14.2.20

A Paz nos Morros


Não tenhamos dúvida alguma que os tempos são chegados, conforme predisse o Nosso Senhor Jesus Cristo.
Os tempos são chegados porque há um momento em que não é mais possível a convivência com tanta crueldade, com tanta maldade, na Terra. Há que se fazer algo para o restabelecimento do bem-estar da humanidade e Deus, que tudo vê, provém aos seus signatários as forças necessárias para conduzir as coisas para o bom termo. Há que se instalar, gradualmente, o reino de Deus na Terra e esta tarefa não pode mais se demorar.
Quando vejo os últimos acontecimentos no meu Rio de Janeiro, uma verdadeira guerra campal, vejo como as coisas estão ocorrendo celeremente. Os tiros de lá pra cá, a correria daquela gente naquele tiroteio infernal representa uma ajuda para que possamos banir, de uma vez por todas, o mal da face da Terra. Não era preciso isto, era preciso apenas que o homem aceitasse o amor no seu coração e deixasse se guiar por ele, mas não, muitos de nossos irmãos enveredaram - e ainda o fazem - no caminho do mal e, assim, atrapalham as suas próprias vidas. Não que gostemos de ver tamanho arroubo de poder, que as duas partes querem se mostrar, mas algo precisava ser feito e que seja assim, infelizmente, mas, queira Deus, com o menor derramamento de sangue possível.
Isto tudo é consequência da absoluta falta da presença do Estado e da incapacidade de se gerar a paz dentro do coração dos homens. De um lado, o poder público que ficou de braços cruzados vendo as favelas crescerem e não chegou junto para ordenar a ocupação popular e dar ao povo o mínimo para poder ali se estabelecer e ganhar a sua vida. Resultado, gente morando onde não deveria morar, ficando pendurado em casebres, amontoado uns sobre os outros em condições precaríssimas de moradia. A ausência do Estado fez com que outros ocupassem este espaço tristemente, fazendo crescer uma geração enorme de delinquentes por absoluta falta de alternativa. Por outro lado, o bem não foi plantado no coração daquelas pessoas. Muitos deles sabem lá o que seja um catecismo, por exemplo, uma formação cristã básica, de qualquer que seja a denominação religiosa. Sem perspectivas do Estado e sem a presença de Deus em suas vidas, o que esperar?
Meus queridos irmãos, creio que estejamos perto do fim, mas muita água ainda vai rolar para que tenhamos, definitivamente, a instalação do bem na Terra. Muita coisa ainda vai acontecer para que o reino de Deus se faça presente no coração dos homens, de todos os homens.
Façamos a nossa parte e peçamos a Deus misericórdia por aqueles irmãos nossos que ainda teimam em permanecer no mal, em cultivar o ódio e a maledicência, o crime e a destruição geral. Que os episódios recentes no Rio de Janeiro nos façam ver, de uma vez por todas, que o caminho escolhido no passado não nos serve e que modelemos um onde todos possam ter alternativa de crescimento pessoal, onde a cooperação e a preocupação com o bem-estar dos seres humanos seja perene, a prioridade principal.
Construamos um novo mundo, certamente de muita paz e união entre irmãos.
Que Deus nos abênçoe!

Helder Camara pelo médium Carlos Pereira - 2010

13.2.20

A TEMPESTADE ACALMADA


    "E entrando Jesus na barca, seus discípulos acompanharam-no, e eis que se levantou no mar tão grande tempestade que as ondas cobriam a barca; mas Jesus dormia. Os discípulos, aproximando-se, acordaram-no dizendo: Salva-nos, Senhor, que perecemos. Ele lhes disse: Por que temeis, homens de pouca fé? Então erguendo-se, repreendeu os ventos e o mar; e fez-se grande bonança. E todos se maravilharam dizendo: Que homem é este, que até o mar os ventos lhe obedecem?"  (Mateus, VIII, 23-27.)

