7.11.14


IMAGENS
Não é somente o homem que escreve, a pessoa capaz de trazer monstruosas criações ao pensamento do povo, assim como não apenas o tribuno pode formar na mente alheia estados alarmantes de ansiedade e loucura.
Quantas vezes, nas tarefas cotidianas, traçamos nos outros destrutivas impressões de revolta e indiferença, com os nossos gestos impensados?
Quantas vezes nossa cólera terá gerado, naqueles que nos cercam, o desânimo e a frustração?
Em quantos pequeninos lances da luta diária damos pasto à calúnia e a maledicência, plasmando ideias que, hoje vagas e imprecisas, podem ser amanhã decisivos fatores de perturbação e delinquência?
Longe de ponderar as responsabilidades que nos enriquecem o espírito, frequentemente descemos a questiúnculas e bagatelas infelizes, sugerindo a maldade e disseminando a aflição, agravando assim nossos débitos, consolidando as forças da ignorância e da crueldade, em desfavor de nós mesmos.
No altar de nossa fé e no campo da caridade que o Senhor nos deu a lavrar, recorda que responderemos pelas imagens que os nossos pensamentos, palavras e atos estabelecem na alma dos outros, tanto quanto os arquitetos se incumbem das construções que lhes obedecem aos planos.
E acordando para a luz que nos cabe acender na viagem da vida, não te esqueça da claridade de paz e bom ânimo, confiança e alegria que nos compete estender, na proteção aos que nos cercam, a fim de que possamos avançar livremente ao encontro da harmonia e do progresso, porque todas as nossas criações de pessimismo e indisciplina, desalento e amargura, em seus golpes de retorno, significarão para nós mesmos penúria e dificuldade, infortúnio e provação.
Livro: Mãos Marcadas - Francisco C. Xavier - Emmanuel.

6.11.14

ENTRE OS CANIBAIS

Questão 271 do Livro dos Espíritos

Entre os canibais não nascem Espíritos elevados, cuja superioridade ultrapassa o entendimento daquele grupo.
Para que um Espírito puro reencarnaria junto a Espíritos primitivos?
Os Espíritos missionários só renascem em um meio onde as lições de que eles são portadores possam ser de proveito. Sobre isso, Jesus já falava aos Seus discípulos: Não deis pérolas aos porcos, nem lanceis coisas santas aos cães.
É justo que no meio dos canibais nasça Espírito que tenha mais um pouco de entendimento que eles, para guiá-los, como igualmente reencarnam almas ainda mais inferiores, para aprenderem o que esses já granjearam na vida. Disso temos provas na própria sociedade da qual fazemos parte, onde há Espíritos de todos os naipes, uns elevados, outros medianos e outros de condições inferiores.
A vida é um processo de despertamento espiritual constante. Ainda existem tribos mais inferiores que os próprios canibais em mundos primitivos, mas que, algum dia, serão Espíritos puros. O tempo se encarregará disso com sabedoria, porque as leis são justas e o amor de Deus cobre toda a criação.
Se não houvesse o inferior, qual seria o trabalho do superior? Na criação de Deus, todos os planos de vida se fundem para engrandecer. Por que julgar a quem erra, se é uma oportunidade para o justo trabalhar? O santo já foi primitivo e o sábio passou pelos mesmos caminhos. Eles são conscientes dessas verdades, e é por esse motivo que eles ajudam com amor aos que se encontram na retaguarda.
Por que as próprias leis das nações protegem os animais? Por serem eles úteis à sociedade. Ainda mais, eles nos mostram de onde viemos, e que, certamente, encontramos quem nos ajudou a chegar onde estamos. Fazer o mesmo é dever de cada criatura.
Se Deus se encontra em toda parte, está entre os canibais. As sociedades inferiores da Terra, nas condições em que elas se encontram, irão desaparecendo com a ajuda do tempo. Estamos passando por um transe algo doloroso para todas as posições que se ocupa; é o ciclo evolutivo do planeta que está encerrando, e em todos os fechamentos de ciclo os problemas se avolumam. Guerras e rumores de guerras, pestes, terremotos e aflições sem conta, mas, tudo é passageiro. É a tempestade anunciando a bonança.
Jesus veio nos trazer o conhecimento da verdade, e para isso entregou a própria vida, para que tenhamos condições de suportar com coragem o que haverá de acontecer. O chamado está feito em toda parte e para todas as criaturas. O desejo dos céus é que todos sejam escolhidos. Muitos vão herdar a Terra, que passará a ser um mundo de regeneração, onde ninguém mais errará; todos estarão apenas consertando o que foi feito com desacerto. E os canibais, os Espíritos endurecidos, serão levados para outros mundos, compatíveis com o seu adiantamento. Essa é a lei, essa é a justiça de Deus.
Livro: Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez

