A celebração da Semana Santa não surgiu como um evento único, mas como uma construção gradual ao longo dos primeiros quatro séculos do Cristianismo. Ela evoluiu de uma celebração anual simples da Ressurreição para um ciclo complexo que recria os últimos dias de Jesus.
RECONSTRUÇÃO HISTÓRICA
Nos primeiros cem anos após a morte de Jesus não existia uma "Semana Santa". Os primeiros seguidores do Nazareno, depois conhecidos como cristãos, celebravam apenas a Páscoa, que era uma celebração única e contínua da Paixão, Morte e Ressurreição.
A celebração estava intimamente ligada à Pessach (Páscoa Judaica) e havia uma disputa sobre a data.
Alguns grupos celebravam no dia 14 do mês de Nisan (calendário lunar), enquanto outros defendiam que a celebração deveria ser sempre em um domingo, o dia da ressurreição.
A partir do ano 200 d.C., a celebração começou a se desmembrar.
Documentos como a Tradição Apostólica de Hipólito de Roma mostram que os fiéis começaram a observar um jejum rigoroso na sexta-feira e no sábado, culminando na vigília pascal no domingo. Surgia daí o conceito do Tríduo Pascal.
No século IV é que a ideia de se criar a Semana Santa se consolida como a conhecemos hoje, impulsionado por dois fatores principais.
Primeiramente, devido ao Concílio de Niceia (325 d.C.). O Imperador Constantino e os bispos padronizaram a data da Páscoa: ela deveria ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia do equinócio da primavera (no Hemisfério Norte). Isso separou definitivamente a data cristã da judaica.
O segundo fator refere-se à influência de Jerusalém e a Peregrina Egéria. Após a "paz constante" de Constantino, Jerusalém tornou-se um centro de peregrinação. Os fiéis queriam rezar nos locais exatos onde os eventos ocorreram. Egéria, uma viajante (possivelmente da Galiza ou Gália), escreveu o Itinerarium, um diário detalhado descrevendo as liturgias em Jerusalém por volta de 381-384 d.C. Ela relata procissões no Domingo de Ramos e serviços especiais na Sexta-Feira Santa, que os peregrinos levavam de volta para suas cidades na Europa e no Oriente.
Pouco a pouco, houve a evolução para a comemoração em dias específicos.
O Domingo de Ramos originou-se em Jerusalém no século IV. Os fiéis carregavam ramos de palmeira ou oliveira da Igreja do Monte das Oliveiras até a cidade.
A Quinta-Feira Santa começou a ser celebrada para marcar a instituição da Eucaristia. No final do século IV, em Cartago e Roma, já havia celebrações especiais para o "Lava-pés".
A Sexta-Feira Santa, inicialmente, era um dia de silêncio e jejum absoluto. A veneração da Cruz (beijar a relíquia) começou em Jerusalém após o suposto achado da "Verdadeira Cruz" por Helena, mãe de Constantino.
O Sábado de Aleluia (Vigília), historicamente, era o momento principal para o batismo de novos convertidos (os catecúmenos), significando o renascimento para uma nova vida.
Entre os séculos X e XIV, a Semana Santa ganhou contornos mais dramáticos.
Surgiram as encenações da Paixão, as procissões de flagelantes e as representações do "Santo Sepulcro", visando ensinar a história de Jesus para uma população que, em sua maioria, não sabia ler.
Uma curiosidade histórica é que a Quaresma (os 40 dias de preparação) só se estabilizou por volta do século IV. Antes disso, o jejum pré-páscoa durava apenas alguns dias ou uma semana. O número 40 foi adotado para espelhar o tempo de Jesus no deserto e o êxodo dos hebreus.
Como demonstrado, a Semana Santa e a Quaresma, fazem parte da liturgia da Igreja Católica Apostólica Romana e que outras denominações religiosas aderiram a ela.
Lembrando que liturgia é o culto público oficial e a celebração comunitária da fé de algumas religiões cristãs.
O ESPIRITISMO E A SEMANA SANTA
E o Espiritismo o que tem a ver com a Semana Santa?
A princípio, nada!
Allan Kardec, o sistematizador do pensamento espírita, não tratou deste assunto, por dois motivos básicos: (1) o Espiritismo não é uma religião institucional; e (2) O Espiritismo não é um braço institucional da Igreja Católica Apostólica Romana.
