Espíritas conseguem reunir apenas alguns gatos pingados: os que se interessam pelo saber espírita. Constitui uma séria ameaça à unidade doutrinária este pouco caso dispensado aos estudos e é mais que chegada a hora de mudar este quadro. Nossa Casa Espírita de Oração Amor e Luz têm oferecido oportunidade em vários horários e dias de estudo em todos os níveis. Consulte nossa recepcionista e vamos estudar. A felicidade tem um caminho bem delimitado: esforço individual e o conhecimento espírita.
 
Fraternalmente, Toninho Barana

1.8.12


A MENSAGEM DE HUMBERTO DE CAMPOS

No dia 20 de dezembro de 1935, Humberto de Campos transmitiu significativa mensagem através de Chico Xavier, intitulada “A Ordem do Mestre”, e, inicialmente, inserida no livro “Palavras do Infinito”.
A mensagem, de belíssimo conteúdo, relata um diálogo que, na vizinhança do Natal, o Mestre travou com João Evangelista, arguindo-o sobre a situação do Evangelho na Terra. Falando sobre as dificuldades que ainda imperam para que a sua Palavra seja assimilada, em espírito e verdade, o vidente de Patmos ouve Jesus perguntar:
- Qual o núcleo de minha doutrina que detém no momento maior força de expressão?
João respondeu:
- É o departamento dos bispos romanos, que se recolheram dentro de uma organização admirável pela sua disciplina, mas altamente perniciosa pelos seus desvios da verdade. O Vaticano, Senhor, que não conheceis, é um amontoado suntuoso das riquezas das traças e dos vermes da Terra. Dos seus palácios, confortáveis e maravilhosos irradia-se todo um movimento de escravização das consciências. Enquanto vós não tínheis uma pedra onde repousar a cabeça dolorida, os vossos representantes dormem a sua sesta sobre almofadas de veludo e de ouro; enquanto trazíeis os vossos pés macerados nas pedras do caminho escabroso, quem se inculca como vosso embaixador traz a vossa imagem nas sandálias matizadas de pérolas e de brilhantes. E junto de semelhantes superfluidades e absurdos, surpreendemos os pobres chorando de cansaço e de fome; ao lado do luxo nababesco das basílicas suntuosas, erigidas no mundo como um insulto à glória da vossa humildade e do vosso amor, choram as crianças desamparadas, os mesmos pequeninos a quem estendíeis os vossos braços compassivos e misericordiosos. Enquanto sobram as lágrimas e os soluços entre os infortunados, nos templos, onde se cultua a vossa memória, transbordam moedas em mãos cheias, parecendo, com amarga ironia, que o dinheiro é uma defecação do demônio no chão acolhedor da vossa casa.
Na atualidade, em relação ao Espiritismo, mormente no que tange ao Movimento organizado, não podemos dizer o mesmo que João disse quanto ao dinheiro...
Reconhecemos que muitos núcleos do Cristianismo Redivivo sobrevivem com grandes dificuldades no campo econômico, com os adeptos que os frequentam se desdobrando para cobrir as inevitáveis despesas de sua manutenção, embora pouquíssimas sejam as Federações Espíritas que sustentam obras de assistência social junto aos mais desvalidos.
Todavia, copiando a informação que o autor do “Apocalipse” transmite ao Cristo, infelizmente, caso o Senhor nos fizesse as mesmas interrogações, poderíamos dizer a Ele que, nas hostes do Espiritismo Cristão,“com amarga ironia, o poder é uma defecação do demônio no chão acolhedor”de sua casa...
Sim, porquanto, muito dificilmente encontramos um só companheiro de Ideal, que, ocupando este ou aquele cargo administrativo, não tenha consentido que o poder lhe subisse a cabeça.
Sob este prisma, tanto tem defecado o demônio “no chão acolhedor” da Doutrina, que, sinceramente, chego a imaginar que ele está com disenteria!...

INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 30 de julho de 2012.

