8.6.19

SEGUE


Sofres, e o sofrimento te atordoa...
Choras, e o pranto é fel caindo ao peito...
Contudo, por mais que a vida te doa,
Segue carpindo as urzes de teu eito...

No mundo, o tempo é pássaro que voa,
Demandando o porvir puro e perfeito,
E a luz do Bem, alma fraterna e boa,
Dissolve as sombras do caminho estreito...

Não te encarceres as lamentações
De quem maldiz as próprias provações...
Alguém te espera logo ao fim da estrada...

Esquece a dor profunda e marcha à frente,
Que depois desta Vida, certamente,
Seguirás com Jesus noutra jornada!...

Eurícledes Formiga – Blog Espiritismo em Prosa e Verso
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, no dia 17 de fevereiro de 1986, em Uberaba – MG).

7.6.19


O mundo está cheio da Luz Divina!

   Procure percebê-la e sentir em si as irradiações benéficas, que se derramam sobre todas as criaturas, aproveitando ao máximo o conforto que isto lhe trará ao espírito.
   Olhe tudo com olhos de bondade e alegria!
   Busque descobrir a luz que brilha dentro de você e dentro de todas as criaturas, embora, muitas vezes,esteja ela recoberta por grossa camada de defeitos!

Livro: Minutos de Sabedoria

6.6.19

Madalena ouve um sermão de Jesus


- Senhor, o que posso fazer para ter a vida eterna?
- Se quer entrar para a vida eterna, guarda os mandamentos.
- Que mandamentos? Quis saber o rapaz.
- Não matar, não adulterar, não roubar, não levantar falso testemunho, honrar pai e mãe e amar o próximo como a si mesmo.
- Tudo isso tenho feito. Respondeu o moço.
- Você é rico?
- Sim. Meu pai me deixou uma grande herança e cuido para que ela aumente.
- Filho, se quer ser perfeito, toma tudo o que é seu, vende e o resultado doa aos pobres. Depois siga-me e terás um tesouro no céu.
            Todas as pessoas ficaram em expectante silêncio, inclusive eu. O que faria o rapaz? Eu estava perto dele, podia ver-lhe o rosto, que se tornou sombrio, como se estivesse em forte luta interior. Depois, sem dizer nada, afastou-se, com os ombros curvados e a cabeça baixa.
Depois que o rapaz desapareceu entre as pessoas da praça, Jesus, olhando para os que estavam ali, falou: "Em verdade, em verdade, vos digo que um rico dificilmente entrará no Reino de Deus". E vos digo ainda: "É mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus". Ouvindo essas palavras, todos nós e até mesmo os discípulos dele ficamos muito espantados. Eu, por meu turno, estava perturbada como jamais estivera, pois era uma mulher de posses como aquele rapaz. Que coisa estranha: eu imaginava não poder entrar no Reino de Deus por ser uma pessoa não-religiosa e com um tipo de vida que qualquer judeu rigoroso condenaria, agora via que era a minha fortuna o maior obstáculo à minha salvação.
            Voltei para casa muito impressionada com tudo aquilo que vi e ouvi, entretanto Jesus foi o que mais me causara forte impressão. A voz dele era forte, severa, porém não áspera; falava com a autoridade dos mestres e, ao falar, gesticulava de um modo elegante e coerente. Era másculo, mas não grosseiro, alto e forte; com braços longos e mãos proporcionais. Esse belo aspecto físico, contudo, perdia para uma coisa que eu não sei explicar bem, mas denominarei de atmosfera, ela parecia envolvê-lo e fazer bem àqueles que estivessem perto dele.
            Durante alguns dias, fiquei pensando naquele encontro, vendi minhas propriedades, distribui um bom valor entre os trabalhadores que me serviam e decidi que me tornaria sua discípula, ainda que me custasse os maiores sacrifícios.

Livro: Maria Madalena - A Testemunha da Paixão de Jose Carlos Leal

5.6.19

SERÁ FRAQUEZA?


