11.6.16

DE HOMENS E BICHOS

A língua de quem critica,
Destilando fel a esmo,
É cauda de escorpião
Envenenando a si mesmo.
*
A vida de muita gente
É semelhante a da aranha,
Que quanto mais tece a teia,
Mais na teia se emaranha.
*
Quase sempre, é preferível,
Ao da lebre que se estuga,
Seguir no caminho adiante
A passos de tartaruga.
*
Fofoca que se alimente
Da voz de quem fala baixo,
É comparada ao cupim
Que a casa coloca abaixo.
*
Por mais lutes, não te esqueças
Que ter nas mãos muitos calos
É bem melhor do que ter,
Na cabeça, muitos “galos”...
*
Se não podes ser o Sol
Que tudo aclara em seu lume,
Procure ao menos, na vida,
Ser a luz de um vagalume.
*
Embora no Paraíso,
Diz a Bíblia, claramente,
Que o drama de Adão e Eva
Foi culpa de uma serpente...
*
Com referência à Verdade,
Para não fitar-lhe a luz,
Há quem se esconda na Terra
Como se fosse avestruz...
*
Os homens formam, no mundo,
Um rebanho por inteiro,
Entretanto, a maioria
É mais lobo que cordeiro.
*
Se alguém te fere e abandona,
Deixa que siga o seu curso...
É melhor estar sozinho
Do que ao pé de “amigo-urso”.
*
Mensagem que a Vida encerra
E proclama em grande estilo:
Para quem cumpre o dever,
A morte nunca tem “grilo”.
*
Foi por receio da história
Da cigarra, a pobre amiga,
Que quis renascer poeta
Tendo o nome de Formiga.

Eurícledes Formiga
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do “Grupo Espírita da Prece”, na noite de 18-11-1989, em Uberaba – MG).

10.6.16

Hereditariedade Moral

     Venho vos explicar a importante questão da hereditariedade das virtudes e dos vícios na raça humana. Esta transmissão faz hesitar aqueles que não compreendem a imensidade do princípio revelado pelo Espiritismo. Os mundos intermediários são povoados de Espíritos esperando a prova da encarnação, ou ai se preparando de novo, segundo seu grau de adiantamento. Os Espíritos, nesses viveiros da vida eterna, estão agrupados e divididos em grandes tribos, uns adiante, outros em atraso no progresso, e cada um escolhe, entre os grupos humanos, aqueles que correspondem simpaticamente às suas faculdades adquiridas, os quais progridem e não podem retrogradar.
     O Espírito que se encarna escolhe o pai cujo exemplo o fará avançar no caminho preferido, e repercute, elevando-lhes ou enfraquecendo-lhes, os talentos daquele que lhe deu a vida corpórea; nos dois casos, a conjunção simpática existe anteriormente ao nascimento, e é desenvolvida em seguida nas relações da família, pela imitação e pelo hábito.
    Depois da hereditariedade familiar, quero, meus amigos, vos revelar a origem da discordância que separa os indivíduos de uma mesma raça, de repente notável ou desonrado por um de seus membros que ficou estranho entre ela. O grosseiro viciado que está encarnado num centro elevado, e o Espírito luminosos que se encarna entre seres grosseiros, ambos obedecem à misteriosa harmonia que aproxima as partes divididas de um todo, e faz concordar o infinitamente pequeno com a suprema grandeza. O Espírito culpado, apoiado sobre as virtudes adquiridas de seu procurador terrestre, espera se fortalecer por elas, e se sucumbe e retorna à erraticidade menos carregado de ignorância e melhor preparado para sustentar uma nova luta.

Livro: Revista Espírita - 1862 - Allan Kardec - Médium Sra. Costel - Espírito São Luiz – Todos os livros espíritas, como este vendidos em nossa loja, terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz de Limeira.

