7.2.20

A Palavra


O dirigente do Santuário, reconhecendo, que nos sentíamos necessitados de esclarecimento quanto ao uso da palavra, falou:
- É lamentável se dê tão escassa atenção, na Crosta da Terra, ao poder do verbo, atualmente tão desmoralizado entre homens. Nas mais respeitáveis instituições do mundo carnal, segundo informes fidedignos das autoridades que nos regem, a metade do tempo é despendida inutilmente, através de conversações ociosas e inoportunas. Isso, referindo-nos somente às "mais respeitáveis". Não se precatam nossos irmãos em Humanidade de que o verbo está criando imagens vivas, que se desenvolvem no terreno mental a que são projetadas, produzindo consequências boas ou más, segundo a sua origem. Essas formas naturalmente vivem e proliferam e considerando-se a inferioridade dos desejos e aspirações das criaturas humanas, semelhantes criações temporárias não se destinam senão a serviços destruidores, através de atritos formidáveis, se bem que invisíveis.

Livro: Obreiros da Vida Eterna - Francisco C Xavier - André Luiz

6.2.20

A ORAÇÃO COLETIVA


"Pairavam no recinto misteriosas vibrações de paz e de alegria e, quando as notas argentinas fizeram delicioso staccato, desenhou-se ao longe, em plano elevado, um coração maravilhosamente azul, com estrias douradas..."

"Mal saíra da consoladora surpresa, divina melodia penetrou quarto adentro, parecendo suave colmeia de sons a caminho das esferas superiores. Aquelas notas de maravilhosa harmonia atravessavam-me o coração. Ante meu olhar indagador, o enfermeiro, que permanecia ao meu lado, esclareceu, bondoso.
- É chegado o crepúsculo em "Nosso Lar". Em todos os núcleos desta colônia de trabalho, consagrada ao Cristo, há ligação direta com as preces da Governadoria.
E enquanto a música embalsamava o ambiente, despediu-se, atencioso:
- Agora, fique em paz! Voltarei logo após a oração.
Empolgou-me ansiedade súbita.
- Não poderei acompanhar-vos? - perguntei, suplicante.
- Está ainda fraco - esclareceu, gentil -, todavia, caso sinta-se disposto...
Aquela melodia renovava-me as energias profundas. Levantei-me vencendo dificuldades e agarrei-me ao braço fraternal que se me estendia. Seguindo vacilante, cheguei a enorme salão, onde numerosa assembléia meditava em silêncio, profundamente recolhida. Da abóbada cheia de claridade brilhante, pendiam delicadas e flóreas guirlandas, que vinham do teto à base, formando radiosos símbolos de Espiritualidade Superior. Ninguém parecia dar conta da minha presença, ao passo que mal dissimulava eu a surpresa inexcedível.
Todos os circunstantes, atentos, pareciam aguardar alguma coisa. Contendo a custo numerosas indagações que me esfervilhavam na mente, notei que ao fundo, em tela gigantesca, desenhava-se prodigioso quadro de luz quase feérica. Obedecendo a processos adiantados de televisão, surgiu o cenário de templo maravilhoso. Sentado em lugar de destaque, um ancião coroado de luz fixava o Alto, em atitude de prece, envergando alva túnica de irradiações resplandecentes. Em plano inferior, setenta e duas figuras pareciam acompanhá-lo em respeitoso silêncio. Altamente surpreendido, reparei Clarêncio participando da assembleia, entre os que cercavam o velhinho
refulgente.
Apertei o braço do enfermeiro amigo, e, compreendendo ele que minhas perguntas não se fariam esperar, esclareceu em voz baixa, que mais se assemelhava a leve sopro:
- Conserve-se tranqüilo. Todas as residências e instituições de "Nosso Lar"
estão orando com o Governador, através da audição e visão a distância.
Louvemos o Coração Invisível do Céu.
Mal terminara as explicações, as setenta e duas figuras começaram a cantar harmonioso hino, repleto de indefinível beleza. A fisionomia de Clarêncio, no círculo dos veneráveis companheiros, figurou-se-me tocada de mais intensa luz. O cântico celeste constituía-se de notas angelicais, de sublimado reconhecimento. Pairavam no recinto misteriosas vibrações de paz e de alegria e, quando as notas argentinas fizeram delicioso staccato, desenhou-se ao longe, em plano elevado, um coração maravilhosamente azul*, com estrias douradas. Cariciosa música, em seguida, respondia aos louvores, procedente talvez de esferas distantes. Foi aí que abundante chuva de flores azuis se derramou sobre nós; mas, se fixávamos os miosótis celestiais, não conseguíamos detê-los nas mãos. As corolas minúsculas desfaziam-se de leve, ao tocar-nos a fronte, experimentando eu, por minha vez, singular renovação de energias ao contato das pétalas fluídicas que me balsamizavam o coração.
Terminada a sublime oração, regressei ao aposento de enfermo, amparado pelo amigo que me atendia de perto. Entretanto, não era mais o doente grave de horas antes. A primeira prece coletiva, em "Nosso Lar", operara em mim completa transformação. Conforto inesperado envolvia-me a alma. Pela primeira vez, depois de anos consecutivos de sofrimento, o pobre coração, saudoso e atormentado, à maneira de cálice muito tempo vazio, enchera-se de novo das gotas generosas do licor da esperança."

