5.4.21

Paulo, o Pedinte – II

- Pega, ou larga?! – insisti ante a hesitação de Paulo.
- Decidir assim, tão depressa?! – retrucou. – A gente tem que ter um tempo para pensar... Eu pensei que...
- Pensou o quê, meu caro?!
- Que morrer seria diferente... Pensei que a gente fosse descansar...
- Você descansou a existência inteira... Em que trabalhou?! Conte-me...
- Bem, eu... Nunca fui assim de ficar num serviço só... Ficava uns tempos num, uns tempos noutro...
- Paulo...
- Depois de desencarnar, a gente tem que trabalhar mesmo, Doutor, para valer?! O senhor deve estar brincando...
- Olhe para a minha cara...
- O senhor, não nego, é uma pessoa muito simpática – não se trata de beleza, beleza, mas...
- Pega, ou larga?!...
- A vassoura?!...
- A vassoura, e o lápis!...
- O lápis também?! Não, Doutor, o lápis?!...
- Trabalhar e estudar...
- Para que saber assinar mais que o próprio nome?! Doutor, quanto mais a gente conhece, mais a gente sofre...
- Prefere a rua, não é?!...
- Tenho muitos amigos... Quando eu me canso, onde estiver, paro, deito e durmo – debaixo de uma marquise, da sombra de uma árvore...
Fez uma pausa e falou:
- Tenho o que comer... As pessoas são boas, generosas... Sempre ganho um lanche, uns trocados... Eu não sei... O mundo dos homens é muito complicado – na rua, eu vivo em paz...
- Complicado?!...
- Os que moram na Casa de Deus bagunçam demais... Ambição, orgulho, uma briga sem fim...
- Você não está fora da Casa de Deus – ninguém está! Você é um de seus inquilinos, e não quer pagar o aluguel...
- Aluguel?!...
- Paulo, o que você tem dado em troca pelo ar que respira, pela luz do Sol e, até mesmo, pela beleza das flores?! Conte-me...
- Uai, eu usufruo...
- Não se sente devedor?! Não percebe que o Cristo, o Pedinte dos Pedintes, está de mãos estendidas para você?! O que você já lhe deu?! Quantas moedas de sua boa vontade para colaborar com Ele na construção do Mundo Melhor?!...
- Eu não tenho nada...
- Que vergonha, Paulo! Você tem coragem de dizer que não tem nada... O egoísmo não ataca apenas quem tem dinheiro, não! O egoísmo é a pior das doenças que conheço...
- Não dou prejuízo a ninguém, nunca fiz mal a ninguém...
- E bem?! Você faz o bem?! Responda-me em sã consciência...
- Não faço o mal...
- Não é suficiente... Os omissos se omitem em favor do mal, e não em favor do bem...
- O senhor aperta muito a gente...
- Pega, ou larga?!...
- A vassoura, e o lápis?! – tornou a perguntar. – Os dois de uma vez...
- De uma vez só... Claro, você tem a opção de continuar vagando e... sofrendo!...
- Eu não sofro, Doutor?!...
- Não?!...
Paulo, pela primeira vez, chorou, e, começando a chorar, chorou como raramente tenho visto um homem chorar – com muitos anos de treino, sentou-se com facilidade no chão e, levando as mãos às faces, chorou feito uma criança crescida, que é o que o homem é...
Deixando que ele vertesse o rio das lágrimas que trazia represado no coração, puxei uma cadeira, sentei e... esperei.
INÁCIO FERREIRA - Blog Mediunidade na Internet
 
Uberaba – MG, 4 de Abril de 2021.

