11.8.19

LX – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO”


– ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

O capítulo XIV – “Singular Episódio” – é extremamente belo e, dele, apresentaremos uma síntese.
Após ter auxiliado a família de Saldanha, assecla de Gregório, o Instrutor Gúbio, com humildade, pede ao obsessor de Margarida que o auxilie – Margarida, desde outras eras, era filha de Gúbio! A revelação deixou Saldanha aturdido, pois, afinal, como negar auxílio a quem lhe havia auxiliado a família inteira?!
O temível obsessor, chorando, diz ao Instrutor:
- Ninguém me falou ainda como tu... Tuas palavras são consagradas por uma força divina que eu não conheço, porque chegam aos meus ouvidos quando já me encontro confundido pelos teus atos convincentes. Faze de mim o que desejares.
Que maravilhosa lição para todos nós que, por vezes, nos lançamos à tarefa da doutrinação sem o respaldo dos bons exemplos.
Saldanha ainda lhe fala:
- Poderoso espírito e bom amigo, que me procuraste na condição do servo apagado para acordar-me as forças enrijecidas no gelo da vingança, estou pronto a servir-te! sou teu de ora em diante!
Ao que Gúbio responde:
- Seremos de Jesus para sempre!
Realmente, que espírito extraordinário Gúbio, que, em nome do Cristo, se dispusera a tão grande e arriscada missão, descendo quase ao coração das trevas! E que companheiros anônimos não lhe seriam André Luiz e Elói, fieis “escudeiros” em tão difícil empreitada?! – seriam eles apenas “dois nomes”, ou espíritos de elevação espiritual ignorada pela maioria dos leitores encarnados que os consideram meros figurantes no enredo da magnífica obra?!
*
Todavia, para que o socorro a Margarida se concretizasse ainda se fazia preciso convencer a dois hipnotizadores, Leôncio e Gaspar, que participassem daquela alteração de planos.
Saldanha, então, procura Leôncio e comunica:
- (...) nosso projeto mudou e conto com a tua colaboração. (...) Temos aqui um mago da luz divina.
Leôncio, então, de maneira surpreendente, pergunta a Saldanha, seu líder, se Gúbio, também, não lhe poderia socorrer, na Terra, a esposa seduzida e o filho à morte...
Vejamos: quem haverá, na Terra ou no Além, não necessitado da intercessão de alguém em favor de um coração amado?! De um cônjuge desnorteado, de um filho em desequilíbrio, de um neto caído no vício, de um irmão prestes a cometer um desatino qualquer?!
Leôncio diz a Saldanha:
- (...) não desconheces que sou criminoso, mas sou pai ainda...
Aos nossos ouvidos, soam as sábias e comoventes palavras que Gúbio endereçara a Saldanha:
- Chega sempre um instante no mundo em que nos entediamos dos próprios erros.
*
Incansável, Gúbio se dispõe a socorrer a família de Leôncio, que, pela desencarnação, ele deixara há sete anos.
A esposa havia aceitado a companhia de um enfermeiro, que passara a lhe envenenar o filhinho, herdeiro dos bens que Leôncio lhe deixara.
O obsessor, pertencente à falange de Gregório, suplica ao Instrutor:
- (...) Benfeitor, por piedade! meu desventurado Ângelo permanece à beira do túmulo...
Eis, no entanto, a surpresa, revelando que, de fato, nunca cruzamos os passos com alguém por obra do mero acaso. Ao ouvir a narrativa de Leôncio, perguntando Elói pelo nome do enfermeiro fica sabendo que ele, Felício, é seu irmão consanguíneo!...
Abatido, Elói escuta as ponderações de Gúbio, que o abraçava:
- Onde está o infeliz que não seja nosso irmão necessitado?
Promovendo, então, encontro espiritual com Felício, o enfermeiro prestes a se tornar infanticida, Gúbio lhe dirige a palavra, na presença de Leôncio, com Elói, seu irmão, surgindo em cena logo em seguida.
Ao ver o espírito de seu irmão, Felício promete recuar em seu intento e, verdadeiramente, se transformar em protetor da família de Leôncio, mas não sem antes ouvir do próprio Elói:
- Se assassinares este menino, eu mesmo te punirei.
*
Ninguém sobre a Terra sabe das profundas implicações espirituais de estar prejudicando, ou amparando alguém – esteja esse alguém distante, ou próximo, no corpo físico, ou mesmo fora dele.