31.7.12


Disciplina
 Yvon de Araújo Luz - ADE-RJ
 
No momento da criação, o Senhor concebeu seres puros e livres. Não poderia ser de outra forma, pois que Ele é a pureza absoluta e a sua criação teria de ser o prolongamento de Si próprio. Quanto à liberdade, também não poderia ser outra a colocação, de vez que qualquer fator restritivo à atuação daquele ser, atuaria como uma violência, que não se coadunaria com a Sua perfeição.
   Puro e livre, aquele ser que acabava de sair das mãos do Criador, com todo o potencial de  realizações que a vida lhe poderia proporcionar, necessitava adquirir sabedoria, como uma criança.
   Acabava de nascer e já tinha a sua meta traçada, a de alcançar a perfeição, senão total e absoluta - pois aí se tornaria igual ao Pai - mas a relativa, na proporção de que seria, sempre, um produto do Criador.
   Para atingir aquele alvo, no entanto, necessitaria adquirir sabedoria, só alcançável através das experiências que o contato com o mundo da matéria, nas "diversas casas do meu pai" lhe proporcionaria.
  Utilizando-se, então, da liberdade que lhe foi concedida, desde o início, o novo ser passou a vivenciar e adquirir as experiências necessárias, que o capacitariam a encontrar, pelo resultado de suas ações, o caminho certo para alcançar a meta almejada.
   Os sentimentos e as sensações registradas pela satisfação e alegria, em contraste com o sofrimento, as angústias e as dores, seriam os marcos desse caminho, que estabeleceriam os critérios de escolha, para o uso do livre arbítrio, no desenvolvimento de sua inteligência e aprendizado sem fim.
   Nesse processo de erros e acertos, em que a liberdade é a tônica, o ser vai incorporando ao seu patrimônio imortal, os conhecimentos adquiridos ao longo dos tempos, e descobrindo que um dos importantes instrumentos de que dispõe  nesse aprendizado é a disciplina, atitude interior, baseada no puro livre arbítrio.
  Através dela é capaz de ordenar os impulsos, sentimentos e sensações, possibilitando o aprimoramento do processo de escolha, que lhe possibilitará alcançar a sabedoria, elevando-o à condição de espírito puro, meta estabelecida pelo Pai, no momento da criação.
  Os percalços do caminho e o tempo de duração do processo, dependem unicamente dele.

30.7.12


Questão 168 do Livro dos Espíritos
    NÚMERO DE REENCARNAÇÕES
    Colocar um ponto final nas reencarnações é ignorar as distâncias imensuráveis que o espírito deve percorrer nas linhas da evolução, à qual chamamos de despertamento. As vidas sucessivas mais grosseiras têm duração breve; à medida que o espírito vai se depurando, ele, automaticamente, vai saindo de uma faixa reencarnatória para entrar em outra de maior pureza. O crescimento da alma requer corpos mais sutis e com maiores possibilidades espirituais, de modo a permitir a ela dominá-los em todos os sentidos.
    A reencarnação na Terra é necessária até a depuração da alma tendo, portanto, certo limite, se assim podemos dizer; mas a depuração necessária ao espírito que transita neste planeta pode não ter a mesma correspondência em outros mundos por onde o espírito vai passar. E o espírito, bem o sabemos, deve passar por muitos mundos para granjear experiências, cultivar valores e se integrar no amor, aquele ainda desconhecido.
    Quando se fala em depuração da alma, não se quer dizer que ela se encontra suja, nem foi feita inferior, cheia de defeitos.
     O próprio livro básico da doutrina nos fala que o espírito foi feito simples e ignorante, carregando no seu mundo interno todos os valores a serem despertados pelo tempo e pelas bênçãos do Criador, porque, se Deus é a perfeição, não poderia criar nada imperfeito. A reencarnação é uma lei universal para todos os espíritos e para todas as coisas. As vidas múltiplas estão ligadas ao progresso, que é força natural de Deus dentro da Sua casa universal.
    A cada passo que o espírito dá, pelos processos da reencarnação, desabrocham dons no seu mundo interno, conferindo-lhe cada vez mais vida. A consciência é um mundo e cada qual tem suas necessidades, carregando sua cruz e buscando despertar seus valores espirituais na construção da sua própria felicidade espiritual. Convém que todos os espíritos, mesmo os desencarnados, procurem, escolas, de variado esclarecimento, porque o aprendizado é grande e a carência de luz no coração, muito maior.
    De certa forma, não podemos delimitar as reencarnações; elas se processam em todas as dimensões, de conformidade com a elevação dos espíritos, atendendo a todos em suas necessidades espirituais. Compete a nós outros compreendermos as suas funções, nas atividades e nos poderes que têm de despertar em cada espírito os dons correspondentes aos seus anseios pela verdade.
    Os homens têm as necessidades semelhantes às dos animais irracionais, só que elas estão aprimoradas, em outra dimensão de vida, pelo valor da evolução. O mesmo acontece ao espírito: depois do túmulo, continua tendo as mesmas necessidades de quando na carne; simplesmente elas vão mudando de faixa, de acordo com o crescimento da alma, no saber e na moral. É, pois, o prêmio que o tempo confere, juntamente com a conquista, pela misericórdia de Deus. Esforcemo-nos, pois, para diminuir nossas reencarnações inferiores, alcançando, cada vez mais, corpos mais sutis, com idéias mais puras e vidas mais elevadas.
 