9.6.16

Questão 349 do Livro dos Espíritos
NEM SEMPRE

Nem sempre o Espírito, quando falha a sua reencarnação, imediatamente escolhe outra. Esses casos devem passar pelo exame dos benfeitores espirituais e depende muito da necessidade do reencarnante. Às vezes se trata de uma entidade que deveria passar por aquela prova, como sendo a última em estado de prova; as outras que surgirem, poderão ser de missão para o Espírito, já consciente das obrigações espirituais, capaz de estender o Evangelho de Jesus por intermédio dos exemplos do dia a dia.
Nos fins dos tempos que se aproximam, estão nascendo multidões de almas elevadas, para difusão dos ensinamentos de Jesus pelas vidas que deverão levar. São os novos discípulos, dentro de uma dinâmica de luz, que não somente falam do Mestre, mas, mostram o Senhor pela compreensão, pelo amor e pela caridade.
Em se falando sobre a pergunta em referência, podemos crer que muitos Espíritos ficam esperando novas oportunidades que lhes serão concedidas, no sentido de voltarem à Terra, cumprindo assim a tarefa onde podem, por ela, se recuperarem de certos desequilíbrios do passado, próximo ou distante. No caso de pertencer, pelo trabalho, a alguma colônia espiritual, os serviços de reencarnação da mesma analisam as possibilidades da alma, e passam a escolher o novo corpo de acordo com as exigências do próprio Carma.
O Espírito, mesmo na inconsciência, busca a sua própria paz espiritual. Ninguém resiste ao amor. Aos companheiros que nos honram com esta leitura, nós os concitamos a amar o mais intensamente que puderem, porque o amor é verdadeiramente o alimento de todos nós. em todas as faixas de vida a que pertencemos, por amor de Deus. De qualquer maneira, sabemos que as vidas múltiplas são uma benção de Deus a favor das criaturas. São escolas de luz, que nos ensinam a viver melhor.
Devemos notar em muitas mensagens, inclusive no próprio "Evangelho Segundo o Espiritismo", que devemos cuidar bem dos nossos corpos, pois são eles instrumentos para o nosso trabalho. Eles precisam de cuidados que somente o dono pode dispensar. As coisas naturais têm o poder de sustentar uma boa saúde, para que se possa trabalhar com bom empenho na vida. Que cada um estude as necessidades do seu mundo fisiológico e faça tudo com ponderação, que a vida feliz é aquela em que a parcimônia reflete a paz interior. Deve-se comer para viver, e não viver como gastrônomo, qual alguns animais.
Que se aprenda a respirar melhor e a confiar no que se respira, visto que Deus nos dotou de poderes e que, pela vontade, podemos atrair o que desejamos. Que se fale da saúde, mas que se faca por onde a saúde se instale. Que não se aumente a miséria, conversando sempre sobre ela. Distribuamos alegria e vivamos alegres nas coisas nobres, que não existe felicidade sem alegria no coração em Cristo.
As determinações do mundo espiritual a nosso favor certamente que são de maior utilidade. Não regateemos a vontade do alto, pois Deus sabe o que faz para o nosso bem. Se queremos as coisas imediatamente, sem avaliar as conseqüências, podemos nos desesperar. Confiemos em Deus, que Jesus sempre confia em nós.


Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez – Todos os livros espíritas como este, vendidos em nossa loja, terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz de Limeira.

8.6.16

VIRTUDE IV

257 –A esperança e a Fé devem ser interpretadas como uma só virtude?
-A Esperança é a filha dileta da Fé. Ambas estão uma para outra, como a luz reflexa dos planetas está para a luz central e positiva do Sol.
A Esperança é como o luar que se constitui dos bálsamos da crença. A Fé é a divina claridade da certeza.
258 –No caminho da virtude, o pobre e o rico da Terra podem ser identificados como discípulos de Jesus?
-O título de discípulo é conferido pelo Divino Mestre a todos os homens de boa-vontade, sem distinção de situações, de classes ou de qualquer expressão sectária.
Com responsabilidade dos bens materiais ou sem ela, o homem é sempre rico pela sua posição de usufrutuário das graças divinas e, além do mais, temos de ponderar que, em toda situação, a criatura encontrará responsabilidade na existência, razão por que os sinceros discípulos do Senhor são iguais aos seus olhos, sem preferência de qualquer natureza.


Livro: “O Consolador” – Francisco C. Xavier – Emmanuel – Todos os livros espíritas como este, vendidos em nossa loja, terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz de Limeira. 

7.6.16

NUDEZ NO ALÉM?!