* Imagem simbólica formada pelas vibrações mentais dos habitantes da colônia. - (Nota do Autor espiritual.)
Livro: "Nosso Lar", cap. 3, André Luiz/Chico Xavier

5.2.20

AFASTAMENTO DOS MALES


Questão 532 do Livro dos Espíritos.

De certo modo, os protetores espirituais afastam das pessoas certos males que as fazem sofrer, mas tudo depende da própria pessoa, se se arrepende sinceramente de ter se desviado da lei.
Os guias espirituais alegram-se quando seu protegido se esforça para melhorar, quando estuda, mas não fica somente nos estudos e procura praticar o que aprendeu nas lições. Esse aprendiz tem sempre visível em seu caminho o seu anjo-guardião a lhe dizer, no silêncio, que a consciência registra: "Estou aqui, a paz seja convosco." O homem deve compreender que quase tudo depende dele mesmo, da melhoria que se processa no seu mundo interno.
Há males que se transformam em bem, como certos infortúnios e enfermidades prolongadas. Se Deus permite que sofras, é com o objetivo de elevação espiritual, todavia, mesmo esses males, como o mundo os chama, podem ser atenuados ou banidos dos teus caminhos, dependendo do modo como recebes a dor, e das mudanças processadas no teu coração.
Também podes usar a inteligência para amenizar ou curar teus males físicos. Deus te dotou dela para o teu bem-estar, e para que ela possa acompanhar igualmente a evolução moral das criaturas.
Afastar o mal, sem que esse mal entregue à criatura a mensagem de Deus, não está nas cogitações dos benfeitores espirituais. Os males que estão nos decretos da Providência são mais difíceis de serem retirados, pois são produzidos por faltas graves no passado; no entanto, mesmo esses, a misericórdia divina pode abençoá-los e transformá-los em paz, dependendo da boa vontade do sofredor. A Doutrina dos Espíritos veio socorrer a todas as criaturas da Terra, mostrando-lhes os caminhos que deverão seguir, na amplitude que a paz possa oferecer.
O mal será afastado da humanidade quando ela entender a mensagem de Jesus e passar a vivê-la. Não precisas, por enquanto, querer conhecer tanta coisa, tantas filosofias espirituais; começa, em primeiro lugar, a educar os teus impulsos, as tuas paixões inferiores, que o campo será propício para todos os conhecimentos, por haver paz de consciência.
O mundo espiritual investe nos homens de boa vontade, avalisa-os nos grandes empenhos e os acompanha com todo fervor. Por que esses homens não agradecem, pelo esforço em direção ao aprimoramento, acertando as atitudes nos conceitos que o amor nos propõe?
Afastar o mal, se ainda geramos mal, não está de acordo com a lei de justiça. Iluminemo-nos por dentro que o amor se manifestará por fora, como claridade benfeitora. Modifica-te internamente que o mundo exterior se harmonizará. Fica sabendo que de ti depende do teu bem estar, porque Deus já te deu todos os recursos para a melhora, para a tua felicidade. Não sejas obstinado no mal, que ele somente gera sofrimentos.
Todo o sofrimento no mundo é por causa da ignorância da humanidade, e o cerco está se fechando em relação ao entendimento. As dores vão aumentar, cada vez mais, de maneira a te levar ao conhecimento e à prática do amor. Se queres que os Espíritos guias afastem de ti os males, começa a afastar de ti mesmo os princípios que geram esse mal, que bem sabes quais são.

Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez - Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

4.2.20

A PROMESSA


Cornélio Pires

"Meus irmãos", era a palavra
De Jovino Conceição,
"A nossa casa de preces
Exige renovação.

O nosso Centro, por si,
Tem muita terra ociosa,
Desde a Rua das Palmeiras
Até a Rua Formosa ".

