6.6.21

Deixai os mortos enterrar seus mortos

    Ele disse a um outro: Segui-me. Ele lhe respondeu: Senhor, permiti que eu vá primeiro enterrar meu pai. Jesus lhe respondeu: Deixai os mortos enterrar seus mortos; mas, quanto a vós, ide anunciar o reino de deus. (Lucas, 9:59 e 60)
    O que podem significar estas palavras: Deixai os mortos enterrar seus mortos? As considerações anteriores já nos mostram, antes de tudo, que, na ocasião em que foram pronunciadas, não podiam ser uma censura àquele que considerava um dever de piedade filial enterrar o corpo de seu pai. Portanto, elas contêm um significado mais profundo, que só um conhecimento mais completo da vida espiritual pode fazer compreender.
    A vida espiritual é, de fato, a verdadeira vida, é a vida do Espírito. Sua existência terrena é apenas transitória e passageira, espécie de morte, se a compararmos ao esplendor e a atividade da vida espiritual. O corpo é apenas uma vestimenta grosseira que reveste temporariamente o Espírito, verdadeira cadeia que o prende à gleba terrena e da qual fica feliz em se libertar. O respeito que se tem pelos mortos não se refere à matéria, mas, sim, à lembrança ao Espírito ausente. É semelhante àquele que se tem pelos objetos que lhe pertenceram, que tocou, e os que lhe querem bem e os guardam como objetos de estima. Era isso o que aquele homem não podia compreender por si mesmo, e Jesus o ensina dizendo: Não vos inquieteis com o corpo, preocupai-vos antes com o Espírito; ide ensinar o reino de Deus; ide dizer aos homens que sua pátria não está na Terra e sim no Céu, pois é lá que está a verdadeira vida.

Livro: O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. 23, Moral Estranha
livro a venda na LER Livros Revistas Papelaria

5.6.21

Tudo é Mediunidade

Neste Universo sem fim,
Sem ter força que o degrade,
Tudo está conectado,
Tudo é mediunidade.
 
Não há quem pense sozinho,
Sem a influência de alguém,
Nem que aja por si mesmo,
Seja no mal ou no bem.

À noite, ao céu estrelado,
Por satélite de escol,
Refletindo a luz celeste
A Lua é médium do Sol.
 
Os mundos se equilibram,
Em mútua gravitação,
Com Sistemas e Galáxias,
Em permuta de atração.
 
A abelha é médium da flor,
O pássaro é da semente,
A árvore em seu labor,
Filtra o ar constantemente.
 
Na mó, ao ser triturado,
Na dor que não extravasa,
O trigo é médium do pão
Sobre a mesa em sua casa.
 
O humilde olho d’água,
Entre pedras a jorrar,
Intermediando a fonte,
Faz o rio transbordar.
 
Uma ideia gera outra,
De uma outra a nascer,
Médium da imaginação
Em seu eterno evolver.
 
Toda palavra que existe,
No abecedário completo,
Unindo letra com letra,
Tem por médium o alfabeto.
 
Portanto, creias, ou não,
Escreva isto na lousa,
No que dizes, no que fazes,
És médium de alguma cousa!...
 
Eurícledes Formiga - Espiritismo me Prosa e Verso
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião de preces do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã de sábado do dia 29 de Maio de 2021, em Uberaba – MG).

