14.5.15

EXPERIÊNCIA - I



131 –Como adquire experiência o Espírito encarnado?
       A luta e o trabalho são tão imprescindíveis ao aperfeiçoamento do espírito, como o pão material é indispensável à manutenção do corpo físico. É trabalhando e lutando, sofrendo e aprendendo, que a alma adquire as experiências necessárias na sua marcha para a perfeição.
132 –Há o determinismo e o livre-arbítrio, ao mesmo tempo, na existência humana?
       Determinismo e livre-arbítrio coexistem na vida, entrosando-se na estrada dos destinos, para a elevação e redenção dos homens.
       O primeiro é absoluto nas mais baixas camadas evolutivas e o segundo amplia-se com os valores da educação e da experiência. Acresce observar que sobre ambos pairam as determinações divinas, baseadas na lei do amor, sagrada e única, da qual a profecia foi sempre o mais eloqüente testemunho.
       Não verificais, atualmente, as realizações previstas pelos emissários do Senhor há dois e quatro milênios, no divino simbolismo das Escrituras?
Estabelecida a verdade de que o homem é livre na pauta de sua educação e de seus méritos, na lei das provas, cumpre-nos reconhecer que o próprio homem, à medida que se torna responsável, organiza o determinismo da sua existência, agravando-o ou amenizando-lhe os rigores, até poder elevar-se definitivamente aos planos superiores do Universo.
Da  obra “O Consolador” – Espírito: Emmanuel – Médium: Francisco C. Xavier - Os livros espíritas, como este, vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz de Limeira.

13.5.15

Discurso - Ao Meu Recife

Senhores,
A quantas anda a paisagem libertária e liberal do meu Recife?
Onde estão os homens e as mulheres que não baixam as suas cabeças diante das injustiças e dos degredos?
A quem procurar quando nos sentirmos lesados na nossa condição cidadã?
Parece-me que aquela inquietação fervente que sempre caracterizou o meu Recife está dormindo. Afora alguns movimentos sociais que, episodicamente, se manifestam por uma causa ou outra, vejo é o esquecimento da sua base inconformista e progressista.
Onde estão os políticos que bradavam por mais liberdade de expressão no passado?
Por que se calar diante de um governo federal que beira a mediocridade só porque se prende a ele por um quinhão mínimo de recursos e de posição?
Não importa a bandeira partidária, importa a causa libertária.
Foi esta sempre a fleuma dos recifenses e, ademais, de todos os pernambucanos, mas onde está tamanha rebeldia? Em que lugar se esconde o bravo povo do Recife?
Não sou contra governos a, b ou c. Na minha condição espiritual nem isso devo ser. O que está em jogo são práticas ultrapassadas e manter-se no poder ou ser conivente com ele porque não se deseja se “queimar” diante da opinião pública ou de uma parcela sectarista da população. É pensar menor e deixar de ter altivez.
Vejo homens honrosos em todos os flancos, mas não posso, no dever da verdade, dizer que não existem pilantras em todas as facções, oportunistas do poder – seja ele qual for -, larápios do dinheiro público.
O que está em jogo, senhores, é a honradez, é o compromisso com a verdade, é ter mãos limpas, é não ser conivente com o que existe de pior.
Se homens que deveriam acertar erraram, então que se modifique imediatamente o estado de coisas reinante. O que não se pode é tentar encontrar subterfúgios para cobrir as “marmeladas”.
Quando defendo tais princípios, por favor, não me enquadrem num quadrante ou outro da política vigente, isto não. O que defendo, como sempre defendi, são princípios. E se eles são esquecidos, subtraídos, lesados, que se faça a justiça em nome do povo.
Ocorre, porém, infelizmente, é que muitas mãos que deveriam coordenar a limpeza do tecido social, pasmem, possuem, igualmente, as suas mãos sujas.
A moral, na política como em tudo na vida, deve se constituir naquilo que de mais sagrado existe. Moral conjugada ao exemplo particular que inspira ao coletivo.
Não me venham, por favor, senhores, com a justificativa lesante de que todos fazem, por isso, podemos fazer também. Não, isto não!
Se o País necessita de reformas, que venham elas.
Se o País depende do exemplo, que ele seja aplicado.
Se o Pais deseja mudanças, que elas sejam implantadas.
O que não deve, especialmente em política, que é coisa séria, é lançar mão da hipocrisia, do discurso fácil e frouxo, do acordo às escondidas, para manter-se tudo como está. O que não se pode perder é a vergonha na cara.
Entendamos, de uma vez por todas, estamos nos referindo a homens. Sabemos das fragilidades que são inerentes, ainda, a condição humana.
Há homens que defendem valores da boca para fora. Apresentam-se como baluartes do bom exemplo, mas, como bem diz o mestre Jesus, não passam de sepulcros caiados.
A indignação do nosso povo é enorme, mas sincera, fundamentada, certa.
Que se mude o governo, se assim melhor se entender.
Que mude o governo, se assim melhor ele entender.
Mas que se mude urgentemente este estado de coisas que, em breve, se nada for feito, ficará absolutamente insustentável.
Ao meu Recife, o meu apelo ardente por lutar incansavelmente pela justiça social, política e econômica, sem tréguas e sem medo.
O bem, senhores, no final, sempre há de vencer.
É o que tinha a dizer.
Joaquim Nabuco

