4.2.24

XVIII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO LIBERTAÇÃO – ANDRÉ LUIZ - CHICO XAVIER

No capítulo III, de “Libertação”, após descrever a materialização de Matilde, espírito domiciliado em Dimensões de transcendência, André descreve o diálogo que travado entre ela e Gúbio, que haveriam de se empenhar no resgate de Gregório.
Gregório, habitando uma Dimensão Subcrostal, denominada “Trevas”, despencara de grande altura, pois que, de Papa que houvera sido, segundo Matilde, passara a desempenhar “a detestável função de grande sacerdote em mistérios ocultos”, e chefiava “condenável falange de centenas de outros espíritos desditosos, cristalizados no mal...”.
Matilde ainda afirma que, por séculos, esperava pela renovação de Gregório.
Veja-se como, nas sendas da evolução, os espíritos, em certas circunstâncias, podem se afastar uns dos outros – alguns continuam “ganhando altura”, enquanto muitos se lançam a profundos desfiladeiros...
Não obstante, os espíritos que avançam prosseguem se sentindo no dever de estender as mãos àqueles da retaguarda, qual a Divina Exemplificação do Senhor, que não hesitou em tomar corpo na Terra para socorrer as desgarradas ovelhas de Seu rebanho.
*
Matilde, em conversa com Gúbio, esclarece a respeito de Gregório: “Há cinquenta anos, porém, já consigo aproximar-me dele, mentalmente. Recalcitrante e duro, a princípio, Gregório agora experimenta algum tédio, o que constitui uma bênção nos corações infiéis ao Senhor.”.
É da Lei Divina que os espíritos, por mais empedernidos, se “cansem” do mal, porque contrário à sua natureza... À espera desse “momento psicológico”, os Espíritos Benfeitores que os espreitam à distância, agem com presteza. Em respeito ao seu livre arbítrio, deixam-nos com as suas decisões e escolhas, mas, ao seu mais leve desejo de renovação, eles se apresentam, e, então, organizam missões de resgate como as que André Luiz descreve em “Libertação”.
*
Lindas e profundas estas palavras de Matilde: “Irmão Gúbio, perdoa-me o pranto que não significa mágoa ou esmorecimento... Na pauta do julgamento humano comum, meu filho espiritual será talvez um monstro... Para mim, contudo, é a joia primorosa do coração ansioso e enternecido. Penso nele qual se houvera perdido a pérola mais linda num mar de lama e tremo de alegria ao considerar que vou reencontrá-lo... Não é paixão doentia que vibra em minhas palavras. É o amor que o Senhor acendeu em nós, desde o princípio. Estamos presos, diante de Deus, pelo magnetismo divino, tanto quanto as estrelas que se imantam umas às outras, no império universal.”.
Não olvidemos, nas palavras de Matilde, que até os “monstros” têm mães... Sim, o que seria de nós outros, espíritos recalcitrantes no mal, sem o amor de nossas mães, que a tudo renunciam para aconchegar-nos ao seu peito?!...
*
Gúbio, simplesmente responde: “Nobre Matilde! estamos prontos. Dita ordens! Por mais que fizéssemos por tua alegria, nosso esforço seria pobre e pequenino, diante dos sacrifícios em que te empenhas por nós todos.”.
Matilde se fizera Benfeitora de muitos, e, agora, solicitava a alguns deles que a auxiliassem na libertação do espírito pelo qual se sentia responsável – Gregório!
Para obtermos intercessão em favor dos que amamos, carecemos de interceder em benefício daqueles que são amados por outros.
*
Em seguida, Matilde anuncia a sua volta ao corpo para breve, principalmente com o intuito de receber Gregório na condição de filho... Ela ainda esclarece que Gregório, com o passar do tempo, haveria de receber muitos daqueles que integravam as falanges do mal sob o seu comando. Certamente, haveria de permanecer à frente de alguma Instituição assistencial de amparo aos mais desvalidos.
Notemos assim que, na maioria das vezes, fazer o Bem não é uma missão, mas um resgate.
INÁCIO FERREIRA – Blog Mediunidade na Internet
Veja também a Gravação do Estudo Detalhado do livro LIBERTAÇÂO
feito toda terça feira às 20h. pelo Skype
Francisco Cândido Xavier (autor)
André Luiz (espírito)
https://youtu.be/zdKQ55-equQ?list=PLJUZisvOqWSPrzDjdw6f9NSTmILB0O3rp

3.2.24

Compreendendo a Saúde Espiritual e Mental

 


Paz e Vida

Se desejas ter paz na tua vida,
Serve ao bem incondicionalmente
E com as ofensas sejas indulgente,
Ignorando humilhação sofrida...
 
