18.9.17

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXV

Prosseguindo a refletir sobre o capítulo 32 – “Notícias de Veneranda” –, da reveladora obra “Nosso Lar”, após a explanação inicial de Narcisa, André Luiz questiona sobre a natureza do mobiliário existente dos salões dos parques do Ministério do Esclarecimento... Notemos bem: m o b i l i á r i o! Em outras palavras, André se interessa em saber pelos “móveis” que compõem os salões, formados por “um verdadeiro castelo de vegetação”! Evidentemente, ele perguntava sobre mesas, cadeiras, possíveis estantes, etc. Perguntamos aos que consideram tudo o que existe no Mundo Espiritual como sendo fruto da mente: André Luiz teria sido iludido a tal ponto de não conseguir distinguir um objeto abstrato de um concreto?! Aos que vêm rotulando a sua obra de ficção, insistimos: por que, em nenhuma página de suas volumosas obras, sequer en passant, ele não se preocupa em esclarecer aos seus leitores, dizendo que estivesse fazendo literatura espírita de ficção?! Quando se refere à Natureza em “Nosso Lar”, mencionando o reino mineral, o vegetal e o animal, estaria ele apenas preocupado com literatura?! Se assim é, o que nos garante que, quando fala do reino hominal, além da morte, também não estivesse simplesmente compondo personagens imaginárias para as suas obras?! Eis algumas poucas perguntas que, respeitosamente, endereçamos aos nossos internautas, e aos adeptos da tese de que tudo, no Planeta Espiritual seja fruto de uma ilusão de natureza mental.
*
Ainda digno de nota é o que Narcisa diz ao autor espiritual de “Nosso Lar”, quando se refere às comemorações do Natal – do Nascimento de Jesus –, no mês de Dezembro, demonstrando que certas tradições terrestres continuam sendo cultivadas pelos desencarnados – pelo menos, nas Dimensões mais próximas da Crosta, de vez que, com certeza, nas Superiores, apegos a eventos assinalados pelo calendário humano já devem ter sido superados, embora, de nossa parte, acreditemos que o Advento de Jesus, descendo a Terra, essa pobre Esfera de nosso Sistema Solar, seja motivo de reverência em todas as demais Esferas do Sistema.
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Falando, agora, um pouco mais sobre Veneranda, Narcisa afirma que ela “é a entidade com maior número de horas de serviço na colônia e a figura mais antiga do Governo e do Ministério, em geral. Permanece em tarefa ativa, nesta cidade, há mais de duzentos anos.”
Novamente: se tudo o que existe no Mundo, ou Planeta, Espiritual, é de “mentirinha”, poderosa alucinação que, desde a Codificação, e mesmo antes dela, tem acometido a cabeça de inúmeros autores espirituais – inclusive, a do Cristo, que fala na existência de muitas moradas na Casa do Pai! –, por que Veneranda haveria de se preocupar em trabalhar tanto na cidade de “Nosso Lar”, onde, há mais de dois séculos, se encontrava em serviço ativo?! Trabalhar, fazendo o quê?!...
*
Para os chamados “puristas”, que vêm apregoando um “retorno” à Obra Kardeciana, rotulando a Obra Xavieriana de perturbação psíquica da parte do Médium, o Mundo Espiritual só serve como “estação de transição” para que o espírito possa, na primeira oportunidade, reencarnar – não serve para mais nada! Ora, até a Bíblia descreve o Éden, ou o Paraíso, com a sua exuberante Natureza, acolhendo, inclusive, a serpente, “mais sagaz eu todos os animais selváticos que o SENHOR Deus tinha feito”...
*
Para os “puristas”, considerados, por eles mesmos, “kardecistas da gema”, toda a Vida existe em função da matéria, e não do espírito, de vez que a Vida só tem utilidade quando o espírito está a pelejar nos campos da matéria grosseira! O Mundo Espiritual é apenas “trampolim” para uma nova existência terrena, de vez que, além da morte, nada se faz – não se estuda, não se trabalha, não se copula... Ops! Desculpem-me! De fato, para os “puristas”, o perispírito deve mesmo ser destituído de genitália, apenas não sabendo eu, nas culminâncias de minha ignorância, como é que, sendo o perispírito o MOB – “Modelo Organizador Biológico” –, através do qual o corpo carnal se organiza, ele, lisinho da silva, pode formar pênis e vulva, e, em alguns casos, anômalos, os dois de uma vez em um só corpo...
*
Apenas para encerrar, ainda sobre Veneranda, Narcisa esclarece: “Intimamente, ela vive em zonas muito superiores à nossa e permanece em ‘Nosso Lar’ por espírito de amor e sacrifício. Soube que essa benfeitora sublime vem trabalhando, há mais de mil anos, pelo grupo de corações bem-amados que demoram na Terra, e espera com paciência.”
O Senhor, por certo, haverá de continuar esperando, com paciência, pelos “puristas” e, igualmente, por nós outros, impuros de corpo e alma!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 18 de setembro de 2017.