    A autoridade de Jesus é verdadeiramente universal.
    Espírito superior que preside os destinos do nosso planeta, conhece-lhe a natureza, bem como a atmosfera que o circunscreve, assim como os Espíritos que atuam nos elementos; é sabedor, portanto, de que todos os fenômenos sísmicos e atmosféricos são dirigidos por seres inteligentes encarregados das manifestações da Natureza.
    O Mestre, contemplando o temporal que se desencadeara no Mar da Galiléia, deliberou fazê-lo cessar a rogo de seus discípulos, e para que estes não perigassem, ordenou que o mar se acalmasse e os ventos não prosseguissem na sua faina destruidora!
    Está claro que Jesus não se dirigiu ao mar e aos ventos, mas, sim, aos Espíritos que agitavam a atmosfera e encapelavam as águas. O vento e o mar não poderiam compreender, para obedecer às ordens do Mestre.
    Esses fenômenos obedecem sempre a uma causa e Jesus, atuando sobre a causa, fez cessar o efeito!
    Ensina, também, esta passagem, que com a fé em Jesus podemos, se lhe rogarmos, obtermos a calma nas tempestades da vida.
    A Nova Revelação, com seus fatos maravilhosos, vem pôr-nos a par de tantas coisas que a ignorância humana considerava milagres, mas que não são mais que produtos ou resultados da ação de Espíritos que, em redor de nós, trabalham constantemente.

Livro: Parábolas e Ensinos de Jesus - Cairbar Schutel

12.2.20

A RIQUEZA


Questão 533 do Livro dos Espíritos

De certo modo, a riqueza leva o homem aos perigos morais e aos de todas as ordens. O dinheiro, quando aliado ao orgulho e ao egoísmo, se compara a desastres nos caminhos das criaturas. Por vezes, pedes aos Espíritos a fortuna, e eventualmente te poderá ser isso concedido. Deus pode permiti-lo como lição, uma prova, como um fardo que pesa bastante nos ombros.
Entre os Espíritos que servem de instrumento para canalizar essa riqueza, quase sempre estão os teus inimigos, por desejarem o teu mal, na sequência da tua vida. São favores perigosos, e não devem faltar ao agraciado a oração e a vigilância. O outro, em si, não faz mal nem bem, mas, a falta de educação moral nas criaturas é que o emprega para finalidades escusas.
Se ganhaste alguma fortuna de repente, tem cuidado na sua aplicação: ela poderá ser motivo de glória para a tua vida. Mas, por motivo de desespero, não deves pedir aos Espíritos riquezas; trabalha, que se Deus achar conveniente, te proverá, sem agressão às forças superiores. Deixa que o Senhor faça a Sua vontade, e não a tua, visto que, de certo modo, o homem não sabe o que pedir.
Se Deus concede à pessoa a riqueza, quase sempre é por provação; no entanto, já se encontram no mundo muitos ricos que entrarão no reino do céu, que conhecem e sabem empregar seus bens materiais, como ajuda para conhecer a verdade. O dinheiro em demasia pode te levar aos desregramentos sociais, ao abuso da comida e da bebida.
É bom que anotemos a fala de Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios, conforme capítulo dez, versículo trinta e um:
Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra cousa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.
O tudo para a glória de Deus a que Paulo se refere, é usar o que se deve usar com parcimônia. Não deves esquecer o equilíbrio na alimentação e, se for o caso, na bebida, porque o homem correto deve fazer tudo para a glória de Deus, sem sair da moral evangélica, de modo que a conduta de Cristo opere em seu coração. Quem passar pelo crivo da riqueza, e não for influenciado pelas paixões inferiores e pelos desequilíbrios sociais, está preparado para usar o dinheiro de maneira honesta, onde o amor pode vibrar na sua pureza e avançar nos caminhos da caridade.
Mas, se Deus te conservar na pobreza dos bens materiais, não te revoltes, por não passar isso de uma prova, te preparando para uma vida melhor. Confia e espera, trabalhando como se estivesse na fartura de tudo. Do modo que pensas, assim vives. Não deixes o fermento do mal crescer em teu coração. Ele atrai Espíritos da mesma natureza, a te inspirarem coisas inúteis para a tua paz de consciência.
Se porventura pediste aos Espíritos a fortuna fácil, e essa não chegou para ti, dá graças a Deus, pois estás sendo protegido pelos teus guias espirituais. Dentro das facilidades se enroscam serpentes perigosas. Contenta-te com o que tens, que os Céus sabem o que convém te ofertar.

Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez - Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

11.2.20

A ÚNICA RIQUEZA


Emmanuel

     Nos tempos modernos, o "auri sacra fames" dos antigos tem para as criaturas humanas um sentido novo.
     Sentindo mais terrível, em virtude da depravação moral em que se mergulha a maioria dos homens, neste amargurado transe da civilização.
*
    A fome do ouro não se contenta mais com a aquisição das facilidades da vida.
    Sua finalidade não é a busca incessante de conforto e de defesa, no seio da inquietação da existência material.
*
     Nos tempos que passam, o ouro deve comprar também as consciências para a amplificação de todas as zonas da ambição e do poder.
     O homem terrestre busca, em toda parte, a posse do metal que se ligou, por atrações insondáveis e misteriosas, aos seus destinos no mundo, não tanto porque precise de pão e de agasalho.
     A máquina, com os seus aparelhos de transformação solucionou os mais fortes problemas de necessidade material da civilização. 
*
     O mais pobre operário, nos tempos que correm, em se tratando das condições econômicas da América, tem mais comodidades na sua casa do que Luiz XIV, há dois séculos atrás, nos esplendores dos seus palácios.
*
     O homem precisa da expressão financeira para acobertar as suas próprias deficiências morais.
*
     O ouro mascara-lhe os defeitos, cobrindo a sua personalidade de respeito ao poder, aos olhos do mundo.
     Conquistado expressões bancárias, conquista os primeiros lugares em quase todos os planos sociais.
*
     Conquistando o campo das grandes possibilidades materiais, o homem examina a sua amplidão de domínio, voltando-se, então, para o terreno intelectual, onde efetua a sua provisão de conhecimentos, mas quase sempre dá provas de sua miopia espiritual, em face da árvore imensa da ciência e da sabedoria.
*
     Aos frutos sãos, prefere os apodrecidos.
     A força de hábito, na canalização da fortuna para todos os desvios da autoridade, a serviço de sua ambição e de seu egoísmo desenfreados, viciou as fontes da cultura universitária, intoxicando-a com as mais falsas concepções da vida.
*
     Enquanto há banqueiros em luta pela culminância financeira nas bolsas, existem sábios disputando a melhor posição de conhecimento, no capítulo da guerra e do extermínio, nos laboratórios.
*
     Quase sempre, aliando-se a expressão intelectual à possibilidade financeira, temos o político do tempo, em caminho para os lugares mais destacados no grande banquete do domínio universal.
     Entretanto, todas as criaturas, um dia, contemplam detidamente o relógio da ambição, o procurando parar os seus ponteiros.
*
     Napoleão, em Santa Helena, considera o caráter transitório de suas conquistas.
     Bismarck, com todas as suas expressões de poder, prepara-se para a morte, depois das vitórias de 70.
     Édson examina as possibilidades de se comunicar com o mundo invisível, após as suas grandes e maravilhosas descobertas.
     Marconi, depois de aperfeiçoar a radiotelefonia, auxiliado pelos seus guias espirituais, é chamado à Pátria Espiritual, justamente quando estudava o problema de um raio mortífero à distância, com o fim de servir às expressões da política transitória.
*
     Um poder mais alto que o de todos os ditadores do mundo dirige os eternos movimentos do cosmo; uma inteligência inapreensível, pelas suas expressões Divinas, se sobrepõe, no infinito do tempo e do espaço, ao raciocínio de todos os inventores, estabelecendo a verdadeira harmonia da vida e uma justiça compassiva e misericordiosa preside o destino de todas as almas, nas mais variadas posições da existência.
     Os verdadeiros ricos da Terra são os que procuram conhecer a magnitude desse poder, dessa sabedoria e dessa misericórdia, dispondo-se a servir nas suas leis que são as da prática do Bem e do Amor puro e simples.
*
     Nas suas mãos, as moedas de ouro já não representam a pedra fria dos cofres, mas as flores de luz para a alegria de todos os semelhantes.
*
     Nos seus cérebros, a educação universitária não constitui uma teoria de domínio para o culto de suas vaidades pessoais, mas um dom de Deus, a caminho para a perfeição da beleza espiritual, nas suas mais sublimadas afirmações.
*
     Esses espíritos, ainda raros no caminho comum, transformarão, de fato, a superfície do planeta, plantando o bem, a caridade, o amor, a crença e a esperança, à luz dos ensinamentos de Jesus, em todas as direções e são esses desvelados precursores do porvir que hão de modificar todas as concepções da riqueza, no ambiente terrestre, demonstrando que longe de ser um sinônimo de inquietação, de vaidade, de força bruta, de interesse mesquinho, de extermínio e destruição, a única riqueza verdadeira do homem é a que reside no patrimônio dos seus conhecimentos espirituais, aliados à prática da Lei do Amor e do Bem, sobre a face da Terra.

Livro: Ação, Vida e Luz – Francisco C. Xavier – Espíritos Diversos.

