26.11.18

XXVI – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO”


– ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

O Instrutor Gúbio, desdobrando esclarecimentos a André Luiz e Elói, refere-se à condição de simbiose psíquica que muitos espíritos de evolução primária mantêm com os encarnados, muitas vezes, sem exata noção de seu procedimento – vampirizam mentes assim como o corpo físico é vampirizado por microorganismos patogênicos.
“Quase todas as almas humanas, situadas nestas furnas sugam as energias dos encarnados e lhes vampirizam a vida qual se fossem lampreias insaciáveis no oceano do oxigênio terrestre. (destacamos) Suspiram pelo retorno ao corpo físico, de vez que não aperfeiçoaram a mente para a ascensão, e perseguem as emoções do campo carnal com o desvario dos sedentos no deserto.”
Novamente André Luiz menciona a necessidade de aperfeiçoamento mental para que o espírito se adapte às realidades da vida fora do corpo físico... Logo no primeiro capítulo de “Nosso Lar”, o esclarecido autor, falando de suas próprias experiências, após a morte, escreve: “Não adestrara órgãos para a vida nova.”
Os espíritos que não tomam consciência de si mesmos no Mais Além, compreendendo a nova realidade em que passaram a viver, não a “suportam” e, assim, fazem da reencarnação imediata o seu único objetivo.
*
As revelações de André Luiz, em suas obras, se sucedem de maneira impressionante.
A obsessão para muitos desencarnados passa a ser quase uma “necessidade” – aliás, Kardec, em “O Livro dos Médiuns”, no capítulo XXIII, quando fala das causa da obsessão, anotou o depoimento de um espírito: “Tenho grande necessidade de atormentar alguém...”
Essa “necessidade”, até de certo ponto, não deixa de ser de “sobrevivência psíquica” – claro que não estamos dizendo que o espírito possa vir a “morrer”, mas fica claro que ele, a fim de se alimentar, carece da vitalidade de alguém, pois, caso contrário, entrará em complexa fase de inanição. O pensamento é um “fluido alimentar”, através do qual o espírito pode autonutrir-se nutrir e ser nutrido.
Com a palavra os nossos irmãos e as nossas irmãs internautas, que esperamos venham a opinar sobre o tema.
Com o auxiliá-los em suas reflexões, reproduzimos o que Gúbio diz em seguida: “No fundo, as bases econômicas de toda essa gente residem, ainda, na esfera dos homens comuns e, por isto, preservam, apaixonadamente, o sistema de furto psíquico, dentro do qual se sustentam, junto às comunidades da Terra.” (destacamos)
O psiquismo humano, para tais entidades, funciona como “pasto”, o que nos leva a inferir que, quando os homens não mais lhes oferecerem alimento natural, eles terão que imigrar – assim como o homem dos tempos primitivos, antes do período agrícola, sempre imigrava, de região em região, à procura de alimento abundante.
*
Talvez, então, a esta altura de nossas reflexões e estudos, junto aos nossos irmãos encarnados, possamos falar em “obsessão natural”, processo no qual, do ponto de vista mental, todos pesamos sobre a economia psíquica uns dos outros. Ou não?! O que teriam os nossos irmãos e irmãs a dizerem sobre o assunto?! Porventura, os “seres” do mundo microscópico que parasitam o corpo físico fazem-no por maldade, ou por instinto de sobrevivência, e, ainda, compelidos pela própria necessidade de evolução?!...

INÁCIO FERREIRA – Blog Mediunidade na Internet
Uberaba – MG, 26 de novembro de 2018.