Livro"Filosofia Espírita III - João Nunes Maia -Miramez

29.7.12


O QUE SÃO OS ESPÍRITOS?

Não foi Allan Kardec quem inventou os espíritos, sabe por que? Porque todos nós somos espíritos. O espírito sobrevive à morte do corpo carnal, ou seja, tanto os vivos (encarnados) quanto os mortos (desencarnados) são espíritos. Porém, normalmente, quando falamos em “espíritos”, nos referimos aos “mortos”. Quando o espírito está encarnado, dizemos que se trata de uma alma.
Se desde o início da história da humanidade nós morremos – pois esta é uma lei que rege a vida aqui na Terra – desde o princípio existem espíritos. É óbvio, não é?
Os fundamentos que compõem a base da doutrina espírita – como a preexistência e sobrevivência da alma e a reencarnação – foram transmitidos por espíritos através da mediunidade. São universais, pois também podem ser encontrados em diversas religiões, em várias épocas da humanidade.
 Mediunidade é o potencial que toda pessoa tem de servir como intermediária entre os espíritos e os homens. Todos a possuímos, em maior ou menor grau, porém, designamos por médiuns aqueles que exercem essa faculdade de forma ostensiva, o que não é comum. Portanto, nem todos os espíritos que reencarnam estão preparados ou têm condições para exercerem a mediunidade.
Os médiuns intuitivos e os inspirados são muito mais comuns. Mas o que seriam estas modalidades mediúnicas? Vejamos o que diz Kardec, em O Livro dos Médiuns, cap. XV, sobre os médiuns intuitivos: “A transmissão do pensamento também se dá por meio do Espírito do médium, ou, melhor, de sua alma, pois que por este nome designamos o Espírito encarnado. O Espírito livre, neste caso, não atua sobre a mão, para fazê-la escrever; não a toma, não a guia. Atua sobre a alma, com a qual se identifica. A alma, sob esse impulso, dirige a mão e esta dirige o lápis. Notemos aqui uma coisa importante: é que o Espírito livre não se substitui à alma, visto que não a pode deslocar. Domina-a, mau grado seu, e lhe imprime a sua vontade. Em tal circunstância, o papel da alma não é o de inteira passividade; ela recebe o pensamento do Espírito livre e o transmite. Nessa situação, o médium tem consciência do que escreve, embora não exprima o seu próprio pensamento. É o que se chama médium intuitivo.”
Já no caso dos médiuns inspirados, Kardec explica: “Todo aquele que, tanto no estado normal, como no de êxtase, recebe, pelo pensamento, comunicações estranhas às suas ideias preconcebidas, pode ser incluído na categoria dos médiuns inspirados. Estes, como se vê, formam uma variedade da mediunidade intuitiva, com a diferença de que a intervenção de uma força oculta é aí muito menos sensível, por isso que, ao inspirado, ainda é mais difícil distinguir o pensamento próprio do que lhe é sugerido.”
           Na época da codificação espírita, grandes pesquisadores e cientistas, reconhecidos mundialmente, se propuseram a analisar os fenômenos espíritas com o objetivo de ridicularizar o Espiritismo, porém, conforme se aprofundavam em suas pesquisas, ficavam cada vez mais convencidos da veracidade dos fatos. Apesar de hoje, as manifestações de efeitos físicos, para análise, serem raras, não podemos perder o bom senso e a seriedade nos estudos; nosso ambiente de investigação não é tanto o laboratório, mas, a própria alma!
Artigo extraído da revista  http://www.rcespiritismo.com.br

