9.3.18

OS EVANGELHOS


    A doutrina de Jesus está contida nos Evangelhos ou Novo Testamento, como também são chamados.
    Além de suas lições, os Evangelhos nos contam a vida de Jesus durante os três anos que dedicou ao esclarecimento da humanidade.
    Jesus nada deixou escrito.
    Todas as tardes, depois do trabalho diário, o povo se reunia ao redor de Jesus e ouvia suas palavras cheias de fé e de esperança e aprendia com ele como devia viver de acordo com as leis de Deus.
   Jesus aproveitava todas as ocasiões oportunas para ensinar. Assim, quando ele viajava para Jerusalém, capital de seu país, ele se detinha em todas as aldeias que encontrava no caminho e ensinava aos seus habitantes a sua doutrina.
    Jesus escolheu doze discípulos para ajudá-lo a espalhar a palavra de Deus. De vez em quando os enviava às cidades vizinhas para instruírem os seus moradores.
    Aos poucos os seus ensinamentos começaram a ser conhecidos por toda a parte.
    Quando Jesus partiu para o mundo espiritual onde habita, seus discípulos resolveram escrever as lições do Mestre.
    Escreveram-se muitos Evangelhos mas os que chegaram até nós são apenas quatro que se atribuem a Mateus, a Marcos, a Lucas e a João.
    A parte principal dos Evangelhos é o Sermão da Montanha que se acha no Evangelho de Mateus. Conta-se que esse Sermão foi pronunciado por Jesus de cima de uma colina, rodeado de grande massa de povo.
    O sermão da Montanha é o fundamento da Moral Cristã e devemos considerá-lo o regulamento que precisamos observar se quisermos caminhar para Deus.
    Os Evangelhos têm passagens suaves e consoladoras que revigoram nosso espírito.
    A leitura constante dos Evangelhos é um hábito salutar que devemos adquirir.

Livro Infantojuvenil Espírita: 52 Lições de Catecismo Espírita - Eliseu Rigonatti

8.3.18

FUTURO DO ESPIRITISMO


9. ─ Cada dia o Espiritismo estende o círculo de seu ensino moralizador. Sua grande voz repercutiu de um extremo ao outro da Terra. A Sociedade se comoveu com ela, e de seu seio partiram adeptos e adversários.
Adeptos fervorosos, adversários hábeis, mas cuja própria habilidade e renome serviram à causa que queriam combater, chamando para a doutrina nova a atenção das massas e lhes dando o desejo de conhecer os ensinos regeneradores que seus adeptos preconizam e que eles escarneciam e ridicularizavam.
Contemplai o trabalho realizado e alegrai-vos com o resultado! Mas que efervescência indizível se produzirá entre os povos, quando os nomes de seus mais amados escritores vierem juntar-se aos nomes mais obscuros e menos conhecidos daqueles que se comprimem em redor da bandeira da verdade!
Vede o que produziram os trabalhos de alguns grupos isolados, na maioria entravados pela intriga e pela má vontade, e imaginai a revolução que se operará, quando todos os membros da grande família espírita se derem as mãos e declararem, fronte alta e o coração firme, a sinceridade de sua fé e de sua crença na realidade do ensinamento dos Espíritos.
As massas gostam do progresso, buscam-no, mas o temem. O desconhecido inspira um secreto temor aos filhos ignorantes de uma sociedade embalada pelos preconceitos, que ensaia os primeiros passos na via da realidade e do progresso moral. As grandes palavras liberdade, progresso, amor, caridade ferem o povo sem comovê-lo; muitas vezes ele prefere seu estado presente e medíocre a um futuro melhor, mas desconhecido.
A razão desse temor do futuro está na ignorância do sentimento moral num grande número, e do sentimento inteligente nos outros. Mas não é certo, como disseram vários filósofos célebres, que uma concepção falsa da origem das coisas tenha feito errar, como eu mesmo o disse, ─ por que coraria de dizê-lo? Não pude enganar-me? ─ não é certo, dizia eu, que a Humanidade seja má por essência. Não, aperfeiçoando a sua inteligência, ela não dará um impulso maior às suas más qualidades. Afastai de vós esses pensamentos desesperadores que repousam num falso conhecimento do espírito humano.
A Humanidade não é má por natureza, mas é ignorante, e por isso mesmo mais apta a se deixar governar por suas paixões. Ela é progressiva e deve progredir para atingir os seus destinos; esclarecei-a; mostrai-lhe seus inimigos ocultos na sombra; desenvolvei sua essência moral, que nela é inata, e apenas entorpecida sob a influência dos maus instintos, e reanimareis a centelha da eterna verdade, da eterna presciência do infinito, do belo o do bom, que residem para sempre no coração do homem, mesmo do mais perverso.
Filhos de uma doutrina nova, reuni as vossas forças! Que o sopro divino e o socorro dos bons Espíritos vos sustentem, e fareis grandes coisas. Tereis a glória de haver posto as bases dos princípios imperecíveis cujos frutos vossos descendentes colherão.
MONTAIGNE (Paris, 1865)
Revista Espírita 1868 » Fevereiro » Instruções dos Espíritos