25.11.18

Estratégia do Além


Agora que já se passou o momento do sufrágio popular, quero tecer algumas considerações desse momento único de nosso País.
Aquilo que não entendemos bem representou uma reviravolta nos destinos políticos de nossa nação.
Já não era sem tempo que as mudanças eram reclamadas no nosso País. A predominância das teses esquerdistas, ancoradas num modelo de socialismo sul-americano bem original, deram o que falar, mas chegaram, porém, a sua exaustão.
O que se desenhou como um País mais igual e de distribuição de riquezas com a consequente diminuição das distâncias sociais foi acompanhada por um duro golpe nas finanças públicas e no comportamento ético distorcido das suas principais lideranças políticas.
Havia um sentimento de frustração coletivo. Aquilo que o povo acreditara com tanta força era, na verdade, uma grande ilusão.
O Estado faliu e com ele a moral dos seus construtores de então.
O País ficou órfão de uma proposta redentora e de lideranças que pudessem apontar novos rumos.
Ao mesmo tempo, engendrado num esquema altamente competente, as forças do mal se juntaram para alavancar no Brasil uma nova etapa de suas entrepunhas espirituais. Foram mais uma vez astutas em organizar um quadro de manutenção no poder por mais quatro anos, no mínimo.
As forças do bem deram-se conta dessa engenhosidade dos antagonistas do povo e começaram inteligentemente a promover uma contraofensiva. E isto não foi bem assimilado por grandes partes da população, sobretudo agrupamentos mais esclarecidos.
A candidatura vitoriosa teve a participação de muitos estrategistas do lado de cá da vida que, aproveitaram da inexperiência de alguns pseudo-socialistas do além, para programar uma reviravolta nos destinos políticos da nação.
O melhor candidato ainda estaria por existir. A melhor proposta ainda estaria por se constituir. Ensaios de uma nova era somente poderiam acontecer daqui a alguns anos e, espertamente, foi ancorado num determinado candidato a esperança de frear uma possível reeleição dos fazedores de injustiça e do descalabro.
Por mais que tenhamos que guardar reservas e não me colocando aqui na postura nem de um socialista nem de um liberal, até porque nenhuma dessas duas frentes me representam quando advogo o trabalho do Cristo, tivemos que optar por um estratagema perigoso, mas com possibilidade de êxito como, de fato, ocorreu.
Não menosprezando aos partidários do candidato não eleito, mas era imperioso dar um corte no estado de coisas que se abateu à nossa nação querida depois que um ciclo se esgotou e que pedira outro em seu lugar.
O arranjo vitorioso somente foi possível porque também não se deixou que tais forças antagônicas ao bem pudessem igualmente se assenhorar completamente desse senhor.
Apesar de seus recalques e limitações. Mesmo sabendo das suas incongruências cristãs, havia nele um compromisso de mudança real que está por acontecer.