Não há, literalmente, uma linha na conhecida Codificação Espírita ou no conjunto das 12 edições anuais da Revista Espírita (1858 – 1869) referindo-se a este assunto e por um motivo muito simples: não cabe ao Espiritismo se imiscuir em assuntos de qualquer religião.
No Brasil, o Espiritismo e os espíritas passaram a “cultuar” a Semana Santa - e principalmente a Páscoa - como se fosse uma “liturgia espírita”.
Vejamos, abaixo, algumas possíveis razões dessa absorção deste credo católico pelos espíritas:
a forte influência cultural católica de mais de cinco séculos no Brasil que impôs um comportamento automático deste evento passado de geração em geração;
a baixa instrução doutrinária dos espíritas;
a catolicidade dos espíritas;
a conveniência de estratos do movimento espírita em não esclarecer este contexto e ir de encontro ao status quo.
A postura encontrada para minimizar esta idiossincrasia doutrinária é criar um analogismo: criar uma visão espirita desta liturgia católica.
Os argumentos utilizados para este fim, na maioria dos casos, são bem arrazoados.
Alguns são construídos a partir da lógica de uma leitura particular, mas deixando claro que o Espiritismo não trata desta data comemorativa, mas interpreta o significado moral e psicológico que se pode tirar daqueles momentos derradeiros da passagem de Jesus no corpo físico. Como aliás, de toda a trajetória existencial de Jesus, e que isso pode ser feito em qualquer momento e não apenas numa data específica.
Outros, porém, nitidamente, deixam suas tintas de catolicidade e criam simbolismos – os quais o Espiritismo não lida.
DIFERENÇAS DOUTRINÁRIAS
Em uma rápida análise das diferenças doutrinárias abissais entre o Espiritismo e o Catolicismo sobre o tema, pode-se destacar:
Quaresma e Jejum
Na Codificação Espírita, especialmente em "O Livro dos Espíritos", a ideia de privação física (como o jejum quaresmal) é ressignificada. O verdadeiro jejum é o da alma — abster-se do egoísmo, do orgulho e da maledicência. Na Questão 724 de O Livro dos Espíritos, aborda-se que a privação de alimentos é meritória apenas se for feita em benefício do próximo. Allan Kardec comenta na Revista Espírita (1862) que as práticas exteriores não têm valor se o coração permanecer impuro.
Domingo de Ramos
Este evento é tratado como um exemplo da volubilidade humana. Na Revista Espírita, Allan Kardec observa em diversas passagens (como em análises sobre a "Opinião Pública") como a mesma multidão que estendeu ramos para Jesus no domingo foi a que pediu sua crucificação na sexta-feira. A lição aqui é sobre a fragilidade dos aplausos terrestres e a necessidade de fidelidade aos princípios espirituais, independentemente do reconhecimento externo.
Semana Santa e a Paixão
A "Paixão", se insistirmos em ter uma visão espírita, pode ser vista não sob a ótica do sofrimento redentor pelo sangue, mas como o testemunho supremo de amor. O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo XV ("Fora da Caridade não há Salvação"), reforça-se que o sacrifício de Jesus foi o exemplo máximo de entrega. Na Revista Espírita (setembro de 1860) há comunicações sobre o "Suplício de Jesus", enfatizando que o Mestre não veio para apaziguar a ira de Deus, mas para mostrar que o espírito triunfa sobre a matéria e a morte.
Sábado de Aleluia
Não há menção específica ao "Sábado de Aleluia" como festa litúrgica na codificação, mas o conceito de Jesus entre os mortos é explicado pela comunicabilidade espiritual. O Espiritismo ensina que, enquanto o corpo de Jesus estava no sepulcro, sua individualidade espiritual estava ativa, consolidando os ensinos aos seus discípulos em espírito (o que explica as aparições posteriores).
Páscoa
Este é o ponto de maior distinção doutrinária. Para o Espiritismo, a "Ressurreição" de Jesus não foi o retorno do corpo de carne, mas sua aparição em corpo espiritual (perispírito). A Gênese, no seu Capítulo XV, Allan Kardec explica os fenômenos das aparições de Jesus após a morte como manifestações mediúnicas de efeitos físicos e visuais (materializações). O que se denomina como Páscoa, neste contexto analógico, celebra a Imortalidade da Alma. Jesus provou que a morte é apenas uma transição e que a individualidade persiste.
Particularmente, creio que a comemoração da Semana Santa pelos católicos e pelos espíritas com matriz mental católica só faz bem.