12.5.15

ESPIRITISMO – POR ESTE MOTIVO

Espiritismo não pode ser – e não é! – uma religião como as demais, porque tampouco é somente doutrina religiosa.
Por este motivo:
- não deve se formalizar,
- preocupar-se com conversões,
- criar qualquer espécie de ritual,
- estabelecer censura ao pensamento alheio,
- valer-se de rótulos como, por exemplo, o famigerado “antidoutrinário”,
- almejar uniformidade de opiniões,
- menosprezar a crença de quem seja,
- crer na infalibilidade dos comunicados de além-túmulo que constam de suas Obras, e que, consequentemente, elas não necessitem de ampliação,
- pretender a hegemonia espiritual,
- evocar para si a “propriedade” do Mundo dos Espíritos,
- admitir a superioridade de seus “guias”,
- supor que os seus adeptos estejam na vanguarda do progresso moral da Humanidade,
- aceitar que os seus tarefeiros encarnados sejam espíritos investidos de transcendente missão, que se sobreponha à daqueles que militam em outros setores no bem da coletividade,
- fomentar ilusões quanto à rápida generalização de seus Princípios,
- fazer acreditar que nada mais exista para ser revelado,
- permitir que os seus seguidores ignorem a necessidade de sua constante renovação íntima,
- pontificar de cátedras de um falso academicismo,
- aplaudir a generosidade que, em todos os que lhe abraçam os postulados de fé, não passa de simples dever a cumprir,
- habilitar médiuns com diplomas e troféus, comendas e medalhas,
- concordar em que a vaidade e o personalismo prevaleçam em suas supostas lideranças,
- impor suas próprias convicções à liberdade de escolha das pessoas,
- desvendar, com minúcias, o passado, como quem possua alguma autoridade para se imiscuir no destino alheio,
- participar de excomunhões intramuros,
- empreender, em nome de uma chamada “pureza doutrinária”, cruzadas que objetivem alijar companheiros do trabalho sincero,
- endossar a arbitrariedade ridícula de dirigentes que estejam à frente de Grupos, e que não possuam o menor senso de autocrítica...
O Espiritismo verdadeiro, que é o Cristianismo genuíno, não deve, sob pena de lamentáveis equívocos, consentir que nenhum de seus tutelados se esqueça das sábias palavras do Cristo: “... quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva.”
Porque, de fato, todo aquele que quiser tornar-se grande sem apequenar-se no espírito de serviço, não servirá para fazer a maior grandeza do Espiritismo.
INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 11 de maio de 2015

11.5.15

Não posso ser um santo.



Não sou Santo

Tenho recebido perguntas sobre o que Dom Hélder Câmara acha do seu processo de beatificação iniciado pela Igreja Católica. Ultimamente, ele tem se mantido em silêncio sobre o assunto, mas em pelo menos por três ocasiões já se pronunciou direta ou indiretamente sobre o assunto. Uma no seu livro "EM RAZÃO DE VIVER" e outras duas neste espaço do seu blog que reproduzo abaixo.

