15.7.18

ESCUTA, CORAÇÃO


Escuta, coração, se a vida é dura
E a peleja parece não ter fim,
Não lamentes a prova que te apura,
Nem te deixes ficar tão triste assim...

Se pretendes subir, ganhando altura,
Aprende a receber o “não” e o “sim”,
E a derradeira gota de amargura
Sorve da taça, a transbordar-se enfim...

Não mergulhes a alma na aflição,
Que tão somente aumenta a solidão,
Ao derredor, na luta em que te vejas...

Não te afastes do Cristo no caminho,
E um dia, além do humano torvelinho,
Hás de encontrar a paz que tanto almejas!...

Auta de Souza
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã do dia 14 de julho de 2018, em Uberaba – MG).

14.7.18

ROGATIVA À MARIA


Maria de Nazaré,
Rosa Mística do Amor,
Levai nossa humilde prece
Aos pés de Nosso Senhor...

Intercedei, ó Senhora,
Por todos nós, vossos filhos,
Que inda tanto padecemos
Por sobre os humanos trilhos...

Estendei-nos Vossas mãos
Na cruz de nossos pesares,
Onde expiamos, no mundo,
Desenganos milenares...

Fortalecei-nos na luta,
Em que buscamos vencer
As grandes tribulações
De nosso amargo viver...

Infundi-nos a coragem
De, no Bem, seguir adiante,
Embora o mal nos mantenha
Por sob assédio constante...

Com Vosso manto bendito,
Feito de estrelas e flores,
Balsamizai nossas almas
Nas urzes de tantas dores...

Volvei a nós, ó Senhora,
Ao pó da terrestre estrada,
E auxiliai-nos, Convosco,
A prosseguir na jornada...

Com Vosso materno zelo,
Retraçai nossos destinos
E livrai-nos das algemas
De tão tristes desatinos...

Que a Vossa alegria santa
Resgate-nos da tristeza,
Para a paz do Vosso trono
De peregrina beleza...

Maria de Nazaré,
Rosa Mística do Amor,
Levai nossa humilde prece
Aos pés de Nosso Senhor!...

Eurícledes Formiga
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública comemorativa aos 13 anos do Grupo Espírita “Maria de Nazaré”, na noite do dia 26 de agosto de 1995, em Votuporanga – SP).

13.7.18

VIAGENS


    Ambicionas viajar, mudar de ares, viver novas experiências, conhecer outras pessoas...
    Sentes-te saturado por fazer as mesmas coisas, repetir os trabalhos habituais, conviver com as criaturas de todos os dias.
    A imaginação te desenha cenas empolgantes, enriquecidas de ilusões, convidando-te a conhecer outras terras, passear pelas regiões paradisíacas.
    Os lugares onde ainda não estiveste, se te apresentam encantadores, ricos de promessas e de realizações, ensejando-te a felicidade que se te faz escassa, muito distante daquilo que anelas.
*
    Os promotores de turismo apresentam recepcionistas risonhos, vivendo um clima de festa permanente, de verdadeiro encantamento.
    Fascinado, acreditas que lá, no lugar onde não estás, tudo são alegrias e brilho, jogos de prazeres e constante renovação de festa.
    Se não consegues, de imediato, realizar os projetos que traças, na esperança de fruir essas satisfações, deixas-te dominar pela amargura, pela frustração, tombando em estados depressivos ou de revolta contra tudo e todos.
*
    Retifica, porém, a maneira de encarar a vida.
    A dor, a dificuldade e o problema, a alegria e a tristeza, a saúde, a enfermidade e a morte visitam a todos e se apresentam em todos os lugares.
    Quem vive lá, no lugar que desejas ardentemente visitar, atormenta-se pelo desejo irreprimível de vir cá, onde te encontras, com idênticas impressões.
    Ali se padece de situações iguais às tuas.
    Há um fluxo contínuo e crescente destes que vão e daqueles que vêm.
    Sorridentes e joviais aqui, comunicativos e ligeiros, lá, são taciturnos e tristes, vivem cansados e deprimidos, qual ocorre contigo e com os indivíduos daqui.
*
    Há festa em toda parte e programações especiais para vender sensações, que deixam ressaibos de insatisfação e dor.
    Provocam paixões que se desvanecem, tornando-se cinzas e rescaldo dos incêndios que proporcionam.
    Enquanto na Terra, ninguém passa isento de provações.
    Cada criatura experimenta e vive sua quota, conforme as suas necessidades evolutivas.
    Não te iludas, portanto.
    Aqueles que se te fazem modelos de felicidade e beleza, também sofrem muito. Estão, apenas, disfarçados, guindados ao profissionalismo do qual retiram o pão diário, e, às vezes, o veneno com que se matam lentamente.
    Não imaginas o que lhes sucede...
    Há um lugar ao teu alcance, onde a felicidade te aguarda e nada a perturbará.
    Não te exige muito, nem te atormenta. Este reduto maravilhoso é o coração. Põe nele o teu tesouro, conforme propôs Jesus, e aí o desfrutarás.
*
    Se viajares e te alegrares, levarás contigo a verdadeira alegria, e se não puderes sair de onde vives, manterás a mesma bênção sem qualquer conflito.
*
    Já que desejas, porém, viajar, faze-o como uma experiência para dentro, descobrindo o mundo íntimo profundo, e aí fruirás da plenitude que nunca se acabará.