27.7.12


DESIGUALDADE DAS RIQUEZAS
    I. UTILIDADE PROVIDENCIAL DA RIQUEZA
    O homem tem por missão trabalhar pela melhoria material do planeta. Cabe-lhe desobstruí-lo, saneá-lo, dispô-lo para receber um dia toda a população que a sua extensão comporta.
    Para realizar esses trabalhos, precisa de recursos e a necessidade fez que ele criasse a riqueza, como o fez descobrir a Ciência.
    Sem a riqueza, não haveria mais grandes trabalhos, nem atividade, nem estimulante para a ação, nem pesquisas.
    A atividade que esses mesmos trabalhos impõem ao homem, lhe amplia e desenvolve a inteligência. A inteligência que ele concentra, primeiro, na satisfação das necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais.
     A riqueza, pois, não é um mal em si mesma.
    Bem utilizada, ela leva a Humanidade não só ao progresso material e intelectual mas, também, ao progresso moral.
    Se a riqueza é causa de muitos males, se exacerba tanto as más paixões, se provoca mesmo tantos crimes, não é a ela que devemos inculpar, mas ao homem, que dela abusa, como de todos os dons de Deus. Pelo abuso, ele torna pernicioso o que mais útil lhe poderia ser. É a conseqüência do estado de inferioridade do mundo terrestre.
    Se a riqueza somente males houvesse de produzir, Deus não a teria posto na Terra. Compete ao homem fazê-la produzir bem.
    II. DESIGUALDADE DAS RIQUEZAS
    Que aconteceria se, acaso, se pudesse repartir toda a riqueza da Terra com igualdade entre todos os seus habitantes?
    - A cada um caberia apenas uma parcela mínima e insuficiente.
    - Não haveria recursos para nenhum dos grandes trabalhos que concorrem para o progresso e o bem-estar da Humanidade.
    - Tendo o necessário para sobreviver, o homem não sentiria o aguilhão da necessidade para o impelir às descobertas e aos empreendimentos úteis.
    Ainda que fosse possível efetuar essa repartição entre todos os homens, em pouco tempo o equilíbrio estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões.
    "Por que não são igualmente ricos todos os homens?
    "Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar."
    III. O ENFOQUE ESPÍRITA QUANTO À RIQUEZA
    A desigualdade das riquezas, como vemos, é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual.
    À luz do Espiritismo, porém, entendemos que:
    - os seres humanos, somos espíritos imortais reencarnados;
    - para progredir, precisamos das experiências que a vida corpórea enseja;
    - uma dessas experiências é aprender a produzir a riqueza e com ela trabalhar, acertadamente;
    - através das reencarnações, vamos tendo oportunidade para isso.
    Entendemos, também, que:
    - Deus concentra a riqueza em certos pontos, para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades;
    - e a desloca constantemente, para que não fique longo tempo improdutiva nas mãos dos que não a estão sabendo utilizar; e para que cada um, por sua vez, tenha a oportunidade de lidar com ela.
    Alguns estão dispondo da riqueza no momento, outros já a tiveram, outros ainda virão a usufruí-la e mesmo quem já a teve poderá, se necessário, voltar a possuí-la.
    Por enquanto, na Terra a riqueza é para poucos.
    A maioria luta por sobreviver, dispondo apenas de posses medianas ou mesmo enfrentando a miséria.
    Isto se dá não apenas pela má distribuição da riqueza, feita pelo materialismo e o egoísmo, dominantes no planeta.
    É, também, porque não sabemos todos produzir riquezas ou não queremos nos esforçar para isso.
    Se a riqueza na Terra fosse fácil para todos, em nosso grau de evolução, a maioria não trabalharia, não estudaria, quereria somente gozar, e isto não traz progresso para o espírito.
    Se há os que abusam da riqueza, não será com decretos ou leis dispendiosas que se remediará o mal. As leis podem, de momento, mudar o exterior, mas não conseguem mudar o coração; daí vem serem elas de duração efêmera e quase sempre seguidas de uma reação mais desenfreada. A origem do mal reside no egoísmo e no orgulho; os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade.
    Com a evolução intelecto-moral da Terra, os extremos da miséria ou da riqueza excessiva serão corrigidos, pela melhor produção e distribuição dos recursos.