INÁCIO FERREIRA – Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 11 de agosto de 2019.

10.8.19

REENCONTRO DE AMIGOS

- Zé Grosso, como é que é
Mais serviço pela frente?!...
Descanso, depois da morte,
Com Jesus é diferente!...

- É Palminha, é isso aí...
Graças a Deus, o meu “filho”,
Entre tão bons companheiros,
De novo, encontrou o trilho...

- Nosso Zezão está firme,
Com nossa Orades de lado,
Nossa Eurides e o Paulino,
Em labor abençoado...

- Recordo tempos antigos...
Está lembrado também?!
Os nossos primeiros planos
De efetivarmos o Bem...

- É claro que não me esqueço
E me comovo ao pensar,
Mas o tempo que se foi
Parece agora voltar...

- Embora septuagenário –
Idade que a todos pasma –,
Esperamos do Zezão
Muito mais ectoplasma...

- Ele não tem mesmo escolha...
Ou bate “palmas” por ele,
Ou, com sua permissão,
Dou umas palmadas nele...

- Se bater, você apanha,
Por cima das sobrancelhas...
Do Zezão, ouça o que digo,
Sou eu quem puxa as orelhas...

- Tudo bem, você primeiro...
Deixa que eu bato depois,
Ou, quem sabe, ao mesmo tempo,
Nele batemos os “dois”?!...

- Palminha, ponto final...
Arranchados neste abrigo,
Por aqui vamos ficar
À luz do Divino Amigo!...

Zé Grosso
E
Palminha
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública de inauguração do Rancho de Luz “Paulino Garcia”, na manhã de domingo do dia 27 de novembro de 1994, em São José do Rio Preto – SP).