4.4.21

Páscoa com Jesus

A vida de Jesus é repleta de ensinamentos. 
Cada palavra, cada gesto, cada ação é para nos ensinar o bem-viver. 
Não há nada que deixe de ser aproveitado daquilo que sabemos sobre Jesus de Nazaré. 
Os seus últimos instantes, então, os momentos de dor e provação, estes são os mais eloquentes da história de Jesus na Terra. 
A sua vinda na carne se fez plena naqueles momentos derradeiros. 
O que aconteceu? 
Jesus era perseguido pelos judeus ortodoxos, aqueles que dominavam a religião oficial. 
Um nazareno estava andando por aí a curar gentes, a tirar demônios e até a ressuscitar mortos. 
Não fossem apenas estes milagres, sua moral era irretocável. Seus ensinos públicos encorajavam a todos a mudar o caminhar das suas vidas. 
Era uma pregação revolucionária para os poderosos da religião daquela época e precisavam urgentemente afastar este perigo que estava dominando o seu rebanho. 
Sua palavra forte já havia chegado à cúpula dos sacerdotes que tramaram imediatamente a sua eliminação. Nada de sobressaltos no poder que exerciam sobre a multidão faminta de consolação. 
Pois bem, a trama culminou numa acusação indevida e numa condenação injusta. E o poder de Roma, que poderia ter revertido toda aquela situação, abraçou a causa dos poderosos sacerdotes. 
A sua morte cruel em vez de calar a sua voz teve efeito contrário. Aí mesmo é que Ele se tornou maior. Seu reaparecimento, três dias depois à sua morte, efetivamente o imortalizou na memória de todos até a época atual. 
Estes momentos finais, a sua paixão até a morte infame na Cruz, são lembrados até hoje, uma vez por ano, para que possamos reaprender com Jesus. 
A paixão, morte e ressurreição de Jesus, que comemoramos no evento da Páscoa, representa para cada um de nós a morte do homem velho e o renascimento do homem novo. 
A morte da humanidade inferior, corrompida, distorcida dos objetivos nobres para o nascimento da humanidade superior, aquela que venceu a morte, não apenas física, mas também que teve a coragem de enfrentar a si mesmo e esculpir em si os valores nobres da vida. 
É por esta razão que no calendário cristão lembramos de Jesus, da sua e da nossa Páscoa. 
A passagem que Ele veio nos ensinar ainda é esquecida por muitos. Por esta razão, temos que lembrá-la hoje, amanhã e sempre, até que não haja sobre a terra nenhum filho de Deus perdido na escuridão do medo e da dor. 
Hoje, ao comemorarmos a Páscoa Cristã, abrimos os braços aos céus em forma de agradecimento. Agradecemos a Jesus, nosso Salvador, que deu a sua própria vida para redimir os nossos pecados. 
Não que Ele tenha dado um cheque em branco para toda a humanidade. Não é assim que devemos interpretar. Ele abalizou junto ao Pai Maior que todos nós poderíamos – e conseguiríamos – realizar a passagem da animalidade para a espiritualidade e um pouco mais para o nosso encontro definitivo com a divindade. 
Ele fez mais! 
Disse a todos nós que estaria conosco até o fim dos tempos. 
Disse que estaria na Terra até que a última das suas ovelhas fossem resgatadas. 
Por isso – e por muito mais – te agradecemos Jesus. 
Renasce em nós a fé e a esperança. 
Renasce em nós o dever de nos redimirmos. 
Renasce em nós a certeza de que vamos conseguir executar o projeto de Deus: sermos perfeitos. 
Obrigado, Jesus! 
Salve a Tua Páscoa! 
Helder Camara - Blog Novas utopias

Páscoa e Espiritismo

O período festivo cristão dito Semana Santa surgiu entre os séculos III e IV e chamava-se, em latim, Hebdomas Sancta (Semana Maior). Dentre as práticas recomendadas pelos eclesiásticos aos fiéis, havia a abstenção ao consumo de carne.
Como podemos ver, a Semana Santa é um costume originado no início da Idade Média, época em que o cristianismo foi institucionalizado pelo decadente Império Romano; não existia nos primeiros 150 anos após a crucificação de Jesus Cristo.
Quando realmente ocorreu a semana dita "santa".
Graças às comunicações com os Espíritos amigos, temos o conhecimento do ano exato em que Jesus foi crucificado. O Espírito Emmanuel, através da psicografia do médium mineiro Francisco Cândido Xavier, em Há dois mil anos (1ª ed. 1939), no cap. VIII (no grande dia do Calvário), informou que a Crucificação aconteceu antes da Páscoa do ano 33.
A verdadeira idade de Jesus na Cruz.
O número do citado ano nos leva a pensar que, com o passar do tempo, houve uma confusão na estipulação da idade terrena de Jesus ao ser crucificado. Segundo a tradição cristã, o Cristo teria falecido aos 33 anos.
O Espírito Humberto de Campos, também através da "pena mediúnica" de Chico Xavier, em Crônicas de Além-Túmulo (1ª ed. 1937), no cap. XV (a ordem do Mestre), relatou um diálogo, no Mundo Celestial, entre João, o Evangelista, e Jesus Cristo, no qual o apóstolo revelou que o Mestre nasceu no ano 749 do antigo calendário romano, ou seja, em 5 a.C..
Portanto, Jesus tinha 38 anos terrestres quando foi levado ao Calvário (cinco anos mais velho do que muitos imaginam).
Jensoares
Em prol da divulgação do conhecimento.