10.2.20

EU FIZ A MINHA PARTE... AGORA É COM VOCÊS!...


- Chico Xavier

Contam alguns amigos que, algum tempo antes de desencarnar, falando sobre a intenção de alguns de “tirar Jesus do Espiritismo”, Chico, em tom de desabafo, teria dito:
- “Eu fiz a minha parte... Agora é com vocês!...”
Não se há de negar que, em seus 75 anos de Mandato Mediúnico, o Médium cumpriu, como ninguém, a sua parte – o que Kardec codificou, voltou um pouco mais tarde, ele mesmo, para decodificar, ou, em outras palavras, para complementar e atualizar, descerrando infinitas perspectivas à Doutrina.
Pois bem.
A questão de se “tirar Jesus do Espiritismo” não está afeta apenas ao aspecto doutrinário, com aqueles que pensam que a Terceira Revelação deve primar, exclusivamente, pelo aspecto científico – como se Jesus fosse responsável pelas religiões de denominação cristã que foram criadas a partir de Suas palavras, quando sequer Ele escreveu uma única letra.
Realmente, em nosso Movimento, na atualidade, existem várias frentes que, consciente ou inconscientemente, estão se esforçando para excluir Jesus...
Por exemplo.
O problema da elitização do Movimento, quase que a anular o Espiritismo em sua feição consoladora – e isto, infelizmente, a partir dos equívocos cometidos pelos Órgãos de Unificação, que, no Brasil e fora do Brasil, já o elitizaram, de vez que, são Órgãos completamente distantes do povo...
E tão distantes estão que passaram a referendar as palestras doutrinárias pagas, taxadas, sem dúvida, a preços escorchantes, sob o pretexto de divulgação da Terceira Revelação, que, em termos de IBGE, desde a desencarnação de Chico Xavier, vem encolhendo em número, e, quiçá, na qualidade de seus adeptos.
Formou-se, sub-repticiamente, também metaforicamente, não sei se separado ou emendado, várias frentes lideradas por confrades de alguma expressão intelectual – e nem sempre moral –, que, a pretexto de exaltarem Kardec, passaram a dar combate às Obras Mediúnicas de Chico Xavier, simplesmente deixando de citá-las em suas perorações.
(Tenho para comigo, que, talvez em 90% desses confrades, o que falta mesmo é conhecimento doutrinário mais abrangente, inclusive do Pentateuco – são rasos e superficiais, sem capacidade dedutiva, e... sem originalidade alguma! – o plágio foi oficializado!)
Não deixemos de ouvir o que, em tom de alerta, Chico nos disse: “Agora é com vocês!...”, e, de nossa parte, não nos intimidemos no testemunho, sabendo, evidentemente, do preço que ele nos custa, e nos custará – todavia, sem dúvida, sempre bem menor do que o que se paga para ouvir esse ou aquele tribuno em qualquer Congresso!...
O Movimento Espírita, através de algumas de suas supostas lideranças, assim que Chico desencarnou, começou a colocar as “mangas de fora”, porque, antes, não possuía qualquer endosso de natureza moral para os desatinos que vem cometendo, com bases em mentiras de dirigentes e médiuns desavergonhados que amam o poder e a bajulação.
A situação, porém, não é nova. Leymarie esperou que Kardec desencarnasse para se apropriar de seu espólio, e, segundo Chico, se transformar, em França, no “coveiro do Espiritismo”.
Então, meus amigos, o assunto é o seguinte: tais Congressos pagos, e, consequentemente, a elitização do Movimento, não existiriam se os convidados para eles se negassem a participar, e não achassem pouco proferir as suas exposições doutrinárias em suas Casas Espíritas de origem.
O Movimento Espírita como passou a existir, de fato, caminha, a passos bem adiantados, para “tirar Jesus do Espiritismo”, e, assim, ser reduzido a uma doutrina teosófica qualquer – ou, caso prefiram, esotérica.
Que nos preocupemos, pois, mantê-Lo em nossos espíritos, na expectativa de melhores dias que haverão de surgir, quando a “fila andar”, e os problemas que vocês têm aí embaixo se transferirem para o Lado de Cá!...
Valha-nos Deus!...

INÁCIO FERREIRA – Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 10 de fevereiro de 2020.