Questão 498 do Livro dos Espíritos

A pergunta de número 498 pode parecer muito infantil, no entender dos estudantes mais velhos da Doutrina dos Espíritos, no entanto, sabemos que ela se fundamenta na dúvida de certas pessoas que temem o mal, mesmo na sua expressão frágil e temporária.
A luz nunca teme as trevas; essas é que são escorraçadas pela luz, quando conveniente. O Espírito angélico tem a seu favor a tranquilidade da consciência imperturbável, e se é imperturbável, ela nada teme. O protetor procura por todos os meios livrar o seu tutelado das artimanhas dos Espíritos inferiores; quando não consegue, por este estar ligado a eles por lei de afinidade, permite o Espírito protetor que seu tutelado fique envolvido, como lição, que no amanhã será valiosa, como prova.
Quando nos ligamos a certas coisas, estamos pedindo para isso, e nos é concedido como experiência, por vezes notável, que vem nos ajudar a conhecer a verdade pela dor, tanto do obsediado como do obsessor. Todos dois ganham na luta das trevas para se fazer a luz.
O anjo-guardião não violenta a consciência do protegido; ele expõe suas ideias de luz para quem se encontra nas trevas. Quando aceitas, ele redobra seu serviço na compreensão dos mais profundos conceitos de Jesus; quando não, silencia, esperando oportunidades para continuar seu trabalho em serviço de libertação do seu protegido, o que sempre alcança, mais cedo ou mais tarde.
Todos os Espíritos foram criados iguais, sendo assim, têm ânsia de luz, por terem vindo dela. Mesmo que no princípio a recusem, a ignorância não perdura; ela é breve, aparecendo no seu lugar a necessidade de melhorar moralmente, como fizeram os que ocupam hoje os lugares angélicos fazendo-se guias dos que se encontram na retaguarda.
Os guias espirituais, se quisessem, lutariam com os Espíritos ignorantes e venceriam com facilidade, expulsando-os do convívio do seu tutelado, no entanto, o seu protegido chama-los-ia de novo pelo seu proceder. Necessário se faz que o protegido queira melhorar, para receber dos seus benfeitores a assistência completa, de sorte a ser protegido por eles. Do contrário, ficará em trevas como os malfeitores até acordar, ou acordarem, todos, perseguido e perseguidores, para o rebanho de Jesus.
O Mestre, em Seu Evangelho, não arranca os defeitos dos Seus discípulos; apenas os ensina a cultivar as virtudes, porque o erro é ilusório no campo da imortalidade do bem. O amor é um sol, e seus raios são a fraternidade que se divide para depois formar um todo de luz, na garantia de quem a conquistou no coração.
A luz não teme as trevas, como já falamos. Ela é, na sua expressão, o próprio Cristo em Seu vigor que nunca falha, que saiu a semear as sementes do amor, que não deixam de nascer no terreno da consciência. O fato de o anjo da guarda não opor resistência, não é sinônimo de medo. Ele fica aguardando melhores resultados para os Espíritos que ainda dormem na inconsciência dos valores imortais da alma.
Abracemos a luz, que ela é Deus a nos dizer: “- Todos sois meus filhos. Nenhum se perderá, pois existe um Pastor que vos vigia em meu nome: Jesus.”

Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez - Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

3.6.19

L – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO”