3.4.21

Brasil Iluminado

Será em vão, Gigante, será em vão
Que as trevas tramarão teu cativeiro,
Iludindo o bom povo brasileiro,
Cansado de sofrer desilusão...

O Céu já disse “basta” à escuridão
Que paira sobre a pátria do Cruzeiro,
E um lindo dia surge alvissareiro,
Pleno de luz e paz na Imensidão...

Em vão, prosseguirão tentando agora,
Deter o teu levante em Nova Aurora,
Em que o progresso se fará fecundo...

Sempre a lutar e crer não esmoreças,
Que nada há de impedir que resplandeças,
Iluminado Coração do Mundo!...

Pedro de Alcântara - Blog Espiritimo em Prosa e Verso
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião de preces no Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã de sábado do dia 27 de Março de 2021, em Uberaba – MG).

2.4.21

SEMANA SANTA - VISÃO ESPÍRITA

Todo ano, a cena se repete. Chega a época dos feriados católicos da chamada "Semana Santa" e surgem as questões:

1. Como o Espiritismo encara a Páscoa;Sexta-feira Santa"?;

2. Qual o procedimento do espírita no chamado "Sábado de aleluia" e "Domingo de Páscoa"?;

3. Como fica a questão do "Senhor Morto"?

Sabe que chego a surpreender-me com as perguntas. Não quando surgem de novatos na Doutrina, mas quando surgem de velhos espíritas, condicionados ao hábito católico, que aliás, respeitamos muito. É importante destacar isso: o respeito que devemos às práticas católicas nesta época, desde à chamada época, por nossos irmãos denominada de quaresma, até às lembranças históricas, na maioria das cidades revividas, do sacrifício e ressurgimento de Jesus. Só que embora o respeito devido, nada temos com isso no sentido das práticas relacionadas com a data.

São práticas religiosas merecedoras de apreço e respeito, mas distantes da prática espírita. É claro que há todo o contexto histórico da questão, os hábitos milenares enraizados na mente popular, o condicionamento com datas e lembranças e a obrigação católica de adesão a tais práticas.

Para a Doutrina Espírita, não há a chamada "Semana Santa", nem tão pouco o "Sábado de aleluia" ou o "Domingo de Páscoa" (embora nossas crianças não consigam ficar sem o chocolate, pela forte influência da mídia no consumismo aproveitador da data) ou o "Senhor Morto". Trata-se de feriado e prática católica e portanto, não existem razões para adesão de qualquer tipo ou argumento a tais práticas. É absolutamente incoerente com a prática espírita o desejar de "Feliz Páscoa!", a comemoração de Páscoa em Centros Espíritas ou mesmo alteração da programação espírita nos Centros, em virtude de tais feriados católicos. E vejo a preocupação de expositores ou articulistas em abordar a questão, por força da data... Não há porque fazer-se programas de rádio específicos sobre o assunto, palestras sobre o tema ou publicar artigos em jornais só porque estamos na referida data. É óbvio que ao longo do ano, vez por outra, abordaremos a questão para esclarecimento ou estudo, mas sem prender-se à pressão e força da data.

Há uma influência católica muito intensa sobre a mente popular, com hábitos enraizados, a ponto de termos somente feriados católicos no Brasil, advindos de uma época de dominação católica sobre o país, realidade bem diferente da que se vive hoje. E os espíritas, afinados com outra proposta, a do Cristo Vivo, não têm porque apegar-se ou preocupar-se com tais questões.

Respeitemos nossos irmãos católicos, mas deixemo-los agir como queiram, sem o stress de esgotar explicações. Nossa Doutrina é livre e deve ser praticada livremente, sem qualquer tipo de vinculação com outras práticas. Com isso, ninguém está a desrespeitar o sacrifício do Mestre em prol da Humanidade. Preferimos sim ficar com seus exemplos, inclusive o da imortalidade, do que ficar a reviver a tragédia a que foi levado pela precipitação humana.