9.2.20

A NECESSIDADE DO PERDÃO


    Por que guardamos rancor contra os outros? Que ganhamos com isso senão dissabor? É assim que se passa quando nos resguardamos em mágoas contra aquele que nos fere a alma. Somente traz prejuízo a nossa vida guardar no coração o mal que o outro fez. O perdão, antes de ser um elemento de elevação moral, representa um antídoto eficaz contra os males da alma que repercutem no coração e na saúde das pessoas. Amar é sem dúvida o grande caminho e remédio contra as angústias que a ausência de perdão faz provocar naquele que teima em não esquecer o desequilíbrio moral do outro.
     Por que se prender a queda do ignorante do bem? Por que querer se atracar contra aquele que te feriu a alma? Que ganhará com isso?
     Isso se chama vingança e sentimento de vingança é o inverso do amor. "O amor cobre a multidão de pecados", lembrava bem o apóstolo Pedro. Somente o amor consegue abrasar a maior das revoltas anteriores. Sem o perdão sincero do pecado do outro faz-nos atrasar, cada vez mais, no caminho evolutivo de nossas almas perante a saga das nossas vidas.
    Se Deus, o justo por excelência, esquece a falta  daquele que erra, por nós, seus filhos haveríamos de querer adotar um procedimento inverso? Sem querer, fazemos exatamente ao contrário do que estamos destinados. Em vez de seguirmos para a frente, andamos determinadamente para trás. Isto não pode acontecer.
     O caminho de perdão não é tão difícil se entendermos, ou procurarmos entender, as razões pela quais alguém nos cometeu um crime moral.
     O perdão eleva as criaturas para mais próximo do Pai, que nos encoraja para conseguirmos superar no coração a falta cometida contra nós. Sem o perdão, nos igualamos ao nosso desertor. E qual a vantagem de aceitar o Evangelho se permanecemos iguais ao que éramos antes? Se aceitamos o Cristo, necessitamos mudar o nosso comportamento para melhor. Você é o senhor do seu destino e por que não toma logo uma atitude de mudança?
     Todos querem chegar aos céus, imaginam para si o melhor, no entanto, quer que isso ocorra milagrosamente porque não faz qualquer esforço determinado nesta direção. Até o Cristo enfrentou a cruz, e por nós, ainda tão falhos, queremos atingir a angelitude como num passe de mágica?
     Mudar causa um certo desconforto, é bem verdade, causa dor interior, dor na alma. Dor que transforma quando a aproveitamos para refletir com ela. Quando deixamos para lá um cometido contra nós estamos exercitando a mudança de verdade porque estamos enfrentando a nós mesmos, afugentando os sentimentos de vingança e agressividade. O tempo do olho por olho e dente por dente já acabou há bastante tempo. Foi o Nosso Senhor Jesus Cristo que nos trouxe a mensagem do amor, sobretudo o amor aos nossos inimigos. Que mudança nos propõe o Cristo? É uma mudança radical, mudança pra valer. É por isso que não é fácil aceitar o Cristo sem que peguemos a nossa própria cruz. A cruz dos destemperos, dos impulsos agressivos, dos revides automáticos.
     Perdoem, irmãos, mas perdoem de verdade. É um fardo a menos que levaremos quando "morrermos".
Olhe, eu tenho visto tanta gente perturbada do lado de cá, porque não consegue, ou não quer, esquecer o mal que os outros lhe impuseram. E aí se torna um fardo enorme.
     Amemos, como Jesus nos amou. Verdadeiramente, sem subterfúgios. Assim, teremos a graça de nos sentirmos mais aliviados por estarmos mais próximos do Pai Amantísisimo.

Livro: Novas Utopias - Carlos Pereira - Helder Camara

8.2.20

SILENCIA E TRABALHA


Meu amigo, se pretendes
Seguir adiante no bem,
Não te detenhas na estrada
Ouvindo escárnio de alguém.

Inda seja passo a passo
Por sob a cruz em teus ombros,
Caminha determinado
Em meio aos próprios assombros.

Que o verbo maledicente,
Que aos teus ouvidos ecoa,
Não anule os teus esforços
Na tarefa humilde e boa.

Lembra Jesus caminhando
Sobre o estreito itinerário,
Entre apupos e pedradas,
Para a glória no Calvário...

Quem poderia supor
Que aquele Homem abatido,
Pregado ao madeiro infame,
Não pudesse ser vencido?!

Se almejas a vitória,
Travando a humana batalha,
Persistindo no dever,
Faze silêncio e trabalha!...

Eurícledes Formiga – Blog Espiritismo em Prosa e Verso
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, no dia 26 de março de 2005, em Uberaba – MG).