Não esperamos um governo perfeito ou sem retoques. Pode ser até que se erre muito, mas o que percebemos foi uma vontade de mudança efetiva aliada a uma possibilidade de eleição.
Os destinos do Brasil estão em outras mãos. Sérias, comprometidas com o melhor para seus cidadãos. Orientada para o desenvolvimento e a concórdia.
Pode ser que haja atropelos e tropeços.
Pode ser que o plano almejado seja completamente destruído e ignorado.
Pode ser que toda essa movimentação astral dê em nada.
Houve, porém, uma tentativa sincera de melhoria moral e administrativa de nosso País.
Nossa gente não aguentava mais tanta dor e desalento. Tanta corrupção e desrespeito. Tanta hipocrisia e malfeitos.
A esperança está de volta e com ela homens e mulheres de bem terão a oportunidade de criar outro País que estará longe de ser o ideal, mas que dará um sentido e uma firmeza há muito não vistos.
Nossa nação tem um destino maior e do jeito como as coisas estavam se distanciaria cada vez mais de seu desiderato.
Apostas feitas, vamos à luta. É hora de se fazer o bem. Jogar de lado as diferenças e cumprir o que se espera dessa imensa nação chamada Brasil.
Joaquim Nabuco – Blog Reflexões de um Imortal.

24.11.18

ABOLIÇÃO DO MAL


Quem se refere à perseguições e calúnias, rixas e desgostos, na maior parte das circunstâncias, está destacando a influência do mal.
*
Quantos milhares de caminhos, entretanto, para equilíbrio e restauração, alegria e esperança se todos nos empenhássemos a extinguir impressões negativas no nascedouro!...
 Determinado amigo terá incorrido no erro de que o acusam, todavia se nos afastamos da censura que o envolve, anotando-lhe unicamente as qualidades nobres de filho de Deus, com possibilidades de recuperação iguais às nossas, mais depressa se verá liberto da inquietação na sombra para readquirir a tranquilidade de consciência.
 Certo acontecimento menos feliz haverá sido indiscutivelmente um desastre social, no entanto, se nos abstemos de comentá-lo nos aspectos destrutivos, teremos cooperado para que se lhe pulverizem os destroços morais, sem piores consequências.
 Aquela injúria assacada contra nós efetivamente nos haverá queimado as entranhas do ser, entretanto desaparecerá nas correntes profundas do tempo, se nos consagramos a olvidá-la, sem comunicar-lhe o fogo devorador aos entes queridos, através de alegações menos edificantes.
 Essa confidência amarga ter-nos-á atingido o coração, por farpa invisível, mas não ferirá outros, se nos dispusermos a esquecê-la.
*
Reflitamos na contribuição da paz a que todos somos chamados e para a qual todos somos capazes com segurança e eficiência.
 Para começar, porém, de maneira substanciosa e definitiva, é preciso que o mal cesse de agir, tão logo nos alcance, encontrando em cada um de nós uma estação terminal das trevas.
* * *
“Mãos Unidas”, de Francisco Cândido Xavier, por Emmanuel