4.6.21

MedicinaAlma

HISTÓRIA DE UM AMIGO MEU

Sempre tive muitos amigos, mas este era diferente dos demais.
Falava pouco, mas, quando abria a boca, na maioria das vezes, desagradava.
Não escolhia hora e lugar para dizer o que pensava.
Por tal motivo, ele mesmo não possuía muitos amigos.
Na verdade, foi um incompreendido - até os companheiros que lhe eram mais chegados, costumavam duvidar do que ouviam de sua boca.
Alguns de seus familiares o consideravam louco.
Por não compactuar com a mentira, tinha ferrenhos adversários.
Em várias oportunidades, tentaram corrompê-lo, mas ele nunca se deixou subornar.
Não era homem de contemporizar com o erro.
Não omitia opiniões.
Não negociava com a Verdade.
Por se ver tão perseguido, sequer possuía residência fixa.
Ora dormia debaixo de uma árvore, ora passava a noite numa caverna.
Sob injustas acusações, a sua prisão havia sido decretada por diversos juízes.
Chegaram a alegar que ele tinha pacto com as Trevas...
Que perturbava a paz e pervertia os bons costumes...
Que incitava o povo à sedição...
Que afrontava o poder constituído...
Que, enfim, vivia fascinado e era extremamente perigoso!...
Para muitos, não passava de hábil prestidigitador, que, inclusive, conhecia os segredos da sugestão sobre as mentes frágeis, às quais se impunha com facilidade.
Frequentava prostíbulos e convivia com a escória moral da sociedade.
Não se sabe à custa de que crianças e mulheres festejavam a sua presença...
Efetivamente, parecia mesmo ser contraditório, pois, não raro, o viam participar de lautos banquetes, regados a vinho.
Falava de paz, mas, empunhando um chicote, expulsou os vendilhões de um templo religioso - disseram que ele estava bêbado e possuído!
Certa vez, sem falar muito, chegou a convencer conhecido homem rico a dar aos pobres quase tudo o que tinha.
Sorria com a mesma espontaneidade com que chorava...
Pranteando um amigo morto, cometeu o crime de lhe profanar o túmulo e fazê-lo reviver.
De fato, era demasiadamente estranho, pois, numa ocasião, escandalizando os próprios seguidores, disse: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente..."
Daquele dia em diante, "muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele".
Coitado deste meu amigo, tão bem intencionado!
Alimentava os famintos, limpava os leprosos, fazia andar os paralíticos...
Não discriminava a quem fosse.
Apenas não tolerava a ortodoxia da religião!
Em minha opinião, ele provocou demais a turma dos moralistas... Vocês não hão de ver que, sem meias palavras, ele afirmou que as prostitutas os antecederiam no Reino dos Céus?!
Faz muito tempo que morreu, no entanto, se fosse hoje, creio que ele terminaria do mesmo jeito que terminou, pois as coisas, de lá para cá, não mudaram muito, não.
A única diferença é que, talvez, ele não fosse mais crucificado entre dois ladrões - o bando hoje é bem maior e seria extremamente difícil escolher somente dois, para que, junto com ele, fossem erguidos sobre um monte qualquer!
E, depois, a cruz também, como instrumento de suplício, já está fora de moda!
Este meu amigo que, suponho, seja igualmente amigo seu, depois de ser escarnecido e humilhado, em vez de morrer de braços abertos, suspenso do solo, nos subterrâneos de anônima penitenciária morreria sentado numa cadeira elétrica!...
INÁCIO FERREIRA - Blog Mediunidade na Internet