5.11.14

63 –Considerando a determinação positiva do “não julgueis”, como poderemos discernir do mal, sem julgamento?
-Entre julgar e discernir, há sempre grande distância. O ato de julgar para a especificação de conseqüência definitiva pertence à autoridade divina, porém, o direito da análise está instituído para todos os Espíritos, de modo que, discernindo o bem e o mal, o erro e a verdade, possam as criaturas traçar as diretrizes do seu melhor caminho para Deus.
64 –Em face da lei dos homens, quando em presença do processo criminal, deve dar-se o voto condenativo, em concordância com o processo-crime, ou absolver o réu em obediência ao “não julgueis”?
-Na esfera de nossas experiências, consideramos que, à frente dos processos humanos, ainda quando as suas peças sejam condenatórias, deve-se recordar a figura do Cristo junto da pecadora apedrejada, pois que Jesus estava também perante um júri.
“Quem estiver sem pecado atire a primeira pedra” – é a sentença que deveria lembrar, sempre, a nossa situação comum de Espíritos decaídos, para não condenar esse ou aquele dos nossos semelhantes. “Vai e não peques mais” – deve ser a nossa norma de conduta dentro do próprio coração, afastando-se a erva do mal que nele viceje.
Nos processos públicos, a autoridade judiciária, como peça integrante da máquina do Estado no desempenho de suas funções especializadas, deve saber onde se encontra o recurso conveniente para o corretivo ou para a reeducação do organismo social, mobilizando, nesse mister, os valores de sua experiência e de suas responsabilidades.
Individualmente, porém, busquemos aprender que se podemos “julgar” alguma coisa, julguemo-nos, sempre, em primeiro lugar, como o irmão mais próximo daquele a quem se atribui um crime ou uma falta, a fim de estarmos acordes com Aquele que é a luz dos nossos corações.
Nas horas comuns da existência, procuremos a luz evangélica para analisar o erro e a verdade, discernir o bem e o mal; todavia, no instante dos julgamentos definitivos, entreguemos os processos A Deus, que, antes, de nós, saberá sempre o melhor caminho da regeneração dos seus filhos trabalhadores.
65 –O homem que guarda responsabilidade nos cargos públicos da Terra responde, no plano espiritual, pelas ordens que cumpre e faz cumprir?
-A responsabilidade de um cargo público, pelas suas características morais, é sempre mais importante que a concedida por Deus sobre um patrimônio material. Daí a verdade que, na vida espiritual, o depositário do bem público responderá sempre pelas ordens expedidas pela sua autoridade, nas tarefas da Terra.
66 –O preceito evangélico – “assim pois, aquele que dentre vós não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo” – deve ser interpretado no sentido absoluto?
-Ainda esse ensino do Mestre deve ser considerado no seu divino simbolismo.
A fortuna e a autoridade humanas são também caminhos de experiências e provas, e o homem que as atirasse fora de si, arbitrariamente, procederia com a noção da irresponsabilidade, desprezando o ensejo do progresso que a Providência Divina lhe colocou nas mãos.
Todos os homens são usufrutuários dos bens divinos e os convocados ao trabalho de administração desses bens devem encarar a sua responsabilidade como problema dos mais sérios da vida.
Renunciando ao egoísmo, ao orgulho, à fraqueza, às expressões de vaidade, o homem cumprirá a ordenação evangélica, e, sentindo, a grandeza de Deus, único dispensador no patrimônio real da vida, será discípulo do Senhor em quaisquer circunstâncias, por usar as suas possibilidades materiais e espirituais, sem os característicos  envenenados do mundo, como intérprete sincero dos desígnios divinos para felicidade de todos.
67 –Como interpretar o movimento feminista na atualidade da civilização?
-O homem e a mulher, no instituto conjugal, são como o cérebro e o coração do organismo doméstico.
Ambos são portadores de uma responsabilidade igual no sagrado colégio da família; e, se a alma feminina sempre apresentou um coeficiente mais avançado de espiritualidade na vida, é que, desde cedo, o espírito masculino intoxicou as fontes da sua liberdade, através de todos os abusos, prejudicando a sua posição moral no decurso das existências numerosas, em múltiplas experiências seculares.
A ideologia feminista dos tempos modernos, porém, com as diversas bandeiras políticas e sociais, pode ser um veneno para a mulher desavisada dos seus grandes deveres espirituais na face da Terra.  Se existe um feminismo legítimo, esse deve ser o da reeducação da mulher para o lar, nunca para uma ação contraproducente fora dele. É que os problemas femininos não poderão  ser solucionados pelos códigos do homem, mas somente à luz generosa e divina do Evangelho.
68 –Como conceituar o estado de espírito do homem moderno, que tanto se preocupa com o “estar bem na vida”, “ganhar bem” e “trabalhar para enriquecer”?
-Esse propósito do homem viciado, dos tempos atuais. Constitui forte expressão de ignorância dos valores espirituais na Terra, onde se verifica a inversão de quase todas as conquistas morais.
Foi esse excesso de inquietação, no mais desenfreado egoísmo, que provocou a crise moral do mundo, em cujos espetáculos sinistros podemos reconhecer que o homem físico, da radiotelefonia e do transatlântico, necessita de mais verdade que dinheiro, de mais luz que de pão.