Por vezes, imagino que os homens – mormente os espíritas, claro! – supõem na Vida além da morte um verdadeiro campo de nudismo.
Sim, porquanto, eu mesmo, quando encarnado, jamais ouvi de quem fosse a menor referência à vestimenta dos mortos – talvez até, quem sabe, fosse preconceito contra os estilistas e os costureiros, de ambos os sexos.
Assim que me iniciei na Doutrina, ficava pensando em que situação os espíritos haveriam de deixar o corpo carnal – com que roupa haveriam de se cobrir, de vez que até mesmo Adão e Eva, quando expulsos do Jardim do Éden, “percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira, e fizeram cintas para si.”
Os pobres defuntos, certamente, haveriam de se ver na mesma dúvida que assaltou o sambista Noel Rosa, que, em canção de grande sucesso, nos idos de 1929, ficava se perguntando, com insistência, “com que roupa eu vou”...
Recordo-me que, então, na minha insipiência, que, aliás, perdura até hoje, cheguei a indagar de um companheiro cujo nome, em respeito à sua venerável memória, prefiro não citar, sobre a situação vestimental dos espíritos no Mundo Espiritual. Ele, modulando o tom de voz, respondeu-me quase ao pé do ouvido: - Os espíritos usam uma espécie de roupão de americano cru que lhes desce até aos calcanhares, e os que não andam descalços, calçam sandálias... Que coisa mais sem gosto – pensei eu sem nada retrucar, pois, afinal, eu não passava de um neófito, que estimava envergar um terno de linho cento e vinte e de calçar um par de sapatos italianos, pois, neste sentido, a indústria brasileira ainda estava nos seus primórdios.
Todavia, assim que comecei a participar das sessões mediúnicas do Sanatório, através, principalmente, de Modesta, ouvia os desencarnados afirmarem que as suas roupas estavam estraçalhadas...
- Eureka! – exclamei. O rei, qual no conto de Hans Cristhian Andersen, pode estar nu, mas os mortos, não estão! Ainda, pois, há alguma esperança para mim, que, do Outro Lado, sentir-me-ei envergonhado de que alguém me veja despido, exibindo as partes mais íntimas aos olhos pouco misericordiosos de qualquer...
Logo em seguida, não me recordo quem me colocou nas mãos o livro recém-lançado de André Luiz, “Nosso Lar”, editado em 1944, quando, então, eu contava com 40 anos de idade. Folheando, numa primeira leitura, despretensiosamente, as suas páginas, chamou-me a atenção as seguintes palavras do ilustre defunto: “Crescera-me a barba, a roupa começava a romper-se com os esforços da resistência, na região desconhecida.” Sentindo-me salvo, com avidez, procurei em todos os demais capítulos da referida obra, algum outro subsídio que me livrasse do nudismo total ou, talvez, até o que fosse pior, daquele estranho roupão de americano cru... E, em seu capítulo 22 – “O Bônus-Hora” –, mais uma vez, eu me senti salvo, ante as explicações da senhora Laura, que dizia a André que, na cidade, além de produção de alimentos, havia produção de vestuário.
Ainda hoje eu não sei como é que anda a situação aí embaixo, na Crosta, em torno da controvertida questão do nudismo dos mortos, que muitos acreditam continuar deixando o corpo sem sequer uma folha de figueira para lhes cobrir o que a morte não faz com que nós, os desencarnados, percamos.
Com a palavra os mais eruditos em Doutrina que, certamente, tomando a sua própria transcendência por medida de todos os defuntos, haverão de dizer que os espíritos são lisinhos, e que, justamente, por tal motivo, não carecem eles de qualquer pedaço de pano para lhes ocultar as protuberâncias carnais, de tão falecidas que essas mesmas protuberâncias já se encontram.

INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 6 de junho de 2016.