Lembrar os episódios finais da encarnação de Jesus, didaticamente para o aprendizado espiritual, é magnífico.
A estatura moral desse Homem e seu exemplo de fibra e coerência, sobretudo neste momento de ápice da dor humana, são excepcionais.
A superioridade espiritual deste ser que zela pelo planeta Terra, segundo as suas próprias palavras, representa o alento de bilhões de vidas, entre encarnados e desencarnados.
A demonstração da imortalidade que afasta de vez as crenças materialistas e promove novo alento para a humanidade é espetacular.
O fato de falarmos sobre Ele, sua mensagem e obra, é mais uma evidência da sua imortalidade.
A passagem do vazio perante o nada depois da morte para a esperança da continuidade da vida já serviu para despertar consciências adormecidas sem fé e esperança.
Um dia, uma parte dos espíritas entenderá que o Espiritismo não é uma versão reformada da Igreja Católica que aceita a reencarnação e pratica a mediunidade. Ocasião em que estará se libertando de paradigmas de antigas crenças que o Espiritismo veio combater.
O mais importante é que no estágio de progresso espiritual de cada um a reflexão sobre este acontecimento da vida de Jesus faça algum bem.
Imagine o halo psíquico e energético que deve ser criado por causa da mobilização desta temática nas mentes e corações de centenas de milhões de espíritos os dois planos da vida, além dos desarmes de ódio e vingança?
Neste ponto, cada um deve acreditar no que achar melhor para si e ninguém tem nada a ver com isso.
Avancemos com Jesus!
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Referências Bibliográficas
ALBERIGO, Giuseppe (Org.). História dos Concílios Ecumênicos. São Paulo: Paulus, 1995.
EGÉRIA. Peregrinação de Egéria (Itinerarium Egeriae). Tradução de Alexandra de Brito Oliveira. Petrópolis: Vozes, 1998.
KARDEC, Allan. A Gênese: os milagres e as predições segundo o espiritismo. 53. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2013.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 131. ed. Brasília: FEB, 2013.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 93. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2013.
KARDEC, Allan. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. Coleção Completa (1858-1869). Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Brasília: FEB, 2004-2009.
DIX, Dom Gregory. The Shape of the Liturgy. 3. ed. Londres: Continuum, 2005.
JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago, 2001.
RECONSTRUÇÃO HISTÓRICA
Nos primeiros cem anos após a morte de Jesus não existia uma "Semana Santa". Os primeiros seguidores do Nazareno, depois conhecidos como cristãos, celebravam apenas a Páscoa, que era uma celebração única e contínua da Paixão, Morte e Ressurreição.
A celebração estava intimamente ligada à Pessach (Páscoa Judaica) e havia uma disputa sobre a data.
Alguns grupos celebravam no dia 14 do mês de Nisan (calendário lunar), enquanto outros defendiam que a celebração deveria ser sempre em um domingo, o dia da ressurreição.
A partir do ano 200 d.C., a celebração começou a se desmembrar.
Documentos como a Tradição Apostólica de Hipólito de Roma mostram que os fiéis começaram a observar um jejum rigoroso na sexta-feira e no sábado, culminando na vigília pascal no domingo. Surgia daí o conceito do Tríduo Pascal.
No século IV é que a ideia de se criar a Semana Santa se consolida como a conhecemos hoje, impulsionado por dois fatores principais.
Primeiramente, devido ao Concílio de Niceia (325 d.C.). O Imperador Constantino e os bispos padronizaram a data da Páscoa: ela deveria ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia do equinócio da primavera (no Hemisfério Norte). Isso separou definitivamente a data cristã da judaica.
O segundo fator refere-se à influência de Jerusalém e a Peregrina Egéria. Após a "paz constante" de Constantino, Jerusalém tornou-se um centro de peregrinação. Os fiéis queriam rezar nos locais exatos onde os eventos ocorreram. Egéria, uma viajante (possivelmente da Galiza ou Gália), escreveu o Itinerarium, um diário detalhado descrevendo as liturgias em Jerusalém por volta de 381-384 d.C. Ela relata procissões no Domingo de Ramos e serviços especiais na Sexta-Feira Santa, que os peregrinos levavam de volta para suas cidades na Europa e no Oriente.
Pouco a pouco, houve a evolução para a comemoração em dias específicos.