23.11.18

A EXPLOSÃO DE PENTECOSTES


    "Então os levou até Betânia e, levantando as mãos, os abençoou. E enquanto os abençoava, apartou-se deles e foi elevado ao céu. Eles, tendo-o adorado, voltaram para Jerusalém com grande gozo; estavam continuamente no templo bendizendo a Deus". (Lucas, XXIV 50-53.)
    "Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar, e, de repente, veio do Céu um ruído como de vento impetuoso que encheu toda a casa onde estavam sentados e lhes apareceram umas como línguas de fogo, as quais se distribuíram, para repousar sobre cada um deles, e todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem". (Queira o leitor ter a bondade de consultar o Novo Testamento e ler todo o capítulo, que deixamos de transcrever devido à sua extensão.) (Atos dos Apóstolos, II. )

    Tendo Jesus conduzido seus discípulos para Betânia, abençoou-os e deles se separou.
    Narra o evangelista Lucas que, depois de terem os apóstolos prestado ao divino nazareno o culto de gratidão pelo muito amor que o Mestre lhes votara, voltaram para Jerusalém, cheios de alegria e constantemente se achavam no templo louvando e bendizendo a Deus.
    Preparavam-se certamente os discípulos do redivivo para receberem o poder do Alto, poder que lhes havia sido prometido, para o desempenho de sua missão.
    De modo que, concentrados pelo espírito de oração e meditação nas coisas divinas, tornaram-se aptos para assimilarem o Espírito em suas mais portentosas manifestações.
    Cumpriu-se o dia de Pentecostes - todos estavam concordemente reunidos, quando, de repente, veio do Céu um som, como de um vento veemente e impetuoso e encheu toda a casa em que se achavam. E por eles foram vistas como que línguas de fogo, que pousaram sobre cada um deles. E todos ficaram cheios de Espírito e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.
    Em Jerusalém habitavam judeus e varões religiosos de todas as nações.
    Correndo aquela voz, ajuntou-se a multidão e estava confusa porque cada um os ouvia falar em sua própria língua. E todos pasmaram e se maravilharam, dizendo uns aos outros: "Não são galileus todos estes homens que estão falando? Como, pois, ouvimos cada um na nossa própria língua?"
    O dom das línguas, o dom de curar, o dom das maravilhas, o dom da Ciência, todas as graças tinham sido dispensadas aos continuadores da missão de Jesus; eram eles os intermediários (médiuns) dos Espíritos santificados, para que a doutrina fosse a todos transmitida!
    A sessão realizada no Cenáculo foi assistida por partos, medos, elamitas e os que habitavam a Mesopotâmia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, a Frígia, a Pantília, o Egito, e partes da Líbia junto de Cirene e forasteiros romanos, tanto judeus como cretenses, árabes; todos ouviram e observaram as maravilhas do invisível!
    Mas, uma assembleia pública composta de homens de diferentes condições e
moralidade, não pode ter opinião uníssona.     Daí o fato de uns atribuírem
os fenômenos à embriaguez dos apóstolos; outros não tomavam a sério os fatos e blasonavam.
    Foi nessa ocasião que o apóstolo Pedro levantou-se e esclareceu:
    "Estes homens não estão embriagados, mas é o que foi dito por Joel: Nos últimos tempos, diz o Senhor, derramarei do meu Espírito sobre toda a carne, os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos mancebos terão visões, os vossos velhos terão sonho".
    "Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado (com o batismo do
Espírito) e recebereis o dom do Espírito Santo, porque a promessa vos pertence, aos vossos filhos e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar".
    E assim realizou-se, sob a direção suprema de Jesus, a sessão para o desenvolvimento dos médiuns, que deveriam transmitir a seus irmãos da Terra, a palavra do Céu.
    Pentecostes foi a palavra que escolheram para exprimir tão notável acontecimento. Deriva do grego Pentekosté e significa "quinquagésimo", ou seja, 50 dias.
    De dois Pentecostes nos fala a História: Pentecostes dos judeus e Pentecostes dos cristãos: o primeiro é uma glorificação do Antigo Testamento, o segundo, do Testamento Novo.
    A festa judaica de Pentecostes era celebrada para relembrar o dia em que Moisés recebera as Tábuas da Lei, os mandamentos do Sinai.
    A recepção do Decálogo efetuou-se justamente cinquenta dias depois dos israelitas comerem o Cordeiro Pascoal, já libertados da escravidão do Egito.
    A festa cristã de Pentecostes é celebrada cinquenta dias depois da ressurreição de Jesus Cristo.
    Que coincidente relação parece existir entre uma e outra festa!
    Os judeus festejavam a sua libertação do jugo do Faraó e dos egípcios; os cristãos festejavam a sua libertação do jugo das trevas da morte pelas aparições de Jesus Cristo e o concurso de seus prepostos do mundo espiritual.
    Além disso, outra coisa admirável se observa entre o Pentecostes cristão e o do Antigo Testamento; um e outro celebram a promulgação da lei divina; cinquenta dias depois do maravilhoso livramento do povo judeu. Deus dá a Sua lei a Moisés, no Monte Sinai; e cinquenta dias depois da mais pujante prova de vida eterna, que o maior de todos os Espíritos dá à Humanidade para o seu livramento dos grilhões da morte, desce o Espírito Santo sobre os discípulos do nazareno, e, sobre a pedra fundamental da Revelação, ergue a Igreja viva que deveria transmitir à Terra os ensinos do Céu!