CHICO XAVIER/ANDRÉ LUIZ

André narra que um médico chegara para consultar Margarida, equivocadamente, diagnosticando que a paciente sofria de “epilepsia secundária” – doença neurológica que pode ser causada por tumores, traumas na cabeça, etc. O médico chegara a aventar a possibilidade de uma intervenção cirúrgica no cérebro, o que, com certeza, ocasionara o desenlace de Margarida. (Tomamos a liberdade de indicar aos nossos internautas a leitura do livro de nossa lavra espiritual: “Obsessão e Cura”)
*
Todavia, sob a influência de uma entidade espiritual que se fizera presente, o médico, vencendo preconceitos, sugeriu a Gabriel, esposo da paciente, que tentasse o Espiritismo:
- Porque não tenta o Espiritismo? Conheço ultimamente alguns casos intrincados que vão sendo resolvidos, com êxito, pela psicoterapia...
O espírito amigo que inspirara o médico tinha o nome de Maurício e fora seu enfermeiro, recebendo, ao desencarnar, a tarefa de ampará-lo.
- Todos os médicos – asseverou-me, convicto –, ainda mesmo quando materialistas de mente impermeável à fé religiosa, contam com amigos espirituais que os auxiliam.
Exclamando, em seguida, com justa razão:
- Ah, se os médicos orassem!
*
Desejamos, no entanto, esclarecer que todos os homens, com menor ou maior responsabilidade no cumprimento de suas tarefas e deveres, contam, sobre a Terra, com o amparo de devotados amigos que, do Mais Além, procuram auxiliá-los, e não apenas àqueles que escolhem a Medicina por profissão.
*
Percebam os nossos leitores que anotação interessante da palavra de Maurício a André, que, por sugestão de Gúbio, acompanhara o médico até a sua residência:
- Estamos sumamente interessados em que o nosso amigo se enfronhe no trato com as magnas questões da alma, a fim de aperfeiçoar-se na tarefa junto à mente enferma, por isso encaminhamos até aqui, por vias indiretas, livros e publicações acerca do assunto; entretanto, contra o nosso desejo, não somente preponderam os preconceitos da classe médica, mas também a influência perniciosa que a segunda esposa exerce sobre ele.”
*
Aqui, pedimos vênia aos nossos irmãos e irmãs para dizer que, de fato, o preconceito da classe médica contra o Espiritismo era tremendo – era e, de certa maneira, continua sendo –, ao ponto de certa vez, termos o nosso nome vetado para lecionar na Faculdade de Medicina, em Uberaba. Quando da sugestão de nosso nome, até por falta de outros profissionais especialistas na área, vários membros da Sociedade Médica se levantaram contrariamente, contando, claro, com o aval da Igreja, através de sua maior autoridade religiosa na cidade na época, um Bispo, depois Arcebispo, ferrenho adversário da Doutrina.
Mas, são águas passadas...
Hoje, depois de grande luta sustentada, por vários colegas adeptos do Espiritismo, entre os quais destacamos o nome do Dr. Bezerra de Menezes, existe já certa mudança de opinião, e não são poucos os médicos que aconselham aos seus pacientes, notadamente os que se constituem em enigma para os conhecimentos científicos atuais, buscarem auxílio espiritual para os seus casos.
Pena que, infelizmente – repetimos, infelizmente! –, muitos medianeiros, sem o devido discernimento, alguns, inclusive, valendo-se do nome da Doutrina, não estejam espiritualmente aptos para tão sério cometimento.
E, portanto, parafraseando o espírito de Maurício, ousamos, igualmente, exclamar:
- Ah, se os médiuns verdadeiramente orassem!... (E fossem menos personalistas e vaidosos, e, alguns, até não fossem tão mercenários!...)

INÁCIO FERREIRA – Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 3 de junho de 2019.