O Domingo de Ramos originou-se em Jerusalém no século IV. Os fiéis carregavam ramos de palmeira ou oliveira da Igreja do Monte das Oliveiras até a cidade.
A Quinta-Feira Santa começou a ser celebrada para marcar a instituição da Eucaristia. No final do século IV, em Cartago e Roma, já havia celebrações especiais para o "Lava-pés".
A Sexta-Feira Santa, inicialmente, era um dia de silêncio e jejum absoluto. A veneração da Cruz (beijar a relíquia) começou em Jerusalém após o suposto achado da "Verdadeira Cruz" por Helena, mãe de Constantino.
O Sábado de Aleluia (Vigília), historicamente, era o momento principal para o batismo de novos convertidos (os catecúmenos), significando o renascimento para uma nova vida.
Entre os séculos X e XIV, a Semana Santa ganhou contornos mais dramáticos.
Surgiram as encenações da Paixão, as procissões de flagelantes e as representações do "Santo Sepulcro", visando ensinar a história de Jesus para uma população que, em sua maioria, não sabia ler.
Uma curiosidade histórica é que a Quaresma (os 40 dias de preparação) só se estabilizou por volta do século IV. Antes disso, o jejum pré-páscoa durava apenas alguns dias ou uma semana. O número 40 foi adotado para espelhar o tempo de Jesus no deserto e o êxodo dos hebreus.
Como demonstrado, a Semana Santa e a Quaresma, fazem parte da liturgia da Igreja Católica Apostólica Romana e que outras denominações religiosas aderiram a ela.
Lembrando que liturgia é o culto público oficial e a celebração comunitária da fé de algumas religiões cristãs.
O ESPIRITISMO E A SEMANA SANTA
E o Espiritismo o que tem a ver com a Semana Santa?
A princípio, nada!
Allan Kardec, o sistematizador do pensamento espírita, não tratou deste assunto, por dois motivos básicos: (1) o Espiritismo não é uma religião institucional; e (2) O Espiritismo não é um braço institucional da Igreja Católica Apostólica Romana.
Não há, literalmente, uma linha na conhecida Codificação Espírita ou no conjunto das 12 edições anuais da Revista Espírita (1858 – 1869) referindo-se a este assunto e por um motivo muito simples: não cabe ao Espiritismo se imiscuir em assuntos de qualquer religião.
No Brasil, o Espiritismo e os espíritas passaram a “cultuar” a Semana Santa - e principalmente a Páscoa - como se fosse uma “liturgia espírita”.
Vejamos, abaixo, algumas possíveis razões dessa absorção deste credo católico pelos espíritas:
a forte influência cultural católica de mais de cinco séculos no Brasil que impôs um comportamento automático deste evento passado de geração em geração;
a baixa instrução doutrinária dos espíritas;
a catolicidade dos espíritas;
a conveniência de estratos do movimento espírita em não esclarecer este contexto e ir de encontro ao status quo.
A postura encontrada para minimizar esta idiossincrasia doutrinária é criar um analogismo: criar uma visão espirita desta liturgia católica.
Os argumentos utilizados para este fim, na maioria dos casos, são bem arrazoados.
Alguns são construídos a partir da lógica de uma leitura particular, mas deixando claro que o Espiritismo não trata desta data comemorativa, mas interpreta o significado moral e psicológico que se pode tirar daqueles momentos derradeiros da passagem de Jesus no corpo físico. Como aliás, de toda a trajetória existencial de Jesus, e que isso pode ser feito em qualquer momento e não apenas numa data específica.
Outros, porém, nitidamente, deixam suas tintas de catolicidade e criam simbolismos – os quais o Espiritismo não lida.
DIFERENÇAS DOUTRINÁRIAS
Em uma rápida análise das diferenças doutrinárias abissais entre o Espiritismo e o Catolicismo sobre o tema, pode-se destacar:
Quaresma e Jejum
Na Codificação Espírita, especialmente em "O Livro dos Espíritos", a ideia de privação física (como o jejum quaresmal) é ressignificada. O verdadeiro jejum é o da alma — abster-se do egoísmo, do orgulho e da maledicência. Na Questão 724 de O Livro dos Espíritos, aborda-se que a privação de alimentos é meritória apenas se for feita em benefício do próximo. Allan Kardec comenta na Revista Espírita (1862) que as práticas exteriores não têm valor se o coração permanecer impuro.