17.9.17

EXTRA-TERRESTRES

Extra-terrestre? Existem.
Não são notícia sem fundo;
Elias saiu da Terra
Numa nave de outro mundo.


Livro: Trovas da Vida - Francisco C Xavier  - Cornélio Pires

16.9.17

À MOCIDADE

Enquanto te sorri a juventude
E tens a vida em lindo alvorecer,
Primavera em constante florescer,
Num festival de cor em plenitude...

Enquanto te revelas na atitude
De quem sonha e graceja com o prazer,
Ante o tempo a passar, sempre a correr,
E seja com o que for nunca se ilude...

Enquanto brilha a tua mocidade,
Não desperdices a oportunidade
De servir com Jesus de alma enlevada...

Pois, logo, sendo tarde, será noite,
E o teu corpo a dobrar-se ao duro açoite,
Será luz que se apaga ao fim da estrada!...

Irthes Terezinha
(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião pública do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã do dia 9 de setembro de 2017, em Uberaba – MG

15.9.17

EXAME CRÍTICO DAS DISSERTAÇÕES DE CHARLET SOBRE OS ANIMAIS - Continuação

    NOTA GERAL

    Um ensinamento importante, do ponto de vista da ciência espírita, ressalta dessas comunicações. A primeira coisa que toca, em as lendo, é uma mistura de ideias justas, profundas, e trazendo a marca do observador, ao lado de outras evidentemente falsas, e fundadas sobre a imaginação mais que sobre a realidade. Charlet era, sem contradita, um homem acima do vulgo, mas, como Espírito, não é mais universal do que o era quando vivo, e pode se enganar porque, não sendo ainda bastante elevado, não encara as coisas  senão sob o seu ponto de vista; não há, de resto, senão os Espíritos chegados ao último grau de perfeição que estão isentos de erros; os outros por alguns dons que tenham, não sabem tudo e podem se enganar; mas, então, quando são verdadeiramente bons, fazem-no de boa fé e nisso convêm francamente, ao passo que há os que o fazem conscientemente e se obstinam nas ideias mais absurdas. Por isso, é necessário guardar-se de aceitar o que vem do mundo invisível sem tê-lo submetido ao controle da lógica; os bons Espíritos o recomendam sem cessar, e não se melindram nunca com a crítica, porque de duas coisas uma, ou estão seguros do que dizem, e então não temem, ou não estão seguros e, se tem a consciência de sua insuficiência, procuram, eles mesmos, a verdade; ora, se os homens podem se instruir com os Espíritos, certos Espíritos também podem se instruir com os homens. Os outros, ao contrário, querem dominar, esperando que aceitem as suas utopias com o favor de seu título de Espíritos; então, seja presunção de sua parte, seja má intenção, não sofrem a contradição; querem ser acreditados sob palavra, porque sabem bem que eles não podem senão perder ao exame; se desagradam com a menor dúvida sobre a sua infalibilidade, e ameaçam soberbamente de vos abandonar como indignos de ouvi-los; também não gostam senão daqueles que se põem de joelhos diante deles. Não há homens assim feitos, e deve-se espantar de encontrá-los com os seus defeitos no mundo dos Espíritos? Entre os homens, um tal caráter é sempre, aos olhos das pessoas sensatas, um indício de orgulho, de vã suficiência, de tola vaidade, e partindo da pequenez nas ideias e de um falso julgamento; o que é um sinal de inferioridade moral entre eles não poderia ser um sinal de superioridade nos Espíritos.
