6.1.22

 


A Lua

Certa ocasião, numa cidade distante do interior de Pernambuco, uma mulher do povo, bem simples, fez-me uma pergunta:
- Dom Helde, esta história de foguete, que o homem foi à lua, é verdadeira?
- É, minha filha, é sim. O homem tem muita inteligência e agora quer conhecer o espaço começando pela lua.
- Mas, Dom Helde, não é muito distante?
- É, minha filha, é muito distante, mas com perseverança, o homem chegou lá.
- Mas pra quê, Dom Helde, o homem não tem tudo que precisa por aqui, neste mundo de meu Deus?
- É, minha filha, na verdade, o homem não precisava ir agora para a lua, creio eu, tem muito mais problema para resolver aqui na Terra, por enquanto.
- É que estava pensando, Dom Helde, se Deus deixa o homem ir à lua é porque há uma razão para isso, não?
- Deve haver, deve haver.
- Eu acho que sei, Dom Helde.
- É? Então me diga.
- É pro homem chegar lá e ver como a Terra é bonita e tomar a decisão de cuidar melhor dela.
- Sabe que eu não havia pensado por este ângulo. Você tem razão. O homem vendo como a Terra é bonita irá preservá-la mais, ter mais cuidado com ela. Vou dizer isso aos outros quando me perguntarem. Você tem razão.
- Pois bem, Dom Helde, só quero saber uma coisa agora.
- Diga.
- Quando a gente diz no Pai Nosso que seja feita a vontade de Deus, assim na Terra como no céu, como é que é isso?
- O céu, minha filha, é a imensidão do espaço sideral. As estrelas, os outros planetas, a lua.
- Agora entendi de verdade. Querem ver se podem viver na lua para abrir Igrejas lá também, não é verdade?
- Pode até ser, minha filha, mas, por enquanto, tem muito o que fazer por aqui mesmo.
Despedi-me dela e fiquei a pensar.
A sabedoria humana é infinita. Mesmo uma pessoa mais simples enxerga longe. O que é que esse povo está fazendo na lua com tantas coisas a fazer por aqui também. A lua, meus irmãos, pode ser distante, mas, distante mesmo, é não atingir o coração de outro homem, mesmo que ele esteja a um metro de distância.
Quantas pessoas podem chegar à lua e jamais conseguem chegar ao coração de outro irmão...
Um abraço,
Helder Camara - blog Novas Utopias

5.1.22


 


 

A MORTE

A morte é semelhante a um portal
Da abençoada luz que se descerra,
Para quem deixa o corpo sobre a Terra
Em heroica batalha contra o mal...

Mas para quem viveu sem ideal,
Cativo do prazer a que se aferra,
A morte é escuro abismo em que se encerra
A alma vencida em provação banal...

Se, portanto, desejas passaporte
De acesso à paz, em místico transporte,
Não desistas da luta que te eleva...

Porque quem abandona a sua cruz,
Na Vida para onde se conduz
Há de encontrar somente dor e treva!...

Eurícledes Formiga _ Blog Espiritismo em Prosa e Verso

4.1.22


 

A LEI DE DEUS

Questão 621 do Livro dos Espíritos

A lei de Deus se encontra escrita na consciência; o Senhor a escreveu com todo o Seu amor, na qualidade de Pai que ama profundamente Seus filhos.
Muitos dos nossos companheiros pesquisam, querendo saber onde fica a consciência e qual a sua engrenagem espiritual. Já falamos, com a humildade que pensamos ter, que não podemos viver no futuro, se precisamos do presente para aprendermos o que ele pode nos dar. Falta paciência nos afoitos, porque o aprendizado melhor é aquele feito passo a passo.
A própria lei de Deus nos ensina que o Pai é Amor, e sendo Ele amor, tudo que Lhe pedimos com sinceridade e necessidade, Ele nos dá, e dá com abundância. Para que possamos firmar essa nossa fala, vamos consultar o livro luz, na palavra de Mateus, anotando os ensinamentos de Jesus:
Pois todo o que pede recebe; o que busca, encontra, e a quem bate, abrir-se-lhe-á. (Mateus, 7:7)
Se o Mestre é o revelador de todas as leis do Pai que está no céu da nossa intimidade e fora de nós, como não acreditar nas Suas palavras que são vida, verdade e o verdadeiro caminho? Batamos às portas da sabedoria maior, que elas abrir-se-ão, pela lei que orienta os nossos esforços, por ser digno o trabalhador do seu salário.
A lei de Deus, diz "O Livro dos Espíritos", se encontra escrita na consciência, e logo o raciocínio nos pede explicações desta referência: se ela está escrita na consciência, não precisamos que ninguém nos fale sobre eía, se já a temos. Mas, a intuição nos revela com sabedoria que a alma, movendo-se na carne, perde certas sensibilidades, de modo a esquecer-se da própria irradiação dos conhecimentos doados por Deus, pela escrita de luz no centro do Espírito e que, com a maturidade, vão nos chegando ao coração, que passa a ser ar que podemos respirar.
O desprezo do que temos conosco não é por conveniência. Ninguém, em sã consciência, joga fora o tesouro que possui. São modalidades da própria vida, para o despertamento gradativo dos talentos divinos que todos temos. Essa conversa sobre a consciência e as íeis de Deus pode ser estendida ao infinito. Avançamos nesses conhecimentos de acordo com a nossa elevação. Se queres saber mais, procura Jesus, do modo que Ele nos ensinou a procurá-Lo, tomando a nossa cruz e seguindo Seus passos, o que desperta o mais profundo sentimento de Amor.
Deus, na Sua bondade, quis e quer nos lembrar sempre sobre Suas leis, e para tanto envia os grandes benfeitores para instruir a humanidade e fazer lembrar o que Ele disse. Para conhecê-los, basta analisar suas vidas, comparando-as com a vida do Mestre. Assim podes sentir de onde eles vieram e quais as suas missões junto aos homens.
É profunda a pergunta de numero seiscentos e vinte e um:
- "Onde está escrita a lei de Deus?"
A resposta é muito mais profunda, nos dando segurança em todas as direções, quando o benfeitor sintetiza, usando a sua cultura universal:
- "Na consciência".
Se queremos melhorar a nossa vida, vamos orar vigiando, pensar sempre no melhor, porque nesse interesse, o melhor, por afinidade, nos virá nas ondas de luz que as bênçãos de Deus desprende em favor dos que O buscam.

Livro: Filosofia Espírita - João Nunes Maia - Miramez
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