Contava o orador apenas
Dois meses de fé mofina,
Mas era um verbo fluente
Nos assuntos da Doutrina.

"Nosso maior compromisso
Está vinculado ao povo...
Mostraremos na própria ação
Tudo melhor, tudo novo...

Necessitamos pensar
Nas surpresas do porvir
Nossa sede é um pardieiro,
Velha tapeira a cair.

Sendo grande e complicada,
A casa virá no fim...
Teremos primeiramente
Um amplo e belo jardim.

Ergueremos junto dele
A Casa das Refeições,
Que atenda aos necessitados
De todas as direções.

Logo após, levantaremos
O lar que abrigue as crianças,
Demonstrando o nosso zelo
E o nosso apoio ás mudanças.

Faremos nobre instituto,
Com painéis em varias cores,
Educando a juventude
E preparando oradores".

Na pausa, sacou do bolso
Anotações a granel,
De pé, ele organizou
Cinco pastas de papel.

Em seguida, anunciou:
"Trouxe aqui o meu esquema
A fim de que ninguém veja
Que estou criando problema.

Espero que não perguntem,
Nem façam perquirições;
Ganhei, no alto comercio,
Seiscentos e dez milhões.

Não me falem esta frase:
- Dinheiro aqui não se tem,
Dinheiro e Obras do Cristo
É dele e de mais ninguém..."

-Quando será tudo isso?
Indagou Chiquinho Lemos.
O orador disse nervoso:
"Amanhã começaremos."

No entanto, eis a despedida
Que já se achava marcada.
O grupo entregou-se a planos
Até a alta madrugada.

Falou-se em reconstrução,
Em vasto campo de esporte.
Em que toda a criançada
Pudesse ficar mais forte.

No outro dia, muito cedo,
O entusiasmo cresceu...
Mas Jovino Conceição
Nunca mais apareceu.

Livro: Ação, Vida e Luz – Francisco C. Xavier – Espíritos Diversos.

3.2.20

SENDO ASSIM


“Ora, a fé é a certeza de cousas que se esperam...” – Hebreus, 11:1

Ora, sendo assim, conforme Paulo escreve aos Hebreus, e tenho certeza que assim é, então, eu tenho fé, e, porque a tenho, espero...
Tenho fé, principalmente, de que, um dia, eu venha a ser melhor do que sou – e nisto é que coloco a minha maior capacidade de crer...
Tenho fé de que a Humanidade reconheça em Jesus Cristo o Caminho, a Verdade e a Vida, e que todos os povos celebrem uma paz que seja para sempre...
Que a Terra, deixe de ser um orbe de provas e expiações, e, finalmente, conquiste a tão sonhada condição de Mundo de Regeneração...
Que o Brasil, de fato, tornando real as nossas esperanças, venha a se transformar no Coração do Mundo e na Pátria do Evangelho...
Que o intercâmbio entre mortos e vivos se faça tão natural que a mediunidade, ao se generalizar, possa, em definitivo, promover a integração entre os Dois Mundos...
Que o Espiritismo, embora tantos obstáculos enfrentados, intra e extramuros, possa, sem dúvida, cumprir com a função de reviver o Cristianismo...
Que os espíritas acordem, de vez, para a responsabilidade de defenderem a integridade da Doutrina, sem se deixarem corromper por interesses de ordem pessoal...
Que fanatismo e preconceito, de qualquer ordem e espécie, no futuro – amanhã! – sequer venham a figurar em museus, suscitando tristes recordações...
Que não haja mais nenhum – nenhunzinho mesmo! – resquício de injustiça social...
Que corrupção na política seja considerada apenas um pesadelo, que, infelizmente, vem durando demais...
Que, caso esse ou àquele não consiga deixar de cometer erros, pelo menos ninguém aja mais com a intenção de prejudicar quem quer que seja...
Que a calúnia, ao se igualar a incompetência do caluniador, que, então, terá sido uma espécie extinta, seja uma palavra que não mais figure em qualquer dicionário...
Que todas as crianças possam cursar todas as escolas com base nos “bônus-hora” dos responsáveis por ela – que será toda a sociedade...
Que abnegação não mais seja uma virtude, difícil de ser conquistada, mas, sim, o modus vivendi de todas as criaturas, que somente assim haverão de se sentir felizes...
Ah, eu espero, sim!...
Creio que ao me fazer imortal, e, portanto, de certa maneira, Eterno quanto Ele – posto que eu sempre existisse em Seu ventre –, Deus não me criou senão para esperar...
Então, eu espero, e tenho fé num montão de coisas – de coisas boas, claro!...
De coisas cuja concretização é uma fatalidade, e que, se ainda não se concretizaram, é somente por mero capricho do Tempo, que gosta de lembrar as pessoas de que ele existe...
- Não tem nada, não, Tempo... Eu espero!...
Sobretudo, eu espero pelo Amor...
E enquanto espero, vou carpindo o meu quintal!...