Charlet, como se acaba de ver, se presta de bom grado à controvérsia; escuta e admite as objeções, e responde-as com benevolência; desenvolve o que estava obscuro e reconhece lealmente o que não está exato; em uma palavra, não quer se fazer passar por mais sábio do que é, e nisto, prova mais elevação que se obstinasse nas ideias falsas, a exemplo de certos Espíritos que se escandalizam tão-só com o anúncio de que as suas comunicações parecem suscetíveis de comentários.
    O que é ainda próprio desses Espíritos orgulhosos é a espécie  de fascinação que exercem sobre seus médiuns com a ajuda da qual, algumas vezes, chegam a fazê-lo partilhar os mesmos sentimentos. Dissemos de propósito seus médiuns porque eles se apoderam deles e querem Ter, neles, os instrumentos que agem de olhos fechados; não se acomodariam de nenhum modo com um médium escutador ou que visse muito claro; não é assim ainda entre os homens? Quando o encontraram, temem que se lhe escape, inspiram-lhe o afastamento de quem poderia esclarecê-lo; isolam-no de alguma sorte, a fim de que gozem de inteira liberdade, ou não o aproximam senão daqueles  dos quais nada tem a temer; e, para melhor captar a sua confiança, se fazem bons apóstolos usurpando os nomes de Espíritos venerados, dos quais procuram imitar a linguagem; mas agem inutilmente, a ignorância nunca poderá arremedar o verdadeiro saber, nem uma natureza má a verdadeira virtude; sempre o orgulho surgirá sob o manto de uma fingida humildade, e é porque temem ser desmascarados que evitam a discussão e dela desviam os seus médiuns.
    Não há pessoa, julgando friamente e sem prevenção, que não reconheça como má uma tal influência, porque cai sob o mais vulgar bom senso que um Espírito, verdadeiramente bom e esclarecido, não procuraria nunca exercê-la. Pode-se, pois, dizer que todo médium que lhes cede está sob o império de uma obsessão, da qual deve procurar se desembaraçar o mais cedo. O que se quer, antes de tudo, não são quando mesmo comunicações, mas comunicações boas e verdadeiras; ora, para Ter boas comunicações são necessários bons Espíritos, e para Ter bons Espíritos é necessário Ter médiuns livres de toda má influência. A natureza dos Espíritos que assistem habitualmente um médium é, pois, uma das primeiras coisas a considerar; para conhecê-la, exatamente, há um critério infalível, e isso não está nem nos sinais materiais nem nas fórmulas de evocação ou de conjuração que são encontradas; esse critério está  nos sentimentos que o Espírito inspira ao médium; pela maneira de agir deste último, pode-se julgar da natureza dos Espíritos que o dirigem e, por conseguinte, do grau de confiança que as suas comunicações merecem.