Domingo de Ramos
Este evento é tratado como um exemplo da volubilidade humana. Na Revista Espírita, Allan Kardec observa em diversas passagens (como em análises sobre a "Opinião Pública") como a mesma multidão que estendeu ramos para Jesus no domingo foi a que pediu sua crucificação na sexta-feira. A lição aqui é sobre a fragilidade dos aplausos terrestres e a necessidade de fidelidade aos princípios espirituais, independentemente do reconhecimento externo.
Semana Santa e a Paixão
A "Paixão", se insistirmos em ter uma visão espírita, pode ser vista não sob a ótica do sofrimento redentor pelo sangue, mas como o testemunho supremo de amor. O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo XV ("Fora da Caridade não há Salvação"), reforça-se que o sacrifício de Jesus foi o exemplo máximo de entrega. Na Revista Espírita (setembro de 1860) há comunicações sobre o "Suplício de Jesus", enfatizando que o Mestre não veio para apaziguar a ira de Deus, mas para mostrar que o espírito triunfa sobre a matéria e a morte.
Sábado de Aleluia
Não há menção específica ao "Sábado de Aleluia" como festa litúrgica na codificação, mas o conceito de Jesus entre os mortos é explicado pela comunicabilidade espiritual. O Espiritismo ensina que, enquanto o corpo de Jesus estava no sepulcro, sua individualidade espiritual estava ativa, consolidando os ensinos aos seus discípulos em espírito (o que explica as aparições posteriores).
Páscoa
Este é o ponto de maior distinção doutrinária. Para o Espiritismo, a "Ressurreição" de Jesus não foi o retorno do corpo de carne, mas sua aparição em corpo espiritual (perispírito). A Gênese, no seu Capítulo XV, Allan Kardec explica os fenômenos das aparições de Jesus após a morte como manifestações mediúnicas de efeitos físicos e visuais (materializações). O que se denomina como Páscoa, neste contexto analógico, celebra a Imortalidade da Alma. Jesus provou que a morte é apenas uma transição e que a individualidade persiste.
Particularmente, creio que a comemoração da Semana Santa pelos católicos e pelos espíritas com matriz mental católica só faz bem.
Lembrar os episódios finais da encarnação de Jesus, didaticamente para o aprendizado espiritual, é magnífico.
A estatura moral desse Homem e seu exemplo de fibra e coerência, sobretudo neste momento de ápice da dor humana, são excepcionais.
A superioridade espiritual deste ser que zela pelo planeta Terra, segundo as suas próprias palavras, representa o alento de bilhões de vidas, entre encarnados e desencarnados.
A demonstração da imortalidade que afasta de vez as crenças materialistas e promove novo alento para a humanidade é espetacular.
O fato de falarmos sobre Ele, sua mensagem e obra, é mais uma evidência da sua imortalidade.
A passagem do vazio perante o nada depois da morte para a esperança da continuidade da vida já serviu para despertar consciências adormecidas sem fé e esperança.
Um dia, uma parte dos espíritas entenderá que o Espiritismo não é uma versão reformada da Igreja Católica que aceita a reencarnação e pratica a mediunidade. Ocasião em que estará se libertando de paradigmas de antigas crenças que o Espiritismo veio combater.
O mais importante é que no estágio de progresso espiritual de cada um a reflexão sobre este acontecimento da vida de Jesus faça algum bem.
Imagine o halo psíquico e energético que deve ser criado por causa da mobilização desta temática nas mentes e corações de centenas de milhões de espíritos os dois planos da vida, além dos desarmes de ódio e vingança?
Neste ponto, cada um deve acreditar no que achar melhor para si e ninguém tem nada a ver com isso.
Avancemos com Jesus!
Carlos Pereira - Blog de Carlos Pereira
Referências Bibliográficas
ALBERIGO, Giuseppe (Org.). História dos Concílios Ecumênicos. São Paulo: Paulus, 1995.
EGÉRIA. Peregrinação de Egéria (Itinerarium Egeriae). Tradução de Alexandra de Brito Oliveira. Petrópolis: Vozes, 1998.
KARDEC, Allan. A Gênese: os milagres e as predições segundo o espiritismo. 53. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2013.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 131. ed. Brasília: FEB, 2013.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 93. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2013.
KARDEC, Allan. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. Coleção Completa (1858-1869). Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Brasília: FEB, 2004-2009.
DIX, Dom Gregory. The Shape of the Liturgy. 3. ed. Londres: Continuum, 2005.
JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago, 2001.
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