3.6.21

Sentimento Maior

Há muito o que fazer para a redenção da humanidade. Estamos ainda nos primeiros passos do seu progresso total. Aliás, acho que mal começamos a andar.
A humanidade precisa entender que para que haja progresso verdadeiro, todos, indistintamente todos, devem avançar na senda da evolução.
E isto significa que deve proporcionar aos habitantes terrenos as condições básicas de moradia, emprego, saúde, educação, enfim, tudo que represente a dignidade de cada irmão de caminho.
Precisa fazer mais: dar condições para o seu desenvolvimento moral – e isto é o fundamental.
A humanidade ainda rasteja na sua completude espiritual. Está muito distante de elencar valores enobrecedores da alma como um comportamento coletivo e consciente.
Vejamos, agora, irmãos, no momento que vivemos desta pandemia mundial.
Os governos, em todos os níveis, batem cabeça à procura de soluções e alternativas viáveis para manter a normalidade das atividades cotidianas. Não é fácil, pois além de se portar com dignidade e competência, necessita do apoio da população para que as medidas de prevenção e recuperação obtenham pleno sucesso.
O que vemos, em muitas ocasiões, é exatamente o inverso. As pessoas nem ligam para a pandemia. Cuidam apenas de si e esquecem que fazem parte de um todo. Resultado: contaminam-se e contaminam aos demais. Isto é puro egoísmo, é completo desinteresse pelo outro.
Ora, como poderemos desenvolver uma sociedade próspera e utilitária, se não temos o mínimo de espírito altruísta e de solidariedade? Tudo naturalmente fica bem mais difícil de ser implantado.
Por essa razão, pelo descuido individual, numerosas mortes poderiam, neste prisma de raciocínio, serem absolutamente evitadas, se individualmente cada um fizesse a sua parte.
Percebam, irmãos, que estamos falando do campo individual de comportamento. Se cada um se prevenisse estaria contribuindo para a diminuição de casos e, consequentemente, de mortes prematuras.
Enquanto o ser humano não conseguir desenvolver estas qualidades mínimas de progresso moral, a coletividade sofrerá o revés dessa ignorância e desse desinteresse pelo próximo.
É preciso acordar para um sentimento maior que é o espírito de fraternidade.
No momento em que nos entendermos como irmãos de uma mesma casa planetária, então a nossa perspectiva mudará e o nosso comportamento será completamente outro. Menos individualista e mais solidário.
A humanidade precisa entender estas coisas para avançar. Enquanto patina no seu egoísmo febril, destroem-se lares, minguam-se os empregos pela decadência econômica, desperdiçam-se recursos valiosos.
O novo tempo que se avizinha, irmãos, não terá essas coisas porque somente teremos a presença de espíritos que se entendem como irmãos de uma mesma causa. Espíritos que sabem que o seu bem depende intrinsicamente do bem do outro. Isto se chama fraternidade aplicada.
A miséria que assola a humanidade, em todos os seus aspectos, representa a ausência desses valores nobres. Se não dermos, portanto, importância à educação moral tudo cairá por terra e nada avançará.
Preocupem-se, portanto, com a sua postura diante do mundo. Faça a sua parte. Dê o seu exemplo. Colabore com o todo maior. Seja humanitário e fraterno. Se todos se comportarem dessa maneira, as coisas se organizarão e o mundo se tornará um lugar melhor de se viver.
Helder Camara - Blog Novas Utopias

2.6.21

A LINGUAGEM DOS ANIMAIS

Comentário Questão 594 do Livro dos Espíritos

Os animais têm sua linguagem, característica à sua evolução e ao reino a que pertence. Não é uma linguagem qual a dos homens, mas, para se entenderem, não têm necessariamente que falar como os seres humanos. Quase todas as criaturas da Terra já reconhecem que os bichos se comunicam entre si, desde o menor inseto ao maior dos animais. É uma espécie de música, sons diferenciados que emitem, e que os outros percebem e entendem. Eles não precisam aprender com seus pais, com os ancestrais da mesma espécie; eles já nascem sabendo, bem como todos sabem nadar.
A programação de Deus, como já falamos alhures, está no fluido cósmico que emana da Sua poderosa mente, e é absorvido por todos os seres de acordo com a sua evolução. São leis que regulam esse transe divino para a divina conservação das coisas criadas.
Os peixes transmitem mensagem usando o veículo das águas, e cada espécie tem seu meio de comunicação. Desde as minúsculas espécies, até as baleias, eles se entendem e se juntam por lei de harmonia. Convém assinalar que os homens estão sempre fazendo reformas em sua linguagem, e os animais não mudam nos seus meios de comunicação, por ser isso programação de Deus, no silêncio da vida.
Os seres humanos dificultam seus meios de comunicação, inclusive pela variedade de línguas, perdendo tempo no seu aprendizado, ao passo que se houvesse uma só língua, seria mais fácil. O orgulho e o egoísmo, como já foi dito pelos Espíritos superiores em variadas mensagens, é que fazem todas as criaturas da Terra sofrerem as chamadas provações, que são nascidas nestas chagas da humanidade. A Doutrina dos Espíritos está por Jesus encarregada de fazer limpar da face da Terra esses dois monstros das trevas, fazendo o amor irradiar em todas as nações e em todos os corações das criaturas, de modo que possa surgir um novo céu e uma nova Terra, de maneira que os mesmos homens, com a reforma cristã, entendam, como provaram alguns dos santos que passaram pela Terra semeando o amor, e conversem com os próprios animais. Desta forma, poderás educá-los com mais facilidades e eles, os animais, entrarão com mais freqüência nas limitadas linhas da razão, que deverão penetrar pela vontade.
As palavras são a linguagem do mundo ainda imperfeito. Com o crescimento da humanidade, fertilizada por Jesus Cristo, desenvolver-se-á a linguagem dos Espíritos fora da carne, que se chama telepatia, recurso das almas elevadas, transmitindo imagens de fácil captação e melhor entendimento. Eis o futuro, que cada vez mais vai fornecendo meios mais lógicos e mais fáceis dos seus se comunicarem.
Esperemos que pelos nossos esforços chegaremos a essa altura espiritual, ajudando e dando as mãos aos que nos acompanham, porque todos somos filhos de Deus, com os mesmos direitos e deveres de viver.
Livro Filosofia Espírita - João nunes Maia - Miramez
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1.6.21