14.9.17

EXAME CRÍTICO DAS DISSERTAÇÕES DE CHARLET SOBRE OS ANIMAIS

    1 - Dissestes: Tudo o que vive pensa; não se pode, pois, viver sem pensar; essa proposição parece-nos um pouco absoluta, porque a planta vive e não pensa; admitis isso em princípio?
    R - Sem dúvida, não falo senão da vida animal, e não da vida vegetal; deveis bem compreendê-lo.
    2 - Mais adiante dissestes: Vereis que o animal vive verdadeiramente, uma vez que pensa; não há interversão na frase? Parece-nos que a proposição seja esta: Vereis que o animal pensa verdadeiramente, uma vez que vive.
    R - Isto é evidente.
    3 - Lembrai-vos dos desenhos que foram feitos sobre os animais de Júpiter; nota-se que tem uma analogia marcante com os sátiros da fábula; essa ideia de sátiros seria uma intuição da existência desses seres em outros mundos, e, nesse caso, não seria, então, uma criação puramente fantástica?
    R - Quanto mais o mundo seja novo, tanto mais se recorda; o homem tinha a intuição de uma ordem de seres intermediários, seja mais baixo que ele, seja mais elevado; é o que chamais deuses.
    4 - Admitis, então, que as divindades mitológicas não eram outras senão o que chamamos Espíritos?
    R - Sim.
    5 - Foi-nos dito que, em Júpiter, pode-se compreender somente pela transmissão do pensamento; quando os habitantes desse planeta se dirigem aos animais, que são os seus servidores e seus operários, tem o recurso de uma linguagem particular? Teriam, para os animais, uma linguagem articulada e entre eles uma linguagem de pensamento?
    R - Não, não há linguagem articulada, mas uma espécie de magnetismo de ferro que faz o animal curvar e fá-lo executar os menores desejos e as ordens de seus senhores; o Espírito, todo-poderoso, não pode se rebaixar.
    6 - Entre nós, os animais tem, evidentemente, uma linguagem, uma vez que esse compreendem, mas muito limitada; os de Júpiter tem uma linguagem mais precisa, mais positiva que os nossos, em uma palavra, tem uma linguagem articulada?
    R - Sim.
    7 - Os habitantes de Júpiter compreendem melhor que nós a linguagem dos animais?
    R - Eles veem neles e compreendem-nos perfeitamente.
    8 - Examinando-se a série dos seres vivos, acha-se uma corrente interrompida desde a madrépora, a planta mesmo, até o animal mais inteligente; mas entre o animal mais inteligente e o homem, há uma lacuna evidente, que deve ser preenchida em alguma parte, porque a Natureza não deixa nenhum degrau vago; de onde vem essa lacuna?
    R - Essa lacuna dos seres não é senão aparente porque ela não existe realmente; provém das raças desaparecidas. (São Luis)
    9 - Essa lacuna pode existir sobre a Terra, mas, seguramente não existe no conjunto do Universo e deve estar preenchendo alguma parte; não o seria ela senão para certos animais de mundos superiores que, como os de Júpiter, por exemplo, parecem se aproximar muito do homem terrestre pela forma, a linguagem e outros sinais?
    R - Nas esferas superiores, o germe eclode sobre a terra e, desenvolvido, não se perde nunca. Encontrareis, em vos tornando Espíritos, todos os seres criados ou desaparecidos nos cataclismas de vosso globo. (São Luiz)
    10 - Dissestes que tudo se aperfeiçoa, e como prova de progresso no animal, dissestes que outrora ele era mais rebelde ao homem. O animal se aperfeiçoa, isto é evidente; mas, sobre a Terra pelo menos, não se aperfeiçoa senão pelos cuidados do homem; abandonado a si mesmo ele retoma a sua natureza selvagem, mesmo o cão.
    R - E o homem, pelos cuidados de que ser se aperfeiçoa? Não é pelos cuidados de Deus? Tudo é escala na Natureza.
    11 - Falais de recompensas para os animais que sofrem maus tratos, e dizeis que é de toda justiça que haja compensação para eles. Pareceria, segundo isso, que admitis no animal a consciência do seu eu depois da morte, com a lembrança de seu passado; isto é contrário ao que nos foi dito. Se as coisas se passam tal como dizeis, disso resultaria que, no mundo dos Espíritos, haveria animais; então não haveria razão para que não houvesse Espíritos de ostras. Quereis, pois, dizer-nos se vedes ao vosso redor Espíritos de cães, de gatos, de cavalos ou de elefantes como vedes Espíritos humanos?
    R - A alma do animal, tendes perfeitamente razão, não se conhece na morte do corpo; é um conjunto confuso de germes que podem passar no corpo de tal ou tal animal, segundo o desenvolvimento que adquiriu; ela não é individualizada. Dir-vos-ei, entretanto, que em certos animais, em muitos mesmo, há individualidade.