    Entretanto, "os pobres sempre os tereis convosco". (Jesus - Jo. 12:8.) Sempre haverá naTerra pessoas com menos aptidões e recursos do que outras, por estarem em diferentes graus de evolução.
    Deus concede a uns riqueza e poder e a outros a pobreza como meios de experimentarmos as diferentes condições que ensejam.
    Tanto a riqueza como a pobreza servem para nos testar intelectual e moralmente, constituindo, às vezes, situações de resgate espiritual.
    IV. QUAL A PROVA MAIS DIFÍCIL: A RIQUEZA OU A POBREZA?
     Ambas são difíceis.
    Ante a miséria, podemos ficar: desanimados com as dificuldades; revoltados contra tudo e contra todos; invejosos de quem tem o que não temos; tentando até conseguir pelo roubo, pelo crime, o que precisamos ou queremos; reclamando contra Deus por não compreendermos seu divino programa para a nossa evolução.
    Quanto à riqueza, constitui uma prova muito arriscada, bastante perigosa para o espírito, porque é o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual.
    Geralmente, quem é rico neste mundo se torna orgulhoso, avarento, indiferente à necessidade ou sofrimento do próximo e se desvia moralmente nos abusos.
    Sim, a riqueza é a origem de muitos males na Terra. Por causa dela, muitos prejudicaram sua felicidade na vida futura. Jesus aludiu a isso, na passagem do moço rico: "Como é difícil entrar um rico no reino dos céus!" (...) "É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico se salvar". (Mateus, 19 vs. 23/24.)
    Então, a riqueza impede a evolução do espírito?
    Se assim fosse, Deus não a teria posto nas mãos de alguns de seus filhos, pois seria prejudicá-los.
    Querer abolir a riqueza, para não errarmos com ela, seria condenar também ao trabalho que a granjeia, o que estaria em contradição com a lei de progresso.
    Jesus disse que é difícil um rico se salvar mas não disse ser impossível; porque a riqueza também pode ensejar que o seu possuidor produza muita coisa útil e boa, para si e para o seu próximo, tornando-se um meio de salvação espiritual.
     Tudo vai depender, portanto, do uso que fizermos da riqueza, de como nos comportarmos diante da pobreza.
    V. COMO NOS COMPORTAMOS NESSAS PROVAS?
    Na pobreza:
    - cuidar do pouco que se possui e usá-lo acertadamente.
    - procurar desenvolver e aperfeiçoar a própria capacidade de produzir valores;
    - cultivar a resignação, moderação, simplicidade, humildade, honestidade, enfim todas as virtudes que a prova da pobreza mais estimula, quando bem entendida;
    - praticar a caridade ao seu alcance.
    Materialmente, ajudando com o pouco que tiver aos que são mais necessitados ainda. Espiritualmente, com o seu amparo moral, afeto sincero, lealdade, a boa palavra e o bom exemplo.
    - não invejar os ricos nem pensar mal deles. Lembrar que estão sendo duramente testados e merecem compaixão e ajuda (se estiverem errando) e apoio e respeito (se estiverem acertando).
    Na riqueza:
    - lembrar que Deus é o verdadeiro Senhor de todos os bens da vida e apenas somos os "mordomos", usufruindo e administrando temporariamente, devendo prestar contas de tudo, ao final da existência;
    - tomar cuidado para não cair no orgulho, na inércia, no egoísmo, ou nos excessos do gozo material;
    - como dispõe de mais tempo e recursos do que o pobre, aproveitar para estudar, e concorrer para o engrandecimento tanto intelectual como moral e material dos seus semelhantes;
    - procurar prestar todos os benefícios possíveis com os bens que recebeu, sem desperdiçá-los nem enterrá-los num cofre, onde ficam sem utilidade para ninguém.
    Enfim, procurar desempenhar o melhor possível seu papel de intermediário da riqueza, sem se deixar dominar por ela espiritualmente, de modo a merecer de Deus outras e maiores atribuições, futuramente.
    VI. QUAL O MELHOR EMPREGO QUE SE PODE DAR À RIQUEZA?
     A solução do problema está nestas palavras: "Amai-vos uns aos outros". 
Aquele que se acha animado do amor ao próximo tem aí traçada a sua linha de proceder. A caridade deve ser cheia de amor, aquela que procura a desgraça e a ergue, sem, no entanto, a humilhar.
    Com amor e sabedoria sempre se encontrará o melhor emprego para a riqueza.