Livro: Momentos de Coragem - Divaldo P. Franco - Joanna de Ângelis.

12.7.18

VENCERÁS

Não desanimes.
Persiste mais um tanto.
Não cultives o pessimismo.
Centraliza-te no bem a fazer.
Esquece as sugestões do medo destrutivo.
Segue adiante, mesmo varando a sombra dos próprios erros.
Avança ainda que seja pôr entre lágrimas.
Trabalha constantemente.
Edifica sempre.
Não consintas que o gelo do desencanto te entorpeça o coração.
Não te impressiones à dificuldade.
Convence-te de que a vitória espiritual é construção para o dia a dia.
Não desistas da paciência.
Não creias em realização sem esforço.
Silêncio para a injúria.
Olvido para o mal.
Perdão às ofensas.
Recorda que os agressores são doentes.
Não permitas que os irmãos desequilibrados te destruam o trabalho ou te apaguem a esperança.
Não menosprezes o dever que a consciência te impõe.
Se te enganaste em algum trecho do caminho, reajusta a própria visão e procura o rumo certo.
Não contes vantagens nem fracassos.
Estuda buscando aprender.
Não se voltes contra ninguém.
Não dramatizes provações ou problemas.
Conserva o hábito da oração para que se te faça luz na vida íntima.
Resguarda-te em Deus e persevera no trabalho que Deus te confiou.
Ama sempre, fazendo pelos outros o melhor que possas realizar.
Age auxiliando.
Serve sem apego.
E assim vencerás.

Francisco Cândido Xavier / Emmanuel

11.7.18

CONSCIÊNCIA DA EXISTÊNCIA DE FACULDADE

Questão 453 do Livro dos Espíritos

A dupla vista não é privilégio somente do espiritualista, nem do considerado médium espírita. É um dom que se manifesta nas pessoas que têm essa faculdade aflorada e que, por vezes, ignoram que a possuem, achando natural essa manifestação da sua sensibilidade.
A natureza divina não escolhe esse ou aquele porque pertence a tais ou quais religiões ou filosofias. Todos somos filhos de Deus, com as mesmas capacidades espirituais. Há várias pessoas dotadas de dupla vista espraiadas em todas as comunidades, em todos os países e em todas as famílias; no entanto, é bom que aqueles que têm esse dom aflorado compreendam qual o motivo da sua faculdade em exercício e a usem para o bem de todas as criaturas que vierem a passar por seu caminho.
A dupla vista é um instrumento de Deus, que pode espraiar a consolação, o bem-estar e a esperança para os sofredores. Se o médium vê alguma coisa, se observa um parente de alguém, afirmando que ninguém morre, pelos traços revelados da criatura que passou para o lado espiritual, o parente ou amigo se renova na sua fé, de que realmente ninguém morre. Isto traz alegria e conforto para os que ficaram.
O médium espírita dotado desta faculdade, sabe o campo que lhe abre o dom de ver, e usa-o para a alegria dos que o cercam... Ela pode ser desenvolvida pela prática e abençoada pelos grandes benfeitores da humanidade. Jesus não desampara os que persistem na verdade, usando-a para consolar e para instruir as pessoas.
A visão espiritual sempre vem acompanhada de outros dons. A Doutrina Espírita surgiu no mundo para esclarecer e responder todas as perguntas formuladas pela inteligência humana sobre a vida além da morte do corpo, e as respostas asserenam os ânimos e dão o que pensar porque a verdade cria um ambiente de luz no coração do aprendiz.
Se ainda existe dúvida sobre as coisas do Espírito, necessário é que se estude o Espiritismo, que ele responde todas as indagações; e, ainda mais, ensina a perguntar outras coisas que antes não se sabia.
Um exemplo de que nem todos sabem que possuem a dupla vista: as crianças não têm noção de que possuem a visão espiritual. Muitas delas têm facilidade de ver o que se passa no mundo espiritual, até conversam com os Espíritos, sem saberem quem são eles, assim como acontece com outras pessoas adultas que não têm o conhecimento.
Aos leitores, os convocamos para trabalharem no bem comum todos os dias, horas e minutos, que esse trabalho é um investimento de luz nos caminhos que o trabalhador percorre. A luz não se esquece daquele que sempre acende uma chama nos caminhos alheios. Se se ignora os dons que se possuí, e se faz comércio deles, não se é tão castigado pelas leis, quanto aquele que dele faz meio de vida, conhecendo as suas finalidades. Se se ouve os companheiros do Além e se vende essas informações, está havendo negociação com faculdades que o amor de Deus lhe confiou. Se se tem a dupla vista, e pelo seu uso se aceita paga, é necessário atentar para que não se caia cada vez mais sob o jugo de forças de difícil libertação. Se se é médium escrevente e se usa das valiosas oportunidades de instruir para arrecadar dinheiro para o uso pessoal, necessário observar se não se está morrendo na perda da faculdade que começou a aflorar. Se a pessoa é dotada da faculdade de ver mais além que os outros, é necessário conservar essa visão, colocando-a a serviço do amor com Jesus, que Deus não a esquecerá, enriquecendo-a com as bênçãos da alegria pura.

Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez - Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

10.7.18

CADINHO


Reunião pública de 30-1-59
Questão nº 260

Muitas vezes, na Terra, na posição de cultores da delinquência, conseguimos escapar das sentinelas da punição.
Faltas não previstas na legislação terrestre, como sejam certos atos de crueldade e muitos crimes da ingratidão, muros a dentro de nossa vida particular, quase sempre acarretam a queda e a perturbação, a enfermidade e a morte de criaturas que a Divina Bondade nos põe no caminho.
De outra feita, quando positivamente enodoados com o ferrete da culpa, conseguimos aligeirar nossas penas ou delas nos exonerar, subornando consciências dolosas, no recinto dos tribunais.
Todavia, a reta justiça nos espera, infalível, e além da morte, ainda mesmo quando tenhamos legado ao mundo vastas parcelas de cultura e benemerência, eis que as marcas de ignomínia se nos destacam no ser, então expostas à Grande Luz.
Nessa crise inesperada, imploramos nós mesmos retorno e readmissão nos cursos de trabalho em que se nos desmandaram a deserção e a falência, a fim da  ressarcirmos os débitos que os homens não conheceram, mas que vibram, obcecantes, no imo de nossa s almas.
É assim que voltamos ao cadinho fervente da purgação, retomando nos fios da consanguinidade a presença daqueles que mais ferimos, para devolver-lhes em ternura e devotamento os patrimônios dilapidados, rearticulando os elos da harmonia que nos ligam a todos, na universalidade da vida, perante a Lei.
Reverenciemos, desse modo, no lar humano, não apenas o templo de carinho em que se nos reabastecem as forças, no exercício do bem eterno, mas igualmente a rude escola da regeneração, em que retomamos o convívio dos velhos adversários que nós mesmos criamos, a ressurgirem na forma de aversões instintivas e desafetos ocultos, que nos constrangem cada hora à lição da renúncia e à mensagem do sacrifício.
E por mais inquietante se nos afigure a experiência no educandário doméstico, guardemos, dentro dele, extrema devoção ao dever, perdoando e ajudando, compreendendo e amparando sem descansar, pois somente aquele que se engrandeceu, entre as próprias paredes da própria casa, é que pode, em verdade, servir à obra de Deus no campo vasto do mundo.

Livro “Religião dos Espíritos” –  Francisco C. Xavier – Emmanuel – Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

8.7.18

Um abraço, em nome da Virgem, faz maravilhas!