2.6.19

Lições de Preto-velho


    Cenário: reunião mediúnica num Centro Espírita. A reunião na sua fase teórica desenrola-se sob a explanação do Evangelho Segundo o Espiritismo. Os membros da seleta assistência ouvem a lição atentamente.
    Sobre a mesa, a água a ser fluidificada e o Evangelho aberto na lição nona do capítulo dez: "O Argueiro e a trave no olho".
    Dr. Anestor, o dirigente dos trabalhos, tecia as últimas considerações a respeito da lição daquela noite.     O ambiente estava impregnado das fortes impressões deixadas pelas palavras do Mestre: "Por que vês tu o argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu?". Findos os esclarecimentos, apagaram-se as luzes principais, para que se desse abertura à comunicação dos Espíritos.
    Um dos presentes fez a prece e deu-se início às manifestações mediúnicas. Pequenas mensagens, de consolo e de apoio, foram dadas aos presentes. Quando se abriu o espaço destinado à comunicação das entidades não habituais e para os Espíritos necessitados, ocorreu o inesperado: a médium Letícia, moça de educação esmerada, traços delicados, de quase trinta anos de idade, dez dos quais dedicados à educação da mediunidade, sentiu profundo arrepio percorrendo-lhe o corpo. Nunca, nas suas experiências de intercâmbio, tinha sentido coisa parecida. Tomada por uma sacudidela incontrolável, suspirou profundamente e, de forma instantânea, foi "dominada" por um Espírito. Letícia nunca tinha visto tal coisa: estava consciente, mas seus pensamentos mantinham-se sob o controle da entidade, que tinha completo domínio da sua psiquê.
    O dirigente, como sempre fez nos seus vinte e tantos anos de prática espírita, deu-lhe as boas vindas, em nome de Jesus:
    - Seja bem vindo, irmão, nesta Casa de Caridade, disse-lhe Dr. Anestor.
    O Espírito respondeu:
    "Zi-boa noite, zi-fio. Suncê me dá licença pra eu me aproximá de seus trabaios, fio?".
    - Claro, meu companheiro, nosso Centro Espírita está aberto a todos os que desejam progredir, respondeu o diretor dos trabalhos.
    Os presentes perceberam que a entidade comunicante era um preto-velho, Espírito que habitualmente comunica-se em terreiros de Umbanda. A entidade comunicante continuou:
    "Vós mecê não tem aí uma cachaçinha pra eu bebê, Zi-Fio ?".
    - Não, não temos, disse-lhe Dr. Anestor. Você precisa se libertar destes costumes que traz de terreiros, o de beber bebidas alcoólicas. O Espírito precisa evoluir, continuou o dirigente.
    "Vós mecê não tem aí um pito? Tô com vontade de pitá um cigarrinho, Zi-fio".
    - Ora, irmão, você deve deixar o hábito adquirido nas sessões de Umbanda, se queres progredir. Que benefícios traria isso a você?
    O preto-velho respondeu:
    "Zi-preto véio gostou muito de suas falas, mas suncê e mais alguns dos que aqui estão, não faz uso do cigarro lá fora, Zi-fio? Suncê mesmo, não toma suas bebidinhas nos fins de sumana? Vós mecê pode me explicá a diferença que tem o seu Espírito que bebe whisky, no fim de sumana, do meu Espírito que quer beber aqui? Ou explicá prá mim, a diferença do cigarrinho que suncê queima na rua, daquele que eu quero pitá aqui dentro?".
    O dirigente não pôde explicar, mas ainda tentou arriscar:
    - Ora, meu irmão, nós estamos num templo espírita e é preciso respeitar o trabalho de Jesus.
    O Espírito do preto-velho retrucou, agora já não mais falando como caipira: "Caro dirigente, na Escola Espiritual da qual faço parte, temos aprendido que o verdadeiro templo não se constitui nas quatro paredes a que chamais Centro Espírita. Para nós, estudiosos da alma, o verdadeiro templo é o templo do Espírito, e é ele que não deve ser profanado com o uso do álcool e fumo, como vem sendo feito pelos senhores. O exemplo que tens dado à sociedade, perante estranhos e mesmo seus familiares, não tem sido dos melhores. O hábito, mesmo social, de beber e fumar deve ser combatido por todos os que trabalham na Terra em nome do Cristo. A lição do próprio comportamento é que é fundamental na vida de quem quer ensinar".
    Houve profundo silêncio diante de argumentos tão seguros. Pouco depois, o Espírito continuou: "Desculpem a visita que fiz hoje e o tempo que tomei do seu trabalho. Vou-me embora para o lugar de onde vim, mas antes queria deixar a vocês um conselho: que tomassem cuidado com suas obras, pois, como diria Nosso Senhor, tem gente "coando mosquito e engolindo camelo".
    Cuidado, irmãos, muito cuidado. Deixo a todos um pouco da paz que vem de Deus, com meus sinceros votos de progresso a todos que militam nesta respeitável Seara".
    Deu uma sacudida na médium, como nas manifestações de Umbanda, e afastou-se para o mundo invisível. O dirigente ainda quis perguntar-lhe o porquê de falar "daquela forma". Não houve resposta. No ar ficou um profundo silêncio, uma fina sensação de paz e uma importante lição: lição para os confrades meditarem.

Autor: José Queid Tufaile

1.6.19

REMÉDIO EFICAZ


Se sofres de depressão
E padeces amargura,
A Caridade possui
O remédio que te cura.

Se trazes a inquietação
Por dentro da própria alma,
Procura na Caridade
O remédio que te acalma.

Se o problema é solidão
E estranha melancolia,
A Caridade é remédio
Que te devolve a alegria.

Se choras, caído ao chão,
Na prova que te quebranta,
A Caridade é remédio
Na força que te levanta.

Se lutas com a obsessão
Por moléstia renitente,
A Caridade é o remédio
Que te faz mais resistente.

Em qualquer situação,
No mal que não te compraz,
A Caridade será
O teu remédio eficaz.

Eurícledes Formiga – Blog Espiritismo em Prosa e Verso
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião da Casa Espírita “Bittencourt Sampaio”, na noite de 24 de julho de 1991, em Uberaba – MG).