Livros consultados:
De Allan Kardec:
- "O Evangelho segundo o Espiritismo", cap. XVI;
- "O Livro dos Espíritos", perguntas 808/816.
Fonte: "Iniciação ao Espiritismo", Therezinha Oliveira

26.7.12


Questão 167 do Livro dos Espíritos
     OBJETIVO DA REENCARNAÇÃO
    Reencarnação é um processo de despertamento da alma. As vidas sucessivas são escolas em todos os reinos da natureza.
     É, pois, uma depuração constante em rumos variáveis. Ela é uma das leis de Deus, e se encontra fixada na eternidade para ajudar seus filhos a compreenderem a si mesmos, a serem obedientes aos programas do Todo-Poderoso.
    É certo que o espírito progride no mundo espiritual, sem a participação do corpo físico; no entanto, este é um dos primeiros degraus do progresso da alma. O estudioso de espiritualismo, que já se libertou de comandos deliberados para sua compreensão, chega à conclusão de que o mundo físico e o espiritual se confundem, que tudo vem de Deus na Sua maior expressão de amor.
    Se o Senhor criou essas modalidades de progresso, certamente porque viu que era bom. Os meios de despertamento das almas são infinitos. Quem deseja ficar parado no tempo e no espaço sofre as conseqüências desta inércia; quem abre a mente para o estudo, para todos os tipos de análise acerca da vida, encontra ou começa a encontrar a verdade, e ela ajuda a sua libertação.
     Em muitos casos, a reencarnação se expressa como justiça em variados ângulos da lei. O que chamas de expiação da alma, em se enfrentando as reencarnações, não passa de processos de evolução do espírito, visto que todos passam por isso. Enfim, são caminhos indispensáveis ao bem-estar de todo o rebanho para a purificação, se esse é o termo, dos filhos da criação.
    Cada corpo que o espírito recebe na Terra é uma bênção de Deus em teu caminho, porque significa um degrau que sobe para a eternidade, sendo que ninguém regride. Sempre estamos avançando para a nossa própria liberdade.
    O processo reencarnatório está sofrendo limitações inumeráveis em todos os países. São dificuldades que os espíritos estão sofrendo por estarmos passando por fechamento de ciclo evolutivo. São também meios de depuração espiritual, que estão sob o controle de Deus, que tudo sabe e de Jesus, que compreende o porquê de todas as catástrofes morais e mesmo físicas que se passam e que deverão surgir. A dor é, pois, o anjo divino que deve aparecer com freqüência no cenário da Terra, para salvar as criaturas de maiores distúrbios.
    Quem nega a reencarnação, recusando-se a meditar sobre o assunto, talvez com medo de que por intermédio dela e pelos seus processos variáveis venham a mudar de posição onde se encontram, em situação de mando e abundância de ouro, se esquece que lei é lei, principalmente a de Deus. Em verdade, nada existe que não viva e torne a viver incessantemente, e reafirmamos que se muda de corpo quantas vezes forem necessárias, sendo eles degraus para que se conheça a Luz na sua intensidade de Amor. O objetivo da reencarnação é facultar cada vez mais ao espírito a lucidez da vida e oferecer mais vida para quem procura viver. Uma das linhas da Doutrina dos Espíritos é anunciar essa lei divina em todos os seus aspectos e falar em voz alta esse nome: reencarnação.
Livro: Filosofia Espírita IV - João Nunes Maia - Miramez