Embora possas ter a alma ferida
Por golpes que te alcancem de repente,
Persevera em seguir caminho à frente
Superando obstáculos na lida...
 
Ama sem esperar sejas amado,
Deixando atrás s mágoas do passado,
Onde estejas fazendo-te benquisto...
 
De efêmeros prazeres e ilusões,
Não cedas a quaisquer das tentações,
Confiando somente em Jesus Cristo!...
 
Formiga/Baccelli - Blog Espiritismo em Prosa e Verso
Porto, Portugal, 11-1-24

2.2.24

DOIS MUNDOS TÃO MEUS

 




O PIOR INIMIGO

Um homem, admirável pelas qualidades de trabalho e pelas formosas virtudes do caráter, foi visto pelos inimigos da Humanidade que conhecemos por Ignorância, Calúnia, Maldade, Discórdia, Vaidade, Preguiça e Desânimo, os quais tramaram, entre si, agir contra ele, conduzindo-o à derrota.
O honrado trabalhador vivia feliz, entre familiares e companheiros, cultivando o campo e rendendo graças ao Senhor Supremo pelas alegrias que desfrutava no contentamento de ser útil.
A Ignorância começou a cogitar da perseguição, apresentando-o ao povo como mau observador das obrigações religiosas. Insulava-se no trato da terra, cheio de ambições desmedidas para enriquecer a custa do alheio suor. Não tinha fé, nem respeitava os bons costumes.
O lavrador ativo percebeu as notícias do adversário que operava, de longe, sorriu calmo e falou com sinceridade:
- A Ignorância está desculpada.
Surgiu, então a Calúnia e denunciou-o às autoridades por espião de interesses estranhos. Aquele homem vivia, quase sozinho, para melhor comunicar-se com vasta quadrilha de ladrões. O serviço policial tratou de minuciosas averiguações e, ao término do inquérito vexatório, a vítima afirmou sem ódio:
- A Calúnia estava enganada.
E trabalhou com dobrado valor moral.
Logo após, veio a Maldade, que o atacou de mais perto. Principiou a ofensiva, incendiando-lhe o campo. Destruiu-lhe milharais enormes, prejudicando-lhe a vinha, poluiu-lhe as fontes. Todavia, o operário incansável, reconstruindo para o futuro, respondeu sereno:
- Contra as sombras do mal, tenho a luz do bem.
Reconhecendo os perseguidores que haviam encontrado um espírito robusto na fé, instruíram a Discórdia que passou a assediá-lo dentro da própria casa. Provocações cercaram-no e amigos da véspera relegaram-no ao abandono.
O servo diligente, dessa vez, sofreu bastante, mas ergue os olhos para o céu e falou:
- Meu Deus e meu Senhor, estou só, no entanto, continuarei agindo e servindo Teu nome. A Discórdia será por mim esquecida.
Apareceu, então, a Vaidade que o procurou nos aposentos particulares, afirmando-lhe:
- És um grande herói... Venceste aflições e batalhas! Serás apontado à multidão na auréola dos justos e dos santos!...
O trabalhador sincero repeliu-a, imperturbável:
- Sou apenas um átomo que respira. Toda glória pertence a Deus!
Ausentando-se a Vaidade com desapontamento, entrou a Preguiça e, acariciando-lhe a fronte com mãos traiçoeiras, afiançou:
- Teus sacrifícios são excessivos... Vamos ao repouso! Já perdeste as melhores forças!...
Vigilante, contundo, o interpelado replicou sem hesitar:
- Meu dever é o de servir em benefício de todos, até ao fim da luta.
Afastando-se a Preguiça vencida, o Desânimo compareceu. Não atacou de longe, nem de perto. Não se sentou na poltrona para conversar, nem lhe cochichou aos ouvidos. Entrou no coração do operoso lavrador e, depois de instalar-se lá dentro, começou a perguntar-lhe:
- Esforçar-se para quê? servir por quê? Não vê que o mundo está repleto de colaboradores mais competentes? que razão justifica tamanha luta? quem mandou nascer neste corpo? não foi a determinação do próprio Deus? não será melhor deixar tudo por conta de Deus mesmo? que espera? Sabe, acaso, o objetivo da vida? tudo é inútil... não se lembra de que a morte destruirá tudo?
O homem forte e valoroso, que triunfara de muitos combates, começou a ouvir as interrogações do Desânimo, deitou-se e passou cem anos sem levantar-se...
 