    12 - Essa teoria, de resto, não justifica de nenhum modo os maus tratos dos animais; o homem é sempre culpado por fazer sofrer um ser sensível qualquer, e a doutrina nos diz que, por isso, será punido, mas daí, a colocar o animal numa condição superior à dele há uma grande distância; que pensais disso?
    R - Sim, mas estabeleceis sempre, todavia, uma escala entre os animais; pensai que há mundos entre certas raças. O homem é tanto mais culpado quanto mais seja poderoso.
    13 - Como explicais este fato, que mesmo no estado de selvagem o homem se faz obedecer pelo animal mais inteligente?
    R - É a Natureza que age, sobretudo, nisto;  o homem selvagem é o homem da Natureza, conhece o animal familiarmente; o homem civilizado estuda, e o animal se curva diante dele; o homem é sempre o homem diante do animal, quer seja selvagem ou civilizado.
    14 - (A .Charlet). Nada temos a dizer sobre este parágrafo que nos parece racional; tendes alguma coisa a acrescentar-lhe?
    R - Não tenho outra coisa a acrescentar que isto: os animais tem toda as faculdades que indiquei, mas neles o progresso se realiza pela educação que recebem do homem, e não por eles mesmos, o animal, abandonado ao estado selvagem, retoma o tipo que tinha ao sair das mãos do Criador, submisso ao homem ele se aperfeiçoa, eis tudo.
    15 - Isto é perfeitamente verdadeiro para os indivíduos e as espécies; mas considerando-se o conjunto da escala dos seres, há uma marca ascendente evidente, que não se detém nos animais da Terra, uma vez que os de Júpiter são superiores aos nossos, física e intelectualmente.
    R - Cada raça é perfeita em si mesma, e não formando raças distintas, mas não são os Espíritos de animais defuntos.
    16 - Em que se torna, então, o princípio inteligente dos animais defuntos?
    R - Retorna à massa onde cada novo animal haure a sua porção de inteligência que lhe é necessária. Ora, está aí precisamente o que distingue o homem do animal; é que nele o Espírito está individualizado e progride por si mesmo, e é também o que lhe dá superioridade sobre todos os animais; eis porque o homem, mesmo selvagem, como fizestes notar, se faz obedecer mesmo pelos animais mais inteligentes.
    17 - Dais a história de Balaão como um fato positivo; pensais nisso seriamente?
    R - É uma pura alegoria, ou antes, uma ficção para flagelar o orgulho; fez falar o asno de Balaão como La Fontaine fez falar muitos outros animais.
    18 - Nesta passagem, Charlet parece se deixar arrastar por sua imaginação, porque o quadro que ele faz da degradação moral do animal é mais fantástico que científico.
    R - Com efeito, o animal não é feroz senão por necessidade, e foi para satisfazer  essa necessidade que a Natureza lhe deu uma organização especial. Se uns querem se nutrir de carne, foi por um objetivo providencial, e porque era útil à harmonia geral que certos elementos fossem absorvidos. O animal é, pois, feroz pela sua constituição, e não se conceberia que a queda moral do homem pudesse fazer brotar dentes caninos no tigre e encurtar seus instintos, porque então não haveria razão para que não tivesse o mesmo resultado sobre o carneiro. Dizemos antes que o homem, sobre a Terra, estando pouco avançado, aí se encontra com seres inferiores sob todos os aspectos, e cujo contato é, para ele, uma causa de inquietação, de sofrimentos, e, por consequência, uma fonte de provas que o ajudam em seu adiantamento futuro.
    Que pensa Charlet destas reflexões?
    R - Não posso senão aprová-las. Eu era um pintor, e não um literato ou um sábio; eis porque me deixo, de vez em quando, ao prazer, novo para mim, de escrever belas frases, mesmo às expensas da verdade; mas o que dissestes aí está muito justo e bem inspirado. No quadro que tracei, bordei sobre certas ideias concebidas para não machucar nenhuma convicção. A verdade é que as primeiras idades eram idades de ferro, bem distantes dessas pretendidas dores; a civilização, descobrindo cada dia novos tesouros acumulados sobre a bondade de Deus, no espaço tão bem quanto na Terra, faz o homem conquistar a verdadeira terra prometida, aquela que Deus concederá à inteligência e ao trabalho, e que não entregará toda enfeitada nas mãos de homens e crianças, que deveriam descobri-la pela sua própria inteligência.
       De resto, esse erro que cometi não podia ser nocivo aos olhos de pessoas esclarecidas, que deveriam facilmente reconhecê-lo; para os ignorantes, passariam despercebidos. Entretanto, eu errei, nisto envergonho; agi levianamente, e isto vos prova em que ponto deveis controlar as comunicações que recebeis.