INÁCIO FERREIRA – Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 2 de fevereiro de 2020.

2.2.20

A Grande Obra


Apesar dos avanços inegáveis no campo político, tenho a dizer que ainda falta muito para que tenhamos, de fato, uma democracia limpa, sem manchas de espécie alguma. Digo isso, meus filhos, porque vejo, do lado de cá da vida, tanta sujeira, tanto descalabro, tanta coisa sem propósito.
Os homens agem como se tudo fosse acabar amanhã, como se tudo tivesse um fim próximo. Meu Deus, que tamanha asneira em assim pensar. Correm de um lado para outro para buscar atender aos seus interesses particulares. Querem ver logo e agora tudo aquilo que os façam vangloriar pela sua verve, pelo seu espírito de empreendedorismo, pela sua capacidade de realização.
Tenho cá algumas dúvidas comigo. Será que eles realmente acreditam que estes feitos, estas supostas realizações pessoais, serão eternizadas? Que todos haverão de reconhecer que fora dele, um dia, tais iniciativas?
Tudo, penso eu, é obra de Deus Pai, isto sim é que eles, estes supostos realizadores, deveriam pensar, mas não, para proveito pessoal, para se vangloriarem exibem tantas coisas para que os outros lembrem sempre que foi ele que deixou aquilo plantado. Quando morrem, porém, veem o quanto são pequenos na grandiosidade da obra de Deus Pai. Quando deixam o corpo físico, percebem, finalmente, o quanto deixaram de fazer por si mesmos. Alcançaram a altura no poder terreno e ficaram a mercê naquilo que seria o autopoder espiritual. Tanta obra externa para nada porque a obra maior, aquela que deveria ser erguida a partir de seu coração, sequer foi iniciada, muitas vezes, um só tijolo.
Digo isso porque vejo as grandes obras serem edificadas. Não que elas não sejam importantes, claro que são, ninguém duvida disso, mas querer crer que isto basta para a realização de um povo é pensar bem pequeno. A obra maior que um governante possa fazer para sua gente é tirar-lhe da miséria maior que se chama ignorância.
Quando um governante prioriza a luz do saber para seu povo ele estará erguendo a maior obra de todas, aquela que fala bem alto para outras gerações: a da prosperidade sem fim.
Quando se ergue uma obra de pedra e cal, quando se constrói um complexo viário, por exemplo, uma obra arquitetônica considerável, tudo aquilo, mesmo que não se queira, um dia pode ruir, virar pó novamente, mas duvido, duvido, que o esclarecimento, que a verdade, que a sabedoria, impregnada na inteligência de alguém de despedaçará com o tempo. É obra imorredoura, é obra para a eternidade.
Quando vejo estes políticos por aí contando vantagens pelos números grandiosos de suas realizações e dou uma olhada no investimento sincero em educação, digo para mim, era melhor nem falar coisa alguma, teria era vergonha de abrir a boca para "arrotar" tanta vantagem que não tem consistência alguma.
Assim, meus filhos, preocupem-se com a política antes e depois das eleições, para que seu voto seja valorizado, para que as obras verdadeiras, as mais importantes, sejam priorizadas e executadas, que não fiquem no papel ou na lembrança.
Educar para o futuro, eis a grande obra para a prosperidade dos povos.
Um abraço,
Helder Camara – Blog Novas Utopias

1.2.20

PENSEMOS


Luta, trabalha e confia,
Aproveita o tempo agora,
Quem perde a oportunidade,
Mais tarde lamenta e chora.
*
Lembrete sempre oportuno
Aqui fica registrado:
Ninguém caminha ao futuro,
Vivendo preso ao passado.
*
Nunca dês tanta importância
À opinião adversa...
Muita crítica que escutas
É restolho de conversa.
*
Silencie ante as pedradas
Que alguém te atire constante,
Pois, em meio a tantas pedras,
Pode haver um diamante.
*
Não lamentes quem perceba
Sob rude provação...
O espinho que te fere,
Para a rosa é proteção.

EURÍCLEDES FORMIGA – Bolg: Espiritismo em Prosa e Verso
(Página recebida pelo médium Carlos A, Baccelli, em reunião do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã do dia 19 de março de 2011, em Uberaba – MG).