9.8.19

Não durmo bem


    Relato a Osho: "Não durmo bem e sempre acordo entre 3 e 4 horas da manhã."
    Você sempre acorda entre 3 e 4 horas? Ora, aproveite esse tempo para meditar. Sempre aproveite as oportunidades para alguma coisa. Seja criativo com relação a tudo. Se não consegue dormir, não há razão para se forçar.
    O sono é uma dessas energias que não podem ser controladas. Se tentar controlá-lo, ficará agitado. Se fizer alguma coisa para conseguir dormir, isso se tornará um empecilho, porque o sono é contra o fazer; é um estado de não-fazer.
    Por isso, se fizer algum esforço como, por exemplo, contar carneirinhos, repetir um mantra, virar-se de um lado para o outro, começar a chamar por Deus e a rezar, isso tudo só vai mantê-lo mais acordado. Isso não ajuda em nada, mas é o que as pessoas normalmente fazem.
    O meu ponto de vista é totalmente diferente. Para começar, se você perdeu o sono, isso significa que seu corpo está perfeitamente descansado.
    "Mas eu me sinto exausto."
    Essa é sua mente, não tem nada a ver com o seu corpo. Só a ideia de que não dormiu direito já o deixa cansado, mas não é a falta de sono. O mecanismo do corpo, o organismo, tem sua própria sabedoria.
    Por exemplo, se você está comendo e seu corpo diz: "Chega!" mas você responde "Estou magro e fraco, tenho de comer mais", isso está errado. Você pode comer, pode forçar-se a comer um pouco mais, pode se empanturrar, mas o organismo não está preparado para isso e rejeitará a comida.
    Se o corpo não tem vontade de comer, é melhor ouvi-lo; ele sabe mais do que você. Ele tem o conhecimento instintivo de que, se comer no momento, será perigoso. Pode ser que algo esteja acontecendo nos intestinos e o corpo queira se desintoxicar antes de receber mais comida. Talvez tenha comido algo estragado.
    Você já se alimentou o suficiente e seu corpo ainda não teve tempo de digerir tudo. Ele não precisa de mais trabalho nesse momento; se tiver de se esforçar mais, talvez o mecanismo entre em colapso e não consiga dar conta do recado.
    Por isso ele diz: "Nada de comida, eu não tenho apetite!" Mas você se enche de comida mesmo sem apetite, porque acha que precisa comer. Coloca mais tempero para tornar o alimento mais saboroso ou vai a algum bom restaurante. Você está tentando enganar o corpo, e isso é burrice!
    O mesmo acontece com o sono. Se você dorme e às 3 ou 4 horas da manhã acorda, significa apenas que seu corpo está descansado. O sono do corpo acabou; agora, é a mente que está criando dificuldade. Então, aproveite essa hora.
    Fique deitado em silêncio; desfrute do silêncio da noite! Em vez de ficar preocupado porque perdeu o sono, aproveite esse momento para meditar. Não precisa se levantar; descanse, mas ouça... os sons da noite estão ali, o silêncio da noite.
    O barulho do tráfego está ali, mas as pessoas não; todo mundo está dormindo. Isso é maravilhoso! Você está sozinho - é como se estivesse nas montanhas - com a escuridão e sua atmosfera suave. Desfrute isso e relaxe nesse sentimento.
    Se proceder de outra forma, ficará infeliz - mais uma vez terá perdido o sono; mais uma vez ficará cansado no dia seguinte e preocupado, com tensão, angústia e ansiedade. Essas coisas não deixarão que você durma mais uma vez.
    Quando estiver totalmente concentrado nos sons da noite, lentamente cairá no sono outra vez, não porque é a sua vontade, não porque quer. Não estou dizendo que você tem de meditar para conseguir dormir, não é isso. Não existe essa coisa de "faça isso para que aconteça aquilo". Estou dizendo para aproveitar a situação! E, de repente, você descobrirá que o sono veio. O fato de vir ou não vir, contudo, é irrelevante.
    Faça isso durante três semanas apenas e o cansaço desaparecerá. Isso é uma coisa mental. Desde o período da manhã, você está cultivando essa idéia de que está cansado. Claro, ficará mais e mais cansado. Terá receio de tudo, de se envolver em qualquer coisa. Já está cansado; então, se fizer algo mais, ficará ainda mais cansado. Você está criando neurose à sua volta.
    As pessoas têm necessidades diferentes com respeito ao sono e à comida. O meu pai mesmo não conseguia dormir depois das 3 horas. Ele se deitava por volta das 11 da noite e dormia três, quatro horas no máximo.
    Minha mãe ficava preocupada, mas eu disse a meu pai para sentar e meditar. Então, ele ficava sentado depois das 3 horas da manhã e essa tornou-se a sua porta para o divino. Durante anos, ele meditou das 3 às 7 horas - ficava quase como uma estátua, esquecido do corpo.
    Com o tempo essa se tornou a maior experiência da sua vida: nem mesmo o sono poderia proporcioná-la. Ele se sentia extremamente disposto às 3 horas, era assim que seu mecanismo trabalhava. Esse período da noite tornou-se o mais precioso de todos. Ele usou esse tempo da maneira certa.

    Osho, em "Corpo e Mente em Equilíbrio"