NÃO SOU SANTO

Outra vez mais me deparo com um desejo de homenagem de amigos generosos em torno de uma candidatura de meu nome para ganhar vez no panteão dos santos católicos.
Ah! Meu Deus, não sabem o tanto que me falta, não sou santo e como estou distante da verdadeira santidade.
Não sou santo porque ainda peco em palavras e ações.
Não sou santo porque me desvio vez por outra em pensamentos insolentes e sem propósito.
Não sou santo porque ainda não sei perdoar como deveria.
Não sou santo porque tenho muito a fazer deste lado da vida para aparar as minhas queixas em relação a minha própria consciência.
Quanto me falta, Pai, para ser um santo. Sei que um dia o serei. Disto não tenho duvida alguma porque isto está reservado pelo Pai a todos os seus filhos.
Neste momento, porém, não sou santo.
Encontro, vez por outra aqui, aqueles a quem a nossa Santa Madre Igreja conferiu-lhes a santidade. Fico estupefato em saber o quanto eles se envergonham com tal condecoração.
A vergonha se manifesta exatamente por saberem de suas limitações e verem na terra venerados como servos de Deus em perfeição.
Dizem eles: “Se soubessem o que ainda passamos no dia a dia, sequer cogitariam, sequer pensariam em santidade”.
Pois é, amigos, ainda somos tão humanos por aqui, tão próximos da carne e do osso, que qualquer alusão a nossa possível angelitude nos causaria constrangimento.
Devemos venerar sim é ao Pai, a Santidade por excelência.
Devemos lembrar de Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem todos nos subordinamos na terra, em aprender de verdade, o caminho para a santidade.
Devemos lembrar de Maria, que a todo instante trabalha para ajudar a todos os seus filhos espirituais.
Que o nosso Papa Francisco analise bem este pedido de amigos do coração e conclua que o velho Helder deseja mesmo é ser lembrado como um servo sincero do Nosso Senhor Jesus Cristo em tentar implantar, na essência, o seu Evangelho de amor.
Em paz!
Helder Camara
1º.07.13

Não posso ser um Santo

A santidade é algo que ainda não me compete merecê-la. 
Sei do grande apreço e atenção de todos os meus queridos amigos que tentam manter-me na lembrança da Igreja e dos homens pelo meu legado na seara do Cristo, mas confesso, apesar de agradecer os esforços neste sentido, que sou mesmo bem pequeno nos planos do Senhor.
Minhas obras, por mais veneráveis que possam parecer, foram fruto de uma devoção à causa que abracei. Não poderia ser diferente. Despendi minha atenção para com todos aqueles que me procuraram e, se mais não fiz, foi por absoluta limitação das forças e de recursos. Tudo, porém, teve uma motivação maior: servir ao Nosso Senhor Jesus Cristo.
A obra que participei não é minha, mas do conjunto de irmãos que participaram dela. Coube a mim, quando muito, o papel de incentivador, coordenador – às vezes, mas nunca de protagonista.
A Igreja me ofereceu a condição de servir ao próximo, de estar mais perto da dor de meus irmãos de caminho, somente isso. O que fiz foi apenas a minha obrigação como padre, nada mais.
As curas que porventura possam vir a ser atribuídas a mim, creiam, não passam da ação da própria fé. Foi a fé que as curou, na boa lembrança das palavras de Jesus quando atendia àquele que o procurava na ânsia de se livrar de seu sofrimento físico.
Jesus, porém, veio para estancar as dores da alma. Estas, sim, são as principais que devemos colocar toda a nossa atenção e dedicação para curá-la de verdade. E como é difícil fazer isso... Para começar não se pode pedir a ninguém que lhe tire do peito a dor da ingratidão, da falta de perdão, da incompreensão. Não se consegue estirpar do peito a face penosa que possuímos fruto da nossa invigilância.
Sou um pecador como tantos outros homens. 
Ainda me pego a pensar coisas que não deveria.
Ainda sou pego em atitudes que não deveria mais repetir.
Ainda não sou devidamente solidário com a dor do meu irmão como deveria.
Então, meus queridos, não posso ser um santo.
Daqui, pouco posso fazer para reverter a situação que já foi iniciada, mas, se houver possibilidade, evitem este desatino, em nome de Deus.
Sou muito grato por tudo, mas não gostaria de ver o meu nome no altar dos santos da Igreja, pois, ao vislumbrar outros tantos que receberam esta condição, vejo-me tão menor, muitíssimo menor.
Sou o jumentinho do senhor Jesus na sua chegada a Jerusalém, não mais do que isso. Creiam, irmãos, é a mais pura verdade.
Que Deus abençoe todos nós!
Helder Câmara
10.05.15

10.5.15

CAMINHEIRO DO CRISTO



Caminheiro do Cristo, um passo além...
Não temas contratempos e fracassos!
Enxuga o pranto de teus olhos baços
E prossegue na luta que convém...

Se não contas com o arrimo de ninguém,
Que se te faça apoio aos próprios passos,
Recorda que o Senhor te estende os braços
E sob a cruz que levas te sustém...

Não te importem escárnio e zombaria
Da multidão entregue a rebeldia
Daqueles que descreem de Jesus...

Transpondo pedras ou pisando espinhos,
Avança além da sombra dos caminhos
De fronte alevantada para a luz!...