7.3.18

AS SENSAÇÕES


Questão 437 do Livro dos Espíritos

Quando o sonâmbulo se encontra em transe, o corpo reflete as sensações da alma, do modo que ela se encontra agindo no mundo dos Espíritos. Isso é prova de que ela está ligada ao corpo por fios invisíveis, o chamado cordão fluídico, cordão de prata ou fio vida; são vários os sinônimos.
Esse cordão de prata serve de canal para as sensações do Espírito, quando esse se acha em viagem, observando o que mais lhe interessa na grande casa de Deus. A sua verdadeira função é manter a vida do corpo quando o Espírito sai por instantes, pelo sono, no sonambulismo, em viagem astral, ou êxtase. Os seres humanos ainda têm muito que estudar sobre esse laço que prende o Espírito ao corpo, com todos os seus corpos de luz. Somente o tempo, a boa vontade dos homens e as bênçãos de Deus podem ir retirando o véu que encobre esses segredos da natureza divina e humana, para a própria felicidade.
É bom que todos os seres, pelo menos os que já acreditam que a vida continua, meditem na possibilidade de compreenderem mais um pouco do corpo de carne que lhe serve, essa maravilha das maravilhas, para que possam começar a entender um pouco mais dos outros corpos dos quais o Espírito se serve para movimentar-se e ganhar mais luz dentro da luz de Deus.
Observemos que quando sonhamos e depois que acordamos temos sensações em compatibilidade com o sonho. É que, quando se retoma ao corpo, essas sensações já se encontram vibrando no fardo físico, pois elas vieram na frente, por irradiação da mente que as transmitiu. Com menos intensidade quando acordado, pode-se observar o mesmo fenômeno. A mente é transmissora do que vê e ouve com exatidão, para as fibras mais sensíveis do corpo de carne.
É nesse sentido que chamamos a atenção dos encarnados, mostrando os horizontes da mente humana, até onde ela pode atingir com o seu poder mental. A força dos pensamentos em se criando ideias, pode levantar caídos ou derrubar os que se encontram em pé, vacilantes. Podemos formar sensações nos que nos ouvem pela palavra. Ela vibra nas dimensões da alma e, ainda mais, ela transmite imagens das quais o receptor guarda com frequência todos os moldes, para depois remoer, como faz o gado vacum no segundo contato com os seus alimentos. Se as ideias de fora podem nos inspirar, somos responsáveis pelas consequências que advierem desses fatos. Devemos portanto, educar as nossas sensações, venham elas de onde vierem.
A força das sensações é poderosa; primeiramente ela atinge a intimidade dos que formam essas modulações dos pensamentos, depois, sai com vigor para quem nos ouve e observa. Observemos quando duas pessoas se encontram falando ao telefone: a eletricidade transmite os pensamentos de quem fala para quem ouve, e forma sensações nas duas criaturas. Cria-se, é o que se sabe, um campo magnético entre as ditas almas, onde são transmitidas as energias sublimadas ou o magnetismo inferior. Tudo é de acordo com os sentimentos que levam o assunto de um para o outro.
Que Deus nos abençoe, para que possamos entender melhor as nossas faculdades.

Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez - Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

6.3.18

MEDIUNIDADE PREPARAÇÃO – VII


404 –Deve o médium sacrificar o cumprimento de suas obrigações no trabalho cotidiano e no ambiente sagrado da família, em favor da propaganda doutrinária?
O médium somente deve dar aos serviços da Doutrina a cota de tempo de que possa dispor, entre os labores sagrados do pão de cada dia e o cumprimento dos seus elevados deveres familiares.
A execução dessas obrigações é sagrada e urge não cair no declive das situações parasitárias, ou do fanatismo religioso.
No trabalho da verdade, Jesus caminha antes de qualquer esforço humano e ninguém deve guardar a pretensão de converter alguém, quando nas tarefas do mundo há sempre oportunidade para o preciso conhecimento de si mesmo.
Que médium algum se engane em tais perspectivas. Antes sofrer a incompreensão dos companheiros, que transigir com os princípios, caindo na irresponsabilidade ou nas penosas dívidas de consciência.

405 –Poder-se-á admitir que os espiritistas se valham de um apostolado mediúnico, para solução de todas as dificuldades da vida?
-O médium não deve ser sobrecarregado com exigências de seus companheiros, relativamente às dificuldades da sorte. É justo que seus irmãos se socorram das suas faculdades, em circunstâncias excepcionais da existência, como nos casos de enfermidades e outros que se lhe assemelhem. Todavia, cercar um médium de solicitações de toda natureza é desvirtuar a tarefa de um amigo, eliminando as suas possibilidades mais preciosas e, além do mais, não se deverá repetir no Espiritismo sincero a atitude mental dos católicos-romanos, que se abandonam junto à “imagem” de um “santo”, olvidando todos os valores do esforço próprio.
Os núcleos espiritistas precisam considerar que em seus trabalhos há quem os acompanhe do plano superior e que receberão sempre o concurso espiritual de seus irmãos libertos da carne, dependendo a satisfação desse ou daquele problema particular dos méritos de cada um. Proceder em contrário é eliminar o aparelho mediúnico, fornecendo doloroso testemunho de incompreensão.

Livro “O Consolador” –  Francisco C. Xavier – Emmanuel – Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