8.8.19

ELEVAÇÃO DO ESPÍRITO TUTELAR


Questão 507 do Livros dos Espíritos

Os Espíritos protetores pertencem à classe dos Espíritos elevados, no entanto, não são iguais na elevação. Quem guia, é sempre mais elevado do que o guiado; o mestre deve ter mais conhecimento do que o discípulo, isso a própria razão nos diz com segurança.
Aqueles a que chamamos de anjos da guarda, verdadeiramente são anjos que tomam a posição de guiarem os seus tutelados, respondendo todas as suas interrogações pelos fios que partem da sua mente em forma de pensamentos. Eles conhecem a doutrina do amor e a ciência da vida.
A elevação do Espírito protetor está de acordo com o tutelado. Quando um Espírito volta ao corpo com a missão de ensinar a humanidade, os Espíritos que o assistem são de níveis espirituais elevados, em relação a sua grandeza. O Espírito protetor direto de Jesus é Deus, com quem Ele confabula sempre e de quem recebe ordens diretamente para o que deve fazer. Qual o Espírito no mundo espiritual, nas esferas da Terra, que poderia guiar Jesus? Eles todos Lhe obedeciam, pois o Mestre conhecia todos os seus pensamentos, mesmo os mais secretos. O Mestre dos mestres comanda todos os planos espirituais e todos os planos da Terra. Foi o maior acontecimento no planeta a Sua vinda para ensinar aos homens, e Seus ensinamentos são força viva que ficou escrita em todas as coisas, principalmente nas consciências dos Espíritos. Ainda hoje o ar fala de Jesus, as águas e as plantas, o reino mineral e animal têm o Seu traço de luz tornando-se vida.
Os homens estão cercados de Espíritos de toda a ordem, e quanto mais eles se elevam por dentro, mais luzes se aproximam deles por fora; essa é a lei do merecimento. A elevação do Espírito tutelar de cada ser está de acordo com a elevação deste. Eis aí a justiça que corresponde ao amor. Criatura alguma está sem as bênçãos de Deus; mesmo os animais, tudo é olhado pelo Senhor, que ama tudo e todos que saíram das Suas santas mãos.
Apega-te à oração, a qual deves fazer todos os dias. Ela abre caminhos para os planos de luz, e por eles verte a água da vida, onde podes te alimentar e compreender a bondade do Criador. Um protetor, sendo enviado por Deus, constitui um esteio de luz a favor do tutelado; isso é uma alegria e esperança para os que transitam em um corpo de carne. Aprende a amar os Espíritos tutelares, pois eles sentem igualmente nos corações a gratidão dos seus guiados e merecem o esforço de cada um na melhora espiritual.
Cada dia é oportunidade de servir, de fazer caridade a nós mesmos, com os recursos do perdão, do trabalho honesto, do amor, da caridade, da alegria e da compreensão. Sai a semear em todas as direções em que podes andar, mas vê as sementes que deves escolher. Se ainda não sabes classificá-las, pede ao teu tutelar, para te inspirar que ele, com Jesus, te mostrará o evangelho da vida com os seus conceitos de luz.
Protege a todos os que necessitam da tua ajuda, como gratidão pelo que tens recebido dos teus tutelares espirituais. Deus deseja que troquemos experiências uns com os outros, para a grande vitória do bem, de modo que a Terra possa, em breves tempos, apresentar-se como o verdadeiro paraíso onde o amor seja a expressão mais visível para todos os homens.

Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez - Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

7.8.19

PROFESSORES DIFERENTES


Reunião pública de 16-11-59 Questão nº. 290

Entre familiares e amigos, encontras, na Terra, a oficina do teu burilamento.
Com raras exceções, todos apresentam problemas a resolver.
Problemas na emoção e no pensamento.
Problemas na palavra e na ação.
Problemas no lar e no trabalho.
Problemas no caminho e nas relações.
Prossegues, assim, junto deles, como quem respira ao pé de múltiplos instrutores num instituto de ensino.
Muitos reclamam trabalho, lecionando-te paciência, enquanto outros te ferem a sensibilidade, diplomando-te em sacrifício. Há os que te escandalizam incessantemente, adestrando-te em piedade, e aqueles que te golpeiam a alma, com as lâminas invisíveis da ingratidão, para que aprendas a perdoar.
E as lições vão surgindo, à maneira de testes inevitáveis.
Agora, é o esposo que deserta, dobrando-te a carga de obrigações, ou, noutras circunstâncias, é a esposa que se rebela aos compromissos, agoniando-te as horas... Hoje, ainda, são os pais que te contrariam as esperanças, os filhos que te aniquilam os sonhos ou os amigos que se transformam em duros entraves no serviço a fazer.
Nenhum problema, entretanto, aparece ao acaso, e, por isso, é imperioso te armes de amor para a, luta íntima.
Fugir da dificuldade é, muitas vezes, a idéia que te nasce como sendo o melhor remédio. Semelhante atitude, porém, seria o mesmo que debandar, menosprezando as exigências da educação.
Carrega, pois, com serenidade e valor o fardo de aflições que o pretérito te situa nos ombros, convicto de que os associados complexos do destino são antigos parceiros de tuas experiências, a repontarem do caminho, solicitando contas e acertos.
Seja qual for o ensinamento de que se façam interpretes, roga à Sabedoria Divina te inspire a conduta, a fim de que não percas o merecimento da escola a que a vida te conduziu.
Ainda mesmo em lágrimas, lê, sem revolta, no livro do coração, as páginas de dor que te imponham, ofertando-lhes por resposta as equações do amor puro, em forma de tolerância e bondade, auxílio e compreensão.
Recorda que o próprio Cristo, sem débito algum, transitou, cada dia, na Terra, entre esses professores diferentes do espírito. E, solucionando, na base da humildade, os problemas que recebia na atitude e no comportamento de cada um, submeteu-se, a sós, à prova final da suprema renúncia, à qual igualmente te submeterás, um dia, na conquista da própria sublimação – o único meio de te elevares ao clima glorioso dos companheiros já redimidos que te aguardam, vitoriosos, nas eminências da Espiritualidade.

