10.3.16

INTELECTUALISMO – VI

212 –O homem sem grandes possibilidades intelectuais é sempre um homem medíocre?
-O conceito de mediocridade modifica-se no plano de nossas conquistas universalistas, depois das transições da morte.
Aí no mundo, costumais entronizar o escritor que enganou o público, o político que ultrajou o direito, o capitalista que se enriqueceu sem escrúpulos de consciência, colocados na galeria dos homens superiores. Exaltando-lhes os méritos individuais com extravagâncias louvaminheiras, muitos falais em “mediocridade”, sem “rebanho”, em “rotina”, em “personalidade superior”.
Para nós, a virtude da resignação dos pais de família, criteriosos e abnegados, no extenso rebanho de atividades rotineiras da existência terrestre, não se compara em grandeza com os dotes de espírito do intelectual que gesticula desesperado de uma tribuna, sem qualquer edificação séria, ou que se emaranha em confusões palavrosas na esfera literária, sem a preocupação sincera de aprender com os exemplos da vida.
O trabalhador que passa a vida inteira trabalhando ao Sol no amanho da terra, fabricando o pão saboroso da vida, tem mais valor para Deus que os artistas de inteligência viciada, que outra coisa não fazem senão perturbar a marcha divina das suas leis.
Vede, portanto, que a expressão de intelectualidade vale muito, mas não pode prescindir dos valores do sentimento em sua essência sublime, compreendendo-se afinal, que o “homem medíocre” não é  o trabalhador das lides terrestres, amoroso de suas realizações do lar e do sagrado cumprimento de seus deveres, sobre cuja abnegação erigiu-se a organização maravilhosa do patrimônio mundano.
213 –Devemos acalentar a preocupação de adquirir os elementos do chamado magnetismo pessoal?
-Essa preocupação é muito nobre, mas ninguém suponha realiza-la tão-só com a experiÊncia da leitura de livros pertinentes ao assunto.
Não são poucos os que buscam essa literatura, desejosos de fórmulas mágicas no caminho do menor esforço.
Todavia, o que indispensável salientar pe que nenhum estudioso pode conquistar simpatia sem que haja transformado o coração em manancial de bondade espontânea e sincera. Na vida não basta saber. É imprescindível compreender. Os livros ensinam, mas só o esforço próprio aperfeiçoa a alma para a grande e abençoada compreensão. Esqueça a conquista fácil, a operação mecânica; injustificáveis nas edificações espirituais, e volvei a atenção e o pensamento para o vosso próprio mundo interior. Muita coisa aí se tem a fazer e, nesse bom trabalho, a alma se ilumina, naturalmente, aclarando o caminho de seus irmãos.


Livro: “O Consolador” – Francisco C. Xavier – Emmanuel - Os livros espíritas, como este vendidos em nossa loja, terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz de Limeira.

9.3.16

Em Combate

"Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado." - Paulo. (HEBREUS, 12:4.)

O discípulo sincero do Evangelho vive em silenciosa batalha no campo do coração.
A princípio, desenrola-se o combate em clima sereno, ao doce calor do lar tranqüilo. As árvores das afeições domésticas amenizam as experiências mais fortes.
Esperanças de todos os matizes povoam a alma, nem sempre atenta à realidade.
Falam os ideais em voz alta, relativamente às vitórias porvindouras.
O lutador domina os elementos materiais e, não poucas vezes, supõe consumado o triunfo verdadeiro.
O trabalho, entretanto, continua.
A vitória do espírito exige esforço integral do combatente. E, mais tarde, o lidador cristão é convidado a testemunhos mais ásperos, compelido à batalha solitária, sem o recurso de outros tempos. A lei de renovação modifica-lhe os roteiros, subtrai-lhe as ilusões, seleciona-lhe os ideais. A morte devasta-lhe o circulo íntimo, submete-o ao insulamento, impele-o à meditação. O tempo impõe retiradas, mudanças e retificações...
Muitos se desanimam na grande empreitada e voltam, medrosos, às sombras inferiores.
Os que perseverarem, todavia, experimentarão a resistência até ao sangue. Não se trata aqui, porém, do sangue das carnificinas e sim dos laços consangüíneos que não somente unem o espírito ao vaso corpóreo, como também o enlaçam aos companheiros de séquito familiar. Quando o aprendiz receber a dor em si próprio, compreendendo-lhe a santificante finalidade, e exercer a justiça ou aceitá-la, acima de toda a preocupação dos elos consangüíneos, estará atingindo a sublime posição de triunfo no combate contra o mal.