5.3.18

COMO VOCÊ INTERPRETA – XLVII


Retomando as nossas reflexões sobre o capítulo 45, de “Nosso Lar” – “No Campo da Música” –, logo de início lançamos uma pergunta aos nossos irmãos internautas/leitores:
- Como você interpreta a informação de Lísias a André Luiz de que existem noivados no Mundo Espiritual?
Sem maiores acréscimos, indagamos ainda como você interpreta o que próprio Lísias volta dizer parágrafos adiante:
“Lascínia e eu fundaremos aqui, dentro em breve, nossa casinha de felicidade, crendo que voltaremos à Terra precisamente daqui uns trinta anos.”?!
Tomamos a liberdade de continuar questionando:
- Então, Lísias e Lascínia se casariam em “Nosso Lar”? Iriam constituir um casal? Morariam na mesma casa, sendo apenas e tão somente noivos, ou na condição de casados? E, estando eles casados no Mundo Espiritual, qual haveria de ser a espécie de relacionamento que o casal manteria? Você acha que poderia, por exemplo, haver sexo entre eles?! Afinal, o que haveriam de ficar fazendo juntos, sob o mesmo teto, durante trinta anos?! Você considera que o relacionamento sexual entre aqueles que verdadeiramente se amam seja algo pecaminoso, impossível de acontecer entre dois espíritos?! Crê que quando alguém esteja na relação sexual com outro alguém apenas os seus corpos, ou envoltórios, estejam se relacionando?!...
*
Interessante que Lísias, ao informar André que Lascínia se faria acompanhar de duas irmãs, pedindo a ele que, junto a elas, fizesse as honras de cavalheiro, ele se mostrou cheio de escrúpulos, imaginando, talvez, que Lísias estivesse querendo incliná-lo afetivamente para uma delas.
- Mas, Lísias... – respondeu André – você deve compreender que estou ligado a Zélia.
Lísias, então, lhe responde:
- Era o que faltava! Ninguém quer ferir seus sentimentos de felicidade. Não creio, no entanto, que a união esponsalícia deve trazer esquecimento da vida social. Não sabe mais ser o irmão de alguém, André?
Realmente, um homem não pode nutrir sincera amizade por uma mulher, e vice-versa, sem que, pela maioria, ele seja julgado em suas intenções.
É uma coisa horrorosa!
*
Outra informação interessantíssima transmitida por André Luiz, no capítulo em estudo, é o fato de Lísias, gentilmente, ter pagado para ele o ingresso no “Campo da Música”.
E, assim, seguem mais perguntas aos nossos estimados internautas/leitores:
- Pagou como e por quê?! Tudo, em o Mundo Espiritual, não é feito de graça, ou não?! O bônus-hora, em “Nosso Lar”, funcionaria, então, como moeda aquisitiva?! Uma consulta médica seria paga?! Já tivemos oportunidade de estudar, anteriormente, que, em “Nosso Lar”, uma casa pode ser adquirida... Existirão, dentro do sistema econômico vigente, casas bancárias na referida cidade espiritual?! Os alimentos têm que ser “comprados”?! Economicamente, quem manteria a cidade, suprindo-a com o indispensável?! Cairia “maná” dos céus?!...
*
Mais uma informação interessante de Lísias, a respeito do “Campo da Música”:
“Nas extremidades do Campo, temos certas manifestações que atendem ao gosto pessoal de cada grupo dos que ainda não podem entender a arte sublime; mas, no centro, temos a música universal e divina, a arte santificada, por excelência.”
Não é curiosa esta informação?! Não é lógica?! Não somos, naturalmente, levados a pensar na “periferia” da Vida, e em seu “centro”?! Não estaremos todos, em todos os aspectos, em nossa caminhada evolutiva, realizando uma jornada da “periferia” para o “centro”?!
Enfim, cremos que estamos com material de reflexão para alguns lustros, não?!
Vamos ver, através das respostas fornecidas, como anda o nosso pensamento a respeito de tantos assuntos, sobre os quais, com certeza, os ortodoxos já possuem posição definida.
E eu não sou capaz entender o grande silêncio em torno de tais assuntos, que, em geral, é feito pelos expositores nos ditos Congressos Espíritas...

INÁCIO FERREIRA – Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 5 de março de 2018.

4.3.18

Os Druidas


    "QUANDO ESTUDAMOS SOBRE OS DRUÍDAS, TEMOS DE ESQUECER NOSSA RAZÃO E EMBARCAR NUM MUNDO DIFERENTE, MÁGICO, FANTÁSTICO, DE UM POVO INCRÍVEL E MISTERIOSO”.
    Quem eram os druidas? - O que melhor se pode dizer é que os druidas foram  membros de uma elevada estirpe de Celtas que ocupavam o lugar de juizes, doutores, sacerdotes, adivinhos, magos, médicos, astrônomos, etc., mas que evidentemente não constituíam um grupo étnico dentro do mundo Celta. Eram grandes conhecedores da ciência dos cristais, radiestesia, plantas, etc.
    As mulheres célticas gozavam de mais liberdades e direitos do que as de outras culturas contemporâneas, incluindo-se, até mesmo, o direito de participarem de batalhas, e de solicitarem divórcio. Neste contexto havia mulheres druidas. Na cultura druídica, portanto, a mulher tinha um papel preponderante, pois era vista como a imagem da Deusa.
    No contexto religioso os druidas eram sacerdotes e sacerdotisas dedicados ao aspecto feminino da divindade, a Deusa Mãe. Embora cultuassem a Deusa Mãe mesmo assim admitiam que todos os aspectos expressos a respeito da Divindade eram ainda percepções imperfeitas do Divino. Assim, todos os deuses e deusas do mundo nada mais eram do que aspectos de um só Ser Supremo - qualquer que fosse a sua denominação visto sob a ótica humana.
    A palavra druida é de origem céltica, e segundo o historiador romano Plínio - o velho, ela está relacionada com o carvalho, que na realidade era uma árvore sagrada para eles.
    Desde que o povo celta não usava a escrita para transmitir seus conhecimentos, após o domínio do cristianismo perdeu-se muito das informações históricas daquela maravilhosa civilização e especialmente das que a precederam deste o fim da Atlântida, exceto aquilo que permaneceu zelosamente guardado nos registros de algumas Ordens Iniciáticas, especialmente a Ordem Céltica e a Ordem Druídica. Por isto muito da historia dos Druidas até hoje é um mistério para os historiadores oficiais; sabem que realmente que existiu entre o povo Celta, mas que não nasceram nesta civilização. Sendo assim impõe-se a indagação: de onde vieram os Druidas? Seriam Deuses? Ou Bruxos? O pouco que popularmente é dito a respeito dos druidas tem como base diversas lendas, como a do Rei Arthur, onde Merlin era um druida.
    Diversos estudiosos tem argumentado que os Druidas originariamente pertenceram à pré-céltica (não Ariana) população da Bretanha e da Escócia.
    Desde o domínio romano, instigado pelo catolicismo, a cultura druídica foi alvo de severa e injusta repressão, que fez com que fossem apagados quaisquer tipos de informação a respeito dela embora que na historia de Roma conste que Júlio César reconhecia a coragem que os druidas tinham em enfrentar a morte em defesa de seus princípios.
    Os Druidas dominavam quase todas as áreas do conhecimento humano, cultivaram a musica, a poesia, tinham notáveis conhecimentos de medicina natural, de fitoterapia, de agricultura e astronomia, e possuíam um avançado sistema filosófico muito semelhante ao dos neoplatônicos. O povo celta tinha uma tradição eminentemente oral, não faziam uso da escrita para transmitir seus conhecimentos fundamentais, embora possuíssem uma forma de escrita mágica conhecida pelo nome de escrita rúnica. Mesmo não usando a escrita para gravar seus conhecimentos eles possuíram suficiente sabedoria a ponto de influenciarem outros povos e assim marcar profundamente a literatura da época, criando uma espécie de aura de mistério e misticismo.
    A Igreja Católica, inspirada pela Conjura, demonstrou grande ódio aos Druidas que, tal qual outras culturas, foram consideradas pagãs, bruxos terríveis, magos negros que faziam sacrifícios humanos e outras coisas cruéis. Na realidade nada disso corresponde à verdade, pois quando os primeiros cristãos chegaram naquela região foram muito bem recebidos, até porque a tradição céltica conta que José de Arimatéia discípulo de Jesus viveu entre eles e levado até lá o Santo Graal (Taça usada por Jesus na Última Ceia).
    Em torno disto existem muitos relatos, contos, lendas e mitos, especialmente ligados à Corte do Rei Arthur e a Távola Redonda. São inúmeros os contos, entre eles, aqueles relativos à Corte do Rei Arthur, onde vivera Merlin, o mago, e a meia-irmã de Arthur, Morgana, que eram Druidas.
    A religião druídica na realidade era uma expressão mais mística da religião céltica. Esta era mais mágica, por isso mais popular, com formas de rituais mais rústicos, e muito mais ligado à natureza ambiental, à terra que era tratada com carinho bem especial. A mais popular das expressões religiosas dos celtas constituiu-se a Wicca, que o Catolicismo fez empenho em descrever como um conjunto de rituais satânicos.
    São frequentemente os festivais célticos. Para eles o ano era dividido em quatro períodos de três meses em cujo início de cada um havia um grande festival. Eram eles:
    Imbolc - celebrado em 1 de fevereiro e era associado à deusa Brigit, a Mãe-Deusa protetora da mulher e do nascimento das crianças;
    Beltane - celebrada em 1 de maio. (também chamado de Beltine, Beltain, Beal-tine, Beltan, Bel-tien e Beltein) Significa "brilho do fogo". Este festival, muito bonito, era marcado por milhares de fogueiras;
    Lughnasadh - (também conhecido como Lammas), dedicado ao Deus lugh, celebrado em 1 de agosto;
    Samhain - a mais importante das quatro festas, celebrada em 1 de novembro.
    Hoje associada com o Hallows Day, celebrado na noite anterior ao Hallowen.
    Basicamente a doutrina céltica enfatizava a terra e a deusa mãe enquanto que os Druidas mencionavam diversos deuses ligados às formas de expressão da natureza; eles enfatizavam igualmente o mar e o céu e acreditavam na imortalidade da alma, que chegava ao aperfeiçoamento através das reencarnações. Eles admitiam como certa a lei de causa e efeito, diziam que o homem era livre para fazer tudo aquilo que quisesse fazer, mas que com certeza cada um era responsável pelo próprio destino, de acordo com os atos que livremente praticasse. Toda a ação era livre, mas traria sempre uma consequência, boa ou má, segundo as obras praticadas. Mesmo sendo livre, o homem também respondia socialmente pelos seus atos, pois para isto existia pena de morte aplicada aos criminosos perversos. A Igreja Católica acusava os Celtas e Druidas de bárbaros por sacrificarem os criminosos de forma sangrenta, esquecendo que ela também matava queimando as pessoas vivas sem que elas houvessem cometido crimes, apenas por questão de fé ou por praticarem rituais diferentes, pura ironia!
    A crença céltica e druídica diziam que o homem teria a ajuda dos espíritos protetores e sua libertação dos ciclos reencarnatórios seria mais rápida assim. Cada pessoa tinha a responsabilidade de passar seus conhecimentos adiante, para as pessoas que estivessem igualmente aptas a entenderem a lei de causa e efeito, também conhecida atualmente como lei do carma.
    Não admitiam que a Divindade pudesse ser cultuada dentro de templos constituídos por mãos humanas, assim, faziam dos campos e das florestas, principalmente onde houvesse antigos carvalhos, os locais de suas cerimônias.
    Em vez de templos fechados eles reuniam-se nos círculos de pedra, como se vêem nas ruínas de Stonehenge Avebury, Silbury Hill e outros.
    Enquanto em alguns dos festivais célticos os participantes o faziam sem vestes os Druidas, por sua vez, usavam túnicas brancas. Sempre formavam os círculos mágicos visando a canalização de força.
    Por não usarem roupas em alguns festivais e por desenvolverem ritos ligados à fecundidade da natureza, por ignorância, por má fé ou mesmo por crueldade dos padres da Igreja, Celtas foram terrivelmente acusados de praticarem rituais libidinosos, quando não realidade tratava-se de ritos sagrados.
    DRUIDAS
    Os Druidas formavam uma classe social do povo celta, herdeira e guardiã das tradições religiosas.
    Eram respeitados por seus conhecimentos de astronomia, direito e medicina, por seus dons proféticos, e como com juízes e líderes.
    Acreditavam na imortalidade da alma, na perfectibilidade indefinida da alma humana, numa série de existências sucessivas. Sua instituição, o druidismo foi um poderoso fator de unidade do mundo celta e, por isso, combatida pelos romanos durante as conquistas.
    A filosofia dos druidas ou as leis das almas (lei das Tríades), reconstituída em sua imponente grandeza, patenteou-se conforme as aspirações das novas escolas espiritualistas. Como os atuais espíritas, os druidas sustentavam a infinidade da vida, as existências progressivas da alma, a pluralidade dos mundos habitados.
    Destas doutrinas viris, do sentimento da imortalidade que delas dimana, é que o povo celta tiravam o espírito de liberdade, de igualdade social e heroísmo em presença da morte. Essa luz intensa que inundou a terra das Gálias foi apagada há mais de vinte séculos atrás pela força romana, expulsando os druidas, abriu praça a padres cristãos. Depois, vieram os Bárbaros e fez-se a noite sobre o pensamento, a noite da Idade Média, longa de dez séculos, tão carregada que parecia impossível conseguissem virá-la os raios da verdade. Na Idade Média, Joana D'Arc que já vivera, nos tempos idos, como celta, trousse em si a intuição direta das coisas da alma, que reclama uma revelação pessoal e não aceita a fé imposta; são faculdades de vidente, peculiares a raça céltica.
    Só pelo uso metódico dessas faculdades se pode explicar o conhecimento aprofundado que os druidas tinham do mundo invisível e de suas leis. A festa de 2 de Novembro, a comemoração dos mortos, é de fundação gálica. A data 31 de Outubro era considerado como último dia do ano e acreditavam que os mortos vinham visitá-los. Para confundi-los, vestiam-se de fantasias e essa é a origem de Halloween. Os gauleses praticavam a evocação dos defuntos nos recintos de pedra. As druidisas e os bardos obtinham os oráculos.
    A História nos ministra exemplo desses fatos. Refere que Vercingétorix se entretinha, à sombra da rama dos bosques, com as almas dos heróis, mortos pela pátria. Como Joana, outra personificação da Gália, o jovem chefe ouvia vozes misteriosas. Um episódio de sua vida prova que os gauleses evocavam os Espíritos nas circunstâncias graves. A pequena distância da costa sinistra, em meio de parcéis que a espuma dos escarcéus assinala, emerge uma ilha, outrora recamada de bosques de carvalho, sob cujas frondes se erguiam altares de pedra bruta. É Sein, antiga morada das druidisas; Sein, santuário do mistério, que os pés do homem jamais conspurcavam. Todavia, antes de levantar a Gália contra César e de, num supremo esforço, tentar libertar a pátria do jugo estrangeiro, Vercingétorix foi ter à ilha, munido de um salvo conduto do chefe dos druidas. Lá, por entre o fuzilar dos relâmpagos, diz a legenda, apareceu-lhe o gênio da Gália e lhe predisse a derrota e o martírio.
    Certos fatos da vida do grande chefe gaulês não se explicam senão mediante inspirações ocultas. Por exemplo, sua rendição a César, próximo de Alésia.
    Qualquer outro Celta teria preferido matar-se, a se submeter ao vencedor e a servir-lhe de troféu no triunfo. Vercingétorix aceita a humilhação, a fim de reparar pesadas faltas, que cometera em vidas antecedentes e que lhe foram reveladas.
    Enfim, após lenta e dolorosa gestação, a fé dos antigos, rejuvenescida e reconduzida, renasce em novos moldes, através do Allan Kardec, inspirado pelos Espíritos superiores, restaurou, dilatando-lhes o plano, as crenças dos antepassados. É verdadeiramente o espírito religioso da Gália que revive nesse chefe de escola. Nele, tudo lembra o druida: o nome que adotou, absolutamente céltico, o monumento que, por sua vontade, lhe cobre os despojos materiais, sua vida austera, seu caráter grave, mediativo, sua obra inteira. Allan Kardec, preparado em existências precedentes para a grande missão, não é senão a reencarnação de um Celta eminente. Ele próprio o afirma na seguinte mensagem obtida em 1909: "Fui sacerdote, diretor das sacerdotisas da ilha de Sein e vivi nas costas do mar furioso, na ponta extrema do que chamais a Bretanha.".
    Os druidas, possuidores de poderes místicas, hoje conhecido como mediunidade, estudavam durante 20 anos todos os conhecimentos mais adiantados da época e eram espíritos eminentemente elevados para o tempo onde maioria eram bárbaros. Com isso, pode até arriscar a opinar que muito dos Espíritos elevados de hoje, tenham estagiado como druidas ou em alguma outra comunidade de característica semelhante.

3.3.18

AGRADECE


Nunca te esqueças de ser grato à Vida,
Que tanto já te deu e inda te dá,
Deixando-te viver o quanto há
Para seguires de alma agradecida...

Continua, sorrindo, em tua lida,
No caminho a que Deus te levará,
Quer seja hoje, ou amanhã quiçá,
Embora de saúde combalida...

Vivendo em provação amarga e dura,
Agradece os teus sonhos de ventura
Na alegria que tens e que tiveste...

Não olvides que a paz que não se altera
Só é possível numa outra Esfera,
Num dos planetas da Mansão Celeste!...

Eurícledes Formiga

(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã de sábado do dia 24 de fevereiro de 2018, em Uberaba – MG).