Livro: Parábolas e Ensinos de Jesus - Cairbar Schutel

22.11.18

Dia Negro


Há quantos falam por aí das cores. Imaginam que o ser humano é diferente porque a tez de um é diferente da tez do outro. Uma raça específica, por conta disso, se torna superior a outra. Que ledo engano! Como poderíamos aferir a superioridade de um homem pela cor de sua pele?  Somente muita presunção e desconhecimento da realidade espiritual para falar num despautério desses.
O homem, por si só, é uma individualidade, criação única de Deus, não há dois seres iguais por mais que se pareçam. A partir daí, do mistério da criação divina, podemos chegar rapidamente à conclusão: somos todos, sem exceção, absolutamente iguais perante Deus, porque cada um é filho do Altíssimo. Não há diferenças nem privilégios. Quem faz isso, quem procede à discriminação, são os homens, não Deus.
O princípio da igualdade se manifesta na criação divina, somos todos iguais, no entanto, nas diversas experiências que o Ser tem na Terra, ele se abriga em corpos diferenciados para o seu tentame existencial. Para isso, a roupa que veste é igualmente diferenciada. Numa existência pode vir negro, branco e assim sucessivamente.
Demorei a entender a este raciocínio, mas ele é justo na sua essência, porque permite a todos a maravilha das experiências diversificadas e assim sentirem um pouco do que o outro sente. É uma incrível forma de promover a excelsitude do Pai com os seus filhos e exercitar a solidariedade racial.
Meus queridos irmãos, para aquele que me conheceu em vida há de estranhar estas palavras, pode vir a dizer: “Hélder agora, depois que morreu, deu para acreditar nesta tal de reencarnação”. Sinto decepcionar a este e dura a mim reconhecer, mas os renascimentos são obras de Deus.
Eu sei que isso vai ferir a meio mundo de gente, mas o que eu posso fazer? Eu não posso mentir diante da realidade a que me deparo. Do lado de cá, presencio pessoas que foram outras personalidades em outras vidas e se preparam para novas existências no corpo físico. É um fato, meus caros irmãos, não há como fugir. Deparo com esta realidade e ponho-me a perguntar: por que Deus esconde estas coisas a tantas criaturas? Apresso-me a responder dizendo que Ele não procede desta maneira, nós é que não queremos enxergar esta realidade tão profetizada por milhões de criaturas que pregam tais palavras no mundo inteiro.
A Teologia Católica poderá dizer: isto é uma blasfêmia aos ensinamentos do Cristo. Eu poderia retrucar com as palavras dele mesmo quando afirmou que aquilo que é do corpo é do corpo e o que é do espírito é do espírito. É o espírito que renasce, não o corpo que morreu. O corpo é outro, bem diferente. Por que então ignorar estas palavras? Porque é mais cômodo, confesso, imaginar que Deus vai nos salvar diante dos casuísmos que fizemos de nossas vidas. E onde estaria a Misericórdia Divina que viria a condenar definitivamente os seus filhos pelo mal que cometera?
É duro afirmar, mas eu repito, a vida não apenas continua depois da morte como ela se reveste de muitas transformações corporais em quantas existências sejam necessárias para o aperfeiçoamento do espírito.
Alguém, seguindo o mesmo raciocínio de antes, poderia dizer: “Dom Hélder, depois de morto, virou espírita”. Não é verdade. Apesar de nutrir grande admiração por aqueles profitentes do Espiritismo do lado de cá, e compartilhar com eles algumas ações, não deixei de me juntar àqueles que, em vida, dividiram comigo as mesmas preocupações do clero, em fazer da Igreja que abraçamos um lugar de inclusão de todos, sem preconceitos de qualquer ordem e aberta ao diálogo. Sou favorável ao repensar de nossas práticas em direção a integração geral com todos os partidários do Cristo e do bem que somos, mas contra uma realidade posta, não posso me furtar de desconsiderá-la para manter-me fiel àquilo que doutrinariamente defendi em vida.
Diante desta realidade pós-vida física, diante da multiplicidade de experiências que obtemos, como ainda pensar em supremacia racial? Isto é uma ignomínia. Não se sustenta com a razão e o bom senso. É ainda reflexo do orgulho humano de querer-se mostrar superior uns aos outros.
Neste dia de comemoração à Consciência Negra (20/11), tenho a dizer que me congratulo com todos aqueles que lutam pelo reconhecimento dos direitos de sua raça, sem discriminação de qualquer ordem, porque quem discrimina é o homem, não é Deus, repito.
Hoje é o Dia Negro, não que tudo vai dar errado, como preconceituosamente tem sido atestado por aqueles que usam o verbo para separar as pessoas, mas porque haveremos de reverenciar os irmãos que vestem na presente experiência o manto negro na carne. A todos eles, ricos na cultura e na diversidade, quero deixar o meu abraço e o meu pedido de perdão. Perdão pela discriminação que inadvertidamente a nossa Igreja ajudou a sentenciar dando cores mais nítidas ao preconceito racial.
Perdoe-nos, irmãos! Quantas atrocidades, quantos abusos, e muitas vezes usando o santo nome de Deus, não foi desferido àqueles que voltavam na condição de escravos na Terra? Por esta razão, neste dia feliz de comemorações, junto-me aos gritos daqueles que lembram o herói dos Palmares:
     - Viva Zumbi! Viva Zumbi!