6.6.16

O Caminho do Aprendizado

O que é o certo e o errado?
Não saber um do outro é grande pecado para si mesmo. O que faz a vida com a gente? Ela vai dando pistas se nossos passos foram acertados ou não.
Na verdade, como aprender o certo do errado senão fazendo as coisas acontecer e tirando lições com a vida?
É, porque por mais que tenhamos vontade de acertar e evitar os erros, vamos inevitavelmente bater com a cara na parede. Não há como evitar, meus irmãos.
O que podemos fazer é ouvir os outros. Ora, se alguém já foi por aquele caminho e disse que ele era cheio de armadilhas, por que eu terei que insistir em algo que previamente já sei que não vai dar em nada?
Existem os teimosos, é verdade, aqueles que querem ver as coisas com seus próprios olhos, não se intimidam com a experiência negativa dos outros. É um direito, mas vai dar com os burros n’ água também. Não é proibir, é avisar.
Erro e acerto fazem parte de tentativas. Então, não vamos ter medo de viver a vida se apenas queremos acertar. Eu aprendi muito mais quando errava do que quando acertava imediatamente. Creio, na verdade, que somente fazia isso porque já havia processado internamente os meus erros.
Errar é atributo humano por excelência, como acertar também. Deve-se se sentir agradecido quando se erra, porque não mais alimentará a ilusão num caminho incerto.
O medo de errar tem a ver também com o medo que uns têm de acertar. Dizem para si mesmos: e se eu acertar, o que vou fazer?
Estas respostas a vida vai dando de graça ao longo do tempo. Hoje, somos bem melhores do que ontem simplesmente porque sabemos por onde se deve ir.
Paulatinamente, a vida vai nos ensinando o bom caminho e aí cabe a nós permanecer nele ou bater novamente com o rosto na parede.
Jesus nos ensinou que quando conhecêssemos a verdade ela nos tornaria livres, ou seja, quando processarmos a verdade em nós estaremos automaticamente livres dos erros – a menos que desejemos errar.
Faça por onde acertar, mas se errar dê um sorriso e caminhe adiante sem olhar para trás e se queixar dos erros cometidos. Na prática, podemos dizer, que foram acertos invertidos.
Caminhe, irmão, na estrada da vida e ao pegar ruelas impróprias, estradas esburacadas, avenidas não sinalizadas, aproveite para aprender qual o caminho que não mais te pertence seguir.
No final, tudo vai dar certo!

Helder Câmara – Blog Novas Utopias.

O Passo Acertado

Muitos dias vão se passando e a cada hora nos aproximamos mais e mais da esperança que nos anima.
Tempo de alegria e de paz está a nos aguardar no porvir.
Como ter esta certeza?
Ora, basta observar as pequenas criaturas de Deus.
Quantas pessoas observam os astros  e as nuvens para saber como será o tempo. Outras observam os insetos. Aranhas com suas teias, a paquinha quando desentoca. A formiga carregando alimento para o formigueiro.
São indícios de chuva, tempo frio, seca e assim por diante.
Como criaturas pressentem os tempos e nós não?
Com a sabedoria que nos proporciona o criador nós poderíamos ao menos sair de casa precavidos duma mudança repentina.
Os ventos sopram onde quer Deus. Não sabemos de onde vem nem para onde vai. Traz algo de si e leva algo de nós com ele.
Hoje escrevo para comentar sobre decisão e intenção. Com uma singela florzinha deste franciscano de espírito e coração.
A formiga travessa no dia estipulado. Houve uma reunião das formigas. Tudo estava preparado. Todas já haviam frequentado o curso intensivo do momento: como abastecer o formigueiro em dez passos principais.
Agora era o momento de traçar  as diretrizes anuais. Uma a uma iam recebendo sua ordenação da formiga chefe. Menos a mirradinha Florência. Esta tinha um defeitinho. Seus ‘bracinhos’ mal suportavam o peso do corpo. Que tragédia! Uma vida percorrida, curso feito e nada de missão.
Então, chamaram a pobrezinha para um canto e assim disseram:
“-Querida filha, tu tens um trabalho diferenciado do comum das tuas companheiras. Suportas pouco peso nos teus membros, mas na esfera das formigas cada uma tem seu valor. Sabendo da tua importância, lembramos de consultar a formiga rainha qual seria sua tarefa. Ela disse que hoje dormirá um lindo sono e em breve receberá asas.Tu serás uma formiga alada. Sobrevoará o formigueiro. Estarás a contemplar o mundo de forma diferenciada.”
Esta Florência não cabia de felicidade. Já ouvira dizer das tais formigas voadoras, mas acostumada a olhar só para seu problema, mal intuía que ela própria tinha latente a solução.
Vez ou outra vemos uma formiga voejando. Agradecemos ao criador por não botar asas em escorpiões e outros insetos que nos apavorariam.
Florência como formiga livre e feliz veio voando me contar que quando se quer ajudar, asas não hão de faltar.
Faça hoje mesmo a livre decisão.
Onde há coração e intenção no bem, aí está Deus a nos auxiliar em realizá-lo.

Helder Câmara – Blog Novas Utopias.