Eurícledes Formiga
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã de sábado do dia 2 de maio de 2015, em Uberaba – MG).

9.5.15

SONETO



O homem da Terra, mísero e precito,
No máximo de dor de que há memória,
Vai penetrar a noite merencória
do seu caminho desvairado e aflito.

No mundo, em toda a parte, ouve-se o grito
Da mentira em seus dias de vitória!
Ostentação, miséria, falsa glória
Afrontando as verdades do Infinito!


Mas ao coro sinistro das batalhas
Hão de cair as rígidas muralhas
Que guardam a ilusão do mundo velho!


E após a dor, a treva e a derrocada
O homem renascerá para a alvorada
Da luz divina e eterna do Evangelho!


Olavo Bilac
(Soneto recebido pelo médium Francisco Cândido Xavier, na sede da União Espírita Mineira, em 6 de agosto de 1939.)

8.5.15

SENTIMENTOS DOS A QUEM OFENDEMOS



Questão 295 do Livro dosEspíritos

Depois do túmulo, os sentimentos que animam os que ofendemos, se esses ofendidos forem Espíritos inferiores, são de vingança, de ódio e de violência, formando, quando podem, toda ordem de obsessão sobre os ofensores do passado.
Se os ofendidos forem Espíritos elevados, que já conhecem o Evangelho e começaram a praticá-lo, eles não gastam tempo em perseguição. A sua arma de luz é o esquecimento das faltas, passando a orar pelos ofensores e ajudando-os em todos os momentos possíveis.
Podemos observar em "Atos" dos apóstolos, que Estevão foi lapidado por ordem de Saulo de Tarso. Depois de desencarnado, entretanto, passou a guiar Paulo nos caminhos da Luz, porque Estêvão era um anjo a serviço do amor. Mesmo sem ter acompanhado o Cristo na Terra, foi enviado por Ele.
O mal não dá trégua aos que geram o ambiente de discórdia, mas, somente depois que os Espíritos do mal sofrerem as conseqüências dele é que mudam de idéia, e passam a fazer o bem. As sementes do bem são pontos de luz nos caminhos do semeador.
Não alimentemos sentimentos de discórdia, pois ela procurar-nos-á onde estivermos; não alimentemos sentimentos de ciúme, pois ele procurar-nos-á no endereço certo; não alimentemos sentimentos de vingança, pois ela não nos deixará sossegados. As imagens que essas desventuras geram são inferiores e condutoras de desarmonia.
A Doutrina Espírita, como Evangelho em estado de progresso revelador, nos coloca todas as nuances nas quais devemos trabalhar para a aquisição dos valores imortais, despertando em nós as qualidades, como atributos de luz. O ofensor nunca se encontra em paz, mesmo se o ofendido o perdoa, porque, se ele ofendeu, gravou na consciência os dramas da ofensa, e cria inimigos internos que são os piores, pois não aceitam arrependimentos que não se fazem acompanhar da prática e, por vezes, cobram até o último ceitil. Eles são justiceiros.
Muitos espiritistas, quando encontram esse tipo de obsessão, pensam que são Espíritos se vingando, quando, muitas vezes, são as próprias imagens às quais o ofensor deu vida por ignorância. É neste sentido que chamamos sempre a atenção das almas de boa vontade para que, no prosseguimento do processo de arrependimento, coloquem em prática a vivência dos bons costumes e a retidão do caráter, porque a limpeza do mundo interno pode vir com grandes infortúnios e pode atravessar gerações e mais gerações com padecimentos incalculáveis. O Espiritismo veio abonar os novos discípulos do Cristo, mostrando-lhes trabalho e renúncia, incentivando-os a lutarem interna e externamente, no sentido de aliviarem em menos tempo o fardo e o jugo, de modo que a consciência, livre do magnetismo do ódio, lhes confira meios de gozar as delícias do céu, no reino do coração.
Nesse passo, quais os sentimentos que devemos gerar? Não é preciso a ninguém perguntarmos, porque a nossa intuição nos dirá, no ambiente que o Cristo gera em nós, nas bênçãos de Deus. Cada inimigo que recrutamos nos nossos caminhos, são portas de entrada para o inferno da consciência em chamas, e cada amigo que fizermos nas nossas andanças, serão pontos de luz que ajudam a nos libertar das trevas.
Querer morrer para ficar livre dos inimigos é falta de conhecimento da verdade, porque eles, depois do túmulo, estão em maior número. Que cada um comece hoje, agora, a perdoá-los, se os tiver, porque o céu começa a surgir agora, no coração de quem perdoa e ama.

Livro: Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez.
Os livros espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz de Limeira.