Livro “Religião dos Espíritos” –  Francisco C. Xavier – Emmanuel – Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

6.8.19

LIX – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER


No desdobramento do capítulo XIII, Gúbio conclama o magistrado a rever o processo de Jorge, filho de Saldanha, que havia sido condenado sem culpa... Perguntando ao Instrutor se Jorge, de fato, era inocente, obtém bela e profunda resposta:
- Ninguém sofre sem necessidade à frente da Justiça Celeste e tão grande harmonia rege o Universo que os nossos próprios males se transubstanciam em bênçãos.
Vejamos: Jorge era inocente da acusação que pesava sobre ele, porém, não completamente inocente perante as Leis Divinas, que, em verdade, quase em todas as épocas, temos infringido um sem número de vezes.
*
Em seguida, Gúbio exorta o magistrado a igualmente proteger a filha de Jorge, que, na condição de mera serviçal trabalhava em sua casa – ela era neta de Saldanha, o terrível perseguidor de Margarida.
O juiz, então, esboça uma reação, alegando que a jovem não era a sua filha.
Gúbio lhe responde com palavras que, certamente, calarão fundo em todos os que as ouvirem e compreenderem:
- Não serias, entretanto, convocado por nós a semelhante encargo, se não pudesses recebê-lo. Crês, porém, que o dinheiro em disponibilidade deva satisfazer tão somente as exigências daqueles que se reuniram a nós, dentro dos laços consanguíneos? Liberta o coração, meu amigo! respira em mais alto clima. Aprende a semear amor no chão em que pisas. (...).
Será que, de fato, estamos preparados, desencarnados e encarnados, para ouvir e atender tão sublime exortação, nós, que, quase sempre, somente facilitamos para os que se nos ligam através dos laços da consanguinidade?!
Convenhamos que, em verdade, a Lei Divina possui grande expectativa a nosso respeito, pois, na condição de filhos de Deus, somos exortados a agir ao nível da herança de que somos detentores.
Chico Xavier ensinava que Jesus não nos havia pedido muito – que Ele não nos havia pedido para escalar o Everest, mas para que apenas nos amássemos uns aos outros!
*
No precioso diálogo com o magistrado, Gúbio lhe efetua revelações a respeito de suas vidas pretéritas, dizendo:
- Juiz, pessoas e sucessos que nos afetam a consciência de maneira particular não constituem objeto vulgar na marcha reveladora da vida. Por agora, trazes a mente subjugada pelo choque biológico do retorno à carne e não poderias seguir-nos na exumação do passado recente. Já te auscultei, no entanto, os arquivos mentais e vejo os quadros que o tempo não destrói.
As lúcidas palavras do Instrutor referendam o que muitos vivem a repetir, sem, no entanto, atinarem para o que dizem: o acaso não existe!
Ninguém nos cruza o caminho indebitamente.
Os acontecimentos que nos marcam a existência e que nos alcançam o mundo íntimo têm a sua razão de ser – um simples animal que vem chorar à nossa porta, escorraçado e com fome, às vezes, doente, procurando proteção, não é algo que possamos debitar à conta de mero capricho da Vida.
*
Comovente o que escreve André ao fim daquela convocação familiar, na reunião que se dera no Mais Além, sob as vistas de Saldanha:
- Abeirou-se (o magistrado) de Jorge, estendeu-lhe a destra em sinal de fraternidade, que o filho de Saldanha beijou igualmente em pranto, e, em seguida, acercou-se da jovem, abriu-lhe os braços acolhedores e exclamou comovido:
- Serás minha filha, doravante, para sempre!...
Saldanha não cabia em si de contentamento e quis desmanchar-se em palavras de gratidão, que Gúbio não aceitou, esquivando-se de qualquer mérito, como sói acontecer com as grandes almas.