Livro Alvorada Cristã - Francisco C. Xavier - Neio Lúcio.

1.2.24

Entre a terra e o Céu - cap.1



ATÉ QUANDO VOS SOFREREI?

 Férias de espírita, meu caro, é isto aí: trabalho em dobro! Não foi assim que aprendemos com Chico Xavier?! Turismo na Europa, com a visão da paisagem, é só enquanto o carro desliza pela autoestrada, ou, então, enquanto o comboio, encurtando distâncias, nos enseja bucólicos cenários entre os pinhais e olivais...
Estivemos sim juntos, tanto quanto possível, em sua maratona doutrinária - enquanto você entretinha contatos com os confrades encarnados, íamos, na companhia espiritual de Laurentino Simões, e outros, dialogando com tanta gente que, deste Outro Lado, vem se preocupando com o futuro espiritual do Velho Mundo!
Apenas peço a você que me perdoe se não tive como evitar que, em Portugal, a sua bagagem fosse subtraída por mãos desocupadas, que muitos atribuíram aos pobres ciganos...
Eu estava tão preocupado em lhe vigiar a alma, que me esqueci de sua mala! Numa outra encarnação, prometo lhe devolver com juros e correção monetária tudo o que estava dentro dela - umas quinquilharias que apenas serviram para aumentar o infortúnio de quem supôs que ela pudesse estar recheada de euros e dólares! 
Deixemos, pois, o inusitado episódio para lá, recordando o quanto, ao longo dos séculos, temos nos transformado em ladrões da Mensagem Cristã, furtando do Cristo a essência de suas palavras.
Em várias oportunidades de nossa maratona doutrinária, que se estendeu aos Dois Lados da Vida, a constatação que, desde a Suíça, passando pela Inglaterra e culminando em Portugal, pudemos fazer é que, de fato, como dizia Chico Xavier, a Europa está precisando de Evangelho!
O imediatismo da vida material absorveu o pensamento das criaturas encarnadas de tal modo que, infelizmente, poucos são aqueles que encontram espaço em sua mente para cogitar do que seja pertinente à Vida além da morte - o seu exercício de introspecção não vai além das células que lhes constitui a epiderme castigada pelo frio!
Todavia, meu caro, o que mais me deixou, digamos, entristecido, foi observar o mesmo fenômeno que, entre os espíritas, igualmente, se observa no Brasil: a falta de compreensão do que, verdadeiramente, a Doutrina deve significar em nossas vidas.
Poucos são aqueles que já tomaram consciência de que estão a cuidar do próprio destino, através das existências que se sucedem...
Pude, sim, verificar a ancianidade de espíritos que, há séculos e séculos, praticamente se encontram na mesma, entrando e saindo do corpo com a naturalidade de alguém que deita e se levanta de uma cama, quase que vivendo completamente na horizontal...
Ah, como é difícil, estando na carne e, por vezes, até mesmo fora dela, verticalizar o pensamento!...
Qual lhe sucedeu no silêncio das reflexões que você efetuava - reflexões que, não raro, se transformavam em conversa entre nós -, pude compreender melhor as indignadas palavras do Cristo que foram registradas pelo Evangelista Mateus, no capítulo 17, versículo 17, de seus apontamentos: "Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei?"
Sei não... Nada sou para me atrever dar ao Senhor qualquer resposta, mas, de minha parte, desconfio que, durante longuíssimo tempo, Ele ainda continuará a sofrer por nós!
O que podemos e devemos fazer é continuar a trabalhar, em dobro, porque a verdade é que o Cristo que, um dia, pregamos à cruz, permanece à espera que venhamos a resgatá-lo ao madeiro em que Ele continua a se afligir pela Humanidade inteira!...
INÁCIO FERREIRA - Blog Mediunidade na Internet - 2 de Fevereiro de 2014.