Helder Camara – Blog Novas Utopias

21.11.18

CIRCUNSTÂNCIAS


Questão 472 do Livro dos Espíritos

Os Espíritos que cercam os homens, que são inúmeros, sempre os influenciam, em constante troca de ideias, mais do que se pensa. Os de má índole aproveitam as oportunidades de invigilância e de falta de oração, para influenciarem do mesmo modo como pensam e agem, e quando não acham momento oportuno, eles criam situações para que o homem possa cair nas armadilhas dos seus desequilíbrios.
Isso sucede com todos os seres, sem exceção. Basta observarmos os pensamentos que surgem em nossa mente todos os dias, para que constatemos a aproximação dessas entidades que ignoram a verdade. A Terra se encontra, de certa forma, em uma faixa de inferioridade, e é por causa deste ambiente propício às paixões inferiores que os que se encontram nela são influenciados pelas más tendências.
Não pensemos que somente os encarnados são influenciados pelas más ideias, mesmo nos planos espirituais, os pensamentos soltos se aproximam de nós e, por vezes, se apoderam da nossa vontade para que aquilo se materialize. É, necessário muita vigilância na arte de filtrar o que chega a nós, para o proveito do nosso mundo interior.
Às vezes falamos somente coisas acertadas, mas vivemos algumas vezes nos desacertos. Para ficarmos livres dessas insinuações de desarmonia, é necessário pureza de coração, que forma, assim, um campo de força capaz de queimar os pensamentos intrusos que se aproximam de nós.
Quando na carne, a abertura para os pensamentos indesejados é maior, notando-se em toda parte criaturas de grande nobreza de caráter, vez por outra sendo envolvidas com ideias completamente fora do seu ambiente de viver e, por vezes, apegando-se a elas de maneira inacreditável. Eis porque Jesus é dotado de grande tolerância no campo da educação humana, e o perdão é praticado sem constrangimento pelas grandes almas, por conhecerem o ambiente da Terra. A influência é poderosa em todas as circunstâncias observadas. Os encarnados são cheios de fraquezas, e é nessas horas que os Espíritos inimigos se aproximam deles para manifestar suas paixões inferiores.
Sendo a vida uma luta, Deus permite que lutemos mediante todas as controvérsias, para experimentar a nossa resistência diante das nossas próprias inferioridades. E por isso devemos dar graças a Deus pela presença da Doutrina Espírita na Terra, pois ela vem com a mesma presença de Jesus, nos ajudar a todos a nos livrarmos das influências do mal, nos preparando contra essas investidas, nos mostrando que não devemos fugir dos problemas, mas vencê-los com as armas que o Evangelho coloca em nossas mãos.
Os Espíritos que gastam seu tempo em fazer o mal estão, no fundo, procurando o bem, que hoje ou amanhã encontrarão, porque todos somos feitos para e pelo amor. As forças mais perigosas, assim como as mais iluminadas, se encontram no absconso da vida, dependendo da seleção que os nossos dons possam nos ajudar a escolher.
Quando os pensamentos inferiores se apossarem da tua cabeça, ora pelos que te insinuam essas ideias; ajuda-os a compreender e aceitar outros caminhos, que ser-te-ão dadas novas forças para que possas ensinar e instruir. É bom que sejas forte em todas as lutas que, salientem o bem, porque somente ele ficará para sempre nos corações.
Em todos os momentos em que a fraqueza aparecer em teu caminho, aparecerão com ela Espíritos de más condições espirituais para te levarem ao mal. Analisa teus pensamentos todas as horas e alinha tuas ideias a todo momento, para não perderes a direção que o amor procura te indicar.

Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez - Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

20.11.18

FELICIDADE E DEVER


Reunião Pública de 13-7-59
(Questão 922 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec)

A procura da felicidade assemelha-se, no fundo, a uma caçada difícil.
Taxando-se por dom facilmente apreçável, há quem a procure entre os mitos do ouro, enferrujando as mais belas faculdades da alma, na fossa da usura; quem a dispute no prazer dos sentidos, acordando no catre da enfermidade; quem lhe suponha a presença na exaltação do poder terrestre, acolhendo-se à dor de extrema desilusão, e quem a busque na retenção do supérfluo, apodrecendo de tédio, em câmaras de preguiça.
Não há felicidade, contudo, sem dever corretamente cumprido.
Observa, pois, o dever de que a vida te incumbe.
Vê-lo-ás, hora a hora, no quadro das circunstâncias.
Na fé que te pede serviço.
No serviço que te roga compreensão.
No ideal que te pede caráter.
No caráter que te roga firmeza.
No exemplo que te pede disciplina.
Na disciplina que roga humildade.
No lar que te pede renúncia.
Na renúncia que te roga perseverança.
No caminho que te pede cooperação.
Na cooperação que te roga discernimento.
      Por mais agressivos se façam os empeços da marcha, não te desvie da obrigação que te recomenda o bem de todos, sempre que puderes e quanto puderes seja onde for.
Porque te mostre leal a ti mesmo é possível que a maioria te categorize a conta de ingrato e rebelde, fanático e louco.
A maioria, no entanto, nem sempre abraça o direito.
Não podemos esquecer que, no instante supremo da humanidade, ela, a maioria, estava com Barrabás e contra o Cristo.
Cumpre, assim, teu dever, e, tomando da terra somente o necessário à própria manutenção, de modo a que te não apropries da felicidade dos outros, estarás atingindo a verdadeira felicidade, que fulge sempre, como benção de Deus, na consciência tranquila.

Livro “Religião dos Espíritos” –  Francisco C. Xavier – Emmanuel – Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.