Livro: Vinha de Luz – Francisco C Xavier – Emmanuel - Os livros espíritas, como este vendidos em nossa loja, terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz de Limeira

8.3.16

“ESCOLHA” DE LIVROS ESPÍRITAS

Certa vez, conversando com amigos, Chico Xavier, referindo-se à grande produção de livros espíritas, de autores encarnados e desencarnados, disse que todos devem ter o direito de expor, em uma feira, a produção de seu “quintal”, deixando que as pessoas escolham o que melhor lhes apeteça ao paladar...
Não obstante, infelizmente, não é o que vemos acontecer no Movimento Espírita, em que muitos se arvoram em censores da produção literária alheia, escolhendo eles o que outros devem, ou não, intelectualmente consumir.
Sejamos mais objetivos.
Os “donos”, ou “diretores” de Clubes de Livro Espírita, tanto quanto de Livrarias, se julgam no direito de escolher o “cardápio doutrinário” a que os leitores podem ter acesso.
Trata-se, claro, de um absurdo, porque atentado inequívoco contra a liberdade de pensamento, além de colocar em dúvida a capacidade de discernimento do leitor.
Ressalve-se aqui o relevante papel que, sob o protesto da “gestapo espírita”, as Distribuidoras Espíritas, em geral, vêm cumprindo para a mais ampla divulgação do Espiritismo, adquirindo o maior número de títulos possível, inclusive de interessantes obras espiritualistas que sempre têm algo a ver com as de natureza espírita propriamente dita.
Compreenda-se que não estou aqui fazendo a minha própria defesa, porque, se, quando encarnado, nunca careci dos dividendos de obras espíritas de minha autoria para sobreviver – todas elas custeadas pelo meu bolso –, muito menos agora que me vejo, pela graça do Senhor, continuando a sobreviver sem eles.
Acontece que, sinceramente, considero um “atentado” à Doutrina, e aos companheiros de Ideal, que, por exemplo, residindo em cidades do interior, onde o acesso a publicações espíritas é sempre mais difícil, permanecem sujeitos ao critério de escolha daquele que se considera um “expert” em Espiritismo.
Não sei, na atualidade, de crime pior praticado contra a liberdade de pensamento, porquanto, tais censores estão a imitar os escribas e fariseus dos tempos do Cristo, que, chamados por ele de hipócritas, ainda tiveram que ouvir de sua boca: “... porque fechais o reino dos céus diante dos homens: pois, vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando.”
Confesso que, particularmente, não sou adepto das obras de Roustaing, mas nem por isto sou de opinião que a Federação Espírita Brasileira, que as edita, deixe de editá-las, para o conhecimento daqueles que queiram lê-las e estudá-las.
Aliás, Kardec, o Codificador, dizia que uma boa biblioteca espírita deve contar igualmente com obras que combatam a Doutrina.
O espírita, interessado em aprender, não deve se ater apenas e tão somente à leitura de obras doutrinárias, ampliando o universo de seus conhecimentos gerais e procurando, alhures, pontos de interação com os Princípios do Espiritismo.
Existem livros que, sem possuírem o rótulo de “espíritas” são mais espíritas que muitos outros assim considerados.
A par desta questão da “censura”, à qual estamos nos referindo, ainda há outra que precisa e deve ser mencionada: a do interesse comercial, em que alguns livreiros espíritas, na venda desse ou daquele livro, estão objetivando mais lucro financeiro para si do que lucro espiritual para a Causa.
Lamentável.
Não olvidemos, porém, que todos os envolvidos na difusão da Ideia Espírita no mundo, em seu papel de restaurar o Cristianismo, mais cedo ou tarde, serão chamados à devida prestação de contas, com cada qual respondendo exclusivamente pelos seus atos.
No Movimento Espírita da atualidade já se encontra em vigor o “nihil obstat”, ou seja, o “nada obsta” da Igreja Católica Romana, que Kardec, na publicação da primeira edição de “O Livro dos Espíritos”, em 1857, teve que ludibriar, porque, segundo o Dr. Canuto Abreu, em seu magnífico “O Livro dos Espíritos e sua Tradição História e Lendária”, o título original da Obra seria “Religião dos Espíritos”, e, certamente, com tal denominação, a Obra não teria obtido permissão para surgir a lume.

INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 7 de fevereiro de 2016.

7.3.16

Sempre no Bem

Diante dos imprevistos da vida, seguir sempre no bem.
Diante das adversidades do dia a dia, caminhar sempre no bem.
Diante da dor que incomoda, ficar sempre no bem.
Diante da dúvida e da incerteza, lembrar sempre do bem.
Diante daqueles que te caluniam, pedir sempre pelo bem.
Diante dos conflitos que insistem em não parar, agir sempre no bem.
Diante da tormenta, do vento bravio, amparar-se sempre no bem.
Diante do irmão que não te compreende as intenções, guarda ele sempre no bem.
Em toda e qualquer ocasião, seja qual for motivo, fica sempre no bem.
Quem está no bem terá consciência tranquila, verá novos horizontes diante da intemperança, falará mais forte o coração.
Estar no bem, seguir o bem, caminhar no bem são passos seguros para viver em paz e com Deus.


Helder Câmara – Blog Novas Utopias
Liberdade e Responsabilidade

- Jovem, o que faz hoje você pelo seu amanhã?
- Ah, Dom Helder, eu tenho muito tempo na vida, por que me preocupar com isso agora?
- Porque o amanhã chega logo, meu caro, mal a gente vê e ele já bate à nossa porta.
- Quero pensar nisso agora não, Dom Helder. Quando o futuro chegar eu me preocupo com isso.
- Pois muito bem, então o que você faz no seu hoje?
- Eu brinco, eu me divirto, eu vivo a vida. Tem tanta coisa que a vida nos oferece que eu não vou ficar em casa sem fazer nada, eu vou é ser feliz.
- Muito bem, mas o que te faz feliz?
- Viver a vida é dançar, é cantar, é beber, é fumar, é se sentir livre para fazer o que quiser.
- E as consequências disso são favoráveis para o seu amanhã?
- Creio que sim, Dom. Quando o futuro chegar vai me encontrar feliz.
- Mas não é importante medir cada coisa que a gente faz? Por exemplo, dançar é bom, cantar é bom, beber pode até ser bom, mas pode não ser bom beber demais.
- Não vejo isto muito não. Ora, se o momento é para beber, eu vou beber, cada coisa a seu tempo. Eu não posso ficar por ai medindo o que faço ou deixo de fazer. O importante é viver a vida em sua totalidade.
-O que você guarda para seu amanhã é resultado do que você faz hoje?
- Sim, claro que é.
- Então você está me dizendo que, embora você goste de viver plenamente o momento, o que ele te dispuser, você tem consciência que o bom ou mau uso do tempo que fizer agora vai te levar a consequências no futuro?
- É sim, Dom. Se a gente ficar pensando em cada coisa que vai fazer acaba não vivendo.
- E se você fizer algo que vai se arrepender?
- Então eu conserto depois.
- Afinal, você tem tempo...
- Isso mesmo!
- Meu filho, não estou aqui para dizer o que é certo ou errado, eu nem sei direito. O que eu sei é que eu preciso me amar e preciso respeitar o outro na sua forma de se amar. Gostaria apenas de deixar uma palavra de um velho: você pode até fazer o que te der na cabeça, mas saiba que você será sempre responsável pelos seus atos.
- Tudo bem, Dom Helder, vou pensar nisso.
- É, liberdade vem sempre acompanhada de responsabilidade. Lembre-se sempre disto.
- Vou lembrar, Dom, vou lembrar.
- Um abraço, meu filho.
- Um abraço, Dom.