INÁCIO FERREIRA – Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 5 de agosto de 2019.
Nota do autor espiritual: Quase a finalizar as reflexões em torno da obra “Libertação”, de André Luiz, quanto nos seja possível atenderemos à solicitação de alguns de nossos confrades e confreiras quanto às crônicas que desejam voltemos a escrever no pequeno espaço deste Blog.
Não olvidemos, no entanto, a necessidade de estudarmos e reestudarmos sempre as obras da lavra mediúnica de Chico Xavier, no legítimo desdobramento da Codificação Kardeciana.

5.8.19

O Bom Caminho


Eu me perdi numa noite dessas. Estava à procura de minha casa e, de repente, não me dei conta que havia tomado o caminho errado. Onde eu estava? Para onde ia? O que me esperava?
Não titubeei a pedir ajuda, viesse de onde viesse. Estava calmo, mas precisa de alguém para me dizer o caminho correto.
De repente, apareceu um homem forte, musculoso, de face rígida e muito sério.
- O que o senhor faz por aqui? Indagou-me.
- Eu estou procurando um caminho para voltar para casa.
- Não é por aqui, o senhor sabe que não é por aqui. Por que insiste?
- Não sei bem, meu caro, mas é por isso que peço ajuda. Você pode me ajudar?
- Dê a meia-volta e pegue aquela esquina. Vá retamente e logo-logo vai encontrar o centro da cidade. Lá, peça ajuda e alguém vai lhe indicar.
- Muito obrigado! Eu clamei aos céus para me enviar alguém que me ensinasse o caminho de volta para casa e ele me trouxe você. Muito obrigado!
- Não acho que foi ninguém. Eu estava por aqui por perto e ouvi passos. Corri e lhe encontrei. Não foi ninguém a não ser eu mesmo.
- Meu caro, você pode não acreditar, mas os desígnios de Deus são insondáveis. Eu, você, qualquer um, pode se tornar instrumento Dele sem perceber.
- Eu não acredito nisso. O senhor pode até acreditar, mas eu não. O que eu acredito é em mim e em mais ninguém.
- Eu entendo você, mas tudo bem. Deus espera todos nós no tempo de cada um. Eu agradeço a Ele por você ter aparecido no meu caminho.
- Tanto faz o que o senhor acredita ou deixa de acreditar. O fato é que eu estava aqui por perto e ninguém me avisou que chegaria alguém a essa hora. Vigio as casas daqui de perto. Dou proteção a todos. Não foi outro o motivo de lhe encontrar.
- Deus sabe usar as pessoas para nos atender da melhor maneira possível.
- Eu faço o meu caminho. Cada um faz o seu. Não ponha Deus nessa história.
- Ele, meu caro, é que faz a nossa história acontecer. Sem Ele sequer estaríamos aqui debatendo esse assunto. É Ele o senhor das nossas vidas.
- Basta! Já fiz o que me pediu. Isso é o suficiente. É melhor o senhor dando o fora daqui.
- Sim, claro que sim, mas você me parece com alguém bem distante. Lembra muito uma amiga que tive no passado: Deolinda.
- Não, o senhor conhece uma Deolinda?
- Conheço, sim! Era uma grande amiga minha do passado. Foi-se embora cedo, porém. Deixou duas crianças maravilhosas: Pedro e Albertina.
- Não pode ser.
- O que não pode ser?
- O senhor está falando de mim e da minha irmã. Sou filho de Deolinda, que partiu bem cedo, mal tinha oito anos de idade, e minha irmã, seis anos.
- Você, então, é Pedro, filho de Deolinda, que Deus a tenha!