Da  obra “O Consolador” – Espírito: Emmanuel – Médium: Francisco Cândido Xavier

4.11.14


DECLARAÇÕES DO PAPA SOBRE O “GÊNESIS” E O ESPIRITISMO

“O mesmo sucede com a Gênese, onde é preciso enxergar as grandes verdades morais sob figuras materiais, as quais, tomadas ao pé da letra, seriam tão absurdas, como em nossas fábulas, se tomássemos ao pé da letra as cenas e os diálogos atribuídos aos animais.” – Allan Kardec, em “A Gênese”, cap. XII – Gênese Mosaica.

A imprensa internacional, de maneira resumida, está publicando o que, dias atrás, o Papa Francisco, discursando na Pontifícia Academia de Ciências, disse a respeito da Teoria da Evolução e do Big Bang.
“Deus não agiu como um mago, com uma varinha mágica capaz de criar todas as coisas.”
“A evolução da Natureza não é incompatível com a noção de criação, pois exige a criação de seres que evoluem.”
“A criação do mundo não é obra do caos, mas deriva de um princípio supremo que cria por amor.”
“O homem foi criado com uma característica especial – a liberdade – e recebe a incumbência de proteger a criação, mas quando a liberdade se torna autonomia, destrói a criação e o homem assume o lugar do Criador.”
“Ao cientista, portanto, sobretudo ao cientista cristão, corresponde a atitude de interrogar-se sobre o futuro da Humanidade e da Terra; de construir um mundo humano para todas as pessoas e não para um grupo ou para uma classe de privilegiados.”
Evidentemente que, na oportunidade, o pronunciamento do Papa Francisco deve ter sido mais substancioso, mas, mesmo apresentado em síntese, pela imprensa, não poderia ser mais revolucionário e promissor.
Nas palavras ditas por ele, sem dúvida, ficou implícita a ideia da Reencarnação e da Lei de Ação e Reação, porquanto impossível que a Evolução se explique sem a lógica das vidas sucessivas e do livre arbítrio, através dos quais o homem se constrói.
Não sabemos quanto tempo o atual Pontífice haverá de sobreviver com a sua liderança e lucidez, que representa uma mudança sem precedentes nos rumos da Igreja, com inevitáveis consequências sobre os dogmas seculares em que ela se apoia.
Sabemos que, nos bastidores da Vida física e espiritual, tramas já vêm sendo urdidas para obstá-lo em seus acenos de que os tempos são outros e de que a Igreja precisa mudar – mas não somente a Igreja, e sim as religiões em geral, notadamente àquelas que insistem em continuar apegadas à letra que mata!
Como, por exemplo, a tais declarações, haverão de reagir os Criacionistas, que chegam a dividir os meios acadêmicos nos centros culturais mais avançados do mundo?!
E os judeus que têm feito da Bíblia, notadamente nas páginas do Antigo Testamento, e os muçulmanos, no Corão, pretexto para as suas guerras de caráter racial e pretensão de hegemonia no campo da fé?!
Acreditamos que os próprios cientistas, que, enchendo o peito de empáfia, se declaram ateus, não esperavam esse gesto conciliatório sem precedentes, que, outra vez, aproxima a Religião da Ciência, e vice-versa.
Esse Papa, em verdade, é um espírito diferente, mostrando que Deus possui, em toda parte, inesgotável legião de anônimos servidores da Verdade, que, à semelhança da luz do Sol, de maneira imperceptível, se infiltra em todos os lugares, e, gradativamente, sem que menos se espere, ofusca a visão dos que se habituaram a propagar a escuridão.

INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 3 de novembro de 2014

3.11.14


Boa Morte

Para que servem as flores?
Certo que é para embelezar um ambiente, deixar o seu aroma maravilhoso, mas, num dia como o de hoje, dedicado à memória dos falecidos, servem para demonstrar uma homenagem póstuma àqueles que são queridos e não mais estão entre os vivos do corpo físico.
Pois bem, as flores refletem este pesar por não mais se encontrar entre vós aquele que um dia conviveu e que deixou marcas de sua presença.
Um morto é lembrado muitas vezes no ano, mas quando é o dia dedicado aos finados, ele se torna mais presente entre aqueles que o amaram de verdade.
A lembrança, portanto, o faz estar mais próximo dos seus, pelo menos pelos pensamentos.
O morrer, porém, se reveste, a cada dia que passa, de nova figuração no entendimento. Se antes, tínhamos a impressão de que jamais iríamos encontrar quem deixamos na sepultura, atualmente vemos que é possível tê-lo mais perto com mais constância.
Na verdade, toda vez que pensamos em alguém que se foi, ele estará, onde estiver, sintonizando tais pensamentos e emoções.
Como é grande a terra e, ao mesmo tempo, tão pequena, pois no influxo do pensamento consegue-se chegar rapidamente ao “país dos mortos” e deixar a sua mensagem.
De outro modo, como faço há algum tempo, os que se foram conseguem, quando possível, dizer da sua imortalidade. Que maravilha, meu Pai!
Quando morremos temos a esperança de sobreviver. E quando abrimos os olhos no mundo da esperança e constatamos a nossa sobrevivência, grande alegria consome as nossas almas, sobretudo para aqueles que foram bem-aventurados, ou seja, souberam utilizar a vida física para criarem um bom propósito de vida, souberam materializar boas coisas na humanidade.
Esta é por aqui a senha para uma vida melhor: a prática de boas obras.
Quando se chega alguém com méritos de uma vida reta, os céus se abrem em louvor e uma equipe de espíritos vem ao seu socorro, de braços abertos, para reintroduzi-lo com segurança na nova morada que habitará.
Esta sensação de morrer varia de pessoa para pessoa, haja vista que vi – e vejo – pessoas em extrema carência moral e seus destinos, infelizmente, são tenebrosos.
No país da morte tem de tudo, no entanto, o que predomina é a máxima do Cristo: “cada um segundo as suas obras”.
Louvo ao Pai todos os dias para que dê aos seus filhos a temperança necessária no momento da partida para o lugar onde estou. Não há mistérios para aquele que estuda as coisas do espírito, mas, mesmo assim, uma viagem para o desconhecido, para lugar que não se sabe exatamente o que vai acontecer, proporciona certo mal-estar na alma. Somente a fé inquebrantável é que dará forças para o momento supremo do morrer.
Todos que aqui estão, em processo de evolução, sentem-se confortados. O fato de conhecer melhor o mecanismo da vida espiritual os fazem mais confiantes no amanhã.
Tenham paciência em vossas vidas e as consequências serão positivas no lado de cá.
Destaco a paciência porque aqui como aí, as coisas seguem a um ritmo que é traçado pelo Pai e, portanto, nada ocorre por acaso nem no seu tempo incorreto, até mesmo a partida do corpo físico.
Neste dia de lembrança e homenagem aos “mortos”,  fico pensando o que seria das pessoas se vissem aos seus em espírito à beira da sua catacumba. Ora, muitos, por absoluto espanto, correria cemitério afora. Outros, possivelmente, ficariam paralisados sem saber o que fazer. Poucos entabulariam um diálogo equilibrado com a alma do falecido.
Ora, por que não fazê-lo deste jeito num dia de hoje?
Ser lembrado e tratado com naturalidade é tudo que se quer no mundo dos vivos no espírito. Portanto, ajamos com naturalidade diante da morte física e tenhamos a convicção de que nada se perderá nos planos do Pai.
A boa morte é proporcional à boa vida no corpo físico. Assim sendo, cuide-se. Faça por onde ser melhor a sua estada quando aqui novamente chegar. Essencialmente, faça o bem.
Um abraço,
Helder Camara

2.11.14


Homem imperfeitamente espiritualizado
O homem imperfeitamente espiritualizado sempre busca igualar os semelhantes a si mesmo. Lembre-se, contudo, de que você é você, com tarefa original e responsabilidades diferentes e, se pretende a felicidade real, não deve esquecer a consulta aos padrões do bem, com o Cristo, em todas as horas de sua vida.

Livro: Agenda Cristã - Chico Xavier - André Luiz

1.11.14

ORANDO POR CHUVA

Senhor Jesus, Mestre Amado,
Sabemos que tens poder,
Para fazer, quando queiras,
Por sobre a Terra chover...

Por isto, Te suplicamos,
Embora sem merecer,
Que faças, por caridade,
O prodígio de chover...

Que se derrame do Alto,
Onde se põe a correr,
A fonte do Teu amor
Que faz na Terra chover...

E toda alma ressequida,
Que, no mundo, possa haver,
Possa florir qual floresce
Quando começa a chover!...

Eurícledes Formiga
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã de domingo do dia 19 de outubro de 2014, em Uberaba – MG).