DIRETRIZ EVANGÉLICA

E - Cap. XVIII _ Item 12

Não vos adapteis às conveniências e convenções do mundo, mas transformai-vos pela renovação do entendimento, de modo a conhecerdes os disígnios de Deus, para que a vossa tarefa se faça agradável e útil.
Aprendei com temperança o que vos convém saber, conforme o grau de vossa fé, porquanto assim como temos em um só corpo vários membros e nem todos eles guardam a mesma função, também nós que somos muitos formamos um só corpo em Cristo, embora sejamos individualmente membros uns dos outros.
Desse modo, existindo diversos dons, segundo as concessões que nos são dadas, se nos cabe a profecia seja ela praticada, na medida de nossos recursos; se convocados à administração, ocupemo-nos em administrar; se localizados no ensino, devotemo-nos à instrução; os que exortem, usem as possibilidades em exortar; os que foram trazidos a repartir, procedam com liberalidade; quem preside, seja prudente; corações chamados aos exercício da misericórdia, empreguem a misericórdia com alegria.
Entre nós, seja o amor não simulado.
Esqueçamos o mal, buscando o bem.
Amai-vos cordialmente uns aos outros com afeto fraternal.
Não sejais vagarosos na vigilância, afervorai-vos no trabalho, servindo ao Senhor.
Regozijai-vos na esperança, sede pacientes nas dificuldades, perseverai na oração.
Amparai os bons, na solução de suas necessidades, sede hospitaleiros.
Abençoai os que vos perseguem, mantendo-vos solidários e unidos entre vós.
Não ambicionei situações, para as quais ainda não conseguimos a altura necessária, acomodando-nos à humildade, para que não estejamos alardeando sabedoria que ainda não temos.
A ninguém, torneis mal por mal.
Sejamos honestos com as cousas que nos dizem respeito e, se for possível e quanto for possível em nós, tenhamos paz com todos."
Estas observações, de forma e sentido positivamente espíritas e que parecem grafadas hoje para as lides naturais da pregação e da mediunidade, da propaganda e da ação; dos ideais e das obras de nossas instituições não são nossas e sim do apóstolo Paulo de Tarso, constantes dos versículos dois a dezoito do capítulo décimo-segundo de sua Epístola aos Romanos.
Destacando esta breve página de orientação evangélica, escrita há dezenove séculos, relacionemos as nossas responsabilidades, dentro do Espiritismo, que restaura o Cristianismo, em suas bases puras, e procuremos pensar.
 
Livro: Opinião Espírita - Francisco C. Xavier e Waldo Vieira - Emmanuel e André Luiz (cp28)
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