- Lá vem o senhor de novo com essa estória de Deus. Se Deus existisse não me deixaria desamparado junto com a minha irmã. Sem pai, que fugiu pelo mundo e nunca mais voltou, e sem mãe. Se não fossem meus tios estaríamos a ver navios. Isso é Deus?
- É, sim, Deus tem o seu jeito próprio de escrever as nossas vidas. Por mais que pareça torta, nossa vida tem um sentido maior. Olha eu aqui com você nesse momento a me salvar a vida.
- Eu não acredito em Deus. Não posso acreditar. Ele é muito cruel. O que eu fiz contra Ele para Ele não gostar de mim?
- Não fez nada, meu filho, nem Ele tampouco te persegue. Há lições, porém, que devemos aprender na vida e Ele nos oferece essas condições.
- Eu quero dizer que Ele me rejeita. Se não fosse meus tios eu estaria completamente desamparado.
- Não lhe faltou, nada, faltou, se não você não estaria aqui?
- Por pouco, por muito pouco. Meus tios se transformaram, na prática, em nossos pais. Uma tremenda injustiça.
- Não é, meu filho, apesar das aparências. Olha o homem que você se tornou. Certamente, responsável e trabalhador. Nada e ninguém lhe faltou.
- É verdade, mas foi um golpe da sorte.
- Parece que você não gosta mesmo de Deus. Isto que você chama de sorte, eu chamo de Deus. Você teve tudo que precisava para ser o homem que é. Isto é Deus atuando na sua vida.
- Eu não posso acreditar nisso, é muita fantasia.
- Bem, já me dou por feliz em encontrar o filho de minha querida Deolinda. Ela certamente está muito feliz por você onde quer que esteja.
- Vá embora, padre, e deixe-me aqui com as minhas certezas.
- Que bom que Deus me ouviu – e Deolinda também – e me pôs você no meu caminho.
- Esta bem! Está bem! Qualquer coisa estou por aqui.
- Muito obrigado, mais uma vez!
Esta passagem aconteceu quando estava entre vocês. Sai tarde da noite para ver uma irmã enferma e perdi a hora. De madrugada, confiante em Deus e na bondade dos homens, voltei para casa e peguei uma rua errada, mas Pedro, filho de Deolinda, apareceu no meu caminho a mando de Deus.
Do outro lado da vida, soube que Pedro se perdeu nas drogas, mas depois se recuperou. Era um revoltado com Deus, mas se deparou com inúmeras situações como estas e um dia, louco para sair da dependência química, fez um apelo feroz a Deus para lhe tirar daquela situação.
Deus enviou-lhe um verdadeiro pai em forma de médico psiquiatra. Deu apoio, carinho e ele deixou o vício delirante das drogas. Era, a partir desse episódio, um evangélico. Aceitou a Jesus, muito por influência daquele médico de coração grande que o acolheu amorosamente nos seus momentos de agonia.
Pai de família, Pedro teve duas filhas. Uma delas homenageou a sua mãe Deolinda dando-lhe o nome. Hoje, está feliz e tranquilo. Deixou Deus de lado. Não brinca mais com Ele, mas se relaciona bem com Jesus, que lhe acendeu a fé.
Como Deus colocou Pedro no meu caminho, colocou também o médico que lhe assistiu, se tornando um verdadeiro pai.
Quem Deus colocou na sua vida para lhe apontar o bom caminho?
Quem é que faz parte da sua caminhada sem o qual você estaria perdido por aí?
O que você tem feito para colocar outros no bom caminho sendo você instrumento de Deus para aquela criatura?
Tudo depende de você e você pode conseguir tudo que desejar, ao colocar Deus no caminho da sua vida.
Que Deus, o senhor dos caminhos, esteja ainda mais contigo na sua caminhada em direção a Ele.

Hélder Câmara – Blog Novas Utopias