    " Bezerra de Menezes acabava de presidir a uma das Sessões públicas da Casa de Ismael, na Av. Passos. Era uma noite de terça -feira do mês de junho de 1896. Sua palavra esclarecida e carinhosa, à moda de uma chuva fina e criadeira, no dizer de M. Quintão, penetrava às almas de quantos, encarnados desencarnados, lhe ouviam a evangélica dissertação sobre uma Lição do Livro da Vida! Os olhos estavam marejados de lágrimas, tanto de ouvintes como os do próprio Orador.
    Acabada a Sessão, descera Bezerra com passos tardos, ainda emocionado, as escadas da Federação Espírita Brasileira. E ia, humildemente, indagando dos mais íntimos, se ferira alguém com sua palavra, que lhe perdoassem o descuido e ia descendo e afagando a todos que o esperavam, ávidos de seus conselhos, dos seus sorrisos, do seu olhar manso e bom.
    No sucedâneo da escada, localizou um irmão, de seus 45 anos, cabelos em desalinho, com a roupa suja e amarrotada.
    Os dois se olharam. Bezerra compreendeu logo que ali estava um Caso, todo particular, para ele resolver.
    Oh! Bendito os que têm olhos no coração! E Bezerra os tinha e os tem! E levou o desconhecido para um canto e lhe ouviu, com atenção, o desabafo e o pedido:
    - Dr. Bezerra, estou sem emprego, com a mulher e os dois filhos doentes e famintos... E eu mesmo, como vê, estou sem alimento e febril!
    - Bezerra, apiedado, verificou se ainda tinha algum dinheiro. Nada encontrou nos bolsos. Apenas a passagem do bonde...
    - Tornou-se mais apiedado e apreensivo.
    - E levantou os olhos já molhados de pranto para o alto e, numa Prece muda, pediu Inspiração a Maria Santíssima, seu Anjo Tutelar e solucionador de seus problemas. Depois, virando-se para o Irmão:
    - Meu filho, você tem fé em Nossa Senhora? A Mãe do Divino Mestre, a nossa Mãe Querida?
    - Tenho e muita, Dr. Bezerra!
    - Pois, então, em seu Santíssimo Nome, receba este abraço.
    - E abraçou o desesperado Irmão, envolvente e demoradamente. E, despedindo-se:
    - Vá, meu filho, na Paz de Jesus e sob a proteção do Anjo da Humanidade. E, em seu lar, faça o mesmo com todos os seus familiares, abraçando-os, afagando-os. E confie Nela, no Amor da Rainha do Céu, que seu Caso há de ser resolvido. E Bezerra partira.
    A caminho do lar meditava: teria cumprido seu dever, será que possibilitara ajuda ao irmão em prova, faminto e doente?
    E arrependia-se por não lhe haver dado senão um abraço. Não possuía nenhum dinheiro. O próprio anel de grau já não estava nos seus dedos. Tudo havia dado. Não tendo dinheiro, dera algo de si mesmo, vibrações, bom ânimo, moeda da alma ao irmão sofredor e não tinha certeza de que isso lhe bastara...
    E, neste estado de espírito, preocupado pela sorte de um seu semelhante, chegou ao lar.
***
    Uma semana passara-se.
    Bezerra não se recordava mais do sucedido. Muitos eram os problemas alheios. Após a sessão de outra terça-feira, descia as escadas da Federação.
    Alguém, no mesmo lugar da escada, trazendo na fisionomia toda a emoção do agradecimento, toca-lhe o braço e lhe diz:
    - Venho agradecer-lhe, Dr. Bezerra, o abraço milagroso que me deu na semana passada, neste local e nesta mesma hora. Daqui saí logo sentindo-me melhor. Em casa, cumpri seu pedido e abracei minha mulher e meus filhos. Na linguagem do coração, oramos todos à Mãe do Céu. Na água que bebemos, e demos aos familiares, parece, continha alimento; pois dormimos todos bem. No dia seguinte, estávamos sem febre e como que alimentados... E veio-me uma inspiração, guiando-me a uma porta, que se abriu e alguém por ela saiu, ouviu o meu problema, condoeu-se de mim e me deu um emprego, no qual estou até hoje. E venho lhe agradecer a grande dádiva que o senhor me deu, arrancada de si mesmo, maior e melhor do que dinheiro!
    - O ambiente era tocante!
    Lágrimas caíam tanto dos olhos de Bezerra como do irmão beneficiado e desconhecido.
    E uma prece muda, de dois corações unidos, numa mesma força gratulatória, subiu aos Céus, louvando Aquela que é, em verdade, a Porta de nossas Esperanças, a Mãe Sublime de todas as Mães, a Advogada querida de todas as Nossas Causas!
    Louvado seja o nome de Maria Santíssima!
    E abençoado seja o nome de quem, em seu Nome, num Abraço, fez maravilhas, a verdadeira Caridade Desconhecida!"

Livro: Lindos Casos de Bezerra de Menezes -  Ramiro Gama.