Continua amanhã...

13.9.17

FADIGA DURANTE O REPOUSO

Questão 412 do Livro dos Espíritos

O sono é um reparador das energias gastas nas atividades durante o dia e coloca o corpo predisposto a receber forças cósmicas que o Espírito respira no plano da Vida Maior; no entanto, se a alma se encontra atribulada, onde quer que seja, ela transmite para o seu instrumento de carne essa turbulência, de forma que o corpo não descansa. Por vezes, levanta-se pela manhã mais cansado do que quando se deitou.
É nesse sentido que sempre pedimos aos companheiros no mundo físico que se preparem para o sono com orações e leituras sadias porque, dessa forma, podem ter bons sonhos e ambiente elevado, que o levam a respirar energias superiores, reabastecendo o corpo somático, para enfrentar as lutas de cada dia.
Os pensamentos inferiores fatigam o corpo. Eles, em si, já são forças negativas capazes de destruir momentos de paz e o sossego da alma. Todas as emoções que o Espírito tem no decorrer do sono, na erraticidade, são passadas ao corpo, que se afigura como fio-terra. Ele recebe as cargas magnéticas inferiores e sofre as consequências. No fundo, é o mesmo Espírito que criou o ambiente negativo e que passa a sofrer sua influência.
Devemos ter unissonância com a alegria pura. Ela leva energias superiores para todo o soma. Mesmo a alma que se encontre no plano do Espírito, com a alegria é capaz de reabastecer todas as fibras do corpo físico, rejuvenescendo-o em todos os seus aspectos espirituais e fisiológicos.
Quando alguém consegue fazer-nos sentir ferido, armazenamos miasma inferior nos centros de forças, que o encaminha, por força da lei, a todos os pontos do sistema nervoso, levando a alma a emoções inferiores e precipitadas. Os sonhos são, certamente, produto de encontros no mundo espiritual; no entanto, somente somos atraídos para lugares que correspondem as nossas vibrações espirituais.
Onde está o nosso tesouro, aí se encontra o nosso coração. Essa frase é evangélica e certa para o assunto de que estamos tratando no momento. Não é culpa de alguém, se estamos sonhando com coisas inferiores. Atraímos o que somos. Quando encontramos algo de mau por fora, é irradiação de dentro que busca o seu igual na manutenção dos próprios desejos. Se superiores, acendemos luz; se inferiores, andamos nas trevas.
É recomendável que o homem se prepare durante o dia, com pensamentos elevados, com conversações dignas e com atitudes nobres, pois, com o tempo necessário, não terá sonhos inferiores. Em certas pessoas, as reformas são breves, em outras, demoradas. Pela lei das reencarnações, juntamente com o carma, é fácil de compreender essa situação. Os que se demoram nas trevas não devem esmorecer nos primeiros sinais da revolta da natureza ou rejeição aos pensamentos elevados. Devem enfrentar todos os reveses, pois “aquele que perseverar até o fim, será salvo”, nos diz o ensinamento divino. Ninguém perde em fazer o bem, praticar a caridade e viver o amor. Jesus, para o mundo da Sua época, foi vencido, mas, para Deus, foi o vencedor, e o mundo, a humanidade, haverá de reconhecer que Ele era, foi e será sempre aquele que nunca perdeu nas lutas em favor de todos os povos.
O sono é hora de descanso e reparo das forças físicas, e mesmo espirituais, mas devemos nos preparar para não nos desviarmos dos caminhos por onde podemos preparar tanto o corpo como o Espírito, no sentido de receber as bênçãos de Deus, pelos canais do descanso. Tenhamos mais concordância com o bem, para que o amor não saia do nosso roteiro e se transforme em luz na sustentação da vida.
Nunca podemos descansar o corpo sem preparar o Espírito, e esse preparo a Doutrina dos Espíritos nos ensina como fazê-lo, na ordem do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amemos, e o descanso já se encontra em caminho; continuemos a amar, que em nosso coração há uma fonte de energia capaz de sustentar todas as nossas atividades, porque o amor verdadeiro nunca se cansa.


Livro: Filosofia Espírita – João Nunes Maia – Miramez - Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.

12.9.17

ESPIRITISMO – FÉ - III

       356 –A dúvida racionada, no coração sincero, é uma base para a fé?
         -Toda dúvida que se manifesta na alma cheia de boa-vontade, que não se precipita em definições apriorísticas dentro de sua sinceridade, ou que não busca a malícia para contribuir em suas cogitações, é um elemento benéfico para a alma, na marcha da inteligência e do coração rumo à luz sublimada da fé.
         357 –É justa a preocupação dominante em muitos estudiosos do Espiritismo, pelas revelações do plano superior, a título de enriquecimento da fé?
         -Toda curiosidade sadia é natural. O homem, no entanto, deve compreender que a solução desses problemas lhe chegará naturalmente, depois de resolvida a sua situação de devedor ante os seus semelhantes, fazendo-se, então, credor das revelações divinas.


Livro “O Consolador” –  Francisco C. Xavier – Emmanuel – Todos os livros Espíritas como este vendidos em nossa loja terão o lucro repassado à Casa Espírita de Oração Amor e Luz.