Inclusive temos o dever de transmitir às novas gerações a violência da malhação do Judas, prática destoante do perdão recomendado pelo Mestre, verdadeiro absurdo mantido por mera tradição, também incoerente com a prática espírita.

A mesma situação ocorre quando na chamada quaresma de nossos irmãos católicos, espíritas ficam preocupados em comer ou não comer carne, ou preocupados se isto pode ou não. Ora, ou somos espíritas ou não somos! Compara-se isso a indagar se no Carnaval os Centros devem ou não abrir as portas, em virtude do pesado clima que se forma???!!!... A Doutrina Espírita nada tem a ver com isso. São práticas de outras religiões, que repetimos respeitamos muito, mas não adotamos, sendo absolutamente incoerente com o espírita e prática dos Centros Espíritas, qualquer influência que modifique sua programação ou proposta de vida.

Esta abordagem está direcionada aos espíritas. Se algum irmão católico nos ler, esperamos nos compreenda o objetivo de argumentação da questão, internamente, para os próprios espíritas. Nada a opor ou qualquer atitude de crítica a práticas que julgamos extremamente importantes no entendimento católico e para as quais direcionamos nosso maior respeito e apreço.

Vemos com ternura a dedicação e a profunda fé católica que se mostram com toda sua força durante os feriados da chamada Semana Santa e é claro, nas demais atividades brasileiras que o Catolicismo desenvolve.

O objetivo da abordagem é direcionado aos espíritas que ainda guardam dúvidas sobre as três questões apresentadas no início do artigo. O Espiritismo encara a chamada Sexta-feira Santa como uma Sexta-feira normal, como todas as outras, embora reconhecendo a importância dela para os católicos. Também indica que não há procedimento algum para os dias desses feriados. E não há porque preocupar-se com o Senhor Morto, pois que Jesus vive e trabalha em prol da Humanidade.

E aqui, transcrevemos trecho do capítulo VIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, no subtítulo VERDADEIRA PUREZA, MÃOS NÃO LAVADAS (página 117 - 107ª edição IDE): "O objetivo da religião é conduzir o homem a Deus; ora, o homem não chega a Deus senão quando está perfeito; portanto, toda religião que não torna o homem melhor, não atinge seu objetivo; (...) A crença na eficácia dos sinais exteriores é nula se não impede que se cometam homicídios, adultérios, espoliações, calúnias e de fazer mal ao próximo em que quer que seja. Ela faz supersticiosos, hipócritas e fanáticos, mas não faz homens de bem. Não basta, pois, ter as aparências da pureza, é preciso antes de tudo ter a pureza de coração".

Não pensem os leitores que extraímos o trecho pensando nas práticas católicas em questão. Não! Pensamos em nós mesmos, os espíritas, que tantas vezes nos perdemos em ilusões, acreditando cegamente na assistência dos espíritos benfeitores, mas agindo com hipocrisia, fanatismo e pasmem, superstição .... quando não conhecemos devidamente os objetivos da Doutrina Espírita, que são, em última análise, a melhora moral do homem.


Postado por Espiritismo na rede

1.4.21

JESUS NASCIMENTO NA TERRA

JESUS

Jesus é o caminho, a luz e a vida, aqueles que O seguem não se perdem pelos caminhos díficeis.
A Sua indulgência para conosco, evita que se caia nas tentações do mundo.
A Sua luz é o farol a nos guiar pelos caminhos das sombras.
O Seu amor ampara e fortalece a todos que passam pelas dores da perda.
A Sua doçura envolve os irmãos que sofrem afliações, minimizando as torturas.
A Sua singeleza mostra ao orgulhoso que a humildade é atitude de amor.
A Sua benevolência é o exemplo a ser seguido por todos.
Jesus é o nosso irmão de luz, os Seus ensinamentos confortam, amparam e consolam, para isso basta, vivencia-los com o coração puro e inocente.
Lembremo-nos de Suas mensagens sempre que nos sentirmos angustiados, desajustados e sem amor.
De um irmão sempre presente. 
A todos os amigos da Fraternidade
Mensagem recebida pelo
Grupo de Estudos de Psicografia da 
Fraternidade Francisco de Assis