Dom Helder Câmara – Blog Novas Utopias

6.3.16

Estado de Alerta

Às pressas, buscam-se respostas, por quê?
Não se sabe direito o que foi que aconteceu, houve, não sei onde, uns estrondos. Qual seria a origem daqueles barulhos dantescos?
No corre-corre, alguém me disse: deve ser o fim do mundo.
Como o fim do mundo, me perguntei, não somos, afinal, imortais?
Era 1945. Final da segunda grande guerra mundial. De um lado, os aliados, de outro, um grupo querendo, a todo custo, impor o seu poder.
Hitler, Mussolini e as lideranças japonesas imaginavam que poderiam introduzir nova ordem mundial. Era engano, mas a começar pela Europa, os movimentos de conquistas territoriais pelo caminho da guerra passaram a ser uma normalidade. Estavam ainda na mente de muitos os ecos da primeira grande guerra de 1914.
Muito havia ocorrido e a Europa estava despedaçada. Não havia paz no velho continente europeu. Onde quer que se fosse, não se sentia absolutamente tranquilo, esta era a verdade, mesmo naqueles países considerados neutros. Era um clima de permanente intranquilidade.
Naquele dia do grande estrondo, que atingiu até as bases do mundo espiritual, perguntou-se, de verdade, se ali seria o princípio do fim.
Ficamos todos atordoados do lado de cá da vida. Queríamos viver ainda neste planeta, pisar novamente neste pedaço de chão, noutro corpo, mas será que haveria condições se houvesse incrível destruição nuclear?
Na prática, ainda vivemos neste receio global. Alguns, bem poucos, detém a fórmula da grande bomba atômica e pode usá-la, teoricamente, quando quiser. Outras de poderio mais fortes foram criadas, desde então, e não foi a derrocada da famosa guerra fria que espantou de vez esta preocupação mundial.
Há sempre déspotas, tiranos, desequilibrados, que tentam dominar o mundo e não deixariam de perder a oportunidade para se mostrarem fortes porque possuem a grande arma. Irresponsáveis que não pensam na humanidade, mas unicamente em seus interesses pessoais.
Há, sim, senhores, perigo de novos golpes nesta frente. Há, igualmente, no mundo espiritual, esforço de grande monta para evitar que isto aconteça. Atuamos nos bastidores do poder. Não eu, simplesmente, mas um conjunto de irmãos que utilizaram as suas vidas para se dedicarem ao bem público em seus países de origem.
O peso de outra grande guerra mundial não está aliviado, ao contrário, bebe-se um champanhe da paz, mas não se desarmam de maneira alguma. Portanto, fiquemos em alerta.
É claro que os problemas do dia a dia não nos fazem nos debruçarmos diante destas questões estratégicas e nós trabalhamos, estudamos cada passo para “não deixar a peteca cair. ”
Orientamos a governantes. Deliberamos com representantes desencarnados das nações. Articulamos reuniões de paz e entendimento. Tudo isso é feito e muito mais, no entanto, em nada garante que estejamos livres da presença do mal, ou seja, dos que trabalham em direção contrária. São fortes e inteligentes, temos que reconhecer, mas nada que uma iniciativa no bem não venha a amolecer corações.
Os grandes governantes do planeta são sistematicamente monitorados por grupos do bem. Lógico que eles também recebem a influência do outro lado do poder e muitos se deixam levar por promessas de projeção pública e mais poder.
Não é isto que desejamos ao nosso querido planeta, por esta razão, dedicamos boa parte do nosso tempo em aglutinar outros corações, a somar oportunidades de melhoria, a resolver problemas crônicos das populações.
Venceremos porque o bem sempre há de vencer, o que não impede dizer que não será fácil por isso mesmo. Haverá muitas lutas, ganhos e perdas, no final o bem terá que prevalecer, pois este é o nosso destino inevitável.

Joaquim Nabuco – Blog Reflexões de um Imortal

5.3.16

MUNDO NOVO

Sigamos juntos pela estrada afora,
Corações irmanados no Ideal,
Sem desertar à luta colossal
Que, na Terra, aos mais fracos apavora...

Sob as bênçãos da Fé que nos escora,
Sigamos em cruzada universal,
Combatentes do Bem vencendo o mal,
Que a existência humana desarvora...

Ao comando do Cristo que nos guia,
Falemos de esperança e de alegria
À Humanidade unida em um só povo...

Que somente ao cultivo do Amor puro
Nas almas relegadas ao monturo,
Há de florir, na Terra, o mundo novo!...

Eurícledes Formiga

(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião no Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã do dia 28 de fevereiro de 